1.6.13

Lawrence da Arábia

Lawrence da Arábia
David Lean
Filme
1962
8 em 10

Mais uma das sessões clássicas da UCI, no El Corte Inglés. A primeira foi o Taxi Driver. Desta vez não conseguimos convites, porque perdemos o passatempo, mas não podíamos perder a oportunidade de ver um dos clássicos mais influentes do cinema no grande ecrã.

Este filme relata, ao longo de quase quatro horas - três horas e quarenta minutos, para ser mais precisa - a vida e obra de Lawrence, um soldado inglês que intervencionou a Arábia durante a primeira guerra, levando-a à independência e à união dos povos. É um filme extraordinário, porque consegue ser enorme e nunca ser chato.

A cinematografia está lindíssima, com grandes imagens panorâmicas de um deserto pavoroso. Mas no filme até parece quase agradável. O facto de terem de ter estado a viajar pelo deserto nos anos sessenta para filmar isto é fantástico. É sem dúvida uma grande produção, com centenas de pessoas envolvidas (e centenas de cavalos também). As cenas de guerra são violentas e emocionantes, apesar de o sangue destas pessoas ser bastante cor de rosa.

A música será para sempre lembrada. Mesmo antes de ver o filme (eu nunca tinha visto este filme), já reconhecia a música como sendo a do Lawrence da Arábia. O tema e as suas variações adicionam tensão crescente a cenas que são muito simples, nomeadamente o nascer do sol.

Mas o que mais me impressionou foi a evolução da personagem (que existiu, mas consta que o filme não está muito exacto) e o trabalho de actor por detrás dessa evolução. Lawrence passa de jovem culto um pouco avoado, com um bom coração, a uma máquina de guerra imparável, manietada pelas influências políticas superiores, devido ao trauma que encontrou no facto de sentir prazer com o sofrimento e com a morte. O infeliz vai passando progressivamente para o outro lado, cada vez mais perturbado pelas marcantes mortes que teve de executar e assistir.

A sinopse que me deram deste filme foi "é um gajo que vai para o deserto viver com o pessoal do deserto e depois passa-se". Confere. Vale muito a pena ver este filme, sobretudo se forem em breve para ainda o apanharem no cinema. A versão restaurada está exemplar, com uma vivacidade nas cores e no detalhe que se equipara aos filmes de agora. Excepto que este foi feito sem computadores.

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