25.8.14

Jane Eyre

Jane Eyre
Charlotte Bronte
1847
Romance

O nome da senhora tem um trema no O do apelido, mas não o consigo por neste teclado.

Oh, o romance clássico! Daqui vieram todas as sombras de grey, sim! Daqui veio a literatura de cordel feminina! Daqui vieram os shoujos dos 70s! Porque é que eu imaginei todo este livro e personagens em estilo shoujo dos 70s?

Jane Eyre é uma coitadinha. Tem uma vida infeliz e toda a sua vida é infeliz, até que tudo acaba bem. Mas a história não interessa por aí além. É uma história simples, um romance daqueles de amor, um romance de pessoas que se amam apaixonadamente, em que há rivais, em que há desgraças seguidas de alegrias. Tudo isto passado no século XIX na Inglaterra rural. Portanto, um romance histórico. Excepto que foi escrito nessa altura. Portanto, nem a maior pesquisa consegue igualar a exactidão da descrição da época de um livro que foi escrito nessa época.

O ponto de interesse neste livro é a personagem de Jane Eyre. Exploram-se vários assuntos dentro desta personagem, complexa e bem estabelecida. Observamos o seu crescimento como mulher e a sua luta pela independência. Nesta época, talvez falar sobre estes assuntos fosse um tabu. É quase feminismo!

Esta personagem tem valores tipicamente cristãos, o que também seria apropriado dessa época. No entanto, não é um livro que nos tente pregar e obrigar a grandes filosofias teológicas. Em vez disso, coloca na boca da personagem os conceitos éticos e morais em que deveríamos acreditar. E como esta personagem é sincera e assertiva, o livro dá muita liberdade para pensarmos como ela ou não.

Jane Eyre é uma pessoa simpática, com quem se gostaria de conversar. É um personagem modelo e dela vieram muitas outras. O livro é modelo também para muitos outros livros. Assim, acho que vale a pena dar-lhe uma olhadela, nem que seja para sabermos como as coisas eram e como vieram a ser mais tarde. Além do mais, lê-se muito rápido e é bastante simples, apesar da linguagem estar bastante desactualizada e dos conceitos inseridos já serem parte de um passado longínquo.

Não será um daqueles clássicos eternos que nunca envelhecem. Mas é muito interessante e, sobretudo, muito divertido!

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