21.7.11

Jigoku Shoujo

Jigoku Shoujo
Omori Takahiro
Anime - 26 episódios
2005
6 em 10

 Com certeza que já tiveram vontade de assassinar alguém. Talvez aquele homem que vos abandonou no Miradouro de Santa Luzia às quatro da manhã de uma noite de Inverno. Talvez aquela pessoa que gozava com vocês na escola por vocês gostarem de ver anime. Ou quiçá aquela velha estúpida que vos passou à frente na paragem da autocarro. Pois bem, isso agora, É INTEIRAMENTE POSSÍVEL E GRATUITO! Basta mandar um e-mail num site que só aparece à meia noite, com o nome da vítima, e Enma Ai, Jigoku Shoujo (a Rapariga do Inferno) fará o obséquio de enviar essa pessoa para o Inferno. Em troca, a vossa alma também irá para o Inferno quando morrerem, mas isso é o menos. Como diz a Joana, "eu tenho um triplex no Inferno!". Eu cá tenho um chalé de montanha.

 Adiante! Fui ver este anime com muitas expectativas, depois de o meu amigo Tjan me ter feito a recomendação (e olhem que este gajo é marado, para ele dizer que alguma coisa vale a pena ou é porque é muita estranha ou porque vale mesmo a pena). Infelizmente o radar do Tjan, desta vez, devia estar avariado, porque fiquei muito desapontada. Vamos ver isto ponto a ponto:

 A arte é desapontante. Um trabalho de 2005-2006 tem obrigação de ter arte melhor que esta. Em cenas que se baseiam no horror, uma animação excelente tem de ser conseguida. Mas esta animação é tão miserável e feita às três pancadas que as cenas, que poderiam ter sido pavorosas e que me poderiam ter traumatizado para sempre, ficaram apenas ridículas, minimizadas.

 A história é simples, mas eficiente. A ideia de base está muito bem conseguida, mas a concretização não será a ideal. A natureza episódica de toda a série, com um fio condutor liderado por novos personagens introduzidos apenas a começar a meio, tornam tudo muito lento, muito previsível e muito aborrecido. Cada história individual tem o seu interesse (destruído, está claro, pela arte mal cuidada) mas não é muito complexa. Poderiam ter adicionado um factor psicológico muito mais forte, o que teria tornado a série mais séria e mais assustadora.

 Em termos de personagens, temos quatro tipos de personagens. Enma Ai, cuja ausência de caracterização é precisamente o seu ponto forte. Poderia ter sido um novo Kusuriuri caso não lhe tivessem desenhado uma miserável história passada (engraçado notar que apesar de ser completamente desnecessária e de destruir todo o ideal de uma personagem, foi a história que mais me interessou de toda a colecção). Os personagens de suporte, que são os amigos da rapariga do Inferno, ou seus escravos, ou criados, não interessa. E também a Tsugumi, a piquena que tem visões. Depois temos o jornalista detective, um outro personagem principal apresentado a meio da série para descobrir mais sobre Enma Ai e para levar ao seu desnecessário desenvolvimento. E, finalmente, todos os outros intervenientes das histórias individuais. Estes últimos só têm uns traços característicos, e são muito clichés. Em resumo, um leque enorme de personagens, todos feitos à pressa ou destruídos pelas convenções do lugar comum.

 A música é capaz de ser o aspecto mais interessante de toda a série. Mantém o nível misterioso e dá uma certa seriedade a todo o ambiente circundante que é, mas uma vez, destruído pela animação.

 Enfim, uma série cheia de potencial desgraçada por um mau aproveitamento de tudo o que tinha. Diz que a segunda season é melhor, por isso a ver vamos.

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