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25.3.16

Número Zero

Número Zero
Umberto Eco
2015
Romance

Após a triste morte deste autor de que gosto tanto, foi-me dada a oportunidade (através do BookCrossing) de ler o seu último romance. Claro que me agarrei a ela com dentes e unhas! Bem, poucas unhas, que eu não tenho muitas...

Mais uma vez, Umberto Eco apresenta-nos uma história de mistério e conspiração. Mas, desta feita, tudo se passa num jornal. Um jornal planeado para nunca existir! A conspiração aparece-nos, então, sob a forma de diálogo entre os vários personagens. Acaba por ser uma história um pouco densa e difícil de cativar, pois não compreendemos ao início como pode esta conspiração estar relacionada com as pessoas envolvidas na narrativa. Só mesmo no final é que aparece um ponto em comum, mas o livro termina logo ali e desaponta um pouco (porque "agora é que estava a aquecer"). Também há um longo diálogo acerca de carros que ficou para além da minha compreensão, mas eu não entendo nem gosto nada de carros.

Curiosamente, a escrita deste livro é muito, muito, muito simples e directa. Para autor de tal erudição, é curioso ver que neste último romance ele se deixou conquistar pelo comum leitor e nos apresenta uma história que pode ser lida por qualquer pessoa. Evidentemente, não deixa de estar muito bem escrita.

Finalmente, pareceu-me que o objectivo primordial deste pequeno volume é fazer uma velada crítica ao mundo editorial e jornalístico, que é apresentado sobre uma luz um pouco negativa, mas tão carregada de ironia que uma pessoa não consegue deixar de lançar umas boas gargalhadas.

Gostei bastante, portanto obrigada à pessoa que mo emprestou! :)

10.10.12

O Pêndulo de Foucault

O Pêndulo de Foucault
Umberto Eco
Romance Histórico
1988

Ora bem, Umberto Eco. Umberto Eco não é só um escritor. É um "filósofo, semiólogo e linguista". E faz teorias da conspiração! Super divertidas! Vejamos:

Três amigos, bastante cultos, trabalham para uma editora que edita autores por conta própria e faz negócio da desgraça deles. Ora, como estão sem nada para fazer e aparece lá um gajo com uma mensagem cifrada dos templários eles metem-se a decifrar a mensagem e a inventar uma teoria da conspiração megalómana e universal, chamada de "O Plano". Entretanto passam-se vários anos e vários países e Casaubon, o personagem principal, vai vendo várias macumbas, ritos de seitas e outras coisas mais e associando tudo ao Plano. Relembro que foi inventado.

Excepto que afinal é tudo verdade e eles começam a ser perseguidos pelos Rosa-Crucianos.

MAS ISSO É UM DETALHE.

O que importa neste livro não é a conspiração, mas sim a riqueza da conspiração. O livro é uma crítica aos conspiradores, tudo aquilo que eles fazem pode ser simplesmente inventado. Está escrito com uma pureza, com uma erudição ilimitada, mas é fantástico como palavras tão complicadas se tornam tão simples, tão fluídas.

E o sentido de humor presente em todo o livro é a maior delícia. A teoria, o Plano, é só um divertimento. Até nos momentos finais, que são realmente um pouco... Bem, bastante tristes, o autor mantém uma sagacidade e uma agudeza de espírito implacáveis.


Excelente leitura, livro muito difícil mas que me manteve agarrada do início ao fim.

20.9.11

O Cemitério de Praga

O Cemitério de Praga
Umberto Eco
Livro
2010

 Mais uma vez Umberto Eco mostra o seu génio. O meu pai quis muito que eu lê-se este livro e lá fui eu à aventura. Ainda bem que fui, porque aventura como esta não há!

 Este é o diário, intercalado pelo trabalho de um narrador quando está confuso ou ilegível, de Simone Simonini e do seu alter-ego, o Abade Dalla Picolla. Simonini é inventado, mas influenciou muitas guerras, revoluções e alterações históricas na sua interacção com todos os outros personagens que, por mais fantástico que seja, são reais. Claro que isto teria mais graça se eu soubesse alguma coisa da história italiana e francesa do pós-revolução e era Napoleónica, mas como não sei... Aprendi!

 Escrito com um humor implacável, de uma ironia delicada, este livro é um retrato perfeito da época. Das vestes aos hábitos e, sobretudo, a comida, tudo está caracterizado com detalhes suculentos e apetitosos. Ao ler este livro, senti-me quase a saborear as receitas do século XIX que ilustram o dia-a-dia de Simonini!

 A história fala-nos da história, mas sobretudo de histórias inventadas. Histórias contra a maçonaria, contra os judeus, contra os comunistas, contra tudo o que é necessário para ganhar mais dinheiro à custa da credulidade de outrém. Por isso não há uma, mas várias histórias, todas elas hilariantes no sentido em que são inventadas (porém com consequências reais), mas todas elas escritas com o máximo de seriedade.

 Um livro delicioso, muito recomendável.