8.7.12

She

She
H. Rider Haggard
Romance
1886

Um livro que comprei com o objectivo de fazer Bookcrossing com ele. Não esperava grande coisa deste livro e, apesar de ser um clássico com 10 adaptações para o cinema, achei que também não era grande coisa.

Antes de mais a linguagem deste livro é uma coisa abominável, de tão anciã e complicada. Tive muita dificuldade em acompanhar a escrita, porque realmente o meu inglês não é assim tão bom, e alguns termos desactualizados (como ""Oh!", he ejaculated.") fizeram-me perder completamente a concentração. Mas lá o consegui terminar.

Conta a história de um homem babuíno e do seu filho adoptivo leão e do seu criado porco que se vão meter no meio de África à procura da solução para umas mensagens deixadas por uns antepassados. São apanhados por uma tribo bárbara e canibal, cujo líder é SHE, uma mulher linda, mágica e encantadora que domina tudo e todos (e que é imortal e que é linda, já disse isso?) Ora, ela diz que quer casar com o gajo giro, leva-os lá para o meio da montanha e depois acontece-lhe uma magia qualquer e safam-se. ORA QUE CONVENIENTE!

É um livro racista e misógino. Os desgraçados dos "selvagens" são caracterizados como sub-humanos, como verdadeiros animais. Apenas os Ingleses são verdadeiros seres humanos e civilizados. O que interessa que aquela gente tenha vivido assim desde há 2000 anos? Somos Ingleses somos claramente superiores! E Ayesha, a She, a Femme-Fatale, por mais fatal e poderosa que seja tem de depender de um homem? Existe para tornar a ver o seu apaixonado? É a pessoa mais poderosa do universo, mas a sua vontade verga-se perante o homem? Acho desapontante que pessoas que se consideravam tão civilizadas nesta época tenham opiniões tão bárbaras.

Além disso o livro é muito pouco convincente. É suposto ser um relato da vida real, mas o facto de o Holly se lembrar perfeitamente de todas as frases que foram ditas naquele período é pouco verossímil.

Enfim, só é bom porque é um clássico com belas imagens do mundo selvagem Africano. De resto, ainda bem que a sociedade evoluiu. Viver com gente como Haggard haveria de ser um sacrifício enorme para mim.

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