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8.3.17

Yuusha Tokkyuu Might Gaine

Yuusha Tokkyuu Might Gaine
Takamatsu Shinji - Sunrise
Anime - 47 Episódios
1993
4 em 10

Este é um anime tão reminiscente dos mechas dos anos 70 que parece ter mesmo sido feito nos anos 70. Uma qualidade fraquíssima, uma história sem jeito e sempre o final objectivo de se venderem muitos brinquedos.

Numa nova Tóquio muito linda (que não aparece em qualquer tipo de cenário, pois toda a cção parece decorrer em sítios inóspitos), um comboio luta contra as forças do mal. Este comboio transforma-se num robot. Quando é necessário, junta-se a outros comboios para que se façam robots maiores. E lutam contra um inimigo semanal, cada vez maior e mais poderoso, até à apoteose final de cada episódio. Não existe uma história estruturada e a motivação para que se avance de episódio em episódio fica reduzida ao mínimo assim que se percebe que são todos iguais.

Em termos de personagens, temos o maquinista do comboio robot, um rapaz assim em jeito de Batman, muito rico, muito secreto, com muitos poderes robóticos. O comboio tem inteligência artifiial e fala com ele, mas as suas conversas não envolvem nada de interesse. Para acompanhar este pseudo-herói, temos uma fonte de paixão e um melhor amigo e um criado (mais Batman?), que também não sofrem qualquer tipo de caracterização e muito menos desenvolvimento.

A animação é de tão fraca qualidade que até merece uma nota de pena. Para os anos 90, tudo isto é terrível, com sequências de animação recicladas em todos os episódios, design de maquinaria obsoleto e inexistência de fluidez ou coreografias nos momentos de acção.

Musicalmente, temos sons característicos do género e pouco mais.

Apesar de tudo, até foi ligeiramente divertido ver isto, porque nunca se sabe quando uma coisa má pode ainda ficar pior.

Fortaleza Digital

Fortaleza Digital
Dan Brown
1998
Romance

Na altura do pico de popularidade deste autor, prometi a mim própria, após uma leitura em diagonal de uma edição francesa dos seus livros, que nunca lhe iria tocar nem com o cabo de uma vassoura. Mas entretanto parece que o cabo de vassoura se tornou no cabo de um piaçaba, porque não cumpri a promessa: dentro dos livros furtados à minha irmã estava este e não resisti a lê-lo.

De leitura simples, este é um romance sobre a paranóia dos segredos digitais (mais tarde revelados verdade pelo Sr. Snowden), cheio de acção e muitos twists para resolver. Infelizmente, tudo é bastante previsível e simplificado, uma espécie de Umberto Eco para as crianças (digamos assim).

Os personagens são, para começar, demasiado perfeitos. Inteligentíssimos, brilhantes, bonitos, atraentes, tudo têm de bom. E a verdade é que não ficam nem melhores nem piores, porque são completamente estáticos na sua caracterização.

Depois, os mistérios e a forma de resolução são tão previsíveis como pouco coerentes. Como é que a mestra dos anagramas e da criptografia tem de ser ajudada pelo seu noivo para resolver o problema. Para mais, há um denegrir da figura feminina ao longo de todo o livro, em que estas figuras são sempre tomadas como o elo mais frágil da cadeia, não demonstram qualquer tipo de personalidade nem movimento em relação à acção que se desenrola.

Apesar de ser um livro enorme, lê-se num instante, como um qualquer blockbuster de cinema.