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16.7.12

Muramasa

Muramasa
Osamu Tezuka - Tezuka Productions
Anime - Filme
1987
8 em 10

Este é um filme de 8 minutos dirigido por Osamu Tezuka, o rei do anime e pioneiro da animação japonesa.


Aí está para vocês verem, que vale muitíssimo a pena e não custa nada a ninguém.

Um pouco de história só para ter a noção: era uma vez um tipo chamado Sendo Muramasa que fazia espadas. O gajo era um bocado passado da caixa dos pirulitos, por isso formou-se à volta dele uma lenda que dizia que quem pegasse numa espada dele ficava doidão. Mas mesmo sem esta noção, o anime desenvolve uma situação muito mais complexa que uma espada assombrada.

"Aquele que segurar uma espada para destruir espantalhos também se tornará num espantalho"

Seguimos portanto o caminho de um homem que começa por destruir espantalhos e a sua sede de sangue, ilógica e injustificada (como todas o são), se desenvolve até à sua própria morte. É um pequeno elogio à loucura, com uma moral discreta: também tu podes morrer sob o mesmo objecto que mata os outros. Quase se pode dizer que é um manifesto anti-guerra, anti-morte, anti-tortura, anti-sadismo, anti-sofrimento.

Temos uma animação muito simples, duas frames de cada vez, mas muito eficiente em conjunto com a música. É uma curta que, como todas deveriam, prima pela simplicidade. Os desenhos são muito bonitos e os poucos momentos de animação estão muito bem feitos.

Um perfeito exemplo do que uma pessoa verdadeiramente talentosa pode fazer. Muito recomendado.

Optimus Alive





Eu era para não ir ao Alive. Queria muito ir, ao dia 14, queria muito ir ver The Cure e queria um bocadinho ver a Florença e as Máquinas, mas não tinha ninguém para vir comigo. Mas depois a Sandra disse que ia! E outros amigos ganharam bilhetes num passatempo! Viva! Fui!

Mas, ao contrário de outros Alives que estiveram cheios de aventuras, este não foi uma experiência muito agradável psicologicamente.

O espaço é o de sempre, três palcos mas bandas a tocar à entrada. Muitos espaços com presentes e muitas actividades. E achei esse o maior defeito. Tantas actividades que parecia que as pessoas não estavam lá nem pelos concertos nem pela música. Passei três concertos na fila para uma t-shirt (mas eram concertos que não me interessavam muito. Mas também não fiquei a conhecer as bandas, que era o meu objectivo), que saiu bastante gira e estou a usar neste momento.

Depois houve ali um momento na casa de banho que envolveu umas filas de proporções gargantuescas.  Que me pôs completamente psicótica. Completamente passada da marmita. Desculpas a todos. Ao menos não fui expulsa.

Depois não podia beber sob o risco de ter de ir à casa de banho durante o concerto.

E depois não vi Morcheeba.

Mas ainda assim valeu a pena. Valeu a pena porque vi The Cure. E, sem contar com toda a existência do Gackt, The Cure é a minha banda preferida e Robert Smith era o tio que eu queria ter (porque ninguém substitui o meu pai)

Estávamos um bocado mal localizados, por isso só podíamos ver os ecrãs. Fomos avançando ao longo do concerto, mas mal os conseguimos ver. Mas estavam lá. Via-se no ecrã. O Robert está um bocado mais envelhecido do que da última vez que o vi, mas ainda assim esteve ali a dar-lhe com a fé toda. E continua a pintar os lábios com coelhinhos de amora. <3

Para mim foi um concerto maravilhoso. Apesar de terem tocado algumas músicas que eu não conhecia (o que me deixou em grande suspense, eu pensava que sabia a discografia toda! Terei perdido um álbum recente?) o ambiente geral foi muito bem conseguido, com um ritmo constante, fácil de gostar, fácil de dançar. Muitos solos, o Robert estava todo passado. Mas solos mesmo bonitos. Dizem que era para fazer o concerto durar mais tempo, mas eu acho que estavam lá a acreditar no que queriam fazer. Deram-lhe muito nas músicas lentas, o que deixou o público um bocado atazanado, mas eu gostei. O Robert quis tocar uma música e não o deixaram e isso reflectiu-se no resto do concerto. Como público, achei que lhe falhámos.



As pessoas não estavam viradas para ouvir a introspecção do Robert. As pessoas queriam dançar. Mas o Robert queria uma cena calma, era a onda que tinha nesse dia. O que não é ideal para um concerto de festival, mas quando se é o líder dos The Cure pode-se estar na onda que se quer e dizer a toda a gente "ma cagar". E foi o que ele fez. Falhámos quando ele nos pediu, mas ainda assim foi um fofo e continuou lá. Durante três horas e meia. Com três encores. And that's it. Não percebi o que fazia tanta gente a ir-se embora, tanta gente a reclamar e tanta gente a mandar vir. Não gostam não viessem! Senti falta dos verdadeiros fãs, mas se calhar era porque estava muito longe do palco.

Os arranjos eram diferentes do que estamos habituados a ouvir no album, mas tudo aquilo juntamente com as luzes, com a voz sentimental do Robert Smith e com o fabuloso talento que esta banda tem para tocar os seus instrumentos, tornou-se numa viagem lindíssima, um pouco psicadélica mas muito feliz.

Uma bonita trip que envolveu dançar e cantar non-stop durante as horas todas (com pausa para ir embora porque ninguém estava à espera de três encores)

Obrigada Robert, por me fazeres tão feliz. Mesmo com todas as outras coisas. Tu fazes o dia valer a pena.