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10.9.17

Contos do Nascer da Terra

Contos do Nascer da Terra
Mia Couto
1997
Contos

Mais um livro de Mia Couto, no processo de me convencer que afinal este autor não é merecedor do meu desprezo.

Em "Contos do Nascer da Terra", o autor explora de forma inocentada mitos e lendas africanas da zona, para além de nos remeter para um mundo passado, quase infantil, de brincadeiras e ansiedades juvenis. São contos muito curtos, que sempre causam uma certa estranheza. Mas eu gosto de coisas um bocadinho estranhas.

São contos em que as pessoas sofrem consequências por actos que não obedecem às crenças da região, sendo que os castigos infligidos são tanto bizarros como divertidos, para além de haver sempre uma carga simbólica na relação pessoa-objecto.

Já não me estranha as palavras inventadas. Lendo o livro com o sotaque Moçambicano, tudo faz mais sentido.

4.9.17

Uma História da Leitura

Uma História da Leitura
Alberto Manguel
1996
Ensaio 

Como podem ver, ultimamente a minha lista de leitura tem-me presenteado com uma série de oportunidades para ler não-ficção. Nunca entrei muito nesse campo, mas a veradde é que há livros surpreendentemente bons e interessantes! Este é um deles.

Utilizando extensa bibliografia documental e muitas referências históricas, Alberto Manguel conta-nos uma história: a história do livro enquanto objecto e a história da humanidade enquanto leitora de livros. Este autor é especialmente conhecido por ter sido o "leitor" de Jorge Luís Borges numa das fases da sua vida, em que já se encontrava cego. Assim, o autor faz uma ponte entre as suas experiências pessoais enquanto leitor, tomando-as como ponto de partida para análise dos comportamentos dos leitores ao longo da história da humanidade.

Assim, ficamos a saber uma série de coisas curiosas, como a origem dos primeiros livros (placas de barro presas por corda), o papel dos vários elementos da sociedade em relação aos livros (por exemplo, as diferenças de época e de geografia na função da mulher enquanto entidade de leitura) ou mesmo alguns estereótipos que se mantêm até hoje (como o do caixa de óculos, rato da biblioteca, ideia nascida num livro de conselhos para a sociedade do século XVII)

Tudo isto escrito com muito humor e candura, mas também de forma directa, sem nunca abusar da crítica nem do auto-elogio.

Um livro sobre livros que foi um prazer ler! Orgulhosa leitora me anuncio!

3.9.17

A Varanda do Frangipani

A Varanda do Frangipani
Mia Couto
1996
Romance

O frangipani é uma árvore africana que perde todas as folhas no momento da floração. Esta é uma árvore simbólica e mágica no contexto deste livro, mais uma das minhas tentativas de reconciliação com Mia Couto.

Tudo começa com um espírito de uma pessoa morta. Está descansado, debaixo da terra, até que um pangolim mágico lhe dá a oportunidade de passar por uns momentos ao mundo dos vivos, observando tudo através do corpo de um polícia encarregado de investigar o assassinato de um director de lar de idosos. O espírito assiste às entrevistas com os habitantes deste lar, que não são muitos, sendo que cada um tem uma versão diferente da história.

O romance navega por histórias de magia e mistério tribal, esclarecendo-nos e também ao personagem sobre estes hábitos rituais ainda presentes na cultura do povo moçambicano. Assim, o livro acaba por ser uma sucessão de descrições de artes mágicas muito específicas e características, sempre em relação à guerra passada, o que não deixa de ser bastante interessante.

O que mais me cativou neste livro foi, sem dúvida, o final carregado de simbolismo e mística.

Talvez este autor não seja assim tão horrível. Ainda tenho mais para ler. ;)

1.9.17

A Rapariga de Antes

A Rapariga de Antes
JP Delaney
2017
Romance

Há imenso tempo que não recebia um livro do BookCrossing! Este, apesar de ser bastante grande, foi lido no dia a seguir à sua recepção, num dia especialmente secante. A verdade é que é um livro que se lê muito bem e rápido, pois é extremamente simples.

O elemento que achei mais estranho neste livro foi a sua incrível semelhança como o já famosíssimo A Rapariga no Comboio. Portanto, este livro trata-se de uma homenagem em modo cópia ou, penso eu, JP Delaney é outro pseudónimo da autora. A estrutura é igualzinha, o tema muito semelhante e a conclusão um decalque. Achei mesmo muito estranho.

Mas sobre que trata, afinal? Uma rapariga muda-se para uma casa cheia de regras, construída sobre tons minimalistas, para tentar recuperar-se da perda de um bebé. Passado algum tempo, descobre que nessa casa vivia uma rapariga em tudo igual a ela, mas que foi assassinada. Assim, ela tenta descobrir o que se passou, para se proteger, enquanto começa uma relação com o senhorio, um louco arquitecto. Enquanto isso, vamos lendo a narrativa da rapariga de antes, que a caracteriza como uma mentirosa compulsiva, tornando sempre mais difícil encontrarmos o verdadeiro culpado.

Achei curioso que essencialmente todos os personagens deste livro sofrem de algum tipo de perturbação mental. No entanto, esta acaba por falhar na sua caracterização e fica a parecer que os distúrbios não estão lá enquanto elementos, mas mais como algo decorativo. Também a progressão do tempo é pouco clara. No entanto, gostei bastante do facto de este livro estar inserido na nossa realidade do presente, com todas as tecnologias espertas a que temos acesso agora.

Foi uma leitura divertida, embora não seja especialmente boa.



Obra Poética II - Sophia de Mello Breyner Adresen

Obra Poética II
Sophia de Mello Breyner Adresen
1959 - 1962
Poesia

Confesso-me culpada desde já: eu tenho uma alergia de morte a esta autora. Desde que a elevavam a totem animal nas aulas de português do secundário que não a posso ver à frente. No entanto, eu sou de dar segundas oportunidades, e terceiras, e quartas, na medida em que os livros me vão aparecendo para ler.

Mas esta segunda oportunidade revelou-se apenas mais uma confirmação dos meus engasgos com a autora.

Portanto, apresento uma lista de tudo o que detesto nela:
  • O mar
  • As referências clássicas
  • Os poemas de duas linhas
  • As frases citáveis
  • As cores sempre repetidas
  • A tua face e o teu rosto
  • Os bichos aquáticos cefalópodes
  • O cheiro
Quanto àquilo que gosto...? Bem, talvez a brutalidade das imagens em si.

Será que ainda apanharei mais volumes desta antologia? Quem sabe...

Inception

Inception
Christopher Nolan
2010
Filme
6 em 10

Grande falha minha por nunca ter visto este filme! Finalmente tive a oportunidade. Sempre me haviam falado muito dele, por ser sobre sonhos: a verdade é que os sonhos que tenho são uma grande componente da minha vida, como podem ver por algumas das histórias que publico no Bentivi Urbano. Infelizmente, o filme acabou por me desapontar um pouco, apesar de ser um exercício bastante interessante.

Neste universo existe uma tecnologia que permite que as pessoas partilhem os seus sonhos. Como ela surge e como é utilizada, é pouco falado. Neste caso, um grupo de espiões industriais usa esta técnica para obter segredos de grandes magnatas. Um dia, é-lhes proposto um negócio diferente: fazerem uma "inception", isto é, plantar uma ideia no subconsciente de uma pessoa.

O filme baseia-se na estrutura da arquitectura do sono para nos levar através de uma aventura pelos sonhos dos outros. Cada um tem a sua função específica, que achei mal explicada e um pouco incompleta, e cada um sonha à sua maneira. E parece-me que é aqui que está o principal problema do filme: a característica mais importante dos sonhos é, precisamente, eles serem surrealistas. E aqui todos os elementos nos remetem para um mundo real onde a única coisa que se altera são as regras. Assim, os personagens parecem muito limitados no seu poder. Afinal, se são eles a sonhar, poderiam fazer o que quisessem. Poderiam optar por não morrer, isto considerando que se trata de um sonho em que se tem o mínimo de controlo. Poderiam optar por alterar o próprio sonho.

Portanto, o filme acaba por ser um compêndio de cenas de acção, acompanhado por uma ligeira análise de personagem, em localizações que não fariam sentido numa narrativa normal.

O final é a melhor parte, pois nos deixa com uma assaltante dúvida. De resto, esperava muito, muito mais.

Baía dos Tigres

Baía dos Tigres
Pedro Rosa Mendes
1999
Não-Ficção

Pedro Rosa Mendes é um jornalista que no final dos anos 90 decidiu encetar uma viagem tanto louca como heróica: atravessar, a pé, a África, de Angola a Moçambique, tal como o haviam feito certos artistas em séculos idos.

Infelizmente, a África do final dos anos 90 é um campo minado, o que só torna tudo mais difícil. Neste livro o autor conta-nos mais do que a sua viagem: fala-nos das pessoas que conheceu, das suas experiências neste continente, das consequências que a guerra teve nas suas vidas.

Confesso que não aprecio muito literatura de viagens, mas que este tipo de narrativa, contando pequenos pedaços de vidas já estilhaçadas, me atrai muito. Assim, acabei por gostar bastante deste livro, que nos mostra uma realidade que tem vindo a ser muito escondida dos nossos media É possível viver nestes países em conforto e felicidade? Talvez, de uma maneira muito alterada. Mas a verdade é que a realidade destas pessoas ultrapassa em muito a nossa capacidade de compreender, de tão diferente que é.

Cada história é uma pessoa e cada pessoas tem a sua história. Este livro mostra-nos isso.