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1.11.16

Neo Tokyo

Neo Tokyo
Vários - Madhouse Studios
Anime - 3 Episódios
1989
7 em 10

Este filme com três "episódios" apanhou-me completamente de surpresa! Estava na lista de nomeados do meu clube e acabei por o ver sem saber nada sobre ele. Trata-se de um especial da Madhouse, já de tempos idos (final dos anos 80), em que três realizadores criam uma secção. São todas diferentes e a conclusão é um pouco bizarra. Vejamos.

A primeira secção é do genial Rintaro e dá pelo nome de "Labyrinth Labyrinthos". Trata de uma menina que, com o seu gato, atravessa um espelho e se vê perseguindo um estranho palhaço por um labirinto pleno de coisas fantásticas. A animação é, simplesmente, brilhante. Extraordinária para a época, mostra coisas que nem hoje se vêm todos os dias.

A segunda secção, de nome "O homem que corre", é realizado por Yoshiwaki Kawajiri (que realizou Ninja Scroll, a título de exemplo). Esta é a história de um homem que sofreu um acidente numa corrida de carros e do jornalista que o investiga. Os processos mentais pelos quais o "homem que corre" passa são extraordinários, havendo também uma animação exemplar, um pouco mais moderna, mas nem por isso mais original.

Finalmente, na terceira secção - "Parar a Construção" - realizada por Otomo Katsuhiro (Akira) temos uma vertente um pouco mais humorística, com um homem enviado para uma cidade de robots para parar a construção da mesma mas que é impedido por estes. Os cenários são fabulosos e a história muito engraçada.

Para mim, o grande defeito deste conjunto é que não há uma união das histórias no final. Este deixa um pouco a desejar, apesar de dar que pensar. Assim, acabei por classificar este anime com um ponto a menos.

Ainda assim, recomendo-o vivamente, pois é uma espectacular experiência visual.

Shingetsutan Tshikihime

Shingetsutan Tsukihime
Sakurabi Katsushi - J.C. Staff
Anime - 12 Episódios
2003
6 em 10

"Não existe um anime de Tsukihime", é o que dizem por aí. Segundo consta, esta adaptação da novel de Type-Moon seria tão má que nem sequer deveria ser considerada como existente. Mas como eu nada sei sobre a novel original, observo este anime como mais um que, vendo bem as coisas, até foi bastante interessante.

Um rapaz teve um acidente e nada recorda dessa ocasião. Quando num acesso de loucura ataca uma rapariga e ela lhe aparece mais tarde, tudo começará a tomar forma. A narrativa é clara, mas ainda assim plena de mistério, introduzindo alguns temas curiosos, como uma estranha relação da igreja local (de crenças bastante bizarras) com uma mitologia vampírica que tem a sua própria estrutura.

Os personagens estão bem concebidos, sendo que a sua relação acaba por evoluir a velocidade cruzeiro. No entanto, talvez o culminar desta relação tenha sido um pouco exagerado, sendo que também aparenta haver um excesso de meninas que, por vezes, não actuam de nenhuma forma sobre a evolução do personagem principal.

A animação é típica da sua época, mas ainda assim um pouco fraca. É defeito pessoal, mas não gosto muito do estilo do início dos 00s. Considerando o que vai por fora disto, deve dizer-se que as cenas de acção não estão especialmente fluídas e há uma evidente falta de orçamento em alguns momentos, que poderia ter sido melhor aproveitado. A paleta de cores é escura e um pouco monótona, sendo os tons mais sombrios difíceis de distinguir.

Talvez a melhor parte deste anime tenha sido a música, que pode ser considerada um percursor da genial banda sonora de KnK.

Portanto, para mim sim: existe um anime de Tsukihime. Não está nada mau!


Nós, os Marcianos

Nós, os Marcianos
Isaac Asimov
1955
Contos

Antes de mais, um anúncio importantíssimo! Terminei a minha pilha TBR! A física, pelo menos. :p Portanto, regressei por enquanto ao meu Kobo, onde iniciei a leitura de um pouco de ficção científica. Este meu primeiro livro de Isaac Asimov fala de viagens espaciais e dá-nos uma perspectiva muito humana sobre o que poderá ser o nosso futuro.

São quatro histórias que falam sobre as vivências humanas no espaço e o nosso convívio eventual com formas de vida inteligentes alienígenas. Os contos estão plenos de uma ironia muito inocente e o desfecho de cada uma das histórias é surpreendente. No segundo conto, devo dizer, fartei-me de rir com a conclusão.

Tudo isto nos mostra que, num futuro distante, tudo será muito mais pacífico do que poderíamos pensar à primeira vista. Eu também partilho dessa teoria: se os aliens são suficientemente evoluídos para chegar aqui, porque nos haveriam de fazer mal? Não terão eles tanto medo de nós como nós deles?

Para mais, repare-se o ano de publicação desta colectânea. Os anos 50 já foram há muito tempo! Quão prodigiosa seria esta imaginação para perespectivar um futuro tão longínquo com tanto detalhe?

Mas repare-se: apesar de as histórias serem sobre aliens, foi uma pessoa a escrevê-las. Há sempre um viés algures aqui escondido. ;)

Plastic Neesan

Plastic Neesan
Mizushima Tsutomu - TYO Animations
Anime OVA - 12 Episódios 
2011
5 em 10

Estes doze episódios vêem-se em 20 minutos: cada um tem 2. Trata-se de uma comédia muito simples, que segue as aventuras e desventuras de três mocinhas que pertencem ao clube de modelismo.

Mas pouco se fala de modelismo e as piadas são aquelas que já vimos na maior parte dos animes do género. Em dois minutos não é possível haver uma boa caracterização dos personagens, mas há um esforço por estabelecer, pelo menos, algumas personalidades distintas. Infelizmente, o anime não pega nas situações em que se poderia distinguir e ser único (por exemplo, falar de modelismo) e limita-se a percorrer um leque de graças que se tornam rapidamente repetitivas.

Para um anime lançado directamente na internet (um ONA em vez de OVA), a animação não está totalmente incapaz. Os níveis de produção são baixos, mas o tema do anime também não pede muito mais que isso. Assim, acaba por ser aceitável e ter uma boa relação qualidade-tempo, embora não seja a última bolacha do pacote.

Musicalmente, não há nada de mais a apontar, com OP e ED vulgares e vozes que se coadunam bem com o espírito da coisa.

É o tipo de anime que poderia ter sido muito melhor se tivesse seguido por um caminho completamente diferente.

Encerramento do Mês da Música

Encerramento do Mês da Música
Recital
tinha visto um recital para violino e piano no guia da cidade e fui lá ver com o Qui. Foi a primeira vez que fomos juntos a algo relacionado com música erudita e foi imensamente divertido!

O programa desfazia-se em elogios aos dois executantes, conforme referenciado na imagem:


A entrada era gratuita e descobrimos depois que o programa seria dedicado a Fernando Lopes-Graça e seria comentado, pelo pianista e maestro João Paulo Santos.

Pois bem, o que dizer do programa? Eu não conheço muito bem este compositor, mas sei que o senhor era revolucionário e comunista e que, por isso, teve uma vida bastante difícil, sendo que as suas obras foram proibidas durante uma série de tempo. As peças escolhidas são todas de reduzidas dimensões, sendo a maioria delas com uma vertente pedagógica bastante marcada. No entanto, podemos ouvir que este autor tem muito sentido de humor, lançando-nos notas aparentemente sem sentido mas que fazem lançar uma boa gargalhada. A minha pecinha preferida foi o Ditirambo.

Foi muito engraçado também ver as explicações sobre cada peça, que nos clarificaram bastante alguns significados e texturas que, à primeira vista, passam bastante desapercebidas.

Quanto aos executantes, não corresponderam em nada à expectativa que a descrição do programa tinha dado. O violinista, que deveria ser a estrela do espectáculo, deixou-se dominar completamente pelo acompanhante. Este, estava simplesmente a fazer uma leitura da peça. No fundo, quase parecia que estavam numa aula, em vez de num recital com público. Para além disso, podia ouvir o violinista a respirar (eu estava na segunda fila), o que me fez grande confusão. É a prova de que a sala tem uma acústica excelente!

Uma experiência para repetir!

After Dark

After Dark
Haruki Murakami
2004
Romance

Também recebi este livro na BookBox referida anteriormente, curiosamente enviado pela mesma pessoa. :) Foi mais uma tentativa com Murakami e... Ainda não me convenceu.

Mas repare-se que esta tradução em inglês dá um estilo completamente distinto ao autor, um pouco mais irónico. Apesar de tudo o "then" (ou "acto contínuo) continua presente em todas as ocasiões, sendo um vício imperdoável.

Este livro fala de uma rapariga que fica na cidade depois do último comboio e a quem acontece uma série de coisas menos normais. Para além disso a sua irmã está em casa a dormir há semanas, sem acordar, e podemos vê-la dentro de uma televisão.

O grande problema deste livro é que, mais uma vez, é totalmente inconsequente. As personagens não parecem aprender nada sobre si próprias ou sobre a sua relação com os outros e o autor aparentemente esquece de concluir algumas secções, sendo que há muitas pontas soltas que ficam por explicar. Se isto é propositado, digamos que não funciona nada bem.

Para além disso, o livro está escrito como se o objectivo fosse torná-lo um filme. Espero que tal nunca venha a acontecer, porque é de uma arrogância brutal.

Mais um Murakami, mais um desapontamento. Continuo sem saber se gosto deste autor ou não.

The Painter of Battles

The Painter of Battles
Arturo Pérez-Reverte
2006
Romance


Recebi este livro através de uma BookBox no BookCrossing. Foi a minha primeira experiência com este autor uruguaio e devo confessar que não estava extremamente motivada. Mas acabou por se revelar uma boa surpresa.

Um fotógrafo de guerra reforma-se para ir viver numa torre abandonada no sul de Espanha, onde está a pintar um gigantesco mural que relata todas as suas experiências na guerra. Subitamente, tem uma visita inesperada: um sujeito que havia fotografado há anos encontrou-o e procura, neste momento, matá-lo para se vingar pelas consequências que a fotografia teve na sua vida.

O livro não tem momentos de acção e baseia-se na conversa entre estes dois homens, com muitos flashbacks que nos remetem a momentos terríficos de guerra e descrevem a forma como o personagem tiraria as suas fotografias. Nesse campo, o livro parece estar bastante exacto, já que esta era a profissão do próprio autor. 

A forma da narrativa é também bastante original, sendo que existem muitos diálogos imersivos que não fazem uso de travessão ou outra grafia. As imagens são de pavor, de terror e provam, mais uma vez, o quão terrível pode ser uma guerra.

Os personagens estão também bastante bem caracterizados, mesmo aqueles que só aparecem em memórias.

Fica a nota para a tradução, que me pareceu terrível. O estilo do livro deverá ser único na sua língua original, mas esta tradução para inglês fá-lo ser apenas mais um romancezeco-thriller-policial-das-cenas. Estes americanos devem gostar de ter os livros todos iguais.