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1.9.16

Behind the Candelabra

Behind the Candelabra
Steven Soderbergh
Filme
2013
6 em 10

Este filme tem uma história curiosa. Nenhum estúdido de Hollywood lhe pegou. "Muito gay", diziam eles. Então, acabou por ser feito para a televisão (o canal HBO). Teve lançamento nos cinemas europeus. Mas como pode um filme ser assim tão gay? Porque trata da homossexualidade. Entre dois homens. Um dos quais um famoso ídolo dos casinos até aos anos 80.

Liberace era o seu nome e eu não sabia nada sobre ele até ver este filme. Era um homem que, graças ao seu virtuosismo no piano, se tornou famoso por demasia e muito, muito rico. Caracterizavam-no as roupas espectaculares e grandes entradas em palco, para além da espectacular técnica pianística. Para além disso, coisa que só se soube (em definitivo) após a sua morte... Era gay. E tinha amantes. Esta é uma das suas histórias de amor, uma das últimas. Tem uma força extraordinária.

O filme serve como biografia e retrata com exactidão todos os momentos gráficos da vida do artista. As roupas, a casa, o espectáculo. Mas também nos mostra muito da sua intimidade e a forma como se relacionava com as pessoas. São estes momentos que tornam o filme quase comovente, embora a progressão da paixão seja previsível como todas, sempre dependente das personalidades características dos seus intervenientes.

Talvez o filme tenha sido considerado "gay" demais porque tem cenas de erotismo. Mas que são estas perante um universo de Hollywood que tudo mostra? Pareceram-me, sobretudo, realistas.

Foi um filme que passou ao lado de muitos, mas que vale realmente a pena. Ficamos a conhecer muito de uma pessoa que foi muito importante no seu tempo e temos também um retrato fiel da sociedade popular da época. Ainda bem que não desistiram de o fazer!

Full Metal Jacket

Full Metal Jacket
Stanley Kubrick
Filme
1987
7 em 10

Primeiro filme das micro-férias. :) Já tinha tentado ver este filme uma vez, mas estava tão cansada que tive de ir dormir. Ficou em stand-by até esta altura.

Este é mais um filme sobre os horrores da guerra do Vietname. No entanto, não podemos dizer que seja "só" mais um filme. Porque, afinal, este trata do assunto com semelhante crueza e humor negro que nos mostra uma faceta completamente diferente sobre o tema.

Tudo começa no campo de treino para novos soldados. Lá, eles são atormentados por um sargento com contornos psicóticos, que os maltrata ao ponto de rotura. Será que acontecerá realmente essa rotura? Um dos cadetes é uma vítima especial e não está a conseguir lidar com a situação. As consequências disso irão ter repercussões naquele que se revelará ser o personagem principal.

Numa segunda parte, completamente distinta, seguimos esta pessoa pelo meio da guerra propriamente dita. Aqui, Joker (é o seu nome) é um correspondente de guerra. No entanto, seja da sua própria personalidade ou parte da lavagem cerebral que lhe infligiram enquanto cadete, o seu maior desejo é matar. "Nascido para matar" é o seu mote, para além do título do filme em português. Assim, ele procura encontrar os momentos mais perversos para relatar, fotografar e, eventualmente, neles participar activamente.

É um filme cheio de um humor pervertido que pode mesmo chegar a chocar quem não esteja preparado para o autor. Também é um filme que, através destes momentos, nos relata uma guerra pavorosa. Não precisa de mostrar nada de gráfico, nem pregar sustos nem dar a ver tragédias. O próprio ambiente do filme nos mostra aquilo que se passa e o quão loucas estavam todas estas pessoas.

Mais uma vez, Kubrick não desaponta.

O Amante de Lady Chatterley

O Amante de Lady Chatterley
D. H. Lawrence
1928
Romance

Olá pequenas melancias! =D Estava com saudades de todos vós! Foram umas semanas bem loucas, entre micro-férias e mega-trabalhos, mas nunca deixou de não me apetecer estudar... Então, aí vêm as consequências de tanto tempo em silêncio! =D

Comecemos por um romance no início do século XX, "O Amante de Lady Chatterley"

Uma mulher que poderia ser considerada interessante, se bem que fora dos padrões de beleza da sua época, vê-se casada com um homem numa cadeira de rodas. Evidentemente que isto a chateia um pouco, sobretudo porque as capacidades sexuais do seu marido se encontram absolutamente congeladas. Assim, ela trata de se libertar e acaba por arranjar um amante muito improvável, pelo qual se apaixona perdidamente.

No geral, o livro acaba por se perder em demasia em discussões sobre a natureza dos sexos e das relações sexuais, que são descritas de forma detalhada mas tão antiquada que se torna um pouco aborrecida. Para além disso, a dependência da personagem pelo seu amante é exasperante, na medida em que o marido não tem culpas no cartório. Confesso que estive o tempo todo a torcer pelo marido e que o final me desapontou muito.

Ainda assim, trata-se de um clássico do erotismo e, por uma razão puramente histórica, vale a pena lê-lo.

10.8.16

Barry Lyndon

Barry Lyndon
 Stanley Kubrick
Filme
1975
7 em 10 
 

Como alguns saberão, os filmes de Stanley Kubrick vêm sofrendo uma remasterização e nova audição em cinemas de todo o mundo. Barry Lyndon veio a Portugal por alguns dias, no Cinema Ideal, e não podia deixar de ir ver. 

Primeiro, um comentário sobre este cinema, ao qual nunca tinha ido. É um cinema "à moda antiga", como já é raro de encontrar! Gostei muito. :) Só tem uma salinha pequenina, som stereo, com plateia e bancada, um barzinho e restaurante. Muito agradável!

Quanto ao filme, irei enumerar alguns aspectos que apenas reparei nesta segunda visualização. Primeiramente, a caracterização da época é muito mais irónica do que se poderia pensar. Patente nisto é o facto de todas as lutas, até mesmo batalhas entre exércitos, serem extremamente "organizadas", cheias de regras e protocolos que, na verdade, acabam por tornar tudo ligeiramente cómico (apesar de serem situações muito sérias),

É esta ironia no retratar da época que torna o filme único, sendo que desta vez me pareceu que todos os personagens trabalham para isso, numa adaptação fiel ao espírito do livro que a inspirou. Outro dado que me parece muito interessante é o detalhe no guarda roupa e na maquilhagem, que permite uma extrema expressividade nos momentos com menos luz. Recordemos que este filme foi todo gravado com luzes naturais, o que até aos dias de hoje continua a ser revolucionário.

Finalmente, reparei também que houve alguns minúsculos detalhes que ficaram descurados. Nomeadamente, violoncelos em vez de gambas e o facto dos livros que estas pessoas lêem serem todos velhos (na sua época deveriam ser novos, não?) Mas tudo isso é apenas para um olhar demasiado clínico. ;)

Aproveitem enquanto o filme está no cinema, porque vale realmente a pena. Esta versão remasterizada traz todo um novo detalhe em termos de cores e banda sonora que, até para quem nunca viu o filme, se torna numa experiência fantástica!

Starship Troopers

Starship Troopers
Robert A. Heinlein
1959
Ficção Científica

Há quanto tempo não pegava no meu Kobo? Foi tempo de lhe dar uma ensaboadela e começar a ler um pouco de ficção-científica, para variar ligeiramente da literatura clássica. :)

Tudo o que eu sabia sobre Starship Troopers é que deu um filme de Série B e que tinha baratas gigantes. Será que eu ia conseguir ler o livro até ao fim? Na verdade, tornou-se uma experiência bastante diferente daquilo que estava à espera. De certo modo, a parte me que mais me surpreendeu foi o facto de ter sido escrito em 59 e ter tantos conceitos revolucionários para a época.

Mas no fundo, podemos encarar este livro como uma espécie de spot publicitário para o recrutamento militar. Num universo futuro, em que as pessoas não são livres de votar se não tiverem servido no exército e em que se lutam frequentes guerras espaciais, um jovem recruta-se por mero acidente. O livro relata o seu caminho enquanto cadete e, depois, como soldado e a forma como acaba por encontrar sucesso. Tudo isto povoado por grandes diálogos e debates com professores que demonstram o quanto a guerra é uma coisa excelente.

O que não me parece ser uma coisa muito moralizante para qualquer época.

No fundo, o livro é um retrato das opiniões do autor sobre aquilo que seria o seu mundo utópico. São ideias extraordinárias para a época, mas ainda assim não posso dizer que concorde com elas. O tema da ficção científica acaba por ser um pouco paralelo, já que as partes que nutrem mais interesse são aquelas passadas no universo dito "normal", enquanto que todas as cenas relativas aos aracnídeos (as tais baratas gigantes) acabam por se tornar desnecessárias e um pouco cansativas.

No entanto, é um livro extraordinário para a sua época e para qualquer pessoa que aprecie o facto de se matarem outras pessoas de forma legal e organizada.

Spaceballs

Spaceballs
Mel Brooks
1987
Filme
5 em 10

Depois de irmos ao cinema, achámos boa ideia ver algo que não requeresse qualquer tipo de pensamento avançado para acompanhar. Assim, calhou mais um filme do grande Mel Brooks, embora este me tenha parecido claramente inferior aos outros que já tenho visto do autor.

Spaceballs é uma paródia a Star Wars e a outros filmes de ficção científica. Seguindo mais ou menos uma linha narrativa semelhante, conta a história dos maléficos habitantes do Planeta Spaceball, que querem roubar todo o ar do Planeta Druid, de onde fugiu uma princesa, que se encontra com um fulano que anda de autocaravana no espaço e tem um amigo que é metade homem/metade cão.

O filme é uma sucessão de piadas, sem deixar grande espaço para uma narrativa ou algum tipo de desenvolvimento de personagens. É certo que tem a sua graça, mas as piadas proto-judaicas rapidamente se tornam repetitivas. Apesar de tudo, é um filme altamente citável.

O guarda roupa e os efeitos de maquilhagem talvez sejam a parte mais curiosa de todo o filme. Apesar de os efeitos especiais serem apropriados para a época, creio que teriam sido mais impressionantes se os valores de produção para eles tivessem sido dirigidos.

De resto, os personagens e a história são pouco memoráveis. Fica a dica "I see your shwartz is as big as mine"

Suicide Squad

Suicide Squad
David Ayer
2016
Filme
6 em 10

Num universo cada vez mais obsoleto de filmes de super-heróis, que saem seguidamente numa tentativa cada vez mais frustrada de conquistar um grupo de fãs cansados, os trailers de Suicide Squad apareceram como uma lufada de ar fresco. Por uma vez, um filme em que os heróis são os vilões! Parecia ter tudo para correr bem.

No entanto, este filme acaba por seguir o mesmo sistema formulaico de sempre, tornando-se apenas mais um falhanço neste universo que, progressivamente, vem perdendo a sua originalidade e frescura.

Uma mulher poderosa decide reunir um grupo de vilões e obrigá-los a trabalhar para elas, sob o risco de verem as suas cabeças explodidas se não o fizerem. Acabam por se reunir todos e lutar contra uma força maléfica demasiadamente poderosa que, evidentemente, vencem não sem alguns sacrifícios.

Apesar de todo o grupo ter as suas introduções, os personagens não são desenvolvidos propriamente e acabam por perder a maior parte do seu potencial. Apesar de a escolha dos actores ser boa e de haver alguns gags "mauzinhos" para nos fazer sorrir, sente-se que há uma falta de estrutura por trás do filme, o que o torna bastante previsível. Para mais, o desenvolvimento dos personagens vai contra a sua própria natureza. O final de "não te metas com os meus migos!" é forçado e desnecessário, para além de descaracterizar os personagens enquanto vilões.

Talvez a parte que tenha gostado mais tenha sido o binómio de paixão Harley Quin-Joker, que por uma vez é retratado como algo mais orgânico e sem uma componente abusadora. Também gostei muito das personagens. Harley foi imediatamente catalogada pelos fãs como fonte de sensualidade desnecessária, mas se virmos realmente o filme veremos que isso faz parte da sua própria caracterização enquanto pessoas que ficou louca pela sua relação com uma pessoa desregulada. Já o Joker, apesar de aparecer muito pouco, também me pareceu uma personagem com algum potencial, que poderá vir a ser desenvolvido em outros filmes.

Enfim, tudo isto para dizer que este modelo de filme de heróis tem de ser totalmente reformulado para que possa voltar a ter algum tipo de valor. Talvez se mudarem realizadores, argumentistas, produtores, sei lá... Talvez se os fizessem completamente diferentes.