Categorias

Explore this Blog!

Em Português: Anime | Manga | Cosplay | Livros| Banda Desenhada | Filmes | Teatro | Eventos

In English: Cosplay Portfolio (Updating) | SALES

9.5.16

Highschool of the Dead

Highschool of the Dead
Araki  Tetsurou - Madhouse Studios
Anime - 12 Episódios
2010
7 em 10

Este anime é tão famoso e tão falado, que eu sabia mais ou menos o assunto que ia tratar: zombies e mamocas aos pulos. No entanto, acabou por me surpreender de tal forma que foi um vício absoluto até o terminar!

É um dia de escola normal, quando aparecem os zombies! Os sobreviventes a esta primeira razia, têm agora que se unir e lutar contra esta força imparável e perigosamente difícil de vencer. Isto é a premissa habitual de um filme ou série com este tema: falar da luta pela sobrevivência de um grupo de pessoas. Temos zombies clássicos, desprovidos de intelecto e com alguma rapidez, em grandes números. Temos armas improváveis. E, sobretudo, temos muita roupa interior e grandes planos de anatomia feminina.

Em que é que isto pode ser bom, perguntam vós? Tudo isto acaba por se aproximar da excelência a partir do momento em que os nossos personagens são desenvolvidos até ao tutano, revelando muito mais do que se poderia esperar dos modelos femininos de animes do mesmo género, ecchi. Cada personagem é revelada em várias camadas de complexidade, acabando por demonstrar ser muito mais do que aquilo que aparenta quando colocados em situações cada vez mais agressivas, quer em termos físicos quer psicológicos. Para além disso, a "força" física de cada personagem, e os talentos que podem ser usados na luta contra os zombies, é estabelecido logo desde o início, sendo que em todos eles há uma patente evolução na capacidade de resolução de problemas que torna toda esta aventura numa experiência quase fatigante: é como se nós, espectadores, também ali estivéssemos em guerra contra estas criaturas.

A animação é extraordinária em todas as cenas de acção, sendo que estão coreografadas lindamente, sem nunca esquecer o abuso de esguichos de sangue. O ambiente é negro, fazendo uso de uma paleta escura para simbolizar o desespero destes personagens. Acredito que a maioria dos críticos fiquem de pé atrás pelo exagero das formas femininas (que aparecem em todas as situações, desde suporte para espingardas até miss t-shirt molhada), mas para mim este elemento foi - tal qual um filme B do piorio - parte do "estilo" escolhido para apresentar a história. Certamente que algumas cenas, sobretudo as envolventes de planos amorosos um pouco mal definidos, me desagradaram um pouco. Mas posso afirmar que este anime não ficaria melhor sem as cenas ecchi: as cenas ecchi fazem *parte* do anime.

Musicalmente, temos muita variedade, toda ela bastante apropriada ao contexto, havendo diversas EDs quase viciantes por onde escolher.

Foi um anime que me tocou de certa forma, um exemplo do excelente que se pode fazer dentro de um género que tem tanto de mau como de pessoas que o apreciam. A frase final arrepiou-me e, num todo, é um anime que recomendo vivamente, até para os que não são fãs do estilo.

6.5.16

Zetsuen no Tempest

Zetsuen no Tempest
Ando Masahiro - Bones
Anime - 24 Episódios
2012
7 em 10

Tinha ouvido falar tanto deste anime que não supus que fosse gostar tanto como o que realmente aconteceu.

Dois amigos vêm-se envolvidos numa luta entre magos e feiticeiros. Um deles encontra a forma de comunicar com uma princesa feiticeira que foi colocada dentro de um barril e enviada para a morte certa numa ilha isolada. Para a ajudar, ele faz uma troca: ele salvará o mundo e ela deverá dizer-lhe quem assassinou a sua irmã mais nova. Nisto tudo, o amigo começa a aprender sobre a magia e, de certa forma, de que maneira o pode ajudar.

Para começar, os conceitos de "magia" neste universo são muito originais e estão bastante bem pensados, embora tudo comece a ficar um pouco confuso a partir do segundo arco (quando são introduzidos mais personagens e nos dedicamos, sobretudo, à parte do mistério relacionada com a irmã). Esta magia é liderada por uma "árvore mágica", que se alimenta de oferendas. E estas são a parte com mais interesse, pois são objectos da tecnologia humana. Tendo isto em conta, o anime desenvolve-se com um ritmo bastante bom e todos os mistérios acabam por ser resolvidos com surpresa para o visionante e para os próprios personagens.

Estes, por si, estão bastante bem construídos, o que leva a um bom desenvolvimento (embora curto). Os dois rapazes têm uma relação curiosa, sempre pontuada pela presença da "irmã" e da "namorada". A relação evolui para o afastamento, seguido de uma aproximação final, o que é uma reacção muito natural aos acontecimentos, tornando este duo bastante humano na sua concepção. Os outros personagens são variados, mas acabam por ficar para trás perante os elementos narrativos, não sofrendo muito desenvolvimento da sua natureza nem da sua evolução.

A animação está aceitável. embora um pouco fraca para a época em que nos encontramos. No fundo, o estúdio jogou pelo seguro e dirigiu-se a uma arte que funciona dentro do contexto mas que não impressiona. Os efeitos visuais da árvore podiam ser melhorados, sendo que acredito que teriam funcionado melhor se fossem um pouco mais experimentais. Já os designs dos personagens são realistas mas, ao mesmo tempo, muito originais.

Musicalmente, temos duas OPs e EDs que, sendo agradáveis, parecem não se conjugar com o resto da série. O resto da banda sonora liga lindamente.

Portanto, um anime que, não sendo perfeito, é muito recomendável!

Pulp

Pulp
Charles Bukowski
1994
Romance

Informo que, até notícia em contrário, estou de regresso às leituras no meu Kobo :) Antes deste li um curto discurso de José Saramago, que achei que não valia a pena comentar aqui por tão curto que era. Assim, passo logo adiante para este livro de Charles Bukowski, o último que escreveu e o primeiro que li.

Por mais que os americanos da internet digam que este autor é um génio da contemporaneidade, esta obra não o prova e poderá mesmo dizer muita coisa em contrário a essa suposição. Em "Pulp"temos um estereótipo da chamada "pulp fiction", que apesar de tudo brinca consigo próprio, mas está escrito sem planificação e sem contexto, pelo que a leitura acaba pro se tornar um pouco confusa e inconsequente.

Seguimos os últimos dias da vida de Belane, um detective falhado encarregado de encontrar uma série de coisas. À mistura temos a Dona Morte e aliens. Tudo parece ter sido criado em cima do joelho (do tipo "ora, não sei o que fazer a esta gente, deixa-me cá meter uns aliens") e o personagem acaba por não ser representativo. Dizem alguns comentários que este livro simboliza a aceitação do autor relativamente à sua própria morte, mas será que isto valida o facto de ser considerado uma obra excelente, quando não o é tecnicamente nem emocionalmente?

Enfim, fico desejosa de ler o outro livro de Bukowski que tenho no Kobo, para por os pontos nos iis.

Rendida

Rendida
Sylvia Day
2012
Romance

Recebi este livro numa troca pelo BookCrossing. Se bem me lembro, podíamos fazer uma lista de "exigências" relativamente aos livros a receber. A única que fiz foi "um livro bem escrito, plz". Infelizmente, este livro não correspondeu de todo às expectativas.

Trata-se de um romance corriqueiro, dos ditos "de cordel", sobre a grande paixão entre uma mulher muito rica e um homem ainda mais rico, num meio empresarial de pessoas muito ricas. Todas as pessoas muito ricas são, naturalmente, muito bonitas também. E o livro dedica-se, sobretudo, a descrever o quão muito bonitas são as pessoas muito ricas, entrando em detalhes aprofundados sobre a roupa que vestem ou o tipo de sapatos. O que é francamente desnecessário, sobretudo quando a autora tem um mau-gosto irascível.

Os personagens não possuem mais desenvolvimento do que "altos, lindos, que fazem musculação". Ah, e têm perturbações do foro sexual que libertam amplamente em cenas de sexo supostamente escaldante, descritos num detalhe tão íntimo como inútil. Fui saltando estas cenas, que nem eróticas são. Autoras americanas modernas, reparem que "erótico" não se define por "mete as mãos na c**a e bate palmas". Isso são os Comme Restus.

Assim, o livro vai avançando sem rumo definido para além do "quando chegamos à próxima cena de sexo num ambiente pouco usual" (como uma limusine ou o escritório do muito rico). A personagem principal é tão evidentemente uma projecção astral da vida frustrada da autora que não consegui deixar de a imaginar com a cara desta, o que tornou a leitura ainda mais perturbadora do que teria sido se pudesse ter visualizado a personagem tão perfeita como ela estava descrita.

Imaginem esta pessoa a apanhar furiosamente o orifício anal dentro de uma biblioteca com uma desconhecida a ver:



E com esta bonita imagem vos deixo. :)


Lazarilho de Tormes

Lazarilho de Tormes
???
1554
Romance

Tendo conhecimento de que eu estava empancada na leitura do D. Quixote, um amigo decidiu oferecer-me este livro para me motivar. Trata-se de um volume muito curto, antecessor deste fundador do romance moderno, que conta a história de Lázaro de Tormes, um rapaz que se vê num desatino para encontrar um mestre bom e um rumo para a vida.

Editado no século XVI, em Espanha, este livro representa o apogeu do chamado "romance picaresco", isto é, aquele tipo de romance que conta tipos de aventuras das pessoas normais, cheias de graça e de truques na manga. É precisamente isso que o nosso personagem faz ao longo de todo o livro: cada pessoa que encontra é vítima de partidas diversas, que beneficiam o personagem em todos os aspectos. No entanto, ele não faz isto por ser uma má pessoa nem nada que se pareça. Na verdade, ele é vítima de maus-tratos constantes, sendo sobretudo patente a fome que lhe infligem constantemente.

É um livro cheio de graça que dá azo a umas boas gargalhadas. Também (mas isso pode ser mérito da tradução) está escrito numa linguagem muito corriqueira e, sobretudo, acessível. Isto é algo que nunca estamos à espera num livro tão antigo como este, em que acreditamos sempre que tudo vai ser Lusíadaco e muito difícil de compreender.

Portanto, recomendo vivamente esta leitura, sobretudo para aqueles que também estão a enfrentar as aventuras Quixotescas. É sempre bom saber de onde vieram as coisas mais actuais!

3.5.16

Vittorio, O Vampiro

Vittorio, O Vampiro
Anne Rice
1999
Romance

Fora o Dracula, este foi o meu primeiro livro de "vampiros a sério". Foi-me gentilmente cedido através do BookCrossing, e estava muito motivada para o ler.

De certa forma, foi bastante diferente do que estava à espera. A história deste vampiro, o Vittorio, é mais a história da transformação do humano em monstro do que a vida diária do monstro propriamente dita. Narrado pelo próprio (segundo a autora, o manuscrito foi recolhido das mãos do próprio), conta a vida desde a infância até ao momento em que há a condenação final, devido a uma vitimização pelas mãos de um amor inusitado e impossível de classificar.

Vittorio é corrompido por uma corte vampiresca e satânica, que vive do consumo de pessoas "defeituosas" de uma aldeia próxima, sendo que depois acaba por encontrar uma série de figuras angélicas e mitológicas da religião cristã e acaba por se conformar ao seu amor pela vampira que o converteu. Assim, acabamos por saber muito pouco do que é "viver como um vampiro", sendo que a maior parte da narrativa se concentra nas alucinações visuais do nosso personagem perante o envenenamento do seu corpo e alma.

No entanto, o livro está muito bem escrito. As descrições são muito puras e vívidas, embora haja uma certa insistência na cor vermelha que poderá tornar-se repetitiva, sendo que a linguagem está muito bem adaptada ao personagem em questão. Apesar de termos uma série de bibliografia comentada no final, não há assim tantas descrições detalhadas da vida em Florença neste século. Mas, ainda assim, o ambiente está recriado de forma subtil e acabamos por nos reencontrar nestes locais, mesmo sem nunca os termos visitado.

Talvez este não seja o melhor livro da autora, mas fiquei bastante curiosa para ler outros. Fica este volume para libertar numa altura conveniente. :)



The Hunger Games

The Hunger Games
Gary Ross
2012
Filme
7 em 10

Como saberão, já li os livros desta saga há algum tempo e, surpreendentemente, gostei mesmo muito deles. Assim, quando o Qui sugeriu ver a tetralogia de filmes, concordei logo que era uma excelente ideia!

Este primeiro filme é uma trama adolescente mas, apesar disso, muito bem pensada. é a prova de que se podem fazer filmes para o estrato mais novo que tenham algum tipo de densidade e que nos façam realmente pensar. Para começar, o filme mantém-se bastante exacto ao livro a que corresponde, com excepção de um ou outro detalhe que teriam tornado a narrativa ainda mais impressionante. Assim, apenas poderia ter um bom argumento, que nos faz realmente dar voltas à cabeça e pensar na situação do "e se fosse comigo".

De resto, a realização é bastante boa, sendo que o filme recria com algumas liberdades o ambiente narrado, de forma a torná-lo verosímil e adaptado ao contexto da nossa realidade. Alguns detalhes no aspecto das roupas e pessoas são diferentes, mas tudo está muito bem estruturado, sendo que me impressionou de sobremaneira o guarda roupa escolhido para as pessoas do Capitol, revelando um excelente tom imaginativo.

O ambiente de pânico mantém-se ao longo de todo o filme, sendo que a inadaptação da personagem principal está muito bem interpretada por esta jovem actriz. Talvez os momentos de amor e paixão pudessem ter sido melhor explicados, já que no livro acontecem por motivos diferentes aos que aparentam estar apresentados aqui.

Portanto, foi um filme estranhamente viciante! Estou ansiosa por ver o resto do franchise!