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27.3.16

Fairy Tail (2014)

Fairy Tail (2014)
Ishihira Shinji - A1-Pictures
Anime - 102 Episódios
2014
4 em 10

Esta era daquelas séries que eu comecei a ver em continuidade com a primeira season. Adianto desde já que estava convencida de que ia ser mais uma daquelas séries intermináveis que nunca, nunca, nunca ia acabar. Mas, subitamente, aparece a notícia de que termina para a semana, isto é, que terminou agora mesmo. Bem, essa foi a parte boa. Porque este foi dos shounens mais fracos que tive o desprazer de ver nos últimos dois anos.

Passou-se tanta coisa que já nem me lembro de cada arco narrativo. Sei que cada arco narrativo, por si só, é totalmente inconsequente: nada leva ao fim da série. Os personagens não evoluem emocionalmente, por mais novos poderes que recebam uma e outra vez, a história não nos leva a lado nenhum. Chegamos ao ponto de termos um arco inteiro dedicado a personagens que já morreram ou que estão idosos. Nesta season, finalmente, apareceram os tais dragões: o foco principal desde o início de Fairy Tail era encontrar os dragões para que Natsu pudesse falar com aquele que o educou. Agora que os encontraram, vão-se todos embora e... Continua a série. Mais um arco. Mais uma história. Isto é absolutamente exaustivo, já que os personagens acabam por perder o interesse e tornam-se apenas mais um e outro estereótipo cansativo e repetitivo. E os momentos de humor? Inexplicavelmente absurdos, não jogam com nada do que é apresentado nos momentos mais séries, chegando mesmo a interrompê-los, o que leva a uma completa quebra do ritmo.

Se eles pararam a primeira season para melhorarem aspectos como a arte e animação, devemos dizer que não conseguiram. Quando muito, ainda fizeram pior. Os novos designs são execráveis, com um aumento crescente dos implantes mamários de todas as personagens e constantes erros de perspectiva, de expressões, de movimentos. A animação é fraca, até mesmo nos momentos das lutas (como digo, são convenientemente interrompidos por momentos de comédia em que há liberdade para que a arte seja incapaz). As cores são pálidas, escuras e, no geral, a qualidade decresceu muito.

A música torna-se rapidamente repetitiva e previsível, dando-nos logo mote para qual vai ser o tema de cada cena. Assim, sabemos qual é a altura em que vai haver um flashback, em que os personagens vão chorar (há muita tragédia neste anime, mas toda ela forçada), quando vai haver um momento cómico, etc., etc.

Enfim, se por um lado fiquei surpreendida por a série ter terminado, por outro lado fico bastante feliz, porque já estava farta dela. Diz-me um amigo que o manga é infinitamente melhor mas... Este anime é um shounen puro, com uma estrutura idêntica a tantos outros, sem qualquer característica positiva que o consiga distinguir. Se ao início era divertido, acabou por se tornar numa viagem sem fim, cansativa para os olhos e para a mente. Caso volte, não tenciono repetir.

Prince of Stride: Alternative

Prince of Stride: Alternative
Ishizuka Atsuko - Madhouse Studios
Anime - 12 Episódios
2016
6 em 10

Começo, finalmente, a terminar os animes desta season de Inverno. Confesso que não tenho tido muito tempo para ver animus, com grande pena minha, mas vou tentar despachar-me para meter a minha PtW na linha!

Comecei a ver este anime porque tem o cunho Madhouse e porque pensei que me faria bem à cabeça ver um anime de desporto. Este veio a revelar-se algo um pouco diferente, mas foi divertido na mesma. Este anime fala sobre um desporto inventado: o Stride. Este jogo é uma espécie de mistura entre corrida de estafetas, corrida de obstáculos e parkour. Acompanhamos uma equipa que está na mó de baixo, o nosso underdog, por sucessivas vitórias e derrotas, até os personagens se encontrarem a si próprios de alguma maneira.

Assim, o anime depende muito dos seus personagens. Estes acabam por estar demasiado presos ao seu estereótipo, sendo que fazem demasiado uso de flashbacks para conseguirem encontrar a força para as suas vitórias. Como se a sua força não viesse dos esforços do presente, mas apenas de desejos do passado que são lentamente revelados, apenas quando é mais conveniente. Para além disso, parece que sempre que sofrem uma derrota não aprendem nada com isso, para além de se envolverem num pequeno momento de auto-comiseração. Assim, apesar de a equipa acabar por vencer (mesmo trocando um membro), parece que a sua força continua exactamente na mesma e que foram os oponentes que ficaram mais fracos por alguma razão.

A animação está bastante boa, como este estúdio nos vem habituando, sendo que este jogo é muito interessante em termos gráficos, pois mostra grandes habilidades físicas que acabam por ter um efeito muito emocionante. é um anime cheio de brilho e cor, como demonstrado logo pela cena de abertura na OP. No entanto, grande parte dos episódios acaba por ser dedicado a mostrar os rapazes (o que nem sequer faz sentido neste contexto, pois a nossa rapariga não aparenta ter interesse por um ou mais deles, nem eles nela), vestidos de várias maneiras. Um deles, por alguma razão que me transcende, é sempre uma princesa.

Musicalmente, temos um mix variado de músicas electrónicas que, apesar de por si só serem bastante fracas, trazem energia bastante para os momentos gráficos, acabando por servir como complemento.

Não recomendaria este anime, mas foi uma experiência divertida. Fica o desejo para que criem mesmo este desporto!

25.3.16

The Care of Birds

The Care of Birds/O Cuidado dos Pássaros
 Francisco Sousa Lobo
2015
Banda Desenhada

Este foi o livro que eu realmente queria comprar à Chili com Carne no AmadoraBD. :) Vencedor do concurso "Toma 500 paus e faz uma BD", é uma banda desenhada adulta, forte e estremecedora.

"Peter Hickey está para os pedófilos como um observador de pássaros está para os caçadores". Assim este personagem se descreve a si próprio. Mas em que medida será isto verdade? Peter Hickey é um personagem profundo, com várias camadas que se vão revelando à medida que viramos as páginas. é um homem mais ou menos idoso, que tem o passatempo de anilhar pássaros. Para isso, gosta de se fazer acompanhar de meninos com idades entre 10 e 12 anos. Mas porquê? Diz ele que há uma certa pureza na amizade entre um homem e uma criança. Mas os pássaros têm outras coisas a dizer.

Vemos o personagem entrar numa espiral de loucura e auto-comiseração: o que ele procura, a companhia infantil, não pode ser conseguido. Os pássaros sabem disso. No entanto, quando ele encontra outras pessoas que o apreciam, não é capaz de lidar com as vozes dos pássaros. Os pássaros falam com ele frequentemente, e frequentemente dizem coisas terríveis.. Mas não só as aves são simbólicas. Também as pessoas, os outros personagens, têm diversos significados dentro da mente de Peter Hickey. Assim, todos os momentos de convívio acabam por ter mais profundidade do que aquela que poderíamos pensar à primeira vista.

A arte é simples, mas cheia de cor na sua simplicidade. Aparentemente lisos, os desenhos começam a ganhar texturas variadas e diferentes, levando-nos a entrar nos meandros do pensamento do personagem. Também este tem uma variedade de expressões que nos permitem encontrar a sua humanidade que, apesar de horrível, é verdadeira.

O capítulo final pareceu-me um pouco confuso, já que há a introdução de novas personagens, mas a revelação tem muito poder: o encontro do personagem com os seus verdadeiros sentimentos, a sua confissão, a libertação da "mentira" em que viveu até agora, acaba por o tornar num espírito quase catatónico, cheio de medos, cheio de horrores.

Será culpa dos pássaros? Espero que tenham contribuído...

Um livro poderoso que toca num assunto que ainda é tabu. A não perder.

Poesia de Ricardo Reis

Poesia de Ricardo Reis
Ricardo Reis
Anos 10 - 30
Poesia

Continuo na minha senda de ler a obra de Fernando Pessoa em volumes publicados pelo Jornal Expresso, que me foram cedidos pelo Stepfather (que compra o jornal frequentemente). Agora chegou a vez de ler o meu heterónimo preferido, a faceta de Pessoa que gosto mais: Ricardo Reis.

Lembro-me de quando estava na escola, chegámos a esta matéria e o professor (que era um idiota, diga-se de passagem :) ) insistiu muito na ideia de que para Ricardo Reis a vida era uma coisa moderadamente indiferente. Citando, "como um rio que passa". Agora, depois de ler grande parte da sua poesia (este volume tem poemas seleccionados e não a obra completa) parece-me que esta visão é muito limitadora e castradora.

Na verdade, parece-me que Ricardo Reis observa a vida e valoriza a vida humana como se valorizam todos os elementos da natureza. O homem, como espécie, tem o mesmo valor do que todos os objectos vivos e mortos do mundo: uma pedra, uma nuvem, um rio, um pássaro, somos todos a mesma coisa. As suas referências aos deuses antigos servem, então, não como um acreditar panteístico mas como uma forma de estabelecer a vida como igualitária e equivalente. Somos todos iguais e, acima de nós, só os deuses. Isto é válido para todos os seres e todas as pessoas, pois ele chega mesmo a referir que não prefere ninguém nem no amor nem na amizade. No entanto, a sua forma de ver as coisas não é indiferente. Ricardo Reis afirma-se em vários poemas como participante activo na vida. Ele simplesmente quer é vivê-la sossegado e sem aborrecimentos. Mas isso não significa que seja um elemento passivo.

Enfim, foi esta a minha interpretação, que pode estar totalmente errada mas é minha. Afinal, não sou especialista pessoana.

Deixo-vos, então, o meu poema preferido deste autor desde há muito tempo :)

40.

Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio.
Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos
Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.
                   (Enlacemos as mãos.)

Depois pensemos, crianças adultas, que a vida
Passa e não fica, nada deixa e nunca regressa,
Vai para um mar muito longe, para ao pé do Fado,
                   Mais longe que os deuses.

Desenlacemos as mãos, porque não vale a pena cansarmo-nos.
Quer gozemos, quer não gozemos, passamos como o rio.
Mais vale saber passar silenciosamente
                   E sem desassosegos grandes.

Sem amores, nem ódios, nem paixões que levantam a voz,
Nem invejas que dão movimento demais aos olhos,
Nem cuidados, porque se os tivesse o rio sempre correria,
                   E sempre iria ter ao mar.

Amemo-nos tranquilamente, pensando que podiamos,
Se quiséssemos, trocar beijos e abraços e carícias,
Mas que mais vale estarmos sentados ao pé um do outro
                   Ouvindo correr o rio e vendo-o.

Colhamos flores, pega tu nelas e deixa-as
No colo, e que o seu perfume suavize o momento —
Este momento em que sossegadamente não cremos em nada,
                   Pagãos inocentes da decadência.

Ao menos, se for sombra antes, lembrar-te-ás de mim depois
Sem que a minha lembrança te arda ou te fira ou te mova,
Porque nunca enlaçamos as mãos, nem nos beijamos
                   Nem fomos mais do que crianças.

E se antes do que eu levares o óbolo ao barqueiro sombrio,
Eu nada terei que sofrer ao lembrar-me de ti.
Ser-me-ás suave à memória lembrando-te assim — à beira-rio,
                   Pagã triste e com flores no regaço.

A Investigação

A Investigação
Philippe Claudel
2010
Romance

Recebi este livro juntamente com o Número Zero, uma espécie de bónus :) Foi uma leitura muito interessante, portanto ainda bem que insistiram comigo para que o recebesse!
 
Um Investigador dirige-se para a Cidade tendo em vista a Investigação de uma certa Empresa em que vários empregados se suicidaram. Quando lá chega é confrontado com um estranho local em que nada parece fazer sentido. Às voltas neste universo burocrático, conhece pessoas - cada uma mais esquisita que a outra - e acaba por ceder a um sentimento de loucura que o vem atormentando desde o início da viagem.
 
Pareceu-me uma espécie de Kafka moderno, um surrealismo em que o nosso personagem vagueia por um local sem sentido, por um pesadelo que nunca o larga. Cada momento é de uma bizarria extrema, não nos permitindo qualquer descanso, estando sempre na dúvida a situação de vida ou morte, de realidade ou sonho.
 
Não me agradou muito o final, que - para mim - deveria ter sido mais directo em vez de haver uma transformação em nada do personagem. No entanto, ficou sempre a dúvida se a história se passou realmente ou se era um acesso de loucura do Investigador (como relatado pelo confronto com a Psicóloga).
 
Uma escrita clara e sem rodeios, um surrealismo moderno. Grande leitura, foi um livro que me cativou do início ao fim.

O Hábito Faz o Monstro

O Hábito Faz o Monstro
Lucas Almeida
Banda Desenhada
2012

Quando estive no AmadoraBD do passado ano, passei no stand da Chili com Carne para comprar um livro que tinha há muito na mira. Qual não foi a minha surpresa quando o barbudo rapaz da banca (que acredito ser o MMMNNNRRRGGG, mente brilhante desta editora) insiste em oferecer-me este volume! Que alegria! =D

Então, o que dizer desta simpática oferta? :) Confesso que ao início me foi um pouco difícil entrar no ritmo: para mim o obstáculo era a arte. Para ser honesta, não faz "o meu tipo" e estes desenhos um pouco grotescos estavam a fazer-me confusão. Mas acabei por me habituar e, nesse momento, pude aproveitar esta experiência hilariante e perfeitamente insana, uma exploração do significado do amor e dos monstros do amor sob uma perspectiva bem-humorada e muito jovem.

Este livro é uma colectânea de trabalhos editados em zines ao longo de 10 anos. Nota-se uma evolução estilística em alguns elementos, o que torna a experiência muito satisfatória, mas o que mais me agradou foi mesmo o sentido de humor ácido e absurdo que povoa estas páginas de traços a preto-e-branco, qual esferográfica sobre guardanapo.

O texto em si também é muito curioso, embora não tenha apreciado que grande parte dos momentos mais intensos sejam citações de outros autores.

Mas gostei imenso deste livrinho e vou guardá-lo como objecto precioso! Obrigada, MNRG (resumindo um pouco o nome), foi um gesto mesmo muito e super e mesmo simpático! =D

Número Zero

Número Zero
Umberto Eco
2015
Romance

Após a triste morte deste autor de que gosto tanto, foi-me dada a oportunidade (através do BookCrossing) de ler o seu último romance. Claro que me agarrei a ela com dentes e unhas! Bem, poucas unhas, que eu não tenho muitas...

Mais uma vez, Umberto Eco apresenta-nos uma história de mistério e conspiração. Mas, desta feita, tudo se passa num jornal. Um jornal planeado para nunca existir! A conspiração aparece-nos, então, sob a forma de diálogo entre os vários personagens. Acaba por ser uma história um pouco densa e difícil de cativar, pois não compreendemos ao início como pode esta conspiração estar relacionada com as pessoas envolvidas na narrativa. Só mesmo no final é que aparece um ponto em comum, mas o livro termina logo ali e desaponta um pouco (porque "agora é que estava a aquecer"). Também há um longo diálogo acerca de carros que ficou para além da minha compreensão, mas eu não entendo nem gosto nada de carros.

Curiosamente, a escrita deste livro é muito, muito, muito simples e directa. Para autor de tal erudição, é curioso ver que neste último romance ele se deixou conquistar pelo comum leitor e nos apresenta uma história que pode ser lida por qualquer pessoa. Evidentemente, não deixa de estar muito bem escrita.

Finalmente, pareceu-me que o objectivo primordial deste pequeno volume é fazer uma velada crítica ao mundo editorial e jornalístico, que é apresentado sobre uma luz um pouco negativa, mas tão carregada de ironia que uma pessoa não consegue deixar de lançar umas boas gargalhadas.

Gostei bastante, portanto obrigada à pessoa que mo emprestou! :)