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29.2.16

Soukihei MD Geist

Soukihei MD Geist
Ohata Koichi - Zero-G Room
Anime OVA - 1 Episódio
1986
6 em 10

Há quanto tempo não via um filmezinho de anime? Este OVA de 40 minutos já estava na minha lista há algum tempo, mas só agora (ontem ) tive vagar para me por a ver.

Geist é um MDS: Most Dangerous Soldier. Pelos seus crimes no passado foi criogenizado. Agora acordou, no meio de outra guerra. E tem de proteger a humanidade, ou algo que o valha. Este é um filme que toma muitas influências do género pós-apocalíptico, nomeadamente Hokuto no Ken ou o próprio Mad Max original. No meio de um deserto cheio de máquinas, há repetidas lutas. O final inconclusivo parece surpreendente (onde está o resto?) e, assim, o filme fica aquém das expectativas.

Os personagens não têm qualquer tipo de caracterização que os distinga uns dos outros. Parecem todos movidos por objectivos simples, sem outro tipo de sentimento para além de os atingir. Não tomam relações emocionais uns com os outros e encontram-se praticamente objectificados perante o contexto do filme.

A animação é bastante boa para a época, sendo-nos permitido assistir a uma série de lutas entre maquinaria diversa. Esta tem designs realistas e práticos. Apesar de tudo, pode haver um certo exagero nas armas utilizadas e na coreografia de cada situação. A paleta de cores é bastante completa, tendo em conta que estamos nos anos 80, e os cenários remetem-nos para um mundo destruído e vazio.

Musicalmente, temos temas muito típicos mas que, apesar de tudo, pecam pela falta de originalidade. Aquele power-metal dos 80s funciona sempre, mas desta vez as músicas acabaram por me parecer bastante vulgares.

Enfim, citando um amigo... "Papa-se"

Quarto

Quarto
Lenny Abrahamson
2015
Filme
8 em 10

Este era o filme que era suposto termos ido ver ao cinema e para o qual não havia lugares. Então, acabei por vê-lo em casa, com o Qui. Só depois descobri que estava nomeado para vários óscares, sendo que entretanto ganhou um, para Melhor Actriz.

Jack e a sua Ma vivem num quarto. Fora do quarto está o Espaço. E depois do Espaço está o Céu. Cada objecto do quarto tem o seu nome e as pessoas que existem estão na TV. Este é todo o mundo que Jack conhece. Mas porquê? Isto demora a ser explicado, mas está na sinopse portanto posso falá-lo aqui. É este um dos pontos essenciais de todo o Quarto: a Ma foi raptada há sete anos e é ali mantida pelo seu captor. Teve ali um filho, que nunca viu nada para além daquelas quatro paredes. E para ele, é um mundo enorme.

A enormidade do quarto quando filmada pelo realizador é emocional e contundente. A identidade do lugar, que se torna mais que uma casa: um universo em si. Quando Jack finalmente aprende o que é o Mundo, o exterior, o que há para além das paredes, é uma descoberta chocante e causadora de medo e mal-estar. O filme trabalha também o processo de adaptação desta criança a um mundo completamente diferente do que conhecia até lá. Porque ele nunca soube, para sua própria protecção, de que havia mais.

O filme é perturbador, por vezes assustador, dando sempre a sensação de que tudo vai terminar da pior maneira. Isto é complementado pelo excelente trabalho de actor, quer da actriz quer da criança (que faz um trabalho extraordinário apesar da sua juventude: tinha apenas 8 anos quando filme foi rodado)

As imagens são solitárias e belas, mesmo depois de adquirida a famosa liberdade. Todo o ambiente é frio, imaterial, mas ainda assim carregado de uma profundidade humana que puxa pelas mais primitivas emoções do espectador.

Vi este filme há uns dias, mas já estou cheia de vontade de o ver outra vez. Não posso deixar de o recomendar.

O Poema Morre

O Poema Morre
David Soares & Sónia Oliveira
2015
Banda Desenhada

Como venho acompanhando o trabalho de David Soares enquanto autor, de que gosto muito, não perdi a oportunidade de adquiri a sua nova edição quando surgiu a oportunidade, no AmadoraBD. Este volume surge quase como uma surpresa, mas sem nunca perder a identidade a que o autor já nos habituou.

Tudo começa com um cavalo puxando uma carroça para o topo de uma pilha de corpos incinerados. O que se passa aqui? É uma guerra. Mas que guerra é esta? Com isto em mente, começamos a vislumbrar um pouco da vida de um homem inominado, poeta renegado, que está envolvido com a irmã e que tem um passado cheio de trevas.

É no presente e no passado deste personagem que encontramos algumas pistas para o que realmente se passa. A morte do poema não é a morte do autor em si, mas a morte de tudo aquilo que poderia ser belo. a irmã, a amiga, o cão, todas as coisas que ligavam o personagem à terra e que são destruídos por uma guerra sem identidade.

É essa guerra a parte que mais me intrigou neste livro. É uma guerra real? Foi? Ainda existe? Ou é apenas um combate entre o personagem e os seus demónios, entre o personagem e a rejeição que vem sofrendo desde a infância?

Os desenhos ajudam a manter todo este ambiente de terror e dúvida. Sem cores, apenas sombras, desenhos etéreos mas altamente detalhados que nos remetem para um universo de sonho, em que o relato do que acontece, aconteceu ou é apenas imaginação é tão subtil que acaba por se misturar.

Mais uma vez, uma excelente BD. Como sempre, ansiosa pela próxima!

28.2.16

Fúria

Fúria
Salman Rushdie
2001
Romance

Gosto imenso de Salman Rushdie. Já li uma série de livros dele, nunca tendo ficado desapontada. Assim, quando apareceu este ring no BookCrossing, fui logo a primeira a inscrever-me! Acabei por ser também a única, mas isso já é outra história.

Infelizmente, este livro não correspondeu de todo às minhas expectatvias. NEsta história seguimos a vida de um artista indiano, que faz bonecas e tem uma muito famosa, que decide fugir do seu sucesso e da sua família e refugiar-se em Nova York. Aí, vê-se envolto numa espiral depressiva em que ele começa a duvidar da sua própria sanidade mental, entregando-se à "fúria" e acabando por se colocar em situações desagradáveis.

O livro acaba, então, por ser uma espécie de enumeração constante de figuras populares da agitação da cidade, em que se torna muito difícil de distinguir quais são os elementos reais dos que foram inventados pelo autor. O livro move-se a toda a velocidade, espetando farpas em todas as coisas que o americano regular poderia amar, sem mesmo passar pela perspectiva do personagem. Parece um manifesto da fúria do autor, ao invés de ser a da personagem, o que seria menos estranho.

Este acaba por se ver no meio de uma estranha guerra civil, que acaba por ser a parte mais curiosa pois demonstra todo o ilógico que existe por trás de uma guerra, revelando sem parar factos e argumentos sem nexo.

O personagem evolui de certa forma, num final que se poderá tornar inesquecível, mas a sua caracterização está tão diluída que toda a zanga em relação à família, à cidade, às pessoas, ao mundo, torna-se inconsequente e bastante cansativo.

É com muita pena que não irei recomendar este livro, de um autor que gosto tanto...

Ore, Twintails ni Narimasu.

Ore, Twintails ni Narimasu.
Kanbe Hiroyuki - Production IMS
Anime - 12 Episódios
2014
5 em 10

E agora é momento para ver um anime de comédia. Mas, como sempre, não me ri nem um bocadinho.... Será problema do anime? Será problema meu? O mistério mantém-se...

Um rapaz taradão por twintails (doravante conhecidos como "tótós") vê-se na situação de ter de combater contra uns monstros maléficos que ainda são mais taradões que ele. Para isso, transforma-se numa guerreira de tótós que lança raios laser da sua poderosa armadura. Para o ajudar tem uma moça azul e uma moça amarela. E é apenas isto.

A história, supostamente, é uma paródia. Mas uma paródia exactamente a quê? Dizem-me que é a gozar com toda a cultura ota-cu, mas essa dimensão está para além da minha compreensão porque não vi qualquer tipo de referência útil ou menos básica que pudesse demonstrar que isto é algo a gozar com alguma coisa. Parece ser um anime que repetidamente goza apenas consigo próprio o que, de certa forma, acaba por ser válido.

Os personagens são inanos e não têm qualquer tipo de conteúdo. Limitam-se ao seu fascínio por tótós, ao seu desespero pelo tamanho dos apêndices mamários. Os personagens mais interessantes acabam por ser os monstros, já que cada um tem uma taradice diferente a que se dedica. Talvez sejam os maus a parte em que estão a gozar com a cultura ota-cu? Fiquei sem perceber.

A animação não está nada má, mas acaba por estar muito limitada a um conjunto de gags que derivam em explosões variadas. As cores são simples, os fundos pouco detalhados. Os designs das armaduras não fazem muito sentido e parecem existir para mostrar corpos. Felizmente, o conteúdo ecchi não é tão acentuado como eu estava à espera no início.

Musicalmente, é um anime fraco, com peças desinspiradas e OP e ED perfeitamente esquecíveis.

Assim, será certamente um daqueles animes a que vou dizer non.

Mujin Wakusei Survive

Mujin Wakusei Survive
Yano Yuuchirou - Madhouse Studios
Anime - 52 Episódios
2003
6 em 10

Estive dividida em relação à nota a dar a este anime, mas acabei por me decidir pelo lado superior porque gostei realmente de o ver. Não sei, foi um anime que me entreteve para catano!

Um grupo de sete jovens que vivem numa estação espacial (algures no espaço) vai numa visita de estudo para visitar um planeta. Infelizmente, a nave que os transporta é absorvida por ondas gravitacionais (finalmente provadas como existentes) e acaba por se despenhar numa ilha isolada num planeta desconhecido e, aparentemente, desabitado.

Assim, numa espécie de argumento do Senhor das Moscas um pouco mais infantilizado, eles têm de fazer todos os possíveis para sobreviver. E assim prossegue o anime como uma espécie de fatia-de-vida de um grupo de adolescentes numa ilha sem qualquer tipo de recurso, o que acaba por ser bastante cativante. Infelizmente, ficam algumas coisas por explicar. Por exemplo, que nave era aquela que os transportava que tinha todo o tipo de materiais possíveis para a construção de armas e ferramentas? Como é que estes adolescentes que nunca viram uma planta ao natural são capazes de construir tais armas e de identificar quais são as coisas próprias para comer ou não? Se não há medicamentos, como é que eles souberam que as plantas eram medicinais para baixar a febre? E assim por diante. Depois a história acaba por ganhar um rumo, a partir do momento em que eles encontram Adam, e as conclusões que são retiradas acabam por ter algum valor filosófico e moralizante, sobretudo tendo em conta que este anime é dirigido a crianças um pouco mais pequenas.

Os personagens não possuem muita caracterização, o que me trouxe um pouco de tristeza. No entanto, a sua simplicidade funciona dentro do contexto. No entanto, também não evoluem. As suas reacções emocionais parecem desfasadas da realidade em que se encontram, o que torna todos os momentos que deveriam ser emocionantes (por exemplo, a morte de alguém) é algo que acaba por ser um pouco indiferente.

A animação está bastante aceitável, sendo que os fundos que caracterizam a ilha, assim como os designs de plantas e animais, dão uma sensação de habitat plena, um sentimento de que nos encontramos nós próprios naquela ilha. Mas há também muitas cenas recicladas e repetidas, assim como constantes flashbacks que aparentam servir apenas para ocupar o tempo e completar as 4-cours para a qual o estúdio recebeu contrato.

A OP e a ED são infantis e um pouco ridículas, assim como as animações correspondentes. Isto acaba por estabelecer todo um ritmo para a série que poderia passar ao lado se as músicas fossem demasiado sérias.

Assim, não recomendaria este anime à primeira vista, mas para uma pessoa um pouco mais experiente em busca de diversão, é uma boa série para passar o tempo.

Trumbo

Trumbo
Jay Roach
2015
Filme
6 em 10

Estou com istuo tudo muito atrasado. Fui ver este filme a semana passada com a minha mãe, mais o Stepfather, mais a minha irmã ao cinema dos Amoreiras. Inicialmente éramos para ter ido ver outro filme, o "Quarto", mas o senhor da bilheteira disse que estava esgotado. De seguida processou-se um evento estranho em que o senhor se recusava a vender-nos bilhetes em lugares separados e, progressivamente, fomos vendo os lugares todos da sala a serem ocupados. Mas lá conseguimos entrar no filme, apesar de, portanto, estarmos todos separados.

Este filme trata um tema curioso que até hoje aparenta ser um pouco tabu no cinema americano: a época da chamada "caça às bruxas", em que o colectivo americano se via preso numa obsessão em eliminar todas as pessoas eventualmente associadas a essa coisa maléfica que é o comunismo. Foi o que aconteceu a Trumbo, um argumentista de cinema famoso e sempre bem pago. Ao ver-se perante um tribunal inconstitucional em que o obrigariam a denunciar os seus amigos, acaba por ir preso. Depois disso, tem de refazer a sua vida, fazendo o que melhor sabe: escrever filmes. Mas tem de ser tudo em segredo!

Pareceu-me que o filme, com sua realização e argumento, fizeram um bom trabalho em mostrar-nos um pouco da vida deste homem e como as suas actividades acabaram por influenciar o cinema em vários aspectos. é também uma breve lição sobre a história do cinema, em que ficamos a conhecer um pouco dos filmes mais famosos nessa época, assim como todo o ambiente circundante de Hollywood, com seus ícones e seus críticos. Este retrato será certamente ajudado pelo guarda roupa completo e exacto em relação à época.

O elemento principal do filme é o seu personagem principal, que tem uma interpretação fantástica pela parte do actor. Este demonstra Trumbo como uma pessoa cheia de humor e vitalidade, mas também mostra a mudança que se opera depois da sua visita à prisão e a forma como luta contra o desespero de não poder assinar os seus argumentos (por enquanto).

Talvez o filme peque por se perder um pouco em detalhes que acabam por não caracterizar qualquer elemento da história, como por exemplo o fio paralelo relativo ao vizinho mau.

Mas foi um bom filme para ir ver ao cinema e valeu a pena a luta com o senhor para conseguir os lugares. Só achei estranho que toda a gente tivesse batido palmas no fim, porque não me pareceu assim tãããão bom.