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29.1.16

Ore Monogatari!!

Ore Monogatari!!
Asaka Morio - Madhouse Studios
Anime - 24 Episódios
2015
7 em 10

Anime que vi de propósito para o meu clube. Foi uma série que me deu um gozo enorme ver e que adorei de todo o coração.

Gouda Takeo é um adolescente grande, forte e um pouco feioso. Por isso, nenhuma rapariga gosta muito dele. Em vez disso disso, preferem declarar-se ao seu melhor amigo, Sunakawa. Mas no dia em que ele salva uma rapariga de ser molestada no comboio, tudo parece mudar... E assim começa "A Minha História de Amor".

É um shoujo que pode ser considerado um pouco atípico. Para começar, é visto da perspectiva de um personagem masculino que, por sinal, não tem qualquer tipo de sucesso com o público feminino. No entanto, a rapariga também não é fonte de desejo extraordinário. Não é um anime que fale de competição ou de dilemas ou dramas ou nada do género. Conta apenas os pequenos momentos felizes de uma relação, com todas as dúvidas e ansiedades que isso possa trazer.

Esta história, simples e cheia de candura, depende dos seus personagens. Estes são caracterizados, na totalidade, como boas pessoas, de confiança e com características únicas. Cada um terá os seus defeitos, mas no fundo são elevados como indivíduos únicos e plenos de bondade. Isto pode levar a um certo exagero nas reacções, que poderão tornar-se aborrecidas para um espectador menos motivado. Para mim, foi uma viagem que me fez muito feliz. Na verdade, não pude deixar de associar Takeo ao meu querido Qui e, em consequência, de me projectar um pouco numa auto-inserção em Yamato (a rapariga). Sei que isto é incorrecto e pouco objectivo, mas que hei-de fazer? Eu estava cheia de corações...

A animação é simples, com cores suaves e tonalidades pastel nos cenários. Estes, podem não ser muito detalhados mas funcionam na perfeição como pano de fundo para esta história de amor. Há uma extrema variedade nas expressões e designs de roupa dos personagens, coisa que apreciei muito. Mas pareceu-me que o aspecto mais positivo do design foi a caracterização da adolescência moderna, do agora, com todos os seus pequenos detalhes.

Musicalmente, temos um tema recorrente amoroso e que fica na cabeça por muito tempo. Este tema, e outros efeitos sonoros, levem a que a história seja sempre feliz, mesmo nos momentos considerados dramáticos. OP e ED, apesar disto, são bastante vulgares.

Este é um anime diferente, porque é uma história feliz. A prova de que nem sempre precisamos de um drama espectacular para termos um bom anime. Também a prova de que uma série deste género pode trazer sempre sentimentos felizes a quem a vê. :)

27.1.16

O Coração das Trevas

O Coração das Trevas
Joseph Conrad
1902
Novela

Livro que me foi oferecido pelo Stepfather em celebração do meu aniversário! Só estou a lê-los agora, os dos meus anos... Foi um livro difícil de encontrar, mas que me foi cedido porque eu tinha recentemente visto o filme Apocalypse Now, cuja parte final foi inspirada nesta obra.

É uma curta novela, originalmente editada em três fascículos numa revista, que fala numa misteriosa viagem pelo rio Zaire, até ao chamado "coração das trevas". Estes homens vão em busca de um oficial do governo que se perdeu de tal forma na floresta que acabou por criar um culto que o rodeia e se baseia na violência e na sua capacidade vocal para convencer os outros dos seus ideiais.

Estes, acabam por não ser referidos totalmente, pois o homem em questão é encontrado em tal estado de fraqueza e loucura que tudo o que resta é o horror. Mas o horror vivido pelos marinheiros até chegarem aos seu destino, e no regresso, afecta de tal forma o capitão (o nosso narrador) que ele próprio é absorvido pelas trevas e passa a viver também esse pesadelo.

O livro descreve em profundidade as paisagens, os hábitos, tudo com uma aura de terror infundado que se torna cada vez mais vívido à medida que se aproximam do objectivo final. Quando finalmente o narrador consegue conversar com o causador de todo este problema, descobre-se que afinal não há nada para dizer: apenas para sentir e para contemplar.

Assim, temos um sobrevivente. Mas à custa de que emoções?

Um livro curto, rápido, forte e violento. Sem dúvida, memorável.

Profundo como o Mar

Profundo como o Mar
Jacquelyn Mitchard
1996
Romance

Livro que recebi pelo BookCrossing, o primeiro Ring de uma nova membra :) Na verdade, não é o tipo de romance que me desperte o interesse à primeira vista, mas como era a primeira vez que esta nova amiga estava a participar, quis logo inscrever-me!

Este romance foi surpreendente de duas formas: por um lado foi uma boa leitura na primeira parte, mas a segunda parte ficou um pouco aquém das expectativas criadas por aquela. Tudo começa quando, num encontro de antigos estudantes, o filho de três anos de uma mulher desaparece sem deixar rastro. A partir daí, desenvolve-se todo o circo policial a que já nos habituámos em filmes americanos do género. 

Esta primeira parte é estranhamente boa, pois há um desenvolvimento profundo dos vários personagens perante esta situação de impossibilidade e incapacidade de fazer alguma coisa. Beth, a mãe, sofre uma mudança psicológica radical, que é descrita com mestria ao longo desta secção. Se ao início poderíamos ter todas estas pessoas como detestáveis (algo que os autores americanos modernos muito insistem em fazer, por razões que eu não compreendo) rapidamente ganhamos um novo sentimento por elas. Não será pena, nem piedade, nada de tão complexo, apenas um desejo imenso de saber como é que vão evoluir e dar a volta a situação.

Infelizmente, isto perde-se bastante na segunda parte do livro quando "algo" acontece que os faz ganhar uma nova perspectiva. A partir daqui, todo o desenvolvimento dado aos personagens parece ser ignorado, para elevar Beth a um estrato emocional altamente plácido e equilibrado que não joga com as descrições dadas até ali. Para além disso, os elementos narrativos são um pouco previsíveis e a história do "porquê" poderia ter sido trabalhada de outra forma.

Para além disso, fiquei duvidosa em relação a alguns elementos da própria escrita. Por exemplo, sempre que o livro está da perspectiva da criança, Vincent, há uma alteração no estilo demasiado infantil, como se todas as crianças não tivessem inteligência emocional. Também há uma mistura nos nomes, que poderá ter sido da edição, que pode ser um pouco confusa. Para além disso, a autora está sempre a recorrer a comparações que muitas vezes são estranhas e numa linha de pensamento vulgar.

Ainda assim, gostei bastante! Espero que a nova membra continue a partilhar estes livros! :)

24.1.16

Kokoro Connect

Kokoro Connect
Oonuma Shin - Silver Link
Anime - 13 Episódios + 4 Specials
2012
6 em 10

Um anime muito interessante que joga com elementos da psique humana.

Cinco jovens pertencem a um clube na escola que não tem muito interesse relativo. No entanto, uma figura misteriosa decide brincar com eles. Ao início, subitamente, começam a trocar de corpo uns com os outros. Isto é, a mente de um passa para o corpo de outro e assim por diante. Isto leva a que, progressivamente, eles descubram mais uns sobre os outros e sobre os problemas que os atormentam.

É um conceito muito interessante e o desenvolvimento dos personagens está muito bem estabelecido. Se em termos narrativos temos alguns arcos (em que os "truques" que acontecem aos personagens diferem), temos uma evolução progressiva em que estes jovens enfrentam os seus problemas e, com ajuda uns dos outros, acabam por os ultrapassar. No entanto, achei que as relações amorosas, nomeadamente o triângulo, foram um pouco forçadas e pouco naturais, sendo que o foco não deveria ter entrado por aí para um confronto ideal entre a mente e as crises da mente. Ainda assim, são todos personagens cheios de conteúdo e valor, dispostos em várias camadas e com uma verdadeira natureza humana.

A arte é bastante simples, com um estilo muito moderno e fluído. Mas não há grandes cenas de acção nem cenários vívidos que possam elevá-la a outro estatuto. Assim, o anime acaba por se disfarçar um pouco sob uma camada de fatia-de-vida, o que pode levar o visionante menos atento a ignorá-lo e a perder estes fantásticos personagens.

Temos uma variedade musical elevada, com várias EDs e OPs, mas que está bastante limitada ao pop mais comum destes anos 10.

Assim, temos um anime que poderemos considerar incompleto, pois se dedica totalmente à concepção e desenvolvimento dos personagens, cumprindo - nesse aspecto - o objectivo na sua plenitude, enquanto que nos outros elementos acaba por ser bastante regular.

21.1.16

Sora no Otoshimono

Sora no Otoshimono
Saitou Hisashi - AIC
Anime - 13 + 12 Episódios + 1 OVA + 2 Filmes
2009
4 em 10

O anime mais patético que vi nos últimos tempos. Trata de um jovem que sofre de um atraso mental no pénis que encontra uma mamalhuda com asas que afirma ser sua escrava (consequentemente, ele é o seu mestre). Depois aparecem outras pessoas aladas, com mais ou menos ósculos mamários, e há muitas situações inusitadas muito, muito, muito, extremamente!, engraçadas.

Ou então não.

Temos alguns episódios com uma estrutura narrativa, sendo que a história de base é muito simples. As pessoas aladas vêm de um mundo paralelo, a sinapse, onde são escravizadas por um totalitarista maléfico. Este envia-as à terra para se destruírem umas às outras mas acabam todas por se tornar amigas do nosso taradão principal. No último episódio de cada season há uma épica e totalmente inconsequente luta. E é isso.

Os personagens também não têm ponta por onde se lhe pegue. Por trás de uma caracterização superficial, estão escondidos múltiplos estereótipos. Os personagens também não têm reacções adequadas uns aos outros. Por exemplo, porque é que ninguém estranha minimamente que estas pessoas tenham asas? Porque é que nunca há conflito para além de "apalpaste-me a perereca"? Porque é que depois do taradão fazer trinta por uma linha continuam todos a gostar dele? Isto não são reacções normais nem humanas.

A arte é deprimente: sempre recorrendo a chibis e outros que tais, esforça-se por brilhar nas três ou quatro cenas de luta. Mas falha redondamente, pois o valor de produção foi poupado ao máximo e as ditas não estão suficientemente bem coreografadas para fazer um brilharete.

Musicalmente, há muita variedade de EDs, mas todas limitadas a uma espécie de pop cómico que não faz qualquer tipo de sentido.

Portanto, se há série que causa ódio, esta é uma delas. Nunca lhe toquem, nem com um pau comprido e bicudo.

18.1.16

The Hunger

The Hunger
Tony Scott
1983
Filme
6 em 10

E como David Bowie é uma paixão amada, continuamos a ver a sua filmografia. Desta feita, um filme de vampiros um pouco diferente, que coloca as coisas em perspectiva.

John e Miriam são um casal misterioso. Ficarão juntos para sempre. Porquê? Porque são vampiros. Mas a vida de vampiro de John aproxima-se do fim e, rapidamente, ele começa a deixar de conseguir dormir e a envelhecer numa progressão extremamente rápida. Então, entra em contacto com Sarah, uma especialista do ramo do envelhecimento. Infelizmente, nem tudo é o que parece... O que irá acontecer?

Neste filme uma diferente perspectiva sobre a lenda do vampiro é relatada. Aqui, há muita relação com a mitologia egípcia e às personagens são oferecidas várias camadas que lhes permitem progredir dentro da narrativa. Por um lado, vemos o desespero do vampiro que "morre" sem nunca poder deixar o plano terreno. Por outro lado, vemos que Miriam afinal não é tão boa pessoa quanto nos parecia ao início e é ela a verdadeira vampira: pois não se alimenta apenas de sangue, mas também de emoções.

O filme tem partes de puro horror (que me impressionaram um pouco) e também muitas partes altamente erotizadas, no feminino, o que é uma mistura bastante bizarra mas que, dentro do contexto, acaba por funcionar muito bem.

A conclusão é fatídica e impressionante. Mas o mais surpreendente de tudo isto é o trabalho dos artistasd e maquilhagem, que fazem uma caracterização tão perfeita do envelhecimento de Bowie que o tornaram muito parecido àquilo que ele veio a ser no final da sua vida terrena.

No final deste filme, ficamos com uma imagem: os vampiros nunca morrem. Pois bem, o David Bowie também não :)

O Castelo

O Castelo
Franz Kafka
1922
Romance

Este livro foi-me oferecido pelo Qui pelo meu aniversário em 2015. Depois de ter lido O Processo e as Cartas ao Pai, vinha alimentando a vontade de ler o resto da obra de Kafka. Agora surgiu esta oportunidade.

Este é um livro um pouco diferente d'O Processo na medida em que o pesadelo vivido por K., o personagem principal, consiste na busca pela autoridade, enquanto que no livro anterior ele fugia desta. O que se passa é que K. é contratado como agrimensor para ir trabalhar para um castelo mas, chegado à aldeia vizinha, percebe que não há maneira de lá chegar nem de contactar com ninguém que lá viva ou trabalhe. Assim, K. envolve-se numa série de meandros burocráticos, que não têm fim e que não fazem qualquer tipo de sentido. O livro está cheio de detalhes que tornam tudo como num sonho, um puro exercício de surrealismo, como ser de manhã e de repente ficar de noite ou os personagens estarem sempre a contradizer-se nos seus discursos.

Desta feita, K. conhece uma série de pessoas com as quais se relaciona, mas todas elas parecem ser apenas marionetas influenciadas pelo Castelo, a grande personagem principal, o grande ponto inatingível. Os seus discursos são longos e não trazem nenhuma informação últil. Aliás, confundem tanto o personagem principal como o próprio leitor, uma característica deste livro. Nunca sabemos o que um personagem nos vai dizer a seguir: num momento amam K., no outro momento desprezam-no. São estas relações que tornam esta busca pela autoridade num verdadeiro terror.

Este é mais um livro inacabado, para além de ter sido publicado após a morte do autor. Mas, segundo o posfácio, o final iria ser tão maléfico e inconclusivo como resto da história. Mas, no geral, é um livro intenso e maravilhoso, em que descobrimos sempre novas coisas por detrás de cada esquina e que nunca deixa de surpreender.