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In English: Cosplay Portfolio (Updating) | SALES

16.7.14

Black Mirror

Black Mirror
Charlie Brooker
Série - 3 Episódios + 3 Episódios
2011


Se há coisa que nunca houve neste blog... Foi uma série. Uma série daquelas estranhas, daquelas... Com pessoas. Para ser sincera, nunca gostei muito do formato. Normalmente as séries com pessoas são demasiado longas, repetitivas e engonhantes. A maioria são verdadeiras novelas, faladas em inglês. Por isso, nunca me desviei do meu caminho animesco para as ver. Ora, estamos nós no Porto e é-me sugerido ver esta série ao longo dos dias, dado que é extremamente curta. Agora, posso dizer que acho que me converti. Quero ver mais. Pelo menos coisas assim tão boas. Como, para além do Serviço de Urgência, das Marés Vivas e de uma série australiana sobre cantores pop isto foi a única série que vi, não lhe dou uma classificação. Não me considero ainda suficientemente conhecedora para classificar. Passemos, então, ao comentário.

Em seis episódios longos, são-nos contadas seis histórias diferentes, com pessoas diferentes e em mundos diferentes. O que há em comum entre eles? Todos contam situações que podem, realmente, acontecer. Se não tomarmos cuidado com a nossa tecnologia, com a nossa dependência das redes sociais, com a nossa sede por informação, qualquer uma das situações se pode tornar real. Isso é perturbador e aterrorizante. Como são apenas seis episódios, divididos entre duas seasons, falarei deles um a um.

The National Anthem - Uma princesa inglesa é raptada. As condições para que seja devolvida são simples: o Primeiro Ministro tem de fazer sexo com um porco. Este episódio é uma crítica ao terrorismo social que não tem uma causa, que deseja apenas fazer o caos pelo simples prazer de observar o caos. Isto é cada vez mais comum, afectando pessoas individuais em pequenas doses, mas quem sabe quando chegará o dia em que atingirá uma pessoa que todos conhecem? Chamam "cyber-bullying", mas é muito mais sério do que isso e nem todos os visados "merecem"

Fifteen Million Merits - Neste universo, toda a gente pedala. Não sabemos porquê, mas toda a gente pedala. E são entretidos: pornografia, concursos de talentos, jogos de computador, um avatar costumizável. A única maneira de deixar de pedalar é aparecer num destes programas de entretenimento. Por isso, todos participam no concurso de talentos. Depois de um desapontamento, um homem decide revoltar-se contra o concurso... Mas consegue? Também assim é o nossos sistema. Trabalhamos para ter dinheiro, para comprar coisas, muitas delas que nem sequer existem. Todos sonhamos em ser escolhidos num concurso, para termos mais dinheiro, para podermos comprar mais coisas. Mas é isso a liberdade? Será possível lutar contra o sistema, quando o sistema nos obriga a fazer parte dele?

The Entire History of You - Este foi o episódio de que gostei menos. Criticando o vício corrente de gravar todas as informações da nossa vida em fotografias e vídeo, nesta história todas as pessoas têm um aparelho implantado atrás da orelha que grava todos os momentos da da vida. Sim, mesmo todos. Esta história é um pouco noveleira, o que talvez também sirva como crítica, falando de um homem que descobre a traição da mulher e da sua paranóia.

Be Right Back - O que gostei menos a seguir. Um tipo viciado em redes sociais morre e a mulher dele arranja uma app que reproduz o seu discurso. Depois arranja uma app com voz e depois arranja um boneco igual a ele. Aqui falamos de como não devemos revelar tudo na internet, mas também como a nossa "internet persona" pode ser tão diferente do eu real.

 White Bear - Foi o episódio que me chocou e impressionou mais. Uma mulher acorda sem memórias num universo em que todas as pessoas a estão a gravar com os seus telemóveis. De repente, vê-se perseguida por malucos com armas, que a querem torturar e matar. Tem de fugir até White Bear, para que isto pare. Mas a revelação final... Bem, não a vou contar. Mas achei uma injustiça tão grande, o causar de tanto sofrimento por razões que poderiam perfeitamente ser vistas de outra forma. Até agora continuo a pensar neste episódio. Foi daqueles que eu gostava que tivesse continuado, a ver se estas pessoas eram chamadas à razão...

The Waldo Moment - Waldo é um urso azul que goza com políticos. Quando o comediante por detrás dele se passa em directo, cria-se um movimento para tornar Waldo presidente. O homem-waldo luta para impedir o inevitável, que é a possessão do boneco - que, com mais conhecimento das causas ou, simplesmente, uma causa para apoiar - pelos meios publicitários, transformando aquilo que poderia ser revolucionário em mais um truque capitalista. Confesso que este episódio me deu pesadelos, porque somos pessoas realmente estúpidas para que uma coisa destas pudesse acontecer.


Para além disto, falo também do trabalho dos actores, que é excelente. As emoções são transmitidas com muita exactidão e realismo, levando-nos a acreditar que estas situações existem em algum sítio, espaço, ou tempo. Ou que poderão vir a existir, o que é o mais provável.

Só não gostei que houvesse tantas cenas de sexo...

De resto, uma série que me marcou. Aceito sugestões de mais cositas buenas como esta. :>
 


Central Comics Fest 2014

Central Comics Fest
Evento

 

Assim nos encontramos. Podres, mortos, essencialmente a necessitar de férias. Portanto, aqui a vossa locutora consegue - por portas e travessas - obter dois dias de férias. Woohoo! Por isso, vamos aproveitar que há um evento de anime e vamos ao PORTO!!!

Assim começo este relato, que não será só do evento mas sim da aventura dos Dois Cabeleiras do Apó-Calipso na cidade invicta, ou algo assim. São eles, os dos cabelos maviosos: eu (doravante conhecida por eu) e o namoradim (doravante conhecido como Zi). Vamos começar a viagem? 

Quem apenas quiser saber o que se passou no evento de anime, que salte para Sábado (Ctrl+F Sábado). ;)

Quinta Feira: Viagem para Terras Distantes e Ambientação

Na verdade, tudo começou antes, como a marcação da viagem e do hostel. Como fomos em modo altas poupanças, decidi comprar os bilhetes com cinco dias de antecedência, para obter o fantástico desconto de 40% da CP. No entanto, houve problemas, pois o bilhete que eu queria esgotou-se nos momentos em que eu não consegui lidar com o site da CP. Mas enfim, às onze e meia de quinta feira estamos a bordo de um InterCidades, carregados de tralha. Tralha essa: malas, a minha com mais cosplays do que roupa, uma espada e a boneca (doravante conhecida como A Gaja). Ora, a Gaja é enorme, tem um metro de altura. Além de ser horrorosa, claro. Chamo-lhe assim porque ela não tem nome e não é minha, portanto não tenho direitos para lhe dar um nome.

Chegamos, carregando todos esses objectos volumosos, para não encontrar no hostel. Estava bem escondido, mas revelou-se bastante agradável. Para começar, era baratíssimo. Depois, tínhamos um quarto com uma cama aceitável só para nós, sem ter de o partilhar com outros malucos, jovens, turistas ou seres desse género. Tinha cozinha e pratos e talheres. Estes eram um pouco badalhocos, mas eu acho que é porque os outros residentes, os estrangeiros, não devem saber como é que se lava um prato. Tinhamos sempre de lavar a loiça antes de a usar, porque mesmo quando já estava a secar no lavatório ainda tinha manchas e gordura e coisas. Ew. O quarto tinha casa de banho, mas poderiam ter colocado sabonete para lavar as mãos. Teria sido bom. Finalmente, havia um espaço exterior com mesas, cadeiras e estendais, onde podíamos estar a esfumar-nos, a tomar o pequeno almoço ou a beber sângria, mesmo à porta da nossa janela. Hostel para voltar, porque se estava lá mesmo bem!

Pousamos objectos. Lanchamos, havia fomes (eu tinha levado uma salada de feijão frade e atum para comer no comboio, mas já era hora de ter fome). E vamos turistar um pouco!

Primeira paragem: Casa da Música. É realmente um edifício estranho, parece uma casa de pernas para o ar. Entrámos e não havia nada para ver, para além de uma loja de souvenires (que até tinha umas t-shirts engraçadas). Pensávamos que tinha exposições ou algo do género, mas aparentemente é apenas um lugar onde dão concertos, à moda de Coliseu ou outro espaço do mesmo tipo. Por dentro, a arquitectura é certamente original e bizarra, mas não nos deixaram ver mais nada, insistindo que tínhamos de ir com guia, que não estava disponível àquela hora. Pelo menos para nós, pois estava lá um grupo de estrangeiros com o guia. Note-se que a Casa da Música deve ter sido feita tendo em mente a comunidade skater, pois estavam lá imensos. Parecia o Terreiro do Paço, mas com menos freaks a fumá-las.

 Estranho por fora

 Estranho por dentro

Depois, vimos um Parque Redondo, cujo nome não recordo (mouzinho?), e que tinha uma estátua no meio com um leão em cima de uma águia. Isto é, temos no Porto uma estátua que revela a primazia e superioridade do Sporting sobre o Benfica, o que é altamente simbólico. Sim, eu sei que a estátua é a homenagear os combatentes da grande guerra, mas a minha versão futebolística é muito mais gira!

 Havia lá uma espécie de parque de diversões, onde estava o Chiquinho, na foto acima

 
É pra glorificar di pé!

Consultando o guia da American Express que roubei à minha irmã, decidimos ir ao Jardim Botânico. Dizia que fechava às oito, portanto ainda teríamos tempo. Andámos até ao infinito, passando por vários locais que vinham apontados no guia. Achei curioso o Mercado do Bom Sucesso: no guia dizia que era um lugar para comprar vegetais e fruta fresca, mas visto de fora parecia tudo menos um mercado. Parecia sim um lugar para comprar vegetais e fruta com assinatura de chefs michelin. Esta era uma zona com muitos hotéis de muitas estrelas e grandes casas. Também zona de faculdades. Até encontrámos um sítio cheio de estudantes! Estranhávamos nunca mais chegar ao jardim, até que perguntámos a dois freaks que estavam a arranjar uma bicicleta e eles nos disseram que era mesmo ali, mas que fechava às cinco. Era verdade. Por isso, entrámos por um jardim adentro, que aparentava ser de uma faculdade, e estivemos sentados na relva até ao momento em que um bicho enorme me caiu em cima. 

Regressei com a única parte da perna que estava à mostra (o espacinho entre a legge e a meia) picado até mais não.

Por sorte havia um Minipreço mesmo ao pé do Hostel. Comprámos alimento (esparguete à bolonhesa de pacote) e terminámos a noite vendo uma série fascinante, sobre a qual escreverei em outra ocasião.

Sexta-Feira: Tarde Muito Bem Passada

Acordo eu, em pânico, pensando "são três da tarde! Não vamos passear! A culpa é do Zi!". A luz entrava pela janela como uma cascata brilhante e insuportável, um calor tremendo. Fui ver o relógio: oito e meia. Coitadinho do Zi, afinal tinha razão em dormir...

Tinha escolhido este dia para ver a zona verde do guia, que era a dos Aliados e Clérigos. Mas não vimos a Torre dos Clérigos. Afinal de contas, é apenas uma coisa bicuda. Gosto mais de coisas redondas ou espalmadas. Fica para a próxima.

Começamos subindo e descendo ruas, observando uma série de edifícios muito interessantes. É que no Porto é tudo antigo e, sobretudo, é tudo cinzento. O resultado é algo de muito pitoresco, como uma cidade de feiticeiros.

 Observe-se por exemplo este senhor com seis pernas e quatro braços

A primeira paragem é a Livraria Lello. Não deixam tirar fotografias (o Zi sabia que iria conseguir, mas não tirou), o que é uma pena porque a coisa é linda de morrer. Para começar, são livros até ao tecto. Os mais próximos do tecto não estão à venda, é só colecção de coisas antigas, mas o efeito é espectacular. No entro há uma escadaria enorme e estranha, toda ondulante, vermelha. Os degraus não são muito ergonómicos, ia dando um trambolhão, mas é uma sensação cintilante subir aquela escada. Chegados lá acima não havia assim tantas coisas para ver... Aliás, os livros da livraria eram muito estranhos. Tinham muitos, até demasiados, livros velhos e em mau estado, a preços que não eram nada simpáticos. Os livros normais tinham preços normais e havia uma quantidade espectacular de guias turísticos. Comprei como souvenir desta viagem um livro do Saramago, chamado "Pequenas Memórias". Porque foi uma viagem para fazer pequenas memórias. :)

Os Dois Cabeleiras do Após-Calipso encontram-se perdidos por ruas e travessas, confundindo um hospital de arquitectura acastanhada com um museu, andando em sentidos opostos e perguntando a velhotes o caminho correcto. A verdade é que toda a gente nesta cidade é extremamente simpática... Mas há quem não concorde, como veremos a seguir! Ouçamos um som recorrente enquanto os Cabeleiras encontram o caminho certo:





Dançando e cantando como os Pingus que somos, entramos no Palácio de Cristal. Explorámo-lo convenientemente e é perfeitamente lindíssimo. Os jardins são enormes, com muitas coisas diferentes para ver, com estátuas e desenhos clássicos por todo o lado. Sentámos num banco de pedra a ver a vista através de umas árvores e a ouvir som e estava-se mesmo muito, muito, muito bem. Aliás, tão bem se estava que havia gente a dormir encostado aos muros, gente a apanhar sol e gente a apanhar sombra por todo o jardim. Até chungaria havia, mas era chungaria pacífica (aparentemente). Havia animais de jardim e eu raptei um pavão bebé. Arrependi-me logo a seguir, espero que ele tenha encontrado o caminho de volta. ;__; Isto é, eu só agarrei nele para ver se era fofinho ou não, depois pu-lo ao pé dos manos, mas ele pareceu um bocado baralhado sem saber onde estava. Será essa a sensação de se ser abduzido por um ser que está num plano superior? ;__;



Começando a entardecer, vamos para o Marquês (não o de Pombal), onde está um jardinzinho com um coreto. Lá, vamos encontrar a Ana, uma amiga do tempo da faculdade (que foi há bué, ya) que está a estudar música antiga no Porto. Ela vai levar-nos a um tasco onde o pessoal da música se reúne e onde há francesinhas vegetarianas. Sim. É verdade.

Pela primeira vez na minha vida vou comer uma francesinha
Não há foto.
Foi um momento de prazer extremamente privado.

E digo-vos: é simplesmente maravilhoso. Soube-me a divino. Há secularidades que não comia algo tão bom. Ainda me apetece comer outra. Que peça de culinária absolutamente encantadora! Um pouco picante, mas passou rápido. Fiquei fã! E quem diz que é uma imitação de um croque monsieur não percebe nada de comida e de sabores!!

Sábado: Central Comics Fest

Acordar. Acordar cedo. Acordar cedo a um Sábado. Quando se está de férias. A tortura. O horror. 

Mas conseguimos.

Empacoto dois terços do conteúdo da minha mala num saco do ikea e preparamo-nos para transportar a Gaja. São poucas estações de metro e um bocadinho a pé, mas ainda assim a Gaja é uma mal-jeitosa. Falando no metro, já alguma vez comentei o quão estranho acho o metro do Porto? Acho estranhíssimo haver uma série de linhas que vão todas para os mesmos sítios. É certo que assim há mais metros, mas parece-me um pouco, digamos... Redundante? E parece ser tão fácil entrar sem pagar, em nenhuma viagem vi um pica e aquilo não tem cancelas, é tudo à la gardere! Mas não se preocupem, eu sou uma pessoa cumpridora e obriguei o Zi a ser cumpridor também, portanto lá pagámos um euro e vinte por viagem sem gritar muito. Sugestão para o futuro: fazerem os passes para turistas, como há nos outros países. O passe 24 não compensa, mas um passe com 10 viagens já tornava tudo mais fácil.

No dia anterior, tinha recebido confirmação de que a minha inscrição para o Eurocosplay tinha sido recebida e que eu não pagava. Mas o meu sidekick (gostei do nome) teria de pagar entrada, que seria muito barata. Por isso, espantei-me por ser quatro euros. Quatro euros é barato, mas não é muito barato. Até é um preço bastante normal para evento...

Pousamos tudo no backstage e damos uma pequena volta. Este ano o espaço era bem menor: apenas o corredor central e o auditório pequeno estavam disponíveis. Para mais, os corredores de ligação estavam fechados com gradeamento, pelo que para ir à casa de banho tinha de se dar uma volta que nem todas as bexigas aguentam. Graçadeuz eu podia ir à do backstage. De ambos os lados estavam lojas, stands profissionais, que não variavam muito dos outros anos. Como compra, obtive apenas um phone-strap, com uma Sailor Júpiter (personagem que, como sabem, mantenho uma certa ligação). Fiquei com pena de não haver bancas de artistas (que são bons artistas) e acho que podiam ter remetido as cartas àquele cantinho habitual, que estava tornado num espaço de vácuo com pessoas sentadas. Como tinha visto no programa que as coisas interessantes só iam começar pelas três da tarde, fomos dar um passeio.


A Zona Ribeirinha é bem bonitinha, com seu rio e suas pontes. Ficámos a apanhar sol debaixo da ponte maior, até que vimos um grupo de estrangeiros a atirar-se de lá de cima para dentro de água, todos contentes. Os restaurantes, onde até já comi, são bastante turísticos e os feirantes e músicos de rua também. Não estou no direito de criticar, pois nós também temos a mesma treta no Chiado e na Baixa e pela cidade inteira. Entrámos numa casa com Ruínas, que a minha mãe depois disse ser a alfândega do antigamente.

 Barquinho e pontinha chap-chap rio :)

Tomámos café na esplanada do Hard Club, onde me cobraram um preço absolutamente abusivo. Em revolta, coloquei o meu cosplay, deixei a Gaja toda preparada para entrar em palco (isto é, vestida com outro cosplay) e fui ter com o Zi para bebermos umas jolas. A jola, a dita, era vendida dentro do recinto a dois euros o copo maior, fresquinha, deliciosa. Digamos que com o cosplay de Utena, manga comprida com forro, estava morrendo de calor, suando em fio, derretendo e desfazendo-me, falecendo, enfim. 

Duas jolas depois chegaram as três e meia, hora em que deveríamos estar no backstage para fazer a avaliação. No ano passado fizeram-na depois do concurso, em que já estava toda a gente exausta e sem paciência para conversar, pelo que este ano fizeram ao contrário. É assim que costuma ser e, em minha opinião, é a melhor opção. Mas... A demora! Eu acho que o júri faz muito bem em ver tudo linha por linha, a ver como foi feito e como está, mas éramos tantos... Não costumamos ser tantos! Éramos tantos que o concurso propriamente dito atrasou imenso! A júri das costuras ainda não tinha falado comigo quando nos pediram para começar. Falaria comigo depois. Entretanto, já o outro rapaz jurado tinha gozado com os meus calções da SportZone (eu explico o porquê no Cosplay Portfolio, que será actualizado com este evento a seu tempo ;)). Em compensação, o júri francês pareceu gostar imenso da minha espada! =D Fiquei bem contente. ^____^ E das minhas jóias também. =D Acabei por não falar com a moça das costuras, porque quando acabou a performance tirei logo o fato. Estava mesmo morta de calor. Depois disse-lhe "está tudo igual ao do ano passado, incluindo os defeitos, os acabamentos estão horríveis, não é preciso ver porque não vou ganhar nem que nasçam crocodilos com penas". Não exactamente por estas palavras, mas esse é o meu verdadeiro sentimento. E realmente... Ganhar... Se eu fosse a estas cenas para ganhar, saia de lá sempre a chorar! Vou para fazer scenas! :3

E então, qual foi a scena que fiz? Desta vez decidi explorar um pouco da sexualidade da Utena, pegando no tema do transformismo. Usei uma música do Chico Buarque, cantada por uma nova amiga, Carolina Bermejo, com uma edição por trás... Usei a Gaja como prop e representação de... Bem, é melhor actualizar mesmo o Portfolio com as explicações. Parece-me que esta performance foi bem recebida, as pessoas estavam concentradas e palminhas se seguiram. Disseram-me depois, várias pessoas, que gostaram muito, que estava a dizer poesia. Eu não, o Chico estava ;)

Só soube mais tarde a classificação final. Ficou em primeiro lugar a Dark Lady de Sailor Moon, que era exactamente o que eu esperava (parabéns! =D) e em segundo a Alice de Pandora Hearts, que tinha um prop bem giro. Não creio que houvesse fato pior que o meu, portanto estão todos de parabéns! :3

Mais tarde fui dar uma palavrinha aos jurados, mais para pedir desculpa por me ter desequipado sem a revisão final, e contaram-me os apontamentos que tinham feito sobre o meu sukito. Aparentemente foi apreciado, o que me deixa feliz, mas mesmo assim requer explicações, que não tive tempo de dar. Mas para isso serve a net, e já as darei (em breve, quando tive o vagar) :3

Ora bem, isto de participar nos concursos é loko e tal, mas acabamos por não ver nada do evento. Ainda bem que eu tenho um Zi para ser os meus olhos em outros lugares! Segundo o que ele contou, viu três Curtas-Metragens, que eram bem giras. Acho isto das curtas metragens uma adição muito interessante a um evento de cultura pop, portanto espero que voltem a repetir e que dessa vez eu consiga ver. :) Depois disso, houve um Quizz, que o Zi classificou como demasiado fácil. E depois fomos nós.

Gostava de ver os sukitos de toda a gente para fazer os meus comentários fedorentos, mas não sei se será possível.

Estávamos com uma certa pressa de voltar, não fosse o Minipreço fechar, mas ainda tivémos tempo de tirar umas pouquinhas fotos. Seguem-se elas!



 "Tira foto à miúda do basket!"




 "Tira aí foto ao Aladino!"






Terminou-se a noite com o jogo do Mundial, Brasil x Holanda, e um filme. Vimos o jogo na companhia de um brasileiro com um sotaque cerrado e difícil de compreender, mas foi divertido. Pena que perderam, isso é triste... Ah! Já falei sobre a senhora do hostel? É que o brasileiro e ela estavam a ter um debate quando chegámos à sala comum. A senhora era absolutamente hilariante. Uma velhota com o sotaque característico, sempre contando histórias e dizendo coisas engraçadas. Por exemplo, discutindo com um grupo de estrangeiros: "Vão ficar mais noites? Mais nights? Mai naites?" E assim por diante. :p

Domingo: Bai-Bai

Mais uma vez, custa a acordar de manhã. Mas tem mesmo de ser! Porque fiquei mais dez minutos a ronhar e a rebolar na cama sem me levantar, tivemos de dar uma corrida olímpica (carregados com as malas e a Gaja) para conseguir apanhar o comboio! Desta vez foi alfa-pendular. 

Adormeci logo e assim me mantive durante metade da viagem. 

Depois cheguei a casa e escrevi esta missiva.


Até para o ano Porto... Ou ainda antes disso! Porque vai mesmo haver Comic Con em Dezembro! É o que dizem... E eu acredito! Ansiosa por voltar, foram umas férias mesmo buenas! =D


Deixo-vos com outra música recorrente, desta feita uma música extremamente bonita e simbólica. Hasta!


8.7.14

Yowamushi Pedal

Yowamushi Pedal
Nabeshima Osamu - TMS Entertainment
Anime - 38 Episódios
2013
5 em 10

Ah pois. Faltava este. Ainda faltava acabar este e agora já posso atirar-me de cabeça à próxima season (que parece bem mais interessante do que esta que acabou). A verdade é que esta série me passou tão ao lado que em muitas semanas me esquecia de ver o episódio.

Vamos esclarecer: eu gosto de animes de desporto. Gosto da fantasia toda que há nos animes de desporto, o ultrapassar das barreiras físicas e psicológicas, a evolução e o trabalho de equipa. Mas não sei o que se passou com este anime... Simplesmente não consegui "entrar" nele. Talvez seja porque o ciclismo é um desporto chatíssimo. Aliás, para mim quase todos os desportos são chatíssimos, mas em anime ficam divertidos. Yowamushi Pedal não consegiu tornar o ciclismo divertido. 

Observamos, então, um treino muito agressivo (qualquer coisa como pedalar 1000 quilómetros) e uma corrida com duas etapas. Na corrida encontramos outras equipas - desconhecia totalmente que o ciclismo fosse um desporto em equipa - mais fortes e mais fracas, oponentes e rivais. Talvez a narrativa não funcione bem pela natureza do próprio desporto. Em animes normais, vemos jogos e cada jogo dura o quê... Três a cinco episódios? Aqui temos uma dúzia de episódios para uma etapa de uma corrida. É simplesmente demasiado longo e não há assim tantas coisas a passar-se num bicicletamento que consigam tornar isto fascinante.

Em termos de personagens, isto tudo começa com um jovem ota-cu que bicicleta pela montanha acima a cantar a música das princesas. É captado para uma equipa e participa na corrida, onde encontra companheiros e rivais, cada um com o seu estilo único. Aqui, o anime é típico: cada um tem as suas poses, as suas expressões faciais e o seu "super-poder", isto é, a sua técnica que irá vencer (pelo menos durante aquele ameaçador episódio) Não sei se estas técnicas são realistas ou não, mas - sinceramente - não me parece que seja especialmente eficiente balançar de um lado para o outro da bicicleta ou arrancar os elásticos dos calções.

Algo de bom: a arte. Apesar de não conseguir manter a minha atenção nas corridas, tem alguns momentos de tensão que, não sendo conseguidos pelo diálogo, são conseguidos por imagens interessantes de biceclamento, poses movimentadas que despoletam interesse.

A música pouco tem de especial. Nos momentos de emoção há efeitos sonoros a acompanhar que os ilustram. Aberturas agradáveis, mas finais com pouco que se lhes digam.

No geral, um anime desapontante, que me fez perder um pouco a fé no género.

Mangaki, Funny Time!

Mangaki, Funny Time!
Evento
Há quanto tempo não ia eu a um evento da categoria dos pequerruchos, daqueles em que vou sozinha sem perspectivas de encontrar ninguém conhecido? Nem recordo, foi há uma imensidão temporal! Por isso, quando me convidaram para este evento... E vi que tinha concursinho de cosplay... Nem hesitei! Bora lá!

Sendo a noite de Sexta feira um pavor cefaleico, acordei com umas dores cerebrais bastante agudas. A realidade é que não tinha vontade nenhuma de sair da cama. E ainda fiquei uma horita (ou mais? ou menos?) a rebolar na cama tentando decidir se ia ou não ia ao evento... Mas lá me decidi "eu quero ir, portanto eu vou!" O processo de me vestir com o cosplay, tomar banho, arrumar a sacola dos eventos, almoçar (não necessariamente por esta ordem) foi uma confusão... Deixava cair tudo, tropeçava em mim própria, uma baralhação. Até duvidava que conseguisse chegar ao local do evento sem me enfiar no meio de um complicado acidente rodoviário envolvendo um camião de transporte de bovinos.

Mas, graças ao sanhor e à Maria Atum (o GPS) consegui chegar lá sã e salva.

Ora, a Maria Atum indicou-me a rua e eu estacionei um pouco mais à frente. Quando chego à rua indicada, nada vejo que se pareça com o local do evento, o Centro de Cultura e Intervenção Feminista. Entro num café para beber um café e perguntar onde estou. E assim que agarro na chávena, aparece-me um jovenzito que me pergunta se vou para o Mangaki. Ora, claro que vou! =D Porque razão estaria assim vestida, apesar de sem peruca? Explicou-me o rapazito que se ia encontrar no Pingo Doce com uns amigos pelo que, em troca por um cigarro mal enrolado, me foi permitido colar-me a ele e descobrir onde era o local.

O local.

Surpreendentemente agradável. À entrada, de preço bem simpático, carimbaram-me a mão e venderam-me uma rifa para ganhar um cabaz. Adoro rifas! Queriam carimbar-me a testa, mas aleguei que isso perturbaria a imensurável beleza do meu cosplay, pelo que se ficaram pelo meu autopódio dianteiro. Ao longo de uma passadeira de madeira, ladeada de seu lado direito por uma zona ajardinada muito refrescante, estavam as poucas bancas, que vendiam coisas curiosas, de vitrais a manga e DVDs em segunda mão. Confesso desde já que neste evento não fiz as minhas compras habituais (phone strap e desenho). Fiquei-me pelas rifas, em que - como sempre - nada me saiu. Gostaria que me tivesse saído a rifa dos vitrais, porque assim escolheria um vitral com um Chikorita e oferece-lo-ia ao meu amigo Chico. :) Por dentro, temos uma pequena biblioteca de assuntos feministas, com sofás e um ecrã. Estavam a passar o primeiro episódio de Sailor Moon, mas recusei-me a ver porque já o apanhei depois de começar. Assim, prefiro ver todo em casa (ainda não vi, esperem por mim!). Casas de banho sem distinção de géneros, como convém a um grupo pela igualidade de direitos, e uma zona de bar com café a CINQUENTA CÊNTIMOS (atentem) e um Maid Café. Este, tinha para oferta um sortido de bolos básicos que, apesar de nada terem de complexo, me pareceram deliciosos. Prometi que lá voltava quando me desse a fome, mas ela nunca se deu.

 Cá fora

 Lá Dentro

Maid Café (tá uma meido lá atrás, observem-na)

Numa tonalidade algo crítica, que gostaria de evitar nesta missiva (já que o evento foi tão agradável), achei que o espaço tinha... Espaço. Espaço para mais actividades. Da parte da tarde havia um espaço morto no local além biblioteca, que poderia ter sido utilizado para, por exemplo, workshops. O lado oposto desta actividade seria a divisão e fissão do público, que não era muito (mas era bom, como já veremos!)
Entretanto encontrei uma mãcheia de pessoas conhecidas, roubei um golo de Don Simon aos moços que me ajudaram a encontrar o caminho e ofertei lições de vida a uma jovem meido. Isto porque eu estava cheia de calor e decidi ir ao café buscar uma média para me refrescar. A jovem interpelou-me e eu disse-lhe para nunca abusar do álcool, para não acabar igual a mim. Ela chamou-me senpai, o que acho uma palavra muito curiosa quando dita na língua portuguesa: eu, efectivamente, tenho pai. :3

Pelas três de tarde (este relato não está muito bem por ordem cronológica, pois a minha cabeça não permite contas exactas) decorre um momento muito original e interessante: conversa entre voice actor (actor de voz) e cosplayer. Com muita sinceridade, humor e objectividade, cada um falou sobre os aspectos da sua actividade, explicando a trabalheira toda que dá. Gostei especialmente de ouvir que o cosplay não precisa de ser exclusivamente uma actividade individual e que, sim, é um trabalho multidisciplinar. Não gostei especialmente de ouvir que os veterinários são maldosos, mas depois falámos sobre isso e concordamos nos mesmos aspectos (há pessoas horríveis em todas as profissões...)

No final houve um jogo, em que o actor fazia a voz das poses e a cosplayer as poses das vozes, huluhululu

Passei largos tempos de inactividade. Podia ter jogado jogos de uma banca de jogos, mas estava em modo preguiça, muito lento. Assim, fiquei a contemplar as pessoas e tirando fotografias aos pouquinhos cosplayers que iam atravessando o meu campo de visão. Tiraram-me uma fotografia e, mais uma vez, a comunidade fascinou-me: que pessoas tão novas! Que não viram Dragon Ball na televisão! E que não recordam aquela altura em que a Internet fazia CSHIIIOOOOOORRRRGGGHHHH. Quando me disseram "ah, Dragon Ball, ainda não tive paciência de ver", sinto... Pena. Pena porque esta geração nunca vai interromper  uma aula para ir ver o último episódio da série na mini-televisão do bar da escola. É que, pelo menos tenho essa sensação, já não há nenhuma série a mover multidões como naquela época. Pois bem, azar o vosso, não matam aula para ver animus :>

Entretanto, vamos acompanhando os resultados do ECG. Nem me lembrava, mas surgiu logo a preocupação para com aqueles com quem partilhei palco nas últimas eliminatórias e que são sempre tão sympas para mim.

Finalmente, chega a hora do concurso! É-me revelado que, apesar de eu ter dito no feice que ia levar uma pen com a minha musiquinha (que editei com tanto carinho), o computador do responsável pelo sonoro não lê pens, pois está virado. Assim, terá de ser colocada a música no tubo.

Contarei mais sobre isto no meu Cosplay Portfolio (no dia em que me ocorrer actualizá-lo que não, não é hoje), mas para este evento, este skit e este cosplay, decidi fazer uma dança interpretativa. A música, toda a gente que viu esse último episódio no bar da escola, ou local equivalente, conhece. E sabe dançar. Porque o Bicho, que é o Bicho, vem aí para te devorar. É um crocodilo! Eu tinha dito ao amigo do som para parar a música no segundo Bicho. Mas... Talvez eu me tenha expressado mal... Ele parou antes do primeiro Bicho! Ainda assim, soltei o Bicho em silêncio! Poderão vê-lo nesta maravilhosa foto que me tiraram:

É o Bicho, é o Bicho, vou-te devorar, crocodilo eu sooooou *~*~* 

No final, parece que resultou, pois muitas palminhas decorreram (adoro palminhas!) e ganhei um segundo prémio (adoro segundos prémios!) e dois lindos pins (adoro pins!) que colocarei na prateleira dos pins, onde aguardarão a sua vez de serem colocados no blazer azul. :) Parece que não, mas fiquei mesmo muito feliz por terem gostado e terem recordado comigo este som labregamente viciante! =D
Em terceiro lugar ficou uma Sebastian cheia de estilo e em primeiro um urso que me pareceu muito fofinho e, especialmente, muito bem feitinho (o que é invejável, pois essas cabeças são maradas de fazer)

Estava eu já desperucada, prestes a ir-me embora (o caminho ainda era até ao outro lado do rio) quando anunciam que vão sortear a rifa! Céus, preciso de saber se ganhei! É muito importante! Eu era o trinta e três. E o resultado... O resultado vem aí... Vai sair... Cá para fora... FOI O TRÊS! Quase! Quase... Em rifas nunca me calha nada, nunca, nunca...

E assim me fui embora. Foi um evento muito engraçado e, sobretudo, muito simpático. Parafraseando palavras lá ouvidas, lembrou um dos eventos do antigamente, daquela época em que ninguém tinha problemas com ninguém. Por isso, os meus parabéns pelo ambiente e pelo espaço, foi muito divertido e saí de lá muito refrescada mentalmente. Foi realmente muito agradável. :>

E terminarei partilhando as pouquíssimas fotos que tirei! Espero que gostem, apesar da qualidade duvidosa... ;)












Numa nota final, gostaria de fazer referência à curta conversa que tive com a senhora que estava no bar. Perguntei-lhe se pertencia ao espaço e fiz algumas perguntas sobre a actividade desta associação. Eles protegem mulheres vítimas de maus-tratos, em geral, de violência doméstica a intolerância sexual, tendo vários campos de acção, a nível legal e mesmo a nível de protecção física (com casas que acolhem vítimas e outras coisas). Qualquer apoio, mesmo que pequeno, ajuda, por isso deixo aqui a página para gostarem e o site para explorarem.

E agora sim, é o adeus. Até à próxima! Será breve, essa. ºvº

Homenagem a Fela Kuti

Homenagem a Fela Kuti
Concerto
Digamos que a tarde começa de uma forma muito agradável. Mas que a noite não podia ter sido pior. Horrorosa!

Começamos com um jantar numa tasquinha habitual onde sou servida da mais terrível das maneiras. Arroz queimado a estalar ainda na língua, subimos por ruas e avenidas até ao infinito, por indicações erráticas de dois polícias idiotas. Chegamos ao Intendente, estou eu a deitar os bofes pela boca. Porque, na realidade, andar muito tempo a subir dá-me uma certa dor no peito (que não é no coração, porque é do lado oposto, ao menos isso)

E lá chegados, o que está lá? Ruído. Muito ruído.

Eu não sabia quem era Fela Kuti, nem que música era, nem sobre o que é que era. Uma análise mais detalhada do evento no Facebook, indica que este concerto era uma homenagem ao citado artista, com a participação das seguintes bandas:

 Big Band Felamonkuti (França)
& Master Kiala King K (Nigéria)
*Fela’s Egypt 80 Ghetto Blaster*
feat

Voodoo Singer Nazaire Bello (Benin)
+ Irmãos Makossa (Portugal)

Mas não sabia eu distingui-las umas das outras. Para mim eram apenas vinte bichos em palco a fazer um barulho medonho! Não posso assegurar que isto esteja na natureza da música a ser interpretada. Na realidade, tudo pode ter sido culpa de uma acústica horrível e de uma produção de som atabalhoada. Oh não, não são para repetir concertos no Intendente!

Porque estas músicas, que poderiam ter tudo de interessante (mensagens contra o apartheid e tudo), apenas me soou como um ritmo feito de tamboretes africanos e uma barulheira metalizada por cima, que entrava e saia cada vez mais alto, para grande horror do meu encéfalo, que se sentia consumido por chamas, e dos meus ouvidos, que se sentiam prestes a rebentar em pequenos fios sangrentos.

Absolutamente dantesco, nem fiquei com vontade de ouvir a música em casa para conhecer melhor.

7.7.14

Banana Fish


Banana Fish
Yoshida Akimi
Manga - 110 Capítulos / 19 Volumes
1985-1994
7 em 10

Segundo consta, este é o manga preferido do Gackt. Portanto, tinha imensa curiosidade em lê-lo. Não fiquei nada desapontada, pois é mesmo o estilo de manga que gosto! Antes de começarmos, vamos ouvir a mu´sica que o Gackt escreveu para este manga:

Diz que tem legendas, portanto não colocarei aqui a letra ;)

Agora, o manga propriamente dito.

Ash Lynx é o chefe de um gangue de adolescentes com uma relação com a máfia corsega. Eiji é um estudante japonês que se vê em Nova Yorque como auxiliar de fotografia. E quando se conhecem entram numa espiral de toca e foge, escapar, salvar, encontrar, destruir, que se prolonga numa corrida contra tudo e contra todos.

Este é um shoujo, mas um shoujo muito atípico. A história tem muitas características de shounen, como por exemplo os inimigos: cada oponente é cada vez mais forte (se ao início temos um chefe de gangues rivais, acabamos com mercenários do exército anti-guerrilha). Também as cenas de acção são muitas, mas são bastante boas, dada a fluidez das vinhetas e das linhas cinéticas. No entanto, as personagens são tipicamente shoujo, sendo que é dado um grande ênfase às emoções e às relações entre cada uma das pessoas. Isto é um mix muito agradável, que cria um manga extremamente completo em todas as vertentes.

A narrativa pode parecer simples à primeira vista, sendo a história principal a da libertação e da fuga. No entanto, existem elementos bastante específicos que são tratados com muita atenção e dedicação, sem deixar uma única ponta solta. São temas que não poderiam ser tratados na televisão, aí está a explicação deste manga não ter anime: temas como drogas e prostituição infantil não são apropriados para mostrar no ecrã.

A arte é típica da época em que o manga começou, com designs de roupa e cabelos muito Duran Duran. Encanta-me. Temos acções muito simples de seguir, aliás, tudo é muito simples. Quase que não existem cenários, mas quando existem estão bastante detalhados. O que interessa realmente não é a acção, mas as partes que a intervalam: as conversas. Estas conversas são muito intimistas e bonitas, ajudando-nos a compreender a estranha relação de amor-amizade que se desenvolve entre os dois personagens principais. No entanto, o encontro inicial parece ter sido um pouco rápido demais (o que pode ser ignorado se pensarmos que é só fruto da imaginação)

No final temos duas histórias curtas, uma sobre o passado, outra sobre o futuro. Ajudam-nos a aceitar o final  que é muito amargo (e quase que chorei um bocadinho). Agora quero comprar o artbook, porque estes tipos têm mesmo muito estilo!

Nunca o Gackt me deixou mal e não foi desta. Manga bom e recomenda-se!

3.7.14

Gaiking: Legend of Daiku-Maryu

Gaiking: Legend of Daiku-Maryu
Obari Masami - Toei Animation
Anime - 39 Episódios
2005
5 em 10

Segundo consta, este é o remake de um anime dos 70s. Tendo isto em conta, existem aspectos que criticarei que apenas o são porque no tempo da sua criação era assim que as coisas funcionavam. Ainda assim, não significa que todos os animes da época tivessem estes elementos que considero bastante medíocres. De uma forma ou de outra, fiquei curiosa em ver o original. Numa primeira pesquisa, nada encontrei. Sugestões? ;)

Daiya é um jovenzito atarracado que perdeu o pai numa tempestade no mar. Durante essa tempestade, ele viu certos monstros monstruosos, tendo sido salvo por um - que por sinal era um robot. Anos depois, vê-se na situação de ter sido escolhido por esse super robot para conduzir uma máquina totalmente poderosa, de forma a vencer o grande inimigo.

A verdade é que este anime pouco diverge dos já bem conhecidos super-robotos que nos vêm acompanhando desde a década de 70 (época onde este anime tem origem, por sinal). Existem pequenas variações, sendo a mais evidente o inimigo. Ao contrário de extra-terrestres temos, desta vez.... Intra-terrestres! Pois é, eles vêm do centro da terra. Mas tudo é explicado.  Há um ritmo bastante regular de monstro/robot intra-terrestre da semana, havendo alguns momentos em que há um desenvolvimento da narrativa para nos indicar coisas de mais ou menos interesse: a relação entre os personagens inimigos (bastante bem desenvolvida, até), a relação entre a equipa que conduz o Daiku-Maryu, o que é feito do pai do Daiya e muitos momentos de comédia. Mas nada disto é diferente do normal. Mais um igual a tantos outros.

Sem dúvida que o aspecto que merece mais atenção é o inimigo. Proist, a filha do grande rei, é uma personagem bem desenvolvida e com características bastante únicas, se bem que muito pouco originais. Os generais do glam-rock também se desenvolvem de forma firme. Mas nada disto é novo, dentro ou fora do género.

A arte vem melhorando à medida que os episódios passam, sendo as lutas finais bastante perto do bom, mas no geral é mais que medíocre. Os ataques (que temos sempre de gritar para que funcionem. Gritar o nome deles!) não fazem sentido e são de um design e animação escabrosos. Aliás, o próprio design da maquinaria é escabroso. Existem muitos erros simples, que abrangem todos os pontos, da cor à proporção. Mas, como diga, fica melhor mais para o fim.

Em termos musicais, para além de uma viciante música de abertura (daidaidaidaidaikumaryu) não temos ponta por onde se lhe pegue. Todos os temas são terríveis e nem os momentos com grandes clássicos da música erudita conseguem salvar esta banda sonora.

Enfim, valeu a pena porque há há montes que não via robotos supremos...