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12.6.14

Panty and Stocking with Garterbelt

Panty and Stocking with Garterbelt
 Imaishi Hiroyuki - Gainax
Anime - 13 Episódios
2010
5 em 10

Eu sabia. Eu sabia que não ia gostar. Eu sabia que ia abominar. Então, porque é que eu vi? Porque é que eu me submeti a esta actividade masoquista de ver uma coisa que eu sabia que ia detestar? Pela mesma razão pela qual vejo e leio todas as coisas. Para saber.

Existe uma razão muito simples pela qual eu, necessariamente, achei este anime uma abominação. Eu detesto, odeio com todas as minhas forças, todo o tipo de piada sexual, escatológica ou coisas do género que possa existir. Logo, todas as piadas, todas elas, ao longo deste anime... Não têm piada. E como avaliar um anime de comédia em que não achamos piada a nada? É um desafio, sim. Mas existem pontos em que eu posso criticar: a comédia é demasiado fácil, demasiado óbvia. Li algumas reviews que diziam "é sofisticada". Ora então, seu eu disser "este desenho animado é mau como a merda, caralho" e depois me peidar, isto tem piada? É sofisticado?

Da mesma forma diziam que PSG servia como uma crítica à indústria do anime tal como ela é. Acho isto uma consideração estupidamente errónea. À primeira vista, podemos penar que isto é um cartoon americano. Estilo Cartoon Network (que, por sinal, sempre detestei também). Mas se observarmos a arte com atenção, a cor, a proporção, tudo isso é tipicamente anime, tipicamente Japonês. Dou a mão à palmatória: a arte é muito boa, com momentos muito experimentais que são o maior ponto de interesse ao longo desta viagem de horrores. O mesmo se passa em termos de animação. Mas isto acontece porque é um anime e tem todos os elementos de anime. Não se enganem pelo estilo. Nem sempre precisamos de pernas compridas e pestanas brilhantes para ter uma estética típica.

O problema aqui está precisamente na concepção de que PSG tenta ir para além dos limites impostos pelo género. Não vai. Nunca poderia ir, porque todos os elementos são muito próprios. As próprias personagens, são a caricatura de coisas que a cultura Japonesa rejeita (nomeadamente, a sexualidade feminina). A única forma de tornar este anime mais americano, mais diferente, é ter merda, canzana e esperma espalhados por aí. E isso não torna uma animação única: torna-a vulgar.

(Diga-se de passagem que desgosto de quase todos os desenhos animados americanos, do Cow and Chicken ao Family Guy.)

Musicalmente, passa-se a mesma coisa. A maneira de ser mais ocidentais será convertermo-nos à geração autotune e ilustrar o anime com um pop repetitivo e pouco inspirado?

Enfim, é difícil expressar o quanto este anime superou as minhas expectativas. Eu sabia que me ia sentir horrorizada ao longo de todos os episódios. Mas não sabia que ia encontrar razões tão óbvias para isso. :)

11.6.14

O Retrato de Rose Madder

O Retrato de Rose Madder
Stephen King
1994
Romance

Uma das minhas grandes falhas literárias era nunca ter lido Stephen King. Apesar de já ter ouvido falar imenso (quem não?), nunca tinha calhado. Finalmente, calhou. Apareceu no BookCrossing e aproveitei.

Esta é a história de Rose, uma mulher maltratada pelo marido de forma brutal e redutora. Decide fugir para outra cidade, mas o doido vem atrás dela. Até aqui, estava a espantar-me.... Sempre tinha ouvido dizer que o Stephen King só escrevia coisas dentro do género thriller e terror. De thriller tem muito logo desde o início. Podemos ver a perspectiva de Rose e, ao mesmo tempo, a do seu marido Norman. As duas em conjunto são uma perseguição sufocante, que nos leva à beira dos nervos.

Mas então, mais ou menos a meio do livro, entra o factor fantástico em acção. A partir daqui, muito do livro se perdeu. Rose entra dentro do quadro de Rose Madder (o retrato do título) e lá terá de realizar algumas tarefas, que a ajudarão mais tarde a divorciar-se do marido (em sentido mais do que literal). Este twist é interessante ao início, mas o universo dentro do quadro não está suficientemente explorado e acaba por se tornar confuso. Existem muitas referências, tanto surrealistas como no que respeita às diversas mitologias, mas elas perdem-se umas nas outras, tropeçando numa imagem muito incerta. Talvez isto tenha sido propositado para alimentar a aura de mistério que todas estas cenas exalam, mas achei que teria tido um efeito mais forte emocionalmente se tudo se tivesse estabelecido de forma mais clara.

O final é desapontante e também bastante confuso. Porque é que Rose fica com "raiva"? Isto no sentido figurado, é claro. Se ela eliminou a fonte da "raiva", porque passou para ela? O que significa realmente a árvore? E a raposa? Por todo o lado estão símbolos que não se relacionam uns com os outros e aparentam ser bastante aleatórios.

Mas fiquei com vontade de ler outros livros do autor para tirar as dúvidas.

9.6.14

Area 88

Area 88
Nunokawa Yuuji - Studio Pierrot
Anime OVA - 3 Episódios
1985
7 em 10

Retrato artístico da guerra, Area 88 é um OVA com três episódios longos, produzido nos idos tempos dos anos 80.

Conta a história de Shin, um rapaz que estudava aviação para uma companhia aérea e, enganado pelo seu melhor amigo, se vê como soldado de uma guerra desconhecida e à qual não pertence. Na sua busca por voltar à sua amada, que deixou no Japão à mercê desse "amigo", é feita uma análise romantizada da guerra e da aviação, com momentos muito emocionais e muito bonitos.

A história é muito simples e o OVA peca por não a explorar suficientemente. Gostaríamos, talvez, de saber com mais detalhe a razão pela qual existe esta guerra, qual a relação deste país imaginário com os outros. Qual o funcionamento deste pequeno exército, qual a sua organização. Sobretudo, gostaríamos - talvez - de saber mais sobre os que ficaram. Isto relaciona-se intimamente com o desenvolvimento das personagens. Se Shin está concretizado de forma muito realista, em que podemos ver muito bem o que o faz sofrer, porque luta e porque razão toma a decisão final (que, apesar de muitas pessoas não terem gostado, achei muito apropriada), os outros personagens poderiam ter tido um pouco mais de desenvolvimento. Falo, nomeadamente, do rival, aquele que quer destruir Shin de qualquer forma. Porque é que ele quer fazer isto? E a rapariga, qual a fonte de tão grande paixão?

Mas se há alguma coisa que torna este OVA fora do vulgar, é a animação. Ninguém diria que estamos num estúdio há 30 anos atrás, porque é perfeitamente exemplar. As cenas de luta com os aviões estão próximo do genial, com um uso brilhante de perspectivas, dentro e fora das máquinas, oferecendo uma variedade muito grande de momentos que poderiam estar em qualquer guerra. Podemos sentir realmente o que estes soldados sentem e vêem, senti-me realmente dentro de um avião a lutar numa guerra que não era minha.

No que respeita a música, temos uma excelente colecção que reúne o melhor da pop da época, com várias músicas efusivas e apaixonadas.

Um anime que recomendo, marcante de uma época e uma mais valia para todos os interessados em pop-art e anime.

7.6.14

Darker than Black

Darker than Black
Okamura Tensai - Bones
Anime - 25 Episódios + 1 OVA
2007
6 em 10

Ontem. Chegada a casa, cansada. Tomar banho, aconchegar-me com uma mantinha e água e acabar de ver este anime. Mas tive de dormir sobre o assunto antes de poder escrever sobre ele, por isso aqui estou eu hoje. Foi um anime de que gostei muito, mas por algumas razões não lhe pude dar uma nota para além da média.

A história tem muitos detalhes que não vale a pena colocar numa sinopse. Para os saber, sugiro que vejam o anime. Neste universo, existem umas pessoas com poderes, "contractors", que pertencem a "sindicatos" e são ajudados por "dolls". De natureza semi-episódica, o anime conta alguns casos com uma textura de policial, que nos dirigem e dão pistas a uma história muito maior, uma espécie de luta entre o "normal" e o "estranho", uma luta pela sobrevivência de uns ou de outros. Os personagens são interessantes, apesar de não terem muito para se dizer sobre eles. Ao longo de toda a série, foi um prazer ver os diferentes poderes e a "compensação" por eles. Para os personagens principais, o quarteto que se vê na imagem (o gato também é um deles) existem pequenos arcos em que se fala do seu passado e da forma como chegaram até ali. No entanto, nenhum deles é explorado para além da superfície.

Existem dois pontos que me confundiram e graças aos quais não pude dar uma melhor nota. O primeiro, é o sentido de "emoção", o significado que esta palavra tem no universo do anime. Coloco, portanto, duas hipóteses. Primeira hipótese: os "contractors" e "dolls" não sentem emoções. Se assim fosse, o anime não poderia fazer sentido, pois é através das emoções que advêm as atitudes básicas de todos os seres. A tomada de decisão não pode ser feita sem as emoções. Coisas tão simples como o sentido de humor não podem existir sem as emoções. A verdade é que na nossa vida elas são muito importantes para todos os aspectos e poderia mesmo dizer que até os animais mais simples podem senti-las, embora não as possam racionalizar como nós. Segunda hipótese: os "contractors" sentem emoções, mas não actuam baseados nelas. Actuarão, sempre, de uma maneira racional. No entanto, como poderemos definir o "racional" do "não racional"? O sentido de sobrevivência será racional, mas se mudarmos o contexto será que se mantém? A tomada de decisão depende sempre do contexto, portanto será certo dizer que as emoções dos "contractors" são estáveis e não maleáveis como as de todos os outros seres? Talvez ter tido aquela aula de 16 horas sobre emoções não tenha sido a coisa ideal para poder ver este anime e não duvidar do que se passa...

O segundo ponto, foi o final. Parece-me que foi demasiado inspirado em NGE, até nos seus mais ínfimos detalhes. Hei, o personagem principal, é enviado para um universo onde encontra todos os que marcaram a sua vida e aí é lhe dada a oportunidade de tomar uma decisão. Essa decisão, assim que são revelados os detalhes sobre os seus poderes, é bastante previsível e demasiado simples, para aquilo que o anime nos vinha preparando desde o início.

Passemos a assuntos mais objectivos.

Em termos de arte, não temos muito detalhe e as cenas de luta, o showcase da animação, não são especialmente cativantes. No entanto, aponto uma coisa muito boa e que marcou este anime pela positiva, que são as expressões faciais. Quer em momentos cómicos (que achei que poderiam ter sido eliminados sem se perder a qualidade da narrativa) quer em momentos sérios, a qualidade das expressões dá muito realismo a cada uma das situações.

Musicalmente, o anime veio para mim sem OPs nem EDs, portanto vou abster-me de comentar. No que respeita ao parênquima, temos algumas peças muito interessantes que oferecem uma grande de variedade de sentimentos, mas sobretudo a expectativa, quase um thriller.

Gostei muito desta série, mas irei recomendá-la a  apenas a algumas pessoas.

4.6.14

Ludwig Revolution

Ludwig Revolution
Kaori Yuki
Manga - 16 Capítulos/4 Volumes
1998-2007
 5 em 10

Antes de mais, uma novidade. Como será longo, segue em itálico.

Ora bem, sempre me ouviram dizer que nunca, nunca na minha vida inteira iria ler um livro digital. Mas tudo muda e evolui e decidi-me a arranjar o Kobo, o meu quadradinho fofinho. Assim, comecei a adquirir muitos e-books, quer comprando-os quer pedindo a amigos que mos dessem. Mas... E o manga? Pensei... E se eu também tivesse manga no Kobo? Então, pedi a uns outros amigos que me explicassem como se obtinha manga digital. Explicações dadas, comecei a comprar e-books de manga. :) Mas... Nem tudo o que quero ler existe em e-book. Ora bem, o que farei então com isto? Não deixarei de comprar manga físico, certamente... Mas e quando esse manga é raro, caro, difícil de encontrar? Dei voltas à cabeça e pensei noutra coisa... Os scanlators também têm trabalho e eu respeito o seu trabalho. E se eu os usasse e lhes desse dinheiro para os apoiar? E assim me decidi! =D

Tinha esta colecção parada pois não encontrava em lado nenhum o Tomo 3. Até o encontrei bem em conta - 50€ - na Fnac francesa, mas não enviavam para Portugal... ;__; Então decidi arranjar o Tomo 3 em pdf. =D Hoje à hora de almoço terminei a série. :>

Como saberão, eu gosto muito da autora, Kaori Yuki. O estilo de desenho dela é um dos meus predilectos e as histórias têm sempre um twist muito interessante. Infelizmente, esta série desapontou. E muito. Creio que vou desistir da autora, pois as suas grandes obras já estão lidas.

Ludwig é um príncipe muito bonito mas também muito perverso. O pai envia-o numa viagem para encontrar uma noiva, na companhia de Wilhelm, o seu vassalo. Nas suas viagens, vão encontrando muitas princesas. Na verdade, isto é um twist dos contos de fadas dos Irmãos Grimm, por vezes cómico, por vezes muito negro. As histórias mais negras são bem interessantes, assim como a história principal das intrigas do palácio. Esta é muito simples, mas funciona.

No entanto, o cómico e o dramático não se conjugam bem, sobretudo com o estilo de arte apresentado. Há uma fissão muito clara entre as cenas de cada estilo e isso, no geral, oferece-nos uma obra muito pouco consistente e sem fluidez.

Também a arte fica aquém das expectativas. O uso de texturas  e detalhes está sobrecarregado, tornando os designs de cenários e objectos (sobretudo roupas) muito confusos e complicados de perceber. Também não há tanto detalhe como o esperado, sobretudo nos cenários (lembremos os grandiosos de Angel Sanctuary) e a anatomia dos personagens tem momentos muito fracos.

Enfim, desapontante. Estou a vender os três volumes que tenho, estão em Francês. Quem quer? :)

Os Olhos de Tirésias

Os Olhos de Tirésias
Cristina Drios
2013
Romance

Livro que estava ansiosa de receber, de tanto ouvir falar dele no BookCrossing! Fiquei com uma opinião muito dividida... Por um lado gostei, por outro houve algo que não me chamou.

É uma história da primeira guerra mundial, contada pelos olhos do avô Mateus Mateus, avô da narradora que ela nunca conheceu. A primeira parte fala da vida de Mateus Mateus e dos outros personagens antes de chegarem à guerra, intercalado com alguns momentos de autocontemplação do soldado, depois de idoso, e com a aventura da narradora em escrever o livro. Isto leva-me à primeira questão: quem é a narradora? É simplesmente uma anónima ou é a própria autora do livro? Se for a própria autora, não sei se me sinto muito confortável em ler palavras tão íntimas sobre a construção do livro e acho que ela se devia ter distanciado da história. Se for anónima, as suas páginas são bastante refrescantes. Com esta dúvida, uma razão para me sentir dividida. Noutro aspecto, achei que intercalar a narrativa de Mateus Mateus com imagens dos outros personagens acabou por ter um efeito um pouco confuso. Imaginemos que eu não tinha lido a contracapa. Não saberia que todas essas pessoas são personagens da mesma história. A maneira de se encontrarem parece casual e a sua influência na vida do principal parece muito vaga. Seria assim tão importante falar tanto do passado deles?

Numa segunda parte, acompanhamos a breve visita destas pessoas a um sanatório onde, por métodos freudianos, um médico alemão tenta fazer espionagem. Porque Mateus Mateus e o seu companheiro inglês têm a capacidade de ver o futuro! O sofrimento que esta habilidade causa está bastante bem explorado e é muito interessante, mas gostaria de ter visto este misterioso poder mais vezes em acção. Achei que esta parte da história, em que todos os personagens estão juntos, podia ter sido mais longa e mais detalhada, com mais aventuras diárias, sem apenas referir os grandes pontos de viragem. Mas assim também gostei bastante.

Terceira parte é conclusão, em que os personagens do futuro se ligam aos do passado e a narradora consegue completar o livro. A inclusão do personagem do Messias pareceu-me muito escusada, parecia estar ali só por estar. Não teve influência nem numa história nem noutra e, nesta parte, a observação da vida diária não me parecia assim tão importante.

O que mais gostei foi a imagem dada da guerra. Tomando por referência os poucos livros que li sobre ela, pareceu-me muito vívida e realista, caracterizando muito bem o terror vivido naquela época.

À superfície gostei imenso, li-o num instante. Mas se for analisar bem a fundo, existem algumas coisas que acho que poderiam ter sido diferentes... Agora, irei ler as opiniões do resto do pessoal para saber se sou a única com este sentimento. :)

1.6.14

x-Men - Days of Future Past

X-Men - Days of Future Past
Bryan Singer
2014
Filme
7 em 10

Combinando o fim de semana, é-me revelado que vamos ao cinema! Não tinha qualquer tipo de expectativa para este filme. Talvez até pensasse "vai ser tão mau como o último". Mas a verdade é que me surpreendeu muito pela positiva.

Este filme é a sequela de outro que não vi, mas percebe-se muito bem o que se passa. Umas máquinas poderosíssimas andam a matar todos os mutantes, levando a uma civilização de sofrimento e caos. Por isso, vão enviar alguém ao passado, para impedir que a Mística cometa um assassinato que irá levar ao desenvolvimento destas máquinhas. Esse alguém, por motivos puramente físicos, é o Wolverine. No passado, encontra versões mais jovens do Professor X e do Magneto, tentando juntá-los para pararem a Mística.

A história é muito interessante e está cheia de pequenos detalhes que piscam o olho a outros momentos da saga dos X-Men. As versões mais jovens dos heróis que conhecemos são muito interessantes, existindo um desenvolvimento de personagem muito bom, já que - através dos (não muito bons) conselhos de Logan - conseguem encontrar razões para lutar e viver, cada um à sua maneira, de forma a que se tornem naquilo que são nos dias de hoje.

Os efeitos especiais não são excepcionalmente realistas, mas dão-nos lutas e cenas de acção muito divertidas.

Puro entretenimento, mas bom entretenimento. Vi num jornal "recomendado para fãs" e realmente acho que isso está certo. Os X-Men são a coisa de comics americanos que mais gosto (nunca li, mas vi os desenhos animados) e talvez tenha sido por isso que gostei tanto do filme. :)