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17.2.14

O Bebedor de Livros

O Bebedor de Livros
Klaas Huizing
1994
Romance

Ainda não é hora de voltar ao meu Kobo. Por motivos de chuva, mais livros em papel se seguem. Este foi o do fim de semana, depois outro que estou quase a acabar e outro que tirei, apesar da chuva ter parado. Talvez no fim da semana consiga regressar ao digital.

Mas de que trata este livrinho? Recebi-o numa troca de Natal no BookCrossing e o título agradou-me imenso.Efectiva,mente, o livro é sobre duas pessoas viciadas em livros. São dois romances e nove "tapeçarias", ao mesmo tempo.

As tapeçarias são pequenas considerações do autor, com citações de outros livros mais importantes, sobre a leitura e sobre literatura. Os dois romances são a história de um bibliómano de séculos idos e de um bibliómano da actualidade que se vicia no anterior.

É um livro muito engraçado, que narra as situações de forma directa e divertida (embora com um certo excesso de parêntesis). As histórias são simples, mas da forma como estão escritas são muito giras. É praticamente um livro de humor, tratando as coisas sérias com ligeireza. Nota-se a orientação do autor para a religião (aparentemente estudou teologia), mas não nos dá esse tipo de conteúdo à força. Antes, é colocado de forma irónica na vida dos personagens.

Um livrinho giro para dias de chuva. Creio que o vou emprestadar ao meu pai..

12.2.14

A Casa da Paixão

A Casa da Paixão
Nélida Piñon
1972
Romance

Um estranho livrinho que sobrou da Convenção BookCrossing 2013. Escolhi-o para ler agora, antes de regressar ao Kobo, porque estava a chover muito para o levar na mala e porque era pequenino e cabia com o outro que estava a ler. Calhou oportuno, pois se não fosse desta forma talvez o tivesse posto a viajar antes de o ler. Uma coisa engraçada: pela forma como a capa está feita, pensei que o autor fosse "Nélida", o título do livro "Piñon" e a colecção "A Casa da Paixão". Afinal calhou tudo ao contrário xD Nélida e uma senhora e, ao contrário do que o nome possa indicar, é brasileira! Há tanto tempo que não lia literatura brasileira, e gosto tanto!

Mas vamos ao livro: fala sobre uma rapariga (Marta) e do seu desejo sexual, dividido por outros três personagens (a criada Antônia, o pai e Jerônimo). Portanto, um livro erótico. Pessoalmente, não aprecio ler o género por aí além. Sinto-me muito mais confortável em escrevê-lo. Mas o livro está narrado de tal forma que é impossível não nos embrenharmos na leitura, apesar de me sentir a corar sempre que algumas palavras apareciam. O livro não é vulgar, de todo. É arte em boa forma.

Isto porque a maneira como as palavras são usadas é original e tem uma veia poética muito forte. A estrutura, em que a autora parece fundir-se com as personagens, pode ser complicada ao início. Tem longos monólogos de ritmo louco, mas isso dá-lhes uma aura de fascinação. Adorei sobretudo a maneira como algumas palavras são adjectivadas (uma que me lembro foi "murmúrio oco") ou como uma antítese transforma uma acção ("o seu grito mal se ouviu")

No final, tenho uma interpretação para a história, bastante diferente da religiosidade apresentada no posfácio (que me pareceu absolutamente tendencioso). Para mim, Marta representa a menina que se vai transformar em mulher. Está rodeada pelos desejos de exploração do corpo, ridículos e que causam vergonha (Antônia) e pelos sentimentos de auto-protecção, alimentados também pelo desejo de transformação (o pai). Finalmente, aparece a paixão (Jerônimo), que a faz afastar-se de todas estas emoções e a entregar-se a um estado de feminilidade adulta. Achei que todo o livro estava carregado de símbolos da natureza, por tantas folhas, tanta água e tanto sol. Enfim, uma leitura muito interessante.

Agora vou fazer o livro circular, para que outras pessoas tenham a oportunidade de o ler. :)

11.2.14

A Cidade

A Cidade
Frans Masereel
1925
Banda Desenhada

Recebi este livro num BookRay do BookCrossing, internacional. O livro veio da Argentina! Mas pode ser internacional porque não tem palavras.

Não sei se pode ser considerado banda desenhada, graphic novel, porque o conteúdo é estranho, sem uma narrativa concreta. Essencialmente, através de xilografia a preto e branco, o autor mostra pequenos detalhes da vida íntima numa grande cidade. Cada painel, uma página inteira, mostra uma situação, um evento.

Começamos por conhecer a cidade, o ambiente hostil e poluído, cheio de gente, desconfortável. Depois, passamos para coisas mais específicas, coisas que acontecem todos os dias em todas as cidades. Há um claro contraste entre as pessoas ricas, distraídas com compras, bacanais e espectáculos; e entre as pessoas pobres, que fazem tudo isto mas numa escala muito menor. No entanto, sejam pobres ou ricos, há a denúncia de uma fragilidade, aquela comum a todos os seres humanos. Os painéis que gostei mais (e que não posso partilhar, à falta de scanner ligado ao meu computador aqui no trabalho) demonstram precisamente este ponto.

Um deles mostrava um homem, numa casa cheia de livros e ornamentos, enforcado. O banco negro ao seu lado passa desapercebido no meio de tantos detalhes, mas quando reparei nele a imagem ganhou uma nova força. O outro mostrava uma escadaria, numa casa também ornamentada, completamente vazia, na noite, apenas iluminada pela lua. Completamente vazia com excepção de um gato branco, que desce a escada, solitário e independente, com certeza dirigindo-se aos seus afazeres nocturnos.

Não dou nota porque, como todos conhecem, não sei avaliar banda desenhada ocidental. Mas recomendo que visitem este autor, porque foi uma experiência muito interessante.

A Vida Inútil de José Homem

A Vida Inútil de José Homem
Marlene Ferraz
2013
Romance

Um livro do BookCrossing que me despertou curiosidade pelo título. Revelou-se um belo livrinho, de que gostei imenso.

José Homem é um velho que, zangado com a vida, se está a desfazer das memórias. Uma grande biblioteca que pertencia ao seu pai. Um dia, conhece Antonino, um menino de Angola com uma perna de madeira. O livro conta a história desta amizade.

O desenvolvimento das personagens é sólido e patente. José Homem, à força de tanto conviver com o miúdo, acaba por se libertar do passado, coração de pedra que acaba por amolecer na forma de uma dedicação à educação de Antonino. Este, por sua vez, acaba por esquecer os horrores da guerra e até o gosto pelos horrores da guerra. Ambos crescem, mas um com o outro.

A prosa é bonita e plácida, por vezes poética. Ao início fez-me uma certa confusão os diálogos em itálico, fez-me sempre parecer de que estavam a falar muito ao longe. Mas depois habituei-me a essas vozes. Não gostei muito que houvesse notas de rodapé a explicar situações e referências, pareceu-me inútil.

Também achei que soube a pouco, o livro queria continuar mas não o deixaram. Afinal quem foi o autor do crime? E o que vai acontecer a Antonino e aos órfãos? Foram estas as questões que eu gostaria de ter visto respondidas.

De qualquer forma, um livro muito agradável, que recomendo.

10.2.14

Gorky Park

Gorky Park
Martin Cruz Smith
1981
Policial

Este livro veio num BookRing do BookCrossing. Escolhi participar porque achei que ia gostar, achei que era mesmo Russo. Mas talvez por ter lido algo mesmo Russo há pouco tempo (O Doutor Jivago), não gostei mesmo nada. Foi uma dificuldade ler o livro e estava sempre quase a desistir de o ler. E percebi logo que não ia gostar na primeira frase.

O problema essencial deste livro é que o autor não é russo e não conhece a Rússia. Portanto, todas as descrições e elações e conclusões do livro... Passam por erradas. Agressivas. Inexactas. Quase, diria mesmo, desrespeitosas. O personagem principal está pouco desenvolvido e baseia-se quase exclusivamente na sua revolta contra o sistema. Ora, pelo que o autor descreve, esta é uma terra onde todos são infelizes e corruptos, excepto o personagem principal. Não conheço a Rússia, muito menos a Comunista, mas duvido que todas as pessoas fossem infelizes e corruptas.

A história desenvolve-se muito lentamente, com a conclusão evidente. A narrativa dá voltas sobre si própria, voltando sempre ao problema original (os corruptos vão matar o personagem principal porque ele foi contra o sistema). Nunca mais acaba e todos os detalhes à la Crime Scene Investigation são demasiado demorados e aborrecem. Cortam com o ritmo da leitura, porque - efectivamente - ninguém quer saber o que é que se escreveu nos relatórios. Sobretudo se já foi descrito antes.

Uma pequena parte do livro passa-se quando Renko, o personagem principal, está detido pelo KGB. Mas percebe-se mal o que se passa, porque há demasiadas pessoas.

Talvez a parte mais simples tenha sido a terceira, em Nova York. Mas a história puxa e repuxa as mesmas situações até à nausea.

Não recomendo. Um livro chato, ofensivo e que não conta nada de novo. E nem sequer está muito bem escrito! Acho que vou voltar aos russos verdadeiros, pelo menos esses sabem do que estão a falar.

3.2.14

Sedutora Endiabrada

Sedutora Endiabrada
Harold Ramis
Filme
2000
4 em 10

Depois de ver um filme excelente, chega a noite e depois chega a manhã e depois chega a tarde e algures no meio desse processo aparece este filme. Depois de ver um filme excelente, um verdadeiro filme de merda! =D

Passe a expressão.

Um falhado, o que quer que isso seja, faz um acordo com o Diabo - uma gaja bouah - que lhe dá sete desejos em troca da alma. Os desejos são sketches "divertidos" em que ele muda de vida e tenta conquistar Allison, uma paixão platónica. Claro que como são coisas feitas pelo Diabo, corre sempre tudo o mal. O filme é perfeitamente idiota porque é tão inocente, até demasiado inocente. O Diabo é uma personagem divertida, porque faz "maldades" infantis, como dar rebuçados a doentes do hospital em vez de comprimidos.

Não há nada de bom neste filme, porque apesar de ser engraçadinho, está tudo muito mal feito. A cereja no topo do bolo são os "efeitos especiais" do Inferno, tão riduculamente maus que só me consegui rir às gargalhadas.

Vá lá, a parte boa é que se estava bem. O filme não foi bom, valeu o momento.

12 Anos Escravo

12 Anos Escravo
Steve Mcqueen
Filme
2013
7 em 10

Já há tanto tempo que não ia ao cinema... Mas lá fomos nós (à tarde estive no zoo, a ter aulas. Mas no zoo!)

Filme fortíssimo com um tema complicado, o da escravatura nos Estados Unidos. Solomon é um homem com educação superior, uma família e liberdade. É importante no contexto da história dizer que ele é negro. Isto porque ele é raptado e vendido como escravo para o sul, onde ainda a escravatura não foi abolida.

De um "dono" simpático, passa para um "dono" louco e sádico (excelente papel de, se não me engano, Michael Fassbender), sendo vítima de vários maus tratos repetidamente. Não vemos muitas vezes os que são infligidos a Solomon: mais ocasiões há em que os seus companheiros escravos são atacados e magoados. Isto é, a violência do filme é mais psicológica do que visual, já que não aparecem muitos detalhes nas imagens e apenas podemos tirar conclusões daquilo que está implícito nos comportamentos dos personagens.

A narrativa é linear e, pelos vistos, passam-se 12 anos. No entanto, isto não é muito claro até ao final, pois não há uma grande transformação do personagem principal, quer em termos físicos como emocionais.

Destaque para as belas paisagens sulistas, rios e florestas que nos remetem para a cronologia da história.

É um filme que perturba e incomoda, um bom filme. Mas eu não aprecio quando as pessoas fazem mal umas às outras. Objectivamente, muito bom. Subjectivamente, senti-me mal.