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16.12.13

Siege

Siege
Simon Kernick
2012
Romance Policial
Este livro foi pescado na Convenção do BookCrossing. Como me disseram "há um filme", achei por bem lê-lo logo, não fosse apanhar o filme algures. Mas vejo que o filme com este título deve ter sido baseado num livro diferente, porque este foi escrito no ano passado e isso não dá tempo para fazer filmes (acho eu).

Eu não sabia o que significava a palavra "Siege". Pensei que essa palavra significasse uma entidade superior e, baseada na capa com pessoas a correr (não reparei que algumas tinham armas), pensei que isto era um livro sobre zombies. Rapidamente percebi que não. "Siege" significa "Cerco" o que, neste contexto, significa "pessoas sequestradas dentro de um edifício".

E assim o livro conta a história de um grupo terrorista, auxiliado por um tipo muito mau, que sequestra um hotel. Dentro desse hotel estão uma manager que se vai casar, uma família Americana, um senhor que se vai matar porque tem cancro e um assassino com uma faca. Entre todos, acabam por se safar. Morre imensa gente, mas acabam por se safar.

Este livro é a descrição exacta de um filme de acção série B, dos piorzinhos que possa existir. Não é por ser em forma de livro que fica muito melhor. Lê-se rápido, lê-se bem, tem os capítulos muito pequeninos e numa viagem de comboio lá foram as quase quinhentas páginas. Mas não é o tipo de livro que eu recomendaria, nem o tipo de livro que eu leria na eventualidade de eu escolher livros para ler (em vez de ler o primeiro que aparece)

No entanto, creio que talvez seja mais divertido ver este filme em modo livro e não em modo visual.

O Progresso do Amor

O Progresso do Amor
 Alice Munro
1986
Contos

Gosto muito de ler os Nóbeis. Ou Nobeles, conforme preferirem. Assim, quando soube da notícia de que esta autora o tinha ganho, fui de imediato comprar um livro dela. Na Bertrand não tinham. Na Fnac tinham dois. Eu compro os meus livros numa destas duas lojas porque tenho descontos com os cartões: sugiro que as livrarias pequenas o façam, já que os livros andam extremamente caros. Enfim, tendo isto em conta, dos dois livros que lá estavam, escolhi o mais barato.

Confesso que não sei muito bem o que pensar da autora depois de ter lido esta colectânea de contos. É uma contadora de histórias notável, mas terei de ler mais das suas obras para poder avaliá-la. De alguma maneira, senti que lhe faltava o génio que habitualmente encontro nos vencedores deste prémio.

São contos. Eu adoro contos. Gosto de lê-los e escrevê-los. No entanto, eles pareceram-me mais como o descrever de uma imagem, de um quadro, de um passado, do que uma história propriamente dita. A maioria dos contos não têm conclusão e deixam-nos com vontade de saber o que é que - afinal - se vai passar com estas pessoas. Normalmente cada conto fala-nos de uma personagem e depois dá-nos a conhecer a sua família, para trás ou para a frente. É comum a história mudar de perspectiva em algum lugar, mas isto está feito de forma tão subtil que só damos por isso depois de tudo ter terminado.

É um estilo hiper-realista, com descrições que - não sendo extensas - são exactas e focadas. Conseguimos depreender com muita facilidade o que é que a autora está a ver e o que é os personagens estão a sentir. Não estou muito habituada a este tipo de descrição: talvez seja uma característica única da autora, o que é bastante bom.

No geral, gostei bastante. Vou oferecer um outro livro da autora ao meu pai no Natal e ele vai-mo emprestar. Portanto, não será a última vez que irão ouvir falar desta senhora. :)

8.12.13

2001: Odisseia no Espaço

2001: Odisseia no Espaço
Stanley Kubrick
1968
Filme
10/10

Creio que nos quase três anos que compreendem este blog nunca dei a nota perfeita a um filme, manga, anime, o que quer que fosse. Esta é a primeira vez. Bem vindos.

Fui ver este filme ao cinema, nas Sessões Clássicas do El Corte Inglés. Sem dúvida um filme que ganha por ser visto no grande ecrã. Com Kubrick vamos viajar até ao espaço, no ano 2001 de uma era longínqua. O filme está dividido em três partes mais uma e, assim, falarei delas individualmente. Tentarei analisar o que se passa, mas confesso que a minha opinião está limitada. Porque eu não percebi bem o que se passou. Duvido que alguém o consiga fazer e, segundo li, o objectivo dos autores era precisamente que as pessoas saíssem da sala com muitas ideias a borbulhar na mente. Objectivo conseguido.

Tudo começa com uma visão da Lua, Terra e Sol, ordenados numa simbologia que pode representar o infinito. Adornada essa imagem com a música mais famosa do filme, "Assim Falava Zaratustra"de Strauss, podemos imaginar desde já a viagem épica que se prepara para se desenrolar diante dos nossos olhos.

Na primeira parte falamos da origem do Homem. Num lugar inóspito, talvez Africano, um grupo de humanos primordiais luta pela vida. Partilham o espaço com tapires e leopardos, vivendo muitos perigos no dia a dia, lutando pelos recursos essenciais. Estes homens do passado parecem-se muito com chimpanzés. Mas não são: são um grupo de pessoas com uma maquilhagem perfeita e fatos peludos que, numa coreografia selvática, reproduzem os movimentos selvagens daqueles que ainda não aprenderam a andar com duas patas. Um dia, acordam perante um estranho objecto. Um monolito negro, um paralelepípedo que apareceu à sua frente. Tocam-lhe e a partir daí descobrem aquilo que irá definir a humanidade: a capacidade de usar objectos como forma de destruição. Pareceu-me, então, que o Monolito (com maiúscula, porque ele é importante) deu ao Homem a capacidade de matar, a capacidade de destruir. Se isso nesta fase é uma ferramenta para a sobrevivência, será que se tornará em algo mais no futuro? O filme não volta a tocar este assunto de forma evidente, mas parece-me que a influência deste primeiro Monolito é fulcral para o que se passa no resto da história.

A segunda parte é já num futuro distante. Eles dizem "2001", o novo século, o novo milénio... Na altura em que o filme foi feito, isto é longínquo. Daí se poderem imaginar todas as coisas que vamos ver. Uma arrebatadora cena espacial em que vemos a viagem para a estação e para a Lua, ao som do Danúbio Azul, introduz esta secção. Começamos então a reparar nos efeitos especiais, de um avanço surpreendente para a época, com reprodução fiel de máquinas do imaginário da ficção científica nas suas melhores proporções e imagens paisagísticas do espaço. Nenhum som se ouve, apenas a música. Cada objecto é tratado com o máximo detalhe, a forma de andar dentro das naves sem gravidade, a maneira como se vai à casa de banho (com um livro de instruções), a funcionalidade da maquinaria... E tudo isto é normal para as pessoas que vivem neste filme. Uma viagem ao espaço é algo corriqueiro, como demonstrado pelo telefonema (com cartões de telefone!) feito para casa, para a terra. Ficamos a saber que algo estranho apareceu na Lua. Pois é. É outro Monolito. Aparenta ter sido enterrado propositadamente há quatro milhões de anos ali.

E passamos, dentro da mesma parte, para uma viagem a Júpiter. Como viremos a saber depois, o Monolito enviou para lá um sinal, por isso temos de lá ir para ver o que se passa. Será vida inteligente fora da Terra? Mais uma vez, os efeitos especiais são um primor. Impressionou-me sobretudo a cena em que Dave, o nosso astronauta, faz jogging a toda a volta da sua nave espacial. A toda a volta, virado de cabeça para baixo. Sei que isto em 2013 deve ser a coisa mais simples de se fazer no cinema. Mas nesta altura não havia computadores para nos ajudarem. Surpreendente. Fascinante. 

Esta nave espacial é conduzida por um super-computador de última geração: HAL 9000. Ele não passa de um olho vermelho omnipresente, uma luzinha como tantas, e de uma voz extremamente calma. No entanto, ele tem inteligência. Apesar de ser uma máquina, aparenta ter sentimentos humanos. Dave e Hal debatem diversos assuntos, até ao momento em que algo de errado se passa e o computador tem de ser desligado. Enceta-se então uma luta de homem vs máquina. Mas uma luta de um teor diferente. Neste filme não há um único momento de "acção", como gostam de lhes chamar, nenhuma luta épica corpo-a-corpo, nenhuma arma. É uma luta psicológica. Mas como travar uma luta psicológica contra algo que nem sequer é suposto ter emoções. É este debate, será que a máquina um dia ultrapassará o homem, que Kubrick quis demonstrar, com resultados impressionantes. Será que um dia a máquina será tão inteligente como o humano? Será que estamos a criar emoções artificialmente a ponto de um dia elas nos poderem dominar? Estas questões já foram abordadas numa série de filmes mas, mais uma vez, relembremos a altura em que isto foi feito: era uma questão relevante, com o desenvolvimento da tecnologia. E continua a ser, cada vez mais, porque se já temos concertos da Hatsune Miku o que faltará para criarmos o HAL 9000 e ele nos tentar destruir?

Dave, o astronauta, termina sozinho no caminho até Júpiter. Não faltava muito para lá chegar, mas agora ele está completamente só. Para Júpiter e para Além Disso é a terceira parte do filme. E é uma verdadeira festa visual. Vale a pena tomar uns psicotrópicos só para ver esta cena final, pois tudo o que vimos até agora vira-se e deixa de ser verdade. Ou ainda é mais verdade, tudo depende da perspectiva. Em Júpiter, Dave encontra Monolitos, uma data deles. E eu acho (eu acho) que ele entra dentro de um. Lá dentro observamos uma cena extremamente bizarra, o nosso herói a envelhecer sem sequer dar por isso, a envelhecer e a morrer, observado pelo Monolito. Nessa intensa viagem, a minha conclusão é que ele morreu e renasceu como o primeiro Monolito que foi parar à Terra, o que os macacos viram. O que me leva a concluir que tudo é um ciclo e que são os homens do futuro a ensinar os do passado, repetitivamente, até não precisarmos mais da acção do Monolito.

Agora, é ele uma entidade extra-terrestre? Eu creio que não. Acredito que ele não é um elemento físico, que existe, mas sim uma representação da evolução do ser humano, não uma força exterior mas sim algo que vem de dentro. Pois a mudança terá de vir de dentro.

Este filme é o epítomo dos efeitos especiais. Da banda sonora. Da realização. Cheio de detalhes deliciosos, tenebrosos, é um filme que enerva, que assusta, que perturba. Que faz pensar. Sem nunca mostrar sangue, lutas, todas essas coisas que povoam os filmes de agora. Um conjunto de cenas abismais, o épico discreto, o épico que o é sem o tentar. 

Foi a minha primeira nota perfeita desde que tenho o blog e sim, vale a pena. Vejam-no assim que tiverem a oportunidade. Aproveitem o facto de estar no cinema. É uma viagem ao espaço que não tem retorno. Ninguém fica a mesma pessoa depois de fazer a Odisseia no Espaço.

5.12.13

Estou-me nas Tintas para os Homens Bonitos

Estou-me nas Tintas para os Homens Bonitos
Tina Grube
1996
Romance

Participei em duas trocas no BookCrossing, uma de colecções (colecciono lápis pequeninos, afiados até ao fim) e uma de Samhain (o ano novo pagão). Calhou que a mesma pessoa ficou comigo para as duas trocas e recebi dois livros dela. Uma foi este. Não estava minimamente motivada para o ler, não sou fã da literatura cor-de-rosa e da leitura básica. Mas até foi divertido, apesar de péssimo.

O livro não tem qualquer tipo de conteúdo. Aparenta ser uma sequela de qualquer coisa com homens e chocolate, mas não é preciso lê-la para captar a essência da coisa (que é muito pouca). Linda é uma mulher de negócios. Acompanhamos o seu relacionamento à distância, a sua mudança de emprego, as suas viagens de mulher de negócios e os homens que a tentam seduzir em tais viagens, para detrimento do seu relacionamento à distância. Mas ela está-se a cagar nas tintas e acaba tudo em bem.

O problema chave do livro é que Linda é uma personagem completamente vazia. No anime dizemos que são cortados da caixa dos cereais. Esta personagem é cortada de uma caixa de Fitness. Sem esse tipo de suporte, a história não consegue ser relevante e é impossível identificar-nos com ela, apesar de eu ter tudo para me identificar com ela.

Ainda assim é um aleitura engraçada, mais não seja porque é passada num tempo em que há computadores mas não há telemóveis nem internet. Em que há União Europeia mas não há Euro e é preciso passaporte para viajar entre países membros. As referências são alemãs, por isso impossíveis de apanhar, mas também aparentam estar desactualizadas. Por isso é giro ver como se fazia a vida no trabalho sem ter estas coisas que, hoje em dia, parecem ser essenciais.

Vou libertá-lo, ou numa troca ou num sítio qualquer. Talvez venha a divertir outra pessoa.

2.12.13

Demência

Demência
Célia Correia Loureiro
2011
Romance

Esta é uma nova autora, que estava alinhavada para ir à convenção do BookCrossing e depois não pôde. Ainda assim, aproveitei a oportunidade de ler um livro dela. Sem dúvida um livro interessante.

Fala sobre diversas coisas, nomeadamente: o alzheimer; a violência doméstica; o isolamento nas aldeias de Portugal. E para falar disso existem diversos personagens. São interessantes, vivos, com um passado muito presente, por vezes até limitativo nas opções que fazem durante a narrativa. Esta poderia ser mais polida. Existem muitos flashbacks, tanto assinalados com a data como aleatórios no meio do texto, que são um pouco confusos e me parecem ligeiramente desnecessários. Por exemplo, acho que a narração dos episódios de violência da parte de Fernando poderia ter sido mais resumida, apesar de trazer mais horror à realidade de Letícia. Da mesma forma, não achei necessária a descrição da infância de Olímpia.

O livro está bem escrito, mas aparenta não ter sofrido qualquer tipo de revisão editorial. Existem alguns erros de lógica e de descrição. Uma pessoa que conheço no BookCrossing referiu alguns, mas o que me fez mais impressão foi o Pulitzer. É só para autores de língua inglesa, por isso Sebastião não o poderia ter ganho... A descrição dos momentos também é um pouco exagerada. Não precisamos de saber com exactidão a posição da cabeça das pessoas.

Ainda assim, uma leitura muito interessante, devido aos temas actuais que são discutidos. Sem dúvida uma autora para experimentar de novo.

Nota: quando levei o livro para o Porto, ele estragou-se. ;_; Rasgou-se uma pontinha do lado esquerdo, junto à lombada. Que triste que fiquei...... ;____________;

Assalto ao Metro 123

Assalto ao Metro 123
Tony Scott
Filme
2009
5 em 10
Quando acordei, estava a dar isto. Será que teria sido melhor ter ficado a dormir?

Portanto, John Travolta e um grupo de pessoas que não interessa (spoiler: morrem todos) sequestra uma carruagem do metro. Denzel Washington, funcionário do metro, torna-se no negociador encarregado de salvar a carruagem do metro.

E é só isto. O filme resume-se a conversas de alto teor filosófico (ou se calhar não) entre raptor e negociador, passando depois para uma cena de perseguição que envolve um metro, helicópteros e carros, mais uma conversa de alto teor filosófico e acaba tudo em bem.

Um filme que nem os actores conseguem salvar, porque realmente eles não têm grande papel para fazer.

Tem todos os elementos para algo terrível, todos os estereótipos foleiros americanos... Teria sido melhor ter ficado a dormir.

Os Acompanhantes

Os Acompanhantes
Shari Springer Berman e Robert Pulcini
Filme
2010
5 em 10

Passei o Domingo todo no sofá da sala, de ressaca doente, com uma mantinha por cima, a comer scones e a beber chá, vendo os filmes que estavam a passar nos canais de cinema. Este foi o primeiro, terrível.

Conta a história de um jovem que quer ser um cavalheiro, apesar de também querer ser uma traveca, e do seu colega de apartamento, um dramaturgo que também é acompanhante de idosas viúvas muito ricas. É suposto ser uma comédia, mas falta-lhe a energia e o momentum, acabando por ser um filme que roça o péssimo.

Antes de mais, é difícil compreender a época em que o filme se passa. Se por um lado têm telemóveis, por outro lado as roupas e os carros não correspondem a nada que se assemelhe aos anos 00. Depois, o argumento parece perder-se em diversos conceitos, não se sabendo muito bem que história é que desejam contar. Querem contar sobre as travecas? Sobre as amigas da natureza? Sobre os gigolos? A história está completamente perdida.

Fica na memória o personagem do dramaturgo, que tem o seu interesse - apesar de a interpretação não ser nada de especial. São as manias deste personagem e a sua capacidade manipulativa que têm interesse, sendo que tudo o resto é difuso.

Depois adormeci.