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27.11.13

António Nobre
1892
Poesia

Aqui está o livro que ficou para trás, como tinha comentado na minha última resenha.

Este livro veio-me parar às mãos no meio dos livros da Convenção do BookCrossing. Olhei para ele, vi que era poesia e pensei... Porque não? E porque não mesmo! Então, na minha viagem para o Porto, estive a lê-lo.

Se alguma vez li poesia do século XIX deve ter sido há muito tempo, porque já não estava habituada. Num prefácio de vinte páginas plenas de erudição patega, o amigo do Anto (António Nobre) diz que este é o livro mais triste do mundo. Só me resta concluir que no século XIX não havia grandes razões para estar triste, porque os poemas são de uma futilidade plena e admitida. O tema é sempre o mesmo: tem saudades de casa. Na altura não havia skype por isso compreende-se, mas acaba por ser repetitivo. Os poemas mais interessantes são aqueles que se afastam do tema e mostram uma melancolia um pouco mais peculiar, de nota o desejo constante da morte.

Vou oferecer este livro a um amigo que acho que o vai achar engraçado (eu achei, porque está tão desactualizado!), mas deixo-vos aqui um poema que marquei com um bilhete da TST:

Balada do Caixão

O meu vizinho é carpinteiro,
Algibebe de Dona Morte, 
Ponteia e cose, o dia inteiro,
Fatos de pau de toda a sorte:
Mogno, debruados de veludo,
Flandres gentil, pinho do Norte...
Ora eu que trago um sobretudo
Que já me vai aborrecer,
Fui-me lá, ontem (era Entrudo,
Havia imenso que fazer...)
- Olá, bom homem! quero um fato,
Tem que me sirva? - Vamos ver...
Olhou, mexeu na casa toda.
- Eis aqui um e bem barato.
- Está na moda? - Está na moda.
(Gostei e nem quis apreçá-lo:
Muito justinho, pouca roda...)
- Quando posso mandar buscá-lo?
- Ao pôr do Sol. Vou dá-lo a ferr:
(Pôs-se o bom homem a aplainá-lo...)
Ó meus Amigos! salvo erro
Juro-o pela alma, pelo Céu:
Nenhum de vós, ao meu enterro,
Irá mais dândi, olhai! do que eu!

26.11.13

Cão Como Nós

Cão Como Nós
Manuel Alegre
2002
Romance

Entre este livro e o outro houve mais um, mas deixo-o para mais tarde porque quero fazer uma citação e ele não está aqui. :>

Quando apareceu a oportunidade de receber este livro pelo BookCrossing, inscrevi-me logo. Afinal, sou uma "dog-person", uma pessoa canina, quiçá até tenha um pouco de cão dentro de mim. Nunca tinha lido Manuel Alegre e isso era juntar o útil ao agradável.

É um livro simples, de ideias simples e linguagem simples. Conta a ascensão e queda de um cão de caça chamado Kurika, que terá vivido com o autor (ou será apenas da sua imaginação?) e com ele falecido. O livro intercala pequenas histórias das aventuras do cão com os momentos de saudade depois do seu desaparecimento. Estes últimos são muito comoventes, quase me levaram às lágrimas por momentos. Os outros são divertidos, até porque narram uma perspectiva do cão diferente daquela que normalmente encontramos em livros sobre animais. Porque o narrador, autor ou imaginação, tem uma posição muito... Portuguesa... Sobre cães. Mas acaba por amolecer, apesar de ainda se irritar por o cão ser um cão que parece uma pessoa.

Uma belíssima homenagem a todos os cães e a todas as pessoas que tiveram cães.

25.11.13

O Elmo de Cristal

Os Mouros das Terras Encantadas - O Elmo de Cristal
Francisco Dionísio
2006
Romance Fantástico
A verdade é que eu estava à espera que este livro fosse completamente diferente. Quando o escolhi para ler a seguir (um dia explicarei como faço a minha "ordem de livros para ler", porque faz imenso sentido), até achei engraçado: "estive a ler um livro de marranos e agora vou ler um sobre moiros!" A minha expectativa era muito diferente: esperava que fosse um livro realista passado no tempo do antigamente, sobre o antagonismo dos conquistadores e dos mouros que viviam em Portugal. A realidade que é um romance fantástico juvenil, sobre um grupo de jovens muito distintos que entram por uma anta e vão parar ao sítio onde estão os mouros encantados.

Evidentemente que isto não me atraiu minimamente e foi com grande esforço que me fiz ler o livro.

Existem dois factos interessantes: a descrição das "Terras Encantadas", que é muito detalhada e - realmente - dá imagens muito bonitas; e a evolução das relações entre os personagens, que passam de desconhecidos amigos no decurso da história. Infelizmente, os personagens das Terras Esquecidas (mundo real) são muito estereotipados e muito vazios: o jovem que faz kung-fu (wat), o nerd, a gaja com poderes e a miúda que não está lá a fazer nada e precisa de ser salva. Por outro lado, os personagens das Terras Encantadas são únicos. Creio que poderia ter havido maior ênfase nos seus hábitos de vida e relação com a religião, assunto que não foi tocado nem ao de leve.

A escrita é muito simples e bastante juvenil, com excesso de algumas palavras. Nomeadamente "sinistro". Tudo é sinistro nesta terra, está tudo à esquerda.

O livro termina de repente, isto é, a apontar para uma sequela. Mas a verdade é que o autor poderia ter dado alguns detalhes sobre o regresso da criançada aos pais. Já agora, há um lapso de tempo um pouco grave: o autor manifesta que os dias nas Terras Encantadas são iguais, em termos temporais, ao das Terras Esquecidas. Mas eles saem das primeiras de dia e vão parar às segundas de noite!

Enfim, o livro tem algumas falhas e poderia ser reformulado. Ainda assim, poderá ser uma leitura interessante para os mais novos. Em termos de local fantástico, é extremamente original: temos de lhe dar valor por isso.

21.11.13

O Último Cabalista de Lisboa

O Último Cabalista de Lisboa
Richard Zimler
1996
Romance Histórico

Por incrível que pareça, não me consegui envolver com este livro. Foi uma dificuldade, nunca me apetecia lê-lo! Mas ontem fiz um esforço e consegui terminar as últimas páginas, dentro da minha caminha quentinha.

Segundo consta, este livro é uma transcrição livre de um documento encontrado escondido numa casa em Constantinopla, pelo autor. Esse livro conta uma história de laivos policiais passada na Lisboa do século XVI. Berequias é um cristão-novo, um judeu secreto, que tenta descobrir quem assassinou o seu tio, homem da cabala, escondido por trás da tragédia que se abateu nesse dia sobre todos os judeus de Lisboa.

Apesar de não me ter cativado, o livro é muito interessante e está bem escrito, de uma forma muito casual mas também muito adequada à época. O que é natural, se o livro foi escrito nessa época. Com este livro fiquei a aprender muito sobre os hábitos judaicos (não sei se conheço algum judeu, mas desconfio que sim e nunca se fala disso) e sobre alguns "mistérios da cabala", que me pareceram positivamente fascinantes. Todo o mito em volta da cabala está integrado com a vida normal das pessoas.

Fiquei com pena do pequeno Judas, mas o epílogo, capítulo final, dá a toda a história trágica contornos de final feliz. Um livro que eu gostaria de ter apreciado melhor e que gostaria de emprestar ao meu pai, pois ele de certeza que o ia adorar. Se é que não o leu já... xD

19.11.13

Akagi

Akagi
Sato Yuzo - Madhouse Studios
Anime - 26 Episódios
 2005
5 em 10

Também conhecido pelo título mais longo "Touhai Densetsu Akagi: Yami ni Maiorita Tensai", ou "Akagi, a Lenda do Mahjong, o Génio que desceu às Trevas". Ou algo do género.

Este é um anime sobre mahjong e o problema começa aí. O jogo é muito complexo, diria mesmo complicadíssimo, e eles não fazem muita questão em explicar as regras. Assim, é quase impossível de acompanhar os processos mentais, porque "muito bem, eles fazem isto, mas porquê". Logo, logo, tive de por de parte a concentração e apenas aceitar "porque sim". Claro que isso tira a graça toda ao anime. Eu poderia, poderia mesmo, ter ido aprender as regras do mahjong (e depois auto-intitular-me maestrina mahjonguiana e campiona internacional dos mahjongos), mas é um jogo que não me interessa minimamente, que eu não quero aprender e que eu não quero saber. Além de que o "tutorial" que me arranjaram estar escrito de uma forma absolutamente atroz (começava por "mahjong é tanoshii!")

Apesar de admitir desde já que o meu desconhecimento sobre o jogo foi um dos entraves para a minha apreciação total e completa, creio que não é só de mim: o anime faz questão em não explicar absolutamente nada (pelo menos de maneira que se compreenda) e os ensaios do narrador sobre os processos cognitivos por detrás de cada jogada não esclareciam nada de nada. Assim, achei que a parte mais interessante terá sido a final, em que as peças eram transparentes. Tornou tudo um pouco mais fácil. Também foi esta a parte que tinha o antagonista mais louco e isso torna tudo um pouco mais quente.

A arte é típica do autor. Sendo que já tinha visto Kaiji, o outro anime sobre jogos de azar, não me surpreendeu muito ver estes personagens feios e estilizados, muito característicos. Na animação, existe tanto utilização horrenda de CG como uso de perspectivas interessantes sobre os jogos.

O que apreciei mais, no fundo, foi a música. No parênquima, tornava os jogos mais interessantes e aquecia o sistema, enervava e - sabendo necessariamente que o personagem principal se ia safar - quase pensávamos que ia acontecer uma desgraça. A OP é muito agradável e situa bem o anime na sua época e as EDs são bastante apropriadas, sobretudo a primeira. Mas talvez eu esteja comprada, porque eu adoro Maximum the Hormone (diverte-me!) e aquela música é das que gosto mais.

Enfim, um anime para esquecer rapidamente. Creio que, dentro do género, Kaiji é bastante superior.
Ranked #377
Touhai Densetsu Akagi: Yami ni Maiorita Tensai
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Fórum Fantástico

Fórum Fantástico

Na Biblioteca Orlando Ribeiro, em Telheiras - local já conhecido por ser casa da Anicomics - decorreu este fim de semana o Fórum Fantástico, uma pequena convenção de fãs de literatura fantástica. Ora, vocês já me conhecem... Já sabem que não é essa a minha praia. Portanto, o que fui eu lá fazer?
Toda ranhosa, desfeita em ranho, fui assistir ao lançamento da Revista Lusitânia, na qual foi publicado um dos meus contos. Intitulado "A Sereia de Cacilhas", é sobre o senhor da Transtejo. Comentarei tudo isso quando ler a revista, mas digo desde já que ela é bastante atraente. O meu conto pode ser lido no meu deviantArt, mas sugiro que comprem a revista para apoiarem o projecto. Assim, não coloco aqui o link - por agora. Comprei três revistas, além da que me deram por eu ser uma das autoras/colaboradoras, uma para o meu pai, outra para um amigo e outra para o meu mais amigo.


No lançamento da revista, fomos chamados ao palco. Nesse momento conheci a rapariga que ilustrou a minha história, de uma forma um pouco surpreendente.

Depois, observemos o programa:


Assisti a uma palestra interessantíssima sobre a evolução da literatura fantástica em Portugal, desde as histórias de cavaleiros (que foram salvas no D. Quixote!) até à ficção científica dos anos 70, que me pareceu tão deliciosamente foleira.

Como o que estava no resto do programa tinha que ver com steampunk, que não me interessa minimamente, fui para a rua conviver. Conheci desconhecidos, mas não fiquei com o nome de nenhum. Assim, mantiveram-se desconhecidos, apesar de termos tido conversas muito interessantes e educativas. Quase que me sinto tentada a ler mais de fantasia.

Falando nisso, estavam lá para vender uma série de livros. E uma série de livros que me interessavam também! Mas os que eu queria eram os do grupo dos 15€ e eu não ia preparada para gastar esse dinheiro, por isso acabei por não comprar nada. Ao menos fiquei com alguns títulos para referência.

Uma tarde bem passada, em que piorei da minha constipação. Veio a culminar em dois dias de baixa do trabalho e agora estou aqui sem fazer nada...




14.11.13

Natsume Yuujinchou Shi

Natsume Yuujinchou Shi
Omori Takahiro - Aniplex
Anime - 13 Episódios
2012
7 em 10
 
Este comentário refere-se à Quarta Season do anime. Para lerem um comentário sobre a terceira, cliquem aqui.

Sem dúvida a season mais sólida da série Natsume Yuujinchou. Se nas seasons anteriores explorámos alguns youkai e as suas vidas, nesta quarta temporada observamos uma maior dedicação às personagens, sobretudo Natsume, com um maior desenvolvimento. O programa mantém-se, embora um pouco menos episódico: a cada episódio ou secção Natsume vive uma aventura relacionada com monstros e deuses do imaginário Japonês. Através da sua interacção com eles, redescobre a sua vida e solidifica a sua personalidade.

O desenvolvimento é patente e culmina num final agradável, que poderá ser o definitivo (mas não creio que seja). Natsume aceita-se e aceita os youkai como eles são, acabando por estabelecer laços com as pessoas à sua volta. Vemos um pouco da infância do personagem e isso leva a uma maior compreensão sobre o porquê dele ser incompreendido e superlativa o facto dele neste momento conseguir estabelecer relações sociais.

Os youkai continuam ligeiramente erráticos: se por um lado são caracterizados como completamente diferentes dos seres humanos, acabam por ter atitudes "demasiado" humanas, antagonizando a caracterização que se esforçam por lhes dar através do diálogo.

Artisticamente, continuamos com uma paleta de cores muito suave. Acho que o anime ganharia em fundos mais detalhados e numa diferença maior entre os youkai e o ambiente, pois eles integram-se demasiado bem e acabam por aparecer discretos.

Em termos de música, o tema é recorrente e combina bem com o pastel da arte. Achei a OP demasiado diferente do ambiente da série, mas a ED adequa-se perfeitamente.

Contas finais, um anime que vale a pena ver - todas as seasons - mas que não é excepcional. Falta-lhe um certo tempero.