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4.11.13

Enemigo

Enemigo
Taniguchi Jiro
Manga - 10 Capítulos/1 Volume
1984
6 em 10

Encontrei este manga na Fnac. Após alguma investigação no local sobre se era tomo único ou não, acabei por o trazer. E acabou por ser ofertado pelo meu querido pai!

Este é um manga do antigamente, lá dos anos 80, coisa que não li muito. E é de acção, para senhores. Trata de um detective privado que vai salvar o seu irmão, CEO de uma empresa, que foi raptado por guerrilheiros na selva de um país da América Latina inventado. É acompanhado por um jornalista com piada, uma gaja sexy e um cão (um dogue alemão) A história é muito, muito, muito, muito, muito simples. O que é interessante neste manga é o ambiente quasi-ocidental criado em torno do personagem principal. 

Como num filme, ele é o anti-herói perfeito. Aliás, todos os personagens são praticamente estereótipos dos filmes Americanos desta época. Se formos ler as notas finais, que incluem comentários de autores Europeus e Japoneses e do próprio autor (e uma entrevista), vemos que isto é propositado. A influência europeia - no estilo de banda desenhada - e americana  - no estilo dos personagens - é patente e admitida. Isto não é nada mau, porque é uma variação interessante à norma Japonesa (comparando ao anime, já que de manga conheço pouco).

Outro aspecto valoroso é a arte. É muito detalhada, com um uso de pretos e brancos que torna todo o ambiente da selva muito mais negro e excitante. As paisagens são muito realistas e também o são os designs dos personagens.

Um manga curto, jeitoso, interessante e com um certo valor histórico. O autor refere muitas vezes que nesta época, com este manga, estava no topo da sua energia criativa no que respeita aos desenhos. Teria de ler outros mangas do autor para comparar, o que me parece bem porque me foi recomendado e tudo.

3.11.13

A Redenção

Trilogia Nocturnus - A Redenção
Rafel Loureiro
2011
Fantasia

Apesar de não apreciar histórias de vampiros por aí além, tinha gostado muito dos dois primeiros volumes desta trilogia. Assim, quando vi a promoção da editorial Presença em que este livro estava a apenas dois euros, não pude resistir! Apesar da capa ser diferente, porque esta é a edição oficial e os outros volumes eram em edição de autor, é melhor do que nada.

NNeste volume, que serve como final absoluto (espero eu) à saga de Daimon DelMoona, este vampiro e a sua amada Lília viajam pelo mundo todo em busca de "A Redenção", uma forma de os vampiros voltarem a ser humanos. No entretempo lutam contra um vampiro maléfico e é isso. Este volume pareceu-me inferior aos outros por um par de razões.

Antes de mais, o facto de a acção se passar no presente, torna tudo um pouco menos "gótico" e um pouco menos pesado do que nos volumes anteriores. O ambiente é negro, mas rapidamente me esquecia de que a acção se passava toda de noite e muitas vezes visualizava-a de dia. Isto é, desta vez o autor não foi muito claro nas "cores" de cada situação. A imagética está bem colocada, no entanto, sendo que o meu momento preferido foi o do Cairo. Não o do Japão, surpreendentemente.

Depois, porque o livro tem demasiadas cenas de acção inúteis. A viagem é simples, andam de um lado para o outro e conhecem outros vampiros, mas o facto de terem de lutar contra alguns não acrescenta em nada às situações. As lutas são muitas vezes confusas. 

Finalmente, porque os personagens passam grande parte do livro a chorar (lágrimas de sangue). Isto é um aborrecimento, porque demonstra que as reacções de todos os personagens perante qualquer situação adversa é sempre a mesma (chorar lágrimas de sangue).

No entanto, existem alguns momentos bastante bons, como o dilema entre o Ser Puro e Impuro do personagem principal. Se ele não acabasse cada um dos dilemas a chorar, teriam sido situações comoventes e emocionantes.

Enviarei este livro a uma amiga, a quem ofereci os dois primeiros. Espero que ela aprecie a trilogia! Parece que não, mas eu gostei muito. Ainda bem que acaba tudo em bem!

31.10.13

Palmas para o Esquilo

Palmas para o Esquilo
David Soares e Pedro Serpa
2013
Banda Desenhada

Juntamente com O Amor Infinito Que Te Tenho, trouxe este álbum com o prémio do concurso de cosplay. Escolhi-o porque tinha sido lançado há pouco tempo e tinha ouvido falar muito dele no Facebook. Ao folheá-lo, não me senti muito motivada quanto aos desenhos, mas achei por bem experimentar na mesma. Quando finalmente o abri hoje ao almoço, descobri que o texto é do autor d'O Envagelho do Enforcado, livro que adorei! Logo logo fiquei mais motivada para o ler, sim sim!

Ora bem, esta obra deixou-me um pouco dividida. A história é fascinante. Um homem louco tenta enfrentar a sua loucura, sendo para o leitor difícil distinguir o que é real e o que é imaginação. Toda a loucura está povoada de esquilos, momentos baseados em experiências da infância do personagem, que terão sido fortes o suficiente para o levar ao ponto em que está no presente.

A narrativa da história é bastante simples, mas existem alguns "comentários", que eu não percebi se eram apenas comentários internos do autor ou a perspectiva do personagem, que explicam - de alguma forma - a situação de desespero em que se encontram. Foram estes que me deixaram de pé atrás. Sinceramente, acho que este tipo de linguagem é mais apropriada a um romance, isto é, a uma narrativa longa em que as palavras se juntam em frases maiores e em parágrafos e, assim, passam desapercebidas. A força das palavras acaba por se perder no uso de termos demasiado rebuscados (confesso que alguns não sei o significado), e perdi um pouco a concentração na observação da história por causa deles. Acho que esta narrativa funcionaria perfeitamente num conto, em algo que fosse apenas texto, sem desenhos, mas desta forma perdi um pouco o ritmo. Não sei se isto é bom ou mau, porque de banda desenhada conheço tão pouco e, portanto, não tenho termo de comparação.

Quanto aos desenhos, se ao início não me atraiam, no final entranharam-se. Parecem simples, mas têm um detalhe tão profundo como discreto, uma utilização fascinante de perspectivas e cores que nos causam um sentimento de imersão do qual não é possível sair até terminar o álbum.

No final, é uma história sobre a vida, sobre a perspectiva de uma vida, desesperante porque não a podemos salvar, comovente e arrepiante.

Acho que estou convertida à banda desenhada portuguesa! Venham daí recomendações!

As Novas Bacantes

As Novas Bacantes
Catherine Clément
1998
Policial

Este livrinho, que li na viagem para o trabalho (tenho ido de transportes, não sei se já disse...) foi-me cedido pelo meu pai com o objectivo de depois eu o oferecer para circulação no BookCrossing. Há muitos anos, li um par de coisas da Catherine Clément e era interessante mas muito pesado. Este livro veio tirar-me isso da ideia, completamente, e deu-me vontade de ler outros livros dela, sobretudo um que é recorrente cá em casa  - A Senhora.

É uma novela policial sobre um escritor de mitologia comparada que se depara, quando está isolado da vida para terminar de escrever o seu livro mais recente, com uma misteriosa seita de mulheres que gritam, dançam e fazem coisas estranhas num estado de delírio. Não posso contar muito mais porque se não a diversão que terão a ler esta história ficará comprometida, mas garanto que o que está por trás desta "seita" é hilariante, original e tem tudo a ver com a personalidade da autora - pelo que me lembro dela.

A linguagem é muito acessível e acção sucede-se em poucos dias. A leitura é mesmo muito rápida e, como é divertida, soube muito bem acordar com este livrinho.

Espero que o BookCrossing goste tanto como eu!

30.10.13

A Raposa Azul

A Raposa Azul
Sjón
2003
Romance

Um livrinho minúsculo. Comecei-o à hora de almoço (temos uma hora e meia para almoçar e eu demoro circa dez minutos...) e terminei-o pouco depois de entrar no autocarro para casa.

Primeiramente, uma nota sobre Sjón: é amigo da Bjork. Colabora com ela em letras de músicas e tudo o mais. Daí que não seja espantoso que ela recomende este livro. E realmente, combina perfeitamente com ela.

Passado na Islândia rural do século XIX, o livro é uma sucessão de imagens numa paisagem gelada que parece interminável. Há duas histórias: a de um padre que está a caçar uma raposa azul e a de um ervanário que adoptou uma rapariga com síndrome de down. No final, interligam-se, um momento verdadeiramente fascinante.

O momento que mais gostei foi o culminar da caçada, a conversa com a raposa. No final, ficamos sem perceber quem é o feiticeiro, se ele próprio que estava a enlouquecer com a neve ou se outra pessoa...

Realmente um "romance mágico". Gostava que depois de fazer a sua viagem pelo BookCrossing voltasse para mim para o emprestar a um amigo, mas tenho de pedir com muito jeitinhooo...!

Only the Ring Finger Knows 3 - The Ring Finger Falls Silent

Only the Ring Finger Knows 3 - The Ring Finger Falls Silent
Satoru Kannagi
2006
Light Novel
 
Para saberem mais sobre esta série, podem consultar o meu comentário ao Primeiro e Segundo Volumes.

Mais uma vez, seguimos as aventuras de Wataru e Yuiichi na sua estranha relação amorosa. Estranha não porque é uma relação homoerótica, mas porque os personagens se começam a revelar como ilógicos e inconsequentes. Neste volume são-nos apresentadas duas histórias com dois dilemas distintos. Numa, outro homem é colocado na equação, levando ao ciúme. Na outra, o segredo da relação é posto em perigo num festival escolar.

Até agora eu estava a conseguir aceitar as personagens, mas a partir deste volume começo a duvidar da minha capacidade de os aturar até ao fim da série (que fica completa com mais dois volumes). As histórias baseam-se numa sucessão de mal-entendidos que seriam resolvidos imediatamente se Wataru fosse sincero e se Yuuichi fosse bom da cabeça e não um controlador megalómano e infantil. Isto é, toda a aura que a autora queria transmitir, a qual sabemos a partir das notas finais que as Light Novels têm sempre no final de cada volume, é diametralmente oposta àquilo que os personagens são. Wataru é suposto ser simples e alegre. Yuuichi é suposto ser o elemento "cool" do par. As suas atitudes são exactamente o oposto. Wataru vive a vida cheio de medo que Yuuichi se possa desapontar, Yuuichi tem ar de que - se algum dia vierem à Europa casar-se - vai bater no namorado à mínima situação.

Este casal é a combinação perfeita para uma espiral negativa de violência doméstica!

Enfim, irei terminar a série para saber como raio ficará a situação, no final de tudo (vai acabar tudo em bem, mas serão felizes? É essa a minha dúvida), mas agora fa-lo-ei com estranheza.

28.10.13

À Espera No Centeio

À Espera no Centeio
J. D. Salinger
1951
Romance

Este livro foi-me oferecido pelo meu Stepfather, pelo meu aniversário (note-se: este senhor é apenas o marido da minha mãe, mas vive aqui e é uma boa pessoa, apesar de ser do Porto) Quando o recebi manifestei o meu interesse, mas dado que o livro não tinha um sumário, nem nas costas, nem nas abas, nem nada, não fazia ideia sobre o que era. Pensei "um romance antigo sobre agricultores no Mississipi", ou algo assim. Mas quando o fui ler, observei o título original.

"The Catcher in the Rye"

Este é o livro obrigatório nas aulas de Inglês dos miúdos americanos! Este é um livro essencial! Imaginem a minha felicidade, por ter recebido um livro essencial!

Não tem nada a ver com o que eu tinha imaginado. O livro relata o fim de semana de um jovem que foi expulso da escola. Nesse fim de semana ele embebeda-se e deprime. O livro é todo narrado por este personagem, com uma linguagem característica da juventude da época. O que é importante é precisamente a caracterização deste personagem: tal como todos os jovens adolescentes, acha-se especial, mais inteligente, mais maduro. Mas as coisas que lhe acontecem e a forma como lida com elas revela que ele é apenas mais um miúdo. Não evolui ao longo da narrativa, e mantém-se sempre firme nas suas opiniões, por vezes um pouco drásticas. Assim, este livro é a perfeita caracterização do adolescente, do adolescente revoltado, que ainda se mantém actual. Como adolescente revoltada que fui, compreendo isto perfeitamente.

A narrativa, além da linguagem característica, segue precisamente o pensamento do personagem, relativizando coisas que não são relevantes ("peguei num livro", "ele pôs a cara cheia de borbulhas na minha almofada") e utilizando-as como mote para falar de outras coisas, de memórias de pessoas e de lugares.

Li-o em duas assentadas (para não mentir e dizer que a li numa) e recomendo-o, sobretudo se forem adolescentes revoltados.