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31.10.13

Palmas para o Esquilo

Palmas para o Esquilo
David Soares e Pedro Serpa
2013
Banda Desenhada

Juntamente com O Amor Infinito Que Te Tenho, trouxe este álbum com o prémio do concurso de cosplay. Escolhi-o porque tinha sido lançado há pouco tempo e tinha ouvido falar muito dele no Facebook. Ao folheá-lo, não me senti muito motivada quanto aos desenhos, mas achei por bem experimentar na mesma. Quando finalmente o abri hoje ao almoço, descobri que o texto é do autor d'O Envagelho do Enforcado, livro que adorei! Logo logo fiquei mais motivada para o ler, sim sim!

Ora bem, esta obra deixou-me um pouco dividida. A história é fascinante. Um homem louco tenta enfrentar a sua loucura, sendo para o leitor difícil distinguir o que é real e o que é imaginação. Toda a loucura está povoada de esquilos, momentos baseados em experiências da infância do personagem, que terão sido fortes o suficiente para o levar ao ponto em que está no presente.

A narrativa da história é bastante simples, mas existem alguns "comentários", que eu não percebi se eram apenas comentários internos do autor ou a perspectiva do personagem, que explicam - de alguma forma - a situação de desespero em que se encontram. Foram estes que me deixaram de pé atrás. Sinceramente, acho que este tipo de linguagem é mais apropriada a um romance, isto é, a uma narrativa longa em que as palavras se juntam em frases maiores e em parágrafos e, assim, passam desapercebidas. A força das palavras acaba por se perder no uso de termos demasiado rebuscados (confesso que alguns não sei o significado), e perdi um pouco a concentração na observação da história por causa deles. Acho que esta narrativa funcionaria perfeitamente num conto, em algo que fosse apenas texto, sem desenhos, mas desta forma perdi um pouco o ritmo. Não sei se isto é bom ou mau, porque de banda desenhada conheço tão pouco e, portanto, não tenho termo de comparação.

Quanto aos desenhos, se ao início não me atraiam, no final entranharam-se. Parecem simples, mas têm um detalhe tão profundo como discreto, uma utilização fascinante de perspectivas e cores que nos causam um sentimento de imersão do qual não é possível sair até terminar o álbum.

No final, é uma história sobre a vida, sobre a perspectiva de uma vida, desesperante porque não a podemos salvar, comovente e arrepiante.

Acho que estou convertida à banda desenhada portuguesa! Venham daí recomendações!

As Novas Bacantes

As Novas Bacantes
Catherine Clément
1998
Policial

Este livrinho, que li na viagem para o trabalho (tenho ido de transportes, não sei se já disse...) foi-me cedido pelo meu pai com o objectivo de depois eu o oferecer para circulação no BookCrossing. Há muitos anos, li um par de coisas da Catherine Clément e era interessante mas muito pesado. Este livro veio tirar-me isso da ideia, completamente, e deu-me vontade de ler outros livros dela, sobretudo um que é recorrente cá em casa  - A Senhora.

É uma novela policial sobre um escritor de mitologia comparada que se depara, quando está isolado da vida para terminar de escrever o seu livro mais recente, com uma misteriosa seita de mulheres que gritam, dançam e fazem coisas estranhas num estado de delírio. Não posso contar muito mais porque se não a diversão que terão a ler esta história ficará comprometida, mas garanto que o que está por trás desta "seita" é hilariante, original e tem tudo a ver com a personalidade da autora - pelo que me lembro dela.

A linguagem é muito acessível e acção sucede-se em poucos dias. A leitura é mesmo muito rápida e, como é divertida, soube muito bem acordar com este livrinho.

Espero que o BookCrossing goste tanto como eu!

30.10.13

A Raposa Azul

A Raposa Azul
Sjón
2003
Romance

Um livrinho minúsculo. Comecei-o à hora de almoço (temos uma hora e meia para almoçar e eu demoro circa dez minutos...) e terminei-o pouco depois de entrar no autocarro para casa.

Primeiramente, uma nota sobre Sjón: é amigo da Bjork. Colabora com ela em letras de músicas e tudo o mais. Daí que não seja espantoso que ela recomende este livro. E realmente, combina perfeitamente com ela.

Passado na Islândia rural do século XIX, o livro é uma sucessão de imagens numa paisagem gelada que parece interminável. Há duas histórias: a de um padre que está a caçar uma raposa azul e a de um ervanário que adoptou uma rapariga com síndrome de down. No final, interligam-se, um momento verdadeiramente fascinante.

O momento que mais gostei foi o culminar da caçada, a conversa com a raposa. No final, ficamos sem perceber quem é o feiticeiro, se ele próprio que estava a enlouquecer com a neve ou se outra pessoa...

Realmente um "romance mágico". Gostava que depois de fazer a sua viagem pelo BookCrossing voltasse para mim para o emprestar a um amigo, mas tenho de pedir com muito jeitinhooo...!

Only the Ring Finger Knows 3 - The Ring Finger Falls Silent

Only the Ring Finger Knows 3 - The Ring Finger Falls Silent
Satoru Kannagi
2006
Light Novel
 
Para saberem mais sobre esta série, podem consultar o meu comentário ao Primeiro e Segundo Volumes.

Mais uma vez, seguimos as aventuras de Wataru e Yuiichi na sua estranha relação amorosa. Estranha não porque é uma relação homoerótica, mas porque os personagens se começam a revelar como ilógicos e inconsequentes. Neste volume são-nos apresentadas duas histórias com dois dilemas distintos. Numa, outro homem é colocado na equação, levando ao ciúme. Na outra, o segredo da relação é posto em perigo num festival escolar.

Até agora eu estava a conseguir aceitar as personagens, mas a partir deste volume começo a duvidar da minha capacidade de os aturar até ao fim da série (que fica completa com mais dois volumes). As histórias baseam-se numa sucessão de mal-entendidos que seriam resolvidos imediatamente se Wataru fosse sincero e se Yuuichi fosse bom da cabeça e não um controlador megalómano e infantil. Isto é, toda a aura que a autora queria transmitir, a qual sabemos a partir das notas finais que as Light Novels têm sempre no final de cada volume, é diametralmente oposta àquilo que os personagens são. Wataru é suposto ser simples e alegre. Yuuichi é suposto ser o elemento "cool" do par. As suas atitudes são exactamente o oposto. Wataru vive a vida cheio de medo que Yuuichi se possa desapontar, Yuuichi tem ar de que - se algum dia vierem à Europa casar-se - vai bater no namorado à mínima situação.

Este casal é a combinação perfeita para uma espiral negativa de violência doméstica!

Enfim, irei terminar a série para saber como raio ficará a situação, no final de tudo (vai acabar tudo em bem, mas serão felizes? É essa a minha dúvida), mas agora fa-lo-ei com estranheza.

28.10.13

À Espera No Centeio

À Espera no Centeio
J. D. Salinger
1951
Romance

Este livro foi-me oferecido pelo meu Stepfather, pelo meu aniversário (note-se: este senhor é apenas o marido da minha mãe, mas vive aqui e é uma boa pessoa, apesar de ser do Porto) Quando o recebi manifestei o meu interesse, mas dado que o livro não tinha um sumário, nem nas costas, nem nas abas, nem nada, não fazia ideia sobre o que era. Pensei "um romance antigo sobre agricultores no Mississipi", ou algo assim. Mas quando o fui ler, observei o título original.

"The Catcher in the Rye"

Este é o livro obrigatório nas aulas de Inglês dos miúdos americanos! Este é um livro essencial! Imaginem a minha felicidade, por ter recebido um livro essencial!

Não tem nada a ver com o que eu tinha imaginado. O livro relata o fim de semana de um jovem que foi expulso da escola. Nesse fim de semana ele embebeda-se e deprime. O livro é todo narrado por este personagem, com uma linguagem característica da juventude da época. O que é importante é precisamente a caracterização deste personagem: tal como todos os jovens adolescentes, acha-se especial, mais inteligente, mais maduro. Mas as coisas que lhe acontecem e a forma como lida com elas revela que ele é apenas mais um miúdo. Não evolui ao longo da narrativa, e mantém-se sempre firme nas suas opiniões, por vezes um pouco drásticas. Assim, este livro é a perfeita caracterização do adolescente, do adolescente revoltado, que ainda se mantém actual. Como adolescente revoltada que fui, compreendo isto perfeitamente.

A narrativa, além da linguagem característica, segue precisamente o pensamento do personagem, relativizando coisas que não são relevantes ("peguei num livro", "ele pôs a cara cheia de borbulhas na minha almofada") e utilizando-as como mote para falar de outras coisas, de memórias de pessoas e de lugares.

Li-o em duas assentadas (para não mentir e dizer que a li numa) e recomendo-o, sobretudo se forem adolescentes revoltados.

26.10.13

Os Amantes e Outros Contos

Os Amantes e Outros Contos
David Mourão-Ferreira
1968
Contos

De vez em quando, a  Editorial Presença faz uns descontos assim a dar para o fabuloso. Nomeadamente uma selecção de livros a três euros. Portanto, comprei este livrinho, porque já tinha ouvido o nome do autor em qualquer lado e aproveitei a oportunidade.

Baseada o prefácio, a minha expectativa rondava o negativo. O aujtor parecia muito petulante e convencido do seu próprio talento e eu não gosto disso, aprecio a humildade. Mas assim que comecei a ler os contos mudei de ideias: este autor pode e deve estar convencido do seu talento.

Identifiquei-me muito com estes contos, porque são precisamente o que eu gosto de ler e o que eu gosto de escrever. Passados num universo surreal, falam da morte, do amor, da envolvência entre os dois, da perda de identidade. Cada personagem é único e ainda assim são todos o mesmo. Todos eles sofrem o mesmo tipo de transformação e realização das suas limitações quando confrontados com a existência de uma série de mulheres, figuras enigmáticas e sensuais que parecem representar, mais do que a paixão ou o sexo, um mote para a mudança e para a admissão da nova situação, desesperada e fragmentada, do homem do qual cada história trata.

Os ambientes são repetitivos ao longo das histórias, mas de forma discreta, simbólica. São estes simbolismos que fazem com cada conto adquira um conteúdo único, apesar da linha condutora que os une a todos.

Isto vem muito melhor explicado, muito mais claro e escrito de forma mais adequada, no posfácio desta décima edição.

Um autor para partilhar e repetir.

O Amor Infinito Que Te Tenho

O Amor Infinito Que Te Tenho e Outras Histórias
Paulo Monteiro
2010
Banda Desenhada
Como vim a adquirir este livrinho, este álbum, merece uma explicação. Quando fomos à Kingpin descontar o prémio que tínhamos recebido no concurso de skits de cosplay do Anifest, podia ter comprado manga. Até havia um volume de uma colecção que estou a fazer (mais ou menos). Mas então olhei para a secção de BD portuguesa. E pensei... "Porque não?" Eu nunca tinha lido BD da nossa terra, li muito pouca BD no geral, não sei nada sobre isto. Assim, este comentário não tem uma avaliação numeral, uma classificação de 0 a 10, porque não sei como o classificar, não tenho muitos termos de comparação nem sei medir a qualidade de uma BD tão diferente do formato Manga a que estou habituada. Entendam, portanto, este comentário como uma opinião mais pessoal e objectiva do que o habitual.

Este álbum contém um conjunto de histórias curtas do prolífico e multi-facetado autor Paulo Monteiro, que aparenta ter feito de tudo um pouco ao longo da vida. São histórias muito íntimas em que o autor revela com muita sensibilidade uma parte integrante dos seus sentimentos e da sua vida, em que se revela sem pudor e sem vergonha da opinião alheia.

A narrativa é muito simples e muito poética, cada história é quase um poema ilustrado. O conteúdo é forte e arrepiante. Isto é valorizado pelo desenho, simples, de traços fortes, muitas vezes negro, uma viagem ao íntimo do homem, cheio de solidão e miséria.

As minhas histórias preferidas foram as duas primeiras.

Estou em dúvida se hei-de oferecer este pequeno livro a um apreciador de BD que eu conheço muito bem ou se apenas o empresto ou o quê... Mas acho que estou rendida à BD nacional. Tenho mais um álbum que comprei com o prémio para ler e aí decidirei se passarei a investir aqui ou não! De qualquer forma, este foi um achado maravilhoso.