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In English: Cosplay Portfolio (Updating) | SALES

6.9.13

White Album Season 2

White Album Season 2
Shioya Yoku - Seven Arcs
Anime - 13 Episódios
2009
5 em 10
 
Continuação de uma primeira season que adorei. Infelizmente, todos os detalhes que podiam tornar a primeira season um mau anime e que eu ignorei... Brilharam nesta segunda parte. Vejamos.
 
Esta season vem reforçar a ideia de que as personagens são estáticas. Nenhuma delas evoluiu, excepto talvez Yuki, que ganhou um pouco de força ao demonstrar que tem atitude e não é só um capacho. O desenvolvimento das personagens relacionou-se  muito com o desenvolvimento da história, que é precisamente o ponto em que White Album deu um trambolhão fenomenal. É certo que isto foi baseado num dating-sim e que pedir lógica a estes personagens é um pouco demais... Mas valeu a pena sonhar durante a primeira season... Ou se calhar não. Porque Touya torna-se um simples espantalho, sem qualquer tipo de conteúdo, que está completamente descontrolado. Uma pessoa consegue aceitar que ele traia a namorada com um dos membros femininos do cast. Mas agora, com todos? Ainda se ele fosse um homem com uma personalidade extremamente atraente... Mas não! Ele não tem conteúdo. Só anda por aí a deambular e a receber declarações de amor e, já agora, porque não? Bora fornicar com esta gente toda! Ao menos foi em separado e sem saberem umas das outras. O final é misterioso, mas fiquei com a ideia - pelo simbolismo da medalha - que Yuki ainda acaba por ficar com este nojo de pessoa! O que nulifica todo o desenvolvimento que teve. Enfim...

Como a história deu uma volta terrível, comecei a dar mais atenção à arte. Meu deus. A falta de detalhe é um primor. Mas se esta funciona nas cenas em aguarela, que continuam bastante bonitas, não funciona de todo no resto do anime. Não é só a personalidade deles que é estática! Os movimentos também! Estão parados, ficam com um olho fechado e outro aberto durante três minutos enquanto a outra pessoa fala, não mexem os dedos quando tocam instrumentos.

Mas enfim, há algo que safa isto, que é a música. É pouca, mas quando é tocada até ao fim tem um efeito muito especial no sentimento que temos em relação ao que está a acontecer. Ainda assim, são mais os momentos de silêncio do que aqueles que têm qualquer conteúdo musical, sejam os concertos, os ensaios ou o que quer que seja. E muitas vezes são silêncios muito desconfortáveis.

Esta série podia ter sido lindíssima. Se tivessem feito uma aproximação à história completamente diferente. Talvez.


2.9.13

Meo Out Jazz - Small Trio e Glue

Meo Out Jazz

Domingo outra vez! Fomos para a Tapada das Necessidades, um jardim onde nunca tinha ido mas que é muito interessante. Tem alguns elementos estranhos, como casinhas abandonadas, e gostaria de fazer com esse cenário alguma coisa... Que ainda não sei bem o que é!
Conseguimos apanhar o primeiro concerto, de um grupo de Jazz chamado Small Trio. Um piano com boa técnica, um contrabaixo que pouco se ouvia e uma bateria cheia de ovos mexidos (aprendi este termo novo, os scrambled eggs, weee!) Foi muito agradável, ainda não estava muita gente e a relva era muito fofinha. A sombra moveu-se na nossa direcção e acabou em cima de nós, o que foi bastante bom porque fazia calor como tudo.

Depois veio o DJ, Glue de seu nome (segundo consta no programa das festas), que passou hip-hop. Estava a ser divertido, fora a parte do animador nos querer por a dançar o swing, porque eram ritmos clássicos e estava quase com vontade de dançar quando... Bem, eu fui comprar bebidas e estava na fila quando vejo as minhas pessoas a vir na minha direcção. Deixámos o DJ para ir passear pelo jardim, mas ouvia-se por todo o lado.

Uma tarde bem passada, espero poder ir a mais outras.

A Vida de Outra Mulher

A Vida de Outra Mulher
Sylvie Testud
Filme
2012
6 em 10

Ena, fui ao cinema! Fui com a minha mãe e outras pessoas da família afastada. E descobrimos que os Amoreiras têm uma sala só para cinema francês...

Este filme é sobre a Juliette Binoche que um dia acorda dez anos mais velha e com um filho e a meio de um divórcio. É um filme muito simples, com um charme francês, que fala sobre como a vida dá voltas e as nossas aspirações do passado acabam por falhar devido a um excesso de ambição e de trabalho. A actriz faz um bom trabalho a transmitir as emoções de uma mulher perdida entre o passado e o presente, aliás, perdida numa juventude que de repente desapareceu.

Tem alguns elementos cómicos, sobretudo na primeira parte do filme.

No entanto, achei que ela se adaptou demasiado depressa à sua nova vida, e que devia ter ido ao médico no fim da semana como tinham insinuado no início.

Apesar de tudo, um filme bonitinho e agradável.

1.9.13

Livros de A a Z


Apanhei este questionário no Blog de uma colega BookCrosser, o Livros no Tempo. Eu a-d-o-r-o questionários e quizzes de todos os géneros, por isso não podia deixar de responder. Bem, e assim ficam a saber um pouco mais sobre a minha pessoa, o que é sempre interessante, lol.

Author you’ve read the most books from:
Acho que o Saramago e o Salman Rushdie

Best Sequel Ever:
O Ensaio sobre a Lucidez, também do Senhor S.

Currently Reading:
A Rapariga que Roubava Livros, por Markus Zusak

Drink of Choice While Reading:
Descobri recentemente que o vinho verde à pressão combina muito bem com a leitura

E-reader or Physical Book?
Físicos, mas estou quase quase (falta o quase) a converter-me ao digital

Fictional Character You Probably Would Have Actually Dated In High School:
A minha fantasia era o jovem do Crime e Castigo, mas ninguém queria datar comigo na High School

Glad You Gave This Book A Chance:
Danças na Floresta, de Juliet Marillier. Eu não costumo dar-lhe muito na fantasia, mas emprestaram-me este livro, estive quase a recusar mas non, foi mesmo muito bom.

Hidden Gem Book:
O Evangelho do Enforcado, é fascinante.
Important Moment in your Reading Life:
Quando era adolescente e li os clássicos todos, todos desapropriados à minha idade.

Just Finished:
O terceiro volume do manga Tenshi Nanka Ja Nai

Kinds of Books You Won’t Read:
Nenhum, mas tento evitar fantasia e aqueles livros "fáceis" que são super-populares

Longest Book You’ve Read:
Sisson... A Anatomia dos Animais Domésticos. Eu estudei por este livro, li-o todo. São umas 7000 páginas.

Major book hangover because of:
Não acontece, leio um e sigo logo para outro.

Number of Bookcases You Own:
Doze no meu quarto, em casa do meu pai são imensas.

One Book You Have Read Multiple Times:
Também um pecado mortal, mas Os Diários da Princesa de Meg Cabot, eu adorava aquilo

Preferred Place To Read:
No autocarro, no metro, no barco...

Quote that inspires you/gives you all the feels from a book you’ve read:
Xiii, eu tinha uma colecção *enorme* disto, em folhas de linhas A4. Mas depois ofereci-as a uma árvore e não me lembro de mais nenhuma.

Reading Regret:
O Twilight. Porquê? Porque me obrigaste, Ana Cristina? Porquê?

Series You Started And Need To Finish (all books are out in series):
Algumas, manga e Light Novels na maioria. E comecei agora a Guerra dos Tronos, vou morrer.

Three of your All-Time Favorite Books:
Crime e Castigo, As Crónicas de Nárnia, Watership Down
Unapologetic Fangirl For:
Romances lamechas

Very Excited For This Release More Than All The Others:
Não sigo nada destas coisas e não tenho nada encomendado de momento. Ah esperem, tenho! O terceiro volume de Ludwig Revolution!

Worst Bookish Habit:
Encomendar demasiados livros, depois ficar à rasca dos munnies

Marks The Spot: Start at the top left of your shelf and pick the 27th book:
Future Lovers, volume 2 (é um manga)

Your latest book purchase:
Prendas de anos para toda a gente, uma data de coisas. E o quarto volume de Ludwig Revolution (que veio antes do terceiro, por alguma razão que me transcende)

ZZZ-snatcher book (last book that kept you up WAY late):
E é isto, espero que tenham gostado, experimentem fazer vocês também!


31.8.13

Lupin the Third: Mine Fujiko to Iu Onna

Lupin the Third: Mine Fujiko to Iu Onna
Watanabe Shinichiro - TMS Entertainment
Anime - 13 Episódios
2012
6 em 10

Esta é a minha primeira experiência no universo Lupin. Tinha de conhecer um pouco da personagem Mine Fujiko e recomendaram-me que começasse por aqui. Aviso desde que irá haver aqui uma pequena pesquisa de Lupin da minha parte e que, por isso, os posts neste blog poderão ser repetitivos até mais não (minto, só saquei mais dois filmes)

A primeira coisa que me atraiu foi a arte. É bastante original, com uma paleta de cores muito interessante e uso de muitos padrões e representações simbólicas (atentem nas corujas). A animação é rígida mas é gira e funciona bastante bem, tendo em conta o tema "policial" e "misterioso" da série. Mas perturbou-me a quantidade de maminhas e ainda mais as cenas de sexo pouco discretas (mas nada explícitas), que - se pensarmos bem na coisa - eram badalhocas como tudo.

O anime é episódico, excepto nos últimos quatro episódios em que adquire uma tonalidade muito surreal enquanto fala do passado de Mine Fujiko, focando-se nas aventuras desta personagem. Ela é uma ladra profissional, tal como Lupin, e a cada episódio rouba (ou tenta roubar) uma coisa diferente. As histórias estão bem pensadas e os mistérios e armadilhas em cada um são interessantes e originais.

Mas infelizmente, uma série episódica precisa de personagens extremamente sólidos para se basear. E nesta isso não acontece. Depois de ter lido um bocadinho sobre Lupin, vim a descobrir que a caracterização dos personagens desta série não corresponde à do resto do franchise. A mim pareceram-me todos muito parecidos uns com os outros, excepto Lupin que tem uma personalidade. Sobre Mine Fujiko, bem... Chamá-la de prostituta seria pouco, mas também não quero abusar nos palavrões neste espaço. Ela não é ninguém, ela não é nada, é apenas uma máquina sexual que rouba coisas. O tempo que ela passa de mamas ao léu supera largamente o tempo em que ela passa a fazer coisas úteis. Não tem o charme da femme-fatale. Aliás, não tem charme nenhum. É vulgar, no pior sentido da palavra. Por isso, uma série inteira sobre ela - por mais interessante que seja a arte - tem essa característica da personagem associada. Por um lado, podemos dizer que Mine Fujiko está caracterizada de forma coerente? Bem, depois dos últimos episódios duvidaria disso. Por outro lado, considerando que é coerente, este tipo de personagem seria mesmo necessário? Não seria melhor tê-la feito um pouco mais humana, com uma sedução de cariz menos sexual? Fica o debate.

Finalmente, em termos musicais, a OP foi muito interessante à primeira (sobreutdo pela sequência de animação), mas cansa rapidamente. A ED não tem nada a ver com nada. E o parênquima? A música é bastante boa, tonalidade jazzística, mas é repetitiva.

Podem passar esta série à frente, a menos que vos interesse especialmente este tipo de arte no anime.

30.8.13

O Anime e o Amor Homem





Boa tarde!

Já há algum tempo que queria escrever um pouco sobre isto: BoysLove. Estava sempre a adiar até que hoje fui parar a um sítio onde já não ia há muito tempo. Tive medo, mas lá tive que adicionar mais umas imagens à minha sempre crescente colecção... É irresistível e a colecção já está a ficar com um tamanho desproporcionado. Por isso inicio este pequeno "artigo" com um rabo e aviso que isto terá desenhos bastantes. Tentarei ao máximo que não sejam perturbadores ou pornográficos, até porque é inconveniente ter isso num blogue familiar (ai as criancinhas!) Assim, iniciemos a nossa festa da mangueira!

O que é BoysLove?

Tal como o nome indica, é o amor entre homens, no universo da pop-art Japonesa - Anime e Manga. É importante estabelecer a terminologia usada hoje em dia, para que não nos enganemos e continuarmos a dar nomes de início de 00s às coisas.

Shounen-Ai - Ai é amor, Shounen é rapaz, daí se tira o que é. Refere-se a trabalhos de conteúdo romântico e pouco explícito. Exemplos de animes típicos seriam Gravitation e Junjou Romantica


YAOI - Sigla para "Yama Nashi, Omi Nashi, Imi Nashi", que significa qualquer coisa como "Sem Objectivo, Sem Sucesso, Sem Sentido". Refere-se ao conteúdo explícito ou pornográfico. O exemplo mais flagrante é Sensitive Pornograph.

Vai acontecer algo dentro desta banheira, mas não posso mostrar .__.

BoysLove (BL) - Termo chapéu-de-chuva que engloba todos os conceitos, o utilizado actualmente. Os outros estão mortos.
Agora vamos ao twist! Este género é tipicamente desenhado e escrito POR mulheres e PARA mulheres. BL é, na verdade, uma variação do shoujo em que a heroína típica é substituída por um homem. O conteúdo homoerótico não traduz, nem de perto nem de longe, a realidade humana e tudo isto não passa de uma fantasia feminina, em que não existe uma "mulher" a competir pelos favores do personagem predilecto. Este conceito é essencial para se perceber o que é verdadeiramente BL: não é uma coisa "gay". Não tem nada que ver com os direitos LGBT ou com a identidade sexual das pessoas. É apenas uma fantasia e, no fundo, histórias de amor bonitas para nos entretermos.

Géneros e Categorias

Tal como em qualquer corrente artística existem variantes à história base. Antes de falar delas, acho relevante definir os tipos de personagem normalmente presentes (podem haver diferenças entre histórias e autores, mas estes são os comummente aceites)

Seme - O "dador". Tipicamente são homens altos e angulosos, numa posição de poder. Características normalmente associadas a semes são a confiança, o ego elevado, a necessidade de controlo, a frieza. Semes típicos são Iason de Ai no Kusabi ou Yuichi de Only the Ring Finger Knows.

Uke - O "receptor". Normalmente rapazes, frágeis e com traços femininos. Entre as características mais vulgares, encontram-se a fraqueza física e psicológica, a atitude apaixonada, a resistência à relação. Ukes típicos são Ritsuka de Loveless ou Wolfram de Kyoh Kara Maou (que não é BL, já vou explicar)

Conforme as características psicológicas do personagem, podemos atribuir-lhe estatuto de seme ou uke. Mas devemos sempre recordar que o seme é sempre o dador e o uke o receptor. Assim, a menos que se usem materiais artificais, uma mulher nunca pode ser um seme. Qualquer série, tendo em conta estes dois termos, pode ser transformada nu BL. E a verdade é que são mesmo. A isso chama-se slashing. Entretanto apareceu uma outra categoria de personagem, ainda não completamente aceite na comunidade BL e usado por fãs mais novas que acreditam no S+U pelas emoções e não pelas "funções":

Seke - Um personagem com características de seme que é um uke. Um exemplo é Riki de Ai no Kusabi.

Por exemplo, este gajo que eu não sei quem é. Tem todo o aspecto de ser Seme, mas está-se mesmo a ver que vai ser violentado.

Agora, tendo em conta que tudo o que existe que tenha pelo menos um rapaz (ou não... Tudo é possível), existem vários tipos de histórias. Se procurarem termos como Angst ou Fluff vão encontrar coisas diferentes. Por exemplo, as categorias da secção de histórias do Aarinfantasy são:
Isto é, muita coisa. No entanto, há dois subgéneros que saem da norma, se é que há norma em BL. São géneros feitos por homens e para homens. O quê? Vamos ver:

Bara - Homens grandes, musculados, homens normais, homens mais velhos. Feitos por homens homossexuais para homens homossexuais.

Isto porque eu sou uma pessoa hilariante, haha. Haha.

Shota - Miúdos. Ya. Feito por gente perturbada para homens heterossexuais.  SIM.

Eu ia por uma coisa soft e vocês sabiam.

Entretanto há mais uma série de variantes engraçadas e não engraçadas. Esta é das que eu gosto mais:

Travecaaaaaas~~~

E Agora a Lição de Moral

Com isto já passei um lamiré sobre o que é mais ou menos o género. Agora vão todos ficar a pensar que eu sou uma doidona tarada, né? Não! Porque eu, e as minhas amigas fujoshis todas, já estamos nisto há demasiado tempo para termos exageros infantis. Vou-vos contar uma história...

Ao início, aprendi o que era BL (tinha uns 15 ou 16 anos) com uma revista que veio como extra num jornal. O primeiro que vi foi Ai no Kusabi, o que desde logo dá uma perspectiva diferente da coisa. Então eu achava que os homens tinham de ser todos "homoeróticos" para serem giros. Mas com o passar do tempo, fui descobrindo que o que faltava no género era o realismo. Então fui procurar realismo. E deparei-me com muitos outros tipos de histórias, em que há menos de "história de amor fofinha" e mais dos dramas da vida. E comecei a desassociar os homens verdadeiros dos homens do BL. E isso tornou-me numa pessoa mais adaptada à vida real.

Agora, se vocês ainda acham que a vida real é como no BL... Bem, ainda vão ter de crescer, porque a verdade é que não é. Há histórias de amor entre todos os tipos de pessoas. Homens, mulheres, homens que são mulheres e mulheres que são homens, há amor entre pessoas e cadeiras, há amor em todo o lado. Mas não corre como nas histórias. 

Temos de nos lembrar sempre que são histórias inventadas. São fantasias. Se misturas as tuas fantasias com a tua vida real a ponto de não te conseguires relacionar com os outros seres humanos porque não correspondem às tuas expectativas, tens um problema.

E fica a lição de moral. Bem vindas ao mundo BL. Desfrutem da estadia. Mas não abusem.







29.8.13

Psycho-Pass

Psycho-Pass
Shirotani Naoyoshi - Production I.G
Anime - 22 Episódios
2012
8 em 10

Esta série foi escrita pelo nosso Meguqueiro favorito, Urobochi Gen, por isso toda a gente me avisou que ia dar voltas e voltas. Mas não acreditei. Comecei a vê-la a propósito do meu clube, esperando detestá-la logo nos primeiros episódios, mas a verdade é que adorei. E agora vou explicar, com um detalhe difuso que me é característico, os comos e porquês.

Comecemos pelo universo e pela história: num futuro próximo, o Japão criou uma sociedade em que sensores podem ler o estado emocional e as capacidades das pessoas, classificando-as e orientando-as para o que melhor podem fazer. Por outro lado, também o índice de criminalidade pode ser medido e, assim, se a pessoa tiver potencialidade para cometer um crime é logo colocada sob tratamento ou isolada. Tendo isto em conta, existem equipas policiais para apanhar estas pessoas. A história segue as aventuras de uma das equipas, focada numa inspectora acabada de chegar. Na primeira parte acompanhamos a resolução de vários crimes cruentos e na segunda parte observamos a perseguição ao marionetista por detrás desses crimes.

A história por si só é bastante interessante, apesar de recordar alguns trabalhos anteriores, tanto em anime (Ghost in the Shell: Stand Alone Complex) como filmes americanos (Minority Report). Mas esta "inspiração" é ultrapassada pelas diferenças nos personagens. Os de Psycho-Pass (ou Psycopath?) são únicos à sua maneira. Todos eles têm um passado que os levou ao estado em que estão, e a melhor parte é que em apenas um caso se recorreu a flashback para o explicar. A verdade é que a intensidade e qualidade do diálogo neste anime são de nota. Gostei bastante do desenvolvimento da personagem principal, Akane, que apesar de se apresentar como a "pessoa ideal para viver nesta sociedade", estabelece relações afectivas incontornáveis que, falhando, a levam a tornar-se num outro tipo de pessoa, mais realista e terra-a-terra. Além do mais, é demonstrada a sua capacidade de aprendizagem e de resolução de problemas. Mas se na série foram todas pelo "bem", num futuro deixarão de o ser: bem dizia o outro que os parvos aprendem com a experiência. Ginoza também sofreu um desenvolvimento interessante mesmo no final, sobretudo quando fazem a referência ao abandono dos óculos. 

Uma nota para Makishima Shougo. É um vilão interessante e apropriado ao teor da série. Faz lembrar arquétipos como Light de Death Note, com uns traços do muito genial Johan de Monster, mas consegue manter-se único. No entanto, é difícil de compreender como o seu ideal anarquista se envolve com os assassinatos e com a manutenção de psicopatas, sobretudo na primeira parte: eram mesmo necessários para causar o caos? O seu diálogo é muito interessante, cheio de referências a livros que eu não li (bem, alguns eu li), mas pareceu-me também um pouco pretensioso. Não da parte do personagem, mas da parte do autor ("olhem os livros todos que eu li!") Perguntaram-me "já se tornou o teu husbando?". E eu respondo que é muito difícil hoje em dia um personagem obter esse tipo de estatuto. Makishima Shougo nem chega lá perto.

A arte está interessante, com CG bem integrado e designs estruturados devidamente para acompanhar a noção de "futuro próximo" e de "isto vai ser possível". As cenas de luta, que me costumam aborrecer, estavam fascinantes, mas não só pela qualidade da animação mas também pela banda sonora e pelo contexto em que estavam a acontecer, pois a maioria eram quase como jogos em que quem vence não será o mais forte, mas sim o mais esperto.

Achei as OPs e EDs extremamente apropriadas, quase como se tivessem sido escritas especialmente para o anime. A primeira OP sobretudo. Também fiquei a nutrir um certo carinho pela ED, pois identifiquei-me imediatamente com a letra.

Um anime recomendado, nem que seja para pensarmos um bocadinho no estado da sociedade e como seria o mundo se esta fosse controlada pela medição nosso estado emocional e das nossas habilidades. Eu sinto, pessoalmente, que seria bastante opressivo e que nos tiraria toda a liberdade de pensamento e de desenvolvimento moral. Também acho que eu já estaria internada num cubículo a ver anime.