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28.10.16

Les Misérables: Shoujo Cosette

Les Misérables: Shoujo Cosette
Sakurai Hiroaki - Nippon Animation
Anime - 52 Episódios
2007
7 em 10

Este é mais um anime inserido no projecto World Master Theatre, mas desta feita muito mais moderno, tendo sido o seu ano de lançamento e exibição o saudoso 2007. Este anime é baseado na obra homónima de Victor Hugo, da qual não me lembro minimamente. Assim, vi este anime como uma tabula rasa, sem qualquer conhecimento sobre a história.

Esta, assim como os personagens, são o ponto forte do anime, não fosse trabalho do grande Victor Hugo. Como em quase todos os WMT, temos uma criança que sofre bastante ao longo da sua vida, para depois ter um final justo para a sua situação. Esta é Cosette, que se vê entregue pela sua mãe a uma família que, supostamente, iria tomar conta dela mas que, em vez disso, abusa dos seus esforços, escravizando-a como criada. Por outro lado, vemos a luta da sua mãe para conseguir emprego e dinheiro para a poder criar, apesar de estar longe. E nesse processo acaba por conhecer um homem, Jean Valjean, que - ex-presidiário - se esforça por fugir às autoridades e ter uma vida boa em que possa ajudar os mais necessitados.

Esta conjugação caminha em direcção a uma revolução e faz um excelente trabalho em avaliar qual a verdadeira situação dos pobres na França do século XIX, que me parece ser o objectivo inicial do autor original. Através do anime podemos ganhar também essa sensação, sendo que o trabalho de adaptação me parece, nesse campo, bastante bom.

A animação é, no entanto, bastante simples, sendo os designs pouco variáveis, as paisagens moderadamente detalhadas e as cenas de acção reduzidas. Há um bom trabalho na caracterização da época e o anime é bastante sólido e coerente, mas tem pouco de espectacular.

Musicalmente, temos alguns temas um pouco repetitivos, sendo que a OP e ED estão bastante apropriadas, embora fiquem desactualizadas rapidamente à medida que a história progride. Teria sido uma boa ideia ter feito uma mudança a meio do anime, por exemplo.

Para quem não conhece o projecto WMT este anime parece-me bastante acessível, pelo que não deixo de o recomendar.

Nota: apresento também o meu total desprezo por quem chama "Les Misérables" de "Os Mizzies", porque isso é ridículo.

14.10.16

O Último Dia de Um Condenado

O Último Dia de Um Condenado
Victor Hugo
1829
Romance

No mesmo dia em que encontrei aqueles livrinhos abandonados que falei antes, fui passear com o Qui a um jardim em Lisboa. Subitamente... "Achei um livro, este é meu!", diz o Qui! E à medida que fomos vendo o jardim... Fui encontrando cada vez mais livros! Trouxe quase todos, até que descobri que fazia tudo parte de uma libertação em massa ao estilo BookCrossing, mas organizado pela biblioteca da zona :)

Li este primeiro e devo dizer que gostei bastante.

Trata-se de uma reflexão sobre a pena de morte e o desespero que pode daí advir, narrada pelo próprio condenado nos momentos que precedem a sua execução. O autor narra, através deste personagem anónimo, os horrores da prisão para trabalhos forçados e a serenidade que um homem pode manter perante semelhante situação, que se vai desfazendo à medida que o momento fatal se aproxima. É interessante e belo ler os sentimentos do personagem em constante mutação, desde a aceitação inicial, ao pensamento da fuga, passando pelo desespero final em que há um último pedido de absolvição.

A situação que mais me tocou terá sido, sem dúvida, o momento em que o narrador se encontra com a sua filha de três anos, que não o reconhece, estabelecendo assim uma divisão profunda entre o condenado e aquilo que lhe resta da humanidade do seu passado.

Como extra, temos um conto curto chamado "Claude Gueux", em que o autor faz um breve manifesto sobre a necessidade actual (dentro da época) de educar as populações de forma a evitar crimes, estabelecendo a realidade num personagem que deita tudo a perder devido à sua própria simplicidade. De certa forma, semelhantes palavras ainda se mantém actuais: se educarmos, reduziremos certamente todos os crimes. Não poderei é concordar na bíblia como livro essencial, mas prontes, deixa estar, é o século XIX em França.

Agora não sei o que fazer com o livro, se o hei-de por a circular, se o devolvo à biblioteca, se o liberto no mesmo sítio... Ideias? :)