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19.12.13

Um Vinho Atordoante

Um Vinho Atordoante
Kate Charles
1991
Romance Policial

Um livro que recebi numa troca do BookCrossing (a de Samhain ou quiçá a de colecções, não sei porque vieram os dois juntos :p)

Não esperava muito dele, para dizer a verdade. Começa logo por "um mistério clerical". O que vem a ser isto? O único mistério clerical que havia lido até agora tinha sido "O Nome da Rosa", do Umberto Eco, que - devida à minha parca idade na altura - detestei. Achei que também ia detestar este. Mas em vez de se passar em deprimentes e escuros claustros de uma qualquer catedral num ido século, passa-se no agora (anos 90, há vinte anos portanto) e numa sorridente Londres de Verão.

Tudo começa quando um padre anglicano recebe uma carta com chantagem. Recordemos que os padres anglicanos são diferentes dos nossos e podem casar-se e ter filhos e tudo o mais. Mas neste caso, o padre Gabriel teve alguns casos na juventude com outros homens, o que é coisa um pouco vedada aos padres. Ele chama o seu antigo amigo e amante David para o ajudar a descobrir quem o está a ameaçar, de forma a parar isso. E assim desenvolve-se uma aventura muito engraçada.

Não há cenas de acção nem grandes perseguições e não temos um detective. Apenas uma pessoa a tentar juntar as peças do puzzle no seio de uma comunidade muito religiosa e muito característica. Ao início foi difícil memorizar todos os personagens, mas eles acabam por ganhar vida e tornam-se únicos à medida que a história se desenrola. A expressão dos sentimentos de David é bastante bonita, se bem que eu acho que se poderia ter dado mais ênfase às dúvidas da descoberta da identidade do personagem.

O livro é bastante rico em detalhes da vida normal, o que comem, o que fazem, mas eu acho isso um pouco desnecessário, sobretudo quando é inconsequente.

No final, acabei por gostar porque não se descobre quem é o culpado até ao final. Eu tive várias teorias e todas elas saíram frustradas até aos últimos capítulos em que eu pensei "se calhar, espera lá, mas isto não faz sentido, mas se calhar..." e acabou mesmo por ser assim. Pling, ainda não perdi o meu dedinho para desvendar policiais. :)

Não tenho a certeza do que vou fazer a este livro. Gostei bastante dele e tenho uma certa pena de o libertar ao vento. Mas talvez seja mesmo isso o que eu faça, mas desta vez num sítio onde possa ser encontrado por um bom dono.