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4.4.17

Brother

Brother
Takeshi Kitano
2000
Filme
6 em 10

Há muito tempo que não víamos um filme do Takeshi! Mas, para sermos honestos, este aqui é um pouco diferente dos outros que havia visto anteriormente. Porque, por trás de um vulgar filme de yakuza, está uma comédia muito improvável.

Takeshi é um membro da yakuza que, depois do se clã ser derrotado, decide fugir para Los Angeles, onde vive o seu irmão mais novo. Lá, faz amizade com uns dreads. Isto, já de si, é extremamente improvável. Mais improvável é o facto de, a partir dessa amizade, Yamamoto (Takeshi) formar um clã yakuza multiracial, todo baseado nas relações de dominância e submissão entre os"irmãos".

Trata-se de um filme muito violento, mas cujo sangue, tiros e espadas aparecem com um timing tão exacto que não podem deixar de fazer rir. Este não é um dos filmes emocionais do autor, pois até os momentos trágicos surgem de tal forma que a sua improbabilidade se torna cómica.

Talvez a parte mais intimista to filme sejam as imagens contemplativas sobre a cidade americana, uma espécie de olhar nipónico sobre Los Angeles.

Um filme que mostra a versatilidade do autor e que prova, mais uma vez, que ele não se leva especialmente a sério.

27.7.16

Zatoichi

Zatoichi
Takeshi Kitano
Filme
2003
6 em 10

Sábado, dia para trabalhar e, posteriormente, ver um filme do Takeshi :) Este filme é uma nova versão, modernizada, de uma figura lendária do universo da ficção japonesa: Zatoichi, o samurai cego.

No entanto, este filme mostra-nos o personagem numa perspectiva um pouco diferente: porque a versão de Zatoichi de Takeshi Kitano é mais um (apenas mais um?) filme de yakuza, disfarçado de filme de época. Todos os elementos estão presentes, a família vingativa, a família que deve ser protegida, as lutas entre gangs, os maus tratos às pessoas. Mas, como tudo se passa numa época passada, não há armas de fogo presentes (digamos...): é tudo à base da espada.

Tendo isto em conta, o efeito do filme acaba por ser mais cómico do que outra coisa. Os personagens estão plenos de gags que, em conjugação com a narrativa, retiram qualquer potencial de seriedade ao filme. No entanto, o objectivo de Takeshi parece ser precisamente esse: pegar no personagem mais sério da cultura popular japonesa, um mito literário intocável, e desconstruir a sua história para uma realidade actual com a qual nos podemos identificar.

Ajuda a caracterizar tudo isto, um guarda roupa que busca exactidão histórica na forma, mas que a ignora na utilização, padrões e cores: apesar de todos usarem trajes típicos, a forma como estão usados é reminiscente da moda yakuza vigente no final dos anos 90.

Apesar disto, a forma como os arcos narrativos dos personagens se interligam na ligação com Zatoichi, acabam por tornar o filme numa viagem muito interessante. A interpretação de Takeshi é única: para um actor que se caracteriza pelo uso do olhar, o facto de ter sempre os olhos fechados acaba por não ser uma limitação: antes, uma libertação do modelo.

Assim, é um filme interessante em certos aspectos, mas que não consegue desviar-se muito do lugar comum. Guardemos Takeshi para outras ocasiões.


4.1.16

Sonatine

Sonatine
Takeshi Kitano
Filme
1993
7 em 10

Começa agora a enchente de comentários sobre todas as coisas que foram observadas durante as festividades de Ano Novo. Estas, foram passadas em companhia do Mr. Brown, aquele Oficial da Earth Federation a quem eu fiz mal na MCM Expo. Mas bem, confesso que não poderei falar de tudo o que vi, porque não me lembro de algumas coisas... Foi por causa dos chocolates licorosos, creio eu.

Mas falemos de Sonatine. Depois de Hanabi tinha ficado bastante curiosa com o cinema de Takeshi Kitano, pelo que fiquei bastante feliz quando o Qui se apresentou com este filme no seu disco rígido. É um verdadeiro filme da Yakuza, a máfia do Japão, mas com uma atenção ao detalhe emocional invejável. Murakawa, um yakuza antigo e respeitado no seu meio, é enviado para Okinawa para resolver uma escaramuça entre gangs rivais. Lá, conhece um grupo de pessoas e, por força das circunstâncias, acaba isolado numa praia sem acessos.

Se por um lado a história aparenta ser muito simples, há nela muito mais do que um pequeno conto sobre a máfia. É uma análise soberba e comovente da emoção humana e daquilo que leva as pessoas a fazerem coisas que, em princípio, não seriam moralmente aceites. O personagem de Takeshi tem uma evolução curiosa: ele não cresce em direcção à conclusão, antes regride. O isolamento a que o grupo é obrigado leva-os a entreter-se com jogos diversos, brincadeiras de criança, em que o personagem é revelado como pessoa involuntariamente sádica, uma pessoa condenada à violência mesmo que esteja fora do contexto. A sua infantilização acaba com a cena final, em que há o abandono completo de si próprio e do mundo, a única solução possível para um sofrimento que poderia ter sido evitado se a escolha inicial (aquela que não vemos no filme) tivesse sido diferente.

A violência é rápida e eficiente, fria, sem chocar ou emocionar. Emocionam, sim, as imagens paisagísticas de praias e falésias, o retrato da solidão. Mas o que me impressionou, sobretudo, foi a forma de actuar de Takeshi Kitano: um génio. Dizem que tem pouca expressão, mas quem precisa de expressão quando consegue transmitir todo o tipo de sentimento apenas com o olhar?

Agora sinto-me pronta para ver ainda mais filmes deste autor!

3.12.15

Battle Royale

Battle Royale
Kinji Fukasaku
2000
Filme
6 em 10

Assistimos a este filme no passado Sábado. Inspirado numa Light Novel com o mesmo nome, é um filme muito animesco que me deixou entusiasmada por essa razão. Apesar de ter muitas mortes e sangue, não me assutou nem perturbou (o que é costume neste tipo de filme) porque está feito de uma forma que me é muito familiar: uma forma pop.

Uma turma de 40 estudantes é levada para jogar o "Battle Royale": deixados numa ilha, cada um com uma arma, têm de se matar uns aos outros até sobrar apenas um. Acompanhamos momentos da vida, com recuso a flashbacks, e as mortes de quase todos os estudantes, cada uma com as suas características e com o interregno das variadas armas que são apresentadas. Curiosamente, todos eles sabem usar as armas perfeitamente, o que me deixou um pouco duvidosa. Apesar de, logo ao início, se estabelecer que todos pertencem a uma espécie de gang, a sua destreza com o armamento pareceu-me um pouco improvável.

Numa espécie de interpretação de um "Deus das Moscas" modernizado, podemos ver os estudantes a regredir na sua humanidade até se tornarem simples máquinas que destroem sob o jugo de uma pressuposta sobrevivência. As lutas estão muito bem conseguidas e mantêm o visionante sempre concentrado, à espera da próxima morte. Existem cenas muito bonitas, com recurso a cenários naturais muito belos, mas o foco essencial é dado à forma como cada um se despede da vida, com mais ou menos violência.

No entanto, a narrativa acaba por se tornar confusa. Como numa novela, todos os personagens estão relacionados uns com os outros, amizades, amores, coisas de adolescentes. Assim, formam-se grandes poliedros amorosos que levam a vinganças e alianças, mas que - devido à falta de caracterização dos personagens - acabam por se tornar numa grande amálgama e é difícil seguir as relações entre eles.

Achei também curioso um aspecto nos actores: pela primeira vez reparei como nos filmes japoneses parece haver uma imensa influência da biomecânica teatral. Talvez seja por isso que os filmes nipónicos e as suas telenovelas nos parecem tão exageradas e fora do contexto. Com este elemento em conta, talvez experimente ver uma dessas novelas (vocês chamam-lhes doramas, pois...) e talvez... Até a aprecie. :)

De resto, um filme cheio de acção que se acompanha bem com uma jola.

Nota: fiquei com vontade de ler a novel e ver o anime, diga-se de passagem

14.7.15

Hanabi

Hanabi
Takeshi Kitano
Filme
1997
7 em 10

Há muito que o Qui me tentava explicar quem era o Takeshi Kitano e o que era o programa "Takeshi's Castle". Bem, eu não vejo televisão e não fazia ideia. Então, fiquei sabendo que Takeshi Kitano (ou só Takeshi) é um actor de filmes hard-boiled, sobre a máfia, gangsters e bandidos, também fazendo ele sempre papel de bandido. Para o confirmar, mostrou-me este filme, escrito e realizado também por ele, que se relevou uma bonita obra.

"Hanabi" significa "fogo de artifício", o que tem ligação com uma das cenas mais intensas de toda a narrativa. Esta fala de um polícia corrupto que deve uma série de dinheiro aos yakuza. Enquanto isso, a sua mulher aproxima-se do fim de vida com um linfoma no corpo. E a sua filha morreu. Numa mistura de memórias com o presente, este personagem procura afastar a máfia do seu caminho para poder viver uns últimos momentos de felicidade com aquela que ama. Numa outra perspectiva, um polícia seu amigo sofreu um acidente de trabalho e está preso a uma cadeira de rodas, dedicando-se à pintura e procurando uma nova maneira de viver. As duas histórias interligam-se de forma emocional, enquanto uma vida se aproxima do fim e outra procura recomeçar.

Os estados de espírito são ilustrados pelos desenhos que nascem das mãos do tal amigo (na realidade pintados por um amigo do realizador). Desenhos estranhos, cheios de animalária surreal, que simbolizam muito mais do que aparentam e têm um efeito quase alucinogénico no espectador. Por outro lado, senti que as cenas de memórias são um pouco confusas, sendo difícil de distinguir o que se está a passar na realidade do que se passou anteriormente.

A música é bela e coaduna-se com as cenas, que têm um efeito pictórico, como se observássemos fotografias em movimento em vez de uma série de fotogramas. A utilização da luz é fascinante e muitos destes "quadros" transmitem uma sensação de calma profunda e também de uma tristeza inabalável.

Mas o que mais me impressionou foi sem dúvida a interpretação do actor, Takeshi Kitano. Segundo consta, ele tem "sempre a mesma cara". E é verdade. Tem sempre a mesma cara. Mas, na sua condição singular, é um actor extremamente expressivo, transmitindo os sentimentos com subtileza e exactidão, sem necessitar quase de dizer qualquer palavra. Achei um trabalho de actor impressionante.

Por isso, está aprovado o Takeshi do Takeshi's Castle. Talvez hoje em dia seja mais uma personagem cómica do imaginário televisivo do Japão, mas neste filme fez um trabalho extraordinário.