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12.5.14

Um Dia Sonhei que Voava

Um Dia Sonhei que Voava
Taichi Yamada
1988
Romance

Acordei bem cedinho para chegar a tempo e horas ao exame e ainda ter a chance de tomar um café. Lá chegada, descubro que o exame, em vez de ser às nove da manhã... Era à uma da tarde! E com este livro se passaram as quatro horas de espera. Bem, quase todas, uma parte foi a comprar outro livro para o comboio de regresso e uma outra foi para almoçar uma salada com molho vinagrete.

Já tinha lido os outros dois livros deste autor editados em Portugal, por isso achei por bem comprar este. Foi numa feira do livro, numa outra ocasião em que estava no Porto e senti que não iria ter livros suficientes para ler na viagem de regresso.

Um executivo de uma empresa de construção encontra-se longe da família quando se vê num hospital. Nele, vive uma aventura platónica, mas muito erótica, com uma senhora que se vem a revelar muito mais velha que ele. Mas voltam a encontrar-se. E a senhora é estranha: ela está a viver a sua velhice numa experiência de regressão em que vai ficando cada vez mais nova. Assim, eles encontram-se quando ela tem 40, 30, 20 anos e por aí em diante.

A escrita é onírica, com muitas referências ao ambiente que rodeia o personagem principal, a natureza, o céu, as estações do ano. Conhecemos este homem com um nível de intimidade por vezes desconcertante, acabando por compreender os sentimentos que ele desenvolve por Mutsuko, a estranha mulher. A descrição dela é feita com tanto carinho apaixonado que não conseguimos deixar de sentir uma certa ansiedade pelo destino que a espera, que é inevitável e incontornável.

No entanto, achei que as cenas físicas talvez fossem demasiado excessivas. Na minha opinião, creio que o livro seria mais bonito e emotivo se este amor fosse simplesmente platónico, ou cessasse no momento em que Mutsuko se torna numa rapariga.

Dos livros do autor, este foi o que mais gostei. Talvez seja porque é mesmo meu, e não emprestado, hehe.

Termino citando um poema que, por sua vez, foi citado no livro. Talvez tenha sido este o momento mais bonito de toda a história.

Eu
Tu
"Nós"

"Nós"
Não pode ser reduzido a ti e a mim
É por isso que é
Eu
Tu 
"Nós"

Eu
Tu
Pomos as mãos dentro da boca um do outro
Tocamos nas nossas gargantas
Tocamos nas nossas traqueias
Tocamos nos nossos esófagos
Tocamos nos nossos pulmões
Tocamos nos nossos corações
Nos nossos diafragmas
Fígados, pâncreas, costelas, intestinos
Músculos, artérias, veias e capilares
Tocamos em tudo
Em todo o tipo de nomes abstractos
Mas aquilo em que nunca conseguimos tocar
És tu
Sou eu.

Taeko Tomioka

26.5.13

Desconhecidos

Desconhecidos
Taichi Yamada
1987
Romance

Taichi Yamada, Taichi Yamada, eu conhecia este nome de qualquer lado, será que já tinha lido este livro? Afinal não, o que tinha lido era o Em busca de uma voz distante. Este segue a mesma linha de mistério e fantasmas.

No entanto, o personagem principal parece estar a falar dos assuntos com uma indiferença tão marcada que é impossível identificar-nos com ele. Assim, a história que poderia ser assustadora torna-se irrelevante. Sabemos que ele sobrevive no fim, porque é ele o narrador, certo? Enfim, a escrita não é tão envolvente como o desejado numa história de mistério e fantasmas. O que já era um problema no outro livro que tinha lido dele.

A resolução é surpreendente. Eu quase me tinha spoilado (apodrecido) porque li um comentário no bookcrossing a dizer "não estava à espera que *personagem* fosse quem fosse". Eu pensava que essa personagem era o Hideo, mas estava enganada. Então surpreendi-me. Surpreendi-me também com o detalhe dado a tudo o que rodeava a personagem em causa, porque foi inserido de forma delicada. No entanto, foi dado como evidente pelo narrador, o que estupidifica um pouco o leitor.

Acho que, apesar de ser Japonês e de eu ser japanóide, não voltarei a pedir para ler livros deste autor.

10.12.12

Em busca de uma voz distante

Em busca de uma voz distante
Taichi Yamada
2007
Romance

Num Random Act of BookCrossing Kindness havia vários livros para escolher. Escolhi apenas este, pois o autor era Japonês e... Ganhei-o! Viva! Já goi há algum tempo, mas só agora pude finalmente lê-lo.

Aparentemente Taichi Yamada é um famoso guionista de novelas (doramas, para vocês que gostam), mas também escreve romances. Este é um deles. Conta a história de Tsuneo, um empregado do departamento de imigração que é afectado por um estranho problema de esquizofrenia. Ele ouve uma voz. E a voz é uma mulher e a voz é sedutora, mas a voz é estranha e por mais que ele converse com a voz não a consegue conhecer nem a reconhecer, nem ela se revela.

Esta voz leva-o a reflectir sobre a sua vida actual e passada e lembrar-se de um episódio traumático que lhe aconteceu nos Estados Unidos. Isto teoricamente funcionaria bastante bem como exploração da personagem, mas a forma corriqueira como está escrito torna todos os elementos bastante... Irrelevantes? Parece que o autor não quer realmente que nos preocupemos com os problemas de Tsuneo enquanto ele busca a solução para a voz. E, por isso, é difícil manter o interesse. Sim, está bem, fizeste coisas horríveis e tens uma vida chata. E depois?

Além disso, faltou explicar o que era, ou quem era, a voz desconhecida. Durante todo o livro o que mais me prendeu foi efectivamente "ela". Eu queria saber quem ela era e porque era uma voz e porque precisava de ser uma voz. Não me contaram e isso foi um desapontamento.

Não é um livro mau, leitura fácil e simples, mas também não foi nada de especial.

E, já agora, pergunta: porque é que todos os autores Japoneses têm de falar de sexo e ter os seus personagens com problemas e dúvidas sexuais? Haverá aqui algo latente?