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17.12.19

Eyes Wide Shut

Eyes Wide Shut
Stanley Kubrick
1999
Filme
8 em 10
Fomos ver uma reposição deste filme, em cópia restaurada, no cinema Nimas (onde, por acaso, nunca tinha ido. Gostei muito!)

Tom Cruise e Nicole Kidman protagonizam o mais complicado filme de Kubrick, no respeita à produção. Existem aspectos fantásticos neste campo (por exemplo, Nova York ter sido toda recriada em estúdio) mas neste comentário vou focar-me um pouco mais nas qualidades narrativas.

Um casal de classe alta, após uma festa de Natal, tem uma grande discussão sobre o que é o ciúme, o que é o amor e como este pode terminar através do mero pensamento. Depois disso, o homem perde-se na noite de Nova York e vai parar a uma misteriosa festa de sensualidade carnal. A sedução, o horror e o mistério perseguem-no até voltar a enfrentar a sua esposa.

É um filme curioso, nem tanto pelas cenas sexuais muito evidentes, mas por todo o ambiente de sonho que está presente durante todas as cenas. Acabamos por ficar na dúvida se a festa existiu na realidade, se era apenas uma fantasia, se o que foi visto era também uma fantasia. Todas as interacções com a personagem de Cruise são bizarras e este é sempre abordado com desejo, como se todo o filme fosse um teste à sua fidelidade enquanto que, no verdadeiro sonho, ele se sente realmente traído.

Um filme muito interessante e que certamente me ficará na memória.

1.9.16

Full Metal Jacket

Full Metal Jacket
Stanley Kubrick
Filme
1987
7 em 10

Primeiro filme das micro-férias. :) Já tinha tentado ver este filme uma vez, mas estava tão cansada que tive de ir dormir. Ficou em stand-by até esta altura.

Este é mais um filme sobre os horrores da guerra do Vietname. No entanto, não podemos dizer que seja "só" mais um filme. Porque, afinal, este trata do assunto com semelhante crueza e humor negro que nos mostra uma faceta completamente diferente sobre o tema.

Tudo começa no campo de treino para novos soldados. Lá, eles são atormentados por um sargento com contornos psicóticos, que os maltrata ao ponto de rotura. Será que acontecerá realmente essa rotura? Um dos cadetes é uma vítima especial e não está a conseguir lidar com a situação. As consequências disso irão ter repercussões naquele que se revelará ser o personagem principal.

Numa segunda parte, completamente distinta, seguimos esta pessoa pelo meio da guerra propriamente dita. Aqui, Joker (é o seu nome) é um correspondente de guerra. No entanto, seja da sua própria personalidade ou parte da lavagem cerebral que lhe infligiram enquanto cadete, o seu maior desejo é matar. "Nascido para matar" é o seu mote, para além do título do filme em português. Assim, ele procura encontrar os momentos mais perversos para relatar, fotografar e, eventualmente, neles participar activamente.

É um filme cheio de um humor pervertido que pode mesmo chegar a chocar quem não esteja preparado para o autor. Também é um filme que, através destes momentos, nos relata uma guerra pavorosa. Não precisa de mostrar nada de gráfico, nem pregar sustos nem dar a ver tragédias. O próprio ambiente do filme nos mostra aquilo que se passa e o quão loucas estavam todas estas pessoas.

Mais uma vez, Kubrick não desaponta.

10.8.16

Barry Lyndon

Barry Lyndon
 Stanley Kubrick
Filme
1975
7 em 10 
 

Como alguns saberão, os filmes de Stanley Kubrick vêm sofrendo uma remasterização e nova audição em cinemas de todo o mundo. Barry Lyndon veio a Portugal por alguns dias, no Cinema Ideal, e não podia deixar de ir ver. 

Primeiro, um comentário sobre este cinema, ao qual nunca tinha ido. É um cinema "à moda antiga", como já é raro de encontrar! Gostei muito. :) Só tem uma salinha pequenina, som stereo, com plateia e bancada, um barzinho e restaurante. Muito agradável!

Quanto ao filme, irei enumerar alguns aspectos que apenas reparei nesta segunda visualização. Primeiramente, a caracterização da época é muito mais irónica do que se poderia pensar. Patente nisto é o facto de todas as lutas, até mesmo batalhas entre exércitos, serem extremamente "organizadas", cheias de regras e protocolos que, na verdade, acabam por tornar tudo ligeiramente cómico (apesar de serem situações muito sérias),

É esta ironia no retratar da época que torna o filme único, sendo que desta vez me pareceu que todos os personagens trabalham para isso, numa adaptação fiel ao espírito do livro que a inspirou. Outro dado que me parece muito interessante é o detalhe no guarda roupa e na maquilhagem, que permite uma extrema expressividade nos momentos com menos luz. Recordemos que este filme foi todo gravado com luzes naturais, o que até aos dias de hoje continua a ser revolucionário.

Finalmente, reparei também que houve alguns minúsculos detalhes que ficaram descurados. Nomeadamente, violoncelos em vez de gambas e o facto dos livros que estas pessoas lêem serem todos velhos (na sua época deveriam ser novos, não?) Mas tudo isso é apenas para um olhar demasiado clínico. ;)

Aproveitem enquanto o filme está no cinema, porque vale realmente a pena. Esta versão remasterizada traz todo um novo detalhe em termos de cores e banda sonora que, até para quem nunca viu o filme, se torna numa experiência fantástica!

13.11.14

Dr. Strangelove

Dr. Strangelove or How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb
Stanley Kubrick
Filme
1964
8 em 10

Chegados a casa, vamos ver um filme. Mas a mim não me apetece nada de muito pesado, de muito pensativo, apetece-me algo um pouco mais simples. E, assim, colocámo-nos a ver o Doutor Estranhoamor. :)

Sátira enlouquecida daquilo que foi a Guerra Fria, este filme cria um cenário absurdo - a recordar muito o Catch-22 - em que uma catástrofe nuclear está iminente. E porquê? Porque um general paranóico com a mania dos fluídos corporais decidiu activar o Plano R, que implica que todos os aviões B-52 com bombas atómicas se desloquem até à Russia e as deixem cair lá.

Infelizmente o plano não pode ser parado, devido a uma série de regras impostas pelo próprio plano. Depois de uma conversa entre presidentes, ficamos a saber que para nossa desgraça a queda das bombas irá activar aquilo a que se chama "Dommsday Device". E vamos morrer todos :) Mas Dr. Strangelove tem a solução? E qual é...? Terão de ver o filme. :)

Todo o absurdo das situações, dos diálogos e dos personagens torna este filme uma experiência absolutamente hilariante. Está cheio de pequenos detalhes cheios de graça, completamente gargalhantes. E como está a preto e branco (segundo consta porque não havia dinheiro suficiente para o fazer a cores), tudo isto aparece com um certo ar negativista e gótico que não liga nada com a hilariedade das situações. Tornando-as ainda mais engraçadas!

Este filme não seria a mesma coisa se não fosse o actor Peter Sellers. Decorem este nome, pois foi das melhores performances - seja cinema ou teatro - que vi nos últimos tempos. Apesar de ser antiga, o trabalho de actor é sempre actual. O actor interpreta três personagens distintas, cada uma com as suas características. O general inglês, desesperado por salvar a situação, cheio de paciência. O presidente Americano, passivo-agressivo perante o seu equivalente russo. E o Dr. Strangelove, génio da ciência que tem a solução ideal para todas as coisas e uma mão independente que continua a gostar de fazer as saudações nazis. Cada personagem tem um trabalho corporal completamente diferente, não só nos movimentos mas também nas expressões e na voz. É verdadeiramente extraordinário.

Não me ria tanto num filme há muito tempo. Até o final (catastrófico) foi calmo, bonito e simpático. Porque se tudo pode correr mal, porque não?

Aparentemente este filme foi altamente criticado pelas esferas do governo americano na época, porque eles são paranóicos e não perceberam que o filme era a gozar com a situação toda. Agora, olhando para trás e considerando que estamos praticamente na mesma situação, o meu sentimento é: venha o holocausto nuclear. Vamos morrer todos de qualquer forma! =D

8.12.13

2001: Odisseia no Espaço

2001: Odisseia no Espaço
Stanley Kubrick
1968
Filme
10/10

Creio que nos quase três anos que compreendem este blog nunca dei a nota perfeita a um filme, manga, anime, o que quer que fosse. Esta é a primeira vez. Bem vindos.

Fui ver este filme ao cinema, nas Sessões Clássicas do El Corte Inglés. Sem dúvida um filme que ganha por ser visto no grande ecrã. Com Kubrick vamos viajar até ao espaço, no ano 2001 de uma era longínqua. O filme está dividido em três partes mais uma e, assim, falarei delas individualmente. Tentarei analisar o que se passa, mas confesso que a minha opinião está limitada. Porque eu não percebi bem o que se passou. Duvido que alguém o consiga fazer e, segundo li, o objectivo dos autores era precisamente que as pessoas saíssem da sala com muitas ideias a borbulhar na mente. Objectivo conseguido.

Tudo começa com uma visão da Lua, Terra e Sol, ordenados numa simbologia que pode representar o infinito. Adornada essa imagem com a música mais famosa do filme, "Assim Falava Zaratustra"de Strauss, podemos imaginar desde já a viagem épica que se prepara para se desenrolar diante dos nossos olhos.

Na primeira parte falamos da origem do Homem. Num lugar inóspito, talvez Africano, um grupo de humanos primordiais luta pela vida. Partilham o espaço com tapires e leopardos, vivendo muitos perigos no dia a dia, lutando pelos recursos essenciais. Estes homens do passado parecem-se muito com chimpanzés. Mas não são: são um grupo de pessoas com uma maquilhagem perfeita e fatos peludos que, numa coreografia selvática, reproduzem os movimentos selvagens daqueles que ainda não aprenderam a andar com duas patas. Um dia, acordam perante um estranho objecto. Um monolito negro, um paralelepípedo que apareceu à sua frente. Tocam-lhe e a partir daí descobrem aquilo que irá definir a humanidade: a capacidade de usar objectos como forma de destruição. Pareceu-me, então, que o Monolito (com maiúscula, porque ele é importante) deu ao Homem a capacidade de matar, a capacidade de destruir. Se isso nesta fase é uma ferramenta para a sobrevivência, será que se tornará em algo mais no futuro? O filme não volta a tocar este assunto de forma evidente, mas parece-me que a influência deste primeiro Monolito é fulcral para o que se passa no resto da história.

A segunda parte é já num futuro distante. Eles dizem "2001", o novo século, o novo milénio... Na altura em que o filme foi feito, isto é longínquo. Daí se poderem imaginar todas as coisas que vamos ver. Uma arrebatadora cena espacial em que vemos a viagem para a estação e para a Lua, ao som do Danúbio Azul, introduz esta secção. Começamos então a reparar nos efeitos especiais, de um avanço surpreendente para a época, com reprodução fiel de máquinas do imaginário da ficção científica nas suas melhores proporções e imagens paisagísticas do espaço. Nenhum som se ouve, apenas a música. Cada objecto é tratado com o máximo detalhe, a forma de andar dentro das naves sem gravidade, a maneira como se vai à casa de banho (com um livro de instruções), a funcionalidade da maquinaria... E tudo isto é normal para as pessoas que vivem neste filme. Uma viagem ao espaço é algo corriqueiro, como demonstrado pelo telefonema (com cartões de telefone!) feito para casa, para a terra. Ficamos a saber que algo estranho apareceu na Lua. Pois é. É outro Monolito. Aparenta ter sido enterrado propositadamente há quatro milhões de anos ali.

E passamos, dentro da mesma parte, para uma viagem a Júpiter. Como viremos a saber depois, o Monolito enviou para lá um sinal, por isso temos de lá ir para ver o que se passa. Será vida inteligente fora da Terra? Mais uma vez, os efeitos especiais são um primor. Impressionou-me sobretudo a cena em que Dave, o nosso astronauta, faz jogging a toda a volta da sua nave espacial. A toda a volta, virado de cabeça para baixo. Sei que isto em 2013 deve ser a coisa mais simples de se fazer no cinema. Mas nesta altura não havia computadores para nos ajudarem. Surpreendente. Fascinante. 

Esta nave espacial é conduzida por um super-computador de última geração: HAL 9000. Ele não passa de um olho vermelho omnipresente, uma luzinha como tantas, e de uma voz extremamente calma. No entanto, ele tem inteligência. Apesar de ser uma máquina, aparenta ter sentimentos humanos. Dave e Hal debatem diversos assuntos, até ao momento em que algo de errado se passa e o computador tem de ser desligado. Enceta-se então uma luta de homem vs máquina. Mas uma luta de um teor diferente. Neste filme não há um único momento de "acção", como gostam de lhes chamar, nenhuma luta épica corpo-a-corpo, nenhuma arma. É uma luta psicológica. Mas como travar uma luta psicológica contra algo que nem sequer é suposto ter emoções. É este debate, será que a máquina um dia ultrapassará o homem, que Kubrick quis demonstrar, com resultados impressionantes. Será que um dia a máquina será tão inteligente como o humano? Será que estamos a criar emoções artificialmente a ponto de um dia elas nos poderem dominar? Estas questões já foram abordadas numa série de filmes mas, mais uma vez, relembremos a altura em que isto foi feito: era uma questão relevante, com o desenvolvimento da tecnologia. E continua a ser, cada vez mais, porque se já temos concertos da Hatsune Miku o que faltará para criarmos o HAL 9000 e ele nos tentar destruir?

Dave, o astronauta, termina sozinho no caminho até Júpiter. Não faltava muito para lá chegar, mas agora ele está completamente só. Para Júpiter e para Além Disso é a terceira parte do filme. E é uma verdadeira festa visual. Vale a pena tomar uns psicotrópicos só para ver esta cena final, pois tudo o que vimos até agora vira-se e deixa de ser verdade. Ou ainda é mais verdade, tudo depende da perspectiva. Em Júpiter, Dave encontra Monolitos, uma data deles. E eu acho (eu acho) que ele entra dentro de um. Lá dentro observamos uma cena extremamente bizarra, o nosso herói a envelhecer sem sequer dar por isso, a envelhecer e a morrer, observado pelo Monolito. Nessa intensa viagem, a minha conclusão é que ele morreu e renasceu como o primeiro Monolito que foi parar à Terra, o que os macacos viram. O que me leva a concluir que tudo é um ciclo e que são os homens do futuro a ensinar os do passado, repetitivamente, até não precisarmos mais da acção do Monolito.

Agora, é ele uma entidade extra-terrestre? Eu creio que não. Acredito que ele não é um elemento físico, que existe, mas sim uma representação da evolução do ser humano, não uma força exterior mas sim algo que vem de dentro. Pois a mudança terá de vir de dentro.

Este filme é o epítomo dos efeitos especiais. Da banda sonora. Da realização. Cheio de detalhes deliciosos, tenebrosos, é um filme que enerva, que assusta, que perturba. Que faz pensar. Sem nunca mostrar sangue, lutas, todas essas coisas que povoam os filmes de agora. Um conjunto de cenas abismais, o épico discreto, o épico que o é sem o tentar. 

Foi a minha primeira nota perfeita desde que tenho o blog e sim, vale a pena. Vejam-no assim que tiverem a oportunidade. Aproveitem o facto de estar no cinema. É uma viagem ao espaço que não tem retorno. Ninguém fica a mesma pessoa depois de fazer a Odisseia no Espaço.

3.6.12

Barry Lyndon

Barry Lyndon
Stanley Kubrick
Filme
1975
7 em 10

Ok, depois de ver este filme ardem-me os olhos. Foram quase três horas a olhar para a televisão, com uns breves intervalos para um xixi, para encher o copo com água, para comer açúcar e controlar um ataque de soluços e para comer o meu lanche. A sério, está-me a ser difícil olhar para o ecrã agora. Deveria descansar, mas eu não sei fazer coisas que não exijam usar os olhos...

Mas, bem, foram quase três horas muito bem passadas. Barry Lyndon é um filme lindíssimo e só por isso vale a pena. A dedicação que foi dada a esta peça do cinema vale por tudo.

É a história sobre a ascensão e queda de Barry Lyndon, um jovem labrego irlandês que após muitas reviravoltas acaba casado com uma mulher riquíssima e muito bem vestida. Andou na guerra, tornou-se croupier de mesa de jogo, virou lascivo e conquistador, virou bom pai e depois acaba só e infeliz. O filme, dividido em duas partes, detalha todos os passos definitivos do personagem, que evolui de forma graciosa e demonstra um cartel completo de emoções, com interpretação bastante boa mas um pouco indiferente. O texto tem os seus momentos irónicos, o que torna o filme um pouco mais fácil de digerir. É um pequeno "twist" Kubrickiano e torna o filme único.

O que faz este filme distinguir-se são as imagens. Kubrick revolucionou um pouco o cinema com este filme ao usar uma nova raça de lentes para filmar cenas apenas com luz natural, e o resultado é maravilhoso. As paisagens aparecem com uma fotografia clara e bela, que nos transporta imediatamente para lá. Os interiores estão decorados de forma riquíssima e as roupas, segundo consta, foram feitas exactamente nos conformes da época (o que é bastante difícil e dispendioso). Todo o ambiente é um luxo e nenhum detalhe é esquecido.

A música é detalhada e bastante divertida, o que adiciona aos pequenos momentos do texto.

Pena que seja tão longo, ou estaria pronta a recomendá-lo a toda a gente. Assim, fiquemos por coisas mais fáceis, como o mais recente Maria Antonieta.