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4.6.14

Os Olhos de Tirésias

Os Olhos de Tirésias
Cristina Drios
2013
Romance

Livro que estava ansiosa de receber, de tanto ouvir falar dele no BookCrossing! Fiquei com uma opinião muito dividida... Por um lado gostei, por outro houve algo que não me chamou.

É uma história da primeira guerra mundial, contada pelos olhos do avô Mateus Mateus, avô da narradora que ela nunca conheceu. A primeira parte fala da vida de Mateus Mateus e dos outros personagens antes de chegarem à guerra, intercalado com alguns momentos de autocontemplação do soldado, depois de idoso, e com a aventura da narradora em escrever o livro. Isto leva-me à primeira questão: quem é a narradora? É simplesmente uma anónima ou é a própria autora do livro? Se for a própria autora, não sei se me sinto muito confortável em ler palavras tão íntimas sobre a construção do livro e acho que ela se devia ter distanciado da história. Se for anónima, as suas páginas são bastante refrescantes. Com esta dúvida, uma razão para me sentir dividida. Noutro aspecto, achei que intercalar a narrativa de Mateus Mateus com imagens dos outros personagens acabou por ter um efeito um pouco confuso. Imaginemos que eu não tinha lido a contracapa. Não saberia que todas essas pessoas são personagens da mesma história. A maneira de se encontrarem parece casual e a sua influência na vida do principal parece muito vaga. Seria assim tão importante falar tanto do passado deles?

Numa segunda parte, acompanhamos a breve visita destas pessoas a um sanatório onde, por métodos freudianos, um médico alemão tenta fazer espionagem. Porque Mateus Mateus e o seu companheiro inglês têm a capacidade de ver o futuro! O sofrimento que esta habilidade causa está bastante bem explorado e é muito interessante, mas gostaria de ter visto este misterioso poder mais vezes em acção. Achei que esta parte da história, em que todos os personagens estão juntos, podia ter sido mais longa e mais detalhada, com mais aventuras diárias, sem apenas referir os grandes pontos de viragem. Mas assim também gostei bastante.

Terceira parte é conclusão, em que os personagens do futuro se ligam aos do passado e a narradora consegue completar o livro. A inclusão do personagem do Messias pareceu-me muito escusada, parecia estar ali só por estar. Não teve influência nem numa história nem noutra e, nesta parte, a observação da vida diária não me parecia assim tão importante.

O que mais gostei foi a imagem dada da guerra. Tomando por referência os poucos livros que li sobre ela, pareceu-me muito vívida e realista, caracterizando muito bem o terror vivido naquela época.

À superfície gostei imenso, li-o num instante. Mas se for analisar bem a fundo, existem algumas coisas que acho que poderiam ter sido diferentes... Agora, irei ler as opiniões do resto do pessoal para saber se sou a única com este sentimento. :)

15.7.13

A Oeste Nada de Novo

A Oeste Nada de Novo
Erich Maria Remarque
1929
Romance

Livro que li na viagem para o Central Comics Con e durante o próprio evento, enquanto esperava pelo concurso.

É um clássico intemporal, que comprei por acaso porque tinha um desconto (leve 3 pague 2 + 10%) no site da Saída de Emergência. Estava em falta, este clássico, por isso ainda bem que o li. Durante toda a leitura estava um pouco aborrecida, porque o livro só falava sobre a guerra.

E é essencialmente isso o livro. O narrador, Paul Bäumer, é um soldado nas trincheiras da Primeira Guerra Mundial. Ele fala sobre a vida nas trincheiras e há momentos em que filosofa um pouco sobre a vida e sobre a guerra.

As descrições são brutais e objectivas: os soldados deixam de ter sentimentos, são apenas máquinas programadas para fazer a guerra. É essa despersonificação do soldado que impressiona mais nesta narrativa. O livro está muito bem escrito e quase sentimos os horrores que eles vivem (que para eles não são horrores, mas apenas a vida tal como ela é), as dores e os cheiros. O que me impressionou mais foi quando um dos soldados foi tentar salvar um cão mensageiro e quando foram atacados por ratazanas nas trincheiras.

No final, não há bons nem maus. O livro não analisa quem é o verdadeiro vencedor da guerra nem as suas causas. Ele não fala do "inimigo". Diz sempre "aqueles" ou "os outros". Demonstra como a guerra é uma coisa verdadeiramente feia, apesar de a adorarmos nos jogos de computador ou quando são outros países a fazê-la, a ponto de toda a gente delirar quando aparecem pessoas a morrer em directo na têvê.

Impressionou-me de sobremaneira, apesar de não ter gostado por aí além. Mas não é preciso gostar-se para se recomendar.