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12.4.16

O Livro do Desassossego

Livro do Desassossego
Bernardo Soares
Anos 10-30
Crónicas

Fernando Pessoa é um dos ícones da cultura literária Portuguesa, mas sobretudo um ícone da sua culutra Pop. Por todo o lado vemos o seu bigode e os seus óculos redondinhos, que popularizou mesmo antes do rapaz com o raio na testa. Ora, talvez essa iconicidade tenha uma razão de ser para além da genialidade dos seus poemas. É que Fernando Pessoa também escreveu prosa e a maioria encontra-se reunida sob o nome de outra pessoa: Bernardo Soares.

Mas Bernardo Soares não é um heterónimo puro, mais uma das personalidades desviantes de uma Pessoa de Fernando. Na verdade, Fernando assinava muitas vezes em conjunto com ele. Assim, poderíamos depreender que Soares é apenas um nome que Fernando usou para dizer coisas que achava sobre a vida e que lhe apeteciam. Mas eu espero bem que não.

Porque Bernardo Soares escreve tal e qual uma miúda hipster de meados de anos 2000.

Os seus assuntos grassam sobre temas tão relevantes como "sou feio", "estou triste", "não tenho amigos". Todas as suas frases dão grandes citações quando tiradas do contexto. E é nisso que este livro se torna: um livro de citações sobre a decrepitude da vida, tal qual como seria vista por uma rapariguinha inadaptada na sua escolinha.

Esta amálgama de citações acaba por não nos levar a lado nenhum, já que as opiniões que Soares prega sobre o mundo são completamente destituídas de maturidade e, consequentemente, de interesse. Não revelam nada sobre os usos e costumes da sua época, não descrevem qualquer tipo de paisagem urbana, o que teria muito interesse (já que se trataria da cidade de Lisboa), referem a passagem do tempo como uma tortura mental por ser sempre igual e sempre igualmente deprimente.

Portanto, este livro irritou-me de sobremaneira. Portanto, adeus.

26.10.13

O Amor Infinito Que Te Tenho

O Amor Infinito Que Te Tenho e Outras Histórias
Paulo Monteiro
2010
Banda Desenhada
Como vim a adquirir este livrinho, este álbum, merece uma explicação. Quando fomos à Kingpin descontar o prémio que tínhamos recebido no concurso de skits de cosplay do Anifest, podia ter comprado manga. Até havia um volume de uma colecção que estou a fazer (mais ou menos). Mas então olhei para a secção de BD portuguesa. E pensei... "Porque não?" Eu nunca tinha lido BD da nossa terra, li muito pouca BD no geral, não sei nada sobre isto. Assim, este comentário não tem uma avaliação numeral, uma classificação de 0 a 10, porque não sei como o classificar, não tenho muitos termos de comparação nem sei medir a qualidade de uma BD tão diferente do formato Manga a que estou habituada. Entendam, portanto, este comentário como uma opinião mais pessoal e objectiva do que o habitual.

Este álbum contém um conjunto de histórias curtas do prolífico e multi-facetado autor Paulo Monteiro, que aparenta ter feito de tudo um pouco ao longo da vida. São histórias muito íntimas em que o autor revela com muita sensibilidade uma parte integrante dos seus sentimentos e da sua vida, em que se revela sem pudor e sem vergonha da opinião alheia.

A narrativa é muito simples e muito poética, cada história é quase um poema ilustrado. O conteúdo é forte e arrepiante. Isto é valorizado pelo desenho, simples, de traços fortes, muitas vezes negro, uma viagem ao íntimo do homem, cheio de solidão e miséria.

As minhas histórias preferidas foram as duas primeiras.

Estou em dúvida se hei-de oferecer este pequeno livro a um apreciador de BD que eu conheço muito bem ou se apenas o empresto ou o quê... Mas acho que estou rendida à BD nacional. Tenho mais um álbum que comprei com o prémio para ler e aí decidirei se passarei a investir aqui ou não! De qualquer forma, este foi um achado maravilhoso.