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23.9.16

Contos da Montanha

Contos da Montanha
Miguel Torga
1944
Contos

Com este autor, comecei tudo ao contrário. Havendo lido a sequela, encontrei-me agora a ler os originais "Contos da Montanha". Gostei ainda mais que do segundo livro!

São contos sobre as pessoas que vivem no interior rural das regiões montanhosas de Portugal. Isto signiica que estas pessoas vêm o mundo de uma forma um pouco distinta, sendo que há nesta escrita toda uma força quase nacionalista (mas nunca fascista), na medida em que as pessoas aqui retratadas poderiam representar a pureza do povo trabalhador.

São pessoas religiosas, que muito trabalham, mas que também têm muitas emoções diversas e, por vezes, surpreendentes. Os meus contos preferidos (já não recordo os nomes), foram os da criança que esperava uma prenda de Natal, o da senhora que pôs um casaquinho na estátua do santo e a do homem que matou a mulher.

Entre muitos outros, claro, porque temos uma colecção de 23 contos (o que é bastante, apesar de todos serem bastante curtos)

A escrita é intrincada e cheia de tradicionalismos que poderão ser difíceis de compreender à primeira. Mas a partir do momento em que nos engrenamos na leitura, tudo se torna absolutamente evidente.

Mais uma vez, Miguel Torga não desaponta. Sinto-me tentada a maratonar toda a sua obra. :)

12.4.16

Prosa Crítica e Ensaística

Prosa Crítica e Ensaística
Fernando Pessoa
Anos 10 - 30
Crónica

Dizia eu há uns minutos que se calhar prosa não é o forte do nosso amigo Fernando. Mas veio-se a revelar muito rápido que essa afirmação é uma mentira! Porque este livro de críticas e ensaios curtos, crónicas (por assim dizer) é um regalo para mente!

Aqui, Pessoa discorre sobre os mais diversos assuntos que atormentam a sua alma crítica. Fala de todo o tipo de assunto, da literatura ao funcionamento dos eléctricos, passando por contemplações sobre a natureza feminina e o estado do tempo. E faz isto com tanta acidez e humor que uma pessoa até ganha uma úlcera no duodeno de tanto mostrar os dentes.

"Um crítico de segunda ordem tem, por natureza, tanto poder de teorizar como uma tainha ou um caracol". Espero eu não ser uma comentadora de segunda ordem, porque não quero ser tainha! Embora não me importasse de ser caracol... Enfim, uma pequena frase para ficarem com uma ideia da forma como Pessoa trata dos seus combates pessoais.

É desta feita que finalmente conhecemos um pouco mais de Lisboa destes anos, não através de puras descrições do ambiente, mas sobretudo através das pessoas que nele vivem e que o autor nos mostra a pouco e pouco nos seus comentários. Talvez a parte que tenha gostado menos tenha sido o prolongado ensaio sobre os direitos e deveres das criaturas fêmea, que estão brutalmente desactualizados e revelam uma natureza muito pouco didática sobre o assunto, revelando que Pessoa - apesar de escrever muito bem - não sabia grande coisa sobre o assunto.

Gostei deste livrinho! Será libertado ao vento, sob o jugo do BookCrossing!

O Vale da Paixão

O Vale da Paixão
Lídia Jorge
1998
Romance

O primeiro livro que li desta autora não me agradou muito... Mas este superou plenamente as minhas expectativas!

Esta narrativa está localizada num enorme casarão numa ladeia perto de Sagres. O dono desta velha casa, também ele velho, tem vários filhos mas um deles é do piorio: anda sempre a vagabundear e acaba por engravidar uma rapariga. E a história é narrada pela filha destes, sendo que para ela o pai é o "tio" e o seu tio acaba por se tornar o verdadeiro "pai". Mas o personagem principal é, realmente, este homem que anda sempre em viagem, livre como um pássaro, como os pássaros que desenha nas suas cartas vindas de todo o mundo.

Pelos olhos desta menina, depois mulher, vemos o que causa a ausência deste pai, seguida da partida de (quase) todos os irmãos, deixando uma unidade familiar sozinha numa enorme casa sem sentido e sem caminhos, tão grande que se conseguem distinguir as pessoas pelo som dos seus passos. Mais do que um drama de família, este é um relato da vivência de um grupo de pessoas perante condições inabaláveis e que tanto afectaram (e afectam) os mais variados grupos de pessoas neste país. 

O tema central é sempre a solidão.

Escrito com mestria, a narradora conta-nos a história de seu "tio" e da sua família misturada com as suas próprias aventuras. Assistimos ao seu crescimento, de criança ignorada a única pessoa presente, através de palavras escolhidas com toda a certeza, mas também com toda a delicadeza própria de uma escrita eminentemente feminina.

Um livro claro e brilhante.

25.3.16

O Hábito Faz o Monstro

O Hábito Faz o Monstro
Lucas Almeida
Banda Desenhada
2012

Quando estive no AmadoraBD do passado ano, passei no stand da Chili com Carne para comprar um livro que tinha há muito na mira. Qual não foi a minha surpresa quando o barbudo rapaz da banca (que acredito ser o MMMNNNRRRGGG, mente brilhante desta editora) insiste em oferecer-me este volume! Que alegria! =D

Então, o que dizer desta simpática oferta? :) Confesso que ao início me foi um pouco difícil entrar no ritmo: para mim o obstáculo era a arte. Para ser honesta, não faz "o meu tipo" e estes desenhos um pouco grotescos estavam a fazer-me confusão. Mas acabei por me habituar e, nesse momento, pude aproveitar esta experiência hilariante e perfeitamente insana, uma exploração do significado do amor e dos monstros do amor sob uma perspectiva bem-humorada e muito jovem.

Este livro é uma colectânea de trabalhos editados em zines ao longo de 10 anos. Nota-se uma evolução estilística em alguns elementos, o que torna a experiência muito satisfatória, mas o que mais me agradou foi mesmo o sentido de humor ácido e absurdo que povoa estas páginas de traços a preto-e-branco, qual esferográfica sobre guardanapo.

O texto em si também é muito curioso, embora não tenha apreciado que grande parte dos momentos mais intensos sejam citações de outros autores.

Mas gostei imenso deste livrinho e vou guardá-lo como objecto precioso! Obrigada, MNRG (resumindo um pouco o nome), foi um gesto mesmo muito e super e mesmo simpático! =D

20.9.15

Casulo

Casulo
André Oliveira com Vários Artistas
2015
Banda Desenhada

Como estou a tentar manter-me a par com as novidades da BD portuguesa, comprei este album quando foi lançado, no Anicomics deste ano 2015. Trata-se de um livro curioso, numa edição luxuosa de capa dura e páginas brilhantes e cheirosas, um conjunto de curtas de BD de um senhor chamado André Oliveira com colaboração de uma miríade de artistas.

São histórias muito pequeninas, duas páginas a maioria, quatro se tanto, que falam de pequenas coisas mais ou menos boas que acontecem na vida. Também com um forte elemento de crítica social, este autor tem a arte de colocar em poucas palavras (e poucos desenhos) momentos muito significativos da vida diária das pessoas.

A arte varia muito de história para história, mas devo dizer que os meus momentos visuais preferidos foram nas histórias (três histórias) dedicadas ao Natal. De resto, em termos narrativos, fiquei de sobremaneira impressionada com "Silêncio" e com a que vem imediatamente a seguir, que me tocaram profundamente. Os pequenos relatos de viagem não me tocaram como, talvez, seria pretendido.

De uma forma ou de outra, este é um argumentista para manter no radar. Embora não tão poético como eu, pessoalmente, prefiro, tem um olho clínico para observar o dia a dia e isso é, sem dúvida, admirável.


10.9.15

Todos os Dias São Meus

Todos os Dias São Meus
Ana Saragoça
2012
Romance

Foi-me emprestado por uma amiga do BookCrossing e.... A autora também é uma amiga do BookCrossing! Fico muito feliz por conhecer uma autora. :) Na verdade, estava com algum medo de ler os livros dela e de não gostar, porque depois teria de o dizer aqui e seria muito desagradável... Mas na realidade gostei imenso deste curtíssimo romance, que li de fio a pavio numa viagem de autocarro. =D

Este livro conta a história de um assassinato. Uma rapariga é encontrada morta no elevador de um prédio e a polícia interroga todos os seus habitantes de forma a obter informações que os levem ao assassino. Assim, há uma sucessão muito rápida de narrativas de pessoas muito diferentes, cada um deles escrito de forma única. Intercalado com isto está uma espécie de "diário" da vítima, que também tem uma voz muito presente na história.

Assim, temos um desenvolvimento desta personagem muito coerente e interessante, uma caracterização e uma pessoa inadaptada na vida moderna com a qual me identifiquei bastante. A pessoa que todos acham apagada e desinteressante tem muito mais que se lhe diga, o que é verdadeiramente surpreendente. Também o é o final, que ao início me pareceu um pouco previsível mas que, lá chegada, me espantou bastante de maneira positiva.
 
Cada uma das personagens acaba também por caracterizar um pouco das "personagens" que vivem numa grande cidade no hoje em dia, apesar de poderem cair um pouco no estereótipo. De qualquer forma, as suas visões da vida são muito engraçadas.
 
É um livro simples e rápido, cheio de humor e um sarcasmo delicioso. Ansiosa por ler o outro livro da autora, que também me emprestaram! :)

15.7.15

Sepulturas dos Pais

Sepulturas dos Pais
David Soares & André Coelho
2014
Banda Desenhada

Como sabem, David Soares é um dos meus autores portugueses preferidos. Ao surgir a oportunidade de comprar este novo volume de BD no Anicomics, não a perdi e adquiri-o imediatamente. Revelou-se, como sempre e mais uma vez, uma obra surpreendente, cheia de magia e de horror.

Borges é um homem que vive sozinho numa praia e que, durante a infância, descobriu os segredos da areia. A areia tem magia, a areia quer unir-se ao mar, a reunião dos pais com as mães, a reunião das sepulturas. Ele ensina este segredo a Janeiro, uma jovem desiquilibrada que só pensa em sexuar com dois homens desconhecidos.

Assim, temos um livro muito gráfico no respeitante aos temas sexuais, que são todos brutais, horríficos, nojentos. Mas isso é largamente compensado pelos momentos da areia, os momentos maravilhosos, os momentos em que há amor e em que se criam novas figuras e imagens, altamente detalhadas, de criaturas míticas que só existem na imaginação de quem está só.

O desenlace é triste, mas de certa forma impressionante: os poderes da areia mantêm-se e nada os poderá deter. A destruição aproxima-se. Uma nova sepultura será criada.

Mais uma vez, um livro interessantíssimo, impressionante e arrepiante. Recomendo vivamente.

8.5.14

Heroína

Heroína
Helena Duque
2014
Romance

Livro para o qual me inscrevi no BookCrossing, pois gosto sempre de dar a oportunidade a literatura portuguesa. Sobretudo quando é de novos autores! Assim, vou enviar este comentário à autora... Poderá ser negativo por vezes, mas tento sempre ser construtiva. E a verdade é que gostei bastante do livro.

É um romance, daqueles de amor, vivido por uma rapariga jovem numa actualidade com que todos nós nos podemos relacionar. Acho isto o ponto mais importante do livro, o facto de falar de problemas muito próximos de nós. A dificuldade em arranjar um emprego, em manter uma relação estável, as dúvidas, os vícios, tudo isso está muito bem explorado. Descrito de maneira lírica e delicada, o livro prende-nos até ao fim devido às características de Maria Alice, a personagem principal. É uma rapariga muito real, com as suas inseguranças e num estado de depressão subdiagnosticada que lhe dá uma profundidade bastante palpável.

O mistério de Ricardo também está bem concebido, mantendo-se mesmo até ao final (apesar das tristes consequências)

Isto é, na sua génese é um livro muito bom, com uma grande carga emocional e trágica. No entanto, há alguns detalhes a apontar, que poderiam ser prevenidos com uma atenta revisão editorial (que, segundo consta, a editora Chiado não faz). Comecemos pela semântica: a utilização das palavras está muito limitada e o vocabulário acaba por se tornar repetitivo, assim como o mau uso da pontuação e algumas gralhas. Outra coisa que se nota é que a autora é uma menina (da categoria das pequeninas, isto é, com muito espaço para aprender :) ), pois há uma insistência fragrante em detalhes que não interessam. A descrição dos corpos dos homens, parece revelar uma preferência por esse tipo de homem musculado e bem-tratado. A personagem está sempre a fumar. Isto é natural para um fumador, mas a verdade é que um fumador não racionaliza sobre todos os cigarros que fuma ao longo do dia. Muito menos pensa "vou fumar este veneno podre". Também ninguém bebe uma garrafa de vinho branco todas as noites e acorda toda contente para se ir maquilhar no dia seguinte. Pobre fígado da Maria Alice! E, falando em maquilhar, porquê descrever todas as roupas que todos usam? "Vesti-me assim e assim" só é importante quando a roupa é importante para a história e, durante todo o livro, só houve um único momento em que estar vestido ou nu seria relevante.

Para além disso há alguns erros de lógica que também não passariam numa revisão. Por exemplo, "não sei quantos cigarros fumei, mas o maço estava a meio e acabei-o". Ora, se o maço estava a meio tinha 10 cigarros. Portanto, ela sabe que fumou 10 cigarros. A menos que fosse tabaco de enrolar. :>

No entanto, vejo aqui bastante potencial, que ainda requer um pouco mais de polimento (muita leitura e muita escrita) para ser uma grande obra de arte. Verdade seja dita, adorei o livro e li-o de uma ponta à outra. Fiquei com muita pena da personagem no final, mas espero que a vida continue. :)

2.12.13

Demência

Demência
Célia Correia Loureiro
2011
Romance

Esta é uma nova autora, que estava alinhavada para ir à convenção do BookCrossing e depois não pôde. Ainda assim, aproveitei a oportunidade de ler um livro dela. Sem dúvida um livro interessante.

Fala sobre diversas coisas, nomeadamente: o alzheimer; a violência doméstica; o isolamento nas aldeias de Portugal. E para falar disso existem diversos personagens. São interessantes, vivos, com um passado muito presente, por vezes até limitativo nas opções que fazem durante a narrativa. Esta poderia ser mais polida. Existem muitos flashbacks, tanto assinalados com a data como aleatórios no meio do texto, que são um pouco confusos e me parecem ligeiramente desnecessários. Por exemplo, acho que a narração dos episódios de violência da parte de Fernando poderia ter sido mais resumida, apesar de trazer mais horror à realidade de Letícia. Da mesma forma, não achei necessária a descrição da infância de Olímpia.

O livro está bem escrito, mas aparenta não ter sofrido qualquer tipo de revisão editorial. Existem alguns erros de lógica e de descrição. Uma pessoa que conheço no BookCrossing referiu alguns, mas o que me fez mais impressão foi o Pulitzer. É só para autores de língua inglesa, por isso Sebastião não o poderia ter ganho... A descrição dos momentos também é um pouco exagerada. Não precisamos de saber com exactidão a posição da cabeça das pessoas.

Ainda assim, uma leitura muito interessante, devido aos temas actuais que são discutidos. Sem dúvida uma autora para experimentar de novo.

Nota: quando levei o livro para o Porto, ele estragou-se. ;_; Rasgou-se uma pontinha do lado esquerdo, junto à lombada. Que triste que fiquei...... ;____________;

31.10.13

Palmas para o Esquilo

Palmas para o Esquilo
David Soares e Pedro Serpa
2013
Banda Desenhada

Juntamente com O Amor Infinito Que Te Tenho, trouxe este álbum com o prémio do concurso de cosplay. Escolhi-o porque tinha sido lançado há pouco tempo e tinha ouvido falar muito dele no Facebook. Ao folheá-lo, não me senti muito motivada quanto aos desenhos, mas achei por bem experimentar na mesma. Quando finalmente o abri hoje ao almoço, descobri que o texto é do autor d'O Envagelho do Enforcado, livro que adorei! Logo logo fiquei mais motivada para o ler, sim sim!

Ora bem, esta obra deixou-me um pouco dividida. A história é fascinante. Um homem louco tenta enfrentar a sua loucura, sendo para o leitor difícil distinguir o que é real e o que é imaginação. Toda a loucura está povoada de esquilos, momentos baseados em experiências da infância do personagem, que terão sido fortes o suficiente para o levar ao ponto em que está no presente.

A narrativa da história é bastante simples, mas existem alguns "comentários", que eu não percebi se eram apenas comentários internos do autor ou a perspectiva do personagem, que explicam - de alguma forma - a situação de desespero em que se encontram. Foram estes que me deixaram de pé atrás. Sinceramente, acho que este tipo de linguagem é mais apropriada a um romance, isto é, a uma narrativa longa em que as palavras se juntam em frases maiores e em parágrafos e, assim, passam desapercebidas. A força das palavras acaba por se perder no uso de termos demasiado rebuscados (confesso que alguns não sei o significado), e perdi um pouco a concentração na observação da história por causa deles. Acho que esta narrativa funcionaria perfeitamente num conto, em algo que fosse apenas texto, sem desenhos, mas desta forma perdi um pouco o ritmo. Não sei se isto é bom ou mau, porque de banda desenhada conheço tão pouco e, portanto, não tenho termo de comparação.

Quanto aos desenhos, se ao início não me atraiam, no final entranharam-se. Parecem simples, mas têm um detalhe tão profundo como discreto, uma utilização fascinante de perspectivas e cores que nos causam um sentimento de imersão do qual não é possível sair até terminar o álbum.

No final, é uma história sobre a vida, sobre a perspectiva de uma vida, desesperante porque não a podemos salvar, comovente e arrepiante.

Acho que estou convertida à banda desenhada portuguesa! Venham daí recomendações!

26.10.13

Todas as Cores do Vento

Todas as Cores do Vento
Miguel Miranda
2012
Romance
Boa tarde. Encontro-me num quarto de hotel no Porto, a propósito da minha pós-graduação. Enfim, terminei de ler este livro no comboio alfa-pendular das sete da manhã. Decidi evitar os hostels a partir de agora, porque não consigo dormir e eu preciso mesmo de dormir. Não mais gemidos estranhos na cama de baixo!

Enfim, este livro é de um dos autores que esteve na Convenção do BookCrossing. Quando vi que no site alguém tinha acabado de o ler, insinuei-me para que mo emprestassem e.... Esta pessoa é mesmo uma querida, e possivelmente a que faz as actividades mais fofas do fórum, por isso em breve me chegou!

Esava com uma expectativa muito grande, porque o discurso do autor foi verdadeiramente apaixonante, mas devo confessar que me desapontou um pouco. A história e os personagens são muito interessantes e originais, num resultado muito engraçado de encontros, desencontros e mal-entendidos. O desenvolvimento do personagem principal é patente e fascinante, passando de poeta paranóico a pessoa independente e cheia de sucesso a partir de uma atitude que ele provavelmente não teria imaginado para si próprio.

No entanto, a forma de escrever pareceu-me exagerada e pouco adequada. Existem muitas palavras estranhas que parecem estar ali só por estar e a repetição de alguns conceitos exagerada, provavelmente devido a acidente (nomeadamente, a palavra "abjecto").

Ainda assim a história é muito engraçada e é um autor que vale a pena ler.

26.5.13

Necromancia

Destino do Universo - Necromancia
Frederico Duarte
2008
Fantasia

Eis que também recebi o segundo volume da saga Destino do Universo, que se tinha iniciado com Avatar. Terminei de o ler ao pé de uma fonte em Tibães, a apanhar sol, enquanto ouvia os ensaios da orquestra para o Fairy Queen. Foi muito agradável.

E confesso que estava errada em relação ao autor. Afinal ele consegue escrever coisas divertidas. Este livro é bastante superior ao primeiro volume. E eu acho que é devido ao facto de grande parte da acção se passar no "mundo real", a Terra, e das interacções entre pessoas mágicas e não-mágicas. Também por estarem dragões a atacar o Colombo.

As cenas de acção continuam a ser muito abundantes, mas desta vez pareceram-me um pouco mais claras e menos aborrecidas, excepto as lutas finais. O livro deixa vontade de um terceiro volume, porque termina de uma forma muito aberta, mas creio que não existe?

E uma constatação fascinante. Sinto-me idiota por não ter percebido antes. Um dos personagens é um self-insert (auto-inserção)! Vejam comigo Frederico (Duarte) ---> Fred ---> Fredisson !!! E a mulher do Frederico, autor, chama-se Ana. E a mulher do Fredisson chama-se Annya. Apesar de o autor se ter dado um grande poder, acho que ambos os personagens e a sua relação são os que estão melhor desenvolvidos e os mais realistas, o que é claramente devido ao facto de se basearem em pessoas e factos reais. Ainda assim o autor não exagerou em os tornar Mary Sues e Gary Stus e acho isso bastante bom.

Descobri uma página no Facebook. Vou Gostar dela a ver se recebo novidades sobre um terceiro volume, um dia destes. :3

10.5.13

O Hóspede de Job

O Hóspede de Job
José Cardoso Pires
1963
Romance

Quando vi este livro preparado para viajar, pensei que não o queria. Pensando duas vezes, e vendo que ninguém se candidatava a lê-lo, achei que era melhor ler algo deste autor, do qual já tinha ouvido falar. E na realidade tanto ouvi falar que já tinha lido dele "A Balada da Praia dos Cães" (até tem uma história gira que me aconteceu com ele, se quiserem ouvir)

Este livro não conta exactamente uma história. É mais um retrato de uma situação. Uma situação cruel, de um calor insuportável, relacionada com soldados e com a pobreza. Pois bem, eu não me relaciono muito bem com isto, pois nasci numa outra época em que - havendo crise económica - não tenho a guerra ao pé de mim (e ainda bem). O livro faz um retrato excelente, muito doloroso mas muito preciso, mas confesso que não identifico a situação. Nem consigo identificar a era em que este livro é passado, se bem que suponho que seja algures entre os anos 40 e 60.

O autor faz uso de muitas palavras especificamente portuguesas, palavras intraduzíveis e típicas da região em que o livro toma forma. Assim, é uma leitura um pouco densa ao início, pois há palavras que eu já tinha lido mas que nunca ouvi ninguém a dizer. Problema meu, que sou uma pessoa de medula urbana.

De uma forma ou de outra, considero um livro excelente e em tudo superior ao que me recordo da "Balada da Praia dos Cães" (que também é um livro muito diferente) Não irei activamente procurar mais deste autor para ler, mas se voltar a aparecer irei dar-lhe outra olhadela, pois é um escritor valoroso.

9.5.13

Avatar

Destino do Universo - Avatar
Frederico Duarte
2007
Fantasia

Já vou no segundo saco dos livros que ganhei naquele concurso de quem escreve mais palavras produzido pela Nanothron. E o segundo saco também é de livros, todos eles, de terror e fantasia. E aqui está mais um.

Este é sobre uma miúda, que se chama Alexandra mas que toda a gente chama de Alexis (e não Xana, como seria de esperar). É transportada para um universo onde há montes de bichos esquisitos e magia. Descobre-se que ela é um Avatar, pessoa com toda a magia, e tem de lutar contra Adina, que é uma necromante que quer dominar o mundo.

O que me leva à primeira questão, que se estende a toda a obra de fantasia: porque é que quem quer dominar o mundo é sempre mau? Não sabem se Adina até é uma pessoa justa com boas políticas face à austeridade. Não a deixam! Se calhar da perspectiva dos que querem dominar o mundo, os que se estão a defender é que são os maus!

Adiante.

O livro resume-se a:

1. Alexandra chega a Nova
2. Alexandra tem de ir de ponto A para ponto B, sendo atacada todos os capítulos por uma diversidade de criaturas
3. Alexandra treina-se, sendo atacada todos os capítulos seguintes por aliados/amigos que a querem ajudar a treinar, sistematicamente, passando por todos os elementos (terra, ar, fogo e água)
4. Guerra
5. Fim, mas vai continuar (e eu tenho aqui o segundo volume)

Isto é, o livro é todo, todo ele, todo todinho... LUTAS!

E vou confessar uma coisa, que já me vem atormentando há algum tempo quer na literatura quer no anime... Eu estou-me borrifando para as lutas. A minha vontade é passá-las à frente. Eu quero é história. E este livro tem uma série de lutas mas não tem história nenhuma. O que me aborrece profundamente. Tempo que podia ter sido usado (e papel também) a contar uma história foi usado a descrever lutas e a roupa que Alexandra (nunca a chamarei de Alexis, considero uma alcunha parva) está a usar (e ela não tem gosto nenhum para se vestir e existem calças de ganga em Nova).

Mas enfim, o livro é composto de lutas. Não são assim tão interessantes. Também se fala muito das diversas criaturas que habitam esta dimensão paralela. A maioria são cópias directas de mitos e lendas, com a justificação de "ah, eles iam daqui para a Terra e da Terra para aqui". Peço desculpa, caro autor, mas isto parece-se mais com falta de imaginação do que outra coisa. E outra coisa que me fez confusão: esta gente está a lutar, mas tem tanto sentido de humor que estão sempre a mandar piadas uns aos outros durante as lutas. Mas estão doidos? Para se andarem a matar é preciso energia e andam a gastá-la a mandar piadolas? Lutem em silêncio, mas é, se querem conversar vão tomar um chá ou jogar xadrez ou fazer uma actividade civilizada qualquer.

Sorte que o livro diz que é Oferta, num carimbo. Não fosse alguém pensar que eu tinha gasto dinheiro nele.

P.S. Também tem aliens.

22.4.13

Revista Banzai!

Revista Banzai!
Vários
Revista de Manga - Volumes 0,1 e 2/Infinitos
2010

Antes de mais começo por dizer que este comentário não tem por intenção magoar os sentimentos de ninguém. Tenho alguns dos contribuintes desta revista nos meus contactos, apesar de nunca falar com eles, por isso espero sinceramente que não se ofendam com nada do que eu vá dizer e que o usem de forma construtiva por forma a melhorarem a qualidade da revista e, assim, a façam vender mais e trazer mais fãs ao nosso pequeno universo e aos nossos eventos. Não que eu vá dizer coisas especialmente maléficas, mas fica o aviso e o pedido de não me encherem os comentários com o argumento "porque é que não fazes melhor?" Explico também porque é que eu não faço melhor: porque eu não sei desenhar nem escrever argumento de BD (mas irei aprender num workshop em breve). Mas por acaso até sei bastante sobre a teoria por detrás da criação destas coisas dos quadradinhos, porque em tempos eu pensei que sabia desenhar. E fartava-me de desenhar, sobretudo Neopets. Depois caí em mim e parei de fazer isso. Mas enfim, isso já são coisas que não interessam a ninguém.

Vou comentar cada uma das histórias conforme vêem no site. Para lerem a sinopse, peço que se dirijam ao dito. Vamos lá?

TMG - The Mighty Gang


Isto é um shounen inspirado, claramente, pelos shounens mais modernos de acção, mistério e poderes mágicos. No caso, os elementos. Acho que é uma história que não funciona bem neste formato, nomeadamente neste tipo de papel. O branco é demasiado branco e o preto é demasiado preto, o que faz um contraste um pouco desagradável. Este contraste predomina pela falta de sombras, trames (eu aprendi isto em francês, não sei o nome que as pessoas normais usam). Para ser sincera, foi a história que gostei menos e acho que vai ser a que vai durar para sempre, está-se mesmo a afinfar a ser shounen de longo curso. Não gostei do estilo e achei que houve momentos falhos em termos artísticos. O ambiente é frequentemente quebrado por piadas e expressões "engraçadas", até mesmo durante as lutas, o que me impede de levar a sério o que vai acontecer. Isto é, eu sei que se esta gente está a cair em grandes nuvens de fumo e a rir-se, vão certamente vencer o inimigo. Também achei especialmente parvo usar nomes portugueses para pessoas que não são portuguesas. Existe shounen feito de uma maneira mais interessante e acho que a autora devia procurá-lo para se inspirar.

Kuroneko


Eu quando li a Banzai #0, odiei isto por uma razão muito simples: as ovelhas não têm dentes na arcada dentária superior. Têm uma mesa dentária. Por isso, porque raio é que esta ovelha teria dentes afiados? Causou-me tal irritação que releguei esta secção como a pior da revista. No entanto, ao ler os volumes 1 e 2, isto apareceu-me de outra maneira. E tornou-se na minha secção preferida. Os desenhos são muito simples e têm traços fortes, pouco característicos do estilo manga. Isso torna a arte refrescante. As histórias são apenas pequenos momentos, tiras de três quadrados, e situam-se num universo surreal muito reduzido e muito delicado. Muitas das histórias não fazem sentido, mas de certa forma acabam por funcionar muito bem e transportaram-me para um lugar diferente. Um lugar onde só há um gato, uma ovelha e uma borboleta.

Miau Miau!


Num estilo artístico a dar mais para o shoujo, é uma história fatia-de-vida com gatinhas humanizadas. Isto é, às vezes aparecem com forma de pessoa, outras vezes aparecem com forma de gato. Esta primeira história foi sobre o banho do gato depois de ter sido apanhado da rua. É muito leve e claramente tem a melhor arte de entre todas as histórias, talvez por autora já ser profissional do manga antes de conduzir esta história. É divertido e é fofinho, uma espécie de Chi's Sweet Home com nekomimis. Achei apenas que as figuras humanas dos gatos são demasiado pequenas em relação à da dona. A menos que venham a crescer à medida que envelhecem, o que ainda não sabemos!

Pandora's Song
 

Sabem quando há um conceito que até é bastante interessante e depois a resolução acaba por ficar aquém do que podia ter sido? É este one-shot, sem tirar nem por. A história é sobre uma rapariga muda a quem aparece um anjo que lhe dá voz para cantar. Mas a arte é terrível. Eu percebo a intenção e acho que em certos casos as linhas simples funcionam muito, muito bem. Neste caso não. Os designs dos personagens foram inconsistentes e achei que o design do anjo foi um movimento péssimo, pois tirou toda a beleza ao momento na tentativa de o tornar mais engraçado. A história podia ter sido mesmo muito bonita, mas tornou-se vulgar e desagradável. O que é uma pena, sobretudo tendo em conta que uma série de pessoas trabalharam para produzir isto.

Sete Pecados


Uma arte bem moderna, mas também muito ocidental. Este capítulo serviu para introduzir os personagens, mas achei que acabou por ficar um amontoado de personagens que aparecem ali unidas por um quadro mas que... Como é que elas apareceram todas ali? Parece que foram atiradas para dentro do museu sem pensar muito nisso. Acho que teria funcionado melhor se tivessem gasto mais capítulos a introduzir as personagens com jeito em vez de as por todas num pequeno espaço "e agora amanhem-se e continuem a história". Fiquei sem ideia do que a história vai ser e os personagens apareceram uns a seguir aos outros com tal rapidez que acabou por ser difícil associar quem é quem.

Considerações Finais

Eu comprei o Volume 0 na Japan Weekend Lisboa, em 2010 (?). Ou 2011. Não me lembro bem da data, mas posso ir descobrir. Achei que foram os piores dois euros que gastei na vida, detestei a edição, achei que era um esforço ridículo, achei que esta gente desenhava toda pessimamente, que as histórias eram vulgares e parvas e tudo e tudo e tudo. Assim, quando apareceu a notícia do Volume 1, nem pensei em comprá-lo. A custar cinco euros e meio, ainda por cima, nem pensar. Acabei por ganhar os dois primeiros volumes no concurso da Nanothron. Até perguntei "quem é aqui a pessoa dos animus", mas a pessoa dos animus deve ter achado que eu estava a gozar com ela porque não quis desenvolver a conversa. 

Surpreenderam-me. Isto afinal, não é mau de todo. Tem coisas a melhorar, mas também tem coisas muito interessantes. Temos aqui artistas promissores, temos aqui ideias originais, temos ideias bonitas e temos capacidade narrativa. Todas espalhadas. Acho que a qualidade ainda pode melhorar e chegar ao nível de uma revista de manga Japonês, se bem que mais pequenina, mas estão no bom caminho.

Sinceramente, não sei se hei-de comprar o volume 3 ou não. Ofereci o 0 a uma amiga e ontem deixei o 1 e o 2 em casa de um amigo, para ele ter banda desenhada em estilo manga e ao mesmo tempo portuguesa na sua biblioteca. Se comprar o volume 3, acho que vou começar a fazer a colecção para o meu amigo. Mas e se ele não gostar? Talvez lhos peça de volta? Não sei bem. Mas isto não esgota, como se tem visto, por isso ainda vou a tempo.

A NCreatures, fundamento da revista, farta-se de promover actividades com os artistas em montes de ocasiões, incluindo festivais importantes (e coisas menos importantes). Sempre me recusei a ir por causa da impressão que tinha do volume 0. No entanto falei com duas das autoras no Iberanime, apesar de não saber quais é que eram, e ofereceram-me um desenho que está muito giro. Talvez ganhe mais desenhos nesses eventos? Talvez vá.

A revista Banzai! para mim, neste momento, é um grande talvez. Mas depois de ter aprofundado mais o "conhecimento" sou da opinião de que estão a fazer um excelente trabalho, sobretudo no que toca à divulgação.

Por isso recomendo, para que se apoie e indústria portuguesa e o nascimento de novos artistas nesta área que tanto nos apaixona.

15.1.12

Novos Contos da Montanha




Novos Contos da Montanha
Miguel Torga
1944
Contos

São 22 contos muito pequeninos, meia dúzia de páginas cada um. No entanto, não posso deixar de recomendar este livro como um dos melhores que li dentro da literatura Portuguesa.

Os contos são passados na montanha, em aldeias da montanha, onde há lobos, onde neva, onde as pessoas vivem com ovelhas e vivem como ovelhas. Há uma caracterização perfeita da vida destas pessoas e do ambiente que as rodeia. Cada uma é única e faz coisas únicas. Mas podiam ser outras pessoas quaisquer.

Está escrito de forma implacável e crua, com recurso a vocabulário que, para mim, é um pouco estranho, mas que é típico dessas terras e dessas montanhas. Isto demonstra um outro nível de erudição. Saber estas palavras antigas e saber usá-las tão bem é mais que um dom, é uma coisa que foi estudada até se tornar natural. Ou então já é natural de origem.

Com este livro fiquei curiosa para ler mais de Miguel Torga, autor que eu nunca tinha lido. Só agora sei o que perdi.