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28.10.16

Coluboccoro

Coluboccoro
Itoso Kenji
Anime OVA - 1 Episódios
2007
6 em 10

Segundo a informação que encontrei, data o trailer deste anime de 2007, sendo o anime em si muito mais recente e suportado por um projecto em Kickstarter.

A premissa é muito interessante, assim como o universo. Isto passa-se numa Ásia um pouco futurista, com alguns aspectos de steampunk apropriados à geografia do local. Uma princesa gostaria de ter mais liberdade para ver como vivem as pessoas, portanto vai até uma zona proibida onde encontra uma semente. Essa semente, depois de regada, transforma-se no bicharoco verde da imagem acima. E juntos viverão uma aventura.

Tendo isto em conta, devo dizer que o principal problema deste anime é precisamente o seu universo. é demasiado grande, complexo e interessante para ser explorado num filme de apenas 26 minutos! Dá vontade de ver mais, saber mais e, talvez, ter uma season inteira de tudo isto. :)

A animação é bastante simples (a equipa era, também, bastante pequena), mas faz um uso bastante curioso de texturas, quer nos designs quer nos cenários. Os primeiros são também muito bem pensados e apropriados ao mundo em que estamos, sendo altamente detalhados.

Musicalmente não temos nada a apontar, mas fica a nota para a excelente animação da ED.

Será que servirá este OVA de episódio piloto? ;)

28.6.16

Angel's Egg

Angel's Egg
Mamoru Oshii - Studio Gallop
Anime - Filme
1985
7 em 10

O Qui requisitou um filme de anime e lembrei-me de lhe mostrar este. Já o havia visto há muitos anos e, recordo, na altura compreendi muito pouco do que se passou. Na verdade, inventei uma interpretação qualquer só para fingir que tinha percebido, mas admito agora que os seus significados me passaram ao lado. Assim, achei que seria bom revê-lo com outra pessoa, com quem o pudesse discutir e, assim, obter uma nova opinião. A classificação que ali está atribuída é a primeira que lhe ofertei, já que tendencialmente nunca mudo a minha classificação inicial, mas talvez agora lhe desse um pouco mais.

Tentarei, desta vez, apresentar uma opinião um pouco mais capacitada.

Primeiramente, devemos observar o contexto deste anime (que me foi revelado pelo Qui, que teve a curiosidade de ir pesquisar): um dos trabalhos iniciais de Mamoru Oshii, que ganhou a fama depois de ter dirigido o primeiro filme de Ghost in the Shell, aparece numa altura da sua vida em que este se encontra desapontado com o mundo da religião e da espiritualidade em geral. Tendo isto em conta, apresenta-se-nos um anime complexo, denso, negro e pessimista, que nos leva até a um universo sem vida.

Uma menina (aspecto discutível) anda por um mundo desolado, uma cidade cheia de monstros e de elementos predominante aquáticos, em busca de água para encher mais uma garrafa. Consigo, tem um ovo, que deve proteger e incubar para que nasça uma criatura alada que encontre a saída para aquele mundo. Entretanto, encontra um misterioso homem, que se decide a acompanhá-la e com quem vai trocando várias palavras. É numa destas conversas que aparece um conceito que me ficou fixado na mente: a arca de Noé nunca encontrou terra e está a afogar-se num mar infinito. 

Ora, ao início vemos que pousa dentro de água uma estrutura estranha, semelhante a um olho, povoada de estátuas que podem ser qualquer coisa: humanos perdidos, humanos falecidos, santos antigos. No meu entender, pegando no conceito de que isto poderia ser a arca de Noé que se perdeu, este elemento poderá representar as pessoas que se esforçam por se libertar de um mundo espiritual que se encontra decadente e que só pode ser consertado através da chegada de um novo ser iluminado, representado pelo esqueleto do humano alado e, portanto, do ovo que tem a menina. No entanto, repare-se que no final descobrimos que este objecto está pousado nas águas de uma praia e que o homem misterioso é o habitante deste local. Como ele destrói o ovo, posso inferir que talvez a terra segura, o homem (repare-se que ele transporta uma cruz e usa um crucifixo) é o representante das crenças antigas que ainda se estabelecem e que, com tudo isto, impede estas pessoas de chegar a terra firme e de serem livres para terem os seus próprios anjos.

Talvez esta ideia seja suportada pelo conceito dos peixes, que em sonhos representam normalmente um certo tipo de liberdade sexual e emocional. Na cidade perdia, pescadores tentam apanhar sombras de peixes, isto é, continuam presos à ideia de temer a mudança, podendo mesmo atacar a menina e o seu ovo que os representam. No entanto, considerando que eles estão dentro de água e cada vez mais se afundam nela, as sombras podem realmente ser apenas isso: sombras de peixes reais que nadam em volta da cidade.

Como digo, é um filme bastante complexo e talvez tenha de o rever mais tarde para o compreender na sua totalidade. Segundo consta, nem o próprio Oshii sabe muito bem o que fez disto. No entanto, podemos ver directamente o que ele criou: apesar da fraca animação, em que apenas os personagens manifestam algum tipo de movimento, há um cuidado extremo no detalhe dos cenários, sendo que todo este universo aparece quase como uma interpretação surrealista de uma cidade muito populosa. Também a música contribui muito para este efeito de quase pesadelo, sendo que há um conjunto contínuo de peças corais que nos envolvem e absorvem de forma a que entramos realmente neste universo.

Este é um filme que é igualmente amado e odiado pelos fãs e crítica, mas que - ao longo dos anos - se veio a tornar um culto dentro dos visionantes mais experientes. Assim, gostaria de o recomendar para saber também qual a vossa opinião acerca dele, para ver se conseguimos - todos juntos - encontrar uma explicação que nos satisfaça a todos.

9.4.15

Yotsunoha

Yotsunoha
Nishikiori Hiroshi - Hal Filme Maker
Anime OVA - 2 Episódios
2008
5 em 10

Tirei este anime para ver porque a sinopse me parecia fofinha: um grupo de jovens enterra uma caixa com recordações, combinando encontrar-se três anos depois.

Infelizmente, o anime não passa de mais um harem simplificado. Em dois episódios também não se podia fazer muita coisa, mas estes personagens são demasiado bidimensionais para se poder, de qualquer forma, dar-lhes algum tipo de desenvolvimento. Assim, a história limita-se a "que menina escolherei", havendo uma divisão clara entre duas. Existe um certo mistério, pois a caixa com as recordações foi movida e os jovens têm de resolver problemas para a encontrar. Mas como este não é o foco principal da história acaba por ser um elemento inconsequente.

A arte é suave, sem grandes cenas em que possamos observar animação. O design é bastante típico e nada que não tenhamos visto antes e os cenários de fundo não têm grande detalhe. Musicalmente, temos OP e ED, que não seriam propriamente necessárias devido à extensão do anime e que não são nada de especial.

Assim, é um OVA do qual me esquecerei rapidamente. Se é que não me esqueci já.

12.3.15

Sentou Yousei Yukikaze

Sentou Yousei Yukikaze
Ohkura Masahiko - Gonzo
Anime OVA - 5 Episódios
2002
6 em 10

Este OVA conta a história de uma guerra. É contra entidades alienígenas, mas poderia ser contra qualquer tipo de criatura. Através da relaçao piloto-máquina e da interacção com os seus pares e superiores, é-nos relatada uma guerra realista, contra um misterioso inimigo que rapidamente se poderia considerar humano tal como nós.

Infelizmente, esta história com grande potencial falha em alguns aspectos. A narrativa não está bem estruturada e os personagens encontram-se pouco desenvolvidos, sendo que teria sido agradável conhecer um pouco mais sobre as suas motivações para nos entendermos melhor dentro deste contexto. Apesar do realismo impresso a todos os aspectos (por exemplo, a maquinaria limita-se a aviões), estes personagens acabam por ter uma aura um pouco fantasiosa, como se cada um deles tivesse mais "poderes especiais" do que aquilo que realmente têm ou que seria humanamente possível. Desta forma, a suposição primária deste anime (realismo) e a sua execução tornam-se antagónicas. Isto é realmente muito estranho.

Este OVA poderá ser considerado uma revolução dentro do universo da animação, pois integra uma produção elevadíssima em CG tridimensional com os personagens bidimensionais de sempre. Apesar de a técnica ser um pouco arcaica (e tal se notar de forma flagrante) parece-me uma excelente introdução neste campo e parece-me que terá aberto caminhos para toda uma nova série de técnicas. Acredito que o efeito geral tivesse tido melhor resultado se os cenários de céu e nuvens fossem um pouco mais detalhados ou que não se apoiassem tanto no CG (o que os torna pouco acreditáveis e, dizendo as coisas como elas são, muito feiinhos)

A banda sonora não tem nada de especial, se bem que a ED me recorda o rock-n-roll da época das guerras Americanas, o que acaba por calhar muito bem dentro do contexto.

Um anime que pode ter tido o seu lugar ao sol há uma década, mas que hoje em dia serve apenas como representação do seu tempo.

8.3.15

Hybrid Child

Hybrid Child
Fukuda Michio - Studio Deen
Anime OVA - 4 Episódios
2014
5 em 10

Há algum tempo que não via nada no universo BL. Gostava de dizer que ainda adoro BL como o que mais quero na vida, mas... Não sei, hoje em dia parece que me aborrece. Este OVA é, mais uma vez, a prova disso.

Hybrid Child é uma criatura que não é um boneco nem um ser humano. Cresce com o amor dado pelo seu dono. Neste OVA vemos três histórias.

Primeiro, conhecemos a dor de perder um hybrid child que, idoso, começa a perder as suas características. Depois, é o oposto, vemos o hybrid child a crescer e a aprender sobre a felicidade e a tristeza. Finalmente, em dois episódios, descobrimos mais sobre o criador de tais objectos. Cada uma destas histórias tem uma tonalidade romântica e delicada, mas que pouco ultrapassa o estereótipo de "mestre-criado" tantas vezes já estabelecido como fetiche no universo dos animes. Os personagens estão pouco definidos, aparentando cada "casal" ser uma cópia do anterior. Na verdade, semes ou ukes, são todos personagens em branco, característica essa tão comum a romances de cordel e animes românticos: podemos colocar-nos na situação do personagem de que gostamos mais. Talvez na história final tenha havido um certo desenvolvimento de personagem mas, apesar de tudo, ainda foi bastante previsível.

O que me fez mais confusão ao longo de todos os episódios, foi a época em que a narrativa é passada. Isto é, como é possível existerem objectos tão modernos como os hybrid child numa época de samurais em guerra? A menos que estes bonecos que também são humanos possuam características místicas, assunto que foi pouco explorado, tal não me parece exequível.

A arte é muito simplificada, com pouco detalhe e cenários pouco contemplativos. Em termos de design de personagens, o design desta criadora irrita-me e aborrece-me, porque os rapazes são todos iguais e nem o corte de cabelo os salva.

Também todas iguais parecem ser as vozes. Musicalmente, temos uma banda sonora fraca, mas uma ED bastante bonita.

Mais um para a colecção de BL, mas mais um que não é preciso ver.

15.2.15

Vampire Princess Miyu

Vampire Princess Miyu
Hirano Toshiki - AIC
Anime OVA - 4 Episódios
1988
6 em 10

Para variar um pouco, vejamos um clássico do anime. Como estive doente demorei um pouco mais para o acabar, mas tudo bem.

Da perspectiva de uma caçadora de eventos paranormais, conta a história de Miyu, uma pequena vampira com poderes espectaculares que dedica a sua infinita vida a caçar uma espécie de monstros que atormentam a vida das pessoas normais. É um anime de conceito bastante interessante, mas que requer algum desenvolvimento, como veremos.

Cada episódio conta uma história distinta, que vagueia entre a realidade e uma fantasia pouco complexa, com alguns traços clássicos das histórias de vampiros originais. Em alguns momentos há situações bastante emotivas, relacionadas com o desenvolvimento da personagem Miyu, que é referida como uma pessoa bastante realista e com elementos que, não trazendo muito de extraordinário, acabam por se inserir nas nossas emoções.

em termos de arte, temos ambientes nocturnos bastante escuros, com traços misteriosos e quiçá assustadores, se pensarmos bem nas situações, com uma boa montagem de cenários e de elementos, tanto cénicos como relativos às pessoas presentes. A violência está bastante contida a nível gráfico, deixando-nos a pensar nela, o que é sem dúvida um bom truque para manter as características de "horror" sem chocar demasiado. O estilo clássico liga muito bem com o ambiente geral do OVA, que é calmo e, por vezes, um pouco monótono.

O anime é bastante silencioso, havendo poucos momentos musicais, pelo que a banda sonora seria um ponto a melhorar. Isto por vezes não funciona, pois os momentos de silêncio não são quebrados nem por ruídos em geral nem por diálogo o que, em vez de elevar o stress das situações, apenas as torna um pouco aborrecidas. Em termos de ED, temos um instrumental sem nada de especial.

Ainda assim, é um anime bastante curioso que merece sem dúvida um aprofundamento nas histórias e conceitos. Para isso temos uma série dos anos 90, que verei em breve.

9.6.14

Area 88

Area 88
Nunokawa Yuuji - Studio Pierrot
Anime OVA - 3 Episódios
1985
7 em 10

Retrato artístico da guerra, Area 88 é um OVA com três episódios longos, produzido nos idos tempos dos anos 80.

Conta a história de Shin, um rapaz que estudava aviação para uma companhia aérea e, enganado pelo seu melhor amigo, se vê como soldado de uma guerra desconhecida e à qual não pertence. Na sua busca por voltar à sua amada, que deixou no Japão à mercê desse "amigo", é feita uma análise romantizada da guerra e da aviação, com momentos muito emocionais e muito bonitos.

A história é muito simples e o OVA peca por não a explorar suficientemente. Gostaríamos, talvez, de saber com mais detalhe a razão pela qual existe esta guerra, qual a relação deste país imaginário com os outros. Qual o funcionamento deste pequeno exército, qual a sua organização. Sobretudo, gostaríamos - talvez - de saber mais sobre os que ficaram. Isto relaciona-se intimamente com o desenvolvimento das personagens. Se Shin está concretizado de forma muito realista, em que podemos ver muito bem o que o faz sofrer, porque luta e porque razão toma a decisão final (que, apesar de muitas pessoas não terem gostado, achei muito apropriada), os outros personagens poderiam ter tido um pouco mais de desenvolvimento. Falo, nomeadamente, do rival, aquele que quer destruir Shin de qualquer forma. Porque é que ele quer fazer isto? E a rapariga, qual a fonte de tão grande paixão?

Mas se há alguma coisa que torna este OVA fora do vulgar, é a animação. Ninguém diria que estamos num estúdio há 30 anos atrás, porque é perfeitamente exemplar. As cenas de luta com os aviões estão próximo do genial, com um uso brilhante de perspectivas, dentro e fora das máquinas, oferecendo uma variedade muito grande de momentos que poderiam estar em qualquer guerra. Podemos sentir realmente o que estes soldados sentem e vêem, senti-me realmente dentro de um avião a lutar numa guerra que não era minha.

No que respeita a música, temos uma excelente colecção que reúne o melhor da pop da época, com várias músicas efusivas e apaixonadas.

Um anime que recomendo, marcante de uma época e uma mais valia para todos os interessados em pop-art e anime.

30.5.14

Koukou Butouden Crows

Koukou Butouden Crows
Takahashi Hiroshi - Knack Productions
Anime OVA - 2 Episódios
1994
6 em 10

Este anime tem uma história muito curiosa. Houve aí uma fase, já vai para uns cinco ou seis anos, em que eu queria ver todos os animes sobre delinquentes juvenis possíveis. Queria compreender como funcionavam tais pessoas na sociedade, sobretudo raparigas. Bem, encontrei muito pouca coisa (sobretudo sobre as tais raparigas de saias compridas). Ainda quero saber, portanto estejam à vontade para me recomendar. Enfim, este anime foi um dos que me recomendaram na altura. E lá fui eu. Após muita, muita, muitaaaa pesquisa, fui encontrar um torrent perdido no meio de nenhures e lá me pus eu a sacar. E aqui esteve. Cinco... Seis anos... Parado nos 98%. Há coisa de três semanas terminou! E hoje tive a oportunidade de o ver! =D

Consistindo de dois episódios de 50 minutos, este anime não tem muito de história ou personagens. Um jovem forte e violento, mas bem humorado, envolve-se numa luta de gangs pela hierarquia da escola e do bairro ao proteger um miúdo mais fraco. É uma história típica de branco no preto (o bem que luta contra o mal), recheada de lutas corpo a corpo violentas, mas bastante realistas. Assim, não há muito espaço para o desenvolvimento de personagens ou de uma história que interligasse todos os aspectos do anime. Mas para quem quer dois episódios de boa porrada, aqui está a coisa certa para verem.

A arte é clássica da época, com designs realistas e traços fortes. A animação não é excelente mas também não está má, oferecendo muita vivacidade a todas as lutas a que assistimos. São cenas com muita energia, que servem bem para libertar a raiva acumulada ao fim de um dia de trabalho. O mesmo se passa com a música. Muito típica de meados dos anos 90, apresenta-se com um rock bem animado, que ilustra muito bem as cenas de delinquência que recheiam toda a hora e meia que são estes OVAs.

Valeu a pena o tempo de espera, porque foi divertido. Não foi a pérola que eu estava na expectativa de receber, mas foi bem engraçado. :)


26.8.13

Battle Angel Alita

Battle Angel Alita
Hiroshi Fukutomi - Madhouse Studios
Anime OVA - 2 Episódios
1993
6 em 10

Uma pequeníssima história de ficção científica, adaptação apenas dos dois primeiros volumes do manga que é um pouco longo (nove volumes e 53 capítulos). Estranhei não haver ninguém chamado Alita, mas vim a perceber que no manga a Gally chama-se Alita (sendo que no anime se chama Gally)

Os OVAs dão apenas um cheirinho do que é este universo, que me pareceu bastante interessante. A narrativa passa-se numa cidade onde vai parar todo o lixo de uma outra cidade, que está no céu. Os habitantes são, na sua grande maioria, cyborgs. Os designs dos cyborgs são detalhados, mas muito crus, o que não me atrai especialmente. 

A história é um conto de amor, mas é demasiado curta para que os personagens tenham um desenvolvimento concreto, apesar de os seus conceitos me parecerem sólidos.

Em cada um dos episódios temos duas grandes cenas de luta, onde a animação poderia brilhar, mas não há nelas nada de extraordinário. O mesmo acontece para a música, que por vezes fazia falta: podia ser alguma coisa especial, mas era demasiado simples.

No entanto, devemos considerar que Battle Angel Alita, também conhecido por Gunnm, é um clássico do anime e manga. Assim, acho que seria importante, para quem se quiser aprofundar, vê-lo ou - ainda melhor - lê-lo.

14.5.13

Gate Keepers 21

Gate Keepers 21
Watanabe Takashi - Gonzo
Anime OVA - 6 Episódios
2002
6 em 10

Com Gate Keepers 21 celebramos o post quatrocentos e um do Não me Apetece Estudar! Em breve faremos aniversário outra vez e prepararei algumas prendinhas para vós... Se bem que no ano passado não consegui oferecer todas, porque duas das pessoas (Atlantida e Diana Tinoco) não me responderam ou, quiçá, não receberam a mensagem. Se virem isto por favor contactem-me para vos dar os vossos prémios! Para mais informações, consultem o post do Dar Embora. :)

Mas falemos deste anime, que é muito interessante.

Esta Tóquio está a ser atormentada por umas criaturas, os Invaders. Eles infectam as pessoas e estão a tentar infectar toda a gente, como um bom vírus o deve fazer. E aí aparecem-nos os Gate Keepers, pessoas que têm o poder de abrir  as Gates (ou usar Gates artificiais por telemóvel) e destruir os Invaders, por forma a reaver a pessoa que eles foram em tempos. Isto é, meninas mágicas. Pois é, quase dez anos antes das Megucas já tinha havido uma desconstrução do género! E como são só seis episódios, eu diria que não perdem nada em vê-lo, não para comparar mas para observar como se podem fazer duas coisas tão diferentes com o mesmo objectivo (e níveis completamente diferentes de hype). Infelizmente, a história acaba por cair no cliché no último episódio e existem várias coisas por explicar. Isto é uma sequela, se bem que dizem que pode ser vista sem se saber nada do Gate Keepers original (foi o que eu fiz, porque não sabia que isto era uma sequela), pelo que podem haver elementos que foram explicados antes e que se perderam aqui. Coisas como, o que são os Invaders exactamente, o porquê da motivação da Rapariga Fantasma, o que são as Gates, até mesmo "porque é que a personagem principal usa óculos sem graduação", são coisas que teriam dado mais conteúdo ao conceito.

Nota dez para os voice actors, que caracterizaram perfeitamente a personalidade dos personagens. A personagem principal é muito interessante, com uma certa vertente "noir" no seu pessimismo e aborrecimento para com a vida, mas o desenvolvimento cai no lugar-comum do "temos de ser amigos para vencer o mal". Já Miu (nome fácil de decorar) tem um desenvolvimento bem mais interessante, passando da menina atrasadinha para uma pessoa com medos e fraquezas, que tem de os ultrapassar para conseguir sobreviver.

Existem alguns momentos de grande animação, sobretudo as lutas da moça que tem as espadas. Também existe uma perseguição de carros e muitas explosões. Isto será do agrado da maioria dos fãs de anime, que já percebi que gostam muito de lutas, e a verdade é que se encaixa bem no anime. A tonalidade escura dada às lutas adiciona à melancolia da personagem principal, se bem que alguns gags comédicos destoam bastante do teor impresso à série inicialmente.

A música também destoa muitas vezes. Gostei da primeira OP, pois é sonhadora e melancólica, sugerindo esses sentimentos ao anime.

No geral acho que vale a pena, porque não é tempo perdido.

19.4.13

Vassalord

Vassalord
Nakazawa Kazuto - Production I.G.
Anime OVA - 1 Episódio
2013
6 em 10

É, já há muitos anos, meu hábito nunca falhar um release da Aarinfantasy. É um grupo de subs com o qual simpatizo muito já que, ao participar no fórum, vejo as dificuldades porque passam. Além de que a própria Aarinfantasy é muito disponível. Por isso não perco uma. E aqui está Vassalord. De BL tem pouco, mas é bastante slashable.

É uma história de vampiros, muito sintética. A história aparenta ser apenas uma pequeníssima parte da fonte original (um manga, suponho), mas está bem estruturada. Os personagens são apresentados e definidos claramente e o desenvolvimento é rápido mas eficiente. Não existe grande desenvolvimento, por falta de tempo, mas aparentam ser personagens bastante divertidos. Esta diversão pode, por vezes, ser anti-climática. E porque é que o vampiro robot usa óculos? Já deveriam ter tecnologia para o por a ver bem... Será para o estilo?

A arte é limpa e fluída, com um grande destaque para as cenas de acção. Temos duas, a luta entre os personagens principais e a luta com a pequena vampira. Têm alguns momentos que não primam pelo detalhe, mas no geral dão para entreter.

A música tanto trás o clima como o tira. A ED foi quase uma música pop portuguesa dos anos 80, o que talvez até combine com o final leve e despreocupado.

Um OVA interessante para fãs do original e para fãs de vampiros bonitos.

27.3.13

Dominion Tank Police

Dominion Tank Police
Mashimo Koichi - Agent 21
Anime OVA - 4 Episódios
1988
6 em 10

Ora então era uma vez uma moça que se junta a uma polícia que combate o crime com tanques. Ela tem um tanquezinho amoroso chamado Bonaparte e luta contra um gajo maluco que é ajudado pelas irmãos Puma, duas gajas malucas com orelhas de gato. E está feito um OVA dos 80s.

Infelizmente há dois elementos que não funcionaram nada bem neste OVA: o universo e a comédia. O universo não está nada bem caracterizado. Não há explicações, está muito incompleto e o tempo que foi passado a ver Leona a tomar conta de Bonaparte poderia ter sido utilizado para explicar melhor em que situação é que eles vivem. O outro factor, a comédia, pareceu-me simplesmente que não funcionou bem. O assunto que o anime trata é grave e rir de assuntos graves desta maneira não é coisa que eu aprecie. O exagero das irmãs Puma, os gatos, contraposta à sua frequente nudez, pareceu-me anti-climático e aborrecido.

Por outro lado, a arte está bastante capaz para a época, com grandes efeitos no tanquezinho Bonaparte, que é mesmo fofinho e dá saltinhos enquanto coisas à volta dele explodem. Não achei positivos os exageros das expressões faciais, aliadas à fraca comédia, pois impedem-me de levar o anime a sério.

Musicalmente, temos o típico da época, com as músicas de amor épicas meio ridículas de que tanto gostamos. Mas são sempre as mesmas, o que para OVA é um pouco inexplicável, podiam perfeitamente ter usado sempre músicas diferentes.

Vale a pena pelo tanque fofinho.

22.3.13

Rurouni Kenshin: Tsuiokuhen

Rurouni Kenshin: Tsuiokuhen
Furahashi Kazuhiro - Studio Deen
Anime OVA - 4 Episódios
1999
8 em 10

Quatro episódios, como são quatro as estações do ano. Tuiokuhen, as memórias, é a prequela de Rurouni Kenshin, o samurai da nossa infância. Mas desta vez não é o Samurai-ai-ai-ai que nos fazia rir com as suas patanisquices. Esta é a história da sua origem, de como obteve a sua famosa cicatriz em cruz.

É um anime exemplar em todos os aspectos. A história tem as suas nuances, mas resume-se a um romance trágico. A evolução dos personagens faz este curto OVA valer a pena. Kenshin apresenta-se como um assassino sem dó nem piedade, quase sem alma, que cresce em função do amor de Tomoe, uma mulher que ele encontra uma vez na rua e que adopta como sua por força das circunstâncias. Esta, por sua vez, tem uma faceta vingativa, que empalidece perante os sentimentos que crescem na sua convivência com o assassino. É a paixão a força motriz de todo o anime e o seu culminar é mortificante, no sentido literal. É com esta história que nasce o Kenshin de muitos segredos que todos conhecemos e é esta história que o torna num personagem ainda mais interessante do que se poderia pensar inicialmente.

A arte é algo de extraordinário. Numa mistura de aguarelas com fotografias, dá-nos paisagens de uma beleza quase poética, que imprimem memórias de um Japão clássico como só o vimos na literatura. Temos algumas lutas animadas de excelente forma, mas elas não são o enfoque principal do anime. Sangue em grandes quantidades, mas a maneira como ele aparece não é desadequada nem exagerada, é algo que surge com naturalidade e como consequência dos sentimentos das pessoas envolvidas.

Tal como as paisagens, a música remete-nos para os sentimentos nipónicos, com grande ênfase nos instrumentos tradicionais do país. Está sempre enquadrada nas cenas e adiciona-lhes o tempero tão necessário para que o público partilhe das emoções transmitidas.

Pode ser visto por qualquer um, mesmo que não tenha visto a sequela original. Assim, recomendo vivamente. São duas horas que se passam muito bem.

21.9.12

Tenshi Nanka Ja Nai

Tenshi Nanka Ja Nai
Hiroto Tokita - Group TAC
Anime OVA - 1 Episódio
1994
5 em 10

Tenshi Nanka Ja Nai (Eu não sou um anjo) é o OVA correspondente à obra homónima de Yazawa Ai. Que, se bem estamos lembrados, também é a autora da Nana, Gokinjo Monogatari e Paradise Kiss. Ora, o que eu gosto nesta autora são as histórias maduras e os designs de personagens, que têm muitas roupas interessantes. Neste OVA não há nenhum desses elementos.

Trata-se apenas de um vulgaríssimo polígono amoroso, com paixões fundamentadas em experiências das mais normais (como encontrar gatinhos abandonados). Para mais, é inconclusivo.

A arte é típica e não transmite propriamente os designs habituais da autora. Não há cenas de animação complexa, nem fundos (nenhuns), nem qualquer tipo de detalhe que o distinga.

A música é igualmente típica, podemos encontrar igual em qualquer shoujo dos anos 90.

Assim, este OVA foi um grande desapontamento. Mas ao menos agora posso dizer que já vi todos os trabalhos da autora em anime. Tenho ali um manga dela para ler, mas são 8 volumes e só tenho o primeiro (queria comprar o resto antes, mas isto está agreste)

19.8.12

Angel Densetsu

Da série QUINTA DIMENSÃO: 2/16

Angel Densetsu
Yagi Norihiro - Toei Animation
Anime OVA - 2 Episódios
1996
6 em 10

Bem, foi um OVA de dois episódios o suficiente para fazer a bateria do Asimov acabar. Isto não está bem, não está bem!

Este OVA é mais uma daquelas pequenas pérolas da década, que são muito divertidas mas que passam desapercebidas. Aqui contam-nos as aventuras de um jovem que é um anjo, um amor de pessoa, mas cuja fronha é de tal modo demoníaca e mefistotélica que todos têm medo dele. Depois, por uma série de acasos e desequilíbrios, ele ganha muitas lutas de gangs escolares, o que o torna numa "lenda de terror". Mas o coitado só quer o bem de toda a gente. E é isto o que tem montes de piada.

Tudo o resto é apenas medíocre. Arte típica, com recurso a cinetismo para as cenas com mais animação. O design do personagem principal é muito interessante, mas tem o defeito de que ele nunca muda de expressão, o que torna tudo um pouco estático. No entanto as caras que lhe dão nos seus momentos de maior senilidade não têm preço. Não há nada de extraordinário na música. História e personagens têm uma base interessante, mas em dois episódios não é - de todo - possível explorá-los.

No entanto faz bem à saúde, porque faz rir (e porque eu gosto de anime de delinquentes juvenis)

Faltam 6 horas para o destino final e o Adamastor aéreo ainda não atacou. Acho que me vou divertir chamando a hospedeira (assistente de bordo) de três em três minutos para lhe pedir copos de sumo de laranja da compal. Ou então peço um livro para pintar, acho que tenho direito a um na minha qualidade de criança de 4 anos!
 

17.7.12

Yebisu Celebrities

Yebisu Celebrities
Fuwa Shinri
Anime OVA - 1 Episódio
2010
4 em 10

Não será difícil de notar que BoysLove é o meu género preferido (a seguir josei, a seguir shoujo, a seguir desporto, a seguir seinen e assim por diante etc. em vez de assim por diante etc.) Por isso esperava com ansiedade a oportunidade de ver Yebisu Celebreties, um dos últimos BL a sair (e pensar que já foi há dois anos!)

Mas cada vez o género me desaponta mais. Cada vez mais. Que bela bosta.

Eu não entendo, não entendo, porque é que ganharam esta mania de fazer animações para Drama CDs qua consistem em slideshows e sucessões de imagens em que a única coisa que mexe é a boca. Ok, é barato. Mas os fãs de BL são pessoas adultas, são pessoas com dinheiro, especialmente no Japão onde gajas com obsessões estranhas normalmente estão casadas com gajos muito ricos. Os designs são bonitos, da moda (mãos grandes, bocas grandes, a situação institucionalizada por Junjou Romantica) mas animação é nenhuma. Bem, acho que antes nenhuma do que muito má. Ao menos a incapacidade é discreta.

A história é mais do mesmo, mas desta vez envolve fatos e gravatas (que excitante!) Jovem inexperiente cai nas mãos de um patrão exigente tanto profissionalmente como sexualmente. Revela-se entretanto que o patrão afinal é gente boa.

Música muitíssimo discreta e ambiental, o próprio de um Drama CD (havia de experimentar ouvir, um dia destes, mesmo não percebendo ficaria a saber como é a experiência)

Um mau exemplo de BL. Nem serve para a fã adolescente hiperssexualizada porque, spoiler, não tem pilinhas a entrar dentro de rabinhos.

23.5.12

Prince of Tennis: Another Story

Prince of Tennis: Another Story
Yamamoto Hideyo - M.S.C.
Anime OVA - 4 Episódios
2009
5 em 10

Não vou mentir. Eu gosto de Prince of Tennis. Já vi tudo o que há para trás de Another Story e sempre gostei de tudo. Mas não sei se fui eu que mudei ou se foi a série que mudou, mas acho que vou ficar um longo tempo sem continuar a ver mais Tenipuri.

Tenipuri (ou Prince of Tennis ou Príncipe do Ténis) é um anime com uma premisa muito simples: gajos muito giros a jogar ténis. Depois têm super-poderes com nomes idiotas, mas isso torna tudo ainda mais divertido! No entanto, eu continuo a preferir coisas com conteúdo. Até agora, Tenipuri sempre teve um objectivo, nomeadamente vencer a próxima equipa. Mas este OVA soube a filler absolutamente desnecessário. Sem um objectivo sem ser o fanservice e o fanservice muito mal conseguido.

Sim, apareceram todos os personagens de que gostamos. Alguns até aparecem em pequenino, ó que fofinho. Mas não. Eu não precisava de ter gasto oitenta minutos da minha vida a ver isto.

Tenipuri é uma coisa que eu gosto. Que eu gosto muito. Mas a continuar assim, acho que vou ficar só com as doces memórias e deixar de esperar pelo próximo OVA.

25.4.12

TO-Y

TO-Y
Studio Gallop
Anime OVA - 1 Episódio
1987
6 em 10

Original: http://myanimelist.net/forum/?topicid=426495&pages=1&show=0#msg14473475

Começo por dizer que TO-Y não foi mau. Ultimamente quando vejo algo dos 80s espero que seja horrível, mas isto não foi. De todo. Isso foi e certa forma refrescante, tão refrescante como alguma coisa com 24 anos possa ser (hah).

No entanto, isto não é suficiente.
Animação

Suficientemente boa para envelhecer bastante bem. Mantém o estilo presente da era, mas não faz uso de muitas cenas de acção que poderiam ter arruinado o orçamento e, consequentemente, está coerentemente bem animada. Os designs dos personagens são muito medianos onde podiam ter sido representativos dos ícones da era. Isto foi um grande problema, na minha opinião, e irei comentá-lo melhor mais tarde.
História

Algo extremamente simples, sem qualquer tipo de conteúdo relevante.
Personagens

Facilmente esquecíveis, clichés andantes presentas nas histórias sobre bandas desde tempos imemoriais (ou pelo menos desde os tempos em que existem bandas)
Música

A música é o que distingue este OVA de mais uma aventura de Verão e o torna na tentativa de caracterização de uma era. Este anime é sobre música e bandas e a música é muito bem usada para ilustrar cenas e para manter um certo ar de neutralidade, como que se o que eles quisessem mostrar não fosse realmente a história e a interacção dos personagens mas um retrato do movimento musical dos 80s Japoneses. Infelizmente alguém nestta equipa de produção (provavelmente o autor) não saia à rua muito frequentemente para ver bandas ao vivo. Quero dizer, o movimento musical dos 80s Japoneses foi uma coisa completamente diferente. Foi o início do visual kei e o protótipo do shibuya kei. Nenhuma das músicas tocadas estava remotamente relacionada com os sons mais típicos dos principais movimentos musicais deste tempo e espaço. Isto adiciona-se aos designs de personagens medianos. Não consigo deixar de sentir que se isto é um retrato é um retrato falso inspirado pelo que o autor viu em televisão importada, em vez do que realmente aconteceu com estes grupos meio punks meio revolucionários.

No final, recomendo isto para alguém que tenha sido introduzido no anime com bom gosto, mas não a um público mais abrangente.

3.4.12

Giant Robo: The Day the Earth Stood Still




Giant Robo: The Day the Earth Stood Still
Iamagawa Yasuhiro - Bandai
 Anime OVA - 7 Episódios
1992 a 1998
6 em 10



Original: http://myanimelist.net/forum/?topicid=257048#msg14114009

Um quarto do ano passou e até agora o anime no topo para o prémio "Anime Mais Estúpido que Vi Este Ano" é este! :)
A sério. A sério. Eu queria mesmo ter gostado deste anime. Li montes de reviews de confiança e fiquei impressionada. Tinha ouvido falar deste anime e queria vê-lo porque era um clássico tão bom. E no primeiro minuto... wut?
Vamos começar com a história. Então, temos estes tipos a proteger o mundo, certo? Os melhores lutadores do mundo. E aquele a guiar o robot gigante, ie. a máquina de guerra, é um puto de 12 anos. Então temos esta conveniente fonte de energia que nunca acaba. E, por alguma razão, os maus querem-na. Então lutam. E fica feito um anime. Com toda a honestidade que me é característica, todo o anime é feito assim. Sem motivo. Sem razão. Sem lógica. Para algo ser distinguido, deve fugir desta fórmula.
Agora, os personagens. Diziam-me que crescem de crianças para homens no espaço de 7 episódios. Tudo o que vi foi um puto chorão, baras chatos e uma (supostamente) gaja sexy que aparece vestida de Pai Natal. Eu consigo ver onde e como tentam desenvolver os personagens. "Omg, a gaja é irmã dele!"  Que barato. "Omg, o meu pai deixou-me uma lição de vida comovente que é revelada pelo meu super robot gigante!" Que cliche. No fundo, nada que eu nunca tenha visto. Não é diferente de qualquer shounen idiota que esteja no ar neste preciso momento. Percebo que isto seja um regresso aos clássicos, mas se eles querem fazer um regresso não precisam de meter todas as coisas que tornaram os clássicos datados em vez de amados. Tudo é over the top, desnecessário e injustificado.
Mas este OVA também tem coisas boas, e por isso é que lhe dei um 6 em vez de um 4.
A música é fora do vulgar. Vozes estúpidas aparte, a OST é épica, combinando com a intensidade das cenas e dando-lhes mais. É muito apropriada e muito bem feita.
Tal como a animação. Mantendo-se fiel ao antigo estilo e designs, todos os movimentos são melhorados com a melhor produção dos 90s. A fluidez das cenas de acção torna-as muito interessantes, mas nenhum anime é feito apenas de cenas de acção.
No final, acho que me arrependo de ter perdido o meu tempo a ver isto. Ou talvez não, porque se eu não tivesse visto não o saberia. Não interessa. Talvez o objectivo deste OVA me tenha passado completamente ao lado, mas eu vi-o como desinteressante, desnecessário e um desperdício de recursos.

E, numa nota separada, eu sinceramente não consigo levar a sério um anime em que uma gaja grita "TU NÃO PODES SER MEU PAI PORQUE O MEU PAI NÃO TINHA PODERES DE TELETRANSPORTE!!!" Pelamordasanta...

30.1.12

Ai no Kusabi

Ai no Kusabi
Akiyama Katsuhito - AIC
Anime OVA - 2 Episódios
1992
9 em 10
 Review original aqui: http://myanimelist.net/forum/?topicid=391775&show=0#post2

Deixem-me começar por dizer que nunca nomeei Ai no Kusabi. Nunca pensei que gostassem dele, se não pela razão óbvia, porque é antigo e não passou o teste do tempo. No entanto, eu amo este OVA e penso que merece um lugar de qualquer forma. Ai no Kusabi foi a minha primeira interacção com o conceito de "yaoi" (agora, BoysLove) e introduziu-me a um novo conceito de relação na literatura e anime. Tenho orgulho por ter sido introduzida por Ai no Kusabi. É um trabalho essencial e um clássico, não só em BL mas no anime em geral. É bom.

No resto do meu post vou fazer os meus melhores esforços para vos convencer a pelo menos vê-lo, apesar de não acreditar que a maioria de vós vá votar "sim".

Antes de mais vamos situar Ai no Kusabi no tempo e no espaço. Tempo são os primeiros 90s. Espaço é Japão. Este OVA foi o primeiro a incluir cenas de sexo homoeróticas em anime. Isto parece ser irrelevante, mas nos 90s japoneses, onde as mulheres começavam apenas a ganhar o seu espaço como demografia, isto foi certamente uma revolução. Pela primeira vez na indústria do anime existe pornografia para mulheres. De repente, um novo mundo estava aberto para ser explorado. E é como se a presença feminina tivesse ganho algum crédito nesta indústria. Tanto a nível económico como social, Ai no Kusabi tem um papel muito importante. Este OVA é a base de todo o género. Tudo seria diferente se Ai no Kusabi não tivesse aparecido quando apareceu e com a apresentação que teve. Tivémos BL antes, com Kaze to Ki no Uta. Mas agora temos gráficos. Agora admitimos que podemos fazê-lo. Não existe mais tabu.

Agora vamos falar do anime em si. Para tornar as coisas mais simples vou usar a fórmula do PO e desenvolver um bocadinho de cada elemento deste anime. Se tudo correr bem, as coisas vão ser um bocadinho diferentes do que estão à espera. :)

Animção

É claramente o pior desta produção. Vamo-nos situar de novo: princípio dos 90s. As técnicas são as medianas dessa época. Os designs de personagens são desactualizados e, na nossa perspectiva moderna, feios. Porque é gostávamos de gajos musculados em t-shirts de vinil nesse tempo é um mistério. Temos de considerar que este OVA foi baseado numa Light-Novel. O essencial dos designs é baseado nas ilustrações dos livros, mas - de certa forma - são mais apropriados ao ambiente e estilo do mundo circundante. No OVA temos realmente homens contra homens, enquanto que as ilustrações frequentemente mostram toda-a-gente-menos-os-Blondies com características infantis e magricelas. Fizeram bem em fazer de Riki um gajo giro, mas fizeram ainda melhor em fazer toda-a-gente-menos-os-Blondies bastante normais. Esta gente não viveu uma vida abençoada e protegida e o seu aspecto reflecte isso. E, já que falo disso, todo o design e cores usadas nos fundos são muito apropriados e caracterizam perfeitamente o ambiente deste anime. Tudo é escuro e cruel. As poucas cenas com mais cor são irónicas, pois mostram Minos e a indústria dos pets (que são, não interessa como olhamos para elas, bastante perturbadoras). Em resumo, a arte e animação são desactuaçlizadas e medianas, mas são essenciais na caracterização da história e do mundo. E, para ser honesta, prefiro algo que se integre com as outras partes do anime do que uma produção toda avant-garde que só funcione sozinha.

Som

A música não é memorável, mas apropriada. O que interessa aqui são os actores de vozes. Provavelmente nenhum destes actores tinha experiência a dobrar cenas de sexo. E fizeram um belíssimo trabalho. São muito bons actores e as suas vozes foram muito importantes para o estabelecimento do OVA de Ai no Kusabi como um clássico entre os fãs de BL (e no geral, digo mesmo mais). As vozes ajudaram muito na caracterização.

Personagens

Como sabemos (ou devíamos saberl), BL, shounen-ai, yaoi, o que quer que lhe chames, está centrado à volta do desenvolvimento das personagens e das relaões. No caso de Ai no Kusabi isto atinge proporções muito interessantes. Ignorando os personagens secundários (que, para ser muito honesta, estão apenas delineados no OVA, apesar das suas acções serem muito importantes para o desenvolvimento da história e dos personagens principais) devemos focar-nos em Iason e Riki. Vou começar por dizer que não devem ser iludidos pelas aparências. Atrás da imagem de S&M e da relatividade de Seme/Uke há muito mais que fanservice. Nem precisam de ler a Novel para perceber isto, só precisam de olhar para trás da cobertura do cliché.

Aparentemente, Iason é apenas um maníaco sádico que se apaixona pelo seu objecto. Na realidade, a verdade é que Iason não tem nada de sádico nele. O que ele faz ao Riki não é realmente a busca de uma qualquer perversão sexual. De facto, a sua obsessão não é de todo sexual. Ele está obcecado em dominar Riki de uma maneira psicológica. Riki é, de todas as maneiras, inferior a um Blondie. No entanto, ele não age como inferior. O seu comportamento é errático e estranho da perspectiva do Blondie e Iason precisa de controlar isso, para seu próprio bem, para garantir que ainda é superior. Por isso, Iason "domestica" Riki. "Domesticá-lo" significa reeducá-lo para obedecer e se comportar como inferior, tanto socialmente como mentalmente. Por isso Riki é transformado num pet, que é a pior forma de vida que existe neste mundo. Por isso é que é atacado sexualmente repetidamente. é só para o humiliar e para garantir que ele sai a saber o seu lugar.

E Riki, não é o vosso uke típico. De facto, isto é o que modernamente consideramos um "sekke", um uke que se comporta como um seme ou, melhor, um seme que funciona como a parte de baixo. Tem uma personalidade dura, é teimoso, é forte. Entrou na situação de ser um pet por acidente, por erro, ele não quer estar ali e ele não aceita o seu destino. Mesmo sendo maltratado e violado, os seus olhos nunca mostram um sinal de submissão e a sua personalidade nem sequer se mexe.

E assim temos duas personalidades fortes agarradas por correntes de obsessão e dominância. Esta relação começa complicada e desenvolve-se por todo o OVA. Quando Riki é mandado de volta para o bairro de lata, Iasson compreende que não pode esquecer o facto de que ainda não ganhou a luta. E, de volta aos seus amigos e amante, Riki não pode esquecer o que aconteceu no seu cativeiro. De facto, ele tem uma bonita recordação (objecto que deverá aterrorizar todos os homens, sim senhor). é isto amor? Creio que não. Acho que é uma forma diferente de atracção. Riki e Iason não se amam. Acreditop que a sua relação se desenolve na aceitação. O seu suicídio não simboliza que fizeram as pazes e que vão viver juntos no céu. Penso que significa que aceitam que nenhum dos dois é o vencedor. Que não há S ou M na sua relação. Que nem Iason nem Riki são a parte dominante da equação. Que estão os dois na mesma situação, que são os dois a mesma coisa. Que Blondies e Mongrels são, de facto, a mesma coisa e que vão ambos morrer. E assim, porque não morrer juntos e com um sorriso?

Acreditem-me, eu vi muito BL na minha vida. Ai no Kusabi foi o primeiro e único a seguir uma relação de ódio em vez de amor. Que se torna em absolutamente nada.

História

Aqui temos duas coisas importantes. A história da relação entre Iason e Riki, que desenvolvi na secção precedente, e a história do universo em que acontece a relação. Este segundo elemento é muito interessante e o OVA retrata-o perfeitamente. Alguns elements foram deixados por explicar. Quando vi isto pela primeira vez o "mistério" que rodeava os elementos em falta era bom. Depois de aprender os detalhes e ver isto pela 46352634534écima vez... Foi fantástico. Mesmo brilhante.

Isto é um mundo original, num ponto distante do espaço num futuro tecnologicamente independente distante. Neste planeta, as pessoas são dominadas por um super-computador que funciona como governo. Este super-computador tem toda a gente organizada num sistema de castas, uma estratificação da sociedade em que os elementos superiores desprezam os elementos inferiores na cadeia social, que começa em andróides orgânicos seleccionados artificialmente, onde Blondies como Iason estão inclusos, e termina nos mongrels criados naturalmente de Ceres, que é Riki. No meio estão as pessoas de Midas, a Las Vegtas deste mundo que vive para as indústrias do entretenimento e do sexo, pessoas como Katze que estão mais ou menos no meio, pets e furniture (mobília). Pets sendo o entretenimento dos altos círculos de tanagura e a mobília sendo os eunucos que tomam conta dos pets. Pets são brinquedos sexuais e orgulham-se disso (vêm como Riki estava inadaptado nesta situação?). Mobília... Bem, ninguém se interessa pela mobília.

Acho que esta estratificação, e a forma como é apresentada  (a relação entre duas facções opostas), é uma forma muito interessante de imaginar um possítvel futuro. No mundo como o temos agora, são seria possível - com o advento da tecnologia - que a humanidade acabasse assim? Isto é ficção científica, com motos voadoras e andróides biónicos e outras coisas ridículas como essas. No entanto, a criação deste sistema social distingue este universo dos oturos e torna-o numa criação original.

Há detalhes no livro que tornam esta exierpiência mais rica e vívida (nomeadamente Guardian), mas podemos viver sem elas.

E outro detalhe que estivémos a discutir antes! O papel da mulher em Ai no Kusabi. Muitas pessoas vivem sob o erro de que no mundo de Ai no Kusabi não existem mulheres. Existem. Elas são muito importantes. No OVA eles representam a sua importância por imagens e sequências curtas. Penso que isto dá um charme especial à est´tica do OVA e serve o objectivo de apontar de que apesar de isto ser tudo sobre homens as mulheres continuam a ser um factor importante.

Em resumo!

Um trabalho excelente que todos deviam ver. Ponham o coração ao alto. Eu sei que BL não é agradável, mas há muito mais do que sexo gay neste OVA e vale a pena vê-lo. Um verdadeiro clássico.