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12.7.16

Cleopatra

Cleopatra
Osamu Tezuka - Mushi Production
Anime - Filme
1970
7 em 10
 
Depois de ver a Belladonna of Sadness, recomendaram-me que visse o resto do projecto Animerama. Como já tinha visto o 1001 Noites, restava-me este, que procedi a assistir na companhia do Qui. Este é o outro filme escrito e dirigido pelo mestre Osamu Tezuka, o que acaba por ser bastante evidente no estilo artístico e narrativo.
 
Para começar, não recomendo de todo a versão que está no youtube (e que vimos para não termos o trabalho de sacar), pois as legendas são uma coisa completamente destituída de sentido. Os próprios subbers dizem "como o filme não faz sentido as legendas também não", mas a verdade é que - pelo pouco Japonês que sei - o filme é bastante mais simples do que aparenta à primeira vista.

Tudo começa com uma civilização do futuro que se vê perante uma invasão com o "Projecto Cleopatra". Para descobrirem do que se trata o tal projecto, decidem enviar três representantes ao passado, à época da conquista do Egipto pelos romanos, para saber o que se passava na altura. As conclusões... Bem, terão de ver o filme :)

A narrativa é simples e acaba por se basear, sobretudo, nas relações entre os personagens. A nossa personagem de foco é a Cleopatra, que aparece mais como uma vítima do acaso e de um amor inusitado que nunca tinha conseguido antes, do que como a entidade manipuladora que os livros de história nos mostram. Assim, o filme acaba por ter uma vertente muito feminista e respeitadora da figura feminina (apesar de todo o erotismo inerente), já que a figura de Cleopatra é apresentada sob uma luz quase vitimizadora, em que há a obrigação de fazer todo o tipo de coisas que colocam os seus ideais em cheque.

Como disse anteriormente, este filme tem uma elevadíssima carga erótica. Isto, à mistura com o estilo característico de Tezuka, tem um resultado deveras estranho e absolutamente hilariante. As cenas mais sérias são cativantes, mas existe uma miríade de outros momentos em que somos efectivamente obrigados a rir. Tezuka faz todo o tipo de coisas, desde uma "pantera cor de rosa" em cavalo até auto-referências nos piores momentos.

E, falando em todo o tipo de coisas, que dizer da animação? Este é um filme absolutamente revolucionário. Fazem-se aqui coisas que se foram tornando vulgares, acabando por desaparecer nos dias de hoje. Temos de tudo, desde animação com recortes, a técnicas de slow-motion, passando mesmo pelos primórdios de uma reciclagem de animação muito discreta... Enfim, a ideia que dá é que lhes disseram "tomem dois euros e façam um filme" e que, com isso, fizeram tudo aquilo que se lembraram :) A forma como algumas cenassão animadas (por exemplo, o assassinato de César) prima por uma originalidade estonteante e uma capacidade de decisão típica de uma pessoa que se quer divertir a fazer coisas. O resultado é, simplesmente, fascinante.

Finalmente, digamos algo sobre a banda sonora. Com uma mistura de sons pop típicos da época e algum sonoro experimental, mantém o filme vivo e palpitante do início até ao fim. Não me impressionou tanto como nos outros filmes da saga, mas ainda assim tem o seu valor.

Enfim, devo dizer que este conjunto de filmes, individualmente ou todos juntos, são uma experiência de visualização fantástica. Sobretudo para quem tem interesse na evolução da animação e como ela veio a ser o que é hoje. Porque estes filmes são sobretudo uma experimentação e a avaliação de tudo o que se pode fazer. Isso é, sem dúvida, demasiado interessante para podermos perder.
 

5.7.16

Belladonna of Sadness

Belladonna of Sadness
Yamamoto Eiichi - Mushi Production
Anime - Filme
1973
8 em 10

O Qui encontrou uma lista de filmes de animação bizarros para vermos e eu fiquei muito motivada para começar por este. Trata-se de um filme do conjunto de três "Animerama", que - nos idos anos 70s - se propunha a provar que a animação pode ser considerada uma forma de arte e não é necessáriamente um objecto para a infância. Este conjunto de filmes foi liderado pelo mestre Osamu Tezuka, sendo este título o único que não foi escrito nem dirigido por este.

Livremente inspirado numa obra sobre bruxarias publicada no século XIX, o filme retrata o caminho de uma mulher que, amaldiçoada por uma beleza intensa, se vê por força das necessidades possuída por um estranho demónio de índole sexual. A cada momento nos parece que ela finalmente poderá ser feliz, apesar de ter o diabo dentro dela, mas as forças do mal impedem essa possibilidade em qualquer circunstância.

Com um certo toque de ironia, este filme apresenta-se como um manifesto feminista (como podemos ver em conclusão). Repare-se que, apesar do motriz sensual que está por trás da narrativa e das imagens propostas, a vítima - Jeanne - nunca é culpabilizada e todas as suas acções maléficas ou estranhas são motivadas pela sua possessão. Assim, quem aparece como terrível não é o demónio, muito menos ela, mas as pessoas que a perseguem e maltratam tendo em vista a sua purificação. Repare-se também que as acções "más" são, em todo o caso, uma coisa boa: curar a doença, mostrar coisas agradáveis, promover uma felicidade geral em orgias bebélicas. 

O filme roça a genialidade pelo poder da sua animação. Consideremos que foi produzido em 1973! Não havia computadores para fazer estas coisas e tudo isto fica bem demonstrado pelas sequências que nos aparecem. É um filme violento: mostra-nos coisas feias, terríveis, tal como elas devem ser. No entanto, consegue atingir uma carga de erotismo quase poética, que faz torcer o coração. Não se pode dizer que as imagens se mexam muito. No entanto, há tanta expressão dentro delas que há lugar para que possamos imaginar tudo isto.

Outro aspecto maravilhoso é a banda sonora. Se ao início temos alguns momentos pop que quase podem ser foleiros, rapidamente a música evolui, sempre constante, para um jazz experimental muito ácido que se coaduna na perfeição com as cenas que estão a ser mostradas, para além de funcionar perfeitamente enquanto peça por si só.

Foi um anime que me tocou e que me fez pensar em como a animação vem evoluindo numa direcção errática desde esta época. Parece que nesta altura ainda se preocupavam em fazer beleza com as imagens. Recomendo vivamente!

22.12.15

Young Black Jack

Young Black Jack
Kase Mitsuko - TBS
Anime - 12 Episódios
2015
6 em 10

Termina a season e, com ela, todos os nossos sonhos e esperanças. Infelizmente, apesar de ter visto poucos do que estavam no ar, não se pode dizer que esta season de Inverno tenha sido alguma coisa de especial. De entre os que terminei, que foram apenas dois, talvez este tenha sido o melhorzito, tal como competa a uma história inspirada pelo mestre Osamu Tezuka.

Este anime é uma espécie de prequela à história de Black Jack, o médico misterioso que opera sob condições impossíveis, exigindo também pagamentos impossíveis. Aqui vemos a sua juventude enquanto estudante de medicina e o seu envolvimento na guerra do Vietname, assunto que (curiosamente) não é muito explorado na animação nipónica.

O anime pode dividir-se em alguns arcos em que ficamos a conhecer cada vez mais sobre cada um dos personagens, com especial ênfase para o nosso "Black Jack", pessoa misteriosa cheia de cicatrizes. O seu caminho até ao mundo da medicina é explicado e podemos ver os eventos que alteraram a sua vida até ele se tornar no ícone que todos conhecemos. Quanto aos outros personagens, têm eventualmente uma história de fundo com interesse, mas não sofrem muito desenvolvimento.

O interesse principal desta história está, então, no tema. Assistimos a cirurgias implacáveis, com uma exactidão histórica que não deve ser ignorada, e com soluções tanto originais como, segundo o pouco que sei (nunca lhe dei muito em cirurgia), impossíveis. Ainda assim, é muito interessante ver os métodos, técnicas e materiais utilizados, que são de certa forma inspiradores para aqueles que tenham vontade de saber mais sobre o assunto.

A animação não é brilhante, mas também não está má. Fazem uso de algumas soluções técnicas simples mas muito eficientes, o que torna a progressão das cirurgias em eventos compostos e muito intensos (quase tanto como uma cirurgia verdadeira que, devo dizer-vos, provoca um stress mental e emocional brutal). Talvez pudessem ter utilizado uma paleta de cores mais texturizada, para dar um efeito mais antiquado e apropriado à época em que a série se passa.

Musicalmente, não há muita coisa a apontar, sendo que a OP e ED são bastante vulgares.

Enfim, um anime que deixa vontade de ver original e conhecer mais sobre o personagem. Também inspirador para futuros médicos, se é que algum médico tem tempo para ver animus.

22.3.15

Message to Adolf

Message to Adolf
Osamu Tezuka
Manga - 36 Capítulos/5 Volumes
1983
8 em 10

Este manga fala sobre três homens que partilham o mesmo nome: Adolf. Um deles é por nós todos conhecido como aquele que instigou uma das maiores guerras da humanidade e como criminoso principal do holocausto que nos flagelou a meio do século passado. Os outros dois... Bem, teremos de ler para o saber.

Tudo começa nos jogos olímpicos de Berlim. Sohei Toge é um jornalista Japonês encarregado de fazer uma grande reportagem acerca das derrotas e vitórias desportivas. No entanto, tudo muda quando recebe mensagem do seu irmão pedindo que vá buscar uns documentos. Este irmão é um activista comunista e os documentos tornam-se no elemento central da narrativa policial em que este manga se baseia. São a prova escrita de que Adolf Hitler, que odeia os judeus, tem em si - afinal - sangue judeu. Preservar, encontrar, esconder e evitar que estes documentos caiam nas mãos erradas (enquanto os tentamos passar para as mãos certas) é o mote que Tezuka nos dá para uma diferente perspectiva da segunda guerra mundial.

Participantes nesta história são também Adolf Kamil e Adolf Kaufman, personagens fictícias que têm um papel muito importante na caracterização da realidade de ambos os campos desta guerra impossível. Kamil é um judeu residente em Kobe, no Japão. Kaufman é o seu melhor amigo, mas após a morte do pai é enviado para a Alemanha para fazer parte da Juventude Hitleriana. A relação entre os dois é um elo muito importante para acompanharmos não só a narrativa policial como também a própria história da guerra.

Esta está contada de forma directa e simples. Os horrores da guerra são expressos de forma evidente, por vezes gráfica mas nunca vulgar. Através deste conjunto de personagens, ficamos a saber todas as perspectivas, e nenhuma delas é agradável. Assistimos à execução sumária de judeus, assistimos aos bombardeamentos no Japão e assistimos a todas as consequências que tudo isto traz, não apenas para os nossos personagens mas para toda a história da humanidade. Afinal, temos um relance da vida na guerra do Médio Oriente pouco depois.

O que é mais impressionante neste manga é a caracterização das personagens. Todas elas, todos os Adolf, começam com uma aura de inocência, em que as suas acções aparentam ter um lado positivo por mais que sejam horripilantes. Mas, a pouco e pouco, há uma degradação emocional e mental dos personagens, que os leva a ter atitudes cada vez mais desregradas e, usando palavras do próprio manga, "lunáticas". Gostei especialmente da caracterização de Hitler, que aparece como um louco assombrado por uma eterna solidão.

A arte é, simplesmente, espantosa. Existem cenas grandiosas, com um detalhe profundo e uma utilização de texturas excelente (especialmente tendo em conta que não são utilizados screentones). O design dos personagens é realista, sendo que não temos um excesso de pessoas extremamente bonitas. Por vezes os designs podem parecer um pouco caricaturais, mas isso apenas contribui para o realismo de toda a história. Nos momentos de guerra, especialmente no respeitante aos bombardeamentos, há excelente utilização de luz, trazendo toda uma matiz de cor a estes elementos.

Assim, este manga apresenta-se como uma das últimas obras do mestre Osamu Tezuka, mas também um trabalho fundamental para a caracterização do autor enquanto pacifista, um homem que lutou constantemente para que o horror da guerra não fosse esquecido da melhor maneira que sabia: contar histórias. É uma leitura emocionante, viciante, que não posso deixar de recomendar fortemente.

23.2.15

Metropolis

Metropolis
Rintaro - Madhouse Studios
Anime - Filme
2001
8 em 10

Para finalizar a noite, um excelente filme. Tenho uma história curiosa acerca dele: na verdade, eu tinha este DVD. Comprei-o há muitos anos, e até me lembro que foi na Worten de Santarém. No entanto, por alguma razão, o DVD desapareceu no tempo e no espaço e nunca cheguei a ver o filme! Por isso, estava muito curiosa em relação a ele. Não desaponta, de todo.

Metropolis é uma cidade megalómana em que grande parte das actividades é feita por robots. Na verdade, estes vivem em paz com os seres humanos, tratando dos seus assuntos, até à chegada de um político maligno que tem intenção de os destruir a todos. No entanto, esse homem manda um cientista louco construir um robot que será o líder de toda a humanidade. Quando há um incêndio na oficina deste cientista, Kenichi salva este robot, de nome Timo e fogem de uma série de situações.

A história é bastante curiosa e tem alguns pontos de debate extremamente interessantes. Na verdade, a questão que aqui se coloca é a da humanidade do robot, enquanto entidade. Será que poderemos criar uma máquina tão humana que ela própria não saiba a sua definição e se questione "quem sou eu"? E se criarmos esta máquina, será que pode ser considerada um super-humano? Para mais, se queremos eliminar todas as máquinas - que não podem ser influenciadas pelo super-humano - que sentido fará entregar a nossa vida a uma delas? São tudo elementos questionáveis que nos fazem pensar ao longo de todo o filme.

Com um conjunto de personagens bem construídos e realistas, compreendemos ao longo do filme as várias facetas da humanidade, em que o humano é um ser vivo e pensante. A ironia das acções dos personagens, perpretadas contra outras pessoas e, sobretudo, contra robots, é um ponto de muito interesse ao longo de todo o filme. Sobretudo emocionante é a parte em que os rebeldes, que sugerem libertar os robots, assassinam Pero de forma a poderem entrar na cidade (onde são imediatamente trucidados)

A animação faz muito uso de momentos digitais, mas que estão muito bem integrados nos cenários. Todos estes cenários, segundo o que me dizia o Qui, podem ser considerados uma homenagem estética ao original dos anos 20. É como se este filme quisesse trazer esse ambiente ao de cima, mas fazendo uso de muita cor e brilho, com variadas matizes, o que torna a cidade num local muito realista onde acontecem momentos de grande beleza.

Também relacionada com os anos 20 está a música, que se apresenta num misto de jazz dançável que traz muita emoção às cenas de acção. A cena final, de destruição total, é acompanhada por uma música alegre que muda completamente o teor do filme: a cena de horror passa a ser apenas consequência natural das acções dos personagens até lá. E, na verdade, a tabela de mortandada acaba por não ser assim tão elevada.

Com tantos personagens memoráveis, inseridas dentro de um contexto quase brilhante, não poderia deixar de acrescentar Timo aos meus planos de cosplay, que poderão ver no Cosplay Portfolio. :)

Um filme que recomendo bastante e que me ficará na memória durante muito tempo. Na verdade, nessa noite, até sonhei com ele!

Mais Algumas Curtas de Osamu Tezuka

Curtas-Metragens Experimentais
Osamu Tezuka
Anos 60 a 80

Depois de vermos três curtas metragens de meia hora no início da semana, deu-nos vontade de ver mais algumas enquanto esperávamos que o filme que íamos ver a seguir acabasse de chegar sob forma de torrent. Como são algumas e são todas bastante curtas, decidi colocá-las aqui neste espaço e falar delas (em vez de criar um post para cada uma, o que seria uma chatice)

Memory


Aqui, falamos um pouco sobre memórias. Com uma animação bastante enlouquecida, falamos de momentos marcantes da nossa vida, com leveza e um grande sentido de humor. No fundo, esta curta tenta moralizar-nos para a memória da guerra, que já nesta altura se dissipava para prioritarizar outras coisas.

Drop


Um marinheiro naufrago desespera em busca de uma gota de água. Aparenta ser apenas um exercício de técnica, de qualidade relativa, embora seja bastante engraçado.

The Genesis


Prova de que Tezuka era um hippie de opiniões fortes mas um pouco divergentes em relação ao que seria de esperar. Manifesto anti-feminista no seu âmago, poderá desagradar hoje em dia, mas dentro do contexto da época é muito engraçado.

Jumping


Para mim, esta curta é um pouco assustadora, pois eu tenho como pesadelo frequente isto de saltar cada vez mais alto e nunca mais parar. Também é uma curta metragem que fala um pouco sobre a guerra, mas que também se estabelece como exercício de animação. É bastante curioso.

Broken Down Film


Puro exercício de técnica, mas altamente moderno para a sua época.

Push


Estranho e filosófico, fala sobre um homem que obtém todas as coisas por carregar em vários botões. No entanto, nunca conseguirá um novo planeta Terra, que foi destruído. É uma curta metragem que dá que pensar e nos leva a questionar sobre a nossa própria realidade.

Mermaid


Para mim, o mais interessante e também o meu preferido deste conjunto. Fala sobre a liberdade de expressão e a liberdade de sonhar, numa história com uma elevada força moral que nos prova que imaginar é sempre possível. A animação é muito simples, mas dentro deste contexto tem resultados muito belos. 

Para além destas também vimos Muramasa, da qual já tinha falado neste espaço. São filmes curtos e que vale a pena ver, não só pelo seu contexto histórico e narrativas originais, mas sobretudo pela animação revolucionária, que se veio a revelar mais tarde em filmes com uma produção mais abrangente.

18.2.15

Tales of the Street Corner

Tales of the Street Corner
Osamu Tezuka - Mushi Productions
Anime - Filme
1962
7 em 10
 
E para finalizar, um pequeno filme um pouco mais antigo. Aqui, acompanhamos a vida dos personagens que habitam um beco sem saída, entre postes de electrecidade e posters que estão na parede.
 
Desenvolve-se entre todos eles uma série de histórias, histórias de sobrevivência, histórias de amor, que são interrompidas pelo aparecimento de um poster um pouco maligno, muito parecido (coincidência ou não) com o Estaline. Com a mudança dos posters na parede, vemos a evolução de um regime e de repente situamo-nos dentro de uma guerra da qual será muito difícil escapar, seja-se rato, traça ou urso de peluche.
 
Com algumas cenas de animação delicadamente tocantes, de uma fluidez que ainda hoje parece ser difícil de obter, o foco principal deste anime são os vários desenhos dos posters, que são muitos e estão sempre a dançar. A imaginação que foi necessária para criar tantas imagens, cada uma delas única e altamente detalhada, é um ponto a valorizar bastante.
 
A paleta de cores é bastante escura e limitada, sendo que não há muito uso de sombras. Dentro da opção estilística aqui apresentada, é algo que faz bastante sentido e acaba por funcionar muito bem, embora a menina - única pessoa verdadeira que aparece - necessitasse de algo que a diferenciasse um pouco dos outros personagens.
 
Apesar do final trágico, de morte e destruição, esta curta metragem traz-nos mais uma vez uma mensagem de esperança ambientalista. É um anime marcante para a sua época, altamente moderno até para os conceitos de hoje em dia, que deve ser visto por todos aqueles com interesse na história do anime.

Legend of the Forest

Legend of the Forest
Osamu Tezuka - Tezuka Productions
Anime - Filme
1987
7 em 10
 
Seguidamente, avançamos um pouco no tempo para ver uma animação experimental com uns toque de modernidade. O tema é a natureza e a sua destruição pela parte do homem, mas também como esta dá sempre a volta e é impossível destruí-la totalmente.
 
Ao som de Tchaikovski, vemos duas histórias distintas. Primeiramente, acompanhamos a história de um esquilo que, ao perder a sua árvore de residência, é criado por uma outra árvore. Ao crescer, descobre que pode voar, pois é um esquilo voador. O estilo de animação varia entre algo que poderia ser considerado um desenho técnico, numa cena espectacular de fuga e sobrevivência, passando para uma opção estilística muito mais ocidental, numa mistura de Looney Toons e Disney. No entanto, a narrativa não se conjuga em nada com a destes dois estilos. É como se fosse um Bambi em que tudo corresse ainda pior, de forma realista, emocionante e até tocante. À medida que o nosso personagem cresce, também o seu desenho vai mudando, até atingir uma certa maturidade que é necessária para o desfecho moral da história.

Na segunda parte, um ditador em tudo semelhante ao Fidel Castro destrói a floresta com a sua maquinaria. As pessoas da floresta, entre animais, fadas e cogumelos que andam (!), têm de tomar uma decisão em relação ao que hão-de fazer. Acabam por decidir por uma via pacífica que, ao não funcionar, acaba por levar à vitória da natureza. Também esta secção tem influências ocidentais, com um grande toque de Fantasia nos elementos feéricos. No entanto, a caracterização moderna do ditador como elemento destruidor, não só da humanidade mas de tudo o que a rodeia, é um toque que faz toda a diferença.

Esta curta metragem poderá passar um pouco desapercebida pelo seu estilo admitidamente ocidental, mas sem dúvida que vale a pena dar-lhe uma olhadela.

Pictures at an Exhibition

Pictures at an Exhibition
Osamu Tezuka - Mushi Productions
Anime - Filme
1966
8 em 10

Como estive doente, as celebrações do Dia dos Namuraduhs, também conhecido por SãoValentimerda, foram transladadas para a noite entre segunda e terça feira de Carnaval. Para uma noite calma, sugeri vermos este pequeno filme, que tinha sido sugerido pelo meu clube. Como me esqueci de o levar, vi-mo-lo no Youtube, onde está juntamente com uma série de outros (que vimos a seguir)

Osamu Tezuka, o pai do manga tal como o conhecemos e também do anime, passou os seus anos 60 trabalhando numa série de animações experimentais, exercícios de imaginação e técnica que não podem passar desapercebidas a qualquer fã de anime. Utilizando a animação como ferramenta de crítica social, Tezuka mostra-nos o melhor que a época tinha para dar, com resultados que ainda hoje são espectaculares.

Neste pequeno filme, vamos visitar uma exposição ao som de música clássica (se bem que um pouco vanguardista). Passamos por quadros diversos, muitos deles que mostram pessoas famosas, cada um com um estilo distinto, e de repente podemos olhar para alguns em específico e imaginar a história que está por trás deles. Criticando todas as coisas, modernas para a época mas ainda actuais, desde a destruição da natureza à cirurgia plástica, passando por uma sequência impressionante sobre a guerra, podemos ver curtos momentos de animação sublime, diferente, sem regras e fazendo uso de toda uma imagética que viaja por todos os estilos comuns da altura.

A história que mais me impressionou foi a do jardineiro do jardim electrónico que, com um toque da infantilidade que os desenhos animados tinham como estigma, aborda o assunto de forma poética e com um toque de sadismo.

As sequências são muito vivas, embora a paleta de cores seja reduzida, o que faz todo o sentido tendo em conta o período histórico em que se insere.

É um filme que todos podem ver e que vale realmente a pena, tanto em termos históricos como em termos artísticos propriamente ditos. A genialidade de Tezuka não se encontra na popularidade dada por animes como Astro Boy ou o Kimba, mas nestas pequenas coisas que, estando livres das convenções televisivas e censura, ultrapassam as barreiras do políticamente correcto e criam algo fundamentalmente único.

10.3.14

Senya Ichiya Monogatari

Senya Ichiya Monogatari
Osamu Tezuka - Mushi Productions
Anime - Filme
1969
8 em 10

Para marcar um momento importante, decidi ver um filme. O filme teria de ser bem escolhido, por isso pensei em ver um clássico esquecido. Já me tinham dito coisas estranhas sobre esta obra e queria saber o que realmente se passava com ela. Afinal, o momento importante deverá acontecer com outro filme, por um engano que ainda não compreendi bem. Mas vamos falar agora sobre este.

Ambiente surreal, estas 1001 Noites são uma alegoria para a vida moderna e para os desejos do homem actual. Temos de ter em consideração a data em que este anime foi feito: existem miríades de influências hippies e avant-garde, que aparecem tanto na história como na arte.

Falarei primeiro da história. Um vendedor de água em Bagdad apaixona-se por Miriam, uma escrava. Depois, vive estranhas aventuras pelo universo de influência árabe. Cada uma das aventuras pode ser representativa de algo para a vida normal, servindo como metáfora aos desejos de cada pessoa. A componente sexual é muito forte e explícita, apesar de não ser gráfica (como veremos depois). A luta pelo poder, o desejo de vingança, as dependências, tudo está simbolizado através de objectos, como animais estranhos e objectos mágicos, ou pessoas, outros personagens. No final, temos uma conclusão de que o ser humano é sempre um ser mutável e adaptável e que tudo poderá correr bem se nos mantivermos com sentimentos positivos, o sentimento flower power que grassava na época.

Tudo isto é atingido por uma capacidade artística cheia de detalhes. O bizarro é atingido pela paleta de cores, pelo uso variado de texturas, mistura com imagens reais de paisagens e assim por diante. Existem algumas sequências, nomeadamente as relacionadas com a actividade sexual, que são estranhamente brilhantes, pois demonstram de forma nada gráfica o erotismo da situação, tornando o filme apropriado a todas as idades.

Falando em todas as idades, o filme peca pela infantilidade de alguns momentos. Existem muitas piadas, verbais e estruturais, que por vezes calham mal, sobretudo ao início. A partir do meio do filme, parece que nos habituamos ao ritmo e acabamos por sorrir com as feitas e desfeitas de Alladin, o nosso personagem.

Uma nota especial para a música: o tema é recorrente, mas é excelente. Com uma clara influência progressiva, molda-se em cada situação e fica sempre bem.

No geral, um excelente filme que recomendo. É uma pena que todos se esqueçam destes clássicos, que nos deram tanto e nos fizeram chegar aos dias de hoje.

16.7.12

Muramasa

Muramasa
Osamu Tezuka - Tezuka Productions
Anime - Filme
1987
8 em 10

Este é um filme de 8 minutos dirigido por Osamu Tezuka, o rei do anime e pioneiro da animação japonesa.


Aí está para vocês verem, que vale muitíssimo a pena e não custa nada a ninguém.

Um pouco de história só para ter a noção: era uma vez um tipo chamado Sendo Muramasa que fazia espadas. O gajo era um bocado passado da caixa dos pirulitos, por isso formou-se à volta dele uma lenda que dizia que quem pegasse numa espada dele ficava doidão. Mas mesmo sem esta noção, o anime desenvolve uma situação muito mais complexa que uma espada assombrada.

"Aquele que segurar uma espada para destruir espantalhos também se tornará num espantalho"

Seguimos portanto o caminho de um homem que começa por destruir espantalhos e a sua sede de sangue, ilógica e injustificada (como todas o são), se desenvolve até à sua própria morte. É um pequeno elogio à loucura, com uma moral discreta: também tu podes morrer sob o mesmo objecto que mata os outros. Quase se pode dizer que é um manifesto anti-guerra, anti-morte, anti-tortura, anti-sadismo, anti-sofrimento.

Temos uma animação muito simples, duas frames de cada vez, mas muito eficiente em conjunto com a música. É uma curta que, como todas deveriam, prima pela simplicidade. Os desenhos são muito bonitos e os poucos momentos de animação estão muito bem feitos.

Um perfeito exemplo do que uma pessoa verdadeiramente talentosa pode fazer. Muito recomendado.

22.6.12

Astro Boy (1980)

Astro Boy
Yamamoto Sazushi (Criado por Osamu Tezuka) -  Tezuka Productions
Anime - 52 Episódios
1980
5 em 10

A questão inicial que se coloca é "porque é que eu me meti a ver isto"? Demorei quase um ano a ver esta coisa, com longos intervalos entre episódios e finalmente terminei! Ai, que seca monstruosa que foi!

Atom (erradamente traduzido como Astro nas legendas) é um rapazinho robot misteriosamente criado para servir de filho a um cientista. Ora o cientista abandona-o e nunca mais se fala nisto. Com isso o jovem vai viver com um professor e, dado que tem uns super-poderes todos-poderosos, tem aventuras. 52 aventuras, para ser mais exacta.

Ora portantos, isto é uma coisa profundamente infantil. Iá, iá, zás-trás-pás e tá resolvido o assunto! Mesmo que tenha armas nucleares, os bons ganham sempre, até quando morrem. Bem, ao menos há mortos... Dado que eu não tenho 7 anos e que este anime não me fez reviver esses tempos idos, isto foi uma experiência chatíssima. Além disso, robots em todo o lado! Tudo o que existe no mundo é robótico. Até a esfinge, até os maias, até pedregulhos! Até os vikings! Achei interessante mostrarem todas as partes do mundo, porque é informativo para os miúdos, mas isto é um exagero de coisas robotizadas.

Os personagens poderiam ser mil vezes mais interessantes do que aquilo que são, pois têm bastante potencial. No entanto as criancinhas não o iriam perceber e aqui optam pela fórmula de "temos um personagem de base e vamos mantê-lo assim até ao fim da eternidade".

A animação, no entanto, é muito boa. É simples, pois assim o requerem os designs, mas muito eficientes. Está aqui uma arte muito moderna para anos 80, com linhas muito claras e muito boa qualidade de imagem.

A música é sempre o mesmo par de jarras. Tocam tantas vezes e são tão "épicas" que uma pessoa até fica com elas na cabeça

Atommmm... Atommmm... Nunca mais pego em ti nem com um pau bicudo!