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10.3.16

Miss Hokusai

Miss Hokusai
Hara Keiichi - Production I.G.
Anime - Filme
2015
6 em 10

Fui com a Ana-san ver este filme na competição de longas do festival Monstra 2016. é um festival de animação que tento não perder, embora já não tenha ido no ano passado. Enfim, dos filmes de anime propostos no festival, este era o único (fora outro que foi uma ante-estreia) que não tinha visto. Assim, aproveitei a oportunidade.

Comprei logo os bilhetes assim que cheguei e, por motivos de não ter troco disponível, a moça da caixa fez-me um desconto de 50 cêntimos. <3 Também recebi um desconto no café, por ser Dia da Mulher! Mas falemos do filme...

Certamente que todos conhecemos alguma obra de Hokusai, um artista Japonês da ida Época Edo. No entanto, não se conhece muito sobre a sua principal ajudante, a filha O-Ei. Esta, pelos vistos, era quem pintava grande parte dos quadros do pai. Um quadro de referência do artista (não da filha, penso) é aquele das ondas, vocês sabem qual é. :)

Então, temos aqui um filme biográfico sobre a vida de uma pessoa que sempre ficou na sombra do seu pai, apesar do seu inusitado talento para a pintura. Vemos a forma como lida com as situações e como estas acabam por influenciar os seus objectos artísticos. No entanto, a forma como a narrativa está estruturada acaba por não permitir que haja um desenvolvimento da personagem em que ela aproveite as características dos acontecimentos para melhorar os seus talentos. Todos os elementos que ocorrem (a visita à cortesã, a visita ao prostíbulo, o encontro no kabuki, a aldrabice dos homens, etc.) não têm qualquer consequência na forma de pintar da personagem. Assim, toda a história acaba por ser imaginativa mas inconsequente. No final, quando um evento fatal finalmente tem algum tipo de influência, o resultado final acaba por ser desapontante.

Desapontante é também a arte, apesar de a animação estar bastante capaz. Os cenários poderiam ter algum tipo de beleza se fossem observados pelos personagens, em vez de serem simplesmente locais por onde estes passam. As ruas, a ponte, as casas, está tudo bastante detalhado mas o mix digital acaba por se tornar evidente. E, finalmente, as animações dadas aos desenhos são pouco inspiradas e originais: o potencial principal do anime estava nas interpretações dos desenhos dos artistas, mas estas são mais um "showcase" em vez da experimentação que poderia ter sido usada para dar um outro tipo de colorido ao filme. Gostei do facto de os designs das pessoas serem realistas e da própria personagem principal ser um pouco feia.

Musicalmente, temos peças desenquadradas da época e que não jogam com o contexto. Também não apreciei as vozes, que me pareceram ou indiferentes ou exageradas conforme as situações.

Portanto, um filme que não vale a pena ir ver no cinema.

17.3.13

Quem Tramou Roger Rabbit

Quem tramou Roger Rabbit
Robert Zemeckis
Filme
1988
7 em 10

A propósito da Monstra, Festival de Animação, passei a tarde toda no Cinema S. Jorge. Perdi o filme de anime, porque cheguei meia hora depois de ter começado, mas vi o Roger Rabbit. Que é um filme que sinceramente não me importo nada de ir ver no cinema, porque sempre gostei dele.

Um policial com um twist: os desenhos animados são pessoas. Pessoas loucas, mas pessoas vivas. Valiant é um detective privado que já teve melhores dias e que um dia tem de ir tirar umas fotos pornográficas à mulher do Roger Rabbit, um coelho toon. Depois alguém morre, Roger é acusado e o detective protege-o e esconde-o enquanto tenta perceber quem é o verdadeiro vilão da história. O resultado é um filme divertidíssimo.

Groundbreaking (partidor de chão) na utilização de animações que interagem com actores e objectos, é um excelente exemplo das coisas que se podem fazer com desenhos. Foram precisos muitos animadores para fazer isto, mas cada detalhe está no sítio certo e até coisas difíceis, como a cena do candeeiro, foram conseguidas.

Os actores verdadeiros não estão a fazer nada fora do comum, mas funciona. As vozes dos desenhos também funcionam. E é o conjunto que trás um resultado divertido.

A única coisa que eu não gosto deste filme é que os desenhos são todos "toons" antigos e eu não aprecio toons. Não acho graça a coisas que caem e se magoam. E Roger Rabbit passa o tempo a dizer que os desenhos animados foram feitos para rir e isso não é assim tão verdadeiro.

Depois do Roger Rabbit ainda vi a sessão de competição das Curtíssimas, Super Shorts. Foram 72 minutos e eu estava a ver que nunca mais acabavam. Porque quando digo Curtíssimas... São mesmo curtas. Com 30 segundos. A dois minutos. Bom para ver no youtube, mas numa sala de cinema, dezenas delas umas a seguir às outras, já me estava a alucinar. De qualquer forma, a minha preferida chamava-se Woof Woof e era com quadradinhos e triângulos. Perdi o lançamento da revista Banzai porque fui lanchar, mas estava lá uma exposição.

Gosto sempre de ir à Monstra, vou todos os anos. Talvez para o ano finalmente vá acompanhada. Quizas quizas quizas