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24.10.16

Em Busca do Tempo Perdido 7 - O Tempo Redescoberto

Em Busca do Tempo Perdido 7 - O Tempo Redescoberto
Marcel Proust
1927
Romance

Parece que, portanto... Descobri o Tempo Perdido! Pois é... Terminei a grande saga! E devo dizer que não foi nada tão difícil como esperava, porque foi uma leitura absolutamente deliciosa! =D

Ora, neste último volume o Narrador continua à procura de um tempo que já se perdeu. E tudo está bem, até que começa a Primeira Guerra Mundial. Nessa altura parece que todos os homens jovens são deslocados para as trincheiras, restando os doentes, como ele, e os velhos. Assim, ele assiste a algumas coisas ligeiramente escabrosas, quase todas protagonizadas pelo Sr. de Charlus.

Mas depois, e aqui está o génio disto tudo!, ele afasta-se para casas de repouso, para regressar anos mais tardes. E nessa altura... O tempo! O tempo que estava perdido! Onde está ele? Estão todos velhos. Velhos, horrendos, acabados. Os salões que encantavam o narrador no passado perderam todo o seu brilho, todas as pessoas reaparecem como peçonhentas, sem interesse. Finalmente o autor percebe que o mundo em que vivia nunca foi real: não era aí que ele iria encontrar o tempo que se perdeu. Agora, perto da morte, é que fianlmente percebemos como nada disto faz sentido.

O narrador compreende que nada disto faz sentido.

E isto, senhores, isto é brilhante!

Recomendo vivamente a todos que tenham a aventura de, pelo menos, experimentar este romance em 7 volumes. É simplesmente fabuloso!

13.10.16

Em Busca do Tempo Perdido 6 - A Fugitiva

Em Busca do Tempo Perdido 6 - A Fugitiva
Marcel Proust
1927
Romance
 
Continuemos a ganhar tempo com a busca pelo tempo perdido! =D 

O que acontece em "A Fugitiva"? Vou já mandar o spoiler. A Albertina morre. E o narrador processa as 200 páginas seguintes a pensar nela e a tentar viver com isso. Acaba por confirmar que as suas suspeitas sobre o mundo de Gomorra não eram infundadas, mas também nunca nos dá a certeza: ele próprio não pode ter a certeza, pois tudo neste universo é absolutamente manipulado para o prazer das pessoas certas.

Isso continua a provar-se através das atitudes dos Srs. Guermantes e do reaparecimento de Gilberta, que passa a tornar-se o foco central da atenção do narrador. Mais uma vez debatemos assuntos como o anti-semitismo, mas o ambiente é tão deslocado da realidade que as conclusões não são de todo lineares e nunca ficamos a saber o que "é de bem" para estas pessoas.

Proust escreve de forma maravilhosa, apesar de tudo. Os acontecimentos não são de todo importantes: prova-se com este livro que o prazer da leitura desta obra não está no conteúdo, mas sim na forma. É fabuloso como um autor tem a capacidade de nos levar por um mundo de palavras que, por si só, não possuem qualquer significado, mas que todas juntos nos trazem imagens de uma beleza quase fatídica.

Estou ansiosa pelo último volume, para ver como termina a grande saga!

24.9.16

Em Busca do Tempo Perdido 5 - A Prisioneira

Em Busca do Tempo Perdido 5 - A Prisioneira
Marcel Proust
1923
Romance
 
Abandonamos o Kobo para regressar ao mundo dos livros físicos. E que melhor forma de recomeçar do que com a continuação do Em Busca do Tempo Perdido? :) Este quinto volume foi editado apenas postumamente, dez anos após a primeira edição do primeiro volume.

Neste volume, o narrador leva a já famosa Albertina para casa. No entanto, tem constantes acessos de ciúmes que fazem com que ele a prenda na sua própria residência, de forma a que ela não possa ver ninguém nem ter qualquer amiga, para que não seja seduzida pelo universo de Gomorra. Para além disso, há uma grande cena em casa dos Srs. Verdurin, em que o Sr. de Charlus é expulso do seu círculo social por nenhuma razão lógica (sem ser a de "fica mal nas festas")

Se as imposições sociais relatadas pelo ambiente dos salões dos Verdurin acabam por se tornar pouco relevantes neste contexto, já que em quatro volumes anteriores levámos com uma grande injecção delas e já sabemos o que se passa, a relação do narrador com Albertina começa, finalmente, a revelar muita coisa sobre o primeiro.

O narrador tem um pânico constante de ser traído, mas ainda assim procura em Albertina a primeira imagem que teve dela, a das raparigas em flor. Ora, esta personagem evoluiu e neste momento é mais inteligente e mais sarcástica, perdendo muito da sua inocência inicial. Assim, o narrador parece prendê-la em casa para que a sua imagem não desapareça. Isto é, apesar de tudo, ele continua sempre "em busca do tempo perdido". Isto demonstra que este narrador não é o rapaz idealista e tímido que ele nos tem vindo a tentar desenhar. É, antes disso, uma pessoa altamente manipuladora, tal como todos os outros da alta sociedade que o rodeia nos salões que frequenta.

Estou ansiosa pelo próximo volume!

5.8.16

Em Busca do Tempo Perdido 4 - Sodoma e Gomorra

Em Busca do Tempo Perdido 4 - Sodoma e Gomorra
Marcel Proust
1921
Romance

Lá continuo eu em busca do tempo perdido. Ainda não o encontrei. Mas terminei o quarto volume  do conjunto, que apreciei muito.

Após a morte de sua avó, que continua a ter repercussões na vida do narrador, este envolve-se num outro tipo de sociedade para além das dos Guermantes. Ao viajar, de novo, para a cidade veraneante de Balbec, encontra-se nas festas, encontros e reuniões de outras famílias, nomeadamente os Verdurin e os Cambremer. Mais uma vez, o narrador demora-se longamente a observar estas pessoas que são, de todos os modos, mil vezes mais interessantes que os Guermantes (que não davam uma para a caixa).

Mas, neste livro, o autor começa a explorar um outro assunto que, suponho, era muito pouco tratado na época: a homossexualidade. O narrador vive num pânico constante que Albertina, a sua amada, se envolva tanto com homens como mulheres, sendo que relata alguns momentos em que desconfia que ela pertença à "tribo de Gomorra". Aparece também um novo personagem, o Barão de Charlus, que é abertamente homossexual. O narrador descreve, então, os seus hábitos e maneirismos, de forma a caracterizar, de certa forma, toda esta população.

No entanto, não o faz de forma crítica ou rude. Como sempre, o nosso narrador é puramente um observador e não forma opinião sobre nada em especial. Ele apenas relata as coisas que acontecem e a forma como algumas delas o atingem emocionalmente, mesmo que isso acabe por - no final - não causar qualquer tipo de contratempo no seu convívio com a sociedade (da qual, volto a insistir, ele parece não gostar assim tanto).

Agora estou ansiosa pelo próximo volume onde, suponho, o narrador começará a envolver-se realmente com Albertina e haverá algum tipo de união, relação, ou algo do género. Se bem que posso chegar ao volume 5 e nada disso acontecer, claro. Proust não é tão evidente como poderíamos pensar.

27.7.16

Em Busca do Tempo Perdido 3 - O Caminho de Guermantes

Em Busca do Tempo Perdido 3 - O Caminho de Guermantes
Marcel Proust
1920
Romance
 
Cá continuo eu em busca do tempo perdido. Informo, a quem se interesse, que ainda não o encontrei. Mas, também a quem se interesse, digo que este livro é, mais uma vez, um exercício de fascinação.

Desta feita o narrador, mais crescido, regressado das fabulosas férias em Balbec, decide envolver-se com a aristocracia vigente, desenvolvendo uma paixoneta pela Sra. de Guermantes. Assim, é convidado para casa destas pessoas e este volume relata o convívio com esta gente e as conversas que têm em longos serões.

Em que consistem estas conversas? Bem, nada de muito diferente do que se passa hoje! Senhoras que dizem mal de outras senhoras, recusando-se por causas e outras causas a visitarem-se umas às outras. Senhores que implicam com outros senhores, afirmando a falta de inteligência uns dos outros. Piadas que dizem, que seriam muito catitas se realmente tivessem graça. E uma discussão política recorrente ao longo de todo o volume: o caso Dreyfus.

Este foi um caso que dividiu opiniões na época, que consistiu na condenação injusta de um oficial judeu por razões que nunca ficaram por apurar (mas que se acreditam ser o facto de o rapaz ser judeu). Os personagens de Proust dividem-se em dreyfusistas e anti-dreyfusistas e, apesar de nunca discutirem abertamente uns com os outros, conseguimos ter uma visão bastante realista das opiniões da época. O autor apresenta-as sem nunca tomar um partido, o que acaba por tornar todo o debate numa experiência excitante, em que procuramos tomar uma posição baseados no que os personagens opinam.

Mas há um senão nisto tudo. E o próprio autor sabe disto e explora isto. As pessoas deste livro, acaba o narrador por descobrir mais tarde, são completamente destituídos de qualquer tipo de interesse. São pessoas puramente vulgares, armadas ao pingarelho por posições políticas e familiares que, conforme as consequências de Dreyfus, se tornam progressivamente obsoletas. Assim, as últimas páginas deste livro foram um suplício para mim: eu simplesmente não queria saber mais sobre os sapatos da duquesa. O que é verdadeiramente fascinante é a compreensão que o narrador faz disto e o seu progressivo afastamento, pontuado pela aproximação que lhe fazem.

Agora vamos para o quarto volume, que estou desejosa de ler para saber por que caminho vai o narrador a seguir. :)

28.6.16

Em Busca do Tempo Perdido 2 - À Sombra das Raparigas em Flor

Em Busca do Tempo Perdido 2 - À Sombra das Raparigas em Flor
Marcel Proust
1919
Romance
 
Passamos ao segundo volume do romance "Em Busca do Tempo Perdido", do qual eu havia lido o primeiro muito recentemente. 

Neste volume, continuamos efectivamente em busca de um tempo que já há muito terminou. Desta feita, o narrador começa a fazer descobertas relacionadas com a sua adolescência, nomeadamente a sua relação com a sexualidade e o romantismo que a envolve perante as situações sociais em que se encontra.

Não apreciei tanto este livro como o anterior, confesso. A verdade é que achei sumamente aborrecidas todas as "raparigas em flor" pelas quais o narrador (que, vim a saber, será provavelmente o próprio autor) se apaixona seguidamente. Todas elas parecem um retrato picaresco de uma sociedade que se encaminha para a extinção. No entanto, o narrador aparenta conhecer isto: os elementos que ele relata encontram-se plenos de uma certa ironia discreta que poderá passar desapercebida aos olhos menos atentos.

Este volume encerra também uma mudança de espaço, sendo que o ambiente urbano é repentinamente substituído por umas férias na praia. Claro que as actividades nesse local são bastante reduzidas e a narrativa se dedica a descrever plenamente todas as raparigas que o narrador vai encontrando pelo seu caminho, quer estas tenham algum tipo de influência na sua história pessoal quer estejam apenas de passagem.

Outro aspecto que achei um pouco aborrecido foi o facto de nunca se perceber claramente qual a idade do narrador neste momento da história. Num momento diz que foram brincar no parque, pelo que o imagino uma criança. Mas no outro momento diz que não há barbeiro e que tem de passear com barba, pelo que isto fica tudo bastante confuso para mim.

No entanto, espero que o próximo volume se redima destes problemas e, por isso, aguardo impacientemente o encontro com o meu pai em que ele mo entregará por empréstimo. :)

17.6.16

Em Busca do Tempo Perdido 1 - No Caminho de Swann

Em Busca do Tempo Perdido 1 - No Caminho de Swann
Marcel Proust
1913
Romance

E, como sou louca, iniciei-me numa outra empreitada literária: Em Busca do Tempo Perdido, um romance em sete volumes do início do século XX, escrito pelo muito famoso Marcel Proust.

Ora, este livro corresponde exactamente ao seu nome: a procura de um tempo que já passou, um tempo que se perdeu. Mas, ainda assim, a sua leitura nunca se poderia considerar "tempo perdido", porque é deliciosa. É fabuloso ver como um livro que fala sobre absolutamente nada pode ser tão cativante, enquanto que livros modernos em que acontecem milhentas coisas acabam por ser perfeitamente inúteis (não irei citar nomes para não ofender algumas almas)

Neste primeiro volume, o narrador é ainda criança e fala das suas vivências em Combray, uma terra um pouco afastada que se perde na natureza. No entanto, há um personagem constante, sobre o qual o livro se detém durante longo tempo: Swann. Qual a importância deste personagem na grande escala das coisas? A verdade é que o narrador acaba por se sentir influenciado por esta presença que, não sendo constante na sua vida, tem uma grande força moral no mundo infantil. Afinal, trata-se do pai do primeiro amor.

Assim, temos uma grande parte do romance dedicada à forma como Swann conquista a sua actual esposa e como esta acaba por o fazer sofrer de diversas formas por não corresponder ao nível do seu amor. Isto pode parecer pouco consequente para a narrativa, mas serve como uma forma de caracterizar a época em que se vive. Repare-se que, para caracterizar a época, o autor não recorre a prolongadas descrições do ambiente dos salões ou das roupas. Em vez disso, prende-se nas questões dos hábitos e na qualidade dos diálogos.

Um livro que se lê rápido, apesar da densidade, e que é simplesmente fascinante. Estou ansiosa por continuar a minha senda e passar desde já para o segundo volume, mas tenho outras leituras intercaladas para não fartar :p