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22.4.16

Astronomia

Astronomia
Mário Cláudio
2015
Romance

Recebi este livro pelo Natal. Já há algum tempo vinha alimentando curiosidade por este autor, pelo que o presente veio mesmo a calhar.

Este livro compõem-se de três partes distintas que nada têm a ver com o título proposto. Aliás, o tema estelar nunca é tocado ao longo de nenhuma parte da narrativa, com excepção devida para a parte finalíssima.

Na primeira parte assistimos à infância de um personagem, por enquanto conhecida por "o velho", num universo caseiro e escolar ainda inflamado por uma guerra e pela pobreza. Ainda assim, descobrimos que esta criança tem uma grande paixão pelos livros e por tirar apontamentos destes, nem sempre apropriados para a situação que está a ser relatada. Esta foi a parte do livro de que gostei mais, porque tem toda uma aura de fantasia e de felicidade que é apenas característica das crianças.

A partir da segunda parte, figurada por um "rapaz", tudo começa a ficar um pouco mais estranho. Vamos acompanhando a adolescência e o início da vida adulta desta pessoa, revelando os seus gostos, prazeres, traumas (com uma breve referência à guerra colonial, que pensei - pela sinopse - que seria muito mais apontada) e paixões. No entanto, comecei a reparar numa certa coincidência... É que o percurso deste rapaz parecia exactamente o mesmo que o do próprio autor, conforme descrito na aba do livro! Mas... Que se passa aqui afinal? Será que afinal de contas estou a ler uma autobiografia? Mas para que quero eu saber da vida de uma pessoa que nem sequer conheço? E se não for uma autobiografia? Que raio de autor faz uma auto-inserção deste nível num personagem?

Finalmente, na terceira parte, temos o "menino", que é o personagem numa idade avançada. Aqui o autor faz elocuções extremas sobre as tecnologias e os acontecimentos do "agora", que me pareceram arrogantes e, sobretudo, maldosas - sobretudo no relativo ao insurgir de novos autores, que, pelos vistos, não têm o direito a cansar a pobre hipocondria do personagem com suas inutilidades.

Ainda assim, temos de admitir que o livro está muito bem escrito, fazendo uso de muito rico vocabulário. É um livro excelente, mas a atitude é que é má.

1.9.14

Nero e Nina

Nero e Nina
Mário Cláudio e Evelina Oliveira
2012
Livro Infantil

Era Natal de 2012 quando me ofereceram este livro, autografado e tudo. Foi uma série de coincidências: era Natal, o autor estava a autografar o livro e eu gosto de cães. Portanto, recebi-o. Mas como não dá muito jeito de o transportar e à primeira vista achei que o texto fosse maior, fui adiando o momento de o ler. Cá chegados, posso dizer que afinal foi um instante.

Acompanhamos a história de Pedro e Inês sob uma perspectiva diferente: a dos cães de Pedro e Inês, Nero e Nina. Numa narrativa muito portuguesa, intercalamos entre um cão e outro até descortinar a história. Tiveram um final mais feliz do que os seus donos, posso já dizê-lo.

No entanto, para livro infantil, achei que a linguagem era demasiado extrema, demasiado tradicional, muitas vezes difícil de compreender. Notas de rodapé enchem a última página, mas para uma criança será um livro bastante difícil. Será um livro mais apropriado a adultos que gostem de ilustrações.

As ilustrações são muito interessantes e texturizadas. Os cães são bastante expressivos, embora tenha achado que Nero não tem muito tempo de antena comparado com a namorada. Além disso, as ilustrações não ajudam muito na compreensão da história, mostrando apenas o cenário em que cada momento se passa.

Mas gostei deste livro, porque gosto de cães.