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11.11.16

Gabriela Cravo e Canela

Gabriela Cravo e Canela
Jorge Amado
1958
Romance
Este livro foi um pouco custoso e ler. Não exactamente pelo seu conceito ou forma de escrita, até porque é mais um de Jorge Amado, sempre divertidíssimo, mas mais exactamente pelo tamanho das letras, que eram diminutas e eu sou muito pitosga. 

Tornado famoso pelas múltiplas novelas e adaptações para filme, teatro e dança, este livro fala de uma pacata cidade, Ilhéus, e as pessoas que lá vivem. Quando o árabe Nacib fica sem cozinheira, acaba por contratar Gabriela, que veio de terras secas para esta cidade próspera em cacau. Daí se desenvolve uma história de amor, intercalada com outros amores de outras personagens.

Estes estão bem construídos, embora não haja aqui tanto detalhe como seria de esperar. A caracterização principal é feita à cidade em si, com seus hábitos, cores e cheiros. Trata-se de um romance de costumes, que pretende mostrar como uma cidade pode mudar as suas concepções através das pequenas atitudes de cada um dos seus habitantes.

No entanto, não gostei muito da causa destas transformações. Isto é, se era aceitável no passado um marido traído matar tanto mulher como amante, será que é aceitável não os matar mas enchê-los de pancada? O livro parece ser bastante apologista da violência em relação à figura feminina, sobretudo porque esta não abandona de imediato a fonte de violência e continua a ela apegada até ao final.

Ainda assim, é bastante divertido acompanhar estas pequenas histórias. Pena as letras serem tão canochas.

10.3.16

Dona Flor e Seus Dois Maridos

Dona Flor e Seus Dois Maridos
Jorge Amado
1966
Romance

Como gosto do autor, pedi para receber este livro pelo BookCrossing. No entanto, não estava à espera que fosse tão grande e estive sempre a adiar a hora de o ler. Agora, finalmente terminei.

Esta romance conta a história de Dona Flor, que era casada com Vadinho, um escroque de todo o tipo, viciado no jogo, que só lhe fazia mal. Quando, inesperadamente, ele morre, Dona Flor faz o seu luto e - um ano depois - volta a casar-se. Desta feita com Teodoro, farmacêutico, um homem às direitas. Mas à noite, ela sente a falta de mais actividade... O que virá a acontecer?

Vem na sinopse, mas não vos vou contar, porque isso tira metade da piada do livro. A verdadeira acção só acontece no último quinto do livro. Até lá, sucedem-se descrições de todo o tipo, com uma cuidada caracterização das personagens, em que há mesmo a utilização de outras personagens para definir aquelas que virão a ser as "principais". Estas descrições imersivas e profundas levam a que haja também a caracterização da própria sociedade, naquela cidade, num detalhe quase queiroziano.

Felizmente, é tudo muito colorido e divertido, cheio de cheiros, cheio de comidas que aparentam ser deliciosas (embora eu nunca me visse a comer um cágado). No entanto, pareceu-me que o vocabulário era bastante limitado, havendo palavras repetidas até ao enjoo, como por exemplo: "vadiar", "castelo", "mulher-dama", "xoxota", etc. Curiosamente, todas palavras de cariz semi-pornográfico. Esse elemento aparenta ser muito importante para o desenvolvimento das personagens, o que acaba por ser um pouco limitativo nas suas personalidades.

No entanto, acabam todos felizes e isso é o que interessa :) Agora, que farei eu com este livro? :o

3.4.15

Tieta do Agreste

Tieta do Agreste
Jorge Amado
1977
Romance

Recebi este livro num RABCK do BookCrossing. Escolhi-o porque o Jorge é Amado e porque apenas me lembrava muito vagamente da novela (quase nada, eu nunca fui muito de ver televisão). Apresenta-se um livro à primeira vista difícil, com uma linguagem muito própria, mas que depois do choque inicial é deliciosamente divertido.

Contado numa estrutura próxima ao do folhetim de revista, fala da história de Tieta que regressa a casa décadas depois de ter sido expulsa, agora rica e cheia de sucesso. O seu regresso provoca uma série de acontecimentos públicos, políticos e pessoais, aventuras sexuais desregradas e toda uma confusão que acaba por se resolver quando tudo é revelado: Tieta obteve o seu sucesso não por se casar conforme deus manda - com um  homem muito rico - mas por ser dona e gerente de um tal de "Refúgio dos Lordes" (cuja função poderão adivinhar pelo nome)

A narrativa tem momentos hilariantes e segue sempre em frente com poucas pausas para meditar. Quando estas acontecem, os eventos podem ser um pouco aborrecidos (não gostei, sobretudo, dos dilemas de Ascânio), mas na maioria das vezes são muito gratificantes em termos de desenvolvimento de personagem (como no caso das confissões de Cardo)

Todo o livro é de uma ironia ardente e acutilante, atacando a sociedade brasileira da actualidade do contexto com uma subtileza que não deixa de ter muita força. O resultado final dá para muitas gargalhadas.

E é por isso que o Jorge é Amado. :)