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5.5.14

Cobiça

Cobiça
J. R. Ward
2011
Romance Fantástico

Livro que recebi no BookCrossing, apesar de não me lembrar exactamente de como, quando e porquê que o pedi. Porque assim que o recebi pensei... "Não"

Comecemos pela biografia da autora na aba das costas do livro. "Vive no Sul dos Estados Unidos com o seu marido incrivelmente generoso (...)" O que me faz desconfiar que foi o marido que pagou a edição  desta série dos Anjos Caídos mais de todas as passadas e futuras.

O livro propriamente dito... A ideia está engraçada, por assim dizer. Um gajo todo durão morre e informam-no no céu de que tem de ir salvar sete almas pecadoras de serem consumidas pelo diabo. Para salvar o mundo. Iupi. Mas o ambiente, as personagens, a linguagem, tudo torna esta ideia que poderia explorar muito sobre a condição humana numa historieta pré-adolescente com gajos metaleiros com tranças e montes de sexo com tranças.

Comecemos pelas tranças: os personagens parecem ser definidos pelo seu aspecto. Apesar de a autora insistir que todos têm um trauma passado ou algo que o valha, este torna-se irrelevante para o desenvolvimento da personalidade dos personagens, nem define as suas acções, sendo apenas motivo para todos serem tão "duros" e "agressivos" e "gajos com tomates". As descrições são horrendas, ofendendo classes sociais e trabalhadoras de frase em frase. Suponho que a autora, como tem um marido muito generoso, nunca tenha conhecido um pedreiro, pelo que acha que todos são broncos. Também há uma carga religiosa com uma tonalidade inespecífica e um pouco tonta, porque é toda a gente extremamente católica, sem que isso contribua em nada para a história ou para o desenvolvimento do carácter. E isto até seria uma coisa importante, dado que estão a lutar contra um demónio, ou quês. Também há os góticos, essa classe do tecido social tão estranha, que até tem prostitutas a trabalhar em bares, devem ser todos uns mauzões anti-católicos.

Acabemos no sexo: nos três-quatro dias em que se desenrola esta história, esta gente tem sexo em quantidades copiosas. Tudo bem, é saudável. A questão aqui é que a autora descreve estes actos com detalhes quase mórbidos, pornografia literária, digamos. E é horrível e é impossível levar o livro a sério quando de tantas em tantas páginas a "cabeça do membro" entra em acção (que termo horrível!)

Enfim, não é para repetir. Se me chegarem os outros livros da colecção, lá terei de enfrentar a besta com um sorriso. :>


19.9.13

Noite da Alma

Gaea - Noite da Alma
Sophia CarPerSanti
2011
Romance Fantástico

E com este livro, finalmente termino os prémiso que recebi no concurso da Nanothron. Já não era sem tempo!

Pois bem, este livro é uma coisa enorme. Oitocentas páginas. Oitocentas páginas de demónios. E vou confessar: ao ler este livro eu só conseguia pensar num anime, daqueles shoujos góticos em reverse harem... Bem, quem lê este blog por causa dos livros não sabe do que estou a falar, mas é uma coisa gira. Por isso, admitamos desde já, o livro é giro. Vou começar por dizer as razões pelas quais o livro é giro.

Os personagens, que dão vida à história. A história é muito simples, mas aceitável, e o que lhe dá brilho são as personagens. Mari, o centro das atenções, pareceu-me (muito ligeiramente) uma auto-inserção. Mas , ao contrário das auto-inserções mais vulgares, ela tem uma personalidade própria. Ela é capaz de tomar decisões, ela tem dúvidas coerentes com o contexto da história, ela tem atitudes, que se vão desenvolvendo à medida que ela vai compreendendo os seus sentimentos. E depois, o harem. Todos eles têm alguma coisa para contar e é através do que eles contam que ficamos a saber como funciona o mundo dos Deiwos (que os "Humanos" chamam de "Demónios"). E, este mundo, é curioso e fascinante e queremos sempre saber mais sobre ele até ao fim do livro.

E agora, as razões pelas quais o livro perdeu-se no meio de tanto potencial.

É demais. É demasiado longo. É demasiado detalhado em detalhes que não importam. Não é relevante descrever todas as refeições todos os dias. Não é relevante descrever o que Mari veste todos os dias e de que cor é a camisa de Gabriel. A história não avança porque está presa em detalhes da vida normal. É certo que algo da vida normal é importante, para sabermos como os personagens se dão uns com os outros, mas é demasiado detalhe, um fatia-de-vida que não contribui em nada para a história.

Além disso, o que são aquelas citações de Crowley? Pensava a autora que nos ia impressionar muito ao citar o senhor? Sobretudo com citações que não têm relação nenhuma com a história, com o desenvolvimento, com os personagens, com nada? E aquele glossário? Cheio de palavras que não figuraram uma única vez durante toda a narrativa?

E aparentemente isto vai ser uma série... Se forem todos tão grandes como este, não há prateleira que aguente!

Um livro que me causa uma certa pena, porque é mesmo giro mas que se torna aborrecido. Gostaria de o ter partilhado no BookCrossing, nomeadamente num BookRay, mas como era demasiado grande para por no correio, decidi libertá-lo "ao vento", deixando-o à espera de novo dono num dos bancos da praça em frente ao Continente do Colombo. Espero que encontre alguém que goste dele, tanto como eu gostei (porque gostei mesmo muito, apesar de tudo)