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16.7.14

Central Comics Fest 2014

Central Comics Fest
Evento

 

Assim nos encontramos. Podres, mortos, essencialmente a necessitar de férias. Portanto, aqui a vossa locutora consegue - por portas e travessas - obter dois dias de férias. Woohoo! Por isso, vamos aproveitar que há um evento de anime e vamos ao PORTO!!!

Assim começo este relato, que não será só do evento mas sim da aventura dos Dois Cabeleiras do Apó-Calipso na cidade invicta, ou algo assim. São eles, os dos cabelos maviosos: eu (doravante conhecida por eu) e o namoradim (doravante conhecido como Zi). Vamos começar a viagem? 

Quem apenas quiser saber o que se passou no evento de anime, que salte para Sábado (Ctrl+F Sábado). ;)

Quinta Feira: Viagem para Terras Distantes e Ambientação

Na verdade, tudo começou antes, como a marcação da viagem e do hostel. Como fomos em modo altas poupanças, decidi comprar os bilhetes com cinco dias de antecedência, para obter o fantástico desconto de 40% da CP. No entanto, houve problemas, pois o bilhete que eu queria esgotou-se nos momentos em que eu não consegui lidar com o site da CP. Mas enfim, às onze e meia de quinta feira estamos a bordo de um InterCidades, carregados de tralha. Tralha essa: malas, a minha com mais cosplays do que roupa, uma espada e a boneca (doravante conhecida como A Gaja). Ora, a Gaja é enorme, tem um metro de altura. Além de ser horrorosa, claro. Chamo-lhe assim porque ela não tem nome e não é minha, portanto não tenho direitos para lhe dar um nome.

Chegamos, carregando todos esses objectos volumosos, para não encontrar no hostel. Estava bem escondido, mas revelou-se bastante agradável. Para começar, era baratíssimo. Depois, tínhamos um quarto com uma cama aceitável só para nós, sem ter de o partilhar com outros malucos, jovens, turistas ou seres desse género. Tinha cozinha e pratos e talheres. Estes eram um pouco badalhocos, mas eu acho que é porque os outros residentes, os estrangeiros, não devem saber como é que se lava um prato. Tinhamos sempre de lavar a loiça antes de a usar, porque mesmo quando já estava a secar no lavatório ainda tinha manchas e gordura e coisas. Ew. O quarto tinha casa de banho, mas poderiam ter colocado sabonete para lavar as mãos. Teria sido bom. Finalmente, havia um espaço exterior com mesas, cadeiras e estendais, onde podíamos estar a esfumar-nos, a tomar o pequeno almoço ou a beber sângria, mesmo à porta da nossa janela. Hostel para voltar, porque se estava lá mesmo bem!

Pousamos objectos. Lanchamos, havia fomes (eu tinha levado uma salada de feijão frade e atum para comer no comboio, mas já era hora de ter fome). E vamos turistar um pouco!

Primeira paragem: Casa da Música. É realmente um edifício estranho, parece uma casa de pernas para o ar. Entrámos e não havia nada para ver, para além de uma loja de souvenires (que até tinha umas t-shirts engraçadas). Pensávamos que tinha exposições ou algo do género, mas aparentemente é apenas um lugar onde dão concertos, à moda de Coliseu ou outro espaço do mesmo tipo. Por dentro, a arquitectura é certamente original e bizarra, mas não nos deixaram ver mais nada, insistindo que tínhamos de ir com guia, que não estava disponível àquela hora. Pelo menos para nós, pois estava lá um grupo de estrangeiros com o guia. Note-se que a Casa da Música deve ter sido feita tendo em mente a comunidade skater, pois estavam lá imensos. Parecia o Terreiro do Paço, mas com menos freaks a fumá-las.

 Estranho por fora

 Estranho por dentro

Depois, vimos um Parque Redondo, cujo nome não recordo (mouzinho?), e que tinha uma estátua no meio com um leão em cima de uma águia. Isto é, temos no Porto uma estátua que revela a primazia e superioridade do Sporting sobre o Benfica, o que é altamente simbólico. Sim, eu sei que a estátua é a homenagear os combatentes da grande guerra, mas a minha versão futebolística é muito mais gira!

 Havia lá uma espécie de parque de diversões, onde estava o Chiquinho, na foto acima

 
É pra glorificar di pé!

Consultando o guia da American Express que roubei à minha irmã, decidimos ir ao Jardim Botânico. Dizia que fechava às oito, portanto ainda teríamos tempo. Andámos até ao infinito, passando por vários locais que vinham apontados no guia. Achei curioso o Mercado do Bom Sucesso: no guia dizia que era um lugar para comprar vegetais e fruta fresca, mas visto de fora parecia tudo menos um mercado. Parecia sim um lugar para comprar vegetais e fruta com assinatura de chefs michelin. Esta era uma zona com muitos hotéis de muitas estrelas e grandes casas. Também zona de faculdades. Até encontrámos um sítio cheio de estudantes! Estranhávamos nunca mais chegar ao jardim, até que perguntámos a dois freaks que estavam a arranjar uma bicicleta e eles nos disseram que era mesmo ali, mas que fechava às cinco. Era verdade. Por isso, entrámos por um jardim adentro, que aparentava ser de uma faculdade, e estivemos sentados na relva até ao momento em que um bicho enorme me caiu em cima. 

Regressei com a única parte da perna que estava à mostra (o espacinho entre a legge e a meia) picado até mais não.

Por sorte havia um Minipreço mesmo ao pé do Hostel. Comprámos alimento (esparguete à bolonhesa de pacote) e terminámos a noite vendo uma série fascinante, sobre a qual escreverei em outra ocasião.

Sexta-Feira: Tarde Muito Bem Passada

Acordo eu, em pânico, pensando "são três da tarde! Não vamos passear! A culpa é do Zi!". A luz entrava pela janela como uma cascata brilhante e insuportável, um calor tremendo. Fui ver o relógio: oito e meia. Coitadinho do Zi, afinal tinha razão em dormir...

Tinha escolhido este dia para ver a zona verde do guia, que era a dos Aliados e Clérigos. Mas não vimos a Torre dos Clérigos. Afinal de contas, é apenas uma coisa bicuda. Gosto mais de coisas redondas ou espalmadas. Fica para a próxima.

Começamos subindo e descendo ruas, observando uma série de edifícios muito interessantes. É que no Porto é tudo antigo e, sobretudo, é tudo cinzento. O resultado é algo de muito pitoresco, como uma cidade de feiticeiros.

 Observe-se por exemplo este senhor com seis pernas e quatro braços

A primeira paragem é a Livraria Lello. Não deixam tirar fotografias (o Zi sabia que iria conseguir, mas não tirou), o que é uma pena porque a coisa é linda de morrer. Para começar, são livros até ao tecto. Os mais próximos do tecto não estão à venda, é só colecção de coisas antigas, mas o efeito é espectacular. No entro há uma escadaria enorme e estranha, toda ondulante, vermelha. Os degraus não são muito ergonómicos, ia dando um trambolhão, mas é uma sensação cintilante subir aquela escada. Chegados lá acima não havia assim tantas coisas para ver... Aliás, os livros da livraria eram muito estranhos. Tinham muitos, até demasiados, livros velhos e em mau estado, a preços que não eram nada simpáticos. Os livros normais tinham preços normais e havia uma quantidade espectacular de guias turísticos. Comprei como souvenir desta viagem um livro do Saramago, chamado "Pequenas Memórias". Porque foi uma viagem para fazer pequenas memórias. :)

Os Dois Cabeleiras do Após-Calipso encontram-se perdidos por ruas e travessas, confundindo um hospital de arquitectura acastanhada com um museu, andando em sentidos opostos e perguntando a velhotes o caminho correcto. A verdade é que toda a gente nesta cidade é extremamente simpática... Mas há quem não concorde, como veremos a seguir! Ouçamos um som recorrente enquanto os Cabeleiras encontram o caminho certo:





Dançando e cantando como os Pingus que somos, entramos no Palácio de Cristal. Explorámo-lo convenientemente e é perfeitamente lindíssimo. Os jardins são enormes, com muitas coisas diferentes para ver, com estátuas e desenhos clássicos por todo o lado. Sentámos num banco de pedra a ver a vista através de umas árvores e a ouvir som e estava-se mesmo muito, muito, muito bem. Aliás, tão bem se estava que havia gente a dormir encostado aos muros, gente a apanhar sol e gente a apanhar sombra por todo o jardim. Até chungaria havia, mas era chungaria pacífica (aparentemente). Havia animais de jardim e eu raptei um pavão bebé. Arrependi-me logo a seguir, espero que ele tenha encontrado o caminho de volta. ;__; Isto é, eu só agarrei nele para ver se era fofinho ou não, depois pu-lo ao pé dos manos, mas ele pareceu um bocado baralhado sem saber onde estava. Será essa a sensação de se ser abduzido por um ser que está num plano superior? ;__;



Começando a entardecer, vamos para o Marquês (não o de Pombal), onde está um jardinzinho com um coreto. Lá, vamos encontrar a Ana, uma amiga do tempo da faculdade (que foi há bué, ya) que está a estudar música antiga no Porto. Ela vai levar-nos a um tasco onde o pessoal da música se reúne e onde há francesinhas vegetarianas. Sim. É verdade.

Pela primeira vez na minha vida vou comer uma francesinha
Não há foto.
Foi um momento de prazer extremamente privado.

E digo-vos: é simplesmente maravilhoso. Soube-me a divino. Há secularidades que não comia algo tão bom. Ainda me apetece comer outra. Que peça de culinária absolutamente encantadora! Um pouco picante, mas passou rápido. Fiquei fã! E quem diz que é uma imitação de um croque monsieur não percebe nada de comida e de sabores!!

Sábado: Central Comics Fest

Acordar. Acordar cedo. Acordar cedo a um Sábado. Quando se está de férias. A tortura. O horror. 

Mas conseguimos.

Empacoto dois terços do conteúdo da minha mala num saco do ikea e preparamo-nos para transportar a Gaja. São poucas estações de metro e um bocadinho a pé, mas ainda assim a Gaja é uma mal-jeitosa. Falando no metro, já alguma vez comentei o quão estranho acho o metro do Porto? Acho estranhíssimo haver uma série de linhas que vão todas para os mesmos sítios. É certo que assim há mais metros, mas parece-me um pouco, digamos... Redundante? E parece ser tão fácil entrar sem pagar, em nenhuma viagem vi um pica e aquilo não tem cancelas, é tudo à la gardere! Mas não se preocupem, eu sou uma pessoa cumpridora e obriguei o Zi a ser cumpridor também, portanto lá pagámos um euro e vinte por viagem sem gritar muito. Sugestão para o futuro: fazerem os passes para turistas, como há nos outros países. O passe 24 não compensa, mas um passe com 10 viagens já tornava tudo mais fácil.

No dia anterior, tinha recebido confirmação de que a minha inscrição para o Eurocosplay tinha sido recebida e que eu não pagava. Mas o meu sidekick (gostei do nome) teria de pagar entrada, que seria muito barata. Por isso, espantei-me por ser quatro euros. Quatro euros é barato, mas não é muito barato. Até é um preço bastante normal para evento...

Pousamos tudo no backstage e damos uma pequena volta. Este ano o espaço era bem menor: apenas o corredor central e o auditório pequeno estavam disponíveis. Para mais, os corredores de ligação estavam fechados com gradeamento, pelo que para ir à casa de banho tinha de se dar uma volta que nem todas as bexigas aguentam. Graçadeuz eu podia ir à do backstage. De ambos os lados estavam lojas, stands profissionais, que não variavam muito dos outros anos. Como compra, obtive apenas um phone-strap, com uma Sailor Júpiter (personagem que, como sabem, mantenho uma certa ligação). Fiquei com pena de não haver bancas de artistas (que são bons artistas) e acho que podiam ter remetido as cartas àquele cantinho habitual, que estava tornado num espaço de vácuo com pessoas sentadas. Como tinha visto no programa que as coisas interessantes só iam começar pelas três da tarde, fomos dar um passeio.


A Zona Ribeirinha é bem bonitinha, com seu rio e suas pontes. Ficámos a apanhar sol debaixo da ponte maior, até que vimos um grupo de estrangeiros a atirar-se de lá de cima para dentro de água, todos contentes. Os restaurantes, onde até já comi, são bastante turísticos e os feirantes e músicos de rua também. Não estou no direito de criticar, pois nós também temos a mesma treta no Chiado e na Baixa e pela cidade inteira. Entrámos numa casa com Ruínas, que a minha mãe depois disse ser a alfândega do antigamente.

 Barquinho e pontinha chap-chap rio :)

Tomámos café na esplanada do Hard Club, onde me cobraram um preço absolutamente abusivo. Em revolta, coloquei o meu cosplay, deixei a Gaja toda preparada para entrar em palco (isto é, vestida com outro cosplay) e fui ter com o Zi para bebermos umas jolas. A jola, a dita, era vendida dentro do recinto a dois euros o copo maior, fresquinha, deliciosa. Digamos que com o cosplay de Utena, manga comprida com forro, estava morrendo de calor, suando em fio, derretendo e desfazendo-me, falecendo, enfim. 

Duas jolas depois chegaram as três e meia, hora em que deveríamos estar no backstage para fazer a avaliação. No ano passado fizeram-na depois do concurso, em que já estava toda a gente exausta e sem paciência para conversar, pelo que este ano fizeram ao contrário. É assim que costuma ser e, em minha opinião, é a melhor opção. Mas... A demora! Eu acho que o júri faz muito bem em ver tudo linha por linha, a ver como foi feito e como está, mas éramos tantos... Não costumamos ser tantos! Éramos tantos que o concurso propriamente dito atrasou imenso! A júri das costuras ainda não tinha falado comigo quando nos pediram para começar. Falaria comigo depois. Entretanto, já o outro rapaz jurado tinha gozado com os meus calções da SportZone (eu explico o porquê no Cosplay Portfolio, que será actualizado com este evento a seu tempo ;)). Em compensação, o júri francês pareceu gostar imenso da minha espada! =D Fiquei bem contente. ^____^ E das minhas jóias também. =D Acabei por não falar com a moça das costuras, porque quando acabou a performance tirei logo o fato. Estava mesmo morta de calor. Depois disse-lhe "está tudo igual ao do ano passado, incluindo os defeitos, os acabamentos estão horríveis, não é preciso ver porque não vou ganhar nem que nasçam crocodilos com penas". Não exactamente por estas palavras, mas esse é o meu verdadeiro sentimento. E realmente... Ganhar... Se eu fosse a estas cenas para ganhar, saia de lá sempre a chorar! Vou para fazer scenas! :3

E então, qual foi a scena que fiz? Desta vez decidi explorar um pouco da sexualidade da Utena, pegando no tema do transformismo. Usei uma música do Chico Buarque, cantada por uma nova amiga, Carolina Bermejo, com uma edição por trás... Usei a Gaja como prop e representação de... Bem, é melhor actualizar mesmo o Portfolio com as explicações. Parece-me que esta performance foi bem recebida, as pessoas estavam concentradas e palminhas se seguiram. Disseram-me depois, várias pessoas, que gostaram muito, que estava a dizer poesia. Eu não, o Chico estava ;)

Só soube mais tarde a classificação final. Ficou em primeiro lugar a Dark Lady de Sailor Moon, que era exactamente o que eu esperava (parabéns! =D) e em segundo a Alice de Pandora Hearts, que tinha um prop bem giro. Não creio que houvesse fato pior que o meu, portanto estão todos de parabéns! :3

Mais tarde fui dar uma palavrinha aos jurados, mais para pedir desculpa por me ter desequipado sem a revisão final, e contaram-me os apontamentos que tinham feito sobre o meu sukito. Aparentemente foi apreciado, o que me deixa feliz, mas mesmo assim requer explicações, que não tive tempo de dar. Mas para isso serve a net, e já as darei (em breve, quando tive o vagar) :3

Ora bem, isto de participar nos concursos é loko e tal, mas acabamos por não ver nada do evento. Ainda bem que eu tenho um Zi para ser os meus olhos em outros lugares! Segundo o que ele contou, viu três Curtas-Metragens, que eram bem giras. Acho isto das curtas metragens uma adição muito interessante a um evento de cultura pop, portanto espero que voltem a repetir e que dessa vez eu consiga ver. :) Depois disso, houve um Quizz, que o Zi classificou como demasiado fácil. E depois fomos nós.

Gostava de ver os sukitos de toda a gente para fazer os meus comentários fedorentos, mas não sei se será possível.

Estávamos com uma certa pressa de voltar, não fosse o Minipreço fechar, mas ainda tivémos tempo de tirar umas pouquinhas fotos. Seguem-se elas!



 "Tira foto à miúda do basket!"




 "Tira aí foto ao Aladino!"






Terminou-se a noite com o jogo do Mundial, Brasil x Holanda, e um filme. Vimos o jogo na companhia de um brasileiro com um sotaque cerrado e difícil de compreender, mas foi divertido. Pena que perderam, isso é triste... Ah! Já falei sobre a senhora do hostel? É que o brasileiro e ela estavam a ter um debate quando chegámos à sala comum. A senhora era absolutamente hilariante. Uma velhota com o sotaque característico, sempre contando histórias e dizendo coisas engraçadas. Por exemplo, discutindo com um grupo de estrangeiros: "Vão ficar mais noites? Mais nights? Mai naites?" E assim por diante. :p

Domingo: Bai-Bai

Mais uma vez, custa a acordar de manhã. Mas tem mesmo de ser! Porque fiquei mais dez minutos a ronhar e a rebolar na cama sem me levantar, tivemos de dar uma corrida olímpica (carregados com as malas e a Gaja) para conseguir apanhar o comboio! Desta vez foi alfa-pendular. 

Adormeci logo e assim me mantive durante metade da viagem. 

Depois cheguei a casa e escrevi esta missiva.


Até para o ano Porto... Ou ainda antes disso! Porque vai mesmo haver Comic Con em Dezembro! É o que dizem... E eu acredito! Ansiosa por voltar, foram umas férias mesmo buenas! =D


Deixo-vos com outra música recorrente, desta feita uma música extremamente bonita e simbólica. Hasta!


15.7.13

Central Comics Con

Central Comics Con
Evento
E mais uma vez, seguimos para o Porto. Tenho ido muitas vezes, porque estou a fazer uma pós-graduação por lá (em Comportamento Animal), estou quase uma pró no Porto! Pelo menos já percebo melhor o metro (mas o nosso continua a ser mais melhor bom!) Foi bem divertido este ano, por isso vou contar-vos a aventura em todos os detalhes, mesmo aqueles que não interessam! =D

Tudo se inicia com uma viagem de comboio que parecia interminável. Vimos que a NERV está instalada em Pombal e partir desse momento passámos grande parte da viagem na carruagem-bar, comigo a olhar para tudo e a querer comer tudo. As árvores. As casas. Os arbustos. As nuvens. A Hota teve de me levar embora, ou teria começado a enlouquecer por querer comer todas as coisas. Isto até dá um bom poema!

Ficámos instaladas num hostel diferente desta vez, o Pilot Hostel (Hostel Piloto). Estava cheio de turistas e a moça da recepção ficou positivamente espantada quando lhe falámos em Português. O nosso quarto estava ocupado por coreanas, mas eram mais ou menos sossegadas. Tinha uma boa esplanada e um bom bar - apesar de um pouco inflaccionado - pequeno almoço bem servido e conterrâneos meus a fumar um chimarrão. Só não gostei das casas de banho, que eram muito poucas e estavam um bocado badalhocas e eram muito pequenas e eu preciso de muitas casas de banho, limpas e grandes. No entanto, era mesmo no centro, pelo que deu para ir a pé para todo o lado. Era mesmo ao pé da CedofuckingFeita, a rua que aparece e desaparece. Jantámos num restaurante Wok bastante bom, vegetariano (temos limitações alimentares)

Observemos então o primeiro dia.

Chegamos pouco passado das dez da manhã, desejosas de despejar o meu saco do Pingo Doce cheio de cosplay e a armação do saiote. É que as ruas eram íngremes e aquilo estava mesmo pesado! Mas lá chegadas dizem-nos que só abre às onze! Mas se no horário estava às dez... Depois percebemos que o que abria às dez era a exposição de comics. A zona comercial, ie. o evento, só às onze. Ainda assim o Hugo - organizador - fez-nos o favor de nos deixar pousar as coisas no backstage. Tinhamos planeado ver uma sessão de anime que ia dar na sala 2 (onde não estivemos em nenhum momento durante todo o evento, diga-se de passagem), mas acabámos por a perder porque o café é mais importante (muito mais). Demos uma volta às lojas sem muita atenção. Depois vimos com mais detalhe, por isso vou falar já delas.

Estavam muito fixes! Eram bastantes e variadas. Havia imensos comics muito baratos, e manga bastante barato também, malas e carteiras mesmo giras, uma revista de banda desenhada estranha, uma banca com artistas e coisas caseiras muito bonitas. O meu loot deste evento foi:

- A revista Cru - Revista Rasca e Vadia (para dar de souvenir ao meu bicharoco)
- O primeiro volume da novel de Spice and Wolf (e agora vou ter de a coleccionar, mas não pude resistir!)
- Um phone-strap com a Suiseseki de Rozen Maiden
- Um desenho de Utena

Pedi este desenho porque era o cosplay que eu estava a usar e a artista parecia gostar mesmo da personagem.

Depois de almoço - umas pizzas ao pé do rio - decidi por logo o meu cosplay, cheio de saiotes e coisos gerais. A Hota teve de me ajudar. Aliás, como minha ajudante ela teve desconto de 50% no bilhete! Eu entrei grátis! Viva! Viva! Fui na versão Princesa de Utena, de Revolutionary Girl Utena. Gostei muito de usar este cosplay, apesar de pouca gente me reconhecer. Uns senhores velhotes que eram fadistas disseram-me que eu estava bonita e fiquei mesmo feliz! Falarei mais deste cosplay no meu Cosplay Portfolio, a quem quiser saber. :) Mas aviso desde já que foi praticamente todo feito em uma semana, pelo que o resultado não foi muito brilhante.

Com o fato posto não tinha tanta mobilidade como queria, sobretudo por causa dos sapatos. Como não encontrei imagens de referência dos sapatos desta versão, usei umas Melissas rosa que combinavam. Ora, o problema das Melissas é que, sendo giríssimas, começam a matar o dedão do pé depois de 10 a 20 minutos de uso. Eu estive cerca de quatro horas calçada com eles e tenho uma bolha gigante a demonstrá-lo... E também estava a sofrer grandemente com o calor! Andei por ali a exibir-me que nem um pavão satânico, enquanto que a Hota guardava lugar no auditório para poder ficar numa boa posição para gravar os skits. Assim, não vi nada do que se passou. Estava tanto calor que decidi sentar-me no corredor, onde fazia uma corrente de ar, a ler o meu livro. Terminei o meu livro. Estava tudo meio atrasado (mas de duas horas e meia conseguiram passar para quarenta e cinco minutos, não foi assim tão mau!) e passado um bocado fui para o backstage, onde pude ouvir o João Loy. A conversa foi menos interessante e mais curta do que em Castelo Branco, no Enkai, mas foi porque estavamos com menos tempo e não deu para falar da vida. Além disso, a actriz da Navegante da Lua não pode ir, e estávamos a contar com ela para a interacção com o Vegeta, que havia de ser hilariante... Ainda assim é sempre bom.

Dando-me a fome, fui ao bar experimentar essa coisa fascinante que é a poptart. Comi uma de morango e aquilo é MESMO BOM. Diz que vendem no Liberty, em São Sebastião, vou lá comprar umas de chocolate para experimentar.

Finalmente começam a ordenar-nos no backstage. Começo ficando nerrrvosa. Insisto com o Hugo que quero ser eu a por os meus props no palco, porque se dessa forma a coisa correr mal a responsabilidade é minha. Mandei uma dica parva à moça que estava de coisa de World of Warcraft, mas é verdade ("pessoas desnudas são sempre de Warcraft"). Mas não era assim que eu queria dizer... Espero que ela não tenha levado a mal, sobretudo porque o fato estava mesmo fixe e eu pensava que ela ia ganhar.

Mas vamos ver e comentar, um por um, os

Sukitos do Eurocosplay

Éramos dez! Tantos! E éramos para ser onze, mas alguém desistiu... Mas ainda assim, tantos!

Twisted Fate - League of Legends
Movimentos pouco específicos, mas a primeira parte (a história das cartas) estava interessante. Depois demasiado tempo sem nada, com entrada no palco a seguir pouco espectacular por falta de luz. Ainda assim, boa ideia, segundo consta é exactamente isto o que o personagem faz. Para quê o cenário?

Gilbert - Pandora Hearts
Boa gravação, mas muito tempo parado com um resultado pouco expressivo. Anticlimático no final. Erro grave da organização por ter deixado o cenário antigo no palco, mas acontece sempre um problema em todos os concursos, é inevitável.

Utena - Revolutionary Girl Utena
Sou eu! Sou eu! Bem, acho que não me correu muito bem. O pessoal não estava claramente à espera que aparecesse fado no skit (mas apareceu, é A Naifa, recomendo que oiçam porque é um fado bem diferente) e também não perceberam bem onde acabava porque não bateram palminhas... Fiquei triste. Além do mais, fiquei presa na armação quando me levantei, o que nunca tinha acontecido nos ensaios (pelo menos nesta parte) o que deu um efeito muito pouco delicado. O skit era abstracto e simbólico e só quem viu a série é que poderá - eventualmente - perceber. Explica-lo-ei no Cosplay Portfolio porque é um MEGA-SPOILER (para quem não viu a série ou ainda não chegou a esta parte) Mas bem, não ficou assim tão mal e, segundo me disseram, o juri gostou bastante.

Harley Quinn - Batman Arkam City
Primeira parte bastante boa, movimentos seguros. Canção meio perdida. Esta moça ficou em Segundo Lugar! Por isso, parabéns!

Young Connor - Assasin's Creed
A ideia está boa, mas carece de ensaios porque os movimentos estão muito inseguros. Mas o fato estava muito giro e muito bem feito (eu vi bem de perto) e a Ema vai a Inglaterra representar-nos! Muitos parabéns! Fico mesmo feliz que tenhas sido tu a ganhar! =D

Auron - Final Fantasy X
Tenho muita pena, mas não constitui skit de cosplay Entretanto contaram-me o que é o skit na verdade, que não se vê no vídeo: ela está a lutar contra o cacto. Ah! E o vídeo foi mesmo feito por ela. Válido, então.


Shredder - Teenage Mutant Ninja Turtles
História bonita, final engraçado, o discurso podia ter mais movimentos para ser menos aborrecido.

Rogue - World of Warcraft
Engraçado e muito simples, mas não percebo quem é o João...

Megurine Luka - Vocaloid
 Primeira parte expressiva, cenário muito pouco eficiente (para a próxima umas cortinhas maiorzinhas?), depois correu mal o final, mas foi tudo na boa. Acho?

Behamut - Final Fantasy X
Muita escuridão, não deu para ver bem o fato nem os movimentos. Não percebi o que se passou por causa disto.

No geral, um bom concurso. Obrigada à Hota por ter posto os vídeos todos.

No final o juri veio falar connosco e deram-me críticas muito construtivas. Tomar cuidado com os acabamentos, sobretudo, e melhorar o saiote, coisas que irei fazer a tempo do próximo, se houver próximo. Como digo, isto foi feito tudo aos trambolhões, tenho de aprender de uma vez por todas a fazer as coisas com tempo. Mas isto já sou eu a mandar vir comigo própria, adiante!

Não assistimos à entrega dos prémios porque tínhamos uma festa de anos para ir, da Marta, amiga da Hota e sua colega do Japonês. Pessoas fixes, boa comida, muita bebida, mas estava tão cansada que não fui eu própria e não aguentei até ao final, obrigando a Hota a vir embora para dormir... :( Fiquei mesmo com muita pena, porque queria mesmo ir conhecer a noite do Porto mais um bocadinho, mas estava praticamente a cair para o lado.

No segundo dia, coisas arrumadas, chegamos outra vez por volta das dez e mais uma vez esperamos. No Domingo estava muito menos gente e muito menos cosplayers, mas por uma vez pudémos assistir às actividades. Vimos o Quizz Musical, do qual eu só sabia as músicas correspondentes à animação, apresentado pelo João Loy. Foi bastante cómico, porque o senhor tem muita graça. Falando nele, foi muito bom porque o nosso colega cosplayer, que tinha perdido a sessão de autógrafos por causa do Eurcosplay, conseguiu no café um autógrafo! No manga de Dragon Ball! Que nice! Também almoçámos nesse café, um pouco mais caro mas muito agradável.

Participámos num passatempo para ganhar bilhetes para a ante-estreia do Wolverine, em que assistimos aos trailers e depois perguntaram "quem é de Lisboa? São 9? Todos ganham bilhetes!". Weee! Os do Porto tiveram de ir buscar copos. Já sei com quem vou ver o filme, hihihi.

Estávamos a entregar os nossos mails (espero que tenham percebido o meu...) quando descobrimos que o Nuno Markl afinal não vem... Fiquei mesmo chateada, porque queria mesmo vê-lo, estive o tempo todo a dizer "má onda má onda". Mas afinal ele não foi por motivos familiares e enviou um vídeo a compensar. Mas não vimos. Quando soubémos que também o concurso de cosplay de grupos iria ser cancelado (não sei se foi ou não) por falta de concorrentes, decidimos ir embora. Ainda estive à conversa com uma lolita, simpática e bem vestida (*inserir comentário mordaz sobre todas as outras*)

Na estação dos comboios encontrámos uma amiga que está a estudar música antiga no Porto e ainda fomos tomar um café.

E assim foi. Houve bastantes melhorias em relação ao Portusaki, sobretudo porque não houve muitos momentos mortos. Estavam sempre a haver passatempos para preencher o tempo e os atrasos não foram assim tão graves, apesar de terem havido. Mas explicaram-nos no primeiro dia que tinha havido uma glow party no Hard Club, ao lado de uma punk party, e que o punk e o glow se misturaram e viraram punlow e estava tudo cagado e tiveram de limpar. Logo, a culpa não foi da organização.

Gostei e é para repetir!

Ficam as fotos dos dois dias, espero que gostem (a minha câmara morreu a meio de Domingo, por isso a Hota tem as que não consegui tirar e que queria...)

 Oooh, é pikinina!



 Fantástico, encontrei o pessoal do Animania por puro acaso! A mascote está muita fofinha!


 Ó eu aqui!





Há algumas de coisas da cidade, não se esqueçam que sou turista!