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7.2.16

A Última Tentação de Cristo

A Última Tentação de Cristo
Martin Scorcese
1988
Filme
7 em 10
Confesso que este espaço anda um pouco descurado. Este filme já foi visualizado a semana passada mas, não sei, tenho andado tão ocupada com minhas novas tarefas que acho que me esqueci de escrever. Talvez também tenha sido por essa inactividade que agora somos menos três pessoas observando atentamente todas as coisas que se fazem quando não apetece estudar...

Mas o filme! O filme! Estávamos no café quando o Qui diz que há um filme sobre Cristo em que este escolhe uma vida normal a ser o salvador. Achei piada ao conceito, então fomos vê-lo para casa.

Desde o início que o filme se estabelece como uma fantasia, o que me parece ter sido um erro. Porque a história poderia realmente ter acontecido desta forma. Jesus vive atormentado, fabricando cruzes para a execução de outros judeus, sempre perseguido por vozes e visões divinas que não o deixam sossegar. Por isso, afastou todas as pessoas que acreditam que ele tem a função de salvar o povo judeu e, consequentemente, toda a humanidade. Perdido nestas visões, Jesus começa a fazer discursos que aparentam ser apenas um reflexo da sua loucura. Não tanto mensagens de deus, mas sim alterações psicológicas que afectam grandemente o seu comportamento.

E assim prossegue a narrativa, cheia de elementos místicos e simbólicos que pegam em menções artísticas desta figura e a transfiguram para esta realidade alternativa. A narrativa envolve um confronto entre o desejo humano e o desejo divino o que, no fundo, acaba por ser a clássica luta entre o bem e o mal.

No entanto, toda a estrutura narrativa associada à imagética violenta tornam o filme numa viagem quase surrealista numa realidade alternativa de uma história que todos conhecemos tão bem. E a conclusão é que Jesus não deixa de ser homem e que o seu sacrifício pode deixar dúvidas em relação à mensagem que deus gostaria de passar. Porque não sabemos se depois há milagre ou se tudo não passa de uma imaginação pérfida e frenética associada a todo o sofrimento.

Um filme que se tornou um clássico e que certamente vale a pena ver.

10.3.14

Caim

Caim
 José Saramago
2009
Romance

Apetecia-me ler um livro do Saramgo. Tinha saudades do seu humor tão especial e das palavras todas que ele sabia. Tinha este no Kobo e assim foi.

Uma reinvenção do Antigo Testamento da Bíblia, requer algum conhecimento prévio das histórias originais. Por isso, às vezes dou graças ao facto de ter andado tantos anos num colégio católico. Tudo começa com a criação da humanidade, Adão e Eva. Depois Caim e Abel. Caim mata Abel e deus condena-o a viajar pelo mundo sem destino. O que deus não percebe é que Caim começa a vaguear entre o passado e o futuro, entre os vários presentes, e assiste a todas as coisas que deus faz, concluindo que as faz injustamente.

Assim, Caim é - como personagem - a "consciência" de deus, aquele que vê e tenta impedir as coisas terríveis que foram feitas em nome do poder divino e da sua manutenção. De Sodoma e Gomorra até ao Dilúvio Universal, Caim vê, toca e critica todas as coisas que deus faz, discutindo com ele e com os seus anjos até ao fim dos tempos.

Caim serve como a voz humana às injustiças divinas. Rejeitou deus ao início e cada vez mais, de forma inócua e natural, recusa que ele seja o gerador do amor. Considera, na verdade, que deus é o gerador das guerras, as maiores e as menores, e que sem ele estaríamos todos melhor.

Isto é, o personagem é a voz do autor. É uma auto-inserção por forma a criticar o que Saramago entendia pelo exagero da religião e todos os problemas que daí advêm.

Facto é que o livro é extremamente divertido e muito bem escrito. Não será a obra prima do autor (mas é a última), mas vale a pena ler só pelo factor de entretenimento.