Categorias

Explore this Blog!

Em Português: Anime | Manga | Cosplay | Livros| Banda Desenhada | Filmes | Teatro | Eventos

In English: Cosplay Portfolio (Updating) | SALES

Mostrar mensagens com a etiqueta apocalypse now. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta apocalypse now. Mostrar todas as mensagens

27.1.16

O Coração das Trevas

O Coração das Trevas
Joseph Conrad
1902
Novela

Livro que me foi oferecido pelo Stepfather em celebração do meu aniversário! Só estou a lê-los agora, os dos meus anos... Foi um livro difícil de encontrar, mas que me foi cedido porque eu tinha recentemente visto o filme Apocalypse Now, cuja parte final foi inspirada nesta obra.

É uma curta novela, originalmente editada em três fascículos numa revista, que fala numa misteriosa viagem pelo rio Zaire, até ao chamado "coração das trevas". Estes homens vão em busca de um oficial do governo que se perdeu de tal forma na floresta que acabou por criar um culto que o rodeia e se baseia na violência e na sua capacidade vocal para convencer os outros dos seus ideiais.

Estes, acabam por não ser referidos totalmente, pois o homem em questão é encontrado em tal estado de fraqueza e loucura que tudo o que resta é o horror. Mas o horror vivido pelos marinheiros até chegarem aos seu destino, e no regresso, afecta de tal forma o capitão (o nosso narrador) que ele próprio é absorvido pelas trevas e passa a viver também esse pesadelo.

O livro descreve em profundidade as paisagens, os hábitos, tudo com uma aura de terror infundado que se torna cada vez mais vívido à medida que se aproximam do objectivo final. Quando finalmente o narrador consegue conversar com o causador de todo este problema, descobre-se que afinal não há nada para dizer: apenas para sentir e para contemplar.

Assim, temos um sobrevivente. Mas à custa de que emoções?

Um livro curto, rápido, forte e violento. Sem dúvida, memorável.

29.6.15

Apocalypse Now

Apocalypse Now
Francis Ford Coppola
1979
Filme
9 em 10

Nunca tinha visto o Apocalypse Now. Lembro-me de ser pequena e de o meu pai ter muita vontade de me mostrar este filme. Mas... Eu era pequena. Não era apropriado. Agora percebo que, realmente, não ia perceber o filme. Que ia ficar impressionada. Agora sou crescida, bem grande! E achei que Apocalypse Now é o exemplo de genialidade.

Para mim, a guerra nunca foi coisa que fizesse sentido. Qualquer a razão, sempre considerei que matar pessoas indiscriminadamente não é uma atitude correcta para seres que se dizem racionais. Aqui, o exemplo é uma guerra que, entre todas as outras, é possivelmente a que menos sentido fez. Vietname. Uma guerra perdida desde a origem, desde a sua concepção. Uma guerra feita para matar uma geração. Para a perturbar. Que, devido a isso, tem consequências emocionais até aos dias de hoje. Este filme fala do Apocalipse. O apocalipse agora, neste momento. Uma guerra que de tão ilógica, poderia ser um retrato do fim do mundo.

Um soldado conturbado, traumatizado pelos eventos passados nesta guerra, tem uma missão: ir até aos confins de um rio para assassinar um general que, dizem, enlouqueceu. A loucura rodeia-o. E ele tem de sobreviver com o único objectivo de voltar a causar destruição. Seguimos rio acima para encontrar momentos cada vez mais bizarros, inspirados por uma estética muito surreal e bastante psicadélica, dentro do contexto de floresta e nevoeiro. Pelo caminho, encontramos situações que têm tudo de doido, com protagonistas que se perderam na senilidade da situação e apenas encontram um escape, uma saída, na morte, no horror e no sacrifício de outras vidas.

Parece que o fazem para se divertir. Para se libertar. Mas o que significa tudo isto, a um nível mais profundo? Será que a guerra, afinal de contas, é apenas a conjugação de um grupo de gente louca que precisa da morte para se sentir bem? Tudo isto é caracterizado no espectáculo final. Encontram, pois, uma nova civilização, lideradas pelo general, uma espécie de deus da morte. Esse, sim, é a personificação da guerra. Uma pessoa que está caracterizada de forma impecável, na sua luta interior, no seu desespero. Mas também é ele a figura humana que simboliza toda a falta de sentido que existe numa luta entre povos, entre ideologias, entre aqueles que discordam uns dos outros. Porque este homem discorda de toda a gente. Portanto, mata. Tortura. Destrói. Não é isso o que faz uma guerra?

Momentos finais são altamente duvidosos. Afinal, o nosso protagonista liberta-se da guerra, depois da sua missão, ou toma o lugar de deus, já que viver no mundo real é demasiado difícil para ele? Foi o que vimos no início, a sua inadaptação, a sua dependência das "missões". Fica a dúvida, a ambiguidade. Certamente que o irão lá buscar, mas irá pacificamente?

Todo o ambiente do filme nos remete para um pesadelo. Nada faz sentido e o clima recriado acaba por ser tanto engraçado como extremamente assustador. Nada disto seria possível sem um perfeito trabalho de imagem e fotografia, aproveitando paisagens que, de tão maravilhosas e luxuriantes, acabam por ser atemorizadoras e claustrofóbicas. É um filme que não se dedica muito a grandiosas cenas de acção (exceptuando talvez todos aqueles helicópteros), mas que pulsa vivo à conta de diálogos incisivos e absurdos, que apenas ajudam na caracterização deste mundo apocalíptico em que estamos condenados a cair uma e outra vez.

Enfim, um filme exemplar. Acabei de o ver e já estou com vontade de o ver outra vez.