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12.7.16

Cleopatra

Cleopatra
Osamu Tezuka - Mushi Production
Anime - Filme
1970
7 em 10
 
Depois de ver a Belladonna of Sadness, recomendaram-me que visse o resto do projecto Animerama. Como já tinha visto o 1001 Noites, restava-me este, que procedi a assistir na companhia do Qui. Este é o outro filme escrito e dirigido pelo mestre Osamu Tezuka, o que acaba por ser bastante evidente no estilo artístico e narrativo.
 
Para começar, não recomendo de todo a versão que está no youtube (e que vimos para não termos o trabalho de sacar), pois as legendas são uma coisa completamente destituída de sentido. Os próprios subbers dizem "como o filme não faz sentido as legendas também não", mas a verdade é que - pelo pouco Japonês que sei - o filme é bastante mais simples do que aparenta à primeira vista.

Tudo começa com uma civilização do futuro que se vê perante uma invasão com o "Projecto Cleopatra". Para descobrirem do que se trata o tal projecto, decidem enviar três representantes ao passado, à época da conquista do Egipto pelos romanos, para saber o que se passava na altura. As conclusões... Bem, terão de ver o filme :)

A narrativa é simples e acaba por se basear, sobretudo, nas relações entre os personagens. A nossa personagem de foco é a Cleopatra, que aparece mais como uma vítima do acaso e de um amor inusitado que nunca tinha conseguido antes, do que como a entidade manipuladora que os livros de história nos mostram. Assim, o filme acaba por ter uma vertente muito feminista e respeitadora da figura feminina (apesar de todo o erotismo inerente), já que a figura de Cleopatra é apresentada sob uma luz quase vitimizadora, em que há a obrigação de fazer todo o tipo de coisas que colocam os seus ideais em cheque.

Como disse anteriormente, este filme tem uma elevadíssima carga erótica. Isto, à mistura com o estilo característico de Tezuka, tem um resultado deveras estranho e absolutamente hilariante. As cenas mais sérias são cativantes, mas existe uma miríade de outros momentos em que somos efectivamente obrigados a rir. Tezuka faz todo o tipo de coisas, desde uma "pantera cor de rosa" em cavalo até auto-referências nos piores momentos.

E, falando em todo o tipo de coisas, que dizer da animação? Este é um filme absolutamente revolucionário. Fazem-se aqui coisas que se foram tornando vulgares, acabando por desaparecer nos dias de hoje. Temos de tudo, desde animação com recortes, a técnicas de slow-motion, passando mesmo pelos primórdios de uma reciclagem de animação muito discreta... Enfim, a ideia que dá é que lhes disseram "tomem dois euros e façam um filme" e que, com isso, fizeram tudo aquilo que se lembraram :) A forma como algumas cenassão animadas (por exemplo, o assassinato de César) prima por uma originalidade estonteante e uma capacidade de decisão típica de uma pessoa que se quer divertir a fazer coisas. O resultado é, simplesmente, fascinante.

Finalmente, digamos algo sobre a banda sonora. Com uma mistura de sons pop típicos da época e algum sonoro experimental, mantém o filme vivo e palpitante do início até ao fim. Não me impressionou tanto como nos outros filmes da saga, mas ainda assim tem o seu valor.

Enfim, devo dizer que este conjunto de filmes, individualmente ou todos juntos, são uma experiência de visualização fantástica. Sobretudo para quem tem interesse na evolução da animação e como ela veio a ser o que é hoje. Porque estes filmes são sobretudo uma experimentação e a avaliação de tudo o que se pode fazer. Isso é, sem dúvida, demasiado interessante para podermos perder.
 

5.7.16

Belladonna of Sadness

Belladonna of Sadness
Yamamoto Eiichi - Mushi Production
Anime - Filme
1973
8 em 10

O Qui encontrou uma lista de filmes de animação bizarros para vermos e eu fiquei muito motivada para começar por este. Trata-se de um filme do conjunto de três "Animerama", que - nos idos anos 70s - se propunha a provar que a animação pode ser considerada uma forma de arte e não é necessáriamente um objecto para a infância. Este conjunto de filmes foi liderado pelo mestre Osamu Tezuka, sendo este título o único que não foi escrito nem dirigido por este.

Livremente inspirado numa obra sobre bruxarias publicada no século XIX, o filme retrata o caminho de uma mulher que, amaldiçoada por uma beleza intensa, se vê por força das necessidades possuída por um estranho demónio de índole sexual. A cada momento nos parece que ela finalmente poderá ser feliz, apesar de ter o diabo dentro dela, mas as forças do mal impedem essa possibilidade em qualquer circunstância.

Com um certo toque de ironia, este filme apresenta-se como um manifesto feminista (como podemos ver em conclusão). Repare-se que, apesar do motriz sensual que está por trás da narrativa e das imagens propostas, a vítima - Jeanne - nunca é culpabilizada e todas as suas acções maléficas ou estranhas são motivadas pela sua possessão. Assim, quem aparece como terrível não é o demónio, muito menos ela, mas as pessoas que a perseguem e maltratam tendo em vista a sua purificação. Repare-se também que as acções "más" são, em todo o caso, uma coisa boa: curar a doença, mostrar coisas agradáveis, promover uma felicidade geral em orgias bebélicas. 

O filme roça a genialidade pelo poder da sua animação. Consideremos que foi produzido em 1973! Não havia computadores para fazer estas coisas e tudo isto fica bem demonstrado pelas sequências que nos aparecem. É um filme violento: mostra-nos coisas feias, terríveis, tal como elas devem ser. No entanto, consegue atingir uma carga de erotismo quase poética, que faz torcer o coração. Não se pode dizer que as imagens se mexam muito. No entanto, há tanta expressão dentro delas que há lugar para que possamos imaginar tudo isto.

Outro aspecto maravilhoso é a banda sonora. Se ao início temos alguns momentos pop que quase podem ser foleiros, rapidamente a música evolui, sempre constante, para um jazz experimental muito ácido que se coaduna na perfeição com as cenas que estão a ser mostradas, para além de funcionar perfeitamente enquanto peça por si só.

Foi um anime que me tocou e que me fez pensar em como a animação vem evoluindo numa direcção errática desde esta época. Parece que nesta altura ainda se preocupavam em fazer beleza com as imagens. Recomendo vivamente!