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30.9.16

Flanders no Inu

Flanders no Inu
Kuroda Yoshio - Nippon Animation
Anime - 52 Episódios
1975
5 em 10

Quando vemos animes dos 80s e 90s, "O Cão da Flandres" é sempre referenciado como "o anime mais triste alguma vez feito". Aparentemente, toda a gente chorou mil milhões quando viu este anime. Portanto, quis vê-lo também! :) Não me fez chorar, mas achei-o bastante simpático.

é mais um anime introduzido no projecto do World Master Theatre, que na altura se esforçou para adaptar obras literárias europeias para animes dirigidos ao público infantil.

Um rapaz, Nello, vive com o seu avô algures na Antuérpia. É um rapazinho simpático, que gosta de desenhar e ir à floresta com os seus amigos. Um dia, encontra um cão maltratado, Pastrach, e acaba por o adoptar depois de grandes atribulações. A partir daí, o anime conta a vida diária de Nello e o seu cão, dos pequenos problemas da vida e das desgraças que, subitamente, começam a flagelar a vida deste jovem desenhista.

Felizmente, este não é um desses WMT que se foca em todas as coisas más que podem acontecer às crianças. Só mesmo no final é que começam a acontecer coisas terríveis, sendo que as consequências fatais apenas se devem às atitudes erráticas do personagem. Este, assim como os outros, não sofrem grande caracterização e acabam por parecer um pouco ocos, sendo que as vozes ajudam a perpetuar este sentimento.

Apesar de estarmos em 1975, não se pode dizer que a animação seja exemplar para a sua época. Os cenários são pouco detalhados e repetidos muitas vezes, sendo que não há utilização de perspectivas ou outras técnicas para dar um pouco de variedade. Os designs dos personagens são um pouco repetitivos e fazem pouco sentido dentro da época em que o anime se passa.

Musicalmente, achei muita graça à banda sonora, porque me recordou (ou ao contrário) as bandas sonoras dos mais populares shounens dos 00s. Já vemos onde estes foram buscar seus exemplos, hahaha ;)

Agora gostaria de ver o filme, que me parece um pouco diferente pelo que tenho lido. Vamos ver se choro com esse!

(Mas, temos de admitir, o final é muito fofinho)

12.7.16

Cleopatra

Cleopatra
Osamu Tezuka - Mushi Production
Anime - Filme
1970
7 em 10
 
Depois de ver a Belladonna of Sadness, recomendaram-me que visse o resto do projecto Animerama. Como já tinha visto o 1001 Noites, restava-me este, que procedi a assistir na companhia do Qui. Este é o outro filme escrito e dirigido pelo mestre Osamu Tezuka, o que acaba por ser bastante evidente no estilo artístico e narrativo.
 
Para começar, não recomendo de todo a versão que está no youtube (e que vimos para não termos o trabalho de sacar), pois as legendas são uma coisa completamente destituída de sentido. Os próprios subbers dizem "como o filme não faz sentido as legendas também não", mas a verdade é que - pelo pouco Japonês que sei - o filme é bastante mais simples do que aparenta à primeira vista.

Tudo começa com uma civilização do futuro que se vê perante uma invasão com o "Projecto Cleopatra". Para descobrirem do que se trata o tal projecto, decidem enviar três representantes ao passado, à época da conquista do Egipto pelos romanos, para saber o que se passava na altura. As conclusões... Bem, terão de ver o filme :)

A narrativa é simples e acaba por se basear, sobretudo, nas relações entre os personagens. A nossa personagem de foco é a Cleopatra, que aparece mais como uma vítima do acaso e de um amor inusitado que nunca tinha conseguido antes, do que como a entidade manipuladora que os livros de história nos mostram. Assim, o filme acaba por ter uma vertente muito feminista e respeitadora da figura feminina (apesar de todo o erotismo inerente), já que a figura de Cleopatra é apresentada sob uma luz quase vitimizadora, em que há a obrigação de fazer todo o tipo de coisas que colocam os seus ideais em cheque.

Como disse anteriormente, este filme tem uma elevadíssima carga erótica. Isto, à mistura com o estilo característico de Tezuka, tem um resultado deveras estranho e absolutamente hilariante. As cenas mais sérias são cativantes, mas existe uma miríade de outros momentos em que somos efectivamente obrigados a rir. Tezuka faz todo o tipo de coisas, desde uma "pantera cor de rosa" em cavalo até auto-referências nos piores momentos.

E, falando em todo o tipo de coisas, que dizer da animação? Este é um filme absolutamente revolucionário. Fazem-se aqui coisas que se foram tornando vulgares, acabando por desaparecer nos dias de hoje. Temos de tudo, desde animação com recortes, a técnicas de slow-motion, passando mesmo pelos primórdios de uma reciclagem de animação muito discreta... Enfim, a ideia que dá é que lhes disseram "tomem dois euros e façam um filme" e que, com isso, fizeram tudo aquilo que se lembraram :) A forma como algumas cenassão animadas (por exemplo, o assassinato de César) prima por uma originalidade estonteante e uma capacidade de decisão típica de uma pessoa que se quer divertir a fazer coisas. O resultado é, simplesmente, fascinante.

Finalmente, digamos algo sobre a banda sonora. Com uma mistura de sons pop típicos da época e algum sonoro experimental, mantém o filme vivo e palpitante do início até ao fim. Não me impressionou tanto como nos outros filmes da saga, mas ainda assim tem o seu valor.

Enfim, devo dizer que este conjunto de filmes, individualmente ou todos juntos, são uma experiência de visualização fantástica. Sobretudo para quem tem interesse na evolução da animação e como ela veio a ser o que é hoje. Porque estes filmes são sobretudo uma experimentação e a avaliação de tudo o que se pode fazer. Isso é, sem dúvida, demasiado interessante para podermos perder.
 

5.7.16

Belladonna of Sadness

Belladonna of Sadness
Yamamoto Eiichi - Mushi Production
Anime - Filme
1973
8 em 10

O Qui encontrou uma lista de filmes de animação bizarros para vermos e eu fiquei muito motivada para começar por este. Trata-se de um filme do conjunto de três "Animerama", que - nos idos anos 70s - se propunha a provar que a animação pode ser considerada uma forma de arte e não é necessáriamente um objecto para a infância. Este conjunto de filmes foi liderado pelo mestre Osamu Tezuka, sendo este título o único que não foi escrito nem dirigido por este.

Livremente inspirado numa obra sobre bruxarias publicada no século XIX, o filme retrata o caminho de uma mulher que, amaldiçoada por uma beleza intensa, se vê por força das necessidades possuída por um estranho demónio de índole sexual. A cada momento nos parece que ela finalmente poderá ser feliz, apesar de ter o diabo dentro dela, mas as forças do mal impedem essa possibilidade em qualquer circunstância.

Com um certo toque de ironia, este filme apresenta-se como um manifesto feminista (como podemos ver em conclusão). Repare-se que, apesar do motriz sensual que está por trás da narrativa e das imagens propostas, a vítima - Jeanne - nunca é culpabilizada e todas as suas acções maléficas ou estranhas são motivadas pela sua possessão. Assim, quem aparece como terrível não é o demónio, muito menos ela, mas as pessoas que a perseguem e maltratam tendo em vista a sua purificação. Repare-se também que as acções "más" são, em todo o caso, uma coisa boa: curar a doença, mostrar coisas agradáveis, promover uma felicidade geral em orgias bebélicas. 

O filme roça a genialidade pelo poder da sua animação. Consideremos que foi produzido em 1973! Não havia computadores para fazer estas coisas e tudo isto fica bem demonstrado pelas sequências que nos aparecem. É um filme violento: mostra-nos coisas feias, terríveis, tal como elas devem ser. No entanto, consegue atingir uma carga de erotismo quase poética, que faz torcer o coração. Não se pode dizer que as imagens se mexam muito. No entanto, há tanta expressão dentro delas que há lugar para que possamos imaginar tudo isto.

Outro aspecto maravilhoso é a banda sonora. Se ao início temos alguns momentos pop que quase podem ser foleiros, rapidamente a música evolui, sempre constante, para um jazz experimental muito ácido que se coaduna na perfeição com as cenas que estão a ser mostradas, para além de funcionar perfeitamente enquanto peça por si só.

Foi um anime que me tocou e que me fez pensar em como a animação vem evoluindo numa direcção errática desde esta época. Parece que nesta altura ainda se preocupavam em fazer beleza com as imagens. Recomendo vivamente!

18.12.15

Cutie Honey

Cutie Honey
Katsumata Tomoharu - Toei Animation
Anime - 25 Episódios
1973
5 em 10

Depois de ver um muito bem conseguido remake, achei por bem ver o original, já que tinha ficado bastante curiosa. Produzido no início dos anos seventis, é um anime original e único em alguns aspectos, inspirando coisas que vieram a ser ícones num futuro não assim tão distante.

Para começar, este anime inicia a moda das meninas mágicas, sendo Honey a primeira "Ai no Senshi" (guerreira do amor) criada para lutar contra as forças do mal. No entanto, e por outro lado, Honey é também um dos pontos de origem do género ecchi. Assim, temos um anime que por um lado está dirigido ao público feminino mas que, por outro, está sempre a mostrar "atributos" mais dirigidos a uma massa masculina. Isto é, de facto, algo bastante original e interessante, sobretudo para a época.

A história é muito simples e baseia-se num esquema de "monstrenga da semana", em que Honey tem de utilizar os seus poderes de transformação em diversas pessoas diferentes para vencer uma criatura horrorosa, sempre diferente. É interessante ver como as suas oponentes, e até mesmo todas as suas amigas, são pessoas horrendas e feias (chegando uma delas a ter bigode?), em oposição à beleza clássica da personagem principal. Enfim, não temos uma história muito complexa.

Também não é complexa a animação e arte, o que é esperado para a época. Temos muita variedade de cores e cenários originais, embora totalmente estáticos. Existem bastantes erros na animação, sendo também frequente o uso de frames repetidas ad nauseum. No entanto, se considerarmos o ano de produção, não podemos dizer que esteja assim tão terrível.

É um anime que depende muito dos artistas de vozes, já que as acções dos personagens são muito fixas. Estes fazem um trabalho excelente, trazendo emoção a momentos inesperados. É curioso ver que no remake utilizaram a mesma OP, que é muito risonha, sendo que a ED é tipicamente romântica.

Um anime com interesse histórico, mas que não recomendaria a alguém menos versado.

10.9.15

Ashita no Joe

Ashita no Joe
Dezaki Osamu - Mushi Productions
Anime - 79 Episódios
1970
5 em 10

É com muito orgulho que anuncio que chegámos ao milésimo post neste espaço! Talve em breve faça uma pequena celebração, mas queria só dizer a toda a gente. :) Tem sido muito agradável partilhar convosco estes meus comentários mais ou menos malcheirosos sobre coisas diversas :) É também com orgulho e um certo sentimento de dever cumprido que este milésimo post é sobre um marco histórico na indústria do anime como o conhecemos hoje: Ashita no Joe.

Estreado na televisão há 45 anos, é um anime bem presente na sua época e que definiu todo um género. Foi um dos primeiros animes de desporto com uma ligação bastante forte ao lado negro da sociedade, tema que vem evoluindo desde essa altura para outros animes de que tanto gostamos. Assim, é um anime muito importante em termos históricos e, apenas por isso, todos deviam experimentar vê-lo. Conhecimento nunca é demais, já dizia o meu Professor.

No entanto, olhando objectivamente para este anime, mesmo se tentarmos tirar os óculos dos anos 10 e tentarmos regressar um pouco à época que é retratada nele, tem algumas falhas que me levam a dar-lhe uma nota um pouco mais baixa que a minha média. Comecemos pelo início.

Este anime conta uma história simples, um "coming of age" de um rapaz que, tendo sido abandonado pelos pais e que não tem nada que o ligue às outras pessoas, acaba por se envolver num meio desportivo do boxe, começando a ganhar uma força diferente  e desenvolvendo relações. É precisamente nesse aspecto que a história não funciona. Para este tipo de narrativa precisamos de um personagem forte que, mesmo assim, esteja aberto à progressão e evolução. E, infelizmente, Joe não é assim. Simplesmente não combina com a sua personalidade.

Temos, então, um personagem principal irascível, insuportável e detestável, com o qual é impossível que alguém se identifique se não para desejar que ele perca todos os combates. As suas atitudes nunca melhoram, ele parece nunca estabelecer uma ligação com quem quer que seja. Tudo aquilo que faz é negativo e a sua personalidade, apesar de carismática, não permite algo tão simples como... Gostar dele. Talvez nos anos 70 este seja o modelo ideal de desportista mas, para mim, foi impossível ganhar qualquer afeição por Joe. Quanto aos outros personagens, temos um treinador que faz muito pouco além de gritar, um grupo de crianças que serve mais como alívio cómico do que outra coisa, duas mulheres em extremos opostos que não revelam grande personalidade (excepto que são o contrário uma da outra e Joe, evidentemente, terá de escolher de quem gosta mais) e um parceiro de equipa que acaba por ser o personagem mais interessante da colecção.

A narrativa processa-se de forma rápida, sem gastar tempo em coisas inúteis como treinos dos desportistas ou mesmo combates. Dedica-se mais a lutas de rua e às maldades que Joe vai deixando à sua passagem. Até a parte supostamente mais intensa, aquela em que Joe está na prisão, acaba por ser repetitiva e não nos transmite qualquer tipo de sentimento de horror.

Em termos artísticos, mesmo para a época a animação não é extraordinária. Apesar de termos um design de personagens bastante limpo, existem repetições infinitas das mesmas frames, o que levam a combates extremamente repetitivos e pouco ou nada coreografados. Gostei bastante, ainda assim, da utilização de cores e sombras. A paleta é muito reduzida (o que faz sentido para uma série longa nesta década), mas está bem usada em termos gráficos, apesar de alguns erros que o olho mais atento detecta facilmente.

Musicalmente, temos um tema que é repetido constantemente mas que, sendo tão belo, não cansa. Este tema e suas variações constituem toda a banda sonora do anime, incluindo as OPs e EDs que têm aquele aspecto "épico" das músicas antigas mas com uma interpretação algo fraca.

Assim, é um anime histórico que vale a pena conhecer, mas que - apesar de tudo - não fica na memória pela qualidade.

23.10.14

Lupin III

Lupin III
Takahata Isao - Tokyo Movie Shinsha
Anime - 23 Episódios
1971
7 em 10

Depois da minha experiência com Lupin, encontrava-me bastante dividida, sem saber se gostava ou não do franchise e do personagem ou o quê. Afinal, é um personagem tão marcante que me parece importante saber pelo menos o essencial sobre ele. Para isso, porque não pegar na série original? É isso mesmo! Vamos viajar um pouco até ao início dos anos 70 e ver realmente o que se passa aqui. :)

A minha conclusão é que afinal até gosto bastante do Lupin! =D

São vinte e três episódios, cada um com a sua história. O maior ladrão de todos os tempos tem sempre uma coisa nova para roubar, ou alguma alhada da qual se safar e, por isso, nunca nos cansamos. Em cada episódio, Lupin mostra os seus truques fantásticos e dá sempre a volta por cima do malfadado Zenigata, o polícia que nunca o consegue apanhar (definitivamente). O que é muito interessante nestas histórias pequeninas, são os truques todos e toda a vivacidade impressa na resolução de cada caso, para bem ou para o mal. Também é um anime com muitos momentos de acção, desde loucas perseguições de carros (da época!), a perigosos tiroteios e até uma grande quota de explosões!

Isto é conseguido por um conjunto de personagens deliciosas, que nunca deixam de nos surpreender com a sua esperteza e o seu bom humor. Lupin e os seus amigos, todos eles são mestres da vigarice. E para se ser vigarista tem de se ser bastante inteligente! Portanto, é um anime que nunca cansa e que nunca deixa de surpreender. São também personagens muito engraçados, numa certa candura que torna infantil mesmo as situações mais violentas. Isto dá azo a muitos momentos de comédia bem real, se não pelas falas, pelas situações ilógicas, caricatas e desiquilibradas em que os personagens se enfiam.

Considerando que este anime é de 71, uma fase bastante iniciática da animação japonesa, convenhamos que a arte não está nada má. Por um lado, há recurso de métodos que sim, poupam recursos: frames repetidas nos momentos mais inesperados e de maior acção. No entanto, há uma atenção ao detalhe preciosa, sobretudo nos movimentos dos personagens, que se mexem com uma miríade de movimentos articulados que dão um efeito tanto fluído como muito cómico, dependendo do contexto.

Na música, temos algo muito engraçado: há um tema principal, o tema do Lupin (Lupin Lupin), um jazz-rock muito simpático e com muito estilo. Todas as outras músicas são variações sobre este tema, o que por si só ´é muito engraçado, mas também demonstra uma certa capacidade imaginativa.

Portanto, esqueçam os filmes, esqueçam a série da Fujiko. Estes 23 episódios foram mais que saborosos! Para além disso, é representativo da sua época e é vintage, portanto vejam-no imediatamente! :)

20.5.13

Space Battleship Yamato

Space Battleship Yamato
Leiji Matsumoto - Academy Productions
Anime - 26 Episódios
1974
7 em 10

Estávamos nós a revolucionar-nos e estava o Leiji a revolucionar todo um género de anime e uma indústria inteira. Não tem comparação, nós tínhamos cravos e ele tinha aventuras no espaço. Yamato é uma delas.

Num futuro que não é assim tão distante (mais cem anos e estamos lá), o Planeta Terra foi atacado pelo Planeta Gamilon e pelos seus habitantes (Gamilianos). Tal foi o poder do ataque que a radioactividade destruiu a superfície do planeta e a humanidade está condenada a viver debaixo do chão. O problema grave é que a radioactividade é de tal forma potente que está a penetrar a terra e vai chegar às pessoas dentro de, exactamente, trezentos e sessenta e cinco dias. Então aparece a salvação! Uma mulher chega morta de Iscandar com o recado de que se eles lá forem os Iscandarianos têm a solução! Infelizmente, Iscandar fica a 148.000 anos luz de distância. Mas eis que aparece... YAMATO! Inspirada no navio Yamato da segunda guerra mundial, é uma nave super-potente que os vai levar a Iscandar em tempo record! Ou será que não?

Pessoalmente, eu não sou uma profunda apreciadora de ficção científica, mas esta série fascinou-me. Vi só a primeira season, ainda há mais duas, e vou ficar por aqui mas só por agora. É para continuar e depois ver o remake. Ou se calhar nem ver o remake: isto já é assim de bom!

Normalmente séries dos anos setenta têm um defeito enorme: a arte envelhecida. Para minha grande surpresa, não é o caso de Yamato. Existem elementos característicos da era: os designs e a paleta de cores. Os designs são Leijianos até à medula, coisa com a qual não me importo nada. Marcou verdadeiramente uma geração e acho que são excelentes e muito expressivos. Gosto sobretudo das mulheres, que têm todas um ar diáfano e uma aura feminina muito delicada, mesmo quando são mulheres de força. O contraste é charmoso. As cores são limitadas e as sombras são sólidas e evidentes, de uma maneira que já não se usa. Isto costuma ser pouco atractivo, mas a qualidade imposta na arte deste anime transforma tudo isto em algo muito interessante, quer em termos visuais quer em termos históricos.

A história tem algumas falhas, tal como inconsistências hilariantes na concepção da tecnologia. Está certo que todas as coisas têm de estar adaptadas à sua época. Mas não deixa de ser engraçado que as fardas tenham boca de sino, que tirem fotografias com uma polaroid ou que falem ao telefone entre naves espaciais. Em termos da narrativa em si só houve uma coisa que não compreendi e que creio que deveria ter sido explicada: porque é que os Gamilianos querem destruir a terra? Talvez venha a ser explicado numa outra season. Eles afirmam que é para que o planeta deles fique a salvo, mas o planeta deles é tão longe, qual é a relação de uma coisa com a outra? E uma outra coisa que me transcende, mas esta é uma dúvida que não tem nada a ver com Yamato. Coloco-a à mesma: os Gamilianos são azuis; as pessoas de Interstella são azuis; logo as pessoas de Interstella são Gamilianos; logo Gamilon encontrou a paz em 30 anos? Esta questão está-me a matar a cabeça!

Mas enfim, futuro à parte, falemos dos personagens: são eles que trazem mais intensidade à história e as grandes questões filosóficas e emocionais deste mundo (gostei especialmente de quando capturaram o Gamiliano e se questionaram "mas ele é um ser humano!") O trio de personagens principais é o arquétipo shounen antes de o arquétipo shounen existir. Eles definem o arquétipo: pessoas corajosas, amigas do seu amigo, passado trágico, dedicação, bondade, dúvidas em relação aos seus objectivos e às suas capacidades. São eles que colocam as dúvidas ao público e é com eles que nos questionamos sobre o que realmente se passa nesta guerra, sobre o certo e sobre o errado. Outro personagem com uma presença muito forte é o capitão do navio, que por vezes tem atitudes incompreensíveis para o resto da equipa mas que demonstra notável coragem. E finalmente, não podíamos deixar de ter algum alívio cómico, um par de um veterinário bêbado (que também é médico de pessoas) e de um robot. Na maioria das vezes irritavam-me, mas eles próprios também eram capazes de perguntar sobre emoções e de as fazer aparecer em quem vê. 

Finalmente, a música. Não podia se melhor. É a parte que gosto mais nos anos setenta: estas músicas épicas, heróicas, preparadas para serem verdadeiros hinos de guerra. Aparentemente, a OP deste anime tornou-se no hino não oficial da Yamato original (o tal navio da segunda guerra). Em termos parenquimatosos, temos uma banda sonora variada e característica, com uma música para cada tipo de momento e vários efeitos sonoros que adicionam à expressão das situações.

Foi um anime que gostei muito e que recomendo. Não lhe dou uma nota mais alta porque apesar de tudo a progressão é um pouco lenta e por vezes errónea (como demorarem um episódio a mostrar as salas da nave em vez de as mostrarem ao longo da série. O que também é típico da época, mas que mudou por alguma razão). Mas recomendo bastante, vão ver. Vale a pena e é muito divertido!

16.10.12

Ace wo Nerae!

Ace wo Nerae!
Dezaki Osamu - Madhouse Studios
Anime - 26 Episódios
1973
6 em 10

Eu adoro anime de desporto. Eu adoro shoujo. Eu adoro as duas coisas juntas. Sobretudo quando é dos 70s!

Isto é sobre uma rapariga que joga ténis. O novo treinador coloca a noviça na equipa para as competições. Ela sente-se pouco confiante e é maltratada pelas suas colegas. Mas entretanto avança para a frente, que é esse o único caminho. Em termos de história, é o básico de um anime de desporto, mas devemos considerar que este foi um anime de desporto pioneiro.

*Pioneira é também a personagem, com a qual simpatizo muito. Ela não tem nenhum poder especial, mas o treinador detecta-lhe um talento, ela é um diamante em bruto. Com muito treino ela vai, lentamente, evoluindo e conseguindo ganhar alguns jogos. Esta é apenas a primeira season por isso ela fica ainda com muito por onde evoluir e a personagem ainda pode ser muito trabalhada, mas como início gostei bastante, não é como as personagens do anime de desporto normal e comum. Temos também uma equipa de outras personagens que variam entre a caixa de cartão e uma existência trabalhada. Algumas têm um espírito muito forte e uma grande presença.

Infelizmente a arte não envelheceu nada bem. Se temos stills que são muito bonitos, devido ao estilo shoujo da época (acho impossível não gostar dele) a animação em si é bastante terrível, muito pouco detalhada (esta gente não usa sapatos durante a maior parte da série) e cheia de repetições.

A música é muito típica da época. Para mim é quase hilariante que tenham feito uma música sobre o court de ténis. Mas gostei muito das vozes, são muito expressivas e muito vivas, adicionam muito aos personagens e às situações.

Recomendo porque é um anime importante para a sua época e porque é muito, muito divertido. Pelo menos para mim, que gosto de anime de desporto. Nem sequer gosto muito de ténis (foi Prince of Tennis que me ensinou as regras e a apreciar um jogo), mas a evolução da personagem é muito boa. Não sei se vou ver a segunda season. Talvez mais tarde.

7.7.12

Ie Naki Ko

Ie Naki Ko (Nobody's Boy Remi)
Dezaki Osamu - TMS Entertainment
Anime - 51 Episódios
1977
7 em 10

World Master Series são animes inspirados em histórias de fundo Europeu. Nele se incluem as famosas Heidi e Ana dos Cabelos Ruivos. E a maioria delas foi criada nos 70s. Remi é um desses animes.

Remi é um rapazinho a quem só acontecem desgraças e o anime é, essencialmente, a sua busca pela felicidade. É uma busca muito bonita. A arte é lindíssima. Fundos que são quase pinturas e uma delicadeza do traço que já não se encontra no anime dos dias de hoje. Existem algumas cenas de animação repetidas e recicladas, mas provavelmente só as notei porque vi a série toda de seguida. A música também é maravilhosa, muito diversa, original, bem interpretada e muito apropriada a todos os momentos. Ver este anime é como ler um livro, tal a macieza do traço e dos sons.

O anime tem cães e creio que foi por isso que o tinha na lista de coisas para ver. Infelizmente a história tem um enorme defeito, que são as desgraças todas que acontecem ao infeliz do Remi. Vejamos se me lembro de todas: vendem-lhe a vaca, é vendido a um homem que toca corneta, os sapatos magoam-lhe, a roupa que usa é ridícula, tem de estudar música, é muito pobre, não tem dinheiro, está frio e é Inverno, não tem dinheiro, perde-se na cidade, morrem dois cães comidos por lobos, morre-lhe o macaco com pneumonia, é deixado à guarda de um mauzão Olivertwistiano, morre o homem da corneta, cai geada que arruina a plantação de flores, fica preso numa mina, morre o pai adoptivo, raptam-no, prendem-no, mandam-no para a prisão, o macaco novo é um incompentente, não consegue comprar uma vaca de jeito. E assim por diante, devem-me faltar algumas. Depois acaba tudo em bem, mas isto é demasiada infelicidade para a minha vida. Em termos de personagem, Remi cresce psicologicamente, ainda que o seu crescimento físico não seja evidente, mais que não seja porque ganha coragem e rectidão para trabalhar nas coisas de forma a atingir objectivos. Achei que a sua aprendizagem foi demasiado rápida (aprendeu a ler e a tocar harpa num instante) e que os animais eram demasiado inteligentes, apesar de muito engraçados (quero o chapéu do Capi para o meu Infeliz).

Recomendo bastante este anime, pois é muito belo. Talvez para uma pessoa pouco habituada ao "old-school" seja um pouco difícil, pois tem um narrador, tem muitas imagens paradas. Mas envelheceu muito bem e aconselho-o.