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6.9.16

1984

1984
Michael Radford
1984
Filme
7 em 10

Como li o livro muito recentemente, o Qui achou bem que víssemos o filme de 1984. Existe um mais antigo. Infelizmente, o romance ainda está muito vivo nas minhas ideais e não pude deixar de comparar os dois. Assim, este comentário será mais uma comparação.

Para começar, achei que a interpretação do universo era imensamente mais pobre e mais antiquada do que aquilo que o livro relatava. No filme é tudo muito antigo e tudo muito sujo, enquanto que no livro apenas a secção da cidade dedicada aos Proles era assim. No entanto, o guarda roupa está muito bem interpretado. A imagem do Big Brother é um pouco "realista" demais comparado à ideia que nos deram no livro, sendo que Goldstein também aparenta ser uma pessoa muito mais próxima da normalidade. Todo o ambiente é recordatório de algum tipo de guerra ou de sistema político que tenha existido na nossa realidade, enquanto que no livro o sistema é tão diferente e de tal forma avançado que funciona por si próprio como fonte de inspiração.

Além do mais, há alguns cortes em detalhes que tornariam o filme tanto mais longo como muito mais rico Por exemplo, o amigo que é vaporizado (creio que nunca referem este termo), o facto de Julia também assistir à reunião, os princípios de Ingsoc, a gramática do Newspeak... Os próprios detalhes do quarto alugado e o facto de eles terem lá passado muito mais tempo. As estações não passam no filme, pelo que parece que toda a acção é muito rápida. As secções de "sonho" não são claras enquanto memórias.

No entanto, foi acrescentado um detalhe interessante, que é o campo verde perante a cidade escura.

O final também é um pouco frustrante, pois a lavagem cerebral efectuada não é tão evidente como no livro. Aqui, os personagens viram bonecos, enquanto que no livro o seu pensamento é alterado com tal profundidade que eles continuam aparentemente pessoas normais. Para além disso, não houve as declarações no telescreen. Finalmente, o encontro final com Julia foi demasiado longo e deu a entender que esta teria o mesmo destino (a morte), enquanto que no livro aparenta ser-lhe dada uma segunda oportunidade.

No entanto, gostei muito desta interpretação. Não sendo perfeita, captura bastante bem o universo.-

1984

1984
George Orwell
1949
Romance

Curiosamente, ainda não tinha surgido a oportunidade de ler este livro icónico. Por um lado, estava com medo de ficar desapontada, mas a verdade é que me tocou de tal maneira que ainda recordo todos os detalhes...

Um homem vive a sua vida normal como membro da Outer Party em Airstrip One, antiga Grã-Bretanha, membro do estado de Oceania. Oceania está em guerra, sempre em guerra. E a função deste homem é alterar os jornais conforme as vontades do Big Brother, uma figura quase etérea que observa tudo e todos através dos telescreens instalados por toda a parte.

Ora, este homem não se sente bem com o facto de o passado estar constantemente a ser reescrito, de tal forma que a nova geração já não se recorda dele e é imediatamente manipulável ao ponto de obedecer cegamente a toda a informação que é gerada. Ele conhece Julia, uma rapariga fora do vulgar que gosta de se relacionar com os outros (o que é extremamente proibido). A partir daí, a sua luta interna contra o sistema leva-o a cometer um crime: thoughtcrime. O crime é pensar que se pode algum dia revoltar contra o Big Brother.

Este livro é impressionante pela sua modernidade. Pensei que o livro fosse mais antigo, mas a verdade é que mesmo tendo sido escrito nos quase anos 50, é extraordinário como o autor conseguiu conceber um universo distópico tão futurista que até hoje poderia ser aplicável. Aliás, especialmente hoje... Este mundo é altamente detalhado, a ponto de ficarmos a conhecer toda a forma de vida e, sobretudo, a forma de pensar destas pessoas. O autor inclui mesmo, no final, um compêndio gramatical de Newspeak: tudo foi pensado ao detalhe.

O final é um pouco triste, mas plenamente realista dentro do contexto. Por um lado, acreditei mesmo que se conseguisse processar uma mudança...

Outro detalhe que gostaria de referenciar: o Big Brother é normalmente traduzido por "O Grande Irmão", mas a mim parece-me que dentro deste universo seria algo mais como "O Irmão Mais Velho", pois todos os intervenientes são "irmão" ou "irmã".

Enfim, um livro que me marcou e que, certamente, ainda se mantém actual.