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31.7.16

Kachou Ouji

Kachou Ouji
Kikushi Yasuhito - AIC
Anime - 13 Episódios
1999
6 em 10

Tanaka Oji tem uma vida triste. Todos os dias vai trabalhar. Tem uma mulher e um filho pequeno. O que ninguém sabe é que num passado remoto ele era o guitarrista de uma banda de rock! E a verdade é que Oji tem saudades disso... Quando uma nova colega de escritório lhe diz que precisa dele para tocar guitarra num grande palco, não hesita em aceitar! Mal sabe ele que a sua música é o que activa uma arma super poderosa intergaláctica, que poderá definir o rumo de uma guerra espacial que poderá mesmo vir a destruir o planeta Terra!

Este é um anime simpático, sem grandes pretensões, que nos mostra um personagem a crescer e a perceber cada vez mais sobre si próprio e sobre que rumo quer dar à sua vida. É também um anime cheio de momentos engraçados, em que o personagem não consegue coadunar a sua vida secreta de rocker galáctico com a sua vida familiar. É um anime interessante devido a estes momentos e baseia-se, então, sobretudo na sua personagem. Foi um prazer vê-lo a crescer e a tomar um novo rumo para a sua vida baseado nas coisas que realmente deseja e que teve de abandonar para se inserir na sociedade que o esperava. 

No entanto, talvez tudo isto tivesse feito mais sentido se não houvesse o elemento da ficção científica.

A arte não é especialmente boa, se bem que fizeram um trabalho interessante no design dos personagens, que não são especialmente bonitos, mas também não são especialmente feios. São pessoas normais com vidas normais, o que adiciona toda uma nova perspectiva a estas situações. A animação digital é arcaica e pareceu-me desnecessária. No entanto, existem algumas cenas mais experimentais, sobretudo nos momentos musicais, em que há uma mistura de traços e cores muito curiosa, que dá um efeito quase psicadélico a estes "concertos"

Musicalmente, temos uma banda sonora muito interessante, baseada sobretudo em tonalidades de guitarra. Esta é usada com mestria, dando todo um ambiente melancólico ao anime, conjugado com a paleta de cores um pouco escura. A música do tema acaba por se tornar um pouco repetitiva, apesar de ser deliciosa.

Um anime que me deu gosto ver e que poderia recomendar a pessoas que busquem animes sobre música.


Um Peixe Chamado Wanda

Um Peixe Chamado Wanda
Charles Crichton
1988
Filme
7 em 10

De regresso a casa, vamos ver um filme. Debati muito com o Qui que filme haveríamos de ver e lembrei-me que tinhamos este para ver há que séculos. Então lá foi ele. :)

Escrito e interpretado por alguns Monty Python, este filme é uma viagem por um universo cómico, cheio de detalhes sem sentido, mas que dentro do conjunto acabam por fazer uma película deliciosa. 

Um grupo de ladrões assalta um banco para roubar valiosas jóias. Mas entre eles, em quem se pode confiar? Cada um por si e todos apaixonados por uma única figura: Wanda. Esta, é uma personagem que interpreta uma série de pessoas diferentes, conforme a sua conveniência. A narrativa é rápida, sendo que as pistas para o mistério estão sempre a mudar de sítio e necessitamos de muita atenção para conseguir perceber em que ponto estamos. Tudo isto numa sucessão de situações inusitadas que são tão bizarras como lógicas e nos levam ao riso fácil, mas inteligente.

Este filme não seria possível sem um conjunto de interpretações brilhantes, com destaque para Jamie Lee Curtis, que faz um papel muito difícil em que a personagem se está sempre a transformar de forma a nunca sabermos quem ela é realmente.

À medida que a narrativa vai evoluindo, assistimos também a um crescimento constante dos personagens, que se vão libertando das suas vidas habituais perante uma causa maior, seja ela o dinheiro ou o amor. Também é uma crítica brutal a todo o sistema social inglês, perante a liberdade americana (que, apesar de tudo, não é assim tão boa como se poderia pensar). Há uma desconstrução de estereótipos de forma a conseguirmos compreender cada vez mais sobre estas pessoas, tornando-as indivíduos complexos e cheios de personalidade.

Um filme de que gostei muito!

FUPO 2016

FUPO - Feitos Um Para o Outro 2016
Evento/Meet

Quando foi anunciado que iria, após tantos anos (seis? Mais?) haver um novo FUPO, fui logo ver o meu horário do mês para saber se poderia ir. É que, sabem, o FUPO é um evento especial para mim. Foi com muita pena que o vi acabar na época. Porque... Foi o meu primeiro evento, onde levei o meu primeiro cosplay :)

O local seria o mesmo desse evento fatídico em que entrei no universo cosplaico: a Fábrica da Pólvora, em Oeiras. Pedi à minha mãe que me desse boleia, ela que tinha acabado de chegar de uma viagem transatlântica. E lá fomos nós! Evidentemente que nos perdemos. E, perdendo-nos, demos voltas e voltas, sempre seguindo plaquinhas que, progressivamente, iam desaparecendo. Encontrámos coisas bizarras, como uma estátua que tinha caído e zonas de moradias totalmente isoladas do mundo. E quando vimos "Parque Fábrica da Pólvora", achámos aquilo tudo muito estranho. Porque o que vimos foi...





Não era nada assim que eu me lembrava do sítio! Mas, considerando que a estrada em frente não dava para lugar nenhum, decidi descer por aquela estradinha e procurar as pessoas. Afinal, contando todos os cabelos coloridos que esperava, não deviam ser difíceis de encontrar! A minha mãe ficou ali à espera que eu lhe dissesse coordenadas, para o caso de precisar de voltar para trás. E lá fui eu, pela estrada fora!



Continuei, pela estrada fora.


Continuei pela estrada fora. Até que me deparei com isto.



Do outro lado de uma ribanceira cheia de ervas e gafanhotos, estava um local que se parecia em tudo com o que eu recordava! Por aí tinha de ir! Sem ver nenhuma outra maneira de ir parar àquela estrada de salvação, decidi atirar-me da ribanceira abaixo. E lá fui eu, que nem uma pequena estrela do mar, a rebolar por ali abaixo, com cuidado para não sujar nem estragar os meus sapatinhos novos. Sobrevivi!

Só depois vi que mesmo ao lado estava uma escada.



Informei minha mãe que estava viva e tinha encontrado o local, e comecei a minha busca pelas pessoas oloridas. Felizmente encontrei logo a Leonor Grácias e o Samuel (Felix Works), que me disseram que estava a ir na direcção oposta à qual deveria seguir. Ao encontrar as pessoas, foi como se o mundo me caísse aos pés.

Onde estava toda a glória dos FUPOs passados? A multidão que se reunia em amena cavaqueira e beberragem de copos, saltos e folias contundentes, o apoderamento do espaço público em nome do maior bem do cosplay? Bem, não sei onde foi parar a multidão. Mas podemos dizer que estavam "poucos mas bons" :)

Encontrei alguns amigos que me levaram à parte de dentro da Fábrica da Pólvora, onde me deparei com esta situação:




Ritual demoníaco? ATL de crianças? Ninguém o saberá.

Procedemos a ir para a zona do parque infantil, onde iria decorrer um quiz. Não me inscrevi porque, na verdade, apesar de ter visto tantos animes, não sou muito boa com quizzes. Nunca me lembro das respostas para as coisas! Na verdade, na maior parte das vezes nem sequer me lembro se já vi os animes ou não. :( Mas foi muito engraçado assistir ao quiz, que estava misturado com um "jogo do lenço", porque afinal até sabia a resposta para bastantes coisas. :) E é sempre engraçado ver choques frontais entre as pessoas que correm uma contra a outra na direcção do lenço! =D

Aproveitei para tirar algumas fotos, que se seguem. Desta vez não tive coragem de pedir aos poucos colspayres uma foto, considerando que a minha máquina compacta é tão pouco impressionante, mas tentei apanhar toda a gente nesta visão geral. :)







Terminando o quizz, vimos que mais pessoas chegaram. Ainda assim, não as suficientes para que os concursos planeados se pudessem concretizar. No meu segundo FUPO ganhei um deles, como "Cosplayer Modelo", com o meu cosplau de Kana Alberona, e este ano esperava ver também uma série de sukitos improvisados, sem música e sem microfone, apenas para um grupo de pessoas ruidosas. Como entretanto me fui embora, não se na realidade ocorreu. Espero que sim! Espero mesmo que sim! :)



Relativamente aos concursos de fotografia, também gostaria de ter participado, se tivesse tido um sujeito para fotografar (apesar de as minhas capacidades fotográficas serem bastante infelizes). Deixo apenas uma sugestão para o futuro: sugiro que deixem que seja tanto o cosplayer como o fotógrafo a enviar a fotografia para participação. Afinal, o trabalho é dos dois e ambos merecem o eventual prémio! =D

Depois o pessoal deu-me boleia para a estação dos comboios (e fiquei presa nela quando cheguei ao destino, mas isso é outra aventura!). Obrigada! <3

Em resumo, fiquei um pouco triste com este evento ou meet, que costumava ser tão populoso nos seus tempos áureos, e no qual conheci tanta gente e tanto me diverti. Embora a minha primeira experiência de cosplay tenha sido um pouco perturbadora, lol. Um dia vos conto. Não sei o que se terá passado. Falta de publicidade? Na altura não era precisa. O local, isolado e longe dos transportes? Na altura não fazia diferença.

Se calhar fomos nós que mudámos. Se calhar crescemos todos. Ainda assim, espero que para o ano volte a haver FUPO e que, dessa vez, volte a ter o brilho que tinha quando conheci o mundo do cosplay :)


Zankyou no Terror

Zankyou no Terror
Watanabe Shinichiro - MAPPA
Anime - 11 Episódios
2014
5 em 10

Nestes tempos modernos aparecem animes sobre muitas coisas. Neste caso, quando vi que seria um anime sobre terrorismo, até fiquei mais ou menos entusiasmada, já que é um assunto tão profundamente actual e que nos tem vindo a afectar a todos. Mas, logo depois dos primeiros cinco minutos do primeiro episódio, percebi que isto era muita parra e pouca uva.

Este anime sobre terrorismo transforma-se muito rapidamente num drama adolescente sem qualquer tipo de sentido. A narrativa é aborrecida e previsível, oferecendo-se como um "anime para pessoas muito inteligentes", que na verdade não passam de crianças crescidas. Este tipo de conceito tira-me do sério! Os personagens são irritantes, sobretudo no respeitante às vozes, e nada do que eles fazem pode ser levado a sério devido a este elemento.

A arte é apenas capaz, considerando que este anime saiu apenas há dois anos. A integração digital é mediana, assim como os cenários. Existem algumas cenas feitas em outras cores só para nos baralhar, mas tendo em conta a forma da narrativa isto acaba por se tornar repetitivo e aborrecido.

A música também tenta uma hipsterização do anime, forçando-se a ser algo que não é, de todo.

O conceito era bom. A execução... Terrível.

V de Vingança

V de Vingança
Alan Moore e David Lloyd
1988
Banda Desenhada

Este foi o primeiro volume da já referida colecção da Levoir com o jornal Público. Li-o a seguir ao anterior, porque foi por essa ordem que os comprei, lol

V for Vendetta é um título de muitos conhecido, sobretudo depois da banalização das máscaras de guy fawkes pela comunidade nerd que gostaria de se revoltar contra alguma coisa. De tal forma banalizada que chamam as máscaras de "anonymous", quando não tem (nem nunca teve) nada a ver com isso. Já conhecia mais ou menos a história porque havia visto o filme na altura em que saiu. Ainda assim, a novela gráfica original foi uma surpresa para mim.

Numa previsão muito pessimista do futuro (que, curiosamente, se veio a concretizar dentro da sua época), o Reino Unido está isolado do resto do mundo e subjugado por um sistema opressivo que tudo e todos controla. No entanto, há uma figura subversiva no meio disto, que procura ensinar à população, a passo e passo, o verdadeiro significado de ser livre, procurando instaurar uma anarquia de verdadeiros significados através do desmantelamento agressivo e progressivo do sistema.

Este conceito é, sem dúvida, muito original e quase aterrorizante, apesar de inspirador ao ponto de na vida real a "máscara" se tornar um símbolo da luta pela liberdade. A narrativa está plena de debates significativos sobre estes conceitos e também de mecanismos que permitem aos personagens uma evolução constante e relevante tanto para o contexto como para si próprios. São personagens muito cativantes, que evoluem pela necessidade de aprender como se libertarem do sistema e serem, simplesmente, eles próprios enquanto indivíduos.

Infelizmente, não apreciei muito o campo artístico. Achei os designs um pouco confusos, sobretudo todas as vezes que mudava o foco de luz (e, por isso, mudavam as cores das pessoas), sendo que por vezes era difícil distinguir quem era quem. Também achei que poderia ter havido um pouco de mais detalhe no respeitante aos edifícios. No entanto, o design de V foi de puro génio, sendo que se encontrou aqui um símbolo que até ao momento continua cheio de sentido.

Foi uma leitura fascinante e, agora, quase tenho vontade de rever o filme. :)

Terra de Sonhos

Terra de Sonhos
Jiro Taniguchi
Manga - 5 Capítulos/1 Volume
1991
7 em 10

A editora Levoir lança uma nova colecção de banda desenhada essencial em parceria com o jornal Público. Consegui obter uma lista da colecção e seleccionei alguns títulos, que reservei na papelaria para comprar. Este é o segundo volume da colecção, mas acabei por o ler primeiro.

Originalmente publicado sob o título "Inu wo Kau" ("Ter um cão"), é um livro que marca um ponto de viragem na obra do autor. Infelizmente, não conheço ainda outros trabalhos deste, mas apesar disso este volume foi uma boa introdução.

É um manga com cinco histórias distintas, todas elas envolvendo, de alguma forma, um animal. Nas primeiras quatro seguimos o mesmo casal, que aparenta ser um reflexo do próprio autor, sendo que na última temos um personagem distinto. Primeiramente, conta-nos a história (real, ao que parece) da morte de um cão muito velho, que vai perdendo progressivamente as forças. É uma história bonita de dedicação e companheirismo, com a qual muitos de nós, que tivémos animais, se podem relacionar. Depois, conta-nos a história da adopção de uma gata e do parto dos seus bebés. E de seguida, há a visita de uma sobrinha, que tem alguns problemas que irá resolver durante a estadia. Finalmente, uma história completamente diferente sobre a paixão pelo montanhismo, em que um homem neste exercício se perde na montanha e é ajudado por uma deusa.

São histórias simples, narradas solidamente, que exploram a relação das pessoas com os seus animais e a forma como estes podem ajudar em diversas situações da vida. Para mim, o ponto forte foi a arte, que é por demais detalhada, sobretudo todos os cenários relativos à montanha. Daí ter dado esta classificação mais que suficiente.

Não apreciei alguns detalhes relativos a atitudes médico veterinárias, que me pareceram incorrectos, mas talvez no Japão façam as coisas de maneira diferente. A tradução também ficou um pouco a desejar, mas suponho que o hábito de ler tudo em inglês e francês não me ajude nesse campo.

De qualquer forma, uma boa maneira de conhecer um autor de referência. Agora, procurarei a outra edição da Levoir, da colecção do ano passado, pois esse gostaria mesmo de ler. :)

Os Anagramas de Varsóvia

Os Anagramas de Varsóvia
Richard Zimler
2015
Romance

Ganhei este livro na segunda volta de uma BookBox do BookCrossing em que participei :) Escolhi-o porque já havia lido o autor e gostado muito da sua escrita. No entanto, este livro acabou por me desapontar um bocadinho.

Um médico judeu na Polónia muda-se para a casa da sua sobrinha e sobrinho-neto no gueto de Varsóvia. Apesar dos sacrifícios inerentes ao local, tudo parece estar a correr mais ou menos bem e a vida pode começar a ser um pouco normal. Mas, quando Adam, o sobrinho-neto, é encontrado morto em cima do arame farpado do muro que divide este universo do exterior, o velho médico decide, juntamente com o seu melhor amigo, proceder a uma investigação para se poder vingar do assassino.

Percorrendo este ambiente negro, frio e invernoso, deparamo-nos com um mistério bem pensado e motivado por sentimentos fortes. O personagem principal está muito bem construído, na medida em que tem de ceder à sua idade. A trama desenvolve-se progressivamente, sendo que a cada momento vão-se descobrindo cada vez mais coisas que nos ajudarão a encontrar os verdadeiros culpados.

Para além disso, o livro faz um retrato suficiente do ambiente do gueto e, posteriormente, daquele de um campo de trabalho nazi. Mas esta caracterização acaba por ficar um pouco estranha devido a todas as referências a livros, música e cinema, que não parecem adequados à época.

Também não gostei do final, que retirou toda a credibilidade da história que nos veio a ser contada ao longo do livro. A situação dos anagramas é engraçada, mas acaba por ser um pouco forçada e ficamos sem saber se as coisas realmente se passaram, quer no reino da ficção quer no reino da realidade.

Este livro estará disponível para quem o quiser ler. :)

27.7.16

Os Vampiros

Os Vampiros
Filipe Melo e Juan Cavia
2016
Banda Desenhada

Comprei este volume no passado Anicomics. Escolhi-o sobretudo pela sinopse: porque não é vulgar vermos um trabalho gráfico sobre a guerra colonial. E ainda bem que o trouxe, porque foi das coisas mais arrepiantes que li ultimamente.

Um grupo de soldados portugueses e o seu guia é enviado para o Senegal em busca de uma base, sobre a qual deverão dar certas coordenadas. Mas o caminho torna-se mais complicado do que parece à primeira vista. À medida que vamos conhecendo a equipa, situações bizarras começam a acontecer, misturadas com os seus sonhos e as suas memórias, cada vez mais conturbadas pela guerra em que são forçados a viver. As situações que ocorrem têm um misto de fantástico e real, em que nunca é estabelecido o que se passa realmente. Será que é tudo imaginação? Será que as coisas estão mesmo a acontecer?

Existem mesmo vampiros nestas florestas? Ou somos nós os vampiros?

Este álbum caracteriza no seu pleno um imaginário da guerra que, sempre cada vez mais romantizado pelo cinema americano, se caracteriza pelo horror constante, pelo medo e pelo desespero. Os pesadelos dos personagens ajudam muito no grafismo deste pânico constante, em que se torna difícil distinguir o que está certo e o que está errado, ou mesmo qual a atitude correcta a tomar quando confrontados com situações agressivas.

A arte é luxuriante e apelativa, com designs estilizados mas ainda assim muito realistas. Isto acaba por tornar esta leitura numa experiência muito cansativa emocionalmente, em que o coração quase para em alguns momentos, para logo recomeçar a bater com toda a intensidade. Um livro que nos faz querer gritar e chorar e dizer "vão por todos os caminhos, mas não vão por aí". Um livro que não romantiza e que mostra que, de entre todos os horrores, as pessoas são os piores deles todos.

Trata-se de uma edição de luxo, com páginas e capa de grande qualidade. Acho que vale a pena a compra, se não pelo volume, pela própria leitura. Fascinante e arrepiante, merece um lugar de destaque no universo da banda desenhada actual.

Tetsuwan Birdy Decode:02

Tetsuwan Birdy Decode:02
Akane Kazuki - A-1 Pictures
Anime - 12 Episódios
2009
6 em 10
 
A primeira season, quando a vi, até me soube a novidade. Mas esta segunda season é mais um 6 a dar para o 5, ao contrário da anterior.

Tudo está normal, há duas pessoas em Birdy, os aliens andam por aí e ela tem de se fazer passar por modelo erótica para fãs patéticos. Por mero acaso, ela encontra um amigo de infância, lá do planeta de onde ela veio. E ocorre uma onda de mistérios e coisas que precisam de ser resolvidas, tendo à mistura uma série de flashbacks da infância para além da estratosfera.

E isto, perdoem-me, acaba por se tornar aborrecido. Os personagens perderam a sua frescura e encontram-se agora divididos por problemas que afectam qualquer outro personagem de anime. A história é previsível e estéril. Os flashbacks pecam por exagero e não adicionam nada de especialmente interessante.

A própria animação pareceu-me menos cuidada, sendo que as cenas de acção fabulosas que caracterizavam a primeira season estão agora cada vez mais próximas de um rascunho, sendo que - apesar de fluídas - perderam qualquer tipo de detalhe e acabam por se tornar dolorosas.

Não poderei dizer muito sobre a música, pois a versão que tirei vinha sem OP e ED (e com legendas tanto em espanhol como inglês, o que me confundiu muitas vezes, lol).

Enfim, fiquei bastante desapontada com esta segunda season. Espero que não haja mais.

Em Busca do Tempo Perdido 3 - O Caminho de Guermantes

Em Busca do Tempo Perdido 3 - O Caminho de Guermantes
Marcel Proust
1920
Romance
 
Cá continuo eu em busca do tempo perdido. Informo, a quem se interesse, que ainda não o encontrei. Mas, também a quem se interesse, digo que este livro é, mais uma vez, um exercício de fascinação.

Desta feita o narrador, mais crescido, regressado das fabulosas férias em Balbec, decide envolver-se com a aristocracia vigente, desenvolvendo uma paixoneta pela Sra. de Guermantes. Assim, é convidado para casa destas pessoas e este volume relata o convívio com esta gente e as conversas que têm em longos serões.

Em que consistem estas conversas? Bem, nada de muito diferente do que se passa hoje! Senhoras que dizem mal de outras senhoras, recusando-se por causas e outras causas a visitarem-se umas às outras. Senhores que implicam com outros senhores, afirmando a falta de inteligência uns dos outros. Piadas que dizem, que seriam muito catitas se realmente tivessem graça. E uma discussão política recorrente ao longo de todo o volume: o caso Dreyfus.

Este foi um caso que dividiu opiniões na época, que consistiu na condenação injusta de um oficial judeu por razões que nunca ficaram por apurar (mas que se acreditam ser o facto de o rapaz ser judeu). Os personagens de Proust dividem-se em dreyfusistas e anti-dreyfusistas e, apesar de nunca discutirem abertamente uns com os outros, conseguimos ter uma visão bastante realista das opiniões da época. O autor apresenta-as sem nunca tomar um partido, o que acaba por tornar todo o debate numa experiência excitante, em que procuramos tomar uma posição baseados no que os personagens opinam.

Mas há um senão nisto tudo. E o próprio autor sabe disto e explora isto. As pessoas deste livro, acaba o narrador por descobrir mais tarde, são completamente destituídos de qualquer tipo de interesse. São pessoas puramente vulgares, armadas ao pingarelho por posições políticas e familiares que, conforme as consequências de Dreyfus, se tornam progressivamente obsoletas. Assim, as últimas páginas deste livro foram um suplício para mim: eu simplesmente não queria saber mais sobre os sapatos da duquesa. O que é verdadeiramente fascinante é a compreensão que o narrador faz disto e o seu progressivo afastamento, pontuado pela aproximação que lhe fazem.

Agora vamos para o quarto volume, que estou desejosa de ler para saber por que caminho vai o narrador a seguir. :)

Zatoichi

Zatoichi
Takeshi Kitano
Filme
2003
6 em 10

Sábado, dia para trabalhar e, posteriormente, ver um filme do Takeshi :) Este filme é uma nova versão, modernizada, de uma figura lendária do universo da ficção japonesa: Zatoichi, o samurai cego.

No entanto, este filme mostra-nos o personagem numa perspectiva um pouco diferente: porque a versão de Zatoichi de Takeshi Kitano é mais um (apenas mais um?) filme de yakuza, disfarçado de filme de época. Todos os elementos estão presentes, a família vingativa, a família que deve ser protegida, as lutas entre gangs, os maus tratos às pessoas. Mas, como tudo se passa numa época passada, não há armas de fogo presentes (digamos...): é tudo à base da espada.

Tendo isto em conta, o efeito do filme acaba por ser mais cómico do que outra coisa. Os personagens estão plenos de gags que, em conjugação com a narrativa, retiram qualquer potencial de seriedade ao filme. No entanto, o objectivo de Takeshi parece ser precisamente esse: pegar no personagem mais sério da cultura popular japonesa, um mito literário intocável, e desconstruir a sua história para uma realidade actual com a qual nos podemos identificar.

Ajuda a caracterizar tudo isto, um guarda roupa que busca exactidão histórica na forma, mas que a ignora na utilização, padrões e cores: apesar de todos usarem trajes típicos, a forma como estão usados é reminiscente da moda yakuza vigente no final dos anos 90.

Apesar disto, a forma como os arcos narrativos dos personagens se interligam na ligação com Zatoichi, acabam por tornar o filme numa viagem muito interessante. A interpretação de Takeshi é única: para um actor que se caracteriza pelo uso do olhar, o facto de ter sempre os olhos fechados acaba por não ser uma limitação: antes, uma libertação do modelo.

Assim, é um filme interessante em certos aspectos, mas que não consegue desviar-se muito do lugar comum. Guardemos Takeshi para outras ocasiões.


Yomigaeru Sora

Yomigaeru Sora
Sakurabi Katsushi - J.C. Staff
Anime - 12 Episódios + 1 Special
2006
7 em 10

Na eterna busca de animes sempre melhores, por vezes há títulos que, inesperadamente, nos surpreendem muito pela positiva. Yomigaeru Sora, ou "Rescue Wings", foi um desses.

É raro encontrarmos neste mundo animesco um título que trate dos dramas da vida real das pessoas adultas, num âmbito puramente realista e com apenas leves ligações à ficção fantasiosa. Assim, este anime aparece como uma fonte de água fresca, perfeita para um Verão quente como este. O assunto que trata é a actividade de certo personagem num grupo de busca e salvamento com helicópteros, actividade que ele ao início deprecia. É o processo de compreensão do valor desta profissão pela parte do personagem, à medida que ele tem de tomar acções cada vez mais complexas dentro da sua formação e actividade, que caracteriza esta série.

A cada episódio (ou cada dois episódios) vemos um novo caso que deverá ser resolvido pela acção deste grupo de salvamento. Infelizmente, os casos aproximam-se demasiado bem de situações que podem realmente acontecer nas nossas vidas. E, infelizmente, nem todos terminam da maneira perfeita. Isto é, de certa forma, uma aproximação ao nosso próprio universo: não se podem salvar todos. Por outro lado, é uma alavanca para a a evolução do personagem e da sua relação com os outros. Estes, os outros, também passam por um muito interessante processo de caracterização, em que os diversos elementos das suas próprias vidas (tão ricas como as do protagonista) lhes dão novas perspectivas de descoberta sobre si mesmos e sobre as suas convivências pessoais. No que me respeita, achei especialmente comovente a cena de destruição dos livros.

Relativamente a outros elementos do anime, estes são bastante equilibrados e ajudam na visualização deste universo em tudo decalcado do nosso. Os designs hiper-realistas podem ser, por vezes, um pouco confusos, sendo que a animação digital da maquinaria poderia ser melhorada. No entanto, esta está bastante detalhada. Musicalmente, temos uma banda sonora discreta e ligeira, sendo que os elementos mais contundentes são os efeitos sonoros do mundo natural.

Um anime que recomendo vivamente, nem que seja pelo facto de ser completamente diferente do que nos aparece na maior parte das vezes.

22.7.16

Oniisama e...

Oniisama e...
Dezaki Osamu - NHK
Anime - 39 Episódios
1991
7 em 10

Haviam-me recomendado este manga, de 1974, mas o destino quis que visse primeiro a adaptação para anime, apenas concretizada no belo ano de 1991. Devo dizer que adorei. Já há muito tempo que não via uma série que me fizesse ir dormir mais tarde por motivos de "só mais um episódio" ;)

Tudo se passa numa escola para raparigas, onde a jovem Nanako acaba de ingressar juntamente com a sua amiga Tomoko. Lá chegadas, descobrem que dentro da escola existe uma associação, a Sorority, de raparigas altamente respeitáveis. Descobrem também que há três raparigas preferidas de toda a gente. É com isto em conta que começamos a compreender as relações entre umas e outras e as consequências que isso pode ter para a vida de todas. Sempre vigiadas por uma figura fraternal com quem Nanako se corresponde... "Meu Querido Irmão".

Este é um anime sobre a adolescência que se foca em vários elementos que, se preponderantes na época, ainda se mantém actuais. É um anime que fala das relações humanas tendo em atenção os seus piores aspectos. O amor fraternal exagerado, que leva a fatalidades. O bullying, inveja, desrespeito. A organização social escolar, que muitas vezes se divide numa espécie de casta. Todos estes assuntos são abordados fazendo exercício de um conjunto de personagens apaixonante, realista e vívido. Nenhuma das situações é totalmente improvável e em muitas delas consegui identificar a minha própria adolescência. Nada disto seria conseguido sem estas personagens cativantes e muito densas, possuidoras de diversas camadas que apenas a pouco e pouco vão sendo reveladas.

A animação não é perfeita, sendo que existem muitas reciclagens e muitas imagens paradas reminiscentes do manga. No entanto, fica uma nota para a perfeição dos designs, com roupas muito "modernas" (considerando os anos 70) e altamente usáveis. Na verdade, fiquei com vontade de fazer a maior parte delas para meu próprio uso. :)

A banda sonora é quase perfeita, sendo que o tema principal tem tantas variações que nunca lhe encontramos uma repetição. Também há uso de peças clássicas conhecidas, que dão todo um charme romântico ao anime. Fique também uma atenção para as vozes, com interpretações brilhantes, em que o exagero se torna quase emocional.

Um anime apaixonante, que não hesitarei em recomendar como um perfeito exemplo do género shoujo.

22º Super Bock Super Rock

22º Super Bock Super Rock
(Sábado)
Festival de Música
 
Depois de todas as actividades que tinham acontecido ao longo da semana, o culminar foi visitar, mais uma vez, este festival de música, por forma a assistir a um pouco de hip-hop.
 
História curiosa se passou com o processo de adquirir os bilhetes. Sendo o dia do hip-hop, estávamos calmos e pouco concentrados, pois nunca perspectivámos que os bilhetes esgotassem. No entanto, no dia anterior ao que havíamos combinado para os ir comprar, o Qui envia-me uma mensagem muito triste, dizendo que esgotaram! D: Mas como? O quê? Quando? Porquê? Nooon ;_____; Já ia eu a correr para casa para ver os sites e páginas de compra e venda de bilhetes, quando me lembro de passar na Fnac mais próxima a ver se ainda conseguia arranjar um. E aí, o Qui liga-me de novo: afinal os Correios ainda tinham bilhetes! E eu na Fnac, a ver todas as pessoas à minha frente a comprarem as suas entradas para o festival e a pensar... "É desta que vão comprar o último!". Mas não. Consegui um para mim também :)
 
Mas regressemos à nossa aventura!
 
Depois de me transportar da Quinta das Conchas, onde tinha estado no Picnic Bookcrossing (tinha torcado de roupa lá, pela t-shirt que comprei no picnic e leggings e sapatos confortáveis), comecei a reparar que o metro ia cheio de pessoas que claramente iam para o festival. Mas estranhavam-me essas pessoas. Estavam todas tão bem arranjadas, cheias de saltos altos e colares. Havia uma rapariga toda borbulhosa que ia com os pés em cima do banco da frente, como se fosse mais especial que as outras pessoas. As pessoas, no geral, começaram a perturbar-me. Isso acabou por ter consequências, que veremos de seguida.
 
Depois de me transportar até ao Parque das Nações, encontrei-me com o Qui e amigos, sendo que depois fizemos uma caminhada heróica até ao carro, onde deixei a minha mochila e preparei uma sub-mochila apenas com os objectos essenciais. Chegando ao recito, começamos a procurar outros amigos, que encontramos imediatamente olhando para uma banca de comida. Achamos boa ideia apostar num kebab vegetariano e ficamos logo por ali. Infelizmente, o kebab saiu frustrado pois, por um exorbitante preço de 4,5€, nos forneceram um wrap com alface, tomate, cenoura e queijo ralado. Nem um falafel para amostra!

Atrasei-me tanto que não pudemos ver dois concertos que queríamos, Kelala e Capicua. Na verdade, nem sequer vimos nada do recinto este ano, porque fomos logo para dentro do pavilhão, onde iriam começar os concertos mais importantes da noite.

Entretanto, fomos adquirir cervejas diversas. Descobrimos que teríamos de pagar uma caução de dois euros para obter um copo de plástico que poderia ser reutilizado todas as vezes que quiséssemos. De certa forma, isto é uma boa ideia, porque nos devolveriam o dinheiro no fim (no nosso caso, ficámos com os copos) e porque é amigo do planeta, sendo que se produz muito menos lixo e resíduos. No entanto, teria sido boa ideia avisarem disto com antecedência, para uma pessoa ir correctamente preparada e motivada... Zanguei-me com o Qui porque ele me trouxe um copo miniatura, quando eu queria um grande como as outras pessoas. O preço era o mesmo e, afinal, foi fácil bastante pedir para trocarem o meu copo bebé por um copo crescido. :)

Mas comecemos os concertos. Acabámos por ver apenas três, mas foram todos excelentes! O primeiro foi

Orelha Negra
 
Sam the Kid apresenta um novo projecto: uma banda e dois DJs. Porque não? Com uma batida poderosa e um baixo muito melódico, ouvimos uma remistura de samples improváveis, muitos dos quais aparentavamaté ter sido gravados propositadamente para que estes sons fossem criados. Eu já conhecia bem a banda, mas o concerto nunca deixou de me surpreender pela energia que transmitiu, muito positiva.

De La Soul
 
Contextualizando esta banda, digamos que aparecem em oposição a todo aquele hip hop agressivo de pessoas com armas. São um hip hop feliz e bem antigo. Não os conhecia e, antes do concerto, decidi explorar um pouco os seus álbums para ficar a saber melhor. No entanto, só encontrei disponível para download o álbum de 1989, 3 Feet High and Rising. Que adorei, sendo que estava mesmo ansiosa por este concerto para ouvir alguns sons deliciosos deste disco.
Mas, para meu grande azar, o trio decidiu-se por tocar todo o tipo de coisas menos aquelas que eu sabia. Foi um grande desapontamento. Para além disso, pareciam estar bastante aborrecidos com o público, sempre dizendo coisas relativas à sua juventude, aos telemóveis em pé e outros elementos que devem chatear uma pessoa quando está num palco. Na verdade, até tinham uma certa razão: quando a camera se focava na fila da frente, era só pitas todas arranjadas e maquilhadas com ar de que iam cair de aborrecimento a qualquer momento. Só faltava adormecerem e babarem-se.
 
Percebo que os De La Soul se tenham chateado.
 
Outro assunto relativo a este concerto foi a qualidade do som. Os vocais nas músicas eram muito pouco claros e a produção do espectáculo parecia muito mal cuidada. Assim, foi um concerto que ficou muito imperceptível.


Kendrick Lamar
 
No intervalo, aproveitámos para ir ao banheiro e comprar mais bebidas diversas. Estávamos a ir para o local original onde estávamos, do lado direito, tudo muito calmo, quando um dos nossos amigos se lança em passo rápido para o lado oposto, para ir ter com outras pessoas. E fomos atrás dele. De repente, eu e o Qui estamos perdidos de toda a gente, rodeados de pessoas por todos os lados. E eu devo ter um atractivo qualquer, porque num concerto toda a gente (toda a gente!) decide que é por mim que têm de passar para ri em qualquer direcção. Então, toda a gente (toda a gente!) me estava a dar encontrões. Tentamos ir até à régie, porque é um lugar um pouco mais calmo, mas sem sucesso. Quando concerto começa e se acendem as luzes... Pânico. Entro em pânico. Não consigo estar ali, começo a ficar com falta de ar, e no meio da confusão nem conseguia dizer ao Qui que precisava sair daquele local. Mas conseguimos.

No entanto, no novo local em que estamos, não consigo ver nem o palco nem o ecrã. Apesar de estarmos encostados à parede e eu ter o Qui a proteger-me, continuo a levar encontrões e fortes pisadelas. A qualidade do som era tal que, sem associação à imagem (que não conseguia ver) só consegui identificar uma única música. E eu conheço bem o artista! À minha volta, só ruído. Cada vez que havia uma pausa, gritavam todos PORTUGAL ou CRISTIANO RONALDO e eu não estava a perceber porquê, nem o que tinha aquilo a ver com o concerto que deveríamos estar a ver.

Não conseguia ouvir as letras decentemente, o beat estava todo baralhado. Não vi nada do concerto e só gritava quando os outros gritavam. Ter visto o concerto de frente ou de costas teria sido exactamente a mesma coisa. Foi completamente incompreensível para mim, apesar de a maioria das pessoas ter percebido tudo (talvez porque não tivessem milhões de cabeças altamente penteadas a tapar a vista)

Fiquei muito triste, porque de todos este era o concerto que queria ver mais e não consegui perceber nada. :( Restam os vídeos do concerto, mas não é a mesma coisa. Senti que o dinheiro do bilhete foi, essencialmente, deitado ao lixo.


Depois, saímos do recinto e descobrimos que, mais uma vez, nos havíamos perdido das pessoas. Quando os reencontrámos, caminhámos até ao carro e, nele, adormeci.

Conclusão: espero que o Kendrick volte a Portugal um dia destes, para eu poder ir ver. Já que não vi.

Uma tristeza para mim.

20.7.16

Picnic BookCrossing de Portugal

Picnic BookCrossing de Portugal

Sábado foi dia de ir a um picnic muito especial. Já há muito tempo que não havia um encontro oficial dos membros do BookCrossing e esta foi a motivação para nos reunirmos para beber umas jolans e comer coisas. Bem, eu não comi coisa alguma, mas dá para perceber. :)
Tudo isto foi organizado pelo membro joaquimponte, que também é o mentor da Conchas Little Free Library. Assim, o nosso picnic foi ao lado da casinha dos livros, no Jardim da Quinta das Conchas, em Lisboa. Cheguei um pouquinho atrasada com o meu barco insuflável, onde se colocariam livros diversos para todos tirarem. Depois de cheio, serviu muito bem para tudo. Claro que o deixei lá, para o Joaquim poder ir navegar. :)

Depois, foram chegando mais pessoas e começámos amena cavaqueira sobre livros e papagaios e outros temas que tais. Pus à prova os meus conhecimentos sobre psitacídeos, que ainda são alguns (por causa da pós-graduação em comportamento animal, lol). Depois, mostrei um livro erótico pavoroso que tinha levado e aproveitei para escolher alguns para mim.

Retirei do barquinho os seguintes livros:

  • Quantas Madrugadas tem a Noite, de Ondjaki
  • A Identidade, de Milan Kundera
  • O Século Primeiro depois de Beatriz, de Amin Maalouf
  • A Última Dona, de Lídia Jorge
Entretanto, fizemos um jogo de rifas que consistia em retirar uns papéis de um saquinho e responder ao que estava lá escrito. Havia perguntas como "com que escritor gostarias de jantar", o que deu azo a muitas respostas curiosas. A mim calhou-me para recitar um poema de um livro ou cantar uma canção de outro livro, mas eu recitei um poema muito lindo da autoria do meu pai. Havia também uma pergunta que era para ler um poema do Vinicius de Moraes sobre signos, o que foi um pouco aterrorizante, porque o homem sabe cenas!

Havia outro elemento no programa que não fizemos,  que era escrever uma história em conjunto. Sugeri na altura fazermos um outro "Caderno de Recordações", como já havíamos feito anteriormente. :)

Entretanto, agradeço não terem colocado balões, que me aterrorizam, e terem escolhido uma decoração mais tradicional com garrafinhas e fitas. :) Depois de beber tantas cervejas seguidas, comecei a ter de ir à casa de banho repetidamente, sendo que numa das viagens encontrei uns amigos do universo cosplaico! Assim, lembrei-me de distribuir pelos presentes os meus cartões de cosplay. :p Também lhes deixei um exemplar do "Não Metas um Poeta Dentro de Água", que espero que partilhem entre todos no futuro! =D

Finalmente, ainda não falei da presença de um elemento externo, que nos brindou com uma história. Tratava-se da autora de livros infantis Manuela Ribeiro. Para começar, ela ofereceu um dos seus livros a cada um de nós, sendo que gostei imenso das ilustrações, que me fizeram lembrar uma colecção de livros da minha infância! Depois, ela contou-nos a história do Senhor Sisudo (que sabia tudo, tudo, tudo) e foi muito engraçado. Realmente, quem sabe contar histórias tem outra arte!

Depois, tive também de partir um pouco mais cedo, depois de trocar de roupa, pois deveria estar presente no Parque das Nações para assistir aos concertos do Super Bock Super Rock. Ainda assim, tivemos tempo para tirar uma fotografia. :)




Até à próxima! =D

The Hitchhiker's Guide to the Galaxy

The Hitchhiker's Guide to the Galaxy
Douglas Adams
1979 - 1992
Ficção Científica

Este foi o último livro que me faltava ler do montinho adquirido na Feira do Livro. Já há muito tempo que queria ler este livro e até o tinha em versão digital no Kobo. Mas quando vi este volume "Ultimate", com os cinco livros e um conto extra, pensei que seria uma boa oportunidade.

Os livros são independentes uns dos outros, de certa maneira, portanto falarei de cada um separadamente.

The Hitchhiker's Guide to the Galaxy

Arthur Dent é um britânico normal que vive uma vida normal, até ao dia em que é informado de que a sua casa será demolida para construir uma estrada. No entanto, o seu estranho amigo Ford Prefect leva-o para fora do planeta, já que este também será demolido para construir uma estrada. Reunindo-se com diferentes pessoas, descobrem uma série de coisas sobre o planeta Terra, que afinal foi construído para dar a Pergunta à Resposta para todas as Coisas do Universo, que é... 42.
Trata-se de um livro muito engraçado, com um típico humor britânico tão característico dos Monty Python (para quem o autor, aliás, escreveu). As descobertas que são feitas uma após outra são surpreendentes, se bem que por vezes muito difíceis de imaginar. Por exemplo, foi muito difícil para mim visualizar Zaphod, com duas cabeças e três braços. Para além disso, estava convencida de que esta aventura seria mais um caminho pelo universo de mochila às costas, mas tornou-se mais uma espécie de mistério policial.

The Restaurant at the End of the Universe

Depois acabamos por ir comer a um restaurante onde podemos ver o universo a acabar constantemente. São introduzidos novos conceitos sobre viagens no tempo e universos paralelos, o que acaba por tornar o livro muito confuso. Para além disso, começo a reparar que este livro tem falhas estruturais graves, como inexactidões, confusões e contradições.

Life, the Universe and Everything

Mais uma vez temos de salvar o planeta, desta feita contra um grupo de pessoas que gosta da paz e do amor e da exterminação de todas as outras formas de vida. Mais uma vez, a narrativa apresenta-se confusa, sempre intercalada com passagens do guia que nada significam para o contexto em questão. O livro começa a tornar-se cansativo e repetitivo e começo a arrepender-me de não estar a fazer intervalos entre cada um dos volumes.

So Long and Thanks for All the Fish

Este foi o meu livro preferido do conjunto, porque pela primeira vez falamos de algo aparentemente normal e vemos como o personagem de Arthur Dent evolui. No entanto, esta evolução acaba por descaracterizar um pouco o personagem. Ficam em falta explicações diversas que nos são prometidas ao início, o que acaba por ser um processo frustrante.

Young Zaphod Plays it Safe

Um pequeno conto, cujo conteúdo me passou completamente ao lado. Não compreendi o contexto nem o objectivo, mas se calhar é porque sou um pouco burrínea.

Mostly Harmless

Introduzem-se conceitos de universos paralelos. No entanto, foi o livro que menos gostei, de todo. Confuso, sem interesse, com uma descaracterização completa dos personagens e mal introduzido dentro da cronologia da série.

Para mais, não foi escrito por Douglas Adams, o que se nota pelo conjunto de piadas altamente forçadas que povoam todo o livro.

 Em conclusão:

Este guia para as galáxias aparece com um potencial hilariante imenso, logo ao início. No entanto, o próprio autor diz que tudo isto foi escrito, mais ou menos, por mero acaso e que se há coisas que fazem sentido nem ele sabe porque razão isso acontece. E isto nota-se bastante. Os cinco livros em conjunto tornam-se quase torturantes no sentido em que as piadas se repetem, os conceitos são altamente complexos e estão mal explicados e estruturados e, no fundo, tudo se torna num verdadeiro aborrecimento. Felizmente, houve o Thanks for all the Fish para me fazer relaxar um pouco na leitura.

Recomendo, talvez, o primeiro volume pela sua importância revolucionária no âmbito da ficção científica da época. Os outros, deixaria para trás.
 

Lançamento "Não Metas um Poeta Dentro de Água"

Lançamento "Não Metas um Poeta Dentro de Água"
 
Hoje falaremos de algo um pouco diferente. Sexta feira que passou, após um dia de trabalho não extenuante (porque cancelado), dirigi-me à Oficina do Cego para o fabuloso lançamento de uma publicação altamente independente, de nome "Não Metas um Poeta Dentro de Água" .

Contexto? Ora bem, já no ano passado, fui fazer um Curso de Escrita Narrativa, com o autor e mestre Rafael Dionísio (publicado pela Chili com Carne). Participaram também a Patrícia M. Noronha e o Rodrigo Prista, sendo que ficámos grandes companheiros literários depois de todo este processo criativo. Ora, com este curso vinha um bónus! A publicação dos contos realizados nesse âmbito, num conjunto de fotocópias com aspecto muito agradável.

A Oficina do Cego é uma oficina de tipografia, sendo que foi lá que foi feita a capa, sob a mágica orientação da Patrícia (já que eu estava a trabalhar e o Rodrigo ausente sem licença). Foi feita em caracteres móveis, que incluem letras e um bonequinho a saltar para dentro de água. Onde arranjámos o título? Ora, estávamos falando sobre um poeta que gostava de natação e alguém, acho que eu, gritou... NÃO METAS UM POETA DENTRO DE ÁGUA! E, assim, ficou o nome.

Neste lançamento, com muita comida e bebida, falámos um pouco sobre os nossos contos, que foram ilustrados de forma bastante macabra pelo mestre João Feitor. Eu cá gostei bastante da ilustração do meu conto, embora não tenha percebido o tema da aranha ;)
 
 

Sobre os contos propriamente ditos, dissemos várias coisas. Farei mais um menos um resumo:


Em "O Sonho de Matilde", da Patrícia, um professor de pintura morre de inveja do talento da sua aluna idosa, sendo que posteriormente acontece um crime. 

Em "Carlos André ou Antifa", meu, um jovem metaleiro está dividido entre a sua paixão pelo moshpit e a sua paixão pelo jazz. Está sempre acompanhado pelo seu gato anti-fascista, o Antifa e, posso dizer, a história acaba bem. :)

Em "Bequadro", do Rodrigo, falei eu um pouco, já que o referido rapaz está ausente em terras africanas até notícia em contrário. O Rodrigo é poeta e é um conto poético, no universo da música clássica, em que se prevê uma desgraça (mas não é um crime).

Estive acompanhada pela minha mãe e pelo Rui (sua pessoa) e foi muito interessante estar com todos. Falei com muitas pessoas diferentes que me deram toda uma nova perspectiva sobre o mundo editorial, e para quem espero não ter parecido demasiado convencida sobre os meus talentos, que são quase nenhuns...

De resto, fiquei com vontade de praticar mais a minha escrita (que podem acompanhar no meu blog paralelo O Bentivi Urbano), participar em mais cursos e, no fundo, escrever mais coisas. :) Fiquei com 15 mini livros para mim. Foram fotocopiados 50, 15 para cada um e 5 para a Oficina. Dos meus, estou a oferecê-los às pessoas mais próximas de mim, sendo que até já mandei um para o Brasil, para sermos internacionais! Qualquer um de vós que queira ler estes contos, poderei enviar pelo correio um dos volumes. Peço depois é que partilhem com as pessoas. :)


12.7.16

Blue Submarine No. 6

Blue Submarine No. 6
Maeda Mahiro - Gonzo
Anime OVA - 4 Episódios
1998
6 em 10

Um curto OVA, com episódios de 28 minutos (excepto o último, que tem 40). Acabou por ser uma experiência mais curiosa do que esperava ao início.

Neste mundo, tudo está semi-submerso no mar. Lá vivem umas criaturas, humanos artificiais, que estão em constante batalha com as pessoas da superfície. Mas quando um piloto vulgar salva um destes seres e volta a pô-lo dentro de água, tudo pode tornar-se um pouco diferente do que se previa.

A história não é original, mas é interessante na medida em que a estrutura social dos vários seres é apresentada de forma diferente. Da mesma forma, distingue-se pelos designs dos personagens, das diversas criaturas e da maquinaria. A história desenvolve-se até um ponto de viragem bastante pessimista, mas infelizmente pareceu-me que o OVA foi demasiado curto para que apresentassem o material na sua íntegra Assim, acaba por parecer demasiado curto. O que eu queria realmente saber não nos foi mostrado (seria, "o que se passará depois de encontrarem os monstros"), mas talvez isso não seja necessário o parte integrante da história. Talvez o objectivo seja efectivamente passar esta ideia de vida perdida.

Apesar de os designs serem muito bons, não se pode dizer o mesmo da animação. Este OVA saiu entre 98 e 2000, pelo que a animação digital ainda é primordial. Isso nota-se com evidência em todas as cenas que incluem máquinas e máquinas dentro de água, o que é um pouco desagradável.

Musicalmente, não temos uma OST muito forte, mas isso pode ser compensado por uma ED sólida e reminiscente de sons populares de décadas passadas.

Foi um anime giro, mas não o recomendaria.

Cleopatra

Cleopatra
Osamu Tezuka - Mushi Production
Anime - Filme
1970
7 em 10
 
Depois de ver a Belladonna of Sadness, recomendaram-me que visse o resto do projecto Animerama. Como já tinha visto o 1001 Noites, restava-me este, que procedi a assistir na companhia do Qui. Este é o outro filme escrito e dirigido pelo mestre Osamu Tezuka, o que acaba por ser bastante evidente no estilo artístico e narrativo.
 
Para começar, não recomendo de todo a versão que está no youtube (e que vimos para não termos o trabalho de sacar), pois as legendas são uma coisa completamente destituída de sentido. Os próprios subbers dizem "como o filme não faz sentido as legendas também não", mas a verdade é que - pelo pouco Japonês que sei - o filme é bastante mais simples do que aparenta à primeira vista.

Tudo começa com uma civilização do futuro que se vê perante uma invasão com o "Projecto Cleopatra". Para descobrirem do que se trata o tal projecto, decidem enviar três representantes ao passado, à época da conquista do Egipto pelos romanos, para saber o que se passava na altura. As conclusões... Bem, terão de ver o filme :)

A narrativa é simples e acaba por se basear, sobretudo, nas relações entre os personagens. A nossa personagem de foco é a Cleopatra, que aparece mais como uma vítima do acaso e de um amor inusitado que nunca tinha conseguido antes, do que como a entidade manipuladora que os livros de história nos mostram. Assim, o filme acaba por ter uma vertente muito feminista e respeitadora da figura feminina (apesar de todo o erotismo inerente), já que a figura de Cleopatra é apresentada sob uma luz quase vitimizadora, em que há a obrigação de fazer todo o tipo de coisas que colocam os seus ideais em cheque.

Como disse anteriormente, este filme tem uma elevadíssima carga erótica. Isto, à mistura com o estilo característico de Tezuka, tem um resultado deveras estranho e absolutamente hilariante. As cenas mais sérias são cativantes, mas existe uma miríade de outros momentos em que somos efectivamente obrigados a rir. Tezuka faz todo o tipo de coisas, desde uma "pantera cor de rosa" em cavalo até auto-referências nos piores momentos.

E, falando em todo o tipo de coisas, que dizer da animação? Este é um filme absolutamente revolucionário. Fazem-se aqui coisas que se foram tornando vulgares, acabando por desaparecer nos dias de hoje. Temos de tudo, desde animação com recortes, a técnicas de slow-motion, passando mesmo pelos primórdios de uma reciclagem de animação muito discreta... Enfim, a ideia que dá é que lhes disseram "tomem dois euros e façam um filme" e que, com isso, fizeram tudo aquilo que se lembraram :) A forma como algumas cenassão animadas (por exemplo, o assassinato de César) prima por uma originalidade estonteante e uma capacidade de decisão típica de uma pessoa que se quer divertir a fazer coisas. O resultado é, simplesmente, fascinante.

Finalmente, digamos algo sobre a banda sonora. Com uma mistura de sons pop típicos da época e algum sonoro experimental, mantém o filme vivo e palpitante do início até ao fim. Não me impressionou tanto como nos outros filmes da saga, mas ainda assim tem o seu valor.

Enfim, devo dizer que este conjunto de filmes, individualmente ou todos juntos, são uma experiência de visualização fantástica. Sobretudo para quem tem interesse na evolução da animação e como ela veio a ser o que é hoje. Porque estes filmes são sobretudo uma experimentação e a avaliação de tudo o que se pode fazer. Isso é, sem dúvida, demasiado interessante para podermos perder.
 

8.7.16

Kamisama no Memochou

Kamisama no Memochou
Sakurabi Katsushi - J.C. Staff
Anime - 12 Episódios
2011
6 em 10

Parece-me que finalmente regressei ao meu ritmo normal de visionamento de anime. Ah, finalmente!

Recomeço as minhas visualizações com um anime que, como quase tudo, não foi nada de especial. No meio de dezenas (ou centenas!) de animes de mistério, este é apenas mais um deles. Afinal, o que se passa aqui?

Um rapaz inadequado vê-se envolvido com um grupo de pessoas que trabalha para uma rapariga misteriosa que vive fechada no seu quarto. Uma NEET (not employed, being educated or in training) que, apesar de tudo, trabalha como detective para quem precisar de um detective. Porque, tal como o estereótipo indica, é uma super hacker plena de inocência, beleza e ursos de peluche. E lá vão estes geeks todos resolver uns casos e descobrir umas cenas sobre a vida, num ambiente em que, no fundo, não se passa nada de importante.

Talvez o facto de nenhum dos casos ser realmente importante esteja relacionado com o facto de que as personagens também não tenham nada de relevante sobre elas. Se temos a NEET como factor principal, isso significa que todos os outros personagens saíram mais ou menos ignorados, sendo que todos eles foram enquadrados dentro de uma caixinha estereotipada e não mais de lá saíram. Quanto à moçoila, apesar de estar fechada em casa com a sua bonecada, é extraordinariamente boa em tudo, distinguindo-se em campos tão improváveis como a habilidade desportiva. Isso não só lhe retira qualquer realismo que ainda restasse como a torna em mais uma típica Mary Sue, uma projecção autoral idealista em que nada pode deixar de ser perfeito.

A animação é típica e tanto boa como insossa. Não há atenção ao detalhe, os designs pretendem retratar uma normalidade que acaba por se tornar aborrecida pela falta de conceptualização. Cenas de acção propriamente ditas? Pouco que se veja.

O mesmo acontece na música. OP e ED são mais do que já vimos tantas vezes antes, enquanto que no parênquima nem se dá pela presença das peças.

Um anime muito pouco impressionante, repetitivo dentro do género. Será esquecido bem depressa.

5.7.16

Super Lovers

Super Lovers
Ishihira Shinji - Studio Deen
Anime - 10 Episódios
2016
5 em 10

Com este anime termino a season de Primavera. Comecei a vê-lo porque há bastante tempo que não pegava num BoysLove e experimentava um certo tipo de saudade em relação ao género. Mas este anime trouxe-me uma certa revelação, que talvez esteja relacionada com o ascender de minha provecta idade. Parece-me que, infelizmente, este tipo de BL me faz uma certa confusão.

Mas o que deveria eu esperar de um anime chamado "Super Lovers" com um puto e um adulto abraçados na imagem promocional? Repare-se que eu antes até achava piada a isto. Era romântico e fofo e tal. Mas agora estou a ter dificuldade em ultrapassar este tipo de mecanismo narrativo.

Processa-se assim: um gajo todo bom vai ao Canadá e descobre que a sua jovem mãe adoptou um puto todo bom. Depois eles crescem mais um pouco e desenvolve-se uma relação de amor fraternal que excede as necessidades entre-irmãos. Ao início, até era um anime simpático: como conquistar a amizade de um miúdo que só fala com cães e, progressivamente, entrar no seu mundinho. Mas a partir do momento em que a narrativa se passa no Japão, tudo começa a tomar proporções muito estranhas.

Poderia ter sido um anime que explorasse a descoberta da sexualidade do eu adolescente, mas a caracterização dos personagens não o permite. Para começar, são fixas dentro das suas personalidades, acabando por entrar de rompante por dentro do estereótipo "seme" e "uke", o que já se vem tornando aborrecido. Mesmo dentro disto, os personagens têm atitudes erráticas: por vezes demasiado infantis, outras demasiado adultos, nunca um meio termo. A relação em si é estranha porque, apesar de serem irmãos adoptados, há sempre uma aura incestuosa vagando por cima de nós. Existe mais uma série de outros personagens, mas que não contribuem em nada para a narrativa e que não sofrem qualquer tipo de caracterização ou desenvolvimento.

A arte é básica, muito típica do género, sendo que o design dos personagens peca pela falta de originalidade e realismo. Não temos grandes cenas de animação e o aspecto mais interessante acaba por ser o design dos canídeos que populam o anime em maior ou menor quantidade.

Musicalmente, temos uma sonoridade repetitiva, com OP e ED pouco inspiradas e o resto da banda sonora muito pouco memorável.

Para mim, uma experiência que teve o seu valor, pois revelou que estou velha para isto.

Sailor Moon: Crystal Season III

Sailor Moon: Crystal Season III
Kon Chiaki - Toei Animation
Anime - 13 Episódios
2016
10 em 10 

Como referido anteriormente, Sailor Moon é uma paixão que venho alimentando por muitos anos. Assim, afirmo desde já que esta classificação máxima (o 10 em 10) é uma mentira puramente subjectiva. Passarei a explicar no comentário que se segue a minha real opinião sobre este anime que, embora tenha adorado com todo o meu coração, ainda contém algumas falhas que poderão ser colmatadas no futuro (e que espero que sejam)

Esta "Season III" mostra-nos a secção da história relativa ao aparecimento das Outer Sailors e da Super Sailor Moon. A história tem um toque de ficção científica muito característico desta série, que mistura a magia do amor com aspectos mais técnicos, fruto de uma imaginação prodigiosa. Claro que a narrativa tem as suas falhas, mas aprecio-a por ser típica da sua época e estonteante na sua concepção.

Assim, o que poderei comentar sobre este anime? Começo pelas personagens. Mais uma vez, estabelecemos a sua força enquanto lutadoras num contexto difícil de ultrapassar, em que as suas vitórias são conseguidas por um conjunto de ideais que deveriam ser incutidos no público alvo deste tipo de anime. As novas personagens são apaixonantes e cativantes, envoltas numa aura de mistério ao início mas progressivamente convencidas a juntarem-se na luta contra as forças maléficas. As relações entre as personagens são quase comoventes pelo facto de provarem que ainda existem valores neste universo.

De resto, observamos uma mudança radical no estilo escolhido para esta nova instância de Sailor Moon. Se nas primeiras duas seasons o traço único do manga foi mantido, desta feita escolheram dar um toque mais moderno. Acredito que isto tenha sido devido às críticas abismais dos fãs das séries originais, que não conseguiram aceitar as imagens clássicas do manga adaptadas e a cores. Este novo estilo acaba por funcionar bastante bem e ser um pouco refrescante, apesar de tudo. Espero que todas as pessoas que reclamaram se sintam bem felizes agora :)

A animação tem bastantes erros, o que é uma situação um pouco infeliz, mas quando acerta... Acerta plenamente. Temos um conjunto de imagens que resultam extremamente belas. Ainda assim, foi um pouco aborrecido ver a reciclagem constante de animações, sobretudo no respeitante aos ataques (que, para mais, têm sequências um pouco estranhas e quase ridículas)

Finalmente, a música é um dos pontos fortes. Temos peças corais altamente intensas para os momentos de mais acção, enquanto que outras peças instrumentais estabelecem outros momentos, num efeito muito emocionante. Ao início demorei a habituar-me à nova OP, mas mais tarde admiti que era perfeita para o anime. Temos também 3 EDs, dedicadas a personagens diferentes, que são simplesmente apaixonantes e viciantes.

Um anime com muitas falhas, mas que não posso deixar de amar. <3

Lord Jim

Lord Jim
Joseph Conrad
1900
Romance

Este livro apareceu num tópico do BookCrossing, numa lista de leitura recomendada para "quem deseja tornar-se uma pessoa melhor". Assim, quando o vi na Feira do Livro, decidi comprá-lo para poder fazer um Ring. :) No entanto, começo a arrepender-me, porque foi muito caro para o estado em que estava (a capa toda rasgada, que ainda tenho de fita-colar) e porque não correspondeu em nada à expectativa criada pela tal lista.

Para começar, encontramos um personagem que já conhecia de outra leitura: Marlow. Esta pessoa está a contar a um grupo de marinheiros a história de Jim. E a história de Jim começa num barco. Ora, eu não aprecio de todo histórias náuticas. Isto porque não percebo nada de barcos, não sei sequer qual é a proa e qual é a popa. Por isso, nunca consigo visualizar o que eles estão a fazer nos barcos. Este momento inicial prolonga-se por mais de metade da narrativa e muito pouco é revelado sobre o personagem de Jim. Apenas sabemos que ele tem uma coragem infinita, não tem medo de nada, mas apesar de tudo vacilou quando imaginou uma coisa e fugiu. Agora, tem medo que o achem cobarde.

Até aqui tudo bem, pode ser que eu aprenda a ser uma pessoa melhor quando Jim se instalar em terra. Jim instala-se numa aldeia indígena e torna-se uma espécie de líder não oficial desta. Mas continua sem haver nenhuma referência à fraternidade, amizade e felicidade que a lista nos propunha. Depois, corre tudo mal e acaba-se a história de Jim.

Enfim, é uma história longa contada por um personagem sem muito que fazer (e que gosta de contar histórias), em tudo semelhante ao já referido "Coração das Trevas". Acaba por tornar-se maçuda, repetitiva... Afinal, todas as pessoas que encontram Jim parecem extremamente surpresas pela sua candura, inocência e coragem imensa. Mas o personagem acaba por se reduzir a estes elementos e não me consegui conectar com ele.

Apesar de tudo, os meus amigos BookCrossianos poderão gostar deste livro. Assim, farei um ring para eles. :)