29.12.15

Mazinkaiser: Shitou! Ankoku Dai Shogun

Mazinkaiser: Shitou! Ankoku Dai Shogun
Murata Masahiku - Brains Base
Anime OVA - 1 Episódio
2003
4 em 10
 
Meu deus, mas que mal fiz eu ao mundo para ter isto na minha Plan to Watch (antiga) e me forçar a mim própria a vê-lo? Talvez com a esperança que fosse um pouco melhor que a prequela. Não é. Nunca poderia ser.

Neste OVA de um episódio, o nosso herói foi de férias mas é na mesma atacado por robots maléficos. Há robots de todos os géneros, à escolha para o menino e para a menina, bons e maus. Tudo num episódio de 50 minutos. A história não faz sentido, aparenta ser apenas "olha aqui umas coisas para tu lutares" e, de resto, é um anime tão infeliz como a sua primeira instância.

Não temos personagens de todos (de novo "olha aqui umas coisas para tu lutares") e a animação continua tão terrível como antes. Os designs não têm nexo, sendo cada robot uma mistura de elementos que não têm nada que ver uns com os outros, uma espécie de amálgama de tudo o que se puderam lembrar encaixada num OVA.

A música é de bradar aos céus, pedindo que pare, incluindo uma estranha cover do "Final Countdown" logo no início (com um efeito especial cheio de chamas feitas com um filtro do Power Point)

Gostava de ter um comentário maior e muito mais completo, mas realmente não há muito a dizer. Mazinkaiser é cócó.

D. Quixote de La Mancha - 1ª Parte

D. Quixote de La Mancha - 1ª Parte
Miguel de Cervantes
1605
Romance

Tinha visto esta edição em volume manejável (relativamente) na Feira do Livro, mas estava tal fila para comprar que desisti. Mas não consegui resistir a comprá-lo mais tarde. E é nesta senda que tenho estado nos últimos tempos, sendo por isso que não escrevi nada sobre livros durante essa altura. Aproveitei o dia de Natal para terminar de ler a primeira parte (a segunda foi escrita dez anos depois, pelo que acho que tenho direito a um intervalo)

Que dizer? É de génio! Cervantes, com D. Quixote e o seu escudeiro Sancho Pança, cria o próprio romance moderno. Segundo me disseram, antes deste livro os personagens e cenários dos romances eram todos estáticos. E aqui há sempre uma evolução constante. Os nossos dois amigos viajam por mundos e fundos (sem nunca, no fundo, saírem do mesmo sítio) vivendo aventuras impossíveis, aventuras de gigantes e princesas perdidas mas que... E isto é a melhor parte.... Estão todas dentro da cabeça de D. Quixote!

Para mais, é um livro facílimo de ler. Não tenham medo da linguagem antiga: tudo se percebe perfeitamente. Para o que não se percebe, as traduções costumam ter notas. Mas a verdade é que é tudo tão claro e está tão bem escrito que se lê de uma assentada (ou duas, é muito grande...). Também é um livro recheado de momentos de humor absolutamente hilariantes. 

A única parte um pouco menos boa, são os relatos de diversas aventuras paralelas. E os diálogos. No século XVII as pessoas fartavam-se de falar... As pessoas falavam 6 páginas seguidas e não se fartavam. Também achei um pouco surpreendente (e inútil) a transcrição de um outro romance, uma novela, que não sei se existe ou não (devia ter lido as notas) e que está só a ocupar espaço.

Agora, farei um breve intervalo (uns cinco livros) para depois me iniciar na segunda parte! Estou ansiosa! =D
 

O Homem que Sabia Demais

O Homem que Sabia Demais
Alfred Hitchcock
Filme
1956
6 em 10

Mais um filme do dia da véspera de Natal. Também estava a dar num dos TVCines. Foi também (acho eu) o primeiro filme do Hitchcock que vi.

Uma inocente família Americana vai passar umas férias a Marrocos. No entanto, encontram um misterioso homem que, a certa altura, lhes passa um segredo. O nome do filme induz em erro, porque não é o homem que sabe demais: o casal sabe demais e a mulher também tem um papel muito forte neste mistério. Não podem contar o segredo a ninguém, sob o risco de matarem o seu filho. Como irão solucionar o assunto? Talvez se o tomarem nas suas próprias mãos...

A narrativa acaba por ser muito simples e o espectador consegue ter uma ideia bastante exacta do que vai acontecer, sendo que é tudo um pouco previsível. No entanto, é a forma como tudo está estruturado que torna este filme único (apesar da cotação que lhe dei, que conta pela narrativa um pouco fraca). Tudo está filmado de forma a dar uma grande tensão a todas as cenas, para além de toda uma aura de suspense e um pouco de medo. Em termos técnicos é feito com mestria, sendo sobretudo patente o uso da cor que - nestes momentos iniciais de cinema technicolor - é extraordinário.

Achei curiosa a prestação dos actores, que é um pouco diferente do método de hoje em dia. Não sou grande conhecedora de filmes da altura, mas achei muito interessante a forma como cada pessoa está caracterizada dentro de um estereótipo, acabando por o ultrapassar através do seu exagero, de forma a conseguir solucionar os problemas apresentados sem nunca fugir da premisa inicial.

O tema principal do filme, o que sera sera, é único, memorável e amável. Até agora estou a cantá-lo.

Fiquei curiosa para ver mais filmes deste autor.



Maléfica

Maléfica
Robert Stromberg
Filme
2014
4 em 10

Filme que estava a dar num dos TVCines, na véspera de Natal. De certa forma, tinha curiosidade em vê-lo, pois a minha irmã mais menor e o meu pai adoraram.

Mas não. Absolutamente não.

Este filme conta a história da Bela Adormecida por uma outra perspectiva. E se Maléfica, a bruxa má que amaldiçoou a criança, afinal fosse boa pessoa? E uma verdadeira fada madrinha? A ideia é muito boa e está bem executada em termos narrativos, mas de resto... Para esquecer.

Porquê? Porque é tudo digital. O mundo fantástico que poderia ser maravilhoso e encantador, não passa de um ecrã verde com efeitos especiais por cima. Até o maldito castelo! Um castelo, senhores! Onde está o pessoal que faz maquetes, Disney? Até o castelo é todo feito em computador! O realismo? Onde está o realismo? (revolta....)

Para além disso, a prestação dos actores.... Angelina Jolie pode ser muito jolie, mas boa actriz não é. É brutalmente famosa, mas não fez nada de jeito neste filme. Nem mesmo a parte mais emocionante (quando ela perde as asas) está bem interpretada. Simplesmente horror!
 
Talvez a parte mais divertida do filme tenha sido o corvo. Também foi o personagem que sofreu mais desenvolvimento e o que tinha melhores diálogos.
 
Disney, vai para casa que tás bezana.

Gosick

Gosick
Nanba Hitoshi - Bones
Anime - 24 Episódios
2011
5 em 10

Inicio com este anime a minha nova Plan to Watch, uma lista de coisas a ver que - espero eu - seja melhor que a última. Não que este anime tenha logo dado essa informação. Inicio também, com este post, a série de coisas que vi durante os dias do Natal. Boas festas pessoas! =D

Ora bem, este anime... Nos anos 230, um jovem Japonês estuda numa prestigiada escola europeia, num país imaginário. Conhece incidentalmente uma misteriosa menina que, com a sua capacidade lógica, resolve mistérios diversos. De mistério em mistério, chegam às origens dessa moça e a grandes conclusões. A história vai desenvolvendo-se de forma um pouco desregrada, até um final caótico em que nem tudo é o que parece. O facto de terem dedicado a maior parte do anime a falar da mãe da mocinha pareceu-me desnecessária e não contribuiu em nada para o desenvolvimento dos personagens. Estes, infelizmente, são mais uma bolacha do pacote (das de água e sal), sendo que o foco principal da sua caracterização está na relação entre os dois elementos principais.

Dita relação recebe, logo no início, uma espécie de profecia. Calha mal, simplesmente por ser tão hiper-romântica e não acrescentar nada de importante ao que realmente se vai passar. No final, a profecia revela-se numa separação e respectivo reencontro, que não têm nada de emocionante. Assim, a caracterização dos personagens (que mesmo sendo relativa poderia ser bastante forte) cai por terra e acaba por se vulgarizar.

A arte não tem nada de espectacular, sendo que não há grandes cenas de acção para a demonstrar. O anime não se foca nos cenários. Mas o que mais me fez confusão foi a falta de exactidão histórica nos cenários e designs. Se estamos nos anos 20, porque aparecem pessoas vestidas de anos 50? Já para não falar dos vestidos vitorianos. Se tudo isto dá uma certa aura steampunk que poderá agradar a muitos, para mim é uma incapacidade fatal de manter uma coerência gráfica.

Na banda sonora, não há nenhuma peça que chame a atenção.

Um anime incapaz e uma péssima estreia para a minha PtW.

22.12.15

Comet Lucifer

Comet Lucifer
Nakayama Atsushi - 8bit
Anime - 12 Episódios
2015
5 em 10

Talvez a culpa seja minha por esperar demasiado de animes originais e por escolher animes pelo título. Mas a verdade é que este foi um anime muito, muito fraquito...

Passado num universo fantástico que, por alguma razão, também tem robots gigantes, conta a história de um rapaz que encontra uma miúda que sai de dentro de um calhau. Assistimos à vida deles e dos seus amigos numa suposta normalidade, excepto que anda alguém do governo e de pessoas contra o governo a tentar raptar a moça. Porquê? Só se percebe perto do final. Esta falha narrativa, supostamente encerrando um grande mistério (que se revela numa luta de chapadas entre robots, como nos melhores shounens), faz com que o anime seja bastante aborrecido e, no fundo, inconsequente. Afinal, porque gastar orçamento em vegetais a dançar se a história poderia ter sido resumida num OVA de 3 episódios?

A isto não ajudam os personagens. Completamente inadequados e sem qualquer tipo de densidade, poderiam ser estes ou outros quaisquer que a história não iria melhorar. Temos todo o tipo de estereótipos neste conjunto reduzido de personagens, sendo que talvez a única que se distinga minimamente seja a menina que era um pedregulho. Os designs dos personagens não fazem qualquer tipo de sentido dentro do contexto e as vozes são medianas, o que não ajuda nada à sua identificação e individualidade.

Dentro do meio artístico, temos cenas de animação que poderiam ser bastante boas se a utilização de meios digitais não fosse tão evidente. Está para além da minha compreensão o porquê de se utilizarem mechas nesta história, sobretudo mechas que não têm utilização prática em termos de engenharia e física. A paleta de cores é muito alargada, mas as cenas não têm qualquer tipo de beleza implícita, coisa para que muito contribuem os personagens insossos e sem categoria.

A banda sonora é típica do género e, consequentemente, muito pouco memorável.

Um anime que será rapidamente esquecido, apesar das suas boas intenções.

Subete ga F ni Naru

Subete ga F ni Naru: The Perfect Insider
Kanbe Mamoru - A-1 Pictures
Anime - 11 Episódios
2015
7 em 10

Este também é um anime da season de Inverno, mas não o vi nesse contexto. Na verdade, esperei que terminasse, pois foi-me sugerido por um amigo enquanto estávamos num evento. Bem, não tive de esperar muito. Foi sem dúvida a minha surpresa do ano, talvez o premiado com AOTY (esse suposto prémio que tanto gostamos de atribuir).
 
Tudo começa quando uma rapariga e o seu professor se dirigem a uma ilha isolada do mundo para conhecerem um génio da programação, uma mulher que vive também ela isolada num quarto dessa ilha. Ao chegarem, ocorre um misterioso assassinato, sendo que qualquer um deles poderá ser o culpado. É tentando buscar a solução para esse mistério que se processa a narrativa.
 
Temos uma história policial interessantíssima e muito inteligente, com perguntas e soluções que se seguem e se tornam cada vez mais intrincadas. É o tipo de anime que nos põe a pensar ao mesmo nível dos personagens, sem nunca revelar demasiado, sendo que todas as descobertas se apresentam como uma surpresa, sem nunca descurar o mistério e o desenvolvimento das pessoas que nele estão envolvidas.
 
De entre estas, existem vários tipos: os que estão a resolver o mistério; os que estão lá por acaso; e a vítima. Esta, perante os acontecimentos, é quem sofre o maior tipo de desenvolvimento. Podemos perceber cada vez melhor o que se passa através dos diversos flashbacks da sua vida, sem no entanto nos ser dada demasiada informação de forma a que possamos descobrir quem é o "criminoso" antes do tempo certo. Os diálogos entre todos estão muito bem construídos e permitem-nos uma visão mais profunda de cada um deles, tornando-os aprazíveis e causando um grande grau de empatia.

A arte é colorida e brilhante, com alguns momentos gráficos muito interessantes em termos de construção do cenário. No entanto, alguns elementos em CG são demasiado evidentes e destoam bastante do resto do contexto idílico em que a série se passa, se bem que - considerando que grande parte deles aparecem num mundo digital - fazem sentido dentro do universo em que se inserem.

A OP é fascinante, com uma animação muito original e apropriada, sendo que a ED também não lhe fica atrás. No resto da banda sonora, encontramos peças que, sendo simples e discretas, se enquadram perfeitamente nas cenas que ilustram.

Um anime memorável.

Young Black Jack

Young Black Jack
Kase Mitsuko - TBS
Anime - 12 Episódios
2015
6 em 10

Termina a season e, com ela, todos os nossos sonhos e esperanças. Infelizmente, apesar de ter visto poucos do que estavam no ar, não se pode dizer que esta season de Inverno tenha sido alguma coisa de especial. De entre os que terminei, que foram apenas dois, talvez este tenha sido o melhorzito, tal como competa a uma história inspirada pelo mestre Osamu Tezuka.

Este anime é uma espécie de prequela à história de Black Jack, o médico misterioso que opera sob condições impossíveis, exigindo também pagamentos impossíveis. Aqui vemos a sua juventude enquanto estudante de medicina e o seu envolvimento na guerra do Vietname, assunto que (curiosamente) não é muito explorado na animação nipónica.

O anime pode dividir-se em alguns arcos em que ficamos a conhecer cada vez mais sobre cada um dos personagens, com especial ênfase para o nosso "Black Jack", pessoa misteriosa cheia de cicatrizes. O seu caminho até ao mundo da medicina é explicado e podemos ver os eventos que alteraram a sua vida até ele se tornar no ícone que todos conhecemos. Quanto aos outros personagens, têm eventualmente uma história de fundo com interesse, mas não sofrem muito desenvolvimento.

O interesse principal desta história está, então, no tema. Assistimos a cirurgias implacáveis, com uma exactidão histórica que não deve ser ignorada, e com soluções tanto originais como, segundo o pouco que sei (nunca lhe dei muito em cirurgia), impossíveis. Ainda assim, é muito interessante ver os métodos, técnicas e materiais utilizados, que são de certa forma inspiradores para aqueles que tenham vontade de saber mais sobre o assunto.

A animação não é brilhante, mas também não está má. Fazem uso de algumas soluções técnicas simples mas muito eficientes, o que torna a progressão das cirurgias em eventos compostos e muito intensos (quase tanto como uma cirurgia verdadeira que, devo dizer-vos, provoca um stress mental e emocional brutal). Talvez pudessem ter utilizado uma paleta de cores mais texturizada, para dar um efeito mais antiquado e apropriado à época em que a série se passa.

Musicalmente, não há muita coisa a apontar, sendo que a OP e ED são bastante vulgares.

Enfim, um anime que deixa vontade de ver original e conhecer mais sobre o personagem. Também inspirador para futuros médicos, se é que algum médico tem tempo para ver animus.

20.12.15

Little Witch Academia: The Enchanted Parade

Little Witch Academia: The Enchanted Parade
Yoshinari You -  Trigger
Anime - Filme
2015
6 em 10
 
Depois de ver o muito fofinho Little Witch Academia, foi com grande excitação que recebi a notícia da sua sequela, que terminei de ver ontem. Infelizmente, nem sempre um maior valor de produção e um release no cinema fazem melhorias num conceito que, sendo muito original e sem dúvida bom, acaba por não ser aproveitado na sua totalidade.

Acompanhamos uma nova aventura das nossas bruxinhas, que conhecíamos do pequeno filme original. Devido ao facto de terem feito muitas asneiras ao longo do ano, têm agora de organizar uma parada mágica para poderem passar de ano. Mas muitos problemas acontecem, culminando no acordar de um maléfico gigante que irá fazer um grande show. A história está altamente simplificada e não existem elementos constantes que nos permitam fazer uma organização mental das características deste universo. Assim, apesar de podermos aceitar todas as coisas estranhas, elas são um pouco difíceis de assimilar. Talvez fizesse mais sentido, no respeitante ao desenvolvimento do mundo fantástico, que estes filmes fossem tornados numa série.

As personagens têm alguns momentos de oposição, mas não sofrem um verdadeiro desenvolvimento, já que mesmo após o conflito continuam exactamente iguais. Este, o conflito, é difícil de levar a sério por causa das expressões infantilizadas das personagens, que não transparecem emoções que vão para além da piada fácil. Isto acaba por ser muito anticlimático e um aborrecimento.

Mesmo a animação poderia ser um pouco mais equilibrada e manter uma integridade. Apesar de existirem cenas de animação brilhantes, com uma fluidez surpreendente e uma velocidade na acção completamente alucinante, outros momentos estão bastante descuidados e, no final, todo o filme transparece uma imagem de falta de atenção ao detalhe.

Musicalmente, não há muito a apontar, já que as músicas do parênquima aparentam ser reciclagens de temas usados na instância anterior e a ED é facilmente esquecível.

Foi com muita pena que cheguei à conclusão de que este filme é bastante inferior ao anterior. Ainda assim, espero que tenha o maior sucesso, para que se possa - eventualmente - fazer a série que este tema merece.

18.12.15

Cutie Honey

Cutie Honey
Katsumata Tomoharu - Toei Animation
Anime - 25 Episódios
1973
5 em 10

Depois de ver um muito bem conseguido remake, achei por bem ver o original, já que tinha ficado bastante curiosa. Produzido no início dos anos seventis, é um anime original e único em alguns aspectos, inspirando coisas que vieram a ser ícones num futuro não assim tão distante.

Para começar, este anime inicia a moda das meninas mágicas, sendo Honey a primeira "Ai no Senshi" (guerreira do amor) criada para lutar contra as forças do mal. No entanto, e por outro lado, Honey é também um dos pontos de origem do género ecchi. Assim, temos um anime que por um lado está dirigido ao público feminino mas que, por outro, está sempre a mostrar "atributos" mais dirigidos a uma massa masculina. Isto é, de facto, algo bastante original e interessante, sobretudo para a época.

A história é muito simples e baseia-se num esquema de "monstrenga da semana", em que Honey tem de utilizar os seus poderes de transformação em diversas pessoas diferentes para vencer uma criatura horrorosa, sempre diferente. É interessante ver como as suas oponentes, e até mesmo todas as suas amigas, são pessoas horrendas e feias (chegando uma delas a ter bigode?), em oposição à beleza clássica da personagem principal. Enfim, não temos uma história muito complexa.

Também não é complexa a animação e arte, o que é esperado para a época. Temos muita variedade de cores e cenários originais, embora totalmente estáticos. Existem bastantes erros na animação, sendo também frequente o uso de frames repetidas ad nauseum. No entanto, se considerarmos o ano de produção, não podemos dizer que esteja assim tão terrível.

É um anime que depende muito dos artistas de vozes, já que as acções dos personagens são muito fixas. Estes fazem um trabalho excelente, trazendo emoção a momentos inesperados. É curioso ver que no remake utilizaram a mesma OP, que é muito risonha, sendo que a ED é tipicamente romântica.

Um anime com interesse histórico, mas que não recomendaria a alguém menos versado.

16.12.15

Tonari no Kaibutsu-kun

Tonari no Kaibutsu-kun
Kaburaki Hiro - Brains Base
Anime - 13 Episódios
2012
6 em 10

Vi este anime por sugestão de um jovem num dos grupos portugueses, num jogo de "sugere um anime à pessoa acima".

É um shoujo, anime romântico, que trata da relação entre uma rapariga que só pensa em estudar e de um jovem perdido em atitudes delinquentes que se recusa a ir à escola sem ser sob a influência daquela. Entretanto fazem mais amigos e têm pequenos momentos simpáticos e amorosos. É uma história muito simples que vive totalmente dos seus personagens. No entanto, estes poderiam ter um desenvolvimento mais patente e uma caracterização um pouco diferente. Tal como está, a rapariga principal - Shizuko - parece não sofrer qualquer tipo de evolução, servindo apenas como alavanca para a de Haru (o rapaz). E este... Bem... Não o posso considerar como o rapaz ideal para aparecer figurado num inspirador e romântico anime shoujo. Simplesmente tem atitudes demasiado violentas e abusivas dentro da relação (batendo em pessoas e tudo isso, apesar de muitas vezes se tratar de um "acidente"), que não abonam nada em seu favor e que tornam o anime num retrato de uma relação fragilizada e nada ideal como ponto de controlo de uma juventude desorientada, que é a que vê estes animes.

Os outros personagens aparecem mais como fonte de elementos narrativos do que como personalidades em si, pelo que o anime perde rapidamente o interesse e acaba por se instalar numa profunda mediania.

Temos uma arte moderna e colorida, com bons designs (como convém a alguma coisa já produzida nos nossos anos 10) mas sem grandes cenas que elevem a animação. Também os cenários são simples, apesar de terem algum grau de detalhe e uma certa textura que lhes dá profundidade.

A música é vulgar, com honrosa excepção da ED que é muito querida.

Um anime que será rapidamente esquecido, apesar de ter sido simpático vê-lo.

15.12.15

Shokugeki no Souma

Shokugeki no Souma
Yonetani Yoshimoto - J.C. Staff
Anime - 24 Episódios
2015
7 em 10

Vi este anime por uma razão algo bizarra. Ora bem, estava eu no Nihon Sekai deste ano 2015 a tirar fotos a toda a gente (que é o que eu costumo fazer) quando me vejo a tirar uma foto a um rapaz semi-nu, de avental. Achei cómico. Mas o rapaz pergunta-me se eu sei qual é a sua personagem e, tendo uma resposta negativa, fica triste. Assim, prometi-lhe que veria a série em causa. Aqui está ela. Rapaz do Nihon Sekai!! Eu vi o teu anime! E gostei! Obrigada!

Este poderia ser um anime de competição como outro qualquer. Podia também ser um ecchi como outro qualquer. Mas há algo neste anime que o faz distinguir-se dos outros. Será o tema? Mais que isso, é a sua execução. O tema é simples: um rapaz que sempre trabalhou sob alçada do pai num restaurante é aceite numa portentosa escola de culinária onde o valor dos alunos é instituído através de competições de comida, onde podem provar as suas capacidades. Como num anime de desporto, os desafios vão ficando cada vez mais complexos, sendo que o nosso personagem tem de os ultrapassar com originalidade e mestria. É um anime com uma energia cativante, que nos prende a atenção imediatamente e que nos faz desejar reproduzir aqueles pratos, pois têm todos um aspecto delicioso.

Confesso que devo ter engordado uns oitocentos quilos enquanto vi este anime, porque não conseguia parar de comer e parar de ter fome.

Os personagens principais contêm algum tipo de evolução. Mas Souma, o chef que seguimos constantemente, está um pouco agarrado demais à sua genialidade e acaba por ser um pouco frustrante que ele nunca falhe, para que dessa forma possa evoluir de maneira mais contundente. No entanto, alguns dos outros personagens têm esses momentos, o que acaba por ser satisfatório.

A arte é lindíssima, cheia de brilho e com retratos deliciosos de comida (que espero que o Qui consiga reproduzir, nomeadamente o souffle de omelete e aquela empada de caril). Talvez haja um exagero nos momentos sensuais, o que não é muito atractivo para mim, mas é o tipo de coisa que "primeiro estranha-se, depois entranha-se". As sequências de animação que se seguem ao provar de cada prato caracterizam perfeitamente o sabor que este, eventualmente, terá. Isto funciona extremamente bem e é uma óptima (embora por vezes anticlimática) forma de caracterizar um sentimento muito subjectivo.

Musicalmente, há algumas falhas, sendo que a banda sonora já se ouviu repetidamente em outros animes do género. A primeira OP e ED são interessantes, mas as segundas não cabem dentro do contexto e são um pouco ridículas.

No geral, um anime que me viciou e que é absolutamente delicioso!

14.12.15

Space Adventure Cobra

Space Adventure Cobra
Dezaki Osamu - Tokyo Movie Shinsha
Anime - 31 Episódios
1982
6 em 10

Depois de ter visto Psychogun, acrescentei a série original à minha lista de animes para ver (a famigerada Plan to Watch, o PtW). Tinha ficado curiosa com o ambiente polposo do OVA. Fiquei bastante contente por ter tido a oportunidade de ver este anime, que - de certa forma - é único no seu contexto.

Cobra é um ladrão ou pirata ou algo que o valha que anda pelo espaço com a sua companheira e ajudante, Lady Armoroid. Além de ser um gajo todo pimpão, um dos seus braços e a poderosa Psycho-Gun, uma arma de laser que funciona através da mente. Ora, Cobra é constantemente perseguido devido a estas características e, ainda mais frequentemente, envolve-se em diversas alhadas e aventuras. Mas duas coisas unem todos os episódios: putas e vinho verde. Sim, porque Cobra encontra sempre (sempre!) uma bacana qualquer toda gostosa que se apaixona por ele, ou o quer matar e depois se apaixona por ele.

Neste aspecto, achei a sexualização feminina altamente exagerada, mas ainda assim típica da época. Temos toda a variedade de corpos femininos, desde a normal bond-girl (ou será uma Cobra-Girl?) até dançarinas com quatro braços e seis olhos. No entanto, nenhuma destas personagens sofre qualquer tipo de caracterização, o que acaba por lhes tirar a sensualidade e remetê-las para um efeito de boneco e objectificação total. Quanto a Cobra, apesar de ser um personagem divertido e muito leve, tem pouco mais densidade que as suas piadas e a sua capacidade física.

O universo em que estas pessoas vivem está caracterizado de forma detalhada e intensa, levando-nos sempre a questionar que coisa bizarra virá a seguir e como é que Cobra se vai safar disso. No entanto, a arte está muito desactualizada. Aliás, quando comecei a ver atirei para o ar a década dos setentas, sendo com grande espanto que vi que tem mais dez anos que isso. As cores são limitadas, o sombreado é pouco detalhado e há pouco destaque para maquinaria ou paisagens. Apenas as mulheres parecem ter alguma dedicação posta nelas, mas o seu design é também bastante limitado e acabam por ser todas iguais (exceptuando o biquini que cada uma usa)

Tal como no OVA, a melhor parte será, sem qualquer dúvida, a música. Que querem que faça, eu simplesmente adoro baladas azeiteiras japonesas dos 80s! Até agora continuo a cantar a ED, hehehe

Mas enfim, um anime que vale a pena ver pela sua originalidade e valor histórico, mas que poderá irritar até os mais sensatos.

Ghost in the Shell: Innocence

Ghost in the Shell: Innocence
Mamoru Oshii - Production I.G.
Anime - Filme
2004
8 em 10

Este filme está nomeado para o meu clube e, para mais, o Qui tinha interesse em vê-lo. Assim, foi boa ocasião para o rever, pois pouco me lembrava dele além do facto de ser brilhante. E isso confirma-se numa segunda visualização, apesar das legendas desta versão estarem um pouco aquém das expectativas.

Este filme acaba por complementar o primeiro da saga e franchise. Se no primeiro filme falávamos da máquina enquanto entidade, Innocence é uma humanização desta, um exercício contemplativo sobre a capacidade de adaptação das pessoas neste universo, sobre o verdadeiro sentido de Ghost e sobre o funcionamento da mente humana.

Após o desaparecimento do Ghost da Major Makoto Kusanagi no meio da rede, Batou e Togusa vêm-se juntos em equipa para investigar uma série de assassinatos perpetrados por robots sexuais, que têm vindo a assassinar pessoas de importância e cujo caso pode ser, ou não, uma manifestação de terrorismo. Vemos a vida tal como ela é depois do elemento aglutinador da Section 9, a Major, ter desaparecido. Estão todos à deriva e vemos, da perspectiva de Batou, como procuram adaptar-se a uma vida sem este elemento tão importante. Batou arranjou um cão, mas nem o cão é uma coisa viva. Será que conseguirá encontrar um sentido de família e pertença?

À medida que a investigação prossegue, vemos uma narrativa de detectives mas, sobretudo, vemos a interacção entre os personagens e a sua caracterização, a forma como Togusa sabe que não pode substituir a Major, a forma como Batou não consegue lidar com a sua perda. A força da caracterização é impressionante e comovente, acabando todo o filme por culminar numa cena natalícia em que finalmente, parece, os personagens se encontram consigo mesmos.

No entanto, não é apenas das personagens que o filme vive. Toda a situação do "crime" leva a um debate filosófico sobre a função do robot, sobre a alma da máquina, sobre o que é na realidade o Ghost e o cyberbrain. À medida que a nossa equipa se depara com diferentes situações, todos estes conceitos são postos em causa, sendo que acabamos por perceber mais diferentes opiniões sobre a situação do mundo "actual", sobre a realidade do filme. Esta, é a pura caracterização do cyberpunk, de tal forma aperfeiçoada que o universo se torna assustador: quão próximos estamos já de um mundo como este?

Para complementar tudo isto, temos sequências de arte maravilhosas. Este filme é uma verdadeira viagem visual, por um universo de cores, texturas e maquinaria, apresentando-nos momentos que - associados à banda sonora - são altamente intensos e muito esclarecedores. Sem dizer uma palavra, o autor consegue mostrar-nos o que se passa, consegue apresentar-nos os conceitos e explicá-los apenas com recurso apenas a estes momentos animados. Apesar de tudo, alguns deles estão um pouco desactualizados e não envelheceram muito bem, mas devemos considerar que era o melhor que se fazia na época, sendo que o valor de produção do filme foi muito alto.

Quanto à música, essa... Retomando os fogos corais a que nos tinham habituado no primeiro filme, são muito intensos e levam o espectador a encontrar novos significados nas cenas que ilustram.

Um filme muito completo, mas também muito intimista. Para fãs, mas não só.

8.12.15

Saiunkoku Monogatari

Saiunkoku Monogatari
Shishido Jun - Madhouse Studios
Anime - 39 Episódios
2006
6 em 10

Para variar um pouco... Um shoujo! Histórico! Há quanto tempo não via um? ^_^

Saiunkoku é uma terra misteriosa nos confins da Ásia dividida por vários reinos. Num deles, o imperador reinante é uma criatura irascível e irresponsável, que só pensa em divertir-se, apesar de todos os problemas do reino. Assim, quando convidam Shuurei para ser sua concubina em troca de uma elevada soma de dinheiro, ela aceita imediatamente! Shuurei é uma filha da nobreza caída em desgraça e fará tudo ao seu alcance para tornar este imperador numa pessoa decente. No entanto, será que o amor está no ar?

É uma história de várias narrativas, algumas delas envoltas em mistério, suportada pela força dos personagens, que dão muita luz a este anime. Shuurei é de uma força inabalável, lutando sempre com humor e inteligência contra as contrariedades. Estive quase (mesmo quase) para a adicionar à minha lista de cosplays no meu Cosplay Portfolio, mas acabei por desistir porque, apesar de a personagem me chamar muito, não imaginei para ela algum tipo de performance, assim à primeira vista. Talvez a guarde para uma outra ocasião. De resto, os outros personagens não lhe ficam atrás. Apesar de termos uma grande variedade de rapazes que quase que tornam este anime num reverse harem (mas não totalmente), nem todos sofrem o desenvolvimento esperado. Na verdade, alguns são deixados para trás à medida que as narrativas se vão entrelaçando e evoluindo para outras situações, sendo substituídos. Poderiam ter sido melhor aproveitados para, depois, fazerem a história andar de feição.

A arte é bonita e colorida, embora haja por vezes alguns erros de animação, sobretudo nas mãos. Os designs são maravilhosos e fascinantes, altamente originais e também historicamente informados. No entanto, os cenários são bastante repetitivos, numa sucessão de janelas ornamentadas, não havendo grande ênfase no mundo natural, o que apenas teria ficado bem dentro deste contexto.

A OP e ED são simples e românticas, apropriadas à história, mas no resto da banda sonora não há nada de memorável.

Ainda assim, um anime que apreciei e que me deu gosto ver, porque foi um pouco de variedade dentro da minha aborrecida PtW (que está MESMO QUASE A TERMINAR, ATENÇÃO!!)

7.12.15

Ghost in the Shell: Arise - Border:4 Ghost Stands Alone

Ghost in the Shell: Arise - Border:4 Ghost Stands Alone
Kazuchika Kise - Production I.G.
Anime - Filme
2014
7 em 10
 
O último filme do conjunto especial "Arise - Border" que saiu ao longo do passado ano 2014. Das quatro instalações, parece-me que este foi, sem sombra de dúvida, o mais bem conseguido. Para mais, joga muito bem como filme de Natal (estamos na época, não é?)
 
Neste filme a Section 9 enfrenta um misterioso hacker que, à semelhança de outros em situações passadas neste mesmo franchise, se infiltra nos ghosts, os cérebros, as mentes, de pessoas relevantes para a nossa vida social. No caso, infiltra-se nos ghosts de polícias, que imediatamente procedem a matar todos os participantes de uma manifestação pacífica contra a fome no mundo, num pós-guerra imaginário e futurista. A partir daí, desenvolve-se uma narrativa muito delicada, em que ficamos a compreender a dor deste hacker e os seus sentimentos, acabando por o retratar como um ser humano verosímil, apesar de um pouco louco. Isto processa-se de maneira breve, mas muito comovente e apropriada ao ritmo da história, acabando a revelação final por ser muito bela.
 
Apesar destes elementos, não deixa de ser um filme recheado de cenas de acção deslumbrantes, o melhor que4 este estúdio tem para nos oferecer. As sequências estão altamente detalhadas e bem coreografadas o que, juntamente com a música, transformam o filme num jogo de expectativas que acabam sempre cumpridas. Esta, apesar de tudo, pode parecer um pouco repetitiva comparando com os outros filmes a série Arise, mas dentro deste contexto não deixa de estar totalmente apropriada.
 
Gostei também, e muito, de ver - finalmente - um retrato fiel da relação Major-Batou, que por fim se vêm juntos numa cena de acção inesperadamente caótica.
 
Vale a pena ver toda a série de filmes Arise só para chegar a esta última instância. Senti-me de volta aos anos 90 e ao verdadeiro cyberpunk.

Duas Publicações Oficina do Cego

Duas Publicações Oficina do Cego:
As Borboletas não têm Dentes do Siso
O Problema das Cerejas são os Caroços
Vários
2015
Contos

Como já terei informado algures, tenho agora um novo blog paralelo para as minhas aventuras escriturárias e literárias, de seu nome O Bentivi Urbano. Recentemente, iniciei na Oficina do Cego, uma oficina de tipografia, um curso de escrita narrativa com o formador João Rafael Dionísio e a companhia de mais duas pessoas fofinhas. :) O João deu-nos, então, os volumes anteriormente publicados relativos aos cursos anteriores. Demorei algum tempo a chegar a eles, mas finalmente dei-lhes uma leitura e, por isso, deixo aqui um breve comentário.

Para começar, é curioso tentar ver a forma como estas histórias foram criadas, que terá sido pelo mesmo método que estamos nós a experimentar agora. Mantive-me sempre atenta a todos os traços dos personagens, de forma a tentar incluí-los naquela "ficha informativa" que também eu fiz.

De resto, houve histórias que gostei muito, outras que gostei mais ou menos, mas não houve nenhuma que achasse terrível (ao contrário dos meus colegas, que leram apenas o segundo volume. O primeiro terei de lhos emprestar, pois tirámos à sorte quem ficaria com o único exemplar :p )

Relativamente aos contos, vou deixar algumas notas sobre aqueles que me marcaram mais:

Conversas de Esquina - Disse-me uma borboleta que este conto foi escrito por um médico, no entanto não está medicamente informado sobre o uso recreativo da ketamina.
Visões de Um Cego em Terra de Reis - Sem dúvida o conto mais estranho, acho que foi o que gostei mais (apesar de toda a gente odiar a ilustração e de eu também não a compreender). Gostei imenso da forma como o personagem, que nunca é totalmente caracterizado, vê um mundo confuso e desregrado, com uma mistura de memórias e da realidade presente.
As Incríveis Aventuras do Sherlock do Cacém - O Caso da Vanda - Ao início estava a detestar, mas depois entrei na história e queria mesmo saber quem era o misterioso perseguidor! Uma história cómica e cheia de detalhes.

Zé, Joaninha, Ivone - Adorei a forma como a perspectiva das pessoas passa para os objectos. A narrativa do carro foi fofinha e fascinou-me um pouco! Na verdade, comecei a pensar que tipo de conversas o Bequi (o meu carro) teria com outros carros :)

De resto, estas são edições modestas, manuais, mas ainda assim exalam uma aura de carinho e dedicação! Ainda não sabemos qual vai ser o nome da nossa, nem como vai ser a capa, mas prometo que estamos todos os três a trabalhar em histórias bem catitas! Visitem O Bentivi Urbano se quiserem saber um pouco mais sobre o processo. :)

A Scanner Darkly

A Scanner Darkly
Richard Linklater
2006
Filme
7 em 10


Mais um fim de semana e, outra vez, o Qui tentou colocar-me a ver um filme do David Lynch. Mais uma vez consegui recusar-me afirmando que tenho medos (o que é verdade), pelo que acabámos por ver este filme de animação.

Trata-se de uma película animada em rotoscópio, à imagem e semelhança de um certo anime que todos detestaram, Aku no Hana. Neste filme podemos, finalmente, ver as fantásticas vantagens desta técnica de animação, dentro do contexto. Para começar, os movimentos dos personagens tornam-se altamente detalhados, como apenas seria possível por actores reais. Também a mistura entre elementos reais e animados torna todo o filme numa experiência um pouco alucinada e, por vezes, exasperante e até cansativa. Isso vai de encontro aos objectivos propostos por este filme. No entanto, a grande desvantagem que vejo é precisamente o facto de a animação tornar o filme cansativo para os olhos, assim como o facto de os cenários - altamente detalhados - poderem parecer um pouco confusos.

De resto, trata-se de uma adaptação de uma história de ficção científica de Philip K. Dick (o já famoso), que fala sobre os efeitos de uma misteriosa e muito potente droga conhecida por Substance D. Um agente infiltrado envolve-se nos meandros do consumo desta droga e deixa de saber quem é: afinal de contas, ele está a perseguir-se a si próprio. Assim, o filme acaba por se tornar no relato de uma viagem psicadélica, em que a trip e a realidade se confundem dentro da cabeça do nosso personagem principal, à medida que as suas ligações ao mundo terreno vão desaparecendo e ele deixa de saber o que é a verdade.

O final do filme é fatídico e não nos traz qualquer tipo de esperança, sendo que as revelações finais podem ser um pouco misteriosas para um visionante menos atento. Ainda assim, se considerarmos (como eu o fiz) que o filme se trata dos caminhos tripados de um homem perdido no mundo, o filme torna-se bastante mais fácil de interpretar.

Recomendo vivamente para que vejam que, realmente, o rotoscópio pode ter resultados fascinantes. :)

6.12.15

Aura Battler Dunbine

Aura Battler Dunbine
Tomino Yoshiyuki - Sunrise
Anime - 49 Episódios
1983
6 em 10

Só agora vi que este anime foi realizado pelo Tomino, o génio por trás do meu amado Gandamu. Trata-se, também, de um anime de mechas, mas com uma particularidade: estes robots surgem numa guerra dentro de um universo fantástico, habitado por fadas!

A partir desta premissa, desenvolve-se uma história que, apesar de tudo, não é muito diferente de uma guerra de mechas habitual. Existem muitos personagens com muitas relações poligonais entre eles, sendo que a busca final é a de uma certa liberdade poética entre o mundo real e o mundo das fadas. Desenvolve-se uma guerra fatal para muitos destes personagens e tudo termina numa nota inconclusiva.

Quanto aos personagens, são demasiados para o contexto que nos é apresentado, sendo que apenas o principal sofre um desenvolvimento mais coerente, passando de jovem quasi-deliquente para um guerreiro poderoso que perdeu muitas das suas características pessoais originais (tal é visto no confronto com a sua família verdadeira). Talvez a parte mais interessante seja a relação entre este, Shou, e a sua amiga fada. À medida que a narrativa avança, vemo-los juntos cada vez mais vezes, situações de diálogos originais, pontuados por algum sarcasmo e desenvolvimento pessoal dos personagens e da sua relação.

Artisticamente, temos traços típicos da década, mas não se pode dizer que seja dos melhores exemplos de animação. A paleta de cores é reduzida e os designs improváveis, sendo que senti muita falta de sombras que ajudassem a dar mais profundidade aos cenários e à maquinaria.

A música é também típica e pouco memorável.

Valerá a pena ver pelo seu elemento fantástico, bastante original neste género de anime.

A Conspiração dos Antepassados

A Conspiração dos Antepassados
David Soares
2010
Romance

E assim se completam os livros que comprei na Feira do Livro deste ano. Como sabem, sou uma grande fã deste autor, seguindo todas as suas publicações de banda desenhada sem falta. Quando soube que ele tinha um livro sobre o misterioso encontro entre as figuras mitológicas de Fernando Pessoa e Alistair Crowley, não podia deixar de o ler!

Para começar, o autor faz uma caracterização fantasiosa, mas historicamente informada, dos dois personagens. Aparecem como pessoas reais e vivas, com muito mais defeitos do que as qualidades que os tornaram em figuras do nosso imaginário, sem falhas e de génio constante. David Soares mostra-nos uma versão alternativa, e muito mais realista, das duas pessoas, apesar de existirem muitos momentos em que me senti desconfortável (escatologia não está na minha zona de conforto).

A partir do momento em que os dois se encontram, processa-se uma aventura inusitada e sem precedentes, em que tentam descobrir o paradeiro de D. Sebastião (tido como uma espécie de homunculo artificialmente criado) e tentam escapar-se das garras de uma poderosa e misteriosa organização liderada por híbridos de humanos e insectos. É uma história altamente imaginativa e, como sempre, fruto de uma pesquisa muito detalhada que torna todas as situações, por mais estranhas que sejam, muito realistas.

Sem dúvida que a minha parte preferida foi a viagem de Crowley ao universo paralelo, que está descrito de maneira não só verosímil como muito original. Quase que sentimos vontade de fazer o tal ritual estranho para lá chegarmos (se é que teríamos essa capacidade) apenas para podermos andar em cima dos esquisitos insectos bovinos.

Foi um prazer ler este livro e agarrou-me do início ao fim! Agora espero mesmo, mesmo, mesmo que me ofereçam mais livros do autor pelo Natal, porque quero lê-los todos. :)

3.12.15

Battle Royale

Battle Royale
Kinji Fukasaku
2000
Filme
6 em 10

Assistimos a este filme no passado Sábado. Inspirado numa Light Novel com o mesmo nome, é um filme muito animesco que me deixou entusiasmada por essa razão. Apesar de ter muitas mortes e sangue, não me assutou nem perturbou (o que é costume neste tipo de filme) porque está feito de uma forma que me é muito familiar: uma forma pop.

Uma turma de 40 estudantes é levada para jogar o "Battle Royale": deixados numa ilha, cada um com uma arma, têm de se matar uns aos outros até sobrar apenas um. Acompanhamos momentos da vida, com recuso a flashbacks, e as mortes de quase todos os estudantes, cada uma com as suas características e com o interregno das variadas armas que são apresentadas. Curiosamente, todos eles sabem usar as armas perfeitamente, o que me deixou um pouco duvidosa. Apesar de, logo ao início, se estabelecer que todos pertencem a uma espécie de gang, a sua destreza com o armamento pareceu-me um pouco improvável.

Numa espécie de interpretação de um "Deus das Moscas" modernizado, podemos ver os estudantes a regredir na sua humanidade até se tornarem simples máquinas que destroem sob o jugo de uma pressuposta sobrevivência. As lutas estão muito bem conseguidas e mantêm o visionante sempre concentrado, à espera da próxima morte. Existem cenas muito bonitas, com recurso a cenários naturais muito belos, mas o foco essencial é dado à forma como cada um se despede da vida, com mais ou menos violência.

No entanto, a narrativa acaba por se tornar confusa. Como numa novela, todos os personagens estão relacionados uns com os outros, amizades, amores, coisas de adolescentes. Assim, formam-se grandes poliedros amorosos que levam a vinganças e alianças, mas que - devido à falta de caracterização dos personagens - acabam por se tornar numa grande amálgama e é difícil seguir as relações entre eles.

Achei também curioso um aspecto nos actores: pela primeira vez reparei como nos filmes japoneses parece haver uma imensa influência da biomecânica teatral. Talvez seja por isso que os filmes nipónicos e as suas telenovelas nos parecem tão exageradas e fora do contexto. Com este elemento em conta, talvez experimente ver uma dessas novelas (vocês chamam-lhes doramas, pois...) e talvez... Até a aprecie. :)

De resto, um filme cheio de acção que se acompanha bem com uma jola.

Nota: fiquei com vontade de ler a novel e ver o anime, diga-se de passagem