30.11.15

Nihon Sekai 2015

Nihon Sekai 2015
Evento
Como um criminoso depois de ter cometido um homicídio com recurso a uma faca de cozinha, acordei tarde. Facas de cozinha são muito cansativas. Acordei tarde e já um pouco em pânico... Porque nesse dia, era dia de evento, era dia de... Nihon Sekai!

Preparei minhas coisinhas, pus meu cosplay e peguei no carro, com o qual segui a minha mãe até ao local escolhido, este ano, para o evento: a Faculdade de Medicina Dentária, na Cidade Universitária. Miraculosamente, encontrei um lugar à porta e um parquímetro que funcionava. Pus moedas suficientes para poder deixar lá o carro até segunda-feira à uma da tarde.

Compro o bilhete, reparo que é mais caro do que nos outros anos. Claro que isto me deixa imediatamente descontente, assim como o facto de ter de pagar para entrar estando no concurso. Mas enfim, cada organização organiza conforme lhe aprouver e uma pessoa tem apenas de apoiar. Porque alugar aquele espaço não deve ter sido nada barato. Trata-se de um espaço grande e bem dividido, em partes superiores e inferiores que se multiplicam. Assim, tínhamos uma zona elevada com bancas de artistas (e acredito ter visto, lá escondidos, o pessoal das cartas e jogos de tabuleiro), um rés do chão com zona de alimentação e algumas bancas mais ou menos profissionais e um auditório gigantesco, onde certamente se fazem muitas palestras sobre dentes. Observem:


Entretanto, encontrei a Ana-san e devolvi-lhe um livro (enorme) que me tinha emprestado. Eu estava muito carregada de livros, pois tinha um para ler, o que a Ana-san me tinha emprestado (e depois outro que tinha sido eu a emprestar e que me devolveu) e um gigantesco clássico da literatura Americana para o meu sukito. Para mais, tinha também um saco de plástico a dizer "Free Book" com um livro do BookCrossing, que deixei no auditório muito, muito discretamente. Ainda não deu notícias, portanto se alguém o tiver apanhado e ler isto é favor ir ao site dizer que o encontrou :)

De resto, não tinha grande coisa para fazer. O único workshop a que queria ir, o de Bonsai (eu adoro árvores, sobretudo se forem pequenitas) calhava muito em cima do concurso de cosplay e achei melhor prevenir e não ir de todo. Assim, passei a maior parte do tempo com a Ana-san a er as bancas, a comer coisas e a beber jolas. 

Quanto às coisas que comprei, meu deus, acho que desta vez me passei mais do que o habitual, porque comprei montes de coisas. Eram todas pequeninas, mas grão a grão apanha a galinha uma indigestão... São as seguintes:


  • Um bloquinho super fofo com estrelinhas
    Uma borracha em forma de cogumelo. Levei uma em forma de pimento para o Qui, que não está aqui retratada
  • Um gato para por no telemóvel, acessório interessante para aparelhos que não permitem a aposição de penduricalhos, como o meu
  • Um porta-chaves do Kero, que comprei porque a senhora me deu um desconto depois de não me ter calhado nada nas rifas
  • Uma pregadeira que, essa sim, ganhei numa rifa
  • Uma figura da Madam Red, que andei a namorar o evento todo e que acabei por comprar com desconto, como veremos.
Em termos de alimentação, o evento estava muito bem serivdo, para variar um pouco do habitual. Apesar de se manter a opinião vigente de que os cup noodles são saudáveis, havia o próprio bar do espaço, onde um senhor mega simpático me vendeu uma sandes de ovo com salada que soube óptimo e jolas a 85 cêntimos cada uma. Depois não me deixaram sair para a rua com a garrafa por razões de segurança, o que faz todo o sentido: o que eu gosto mais de fazer é partir garrafas de médias em cima da tromba do pessoal, levar-lhes o telemóvel e depois obrigá-los a andar descalços sobre os cacos de vidro. :) Entretanto, descobri (graças à Ana-san) a zona privada do staff, uma espécie de lounge vip com um buffet de comida que parecia altamente apetitosa, mas que me coibi de roubar à cara podre. Ao lado, estavam os vestiários, femininos e masculinos, que me pareceu que ninguém detectou, já que estava toda a gente na casa de banho a vestir-se, despir-se e a gritar aos risinhos. Casas de banho, essas, primorosamente limpas: estava sempre uma senhora a limpá-las e a torná-la confortáveis como espaço de xixi.

Entretanto encontrámos uns amigos que eu não via há pelo menos dois mil e quinze anos (quando fomos jantar com Jesus, naquela festa, sabem?) e passámos muito tempo na conversa, recordando os antigos eventos e tecendo críticas mais ou menos fundamentadas sobre este em que estávamos. Assistimos a parte do Painel de Dobradores, onde estava apenas o Vegeta (que eu já vi umas 4 ou 5 vezes), que voltou a dizer as coisas que diz sempre com as piadas que o caracterizam. A Ana-san tinha-me requisitado um pedido, que irei fazer por e-mail noutra ocasião (porque dava um vídeo genial, mas guardarei a surpresa), mas não tive coragem de o fazer, porque a situação parecia extremamente desconfortável. Apesar de haverem cadeiras com fartura, as pessoas optaram por formar uma acumulação em frente ao palco, como se fossem atacar o Vegeta a qualquer momento. No final ainda lhe pedi um abraço, talvez mais como forma de o consolar (foi um abraço fixe! :) ) porque deve ter sido, efectivamente, uma experiência muito estranha.

O que me leva à questão seguinte: o concurso de cosplay. A razão pela qual eu tinha ido ao evento, principalmente... ;) Ora bem, começo por falar do meu sukito (depois colocarei um vídeo na minha página no face. Falarei também dele em mais detalhe no meu Cosplay Portfolio :) ). Considerando que a personagem que eu queria usar era a Haruhi e a Haruhi, portanto, é Deus, pensei em fazer um sukito a gozar com deus e com as pessoas. Assim, pesquisei por uma música e encontrei aquela que acabei por usar. E, eu juro!, quando a ouvi a primeira vez e enquanto estive a fazer o vídeo, achei-a super cómica. Mas depois de a ouvir mais vezes, enquanto ensaiava... Epa, afinal o som não tem assim tanta piada...

Mas adicionado ao facto de o sukito cómico que eu tinha preparado afinal não ser assim tão cómico (se bem que eu tinha esperança que perante um público adolescente, como o que frequenta os nossos eventos, a coisa ainda pegasse), aconteceu o facto de o público, em si, não estar nada concentrado no que se estava a passar no palco. O palco era gigantesco, muito maior do que eu estava à espera, sendo que eu tinha perparado uma performance bastante minimalista. Mas o que realmente perturbou as festas foi o facto de haver um espaço demasiado grande entre o palco e plateia, o que fez com que houvesse reuniões de pessoas que não queriam ver o concurso e impedisse que as pessoas mantivessem a sua concentração focada no que estava a acontecer. No fundo, trata-se de um erro de estrutura para um evento que, certamente, pensava que iria estar muito mais gente na plateia. Tenho a certeza que este sistema funciona muito bem para as grandes estrelas da noite (uma banda que eu não sei), mas para nós, os pobres do concurso, foi um grande senão.

Entretanto, mais um imprevisto acontece... Enquanto eu estou cirandando de um lado para o outro tentando descobrir em que sítio devo estar e em que horário, é revelado que só há dois elementos inscritos no concurso: aqui a minha pessoa e um grupo. Assim, muito em cima da hora, organiza-se um desfile que irá competir com os inscritos (a minha pessoa e um grupo). eu já estava a ter um ataque histriónico com a perspectiva de não poder fazer a minha cena, para a qual tinha ensaiado e perdido tempo e vagar... Bem, confesso que não me senti motivada para ensaiar muito... Pois bem, se o meu skit e o do grupo não conseguiram captar a atenção do público, o desfile também não foi capaz de o fazer. Nem uma musiquinha de fundo... Mas fiquei feliz por ver uma pessoa de mobilidade reduzida a participar, achei fantástico! :) Enfim, mal por mal fiquei em segundo lugar, o que era totalmente previsível porque fiz uma coisa sem graça nenhuma, totalmente desinspirada e insípida. Prometo que numa próxima vez vos irei entreter convenientemente!!! Com o prémio, acabei por comprar com desconto a tal figura da Madam Red que andava a namorar. :)

Falando em próxima vez, anuncio que estou a fechar actividade para o corrente ano de 2015. Agora quero passar Dezembro no quentinho a hibernar.

Depois fui-me logo embora, porque ainda tinha de fazer uma viagem automobilística por caminhos desconhecidos.

Portanto, deixo-vos as tão esperadas, desejadas e argumentadas...

Fotos 







 Este jovem, que tinha um fato super divertido, teve um pequeno momento de revolta porque eu já era a quinta pessoa que o fotografava que não sabia a sua personagem. Prometi-lhe ver a série de onde esta vem e, como o prometido é devido, adicionei-a à minha lista PtW :)



 A moça disse que fez o fato em um dia e o meu coração parou por um bocadinho, com o pânico por afinidade


 Yo, curto bué os teus espanadores


E é isto. Em jeito de conclusão, devo dizer que este ano o erro foi precisamente o do ano passado: se em 2014 estavam à espera de menos gente do que o suposto, este ano estavam à espera de muito mais gente do que o suposto. Assim, os momentos no auditório acabaram por não funcionar porque a plateia estava demasiado dispersa. De resto, é um evento para manter nos nossos calendários e, já que o espaço (apesar de muito grande) era excelente, espero que o mantenham. :)

Assim me despeço. Hasta la Vista. Beibi.

27.11.15

Apocalipse - O Despertar

Apocalipse - O Despertar
Pedro Pereira
2010
Romance
Da série "livros que me vêm parar às mãos por causa do BookCrossing". E também da série de "livros que estragam a sequência de livros óptimos que eu estava a ler". Para mim, o grande mistério é porque é que a pessoa que mo mandou tinha este livro...
 
Enfim, trata-se do segundo de uma "saga" (o que significa que ainda aí vêm mais...), mas o autor faz a fineza de fazer um resumo do primeiro livro da colecção. Essencialmente, são uns demónios que vêm matar toda a gente, pelo que toda a gente vive em bunkers. Excepto que os bunkers são casas e palácios perfeitamente iguais a todos os outros, onde se come pizza, cereais com leite e lasanha. Para lutar contra os demónios há um grupo de jovens em estância de férias, os "Escolhidos", liderados por um mentor que pouco mais faz que ser salvo e que não os consegue ajudar em nada.
 
Tudo bem, é uma típica história de um adolescente para outros adolescentes.
 
Mas está mal escrito. É simples. Está mal escrito. Existem demasiadas cenas de acção, que são subitamente interrompidas para falar de outros assuntos, intercaladas com outras cenas, uma espécie de episódio de anime mal estruturado. As descrições são desinspiradas e básicas: o autor tem imaginação mas não tem a capacidade de a transcrever para o papel de forma a que o livro seja emocionante. Todas as coisas que aparecem são demasiado ridículas para serem assustadoras ou inspirar algum tipo de sentimento e os momentos menos bons que deveriam fazer o nosso coração saltar passam indiferentes no meio de páginas e páginas de um calhamaço sem fim. As próprias palavras... São sempre as mesmas... "Tonalidade"; "Extremamente trabalhado"; "Tom violeta". E os erros ortográficos, meu deus. Seria preciso um editor muito bom para salvar isto... "Cela" em vez de "Sela"... "Acento" em vez de "assento". Parece-me que o jovem tem uma distrofia com a letra S. Vocabulário simples e tantas, tantas vezes mal utilizado...
 
E o pior é que isto ainda continua. Como fazer uma história de 1500 páginas (este segundo livro são apenas 500 mais um glossário...?) com personagens completamente transparentes, sem nada que se lhes diga, diálogos fraquíssimos, antagonistas patéticos... Enfim.
 
Pedro Pereira, tens o nome do meu afilhado. Mas ainda tens muito por onde melhorar. Desculpa lá.

Kanon

Kanon
Masuda Nobuhiro - Toei Animation
Anime - 13 Episódios + 1 OVA
2002
5 em 10

Por alguma razão tinha adicionado os dois Kanon à minha PtW. Para saberem sobre o horror que foi o remake, que vi primeiro, cliquem aqui. Mas bem, não sei porquê, mas gostei um pouco mais desta versão. Talvez estivesse mais disponível emocionalmente para a ver. Ou simplesmente porque é mais curta, tem metade dos episódios.

Enfim... A história é essencilamente a mesma, cortando em alguns pontos menos essenciais. Continua com todos os defeitos estranhíssimos que caracterizavam a narrativa do remake e todos os mistérios sem sentido que estão lá apenas, penso eu, para dar mais densidade a uma história que não tem qualquer tipo de conteúdo.

As personagens são exactamente iguais em termos de complexidade, que é nenhuma. Inócuas, ocas, sem qualquer motivação e sem qualquer tipo de caracterização essencial. Os designs são um pavor e nenhuma das raparigas é distinguível.

A arte é um pavor. Os designs são a coisa menos bem pensada de que se podiam ter lembrado, a animação é descuidada e amadora, a paleta de cores é demasiado vibrante para o ambiente que tentam recriar, os cenários não têm qualquer tipo de detalhe. Mesmo assim, a versão KyoAni irritou-me mais que esta.

A música está aceitável, muito romântica e isso.

Portanto, conclui-se que não vale a pena ver nenhum dos Kanon.

Amy

Amy
Asif Kapadia
2015
Filme
6 em 10

Tinha esquecido de comentar sobre este filme, que vimos o fim de semana passado. Trata-se de um documentário sobre a famosa Amy Winehouse, artista que (por acaso) conheço bem. Isto é, conheço bem a música, o resto das coisas pouco conhecia, porque todos os eventos dos últimos anos da sua vida - os mais famosos - me passaram ao lado.

Fazendo recurso a vídeos caseiros e fotografias oferecidas pela família e amigos, assim como os seus relatos e entrevistas, este filme faz um retrato emotivo da vida desta rapariga que, no fundo, queria apenas cantar. Trata com delicadeza a sua ascenção e posterior descida espiralada até ao mundo da droga, fazendo também foco na sua doença psicológica, a bulimia.

Fiquei, então, com a ideia de que Amy era apenas uma rapariga normal que tinha dificuldades em controlar-se e em encontrar um equilíbrio em si própria, procurando-o na música que fazia, mas a quem não foi permitida uma salvação, por diversos factores pessoais. Simplesmente, ela dependia demasiado das pessoas "erradas" e nem os seus amigos poróximos a conseguiram convencer do contrário.

Achei curiosa a evolução do estilo de vestir, que era mesmo foleiro ao início.

No entanto, o filme acaba por ser um bocadinho inócuo devido ao ênfase dado às letras das canções que, apesar de ficarem no ouvido e serem muito apropriadas a cada uma das situações, não são exactamente belos poemas líricos e pecam pela simplicidade extrema na sua estrutura..

Um filme que vale a pena ver, mesmo para quem não conhece a artista, e que mostra - mais uma vez - a tristeza da fragilidade humana.

26.11.15

Rebecca

Rebecca
Daphne du Maurier
1938
Romance

Foi a minha primeira experiência com esta autora, sobre a qual vinha nutrindo alguma curiosidade. Recebi este livro numa troca do BookCrossing e foi, assim, o momento ideal para o ler.

É um romance misterioso, em que uma personagem (cujo nome não sabemos) vive atormentada pelo fantasma da ex-mulher do seu novo marido. Esta, está morta desde há algum tempo, mas a sua presença na casa senhorial do homem, Max, continua muito vívida e não há maneira de a afastarem para poderem ter uma vida feliz e normal.

A história evolui pela perspectiva desta personagem, um rapariga tímida e sem grandes qualidades sociais. É a parte mais interessante do livro, de facto, a caracterização desta rapariga. É uma pessoa sem qualquer interesse, totalmente passiva, cuja solução para qualquer problema é roer as unhas. Assim, todas as coisas que lhe acontecem não são infundadas, mas sim fruto da sua incapacidade de lidar com esses momentos.Existe uma evolução patente a partido do momento em que é feita a primeira revelação, sendo muito interessante ver a mudança que se opera na personagem.

No entanto, as revelações (há duas mais importantes) acabam por ser um pouco previsíveis, cortando com a aura de mistério que rodeia toda a situação. Para além disso, há um ênfase dado às descrições do mundo natural, o que pode tornar a leitura um pouco maçuda, tendo em conta que está escrito num inglês clássico que pode ser difícil de enfrentar (para um ignorante como eu, um nativo terá certamente outra facilidade).

Descobri mais tarde, informação do Qui, que este livro é também um filme do Hitchcok. Acredito que o seu efeito visual seja ainda mais forte, pelo que fiquei com vontade de ver o filme. :)

Uma excelente leitura, apesar dessas pequenas coisas, que recomendo a todos. Sobretudo porque não é muito comum ver uma perspectiva clássica do feminino nos anos 30, que é o ambiente retratado. :)

Ping Pong

Ping Pong
Yuasa Masaaki - Aniplex
Anime - 11 Episódios
2014
7 em 10

Trata-se de um curioso anime de desporto, altamente atípico e uma verdadeira viagem na maionese! Ou será numa mesa de ping pong?

Dois amigos são muito diferentes um do outro. Smile nunca se ri, é tido como um robot. Se calhar, é mesmo um robot. Peco diverte-se, extrovertido e altamente emocional. São o oposto um do outro, mas há algo na infância que os une. E o ping pong também. Smile podia ser melhor jogador se se esforçasse. Peco achamq que é o melhor dos jogadores mas não se esforça. Explorando a relação entre eles, este anime leva a que as personagens avancem nos termos das suas limitações e realmente evoluam de alguma forma. é na exploração do seu passado e nas atitudes presentes que o anime estabelece um futuro risonho para estes personagens, estabelecendo uma maior ligação emocional entre eles, o que funciona extremamente bem.

No entanto, a narrativa peca por ser demasiado curta e por não dar Ênfase suficiente aos personagens secundários, que aparecem simplesmente como propulsores da evolução de Peco e Smile. Teria sido interessante se houvesse alguma espécie de rival que os remetesse ao passado (apesar de isto poder, também, cair facilmente no cliché). Por este aspecto, coibi-me de dar uma nota mais alta na minha avaliação final.

A arte é, pura e simplesmente, genial. Há muito tempo que não via tanta experimentação, tanta emoção nas linhas, uma arte tão única e característica como a deste anime. Tornam momentos de jogo altamente intensos, mas não deixa de manter um certo foco melancólico nas cenas do passado. A paleta de cores está usada de forma excelente e todo o conceito por detrás de cada design é puramente original e livre de preconceitos.

Finalmente, a música. Com OP e EDs muito energéticas, estabelecemos logo um ritmo veloz e sem tempo para respirar para todo o anime. No entanto, isto acaba por funcionar contra o seu objectivo, porque pode tornar a visualização numa experiência um pouco stressante. Ainda assim, existem momentso musicais de génio, como por exemplo a música que fizeram com os sons de bolas de ping-pong a bater nas mesas.

Um anime que recomendo vivamente, pelo simples facto de ser um raio de luz no meio desta indústria tempestuosa! E por ser completamente diferente de tudo aquilo a que já nos habituámos!

19.11.15

Galaxy Express 999

Galaxy Express 999
Nishizawa Nobukata - Toei Animation
Anime - 113 Episódios
1978
6 em 10

Depois de terminarmos o filme do Galaxy Express 999, o Qui disse que seria realmente uma grande aventura ver a série. Bem... Agora está vista. Foi uma grande aventura, é verdade. É um anime muito longo, com um baixo valor de produção, de finais de anos 70. E eu realmente pensei que este anime fosse muito doloroso de ver, por ser tão longo, mas a verdade é que se revelou precisamente o oposto.

A história é a mesma do filme, mas com muito mais detalhes. Desta vez o Galaxy Express para numa série de planetas, todos diferentes, cada um com as suas características e com os seus personagens. Em cada um deles, os nossos viajantes vivem uma aventura. E todas as aventuras revelam uma profunda humanidade e uma capacidade de autocrítica do ser humano. Porque muitas vezes as pessoas destes locais não vivem como seres humanos deveriam viver, seja pelas características da sociedade em que estão inseridos ou pelas próprias características físicas do planeta. Tendo isso em conta, há sempre uma pequena história muito lógica e bem estruturada, em que há diversos intervenientes humanos ou mecanizados (normalmente um casal), que explicam um pouco as diferentes maneiras de viver e que acabam por admitir que podem ser felizes dentro do seu contexto.

Assim, é um anime que está sempre a inovar-se e que permite aos personagens o sonho e a esperança. Nesse aspecto, tem uma moral muito bonita, para além do facto de sermos todos viajantes que um dia se irão separar. A vida, em si, é uma viagem.

Infelizmente, a arte revela a idade deste anime. Existem muitos e constantes erros de animação, assim como em termos de detalhe e profundidade. Apesar de os universos serem bastante complexos, por vezes pecam por falta de detalhe gráfico e podem acabar por ser um pouco monótonos. Curiosamente, este é o tipo de anime cujo valor de produção não vai sendo reduzido ao longo do tempo: à medida que os anos passam (a série terminou apenas em 1981) a paleta de cores vai ficando progressivamente mais abrangente, havendo também uma maior variedade de texturas e uma redução dos erros simples.

Musicalmente, temos uma banda sonora excelente e muito original, mas curta para tantos episódios. Apesar de os momentos serem sempre emocionantes, podem parecer um pouco repetitivos pelo facto de as músicas serem sempre as mesmas e serem utilizadas sempre no mesmo tipo de ocasião.

No entanto, devo admitir que foi um verdadeiro prazer assistir a esta série. Ainda por cima, estou neste exacto momento a preparar um cosplay desta fonte... E, por isso, sinto-me muito motivada! Até tenho mesmo vontade de ver a segunda season! Mas acho que vou deixar para outra ocasião... :p

A Ilha de Sukkwan

A Ilha de Sukkwan
David Vann
2008
Romance

Livro que recebi num BookRing do BookCrossing.

É um livro incomodativo e muito desagradável, logo desde o início. Um pai vai com o seu filho de treze anos viver para uma ilha isolada do Alaska. Vivem o dia a dia construindo coisas e caçando, até ao momento em que acontece uma desgraça e a vida do pai se desorienta, entrando numa espiral depressiva sem limites.

As descrições são sinistras e todo o ambiente natural da ilha está retratado de forma a que o leitor possa compreender que estes personagens não estão, nem podem nunca vir a estar, felizes ali. A caracterização é feita com muito recurso a imagens da vida passada, a momentos felizes que se passaram, em oposição aos momentos horríveis que ali se estão a viver. No entanto, houve dois elementos que me deixaram de pé atrás. O primeiro é a questão: como é que um rapazito de treze anos tem a capacidade mental e a força física de estar a serrar troncos, a cortar lenha e a caçar veados com uma carabina? Isto não me parece muito lógico e acaba por quebrar um pouco a realidade da história, porque, simplesmente, não é verosímil. O segundo elemento duvidoso é o porquê da desgraça que se abate sobre eles. Porque é que o rapaz tem aquela atitude? Nada na sua caracterização, nem depois na avaliação do pai, indica que tal possa acontecer. Funciona como surpresa para os personagens tanto como para o leitor, mas nada nos leva a acreditar nessa realidade. Assim, o realismo do livro perde-se e as atitudes futuras, as que vêm depois do acontecimento, parecem um pouco irreais.

No entanto, o livro funciona perfeitamente como forma de caracterizar uma depressão, retratando perfeitamente o desespero de um pai perante tal situação. A forma como a segunda forma está narrada é palpitante e perturbadora, levando-nos a unir-nos em cada momento e a questionar como vamos sobreviver nesta ilha estranha até ao dia seguinte.

Assim, não se pode dizer que tenha gostado muito do livro ou mesmo que seja um dos "livros mais interessantes da temporada", como diz na contracapa. É interessante em certa medida (tanto que o li num único dia), mas aparenta ser um choque pelo simples facto de desejar chocar, sem ter realmente um conteúdo lógico e unido.

Manazuru

Manazuru
Hiromi Kawakami
2006
Romance

Este livro foi comprado na Feira do Livro. Na realidade, nada sabia sobre a autora ou a sua obra. Apenas o comprei porque a a autora é Japonesa e sentia falta de ler alguma literatura desse país. Nessa altura, senti-o.

Trata-se de um romance misterioso e místico, que segue a vida de uma mulher - Kei - cujo o marido a abandonou sem dizer uma palavra. Já se passaram dez anos desde essa altura e a filha que tinham já é adolescente, assim como é quase adulta a relação que mantém com um homem casado. No entanto, a memória de Rei, o homem que desapareceu, continua muito vívida, sob a forma de sombras misteriosas que perseguem Kei e a obrigam a ir até Manazuru, uma aldeia piscatória em que algo poderá, ou não, ter acontecido.

Assim, o livro é uma espécie de libertação da personagem do fantasma do homem desaparecido e a evolução enquanto mulher para se entregar a outro tipo de actividades e finalmente poder viver uma vida normal. No entanto, as sombras que aparecem, os fantasmas, as pessoas misteriosas, todos esses elementos acabam por parecer um pouco confusos e mesmo desnecessários. Apesar de as viagens a Manazuru serem essenciais, poderíamos não ter os elementos místicos e creio que o romance teria sido muito mais denso e verdadeiro em termos emocionais.

As descrições acabam por ser a melhor parte. Apesar de não serem muito longas, são estranhamente coloridas e muito visuais, o que acaba por dar ao livro uma outra consistência e traz curiosidade acerca da tal cidade de Manazuru.

É um livro muito típico do seu país e dentro da sua época (a do agora), mas que não me sinto tentada em reler.

14.11.15

Tonari no Yamada-kun

Tonari no Yamada-kun
Takahata Isao - Studio Ghibli
Anime - Filme
1999
6 em 10

Um filme curioso sob a chancela do Studio Ghibli, mas sem a mão do seu dirigente.

Trata-se de uma sequência de momentos familiares da família Yamada, um conjunto de pessoas que - aparentemente normais - fazem coisas que podem ser consideradas um pouco estranhas, porque são todos ligeiramente destrambelhados. É um verdadeiro filme fatia-de-vida, sem um fio narrativo condutor, que tenciona apenas retratar a vida da família típica Japonesa. Fá-lo com leveza e algum humor, mas sem grandes pretensões, o que acaba por tornar o filme ligeiramente aborrecido e, sobretudo, totalmente inconsequente.

O filme depende totalmente das suas personagens, que podem parecer interessantes ao início mas que acabam por cair dentro de um conjunto de estereótipos que, embora não sendo negativos, não lhes dão qualquer tipo de densidade. Assim, os momentos de comédia acabam por se tornar altamente previsíveis.

No entanto, o filme é de mestria técnica. A montagem é perfeita em termos de sequências de animação conjugados com a banda sonora. Existem momentos de animação brilhantes, com técnicas vanguardistas para a época, mas não são constantes e a estética simplista do filme é excessiva.

Fique a nota para a tal banda sonora, composta de sonoridades e canções sempre apropriadas aos momentos e muito completa no geral.

Um filme que certamente vale a pena ver pela sua originalidade e pelos momentos agradáveis que proporciona, mas que me deixa bastante dividida.

Barry Lyndon

Barry Lyndon
W. M. Thackeray
1844
Romance

Comprei este livro (com uma edição diferente da desta imagem) na Feira do Livro, por influência do Qui. Bem, mais ou menos. Algum tempo depois de ver o filme fiquei sabendo que é um dos preferidos da personagem em questão. Assim, quando vi o livro à venda, pensei em cultivar-me e ver esta outra perspectiva.

Em comparação com este livro, o citado filme toma muito poucas liberdades, embora tenha identificado três momentos chave em que Kubrick interpretou os eventos de maneira muito diferente. De resto, é um retrato muito fiel desta narrativa.

De resto, trata-se de um conjunto de memórias de vida de um fidalgo imaginário. Este homem é, supostamente, um nobre arruinado e sem nome, mas que tudo faz para recuperar os seus domínios e enriquecer. Infelizmente, tem uma tendência enorme para esbanjar o dinheiro (somas avultadas) que vai adquirindo em coisas perfeitamente inúteis, como a renovação megalómana de um castelo, roupas da moda ou, simplesmente, em apostas que vai perdendo ou ganhando conforme a sua sorte.

O livro é narrado pelo próprio personagem, que se refere a si próprio sempre com grandes atributos. Mas à medida que a história vai acontecendo, vamos percebendo que este homem não é propriamente uma boa pessoa. Com isto, temos momentos de muito humor e que me levaram mesmo a algumas gargalhadas públicas enquanto lia o livro no autocarro.

Trata-se também de uma sátira disfarçada à nobreza deste século, em que se coloca em oposição esta nobreza "falsa" contra a verdadeira, a dos príncipes e princesas que, essencialmente, ignoram o personagem apesar de este não o admitir.

Um livro muito divertido, cujo filme complementa. E, depois de o ler, percebi como a banda sonora deste era perfeita!

12.11.15

Hibike! Euphonium

Hibike! Euphonium
Ishihara Tatsuya - Kyoto Animation
Anime - 13 Episódios
2015
6 em 10

Mais uma vez o estúdio KyoAni volta a surpreender com um anime muito musical. Desta vez o tema são as bandas de metais nas escolas secundárias. E o instrumento principal é pouco conhecido... Pelo menos, eu não sei muito sobre ele. Trata-se de um eufonio (ou "tuba pequena", ou "bombardeiro"), um instrumento de sopro semelhante à tuba que serve como tenor dentro do ensemble.

Acompanhamos os pequenos desaires diários desta banda, curiosamente composta por um grande número de raparigas (quando é pouco comum as meninas se dedicarem a metais de sopro tão grandes como tubas, nem que seja por causa do peso). Logo ao início é estabelecido que o objectivo do ano é ir aos Nacionais de ensembles de sopro e, a partir daí, muitas coisas acontecem sob o jugo tirânico de um professor. São colocadas duas situações em oposição: as pessoas que querem simplesmente divertir-se e as pessoas que querem mesmo ganhar o direito de ir a concurso. Nesse aspecto, existem alguns conflitos que são pouco comuns em animes do género, mas são resolvidos sempre pela forma mais positiva e com a concórdia de todos, o que acaba por ser pouco realista. Assim, em termos de narrativa e de personagens, o anime acaba por falhar um pouco, pois mantém sempre um espírito de relativa alegria quando o mundo da música erudita é altamente competitivo. Não retrata esse aspecto convenientemente, apesar de o resultado final ser sempre relaxante e simpático, como é costume nos fatias-de-vida deste estúdio.

Comparativamente com outros animes produzidos por este, Euphonium aparenta estar um pouco aquém das expectativas. A paleta de cores, cheia de castanhos e dourados, pode tornar-se um pouco aborrecida, apensar de ser apropriada. Para além disso, os cenários - apesar de muito bem desenhados - não têm aqueles divertidos e pequenos detalhes que tanto me fascinam em outras destas produções. A animação dos instrumentos é detalhada e está feita com bastante exactidão, sem cair no erro de recorrer a meios digitais para as partes mais complicadas. Assim, é um anime bastante orgânico apesar de não ser um festim ocular.

Trata-se de um anime sobre música, pelo que esta deveria ter um papel muito importante. No entanto, fora o concerto final e um concerto com uma cover orquestral dos Yellow Magic Orchestra (demorei a reconhecer a música, mas adorei quando percebi qual era), existem muito poucos momentos musicais. A OP e EDs são pouco inspiradas e poderiam ter mais relação com os instrumentos em causa.

Apesar de tudo isto, fiquei com bastante vontade de ver a segunda season. No entanto, não seria o primeiro anime deste estúdio que eu recomendaria.

10.11.15

O Beijo da Mulher Aranha

O Beijo da Mulher Aranha
Manuel Puig
1976
Romance

Comprei este livro na Feira do Livro deste ano, pois o nome fascinou-me a sinopse pareceu-me muito interessante. Só depois descobri que é também um filme, com o mesmo nome.

Dois homens encontram-se na prisão. Um deles é um preso político e o outro um homossexual que está aali por ter corrompido menores de idade com as suas "alterações". Este, começa a contar filmes ao outro. E à medida que os filmes vão sendo descritos, a sua relação desenvolve-se para além da simples camaradagem.

Por um lado, o livro caracteriza muito bem a vida numa prisão da Argentina, nesta época conturbada de revoluções, em que não se pode confiar em ninguém e onde a Mulher Aranha pode ser tanto nossa inimiga como nossa aliada e apaixonada. Mas, vendo por outra perspectiva, a narrativa pode acabar por ser um pouco maçuda. Baseia-se quase toda em diálogos, que descrevem em grande detalhe esses tais filmes. Não tenho a certeza se estes existem na realidade ou não. Se realmente existirem, o livro acaba por se tornar bastante banal, mas se forem inventados é um grande exercício de originalidade.

A conclusão do livro é lógica e acaba por ser uma espécie de "final feliz" para a relação que se desenvolveu entre os dois homens. No entanto, não me pareceu muito realista.

Ainda assim, é um livro curioso, sobre um assunto que é pouco documentado.

9.11.15

Strings

Strings
Anders Rønnow Klarlund
Animação
2004
7 em 10

Um filme de animação em stop motion em que os intervenientes são... Marionetas!

Num mundo cheio de analogias para a realidade, vivem estas pessoas que, por sinal, se movem pelo intermédio de fios. Os fios ligam-nos à vida e, assim, eles podem viver muitas aventuras. Mas nem tudo é assim tão simpático... Duas facções estão em guerra e tudo dá a entender que a situação não vai melhorar. Poderá o príncipe salvar os dois países? 

A história é bastante simples e bastante negativista, o que torna este filme muito pouco infantil. Existem momentos muito trágicos e de elevada violência emocional, sendo que o ambiente é negro e altamente melancólico. Para mim, a parte mais interessante do filme foi a criação de todo um folclore, mito e religião sobre os fios que ligam as pessoas ao céu e, consequentemente, à vida. É um mundo extremamente rico e detalhado.

A animação é complexa e tem um toque digital na iluminação que torna as situações bastante belas. Existe detalhe nos cenários, que nos permitem uma visualização deste universo de forma abrangente. No entanto, fiquei sem ter a certeza se as marionetas eram realmente movidas pelos fios ou se os seus movimentos eram puramente animados. Dependendo de uma situação ou de outra, o filme poderá ser extraordinário ou simplesmente original. Assim, não me senti capaz de lhe dar uma classificação superior.

Temos temas musicais variados, mantendo-se em linha com o espírito melancólico da narrativa, que adicionam grande beleza e delicadeza a algumas cenas. Também a música está relacionada com os fios, o que é um aspecto muito interessante. Assisti a uma dobragem em Inglês, pelo que não me irei alongar sobre as vozes.
 
Um filme escandinavo muito original, que poderá levar a uma lágrima no fim.

Som de Cristal

Som de Cristal
Bruno Nogueira
Série - 10 Episódios
2015

Como poderão constatar pelo conteúdo deste espaço, eu não sou muito de ver séries com pessoas. E como também puderam constatar anteriormente, era tudo menos fã do Bruno Nogueira. No entanto, apanhei por acidente uma repetição televisiva do primeiro episódio desta série. E é algo de surpreendente.

Numa estética semelhante a outros programas de comédia com famosos, Bruno Nogueira convida diversos artistas para passeios de carro e jantares regados a vinho tinto e a cervejas. No entanto, que artistas são esses? Tratam-se, exactamente, de alguns dos nomes mais famosos da música popular Portuguesa, também conhecida como "pimba".

Neste programa ficamos a conhecer um pouco da vida íntima destas pessoas, entrando nas suas casas, visitando as suas aldeias, assistindo aos seus concertos. Tudo tem um toque de cómico dado pelo anfitrião, mas também existem muitos momentos tocantes e trágicos. Porque Bruno Nogueira, apesar de comediante conhecido pro gozar com tudo e com todos, não troça dos artistas, não os provoca e, sobretudo, não os desrespeita. Assim, o programa faz um retrato muito humano destas pessoas a quem, normalmente, não damos qualquer atenção e que muitos de nós considera quase como criminosos e assassinos da boa música.

Ficamos a conhecer os seus medos e os seus sonhos, a sua origem e o seu futuro. Ficamos a conhecê-los melhor enquanto artistas, enquanto força trabalhadora, enquanto pessoas que se dedicam a fundo aos seus projectos, por mais parolos que nos pareçam. E ficamos a conhecer os seus fãs e as multidões que movem. Pois é, apesar de tantos de nós dizermos "não gosto, faz-me doer os ouvidos, isso não é verdadeira música", há pessoas que adoram, há uma imensidão de gente que vive para assistir a estes concertos. E se não respeitarmos isso, não há mais nada que possamos fazer.

Com efeitos de montagem interessantíssimos, o programa acaba por tornar estas conversas informais e partilhas de momentos em segmentos que podem chegar ao surrealismo abstracto, a um puro non-sense que dá azo a gargalhadas incontidas. É uma sucessão de momentos estranhos, desde o Roberto Leal bezano a assinar t-shirts, ao copo de bagaço do Marante e até mesmo ao histerismo das fãs açoreanas do Saúl.

Também é boa oportunidade de ficar a saber quais as novas facetas artísticas destes cantores que conhecemos à tanto tempo. Podemos pensar que continuam ligados à sua estética do antigamente, como uns eternos anos 90, mas a verdade é que continuam sempre em evolução.

Um programa extraordinário, que só peca por ser tão curto. Gostaria de ter visto outros artistas com a coragem de se mostrarem perante o público desta forma.

8.11.15

Lisboa Games Week 2015

 
Lisboa Games Week 2015
Evento

Convenhamos, vamos admitir: aqui a minha pessoa percebe pouco ou nada de jogos. Então, que interesse poderia ter semelhante criatura num evento dedicado exclusivamente a jogos? Bem, duas razões. A primeira... Curiosidade. A segunda... Cosplay!

Apesar de não saber nada sobre jogos e de não os jogar há uma década, é um meio artístico que continuo a apreciar à distância, sem participação. Assim, fui a este evento com esperança de poder experimentar alguns aparelhos e, se calhar, renovar a minha apreciação pelos jogos. Por outro lado, havia uma grande vantagem: cosplayers entravam gratuitamente. Para além disso, havia um concurso e eu estava vontade de fazer um sukito daqueles mais pacíficos, mais na boa, mais calmos, uma espécie de relaxamento depois desse grande stress emocional que foram as inglaterras. Portanto, lá fui eu!

Fui só no Sábado o que, sem dúvida, não foi uma boa opção. Os meus planos de experimentar jogos cairam por terra quando constatei que, para toda e qualquer actividade, existiam filas gargantuescas nas quais teria de gastar imenso tempo, facto para o qual eu não estava mentalmente preparada nem motivada. De resto, existiam vários pavilhões com vários conceitos interessantes. O que mais tive pena de não experimentar foram os jogos experimentais das faculdades. Também havia muita Sony, alguma Nintendo, alguns jogos online. No entanto, não vi nada que se parecesse com esse estilo que tanto aprecio, o RPG e o MMORPG.

O evento estava atafulhado de gente, o que tornou as movimentações com o meu fato (eu tinha umas asas em largura) muito complicadas. Ainda assim, parecia-se mais ou menos com isto:






Enfim, mas falemos do dia lá passado. Cheguei logo depois de almoço. Apesar da minha aversão a conduzir, levei o carro por uma série de razões e tive de o deixar estacionado no parque da Estação do Oriente. Até à chegada ao evento, nenhum sinal de algo geek se passava por aquela zona... Mas quando me comecei a aproximar o Pavilhão 4 da FIL, já se começava mais a parecer com um evento. Achei graça ao olhar perdido de diversas crianças que tinham sido trazidas pelos pais para ver outras exposições, que deviam ser chatíssimas a comparar com a dos Games... Fui para as informações, onde me indicaram um jovem que me deu um bilhete. Estava um calor de morte, portanto foi com alívio que coloquei as minhas asas e passei a estar de vestido sem ombros. Rapidamente, encontrei a banca da Weatherlight Workshop, onde tratavam dos assuntos relacionados ao concurso, onde confirmei a minha inscrição e todas essas coisas. Aprendi, então, que o concurso começaria às 15:00. Eu estava convencida que era às 16:00 e, mais uma vez, me arrependi de ter chegado tão tarde e más horas.

Fui andando por aqui e por ali e descobri que havia um espaço exterior com comidas. Portanto, todas as pessoas que estavam em pânico por não poderem entrar e sair, tinham ali um espaço para relaxar. Quanto ao entrar e sair, é mesmo assim que funciona a FIL e não é questão de má organização do evento. Na verdade, dentro de um evento, não há razão para sair dele. Nem mesmo num festival de música e todos esses locais semelhantes. Se não houvessem comidas, nem espaço ao ar livre, nem casas de banho... Aí também estaria revoltada. Assim sendo, é mesmo parte da conformação dos pavilhões e ninguém tem influência nisso (muito menos os organizadores do concurso, que levaram por tabela estas reclamações sem merecerem). Se tiverem um achaque e tiverem de sair, terão de admitir que provavelmente não estarão em condições para voltar a entrar, né?

Estabelecendo comunicações, fui tirando fotos e distribuindo os meus cartões. Revela-se que é muito menos popular em Portugal dar um cartão a dizer "olha, vou por a tua foto aqui" do que nesse país que é o "lá fora". Acho que deve dar ar de sermos uns convencidos, ou isso. Aproveitei para ver a secção das bancas de artista, que estavam muito bem arrumadas e cheias de gente a ver coisas. Procurei também algo sobre jogos de tabuleiro, mas a busca foi infrutífera.

Aproveito para vos mostrar as minhas aquisições. Desta vez foram pouquíssimas...

  • Um laço de origami feito em cortiça, para por nos meus cavelos
  • Um autocolante com um pug que me lembra um antigo paciente meu :)
  • Cartões e folhetos diversos
E depois começa o concurso. Com um imbatível número de 18 participantes, foi um dos concursos mais completos que vi ultimamente. Para começar, a organização está de parabéns. Tudo começou a tempo e horas, havia liberdade suficiente para vermos todos os sukitos uns dos outros e conseguiram chamar muita gente (talvez pela paleta incrível de prémios que ofereciam! Desta vez fiquei quase com pena de não me ter calhado nenhum, hehehe). Para além disso, havia um elemento original: a fofa "apresentadora" ficava um bocadinho à conversa com cada um de nós e dava para partilhar um pouco do que era fazer estes fatos. Pessoalmente, gostava que ela me tivesse perguntado sobre o skit e acho que fiz uma figura péssima a falar das bolachinhas dos países todos e de que fiz o meu fato com restos. É tudo verdade! Mas não fica bem, acho eu... ;__; Mas houve momentos curiosos, como o amigo que ia de samurai cheio de olhitos que disse que tinha sido o filho a pedir-lhe para fazer o fato! :) Como crítica, coloco apenas o facto do palco não ser muito grande e de ter uma alcatifa perigosa que se mexia e que ia levando algumas pessoas a cair de cueiro no chão (eu inclusa). No entanto, o facto de ter uma televisão à nossa frente foi altamente útil para saber quando o skit ia começar, hehehe.

Como queria muito mostrar este sukito a quem me direito, pedi a uma moça (que entrou depois de mim e eu desconhecia, se soubesse não lho tinha pedido... Desculpa, moça!) que me gravasse a cena. Ela fez-me esse favor imenso e, portanto, fica aqui o meu imenso OBRIGADA!!! Foi mesmo muito simpático da parte dela, sobretudo porque ela ia entrar a seguir e devia estar nervosa de uma forma ou de outra e, favas contadas, foi uma atitude simplesmente mega-fixolas e devia haver mais pessoas assim neste planeta a que chamamos Terra. :)

Acidentalmente, gravei também segmentos de outros skits. Deixo-os todos aqui. Infelizmente não são os skits completos, peço desculpa aos intervenientes, mas eu gravei estes pedaços por puro acaso enquanto tentava tirar fotos. Também só tirei fotos às pessoas que vieram depois de mim, porque não me lembrei que tinha a máquina até ao momento de ter saído do palco.

Segmentos de Sukitos

Estou a ter dificuldades no upload, portanto mantenham-se ligados que em breve os colocarei aqui ;)


Ainda agurdámos bastante até à entrega dos prémios. Eu esperei porque estava convencida que ainda íamos tirar uma foto de grupo e ser fixes, mas isso não aconteceu. De resto, achei que os prémios foram totalmente merecidos, quer no contexto de construção do fato quer no contexto de skit. Mostraram coisas muito interessantes! :) Para além disso houve um sorteio de três t-shirts com aspecto bacanóide, mas como em rifas nunca me calha nada desta vez também não me calhou. ;__;

Ainda estive algum tempo em conversações (aproveitei para entregar uma peruca à vencedora do giveaway da minha página no face) e estabeleci contacto com um pessoal de um fórum em que participo. Não os consegui encontrar, também já estava cheia de vontade de me ir embora, mas descobri que alguns eram da Margem Sul. Até me ofereci para lhes dar boleia, mas não aceitaram... Ainda bem, porque na saída apanhei milhões de trânsito, a entrar na Segunda Circular e a sair da Ponte. Não sei porquê, acho que toda a gente deve ter aproveitado o Verão de São Martinho a ir à praia...

Mas devem estar todos a perguntar-se qual o resultado de tanto passeio e conversações! Pois é, falta verem as...

Fotos

 Estas meninas conheceram-me, senti-me tão famosa! Ou não xD
 Primeiro lugar, o amigo que tinha sido incitado pelo filho a fazer o fato. Estava fantástico!
 Terceiro lugar, os sabres de luz desmontavam-se e foi bué à frente!


 Segundo lugar, que skit maravilhoso!



 Foi a moça que filmou a minha cena, milhões de milhares de centenas de dezenas de unidades de obrigados!


Conclusões Conclusivas

Este é o tipo de evento que não pode ser visitado num único dia, sobretudo se grande parte dele for ocupado em actividades específicas, como foi o meu caso. Quero muito, para o ano que vem, voltar e gastar um dia a experimentar todos os jogos e todas as bancas e tudo e tudo e tudo!

Foi uma experiência gratificante, de qualquer forma, porque o concurso de cosplay estava muito bem organizado. E foi um prazer para mim interpretar aquele sukito. :)

Portanto, vamos ver-nos lá para o ano, está bem? :)

Desta vez não termina com uma foto da minha pessoa porque até agora não encontrei nenhuma. Talvez quando as encontrar coloque aqui alguma para finalizar, haha!