24.8.15

Dragon Ball Z: Kami to Kami

Dragon Ball Z: Kami to Kami
Toriyama Akira - Toei Animation
Anime - Filme
2013
6 em 10

Para variar um pouco e aproveitar o tempíssimo livre que tive (e que belo descanso foi!) voltei aos filmes de anime por um bocadinho. 
 
A minha experiência com Dragon Ball é a mesma de qualquer miúdo dos 90s: o delírio, a emoção, a fantasia, parar as aulas para ver qualquer um episódio importante no bar da escola, viver e respirar um kamehame. Isto é, Dragon Ball tem por cima a lente da nostalgia. Olhando mesmo bem para a coisa, não é o melhor anime do mundo. Mas foi uma viagem muito emocionante na sua época. Assim tinha uma expectativa bastante baixa para este filme. Para começar, será que iria conseguir ver um filme sobre Dragon Ball sem a nostalgia em cima? Segundo, será que iria sobreviver às vozes japonesas? É que eu nunca vi o original.. Terceiro, será que ia ter paciência? A resposta é... Sim para todas! Porque este filme foi, surpreendentemente, um grande regresso ao passado e uma aventura muito engraçada de assistir.

O filme passa-se algures naquela fase de DBZ em que não se sabe muita coisa sobre o que aconteceu, o "gap" de 10 anos que se mantém um pouco oculto. Neste filme, há o acordar de um deus muito especial: Lord Bills. Trata-se de um deus que tem por função destruir planetas e que o faz frequentemente, sempre que se aborrece com alguma coisa. Ora, por acaso do destino este Lord Bills vai parar à festa de aniversário da Bulma! E todos têm de impedir que ele se aborreça, não vá destruir o planeta Terra! Quando isto acontece, desenvolve-se épica luta e, como é certo e sabido nos nossos shounens clássicos, tudo fica bem quando acaba bem.

A história é muito simples, quase básica, mas está recheada de pequenos momentos de humor que ligam muito bem com o contexto: aquilo que a nostalgia nos lembrava está aqui. Assim, é um filme muito divertido e fácil de ver e acompanhar, uma sessão de acção sem grande complexidade que serve o simples propósito de nos entreter bravamente.

Menos capazes serão as cenas de acção propriamente ditas. Estão animadas de forma excelente, isso é verdade, com um fantástico uso de perspectivas e uma paleta de cores suave, com cenários bastante cativantes, de céus cheios de nuvens ao espaço sideral. Mas o simples facto de o filme viver para que as lutas decorram em vez de ser ao contrário, isto é, estas existirem para complementar algum tipo de narrativa, torna tudo um pouco menos saboroso e deixa muito a desejar sobre os nossos personagens. Estes não sofrem qualquer tipo de desenvolvimento exploratório, apesar de - sendo que os conhecemos tão bem - não existir grande necessidade para isso.

Musicalmente acontece a mesma coisa. Temos uma banda sonora pouco completa até aos momentos de acção, em que tudo é investido em épicos instrumentais e numa canção de pop-rock típica que está lá com a intenção de fazer o nosso coração bater mais forte. Mas como eu não tenho coração, tal não funcionou na minha pessoa. A música final é um novo take na abertura do shalala que conhecíamos do antigamente (se bem que Dragon Ball ZZZ teria ficado melhor, como qualquer bom português terá de admitir)

Em conclusão, posso dizer que foi um filme com o qual me diverti imenso e que me manteve ligada a ele durante toda a sua duração. No entanto, objectivamente, não se trata de uma boa obra em termos individuais, tratando-se mais de um espécie de doce, um bónus para fãs. Assim, recomendo-o para quem ainda ama Dragon Ball. :)

23.8.15

Gankutsuou

Gankutsuou
Maeda Mahiro - Gonzo
Anime - 24 Episódios
2004
7 em 10
 
Já terminei o anime no início da semana, mas o tempo anda tão escasso que só agora tenho tempo para falar um pouco sobre ele. De entre a lista de recomendados do meu clube, apenas este me faltava ver. Como sempre, estas pessoas dão excelentes recomendações! :)
 
Este anime é uma interpretação livre do romance de Alexandre Dumas, "O Conde de Monte Cristo". Infelizmente, já faz muitos anos que li o livro e, portanto, recordo muito pouco sobre ele. Assim, o meu comentário será sobre o anime em si, não enquanto adaptação mas enquanto obra singular.

Tudo começa quando um jovem nobre conhece um misterioso conde, o Conde de Monte Cristo. A narrativa processa-se enquanto o conde conhece todas as pessoas envolvidas na vida deste jovem e procede a destruir as suas vidas, aparentemente sem razão. Mas tudo é revelado no final. Trata-se de um processo complexo e muito misterioso, que nos cativa imediatamente. Isto não seria possível sem um conjunto de personagens muito interessante, embora por vezes um pouco inutilizado dentro do contexto de evolução da história. As motivações do Conde de Monte Cristo são o mote principal para a evolução, permitindo-nos conhecer mais sobre o passado de todas as personagens, estando tudo interligado de forma a permitir um futuro brilhante para os que vêm depois.

O foco principal do anime é, sem dúvida, a arte. Trata-se de um dos exemplos mais flagrantes de utilização de cores e padrões em grande escala, com formas que se movimentam e uma escolha estilística complexa. O resultado é algo de espectacular, uma interpretação futurística que mantém sempre um toque clássico. Nesse aspecto, é um anime único.

Musicalmente, também nos mantemos nesta linha clássica. Com OP e ED calmas mas originais, que têm toda a relação com o tratado no anime, temos também outras músicas dentro da banda sonora que se aplicam perfeitamente aos momentos, trazendo cada vez mais intensidade.

Trata-se de um anime diferente e muito original. Vale, certamente, a pena ver.

16.8.15

Fantasia 2000

Fantasia 2000
Vários
Filme
2000
 8 em 10

Este é um filme amado, que vi no cinema quando saiu. Desde minúscula que sempre fui fã do Fantasia original (aliás, eu só comia a papa se me pusessem a ver o segmento da Pastoral de Beethoven) e este é uma belíssima homenagem.

Referem no início do filme que o conceito de "Fantasia" deveria ter sido um trabalho contínuo. No entanto, só 60 anos depois é que lhe pegaram. A ideia é simples: fazer animações que correspondam a peças de música clássica e erudita, que podem ser histórias ou simplesmente ideias abstractas. Agora com uma animação renovada, utilizando métodos digitais variados, Fantasia 2000 cumpre exactamente esse propósito.

Cada uma das animações é única e extremamente memorável. Se logo no início desejamos um pouquito de ácido lisérgico para conseguirmos acompanhar, imediatamente a seguir o filme se estabelece como um pouco mais leve e infantil, falando de pequenos momentos de felicidade e contando histórias simples, mas com finais felizes e cheios de esperança.

As animações em si estão brilhantes, fazendo uso das técnicas mais recentes e experimentando sem preocupações todo o tipo de coisa. Também os designs são bastante diferentes daquilo a que estamos habituados na animação ocidental, acabando por ser um resultado muito original e cheio de ideias para futuros cosplays (mas não adicionarei nenhum à lista, porque tem de ser uma escolha bem pensada, hehehe)

Talvez a parte menos boa do filme sejam as sequências entre cada animação, em que há uma breve explicação sobre o que se vai ver a seguir, com um toque de humor que acaba por não funcionar muito bem devido aos actores escolhidos para o fazer.

Ainda assim, é um filme memorável e que amo desde que vi. Recomendo a todos, sobretudo se forem fãs do Fantasia original.

What Happened Miss Simone?

What Happened Miss Simone?
Liz Garbus
Filme
2015
7 em 10

Como o Qui queria conhecer um pouco mais sobre Nina Simone, vimos este documentário. Eu sabia pouco ou nada sobre esta senhora, tendo muito pouco conhecimento sobre as músicas. Este documentário foi, então, de certa forma esclarecedor.

Fazendo uso de diversas entrevistas a conhecidos e amigos, ficamos a conhecer Nina Simone desde o tempo em que ela ainda não tinha esse nome e sonhava ser pianista clássica. Após muito estudo, tudo correu mal, devido à segregação racial que então se fazia sentir nos Estados Unidos. Por um golpe de sorte (ou azar) ela foi descoberta por um militante do jazz e apresentou-se num festival, de onde acabou por nascer todo o seu sucesso.

Ficamos a saber as voltas que a sua vida deu, a infelicidade de ter um marido psicótico e o seu envolvimento na luta pelos direitos civis. Mais tarde, descobrimos que há mais nela para além do que se passava no palco, sendo uma pessoa de extremos e de arranques de humor que acabam por se tornar problemáticos. O filme faz notar que dentro desta pessoa havia uma grande quantidade de demónios a ser batalhados, mas não explora muito bem a natureza destes problemas. Refere todos os seus lados negros, mas acaba por delegar a "culpa" deles no marido violento e numa doença pouco esclarecida. Nesse aspecto, gostaria que tivessem falado um pouco mais na dimensão da doença, que acaba por ficar desconhecida.

Também me pareceu que muitas das entrevistas, sobretudo as da filha, estavam pré-escritas, havendo muito pouca naturalidade nestes factos e podendo mesmo haver uma falsificação dos relatos para se adequarem à imagem que a produção gostaria de mostrar.

Por outro lado, o filme - um pouco longo - está recheado de excelentes exemplos musicais, gravações de todas as épocas da vida da artista que demonstram perfeitamente o seu poder enquanto cantora e performer, a sua capacidade extraordinária para cantar, a técnica perfeita e muito original de tocar e todas as coisas que encantaram o público na sua época.

Fica, por isso, um exemplo. A música que mais gostei. Irei também procurar alguns albuns, para ficar a conhecer melhor a pessoa :)


12.8.15

What we do in the shadows

What we do in the Shadows
Jemaine Clement e Taika Waititi
2014
Filme
7 em 10
 
E, depois de uma comédia, que tal... Outra comédia?
 
Este é um filme de vampiros feito para gozar com filmes de vampiros. E de adolescentes. E filmes, em geral. Pois bem, um grupo de vampiros centenários vive há algum tempo isolado na Nova Zelândia, numa cidade insuspeita. São colegas de apartamento e, por isso, têm todos os problemas que um grupo de "jovens" tem quando partilha um apartamento. Quem lava os pratos? Quem sujou o sofá? Mas, sobretudo, têm um problema grave em adaptar-se à vida actual. Cada vez mais têm dificuldade em encontrar vítimas para se alimentarem e as dificuldades de comunicação entre eles e com as pessoas que os rodeiam são cada vez maiores.
 
O filme está feito como se se tratasse de um documentário, gravando opiniões dos seus intervenientes e aproximando-se do assunto com uma aura bastante improvisada, fomentada também pelo próprio improviso dos actores. O resultado é simplesmente hilariante. Com uma narrativa solta, seguimos pequenos momentos da vida destes vampiros, que só querem viver sossegados e divertir-se tocando música (muito mal) ou mesmo fazendo performances de danças eróticas uns para os outros.
 
Nada disto seria possível sem um talento fabuloso da parte dos actores, que encarnam as suas personagens de forma ligeira mas, mesmo assim, muito pura. Estão de tal forma integrados, e bem caracterizados, que todos os momentos da vida diária destes vampiros se tornam muito reais e dão mesmo vontade de nos tornarmos num deles, apenas para nos podermos divertir assim para o resto das nossas (não) vidas.
 
Gostei especialmente da caracterização, aparentemente aleatória, dos espaços e das roupas, que dão todo um ar de absurdo extremamente realista dentro do contexto.
 
Cheio de momentos de comédia memoráveis, este é um filme para ver e rever mais tarde, com amigos ou com os nossos avós.

The Meaning of Life

The Meaning of Life
Monty Python
1983
Filme
7 em 10

Para o meu skit do Eurocosplay tenho intenção de usar uma música dos Monty Python, que ouvi num CD dos respectivos que o Qui me forneceu como fonte de inspiração. No entanto, ainda não tinha visto o filme que lhe correspondia, e depois de ter jantado com os parceiros da The Forge Cosplay (que também vão às Inglaterras) ocorreu-nos que seria boa ideia vê-lo. E assim foi!

Este filme é um pequeno exercício sobre uma grande questão: qual o sentido da vida? Através de diversos sketchs de comédia, os Monty Python tentam responder. O resultado é algo de hilariante e absolutamente memorável.

Cada resenha cómica fala acerca de um aspecto da vida, desde o nascimento, à guerra, passando pelo aborrecimento conjugal e até mesmo donativos de órgãos. Tudo isto está ordenado por fases, uma espécie de crescimento humano, desde o nascimento até à morte. No final, somos esclarecidos sobre qual o sentido da vida, da forma mais crua possível.

Na verdade, através de uma comédia impecávelmente mórbida, os Monty Python só nos dão uma única conclusão sobre o sentido da vida: a vida não faz sentido absolutamente nenhum. Eles pegam nos momentos normais e oferecem-lhes uma aura de non-sense e exagero, uma espécie de absurdismo cinematográfico, que motiva a momentos de gargalhadas compulsivas e incontroláveis. E, afinal, o que é melhor na vida se não rir?

Considerado por muitos o menos bom dos filmes dos Monty Python, para mim foi um exercício fascinante, sem regras e sem fronteiras, em que assuntos crueis são analizados da forma mais agressiva de forma a que nem sequer nos sentimos culpados por nos rirmos: afinal, são coisas com piada!

Assim, recomendo vivamente que vejam este filme. Não só para tentarem descobrir que música vou usar em Inglaterra, mas para vos doer a barriga de tanto rir e, quiçá, deitar umas pinguitas de chichi.

6.8.15

Cyborg 009: The Cyborg Soldier

Cyborg 009: The Cyborg Soldier
Kawagoe Jun - TV Tokyo
Anime - 52 Episódios
2001
6 em 10

Remake de série dos anos 60, esta versão de Cyborg 009 ficou popularizada por passar na Cartoon Network na década passada. Esperava muito pouco dela, mas foi uma surpresa interessante.

Conta a história de nove cyborgs experimentais, pessoas com alterações a vários níveis que lhes conferem certos poderes e daqueles que os perseguem tendo em vista a sua destruição. É uma história muito simples, dividida em arcos, cheia de acção. A narrativa não está especialmente bem feita, variando espectacularmente de cada vez que mudamos de arco, e aparece apenas de forma a introduzir uma série de personagens, para além dos nove cyborgs que já conhecemos.

Este é o lado mais curioso do anime: os personagens. São muitos, e muito variados, tendo em si uma série de questões e dúvidas sobre o significado de se ser humano, aproveitando para falar de outros aspectos fascinantes, como a necessidade de lutar e da guerra. Achei apenas que teria feito falta haver um pouco mais de pessoas "reais": à medida que o anime se vai desenvolvendo, descobrimos que praticamente todos os intervenientes, que vão aparecendo e desaparecendo, são também cyborgs. Senti que se houvesse mais seres humanos não robotizados, os factores colocados em debate teriam tido toda a uma outra intensidade.

Surpreendentemente, a arte está bastante boa. Existem cenas de acção muito bem animadas e muito interessantes, sempre com um toque de comédia, sendo que os designs se mantêm puros em relação ao estilo original dos anos 60.

Devido a vários factores acabei por ver bastantes episódios com a dobragem americana, que me pareceu bastante satisfatória. De resto, a música e um pouco repetitiva e bastante vulgar, adicionando muito pouco em termos de efeito emocional.

Um anime interessante, mas creio que teria preferido ver o original. Eu sei que nunca o vou encontrar disponível, é do tempo do preto e branco...

5.8.15

Colorful

Colorful
Hara Keiichi - Sunrise
Anime - Filme
2010
7 em 10

Vimos este filme no fim de semana, mas o trabalho tem sido tão árduo (mesmo trabalho...) que só agora consigo escrever sobre ele. Foi recomendado pelo meu clube e, como sempre, revelou-se uma boa surpresa.

O filme começa numa estação de comboios. O purgatório, ou algo semelhante, uma passagem da vida para a morte. A uma alma perdida é dada a oportunidade de ocupar o corpo de um adolescente que acabou de se suicidar para que descubra qual foi o seu crime durante a vida e tenha uma nova oportunidade de "reciclagem". Desta forma, num corpo que desconhece, a alma vai ter de viver a vida como ela é, ultrapassar problemas e melhorar-se. O argumento é bastante original e existem muitos momentos de confronto entre as personagens que acabam por ser muito interessantes. Mas tenho uma crítica em relação à direcção do filme: a narrativa não é constante, formando-se numa espécie de montanha russa, com grandes mudanças de dinâmica, entre momentos tensos e momentos calmos. Isto poderá desconcentrar o visionante e torna o filme numa amálgama de sentimentos que poderão tornar-se negativos, com uma conclusão bastante previsível e sobre a qual gostaríamos de saber mais.

Por outro lado, estas mudanças de dinâmica ajudam-nos bastante na compreensão do âmago das personagens. O nosso rapaz principal é operante de uma mudança radical na sua personalidade, que espanta os seus conhecidos (não propriamente amigos) e que o leva ao tal confronto. Estes momentos dão-nos muitos dados interessantes sobre os personagens secundários, havendo momentos em que, citando o Qui, "quase parece que nem estamos a ver desenhos animados". As conversas são maduras, se bem que apropriadas à idade dos personagens, bem escritas e realistas, falando de assuntos muito actuais, como a insegurança adolescente, os maus tratos na escola, a prostituição e as relações familiares num ambiente moderno Japonês.

O ponto mais forte do filme é, sem dúvida, a arte. Sendo evidente que há neste filme um patrocínio da junta de freguesia lá do sítio, temos cenários quase fotográficos, muito realistas e cativantes, que funcionam muito bem como spot publicitário discreto. Talvez estes momentos gráficos cénicos sejam um pouco longos demais, mas são agradáveis de qualquer forma. As personagens em si estão bem animadas, se bem que não há grandes cenas de acção, sendo que o maior defeito se encontra nas expressões, usadas muitas vezes com um estilo cómico que não se coaduna bem com o resto do grafismo. Fica a nota também para os quadros, com uma certa tendência expressionista, que o nosso personagem principal pinta. São um mecanismo narrativo que está muito bem utilizado, uma espécie de metáfora para os sentimentos confusos do rapaz. E são, em si mesmos, obras muito interessantes.

Finalmente, não posso deixar de falar da música. A banda sonora tem momentos extraordinários, entre alegria e melancolia, que se adequam perfeitamente a cada uma das cenas que retratam. As peças, individualmente, são bastante curiosas e memoráveis.

Assim, temos um filme que - apesar dos defeitos em termos de ritmo - se apresenta como uma visão diferente e original da vida moderna. Recomendo-o e, certamente, voltarei a vê-lo.