26.3.15

Kannagi

Kannagi
Yamamoto Yutaka - A1 Pictures
Anime - 13 Episódios + 1 Special
2008
6 em 10

Lembro-me que quando este anime andava aí no ar, andava toda a gente maluca com ele. Nagi para aqui, Nagi para ali, ficou sempre a curiosidade de o ver. Foi agora.

Um jovem, com os seus problemas na vida, decide fazer uma escultura a partir do tronco de uma árvore sagrada. Mas a escultura transforma-se numa rapariga, personificação da deidade que vivia na tal árvore. A partir daí, passam a viver juntos, a deidade vai à escola e há aventuras.

A história, de natureza episódica, faz um esforço aparente para agradar aos fetiches mais comuns do mundo dos ota-cus mal adaptados. Com um conjunto de raparigas simpáticas, com personalidades bastante estereotipadas, isto tem tudo para correr dentro da normalidade. Felizmente, o anime acaba por se distinguir nos últimos episódios, em que há um debate interessante sobre a identidade, isto é, o que somos realmente perante as perspectivas dos outros. Aqui há também um desenvolvimento curioso de Nagi, a personagem principal (deusa, ou o que seja), que acaba por encontrar a sua humanidade e, com isso, melhorar as suas habilidades enquanto entidade que tem a capacidade de ajudar e abençoar.

A animação é muito simples, sem cenas de acção ou grandes cenários. Apesar disso, mantém-se bastante fluída, com uma montagem satisfatória que estabelece um ritmo novelesco, leve e fácil.

Fique nota para a ED, pois aprecio orações em todas as suas formas.

De certa forma acabei por não perceber a maluqueira que atingiu tantas pessoas na época, mas é uma série que, dentro do contexto de fatia-de-vida, acaba por ter um pouco de originalidade.

Aproveito para avisar que não estarei cá para vos entreter com meus humorísticos e horrendos comentários durante o fim de semana, pois vou para os Açores ver um recital de baleias. :)

23.3.15

Umineko no Naku Koro ni

Umineko no Naku Koro ni
Kon Chiaki - Geneon Universal Entertainment
Anime - 26 Episódios
2009
6 em 10

Quando elas choram, quando elas choram... Parece uma música pimba, é melhor não começar assim. :3

"Quando as Gaivotas Choram" é um outro take da série "Quando Choram", do qual conhecia - anteriormente - a história das cigarras. Nesta série temos mais ou menos a mesma estrutura, com um mix de magia, bruxas e maldições. Tudo começa quando os elementos de uma família riquíssima se reunem numa ilha do Pacífico para decidirem sobre a herança que cada membro irá receber aquando a morte (que está para breve) do líder familiar. No entanto, não sabem eles que este líder tem uma obsessão gravosa com o amor da sua vida, a bruxa Beatrice. Ora, para ela aparecer e viver, é necessária uma série de sacrifícios, que se inicia logo no segundo episódio. Felizmente há uma salvação: Battler, um jovem membro da família, recusa-se a acreditar na existência da bruxa. Assim, fazem o acordo: se Battler resolver os crimes misteriosos que, repetidamente, matam a sua família, poderá mandar Beatrice embora. Se desistir e passar a acreditar nela... Bem, logo se vê.

A complexidade da história torna-a numa espécie de conto policial místico, o que tem o seu interesse. Infelizmente, a existência dos personagens apenas perturba o "jogo" e torna tudo menos emocionante. Afinal, são tantas personagens que não conseguimos criar uma ligação forte com elas. Não haveria problema no número de personagens (que são realmente muitos, quer do lado dos vivos quer dos mortos e parecem nunca acabar, pois de tantos em tantos episódios mais personagens são introduzidos), se estas estivessem desenvolvidas com algum tipo de propriedade. Existem algumas relações de interesse, como a de Maria e a sua mãe, mas acabam por ficar para trás perante a sempre presente possibilidade de todos morrerem antes de se observar uma conclusão. Gostaria de ter ficado a saber mais sobre as outras pessoas, como a mãe de Battler ou aquela senhora do cabelo com dois tons quenãomalembraonome.

A própria Beatrice (na sua encarnação de Beato) poderia ter sido desenvolvida de forma muito mais acutilante, de forma a explicar o porquê da sua maldade inerente. De certa forma, a atitude das bruxas é um elemento cativante, pois revela inteligência na escrita do argumento. Mas a sua personalidade, propriamente dita, acaba por se tornar um pouco errática. As vozes não ajudam, com interpretações exageradas e histriónicas que tornam estas personagens um pouco vergonhosas.

Em termos de animação, não posso dizer que esteja excelente, mas tem os seus momentos. O design dos personagens é um pouco confuso e aleatório: de alguma maneira aparentam ter uma "farda", apesar de estarem todos vestidos de maneira diferente. Mais interessante é a montagem de cenas, que mantém sempre o mistério dos crimes.

Musicalmente, achei aborrecido. OP e ED de contornos "épicos" que criam um ambiente de opulência que depois não se vem a revelar. No parênquima, muito pouco a apontar.

Tinha dito algures que tinha esperança que esta série me entretesse fenomenalmente. Não foi fenomenal, mas vê-se.

Song of the Sea

Song of the Sea
Tomm Moore
Animação
2014
8 em 10

Dos nomeados para os Óscares, faltava-nos ver este, que ainda não tinha chegado à internet numa boa versão (nem aos cinemas, nem a lado nenhum). E agora, posso dizer com segurança qual o filme que acho que deveria ter ganho o prémio em causa: este. Um filme maravilhoso.

A história baseia-se nas lendas e mitos do folclore do Norte, nomeadamente da Irlanda. Aprendemos aqui a lenda do "selkie", uma espécie de foca que se transforma em pessoa quando toca na terra. Juntando várias lendas, vivemos então uma aventura de uma menina que tem de voltar ao mar e do seu irmão humano. É um filme muito interessante no respeitante a todas estas histórias folclóricas paralelas, que são fascinantes e que merecem mais estudo da minha parte. Mas também porque conta um drama familiar, dos dois irmãos que não se compreendem, dos pais ausentes e da dor da perda. Neste aspecto, identifiquei-me muito, pois tenho uma irmã (bem, duas) e a nossa relação podia ser bem melhor. Talvez precisemos de uma aventura com bruxas, foquinhas e fadas para nos unirmos finalmente.

A animação é extremamente original. Baseada em desenhos que podem ter uma inspiração em aspectos tradicionais, faz um uso discreto dos meios digitais que se encontra muito bem integrado neste conjunto de imagens em 2D. A paleta de cores é muito completa, fazendo uso de todo o tipo de matizes nas cenas de mar e floresta, o que traz um conjunto de texturas visualmente muito agradável. O design dos personagens é simples e directo, mas de certa forma sincero. Para mais, as cenas de acção e cenas marítimas fazem uso excelente da técnica e perspectivas.

Finalmente, não posso deixar de falar da música. A banda sonora é quase revolucionária, apresentando-nos músicas românticas, lentas e com um toque de surrealismo, mantendo sempre a tradição. Variações do mesmo tema, são intrigantes e apaixonantes, provocando uma imersão completa no universo do filme.

De todos os filmes nomeados este foi sem dúvida o que mais me apaixonou, que me comoveu e que me tocou. Assim, recomendo-o vivamente. Apropriado a todas as idades, é um conto de fadas diferente e que não merece ser esquecido.

O Estrangeiro

O Estrangeiro
Albert Camus
1942
Romance

Comprei este livro na Feira do Livro, porque já tinha lido um do Camus, predecessor deste, e tinha gostado imenso. Posso dizer que também gostei imenso deste: li-o numa assentada. Comecei-o de manhã enquanto esperava pela minha vez para arranjar as unhas e terminei-o à tarde quando estava no barco a ir para Cacilhas.

"O Estrangeiro" é um homem inadaptado. A narrativa começa com a morte da mãe deste personagem, que estava num lar e vai a enterrar. A sua atitude perante este facto, e perante a vida em geral, pode ser caracterizada como "neutra". Na verdade, este homem passa pela vida como se ela não existisse, aproveitando as coisas de que gosta e sofrendo com as que não aprecia, mas tudo de forma bastante indiferente. Sabemos que gosta de nadar no mar e ir à praia. Sabemos que responde secamente, e de forma positiva, às acções dos outros porque, simplesmente, não quer saber.

É quando mata um homem, acidente ou não, que a sua atitude perante a vida começa a torná-la um pouco complicada. Assistimos ao seu julgamento e interrogatórios e sabemos que a sua condenação é injusta: nós conhecemos esta pessoa e temos uma ideia do que o levou a cometer o assassinato. Vendo bem as coisas, a culpa não é dele. Mas é uma pessoa diferente, um "estrangeiro" no meio de todas estas pessoas. Ninguém o consegue compreender e ele não se esforça por se fazer entender. 

Assim, o livro tem uma força profunda e delicada, relatando-nos factos que podem ser considerados surreiais com tanta naturalidade que simplesmente os aceitamos como verdadeiros. A história desta pessoa diferente podia ser a de qualquer um que esteja um pouco deprimido ou que não se encontre na sua melhor forma. Considerando os problemas graves da sociedade de hoje em dia, que se baseam muito nesta premisa, Camus conta uma história extremamente actual.

Para mais, a escrita tem momentos de extrema beleza, em que o autor tece considerações ligeiras - mas importantes - sobre a vida e sobre emoções e sentimentos.

Gostei imenso e mal posso esperar por ler outros livros do autor.

22.3.15

Antologia Poética de Antero de Quental

Antologia Poética de Antero de Quental
Antero de Quental
Século XIX
Poesia

Comprei este livro na Feira do Livro, pois estava barato e sentia falta de poesia nas minhas prateleiras. Enfim, tudo indica que poderia ter escolhido melhor poesia.

Antero de Quental foi um jovem Açoreano que escrevia versús muito vunitos sobre coisas muito vunitas, nomeadamente Jesus, a espada em chama de Jesus, a águia de Jesus e coisas vunitas que Jesus fez. Enfim, é um tipo de poesia carregadíssima com esta misticidade cristã. Embora esta tenha uma certa graça quando bem utilizada, no caso de Antero de Quental podemos discernir que estão aqui os primórdios, as origens!, dessa coisa maravilhosa que é o azeite.

Se existe poesia azeiteira, Antero de Quental é o rei.

Não gostei de quase poema nenhum, mas ainda assim transcrevo para aqui um dos dois ou três que até achei interessantes:

... LUX DUBIA

Verg.

Visões! Visões longínquas!
Ondas do céu - tão puras...
nuvens do mar - tão brandas...
e, em tudo... formosuras!

Coisas incertas, vagas,
que a gente vê passar
pelo-crepúsc'lo à tarde,
e erguer-se com o luar...

E mal se sabe ao certo
se estão, se andam girando,
ou se é o olhar turbado
que as foi alevantando...

Astro, que está crescendo,
imenso, desusado,
e se acha ser escuro
apenas é fitado...

Relâmpago, que o olho
mal sabe inda se viu
e, já nesse horizonte,
ao longe se sumiu...

Imagens fugidias,
que à noite andam girando
e entre a vigília e o sono,
no leito, visitando...

Véus de cambraia e renda
flutuansdo ao longe, ao longe...
nota socmo sumidas
no canto de algum monge...

Que neste céu vaguíssimo
tomassem corpo, enfim...
saudades misteriosas
que a gente vê assim.

Nem bem ao certo sabe, 
se as vê ou se é que as sente,
ou só com, olhos de alma
apenas as pressente.

Aparições fantásticas
que muito além da vida
nos levam, em hora estranha,
a alma adormecida!

Oh! quem soubera, espíritos,
donde assim baixais!
se sois talvez a imagem
- no céu - de nossos ais!

Se sois apenas sonho
que a mente nos criou....
ou alma irmã da nossa
que sobre nos pairou...

Ou ser que anda vestido
dos raios do luar
e para a vaga altura
nos vem a convidar...

Não é deserto o espaço,
o céu não é deserto
e então - quem sabe? - às vezes
se possam ver mais perto.

Essas essências puras
que além da esfera habitam,
onde se escuta a música
dos astros, que palpitam

Pois são talvez espíritos
e vêem donde vens,
alma! vê tu se podes
falar-lhes - tu que tens.

Em ti, inda um reflexo,
como tremente lua,
dessa penumbra incerta
- mas doce - onde flutua

A essência, e onde enlaçados
vão, como a adormecer,
banhados no infinito - 
- juntos - a causa e o ser.

Vendo bem a coisa, até este poema é um pouco foleiro. O que havemos de fazer? :p

Message to Adolf

Message to Adolf
Osamu Tezuka
Manga - 36 Capítulos/5 Volumes
1983
8 em 10

Este manga fala sobre três homens que partilham o mesmo nome: Adolf. Um deles é por nós todos conhecido como aquele que instigou uma das maiores guerras da humanidade e como criminoso principal do holocausto que nos flagelou a meio do século passado. Os outros dois... Bem, teremos de ler para o saber.

Tudo começa nos jogos olímpicos de Berlim. Sohei Toge é um jornalista Japonês encarregado de fazer uma grande reportagem acerca das derrotas e vitórias desportivas. No entanto, tudo muda quando recebe mensagem do seu irmão pedindo que vá buscar uns documentos. Este irmão é um activista comunista e os documentos tornam-se no elemento central da narrativa policial em que este manga se baseia. São a prova escrita de que Adolf Hitler, que odeia os judeus, tem em si - afinal - sangue judeu. Preservar, encontrar, esconder e evitar que estes documentos caiam nas mãos erradas (enquanto os tentamos passar para as mãos certas) é o mote que Tezuka nos dá para uma diferente perspectiva da segunda guerra mundial.

Participantes nesta história são também Adolf Kamil e Adolf Kaufman, personagens fictícias que têm um papel muito importante na caracterização da realidade de ambos os campos desta guerra impossível. Kamil é um judeu residente em Kobe, no Japão. Kaufman é o seu melhor amigo, mas após a morte do pai é enviado para a Alemanha para fazer parte da Juventude Hitleriana. A relação entre os dois é um elo muito importante para acompanharmos não só a narrativa policial como também a própria história da guerra.

Esta está contada de forma directa e simples. Os horrores da guerra são expressos de forma evidente, por vezes gráfica mas nunca vulgar. Através deste conjunto de personagens, ficamos a saber todas as perspectivas, e nenhuma delas é agradável. Assistimos à execução sumária de judeus, assistimos aos bombardeamentos no Japão e assistimos a todas as consequências que tudo isto traz, não apenas para os nossos personagens mas para toda a história da humanidade. Afinal, temos um relance da vida na guerra do Médio Oriente pouco depois.

O que é mais impressionante neste manga é a caracterização das personagens. Todas elas, todos os Adolf, começam com uma aura de inocência, em que as suas acções aparentam ter um lado positivo por mais que sejam horripilantes. Mas, a pouco e pouco, há uma degradação emocional e mental dos personagens, que os leva a ter atitudes cada vez mais desregradas e, usando palavras do próprio manga, "lunáticas". Gostei especialmente da caracterização de Hitler, que aparece como um louco assombrado por uma eterna solidão.

A arte é, simplesmente, espantosa. Existem cenas grandiosas, com um detalhe profundo e uma utilização de texturas excelente (especialmente tendo em conta que não são utilizados screentones). O design dos personagens é realista, sendo que não temos um excesso de pessoas extremamente bonitas. Por vezes os designs podem parecer um pouco caricaturais, mas isso apenas contribui para o realismo de toda a história. Nos momentos de guerra, especialmente no respeitante aos bombardeamentos, há excelente utilização de luz, trazendo toda uma matiz de cor a estes elementos.

Assim, este manga apresenta-se como uma das últimas obras do mestre Osamu Tezuka, mas também um trabalho fundamental para a caracterização do autor enquanto pacifista, um homem que lutou constantemente para que o horror da guerra não fosse esquecido da melhor maneira que sabia: contar histórias. É uma leitura emocionante, viciante, que não posso deixar de recomendar fortemente.

17.3.15

Real Drive

Real Drive
Furuhashi Kazuhiro - Production I.G.
Anime - 26 Episódios
2008
6 em 10

Este é um anime com uma premisa interessante. Num futuro próximo, a consciência humana está ligada numa espécie de "network" submarino. Aqui, seguimos as aventuras de um grupo de pessoas envolvidas com o mergulho nesta "network", em que resolvem problemas de fuga de informação e de mal-entendidos entre as diversas consciências. É uma temática com uma certa influência cyberpunk, mas tratada de uma forma muito mais leve e relaxada.

Isto acaba por ser um pouco anti-natural no decorrer da história. Afinal, tratando de assuntos tão sérios, a forma como estes são abordados acaba por ser demasiado infantil e pouco realista. Temos um conjunto de personagens que, tendo o seu interesse, acaba por se manter dentro do lugar-comum da sua natureza, havendo pouco ou nenhum desenvolvimento. Ainda assim, fica a nota para o interessante design, em que vemos uma grande variedade de pessoas. Afinal, é muito raro ver personagens gordinhas em anime.

Colmatando estes aspectos menos bons, temos uma arte que pode ser caracterizada como espectacular. Toda a acção é passada numa paradisíaca ilha do Pacífico-Sul, com céus muito azuis, águas muito límpidas e toda uma modernidade na arquitectura que se conjuga muito bem com a natureza da ilha. Para mais, as cenas de acção propriamente ditas estão animadas com mestria e elevado detalhe, sendo que se tornou um prazer observar cada uma das lutas físicas que apareceram durante o anime.

Musicalmente, temos algumas peças interessantes na banda sonora mas pouco mais. A OP e ED são vulgares e parecem não se adaptar bem ao tema e, de resto, há pouca variedade.

Se por um lado este tema talvez merecesse uma abordagem um pouco mais regrada, podemos considerar este um bom anime para relaxar (o que é sempre uma coisa boa)

Pi

Pi
Darren Anofsky
Filme
1998
7 em 10

Sábado passado, dia 14 de Março de 2015, processou-se um dia muito especial para mim: o dia do Pi! Em inglês, este dia relata-se como "3.14.15", o que é o valor do número Pi. :) E eu gosto do Pi. Acho-o super fofinho e adoro dizer PIPIPI. Pi. Tinhamos planos de ir a uma festa com o pessoal depois de jantar, mas acabámos por ficar em casa. Apesar de tudo, celebrámos o dia do Pi vendo este filme. Não o terminámos e acabei por o rever no dia seguinte depois do jantar.

Um thriller intenso e misterioso, conta a história de um génio da matemática (repare-se na temática deste fim de semana) que tenta encontrar padrões nos valores da bolsa. Embrenhando-se cada vez mais na paranóia dos números e de uma doença mental que o assola, acaba por se envolver com um grupo de cabalistas (misticidade judaica) que procuram um número de 216 dígitos na Tora. Para mais, é perseguido por uma entidade governamental que quer também este valor de 216 dígitos. Que número é este? 

É um filme altamente stressante, sobretudo devido à opção estilística. O filme é todo a preto e branco, com as sombras extremamente carregadas, o que dá todo um ar de misticidade à narrativa. Isto é complementado por uma banda sonora repetitiva, enervante e desconcertante, conjunto de ruídos que são incomodativos tanto para nós como para o personagem.

Este está caracterizado muito bem, embora as suas acções acabem por ser um pouco limitadas ao sofrimento da paranóia.

No final, acabamos por não saber qual é o número nem o que ele faz, sendo que nos são dadas informações ambíguas sobre o destino do nosso personagem. Mas, segundo me pareceu, ele não precisa de sofrer mais, o que me deixa aliviada.

E assim terminaram as nossas celebrações Piicas. :)

The Imitation Game

The Imitation Game
Morten Tyldum
Filme
2014
6 em 10

Finalmente de volta aos programas nocturnos com Qui, começamos por ver este filme que ele tinha no computador por mero acaso (assim não tivemos de esperar que um outro acabasse de sacar)

Baseia-se na história do Senhor Turing, um génio da matemática. Durante a segunda guerra mundial, os alemães ganhavam pois enviavam as suas mensagens em código através da máquina "Enigma". Tentando resolver esta problemática, Turing cria uma máquina um pouco diferente que veio a ser o antecessor dos computadores que todos usamos hoje em dia (e através dos quais escrevo esta mensagem)

O filme é bastante simples, relatando de forma directa a vida e obra desta pessoa. Toca um pouco na temática da homossexualidade, embora este assunto pudesse ter sido um pouco mais explorado, um pouco para além da "minha paixão de infância". É evidente que o filme teve um baixo valor de produção, devido aos efeitos especiais arcaicos, que poderiam ter sido completamente eliminados, e até à própria caracterização da época histórica em que a narrativa se passa.

Sem dúvida que a melhor parte está no trabalho de actor. Não conhecia eu este actor, Benedict Cumberbatch, e fiquei muito impressionada com o seu trabalho. É uma caracterização do génio enquanto pessoa inadequada quase perfeita. Dizem-me que ele faz sempre papéis assim, mas gostaria de o ver interpretando outras personagens diferentes, pois acho que está aqui um grande potencial.

Apesar de tudo, foi um filme que me entreteu bastante.

12.3.15

Sentou Yousei Yukikaze

Sentou Yousei Yukikaze
Ohkura Masahiko - Gonzo
Anime OVA - 5 Episódios
2002
6 em 10

Este OVA conta a história de uma guerra. É contra entidades alienígenas, mas poderia ser contra qualquer tipo de criatura. Através da relaçao piloto-máquina e da interacção com os seus pares e superiores, é-nos relatada uma guerra realista, contra um misterioso inimigo que rapidamente se poderia considerar humano tal como nós.

Infelizmente, esta história com grande potencial falha em alguns aspectos. A narrativa não está bem estruturada e os personagens encontram-se pouco desenvolvidos, sendo que teria sido agradável conhecer um pouco mais sobre as suas motivações para nos entendermos melhor dentro deste contexto. Apesar do realismo impresso a todos os aspectos (por exemplo, a maquinaria limita-se a aviões), estes personagens acabam por ter uma aura um pouco fantasiosa, como se cada um deles tivesse mais "poderes especiais" do que aquilo que realmente têm ou que seria humanamente possível. Desta forma, a suposição primária deste anime (realismo) e a sua execução tornam-se antagónicas. Isto é realmente muito estranho.

Este OVA poderá ser considerado uma revolução dentro do universo da animação, pois integra uma produção elevadíssima em CG tridimensional com os personagens bidimensionais de sempre. Apesar de a técnica ser um pouco arcaica (e tal se notar de forma flagrante) parece-me uma excelente introdução neste campo e parece-me que terá aberto caminhos para toda uma nova série de técnicas. Acredito que o efeito geral tivesse tido melhor resultado se os cenários de céu e nuvens fossem um pouco mais detalhados ou que não se apoiassem tanto no CG (o que os torna pouco acreditáveis e, dizendo as coisas como elas são, muito feiinhos)

A banda sonora não tem nada de especial, se bem que a ED me recorda o rock-n-roll da época das guerras Americanas, o que acaba por calhar muito bem dentro do contexto.

Um anime que pode ter tido o seu lugar ao sol há uma década, mas que hoje em dia serve apenas como representação do seu tempo.

O Voo da Passarola

O Voo da Passarola
Azhar Abidi
2006
Romance

É evidente que depois de se ler uma obra da envergadura do Memorial do Convento se fica com um bocadinho de vontade de saber mais sobre as temáticas aí apresentadas. Assim, inscrevi-me para este BookRay, no BookCrossing, para um livro sobre a passarola voadora.

Antes de mais, devo referir que senti um certo orgulho por uma pessoa de tão longe (autor paquistanês residente na Nova Zelândia) gostar tanto da história de um personagem  da história portuguesa para escrever um livro sobre ela. Para mais, um livro escrito com tanto carinho. Deixou-me muito feliz. :)

O livro conta a história, com uma grande dose de fantasia, de Bartolomeu Gusmão, o inventor da "passarola" uma máquina de voar no século XVII. Acompanhado pelo seu irmão fictício, Alexandre (ou Alex), viaja por céus nunca antes navegados, participando em guerras, resgates, histórias de amor e uma exploração do Ártico. A escrita é muito simples e moderna, o que por vezes não se coaduna dentro do contexto histórico, tornando a leitura fácil e rápida. Para mais, é um livro muito pequeno, lê-se num respirar fundo.

As descrições cénicas do céu têm momentos de beleza extrema e levam-nos para este universo imediatamente. Passamos a desejar estar com os dois irmãos nos céus, visitando terra atrás de terra e conhecendo tantas pessoas novas. Infelizmente, a falta de rigor histórico acaba por tornar a experiência em algo estranho, como se de uma fábula se tratasse. 

O livro acaba por se tornar numa simples história de aventuras. É engraçado e acaba por ser uma excelente tentativa de tratamento desta história (quase um mito), mas fica um pouco aquém das expectativas.

Futakoi Alternative

Futakoi Alternative
Hirao Takayuki - ufotable
Anime - 13 Episódios
2005
5 em 10

Como sempre, intercalado com um bom anime vem um que é um pouco mais ou menos bastante horribilis.

Isto é suposto ser uma comédia. O nosso jovem amigo (há sempre um) tem envolvimentos antagónicos com a máfia. Para o ajudar, tem um par de gémeas e lutam contra umas hilariantes forças do mal. Soquenão. Nada aqui é hilariante. Apenas nos leva a pensar "porque gastaram dinheiro nisto"

A história segue de forma mais ou menos episódica, em que conhecemos novos inimigos (muito engraçados) e novos pares de gémeas (muito sensuais). Acontecem muitas coisas, mas a verdade é que nenhuma delas tem qualquer tipo de força motriz que as torne em algo mais do que inconsequente. O mesmo acontece com as personagens. As raparigas, todas elas, estão reduzidas a serem um elemento do par. Apenas funcionam em conjunto, até mesmo nos momentos finais em que há uma separação. Isto é altamente limitante, reduzindo as personagens a uma espécie de fetiche que, podendo fascinar o mais volúvel dos ota-cus, torna todo o anime numa experiência bastante desagradável.

Artisticamente, este anime faz-nos lembrar que nem sempre os grandes estúdios dedicados a animação espectacular foram grandes estúdios dedicados a animação espectacular. A arte gráfica e animação estão um pouco abaixo da média, mesmo considerando que nos encontramos a meio dos anos 00. É tudo muito pouco detalhado e há erros graves no que respeita às proporções. Sem dúvida que a melhor parte, e não só tem termos de arte, são os momentos spot-motion do final e as fotografias utilizadas no meio de cada episódio (assinalando o intervalo). São imagens extremamente interessantes, embora não tenham qualquer relação com o anime em si, e deixam-nos curiosos para saber mais sobre elas.

Na banda sonora, não temos nada de extraordinário, mas as EDs têm um certo efeito calmante.

Enfim, mais um anime que foi visto e que rapidamente será esquecido.

Persepolis

Persepolis
Marjane Satrapi
2000
Banda Desenhada
7 em 10

Depois de ver o filme, tinha ficado curiosa em relação ao livro original. Assim, quando a Ana-san se ofereceu para mo emprestar (em troca de qualquer BD que eu tivesse por aqui), foi com muito gosto que aceitei. Li-o num instante, e olhem que o livro é bem grande.

Inevitavelmente, terei de estabelecer alguns paralelos com o filme. O tema é o mesmo, assim como a abordagem. De uma forma autobiográfica, Marjane Satrapi conta-nos como costumava ser a vida no Irão antes da guerra e como se tornou depois dela. No entremeio, fala-nos da incapacidade do mundo dito por "civilizado" de a aceitar enquanto ser humano e da sua dúvida e espiral depressiva quando confrontada com a sua identidade. Se por um lado ela se habituou à liberdade europeia tal como ela é, por outro lado é atraída pelo conforto de estar na sua terra e de não ser julgada pelo seu aspecto. Só que continua sendo. É um dilema paradoxal muito interessante, que está explorado com a mestria de quem o viveu.

Existem várias diferenças em relação ao filme que tornam esta obra em algo completamente distinto. Para começar, são poucos e muito vagos os momentos musicais. Considerando que o filme vive em absoluto destes, o "silêncio" foi algo que me impressionou de sobremaneira. Para mais, há uma diferença artística flagrante. Enquanto que no filme explorávamos toda uma tonalidade entre o preto e o branco, no livro este elemento é muito mais directo: só existem o preto e o branco. Apesar disto, a utilização de padrões leva-nos a conseguir imaginar toda uma matiz de cor. Assim, a paleta reduzida torna-se extremamente versátil, sobretudo em imagens de guerra e destruição que são, sem dúvida, muito mais impressionantes.

É uma banda desenhada de curtas vinhetas e com bastante texto. As explicações dadas são claras e dão-nos uma excelente visão do sentimento colectivo das pessoas informadas perante o flagrante da guerra e do extremismo religioso, colmatados com expressões extremamente naturais inseridas nos diálogos. Isto prova que, apesar de tudo, ainda somos "pessoas", "pessoas normais", não apenas reduzidas ao limitante "extremo ou livre-pensador"

O elemento depressivo pareceu-me estar melhor expressado no filme, já que aqui há apenas uma referência bastante vaga sob um olhar frio. Isto foi, realmente, uma pena: gostaria de ter visto todas aquelas imagens de tripanário em papel.

No geral, uma excelente banda desenhada que nos dá uma luz aguçada sobre a temática da guerra do médio-oriente, assunto sempre actual (espero que venha o dia em que deixe de o ser)

11.3.15

Batman: Death Mask

Batman: Death Mask
Natsume Yoshinori
Manga - 4 Capítulos/1 Volume
2008
 6 em 10

Talvez já tenha dito isto, mas é uma informação importante: o namoradim, conhecido como Qui, gosta do Bátima (Batman). E por isso eu gostaria de saber mais sobre o Bátima. Mas não tenho muito vagar para andar cinquenta anos atrás no tempo para ler tudo desde o início. Assim, quando encontrei este livro à venda no AmadoraBD 2014, ainda hesitei um pouco em o comprar mas depois decidi-me: mesmo se não gostasse, podia sempre tornar-se num bom presente para o Qui :)

Mas voltemos ao manga. Esta é uma história alternativa em que temos um Bruce Wayne na força da vida, relelmbrando os momentos do seu treino por terras nipónicas. Quando confrontado com um assassino em série que arranca as caras das pessoas, tem de voltar ao seu passado e enfrentar a sua outra persona, a sua sombra, a sua "máscara".

Neste aspecto, o da máscara do Batman poder ser uma máscara para a pessoa de Bruce Wayne como indivíduo, o conceito está muito interessante e muito bem explorado. Encontramos o jovem Bruce no passado entrando numa espiral de medo e de busca pela força interior que depois é atingida plenamente na realização de Batman, não enquanto super herói mas enquanto ser humano equilibrado e em paz com o seu passado.

Por outro lado, a estrutura narrativa é bastante previsível e, apesar do final tocante, acaba por se tornar um pouco aborrecida por o leitor tem sempre uma boa ideia do que se vai passar, de quem é o culpado e o que vai acontecer em traços gerais.

Artisticamente, temos designs interessantes mas pouco detalhados, com algum ênfase na anatomia masculina e musculatura. Dentro do contexto "Batman", isto é um dado interessante. Não há muito de extraordinário em termos de utilização de texturas e tons.

Sem dúvida que a parte mais interessante desta edição foi a pequena entrevista ao autor que está no final do volume. Nela, este explica que tentou escrever para um público ocidental, mais do que tentar cativar o público Japonês para os comics americanos. Isto revela bastante sobre o estilo narrativo utilizado, o que é sempre uma coisa gira de que nos podemos aperceber.

Um manga que os fãs da personagem irão adorar certamente.

All You Need is Kill

All You Need is Kill
Hiroshi Sakurazaka
2004
Light Novel

Quando encontrei este livrinho a olhar para mim cândidamente, na secção de banda desenhada da Fnac dos Armazéns do Chiado... Bem, tinha visto recentemente o filme Edge of Tomorrow e tinha gostado do conceito, por isso não consegui resistir ao chamamento da light novel original, que inspirou a indústria americana a contratar o Tom Cruise para mais um filme.

Em relação ao filme, existem muitas diferenças. Para começar, o nosso soldado raso tem uma história pregressa de inocência que torna toda a sua transformação em máquina de guerra numa experiência muito mais fascinante. Em oposição a "Valquíria" também tem uma caracterização muito mais profunda, transformando-a num ser sensível que, apesar de tudo, está a cicatrizar de uma experiência intensa de guerra. É na caracterização das personagens que se encontra a maior força do livro: são pessoas vívidas, que conhecemos lentamente à medida que os "loops" temporais vão passando, e pelas quais ganhamos um certo carinho.

Em termos narrativos, a história desenvolve-se rápido, sem grandes detalhes e apenas as explicações essenciais para compreender os traços gerais de ficção-científica que aqui se geram. A forma como a entrada dos "mimics" no nosso planeta está explicada é emocionante e o traço de humanidade que esta força revela torna tudo um pouco mais complicado de digerir (mas de uma forma positiva).

É uma light-novel com o seu interesse, mas acho que se não fosse pelo filme teria ficado esquecida.

9.3.15

True Tears

True Tears
Nishimura Junji - Lantis
Anime - 13 Episódios + 1 Special + 1 Special + 7 Specials
2008
7 em 10

Há algum tempo que não via um romance e, para mais, um romance de boa qualidade. É sempre com um misto de alegria e alívio que termino este tipo de série e é com uma certa dose de felicidade que depois me remeto a escrever sobre ela.

O jovem Shinichiro faz desenhos sobre a sua colega de casa, uma rapariga que foi viver com a sua família devido à morte dos pais. Ela aparenta ser uma pessoa alegre e extrovertida, mas em casa é o oposto - o que também tem relação com a mãe de Shinichiro. Assim, o nosso amigo pensa secretamente que ela há-de ter lágrimas escondidas, que não quer revelar. Entretanto, há a namorada do seu melhor amigo e uma rapariga estranhamente infantil que gosta de galinhas. Vem-se a estabelecer uma relação com ela. Mas será que é este o verdadeiro amor de Shinichiro?

Apesar de ter traços de harem, o anime é muito mais que isso, sendo que a carga romântica é muito superior àquilo que se poderia esperar desse género. O polígono amoroso que se desenvolve é muito cativante, pois as personagens também o são. Este conjunto de personagens tem uma força motriz muito própria, sendo que cada um deles é único em si mesmo e tem características que os distinguem. Assim, não podemos deixar de desejar o melhor para estas pessoas, sendo que lhes ganhamos uma certa afeição. A história, que tem contornos simples, estabelece-se como única devido às características dos personagens.

A arte é encantadora. O anime passa-se entre o final do Outono e o Inverno, pelo que temos muitas paisagens de tonalidades quentes, com um excelente uso da luz e cor. Para mais, tudo é altamente detalhado. Os designs de arquitectura são originais e cativantes, assim como os dos personagens. Estes estão caracterizados como pessoas bastante normais, sem nenhuma beleza excepcional, o que é muito adequado ao teor da história. Mas o que me causou maior impressão foi mesmo a arte cénica que está simplesmente maravilhosa.

No respeitante à banda sonora, temos um conjunto de peças insturmentais bastante calmas, com uso de tecla e cordas. O conjunto em si é muito bonito e estabelece um tom contemplativo que é essencial para a nossa imersão na narrativa. O mesmo acontece com a OP e ED que, tendo uma certa energia, não fogem do ambiente geral.

Em conclusão, posso dizer que é um romance altamente viciante e muito bem montado. Foi um toque de água fresca e não posso deixar de o recomendar.

8.3.15

Hybrid Child

Hybrid Child
Fukuda Michio - Studio Deen
Anime OVA - 4 Episódios
2014
5 em 10

Há algum tempo que não via nada no universo BL. Gostava de dizer que ainda adoro BL como o que mais quero na vida, mas... Não sei, hoje em dia parece que me aborrece. Este OVA é, mais uma vez, a prova disso.

Hybrid Child é uma criatura que não é um boneco nem um ser humano. Cresce com o amor dado pelo seu dono. Neste OVA vemos três histórias.

Primeiro, conhecemos a dor de perder um hybrid child que, idoso, começa a perder as suas características. Depois, é o oposto, vemos o hybrid child a crescer e a aprender sobre a felicidade e a tristeza. Finalmente, em dois episódios, descobrimos mais sobre o criador de tais objectos. Cada uma destas histórias tem uma tonalidade romântica e delicada, mas que pouco ultrapassa o estereótipo de "mestre-criado" tantas vezes já estabelecido como fetiche no universo dos animes. Os personagens estão pouco definidos, aparentando cada "casal" ser uma cópia do anterior. Na verdade, semes ou ukes, são todos personagens em branco, característica essa tão comum a romances de cordel e animes românticos: podemos colocar-nos na situação do personagem de que gostamos mais. Talvez na história final tenha havido um certo desenvolvimento de personagem mas, apesar de tudo, ainda foi bastante previsível.

O que me fez mais confusão ao longo de todos os episódios, foi a época em que a narrativa é passada. Isto é, como é possível existerem objectos tão modernos como os hybrid child numa época de samurais em guerra? A menos que estes bonecos que também são humanos possuam características místicas, assunto que foi pouco explorado, tal não me parece exequível.

A arte é muito simplificada, com pouco detalhe e cenários pouco contemplativos. Em termos de design de personagens, o design desta criadora irrita-me e aborrece-me, porque os rapazes são todos iguais e nem o corte de cabelo os salva.

Também todas iguais parecem ser as vozes. Musicalmente, temos uma banda sonora fraca, mas uma ED bastante bonita.

Mais um para a colecção de BL, mas mais um que não é preciso ver.

Sola

Sola
Kobayashi Tomoki - Diomedea
Anime - 13 Episódios + 2 OVA
2007
6 em 10

Um anime sobre o qual não tinha qualquer informação. Estava convencida de que seria ficção-científica. Afinal não. Trata-se de uma história romântica com um toque de sobrenatural.

O nosso personagem principal é um rapaz que gosta de fotografar o céu (sola - sora). Um dia, conhece Matsuri, uma rapariga com um problema com máquinas de venda automática, que se recusam a dar-lhe sumo de tomate. A partir daí, desenvolve-se a sua relação, com participação mais ou menos pontual de outros personagens. Até ao dia em que Matsuri desaparece e o nosso rapaz descobre que há algo mais, algo mais estranho e mais profundo, nela e nas outras pessoas que o rodeiam.

A história é um pouco errática e o elemento fantástico acaba por parecer um pouco desnecessário para o desenvolvimento da relação entre os personagens. Na verdade, este elemento aparenta estar no anime apenas para o distinguir de outros no mesmo género de romance e fatia-de-vida. Os personagens, esses, são pouco definidos, mas estabelecem-se laços entre eles que são bastante únicos e, por isso, acaba por valer a pena acompanhar as aventuras deles até ao final.

O ponto com mais força ao longo de toda a série é o grafismo dos cenários. Há um grande ênfase em relação ao céu, nuvens, sol e variações de luz de todos eles, sendo que também há alguns momentos de grande qualidade nas imagens de plantas e na arquitectura em geral. Já na animação, não há muitas alturas em que possamos dizer que está perfeita, mas nas lutas finais a coreografia está bem pensada e, no geral, o resultado é bastante positivo.

Musicalmente, temos uma banda sonora calma que estabelece bem o ritmo pretendido para a narrativa. Fazem uso de instrumentos clássicos, de tecla e cordas, que dentro do contexto funcionam muito bem. Em termos de OP e ED, pareceram-me demasiado agitadas para o conceito e não ficam na memória.

Uma série que teria pontos a melhorar mas que acaba por ser uma boa experiência.

Anisama

Anisama (2015)
Evento

Tive conhecimento deste evento por meios do fórum do AnimePortugal, onde uma das organizadoras participa frequentemente. Como não pude usar o meu cosplay novo no Photoshoot (estive doente, morrendo com febres), pensei em usá-lo aqui para experimentar as formas como se podia utilizar e mexer e todas essas coisas comuns a fatos de cosplay. E agora, no rescaldo, com umas dores nas pernas que nem me aguento em pé nem sentada nem deitada nem de forma nenhuma, escrevo um pouco sobre ele.

Infelizmente não consegui tirar uma única foto. Desde que a minha máquina se estragou, tenho apenas o telemóvel e, por alguma razão, não me senti confiante para tirar fotos com ele neste contexto. Desculpem... :(

Tudo começa pelas nove da manhã. Tinha pesquisado bastante sobre como ir ter ao evento, mas o interface metro-autocarro não me inspirava  muita confiança. Afinal, os autocarros normalmente não informam qual a paragem seguinte e tinha medo de me perder, carregada com tralhas diversas. Poderia ir de carro, mas se me perder de carro entro em pânico com mais facilidade do que se me perder a pé (na verdade, detesto conduzir). Assim, após várias sequências de pedidos, consegui convencer a minha mãe a levar-me lá. Evidentemente que nos perdemos mas minha mãe, com a confiança de muitos anos de condução, conseguiu encontrar o lugar.

Ao entrar, depara-se-me uma escadaria enorme sem iluminação. Aparentada com o terror que é dar um trambolhão por uma escadaria de pedra e partir a coluna, evitei esta escadaria, apenas saindo do evento quando estritamente necessário. Ao chegar, ninguém me sabe informar onde estão os vestiários, para deixar lá a minha mala. Então, começo a patinar por entre a multidão, até um voluntário reparar que trago uma maleta de grandes dimensões e me dirigir, precisamente, à moça do AnimePortugal (criatura de contornos semi-míticos, de nome Jessie Ann). Indica-me ela onde posso deixar a minha bagagem, um vestiário que aparenta ser uma transformação de uma sala de arrumações, mas que tá-se bem porque cabemos lá todos e tem um espelho grande e uma mesa e um banquinho. De resto, o espaço pareceu-me bem aproveitado e na área exterior havia arte urbana muito interessante. Foi pena a estrutura do edifício não ser muito segura (as escadas, o chão de tacos que gemia e essas coisas)

Tento discernir a anatomia do evento. Por enquanto, está tanta gente a cirandar de um lado para o outro que é difícil de compreender. Detecto uma sala de jogos e uma zona exterior, onde está um palco. Nesse palco, pessoas karalhokam. O palco é ao ar livre e é com um certo horror que percebo que é ali que vão ser os nossos skits. Questiono o horário em que tenho de estar toda preparada para participar. Uma e meia, dizem-me. Uma pena, penso eu. Não terei tempo para almoçar.

Começo encontrando pessoas diversas e estabelecendo laços de conversação. E, de repente, por um momento e por graça do espirito santo, ocorre-me uma tragédia....

Esqueci-me da peruca em casa!

Em pânico, ligo à minha mãe. Explico-lhe onde está a peruca e o que se passou: no dia anterior, quando preparei a minha bagagem, coloquei todas as coisas. Todas elas estavam arrumadas na cestinha dos cosplays em preparação (ainda não tinham saído de lá, na verdade). A peruca estava juntamente com as outras perucas dentro do armário. Portanto, ficou para trás! A minha mãe acedeu em fazer o favor de ma trazer. Para adiantar tempo, pois estava com medo de me atrasar para a chamada do concurso, decidi fazer logo a maquilhagem. Depois, esperei ansiosamente pela chamada da minha mãe em frente do palco.

Lá, a Ana-san estava a dar uma palestra sobre a cultura japonesa dos tempos modernos, exemplificando isso com vários estilos de moda utilizados nas grandes cidades. Achei que os exemplos dados estavam bastante desactualizados, mas depois falei disso à Ana-san, com a promessa de lhe enviar umas fotos mais modernas. Infelizmente, a Ana-san mal se ouvia e o ecrã mal se via. Eu estava mesmo na fila da frente mal conseguia perceber o que ela dizia... Aí está um ponto a melhorar.

Entretanto a minha peruca chegou e fui vestir-me. Dois saiotes, uma saia e um corpete depois, estava pronta para me apresentar à sociedade, qual debutante na sua primeira festa. Para o que costuma acontecer com os meus cosplays (ninguém os reconhecer), este fato foi um sucesso! Não foram fotos atrás de fotos, mas fiquei feliz por tanta gente o elogiar. A Ana-san tirou umas fotos que ficaram muito bem, que passo a citar:







Então, esperei. Esperei. Esperei. E nada do concurso começar. Assisti a uma demonstração de kendo, os senhores eram muito simpáticos. E nada. E esperei. Fomes. Muitas fomes. Uma multitude de fomes. Por um lado queria ir comer um crepe, tinha visto um a passar, mas por outro tinha medo de a coisa começar ou de sujar o meu fato todo branco. Comi um cupcake. Passado uma hora ou quês, perguntei às meninas das comidas se me vendiam uns morangos por 30 cêntimos (custavam 50). Disseram que sim, mas um cosplayer de Grell, que depois me veio a salvar outra vez, ofereceu-se para pagar os morangos. Obrigada! ;__;

Entretanto uma série de jovens com uma coluna gigante apoderaram-se do espaço do palco para dançarem, beatboxarem e cantarem e todas essas coisas. Nós, que esperávamos a nossa vez de entrar, não compreendíamos o que se passava. Após questionar a Jessie Ann, lá descobri que o concurso estava uma hora atrasado e que aquela brincadeira toda era afinal um teste de som, que estava com problemas de ordem técnica. De um lado para o outro, fiz amizade com duas miudinhas mui piriris que se encontravam com sua mãe a divertir-se no evento. Estavam fascinadas com as flores que eu levava e com a minha peruca e a minha saia e todas as coisas. Expliquei-lhes que era a princesa das alforrecas e depois tive de explicar o que era uma alforreca.



De qualquer forma, este foi sem dúvida o melhor momento dia, que passei com as minhas novas amiguinhas e fiquei a saber um pouco mais sobre o que vai na mente destas coisinhas pequenas e fofas. Prometi-lhes cortar umas flores do meu ramo para lhes dar, mas no final acabei por me esquecer e não lhas dei... Assim, peço à mãe das piriris que me diga qual o próximo evento a que vão, pois o prometido é devido e levar-lhes-ei umas flores ainda mais catitas nessa altura. :) Não prometo é estar vestida de princesa alforreca nessa altura... ;)

Mais tempo passa e a fome aperta. Para mais, surgiu a necessidade premente, constante e urgente de despejar oitenta e dois litros de xixi, que se começavam a acumular não só na bexiga como no cérebro. No entanto, não podia ir à casa de banho com os meus dois saiotes e saia perolada, pelo que aguentei estoicamente, como uma verdadeira heroína da causa dos xixis perdidos. Encontrei mais pessoas queridas e amigas, que me ajudaram a ultrapassar o desespero das necessidades básicas com a sua habilidade conversativa. :) E mais tempo esperei. Entretanto, voltou a aparecer o cosplayer de Grell e uma moça com maquilhagem de morte mexicana que me orientaram um pastel de nata que me soube pela vida dos outros. Obrigada! Vós sois uns amores ;__;

E, finalmente, começa o concurso! Primeiro, a Cátia e a Manon fizeram um skit muito giro sobre Fate/Stay séries. Eu realmente pensei que a Cátia tivesse ficado despida e magoada, porque foi mesmo muito realista! Depois, fomos nós. Eu estava em terceiro lugar para entrar.

Falarei melhor, mais tarde, sobre o meu skit (e sobre a construção do fato) no meu Cosplay Portfolio, mas essencialmente quis fazer uma apresentação simples, com uma música que gosto e que acho que tem muita relação com o personagem. Trata-se de uma cover em lounge da Material Girl, da Madonna, pelo senhor Richard Cheese. Coloco aqui para ouvirem :)


 

Apesar de tudo, cometi um erro no final. A música acaba numa série de "Materials" e até agora nunca consegui perceber quantos são. Quando ensaiei (ensaiei bastante) uma em cada cinco vezes enganei-me nos materials. E é claro que me enganei também no dia em que era suposto não me enganar. Mas não faz ma. :)

Quanto aos outros skits, houve alguns muito giros. Os meus preferidos foram os da Mystique de X-Men, que a moça faz ginástica e eu também gostava de fazer ginástica, o da Loki, que achei que estava muito expressivo e, é claro, o de Dragon Ball. Este último talvez tenha pecado por ser um pouco longo, mas eu vibrei durante todo ele! Aliás, fiquei estupefacta por o público não estar aos gritos e aplaudir cada coisa, como se se tratasse de um combate real, porque o skit tinha tanta graça que merecia realmente ter tido mais resposta.

Assim, partilhei o prémio (era um único prémio, infelizmente não havia primeiros, segundos e terceiros, o que eu acho que teria sido um pouquito mais equilibrado) com o Hércules e o Vegeta. Ganhámos um mini-cabaz de comidas japonesas, em que eu fiquei com os Pockys de leite e uns bolos que não sei o que são (o Vegeta depois deu-mos mais tarde). Decidi imediatamente que o namoradim, conhecido como Qui, iria comer os bolos misteriosos e eu comeria tudo o resto. :)


No momento em que me deram ordem de soltura, fui imediatamente trocar de roupa. Libertar o xixi que me atormentava a mente. Tirar a maquilhagem (as pestanas postiças já se tinham soltado). E, sobretudo... COMER. Com a máxima urgência, obtive um crepe maravilhoso, pedi o maior que tivessem, com tudo o que tivessem, tinha tanta fome, ia morrer se não comesse uma estrela-anã nesse momento exacto. Descobri que havia mais um lugar exterior, com sofás, que estava bem populado. Comi sozinha, certamente com um aspecto desesperado, sem falar com ninguém. Já lá vai o tempo em que eu me metia com toda a gente em todas as ocasiões, acho que estou a ficar mais tímida com a idade.

Descobri entretanto, através da Cátia, que ainda poderia ir ao workshop de cosplay. Tinha-me desinscrevido, pois calhava muito em cima da hora do concurso, mas com os atrasos ainda dava para ir. Na verdade, fica uma crítica, está para além da minha compreensão o porquê de, em muitos eventos, colocarem os workshops de cosplay em horas que não jogam com as dos concursos. Parece que quem vai os concursos não quer aprender. Mas, como aprendi na minha profissão, a formação contínua é da máxima importância! Por isso gosto de ir aos workshops. Apesar disto, acabei por não ir, pois sentia-me demasiado cansada para absorver qualquer tipo de informação...

Depois, explorei um pouco o espaço. Estava bem composto com bancas de artistas (que são bons artistas), mas apesar de algumas coisas me terem chamado a atenção - sobretudo umas capinhas de telemóvel, que me fazem falta - não me senti motivada a comprar nada. Escondido num cantinho estava essa nova coisa do Bubble Love, que servem bubble tea, que me senti tentada a experimentar. No entanto, sentia-me tão cansada que deixei para outra ocasião (certamente que terei mais oportunidades de provar o chá das bolhas)

Para finalizar, apanhei o autocarro e depois o metro, acompanhada pela mocita que estava vestida de Hawkgirl (e que agora estava vestida de si própria), conversando sobre skits e sobre como fazer comédia. Há muitas maneiras, mas é difícil, talvez um dia escreva sobre isso da arte de fazer teatros. :> Na mudança do interface autocarro-metro, obtivémos mais um mocito para nos acompanhar, e continuámos a conversa sobre stand-up comedy. Pelo meio disto, fui informada de que a Jessica Nigri vem à Comic-Con, o que ´é um dado que me deixa sem saber bem o que pensar... Logo se verá.

O resultado final deste evento foi bastante positivo, apesar dos magnânimes e pavorosos atrasos que me torturaram ao longo do dia. Testei o fato com sucesso, agora já sei como ele se movimenta e o que poderei fazer com ele no skit que estou a planear para o Anicomics. :) Conheci pessoas novas muito fofinhas (grandes e pequeninas) e reencontrei amigos queridos. Desta vez não abusei da djolan. E fiquei com muitas, muitas, muitas dores nas pernas. Na verdade, nem conseguia adormecer de tanto me doiam. Mas agora já estou melhor, apesar de ter cancelado os planos de hoje por ainda me encontrar exausta. Acho que tenho de me exercitar, isto não é normal na minha idade!

E com isto vos deixo! Peço desculpa por não haver fotos... Fiquem apenas com a música que, para mim, caracteriza perfeitamente o personagem do qual fiz cosplay, Kuranosuke de Kuragehime!



Talvez um dia faça um skit com isto. :)

Até à próxima e mantenham elevados os vossos níveis de felicidade! =D

6.3.15

Tron

Tron
Brian Daley
1982
Ficção-Científica

Comprei este livro por um euro na Feira do Livro de Lisboa. Nunca vi o filme, nem o novo nem o antigo, portanto pensei em colmatar essa falha com o livro. Rapidamente aprendi que o filme veio primeiro e que isto é apenas uma novelização.

É uma história interessante com detalhes simpáticos, passado no mundo digital (de onde vêm os digimons, mas estes não aparecem). Na verdade, resume-se a uma novela normal, em que há um líder tirano - o Programa Mestre - que tenta absorver e destruir os programas que ainda obedecem aos seus users - Crentes-nos-Utentes. Quando um user, Flynn, é absorvido por uma máquina de teletransporte (pois) pelo mundo digital, une-se a Tron e a Yori - programas criados pelos seus amigos Alan e Lora -  para vencer a força do mal.

Infelizmente, apesar dos conceitos serem bastante inovadores para a época em que se contextualiza, a escrita não é boa o suficiente para cativar, limitando-se a um estilo de aventura que é demasiado simplista para a história que se apresenta. As descrições são pouco claras, apenas sendo possível descortinar o que realmente se passa com ajuda das ilustrações (FABULOSAS POLICROMIAS) que estão nas páginas centrais. Para mais, os personagens sofrem pouco desenvolvimento, sendo que há uma humanização da máquina e do programa baseada na sua aprendizagem que calha um pouco ilógica nos momentos finais.

Ainda assim, foi bom variar do romance habitual com um pouco de ficção científica, um género que leio muito pouco e sobre o qual tenho curiosidade.

5.3.15

Monogatari Series: Second Season

Monogatari Series: Second Season
Shinbou Akiyuki - Shaft
Anime - 26 Episódios
2013
6 em 10

Depois de Bakemonogatari, Nisemonogatari e Nekomonogatari: Kuro, chegou a altura de ver a última instância desta série de monogataris, um conjunto de seis arcos de nomes distintos e temas distintos que giram sempre em volta do mesmo assunto: uma menina hipersexuada e o seu líder de harém.

Como podem ver pelas seasons anteriores, não desgostei muito de Nisemonogatari, que é o que vem imediatamente antes em termos cronológicos. No entanto, esta "Second Season" aparece como pouco inspirada e ligeiramente repetitiva.

Para começar, não há qualquer tipo de variação no respeitante a história e desenvolvimento de personagens. Ests personagens, estas meninas todas, sofrem uma tentativa de exploração ao longo dos arcos, em que cada um é dedicado a uma delas, mas esta cai de forma redundante perante a falta de conteúdo da sua própria concepção. Isto é, quando não há uma personalidade forte por trás, será possível haver um desenvolvimento francamente constante desse tipo de personagem? Aqui, não aconteceu. Isto poderia ser ultrapassado se, como em Nisemonogatari, tivesse havido um exagero na carga erótica (não apenas ecchi), com recurso a elementos figurativos e artísticos. Mas esse tipo de elemento foi remetido ao lugar comum do "levantar a saia da criança e por-lhe a mão no peito" ou mesmo "vamos ter de dormir na mesma cama". Isto torna tudo bastante aborrecido e denota uma falta de inspiração flagrante.

Compensando isto temos, de certa forma, a opção estilística em geral. Mais uma vez se mantêm os cenários solitários e surrealistas, com uma variação de perspectivas. Apesar de isto ser bastante pretensioso (isto é, o anime faz-se difícil para uma história sem qualquer tipo de valor), é uma experiência visual sinceramente curiosa. Na verdade, muitas vezes, senti vontade de desligar o som e apenas observar estes cenários estranhos e coloridos. Talvez o melhor fosse que todas as meninas tivessem sido eliminadas e que o anime fosse apenas uma sucessão de imagens cénicas.

Em termos de música, mantém-se a banda sonora das seasons anteriores, com variações constantes nas OPs e nas EDs que, sendo apropriadas (e tendo um grafismo na animação muito interessante) são - em si - músicas bastante vulgares dentro do pop-rock japonês. Mas houve uma delas da qual gosteio suficiente para fazer o download.

Considero que esta "Second Season" não vale a pena ser vista por quem não apreciou profundamente as seasons anteriores. Por si só, tem pouco valor. Em conjugação com o resto, pouco completa. Mas para quem gosta e ama o estilo, é mais uma experiência gratificante.

Senhora Oráculo

Senhora Oráculo
Margaret Atwood
1976
Romance

Finalmente comecei a ler os livros que comprei na Feira do Livro de 2014. Tinha ouvido falar bastante desta autora, sobreutdo dentro do contexto dos fóruns do BookCrossing, e fiquei curiosa. Assim, na altura, aproveitei o desconto para experimentar o livro.

Este livro foca-se numa personagem, a narradora, que tem uma vida estranha e infeliz. Assolada pelo trauma de uma juventude de obesidade e obsessão pela comida, entrega-se de corpo e alma à mudança pessoal sempre que pode. No entanto, atormentada pelo horror e pela vergonha do seu passado (no que respeita ao corpo e às relações familiares) acaba por criar diversas personagens e uma teia de mentiras em que se esconde para poder manter-se nas suas relações actuais. No entanto, quando tantas mentiras e vidas imaginárias se começam a misturar e a degradar-se, esta personagem inventa uma forma de escapar, uma fuga também ela imaginária. É neste ponto que a conhecemos e é a partir disto que ela explica o que realmente se passou.

A escrita é bem humorada e bastante simples e directa. Passamos a conhecer Joan, esta personagem que se transforma, e acabamos por compreender que apesar de ela se apresentar aos outros personagens sempre como uma pessoa confiante (com base nos factos que ela inventou para o suportar) é uma pessoa com muitos medos interiores. Isto reflecte-se no seu imaginário, na sua paranóia e na sua escrita.

Ao longo do livro vão aparecendo excertos do romance de cordel que ela está a escrever (é a sua profissão secreta, digamos assim). Se ao início me pareceu muito desnecessário acompanhar esta história, à medida que a história avança e que o estado emocional de Joan se vai desmoronando estes excertos são muito importantes para realmente compreendermos o pavor que assola esta pessoa constantemente, o da fraca imagem que lhe foi impressa pela família, pelas primeiras companheiras de escola, por tudo o que a rodeava na infância.

Assim, o livro acaba por ser uma análise bastante interessante da personagem que, apesar de tudo, se poderia encaixar numa espécie de estereótipo (o da "mulher gorda". Aspas aspas aspas)

Fiquei bastante curiosa em relação à autora e gostaria de ler mais livros dela para saber se o estilo de escrita é sempre assim ou se é apenas a personagem que... É assim. Agora, vou fazê-lo circular. :)

2.3.15

Vampire Princess Miyu (TV)

 
Vampire Princess Miyu
Hirano Toshiki - AIC
Anime - 26 Episódios
1997
7 em 10
 
Depois de ver o OVA, fiquei com extrema curiosidade em saber mais sobre Miyu e o seu universo. Felizmente que, dez anos depois, fizeram uma série para a televisão que colmata bastante bem as falhas da instância anterior.
 
É-nos apresentada uma história que poderia ser de vampiros, mas que toma contornos bastante mais misteriosos do que a base das "criaturas que bebem sangue". Bebem sangue, sim, mas mantêm-se no seu universo paralelo sem interferir com os seres humanos na maior parte das vezes. Quando o fazem, são os "shinma" e para os impedir de perturbar a vida tal como ela é existem os "guardiões". Miyu é um deles. Com a ajuda de Larva, um misterioso aliado, e um coelho e a envolvência de uma outra guardiã com poderes gelados, Miyu sela e destrói - episódio a episódio - uma variedade de monstros e criaturas.
 
De forma delicada e quase melancólica, vemos como estas criaturas se envolvem nos assuntos das pessoas e perturbam as suas vidas, transformando-as - elas próprias - em seres que pouco se aproximam dos seres humanos. É a influência que os shinma têm sobre a população, mais ou menos a nível individual, que forma estas narrativas que - curtas - se unem em temas como obsessões, a família, dilemas. Isto torna toda a série numa experiência muito interessante, apenas melhorada pela produção utilizada.

Em termos artísticos, há todo um ambiente de escuridão e tristeza recorrente, apesar de a a animação não ser um ponto muito forte. São utilizadas técnicas muito em voga na época, que disfarçam bem um orçamento que pode não ter sido o mais adequado a uma série desta magnitude. No entanto, é de valorizar todo o ambiente criado em torno destes mitos e da história de Miyu, que ficamos a conhecer melhor (e que eu não resisto em adicionar à minha lista de cosplays, como podem ver no Cosplay Portfolio)

O ambiente geral é potenciado por uma banda sonora misteriosa e altamente minimalista, que faz uso de instrumentos tradicionais dentro do folclore do Japão. Estas músicas estão muito adequadas ao tema atemorizante da série e tornam tudo numa experiência bastante mais perturbadora.

Um anime que me ficará na memória e que recomendo que vejam.

Dez Dias que Abalaram o Mundo

Dez Dias que Abalaram o Mundo
John Reed
1919
Não-Ficção

Recebi este livro como RABCK no BookCrossing.

A Revolução Russa é um assunto do qual apenas soube nas aulas de história. Tinha uma vaga noção de que chegaram os bolcheviques e mataram a princesa Anastácia à queima-roupa. Com este livro, para o qual me inscrevi por puro acaso, vim a aprender uma série de coisas que não se conjugam em nada com aquilo que eu pensava.

John Reed foi um dos pouquíssimos comunistas americanos. Estava na Rússia, em Petrogrado, quando aconteceu esta revolução vermelha e, assim, pôde narrar-nos com toda a exactidão o que realmente se passou. E o que realmente se passou parece digno de um livro de Kafka.

Para começar, a minha primeira realização. Sempre aprendemos a primeira guerra mundial e a revolução bolchevique em capítulos diferentes. Por isso, apesar das datas (1917 e tal), nunca me ocorreu que as duas se passassem ao mesmo tempo. Isso explica muita coisa. Afinal, o mote para tantas revoluções são exércitos a passar fome.

Mas a diferença destas pessoas para outras, de outro lugar qualquer do mundo, é que estas pessoas são comunistas. Comunistas na origem do comunismo. Eu gosto bastante da teoria, mas este livrinho vem a provar que é tudo demasiado difícil para funcionar. Demasiado burocrático. Vejamos um exemplo abstracto:

"Muito bem, estamos a fazer a revolução. Vamos tentar organizar-nos de forma democrática. Por isso votamos. Votamos num comité que vai votar para formar outro comité que votará a divisão igualitária de bens por todas as pessoas, que se formam em comités e votam para decidir a divisão igualitária real, por todos aqueles que votam"

É mais ou menos assim ao longo de 10 dias/250 páginas.

Isto é hilariante, mas ao mesmo tempo um pouco triste. Afinal, as ideias são boas. As pessoas é que as complicam.

Persepolis

Persepolis
Vincent Paronnaud e Marjane Satrapi
Animação
2007
7 em 10

Para a segunda volta, o Qui escolheu este filme, sobre o qual eu até alimentava uma certa curiosidade. Baseado na banda desenhada de mesmo nome, faz um bom trabalho na adaptação, pois parece realmente que estamos a ver um conjunto de vinhetas com movimentos.

O filme, flagrantemente autobiográfico, conta a história de Marjane, uma miúda com ideiais fortes que viu o Irão como era e como se tornou. Muitas pessoas pensam que estes países começaram desde logo por ser habitados por malucos com toalhas na cabeça, mas a verdade é que eram bastante parecidos com as nossas terras antes da revolução os ter impelido para uma ditadura religiosa. Tudo começa com Marjane em pequena, a descobrir a música e a tentar adaptar-se a uma realidade que cada vez mais se afasta daquilo que ela considera como a normalidade.

Depois, estala a guerra. Marjane é forçada a viajar para a Europa. Ali, processa-se uma nova transformação.

É um filme muito musical, falando da cena alternativa de cada país e falando, sobretudo, da dificuldade de uma jovem que sobreviveu a uma guerra em adaptar-se a universos nos quais não se consegue integrar. De um lado, não tem liberdade para se expressar e é vítima de um machismo inerente q1ue não pode suportar. Mas por outro lado, na Europa é vítima de constante racismo e é forçada a fingir ser alguém que não é para poder sobreviver. Isto, é claro, leva à depressão, retratada com excelência e mestria que apenas pode ser atingida por quem já lá esteve.

No respeitante a animação, temos uma abordagem bastante original: preto, branco e toda uma variedade de cinzentos. Toda a história do passado, certamente por alguma razão simbólica, está retratada nestas cores (ou não-cores), que se apresentam com muita variedade de matizes. Existem momentos altamente originais que retratam uma diversidade de sentimentos e, no fundo, acabamos por nos converter a esta vida a preto e branco.

Um filme bastante bom, forte e educativo no que respeita à realidade da guerra do Irão. No entanto, acho que a banda desenhada poderá ser ainda mais impressionante.