30.1.15

The Ideon: A Contact

The Ideon: A Contact
Tomino Yoshiyuki - Sunrise
Anime - Filme
1982
5 em 10

Aconteceu uma história engraçada com este filme e eu, mas fica para depois. É um filme do criador de Mobile Suit Gundam (Gandamu), que todos conhecemos e amamos. Mas é um pouco diferente.

O filme começa desde logo com uma imensa guerra entre duas entidades. Ambas consideram a outra parte como alienígena. Mas o certo é que nenhuma delas vive no planeta Terra. Apesar de tudo, como começam a perceber mais tarde, são ambas humanas. A guerra existe por uma razão misteriosa que não está muito bem explicada, mas está lá. E o filme desenvolve esta guerra, numa luta política de troca de reféns e por aí em diante.

Na verdade, é um filme resumo de uma série e, por isso, parece estar incompleto. As personagens estão mal desenvolvidas e todas as mortes (copiosas) são demasiado fáceis de aceitar, porque a realidade é que não conhecemos estas pessoas e não nos identificamos com elas. O filme continua, num outro filme, que procederei a ver e que poderá dar-nos uma luz um pouco mais completa sobre o que realmente se passa aqui.

Há um robot gigante tido como deus, mas esse conceito também não é suficientemente explorado para ter um verdadeiro interesse.

Para a época, a arte não é muito boa. Apesar dos designs de maquinaria e roupa serem interessantes, é tudo muito simples e a animação é muito básica, sendo que nas cenas de acção chega a ser um pouco dolorosa. A paleta de cores é reduzida e o sombreamento está muitas vezes mal aplicado, trazendo uma profundidade errática nas perspectivas. Em termos de cenário, limitamo-nos ao essencial.

O mesmo acontece com a música, que é parca. No final temos um tema lento, que não combina bem com a época e com o teor do anime.

Resta, então, ver a conclusão do filme. Mas as expectativas não são muitas.

29.1.15

Denpa Onna to Seishun Otoko

Denpa Onna to Seishum Otoko
Shinbou Akiyuki - Shaft
Anime - 12 Episódios + 1 Special
2012
6 em 10

Há algum tempo que não via nada para o meu clube. Assim, foi com alguma elevação nas expectativas que achei por bem começar este curto anime.

Tudo começa quando um rapaz vai viver com a tia. Ele tem uma prima que desapareceu durante seis meses e, quando voltou, veio convencida de que tinha sido abduzida pelos aliens e que se tinha tornado num deles. E, ao início (primeiros quatro episódios) este é o tema essencial. E é realmente interessante, pois queremos realmente conhecer mais acerca desta pessoa. No entanto, a partir do momento em que a relação dos dois primos se estabelece num bom tom, a narrativa muda de perspectiva, passando a fazer uma tentativa de análise das coisas boas da adolescência e do crescimento pessoal do personagem principal. Isto, infelizmente, não era aquilo que queríamos saber. Depois, na revelação do que realmente poderá ter acontecido à rapariga, tudo toma uma forma muito fantasiosa, com uma falta de realismo que não joga bem com o teor da série até esse momento.

Os personagens são interessantes ao início, mas a partir do momento em que começam a evoluir acabam por cair, com muita rapidez, em conceitos cliché. Se ao início eram personagens extremamente curiosos, a forma como foram desenvolvidos tornou-os em apenas mais um lugar comum. O personagem principal é apenas mais um líder de harem. As raparigas são apenas as raparigas do harem. E é só isso. Infelizmente.

Em termos de arte, temos opções estilísticas muito modernas, com um uso (quiçá excessivo) de pintura a aerógrafo nos personagens. É que eu não acho muito sentido em joelhos coradinhos. No respeitante a cenários, temos algumas cenas bastante boas, sobretudo aquelas de visualização do céu, mas nada de espectacularmente atraente.

Na música, temos uma dicotomia flagrante. Achei a OP horrorosa, um pavor, uma dor. Mas a ED, adorei-a em todos os seus bocadinhos. Parenquimatosamente, temos temas que parecem ser o início para alguma coisa com mais interesse, mas que nunca continuam para além de si próprios.

Uma série agradável e com o seu interesse, mas que se desenvolveu de forma muito pouco original.

27.1.15

Re: Cutie Honey

Re: Cutie Honey
Anno Hideaki - Gainax
Anime OVA - 3 Episódios
2004
7 em 10

Uma espécie de remake de série dos 70s que ainda não vi (mas vou ver).

Como sabem, não sou exactamente a maior apreciadora de maminhas balançando e gente nua a fazer coisas de gente nua, seja em animes seja em filmes com pessoas. No entanto, Re: Cutie Honey foi uma surpresa genial.

Cutie Honey é uma heroína que luta contra as forças do mal. No entanto, as forças do mal estão sempre a tirar-lhe a roupa, que se desfaz frequentemente, para além de também boiarem para cima e para baixo frequentemente. Mas, no caso deste pequeno OVA (cerca de duas horas e meia), o resultado está para lá do hilariante. Com uma história muito simples, vemos personagens com que nos identificamos imediatamnete a viver aventuras altamente desnudadas, numa sequência de acção, terror e muitas cores que só para mesmo no final.

Estes personagens são bastante unidimensionais, caracterizados apenas pelos seus traços principais, mas isso não é mau no contexto narrativo. Rapidamente se tornam queridos para nós, Honey com a sua simplicidade, Na-chan com a sua agressividade... E pela amizade que se forma entre todos, que evolui de forma consistente ao longo dos três episódios. O conceito por detrás de Honey também capta bastante o interesse, já que ela é um cyborg que vai obtendo características humanas à medida que o tempo decorre, coisas como a fome e a capacidade de amar.

A animação, por si só, é bastante fraca. Mas é largamente compensada por uma opção estilística muito moderna, com um excelente uso da paleta de cores e das perspectivas, tornando cada cena numa delícia explosiva. As expressões dos personagens dentro de cada contexto são impagáveis, coisa que é acrescentada por um conjunto de vozes bem escolhido, especialmente nos personagens secundários.

Finalmente, nada disto poderia existir sem uma banda sonora implacável, um pop açucarado sem precedentes, com temas de ironia constante que dão vontade de ouvir uma e outra vez.

Um anime que me fez rir como há muito não acontecia neste universo.

Roujin Z

Roujin Z
Kitakubo Hiroyuki - TV Asahi
Anime - Filme
1991
7 em 10

Será que aqui a je vai voltar ao hábito de ver um filme de anime por dia? Talvez sim. Talvez não.

Depois de Wrinkles, foi com alguma surpresa que me calhou este filme também sobre a temática dos idosos. Desta vez com uma interpretação um pouco mais futurista. Num assunto que ainda se mantém actual, ao longo deste filme vemos as consequências que uma tecnologia ultra-prática pode ter na vida das pessoas mais velhas que estão acamadas e dependentes de outrém.

Um velhote é levado da sua casa para ser a cobaia de uma nova máquina que permitirá a juventude ter mais independência: com ela, deixarão de ter de tomar conta dos seus avós ou pais, pois a máquina é uma unidade fantástica de cuidados intensivos que toma conta de todos os aspectos, das necessidades físicas ao exercício e alimentação. Mas será que a pessoa que está lá instalada é feliz? Começa o debate quando a enfermeira do senhor decide salvá-lo. Com isso, a máquina acaba por ganhar uma personalidade e o caos na cidade acontece.

O tema é muito interessante e o resultado é bastante engraçado. De uma forma leve e cheia de entretenimento, é-nos permitido pensar sobre que destino real dar aos nossos velhinhos, se colocá-los dependentes de maquinaria é realmente uma coisa boa. A conclusão, terão de ser vocês a ver. ;)

A animação tem os seus momentos, sendo que toda a tecnologia tem designs práticos e lógicos, que tornam tudo numa experiência acreditável. Não é exactamente um poço de excelente produção cinematográfica, mas está bastante aceitável e os detalhes são divertidos.

A banda sonora serve como complemento, sendo que a ED tem um ritmo pleno de felicidade, trazendo ao filme uma nota final positiva.

É uma experiência interessante e, portanto, recomendo.

26.1.15

The Mars Daybreak

The Mars Daybreak
Kyoda Tomoki - Bones
Anime - 26 Episódios
2004
6 em 10

Comecei a ver esta série enquanto o meu computador desktop, de nome Zizi, estava para arranjo. No portátil, de nome Asimov, foi um instante, mas no Zizi foi uma demora profunda para o sacar. Então esteve este tempo todo em pausa no episódio 9.

Este anime baseia-se na assumpção de que Marte é um planeta habitável cheio de água. Na verdade, toda a acção se poderia passar num futuro longínquo do planeta Terra, que já tem água desde origem, pois é sobre piratas em submarinos. Assim, o setting não é especialmente feliz. Um jovem soldado junta-se a uma trupe de piratas e vive aventuras com eles. De uma forma mais ou menos episódica, atacam coisas, descobrem tesouros e fogem das autoridades, com mais ou menos ajuda de uma rapariga que aparece logo no início e da qual se sabe pouco (excepto que se apaixona pelo personagem principal por razões pouco convincentes)

Os personagens são bastantes e variados, mas não possuem traços que os distingam de outras pessoas no mesmo género. O personagem principal é um vivaço que faz coisas erradas, a capitã é um monstrinho, há raparigas e raparigos com fartura, um gato que fala... E um golfinho que por alguma razão vive dentro de um sistema mecanizado. Se isto lhe permite andar em terra firme como as pessoas, não se compreende porque há-de ele usá-lo dentro de água. Afinal, os golfinhos nadam bastante bem , por mais que eu implique com eles.

Felizmente, a animação não está nada má. Apesar de termos alguns momentos com CGI arcaico, os cenários aquáticos estão bastante realistas dentro do contexto e o design de personagens não falha, embora usem sempre as mesmas roupas. Existe um nível aceitável de fluidez nos moviementos, com cenas de acção bastante espectaculares, sobretudo aquelas que não têm robots.

A banda sonora é positiva e alegre, remetendo-nos para um universo bastante leve e agradável, por vezes até cómico.

Um anime simpático, mas que não recomendaria.

Wrinkles

Wrinkles
Ignacio Ferreras
Animação
2011
8 em 10

Depois de um filme amoroso, passamos para uma película fortíssima. Infelizmente houve um erro técnico e assistimos à dobragem americana. Não sei dizer se é boa ou má, porque é muito raro ver dobragens em inglês, mas sem termo comparativo até me pareceu bem. A língua original é o castalhano, sendo Espanha o país de origem.

Emilio é um velhote e os filhos já não estão para o aturar. Assim, toma a decisão de se internar num lar. Lá, forma amizade com Miguel e outros velhotes, que ainda estão bons da cabeça. Mas o ambiente é todo ele o de um manicómio, pois não há nada para fazer e todos estão loucos, esperando a morte. No entanto, Emilio tem um problema grave de saúde. Acontece a muita gente. E à medida que vai piorando, o desespero assola-o, a ele e aos amigos. Qualquer que seja o destino, sabemos que a morte está próxima. Então, o que fazer?

Perante esta narrativa, altamente realista e bastante assustadora, seguimos a personagem de Emilio à medida que as suas memórias vão ficando perdidas e a sua vida se vai tornando cada vez mais confusa. Estes momentos, memórias boas ou más, memórias que se tornam assustadoras e que impossibilitam a vida normal, nestes momentos todo o ambiente se torna ainda mais realista e pungente, comovendo pois talvez seja esta a realidade das pessoas que sofrem este tipo de doença.

Se ao início achei que o design das personagens seria pouco expressivo, rapidamente me habituei a estas imagens e mergulhei no seu universo. Os cenários são detalhados ao extremo, numa opção suave mas realista que funciona extremamente bem dentro do contexto. Toda a animação é muito simples, mas isso joga em seu favor, tornando o filme numa experiência emocional contundente.

Os efeitos sonoros são discretos, mas acrescentam ao desespero e à confusão, permitindo-nos apreciar cenas muito belas.

Um filme que recomendo muito e que gostaria de rever na sua língua original.

Ernest et Célestine

Ernest et Célestine
Stéphane Aubier, Vincent Patar e Benjamin Renner
Animação
2012
7 em 10

O pessoal pode ter ficado a beber na festa do cosplay, mas eu continuei a party em local longínquo, muito mais caseiro e muito menos bezano, como eu gosto e aprecio. Procedemos a movie party, continuando na nossa eterna maratona de filmes de animação. Como eu os adoro, não me faz diferença nenhuma. Viva o Qui por os escolher tão bem :)

Neste filme existem apenas ratos e ursos. Célestine é uma ratinha que tem como trabalho encontrar dentes de ursos, para entregar no dentista. E Ernest é um urso pobretanas cheio de fome, que não consegue uns trocos a tocar mil instrumentos na rua. Depois de se encontrarem, começa, devagar devagarinho, a criar-se uma bonita amizade.

Esta relação entre os personagens evolui de uma maneira muito delicada e bela. Cada um deles está caracterizado individualmente com uma personalidade muito forte, o que joga muito bem com as acções que consolidam a amizade entre eles. As vozes estão encantadoras, trazendo mais vivacidade a diálogos que poderiam pecar por ser demasiado simples, não fosse este um filme para crianças.

Em termos de animação temos sequências tradicionais, com cores de aquarela, e momentos extremamente artísticos. É dada extrema atenção ao detalhe e ao design dos diversos personagens que aparece, dando características próprias a cada um. A fluidez é perfeita e o aumento de detalhe à medida que o filme progride em tudo está relacionado com a narrativa. A animação é complementada com uma banda sonora excepcional, com peças tocadas por Ernest, o nosso músico.

Um filme muito bonito e agradável. Gostei muito porque simpatizo bastante com ratos e adorei vê-los animados desta forma. :>


Winter Masquerade Ball II

Winter Masquerade Ball II
Evento
No seu segundo ano, talvez já se possa considerar tradição de que em Janeiro há festa de arromba organizada pela Associação Portuguesa de Cosplay. Como no ano passado não pude ir, por motivos de estudos, estava extremamente curiosa em relação ao que a noite nos reservava.

Começam os preparativos. Considerava levar o meu cosplay de Utena e apanhar a primeira piela do ano em companhia de pessoas mascaradas. Mas depois colocou-se uma questão retumbante dentro da minha vida pessoal. Ocorrem diálogos e chego à conclusão de que um  baile é também um sítio onde as pessoas praticam a milenar arte do engate. Não que alguém me queira engatar, pois sou uma velha horrível, cansada e acabada. Mas tem de se chegar a um acordo consensual entre duas partes tão importantes. Ficou combinado que estaria em Almada pelas dez da noite, mais coisa menos coisa.

Por isso, não seria prático levar cosplay. Assim, decidi por uma farpela condizente com o código de vestuário "semi-formal", com uma estranha temática canídea. Dirigi-me ao local fazendo uso da minha aplicação de GPS no telefone, que continua sendo um pouco inútil pois eu não sei distinguir a direita da esquerda. Após um quilómetro de caminho entre o metro e a rua do bar em causa (pois, enganei-me logo na primeira volta), encontro um local cheio, apinhado, de pessoal dumaw. Metaleiros, sim. A fumá-las à porta do sítio onde era suposto eu ir, a Fábrica 22.

Cheguei um pouco cedo de mais, mas assim que bateram as sete horas obriguei a portaria a vender-me um bilhete, apesar de ainda não terem troco. Vieram dar-mo depois. E assim estreei o bar com uma bela mini.

O bar, diga-se de passagem, estava claramente planeado com um objectivo em mente: colocar o pessoal todo bezano. Shots a um euro é demasiado barato. A mini tassbem. Mas podiam ter oferecido um coquetel pelo preço do bilhete, em vez do copo de sangria. Diziam que estava boa, mas não provei porque hoje em dia os binhos caem um pouco mal quando tenho o estômago vazio.

Em termos espaciais, é um local agradável, com muitas salinhas que poderiam ter sido melhor aproveitadas. Segundo as fotografias, a coisa estava à pinha. Um terraço exterior com palmeiras luminosas e um baloiço: era o sítio onde se estava melhor. Um palco. Durante o tempo em que lá estive, muitas pessoas jogaram um jogo de dançar, em que tinham de repetir movimentos de uns bonecos no ecrã. Parecia muito giro.

Conversando por aqui e por ali, actualizando coisas sobre coisas, comentando isto e aquilo, passou-se muito bem o tempo. Quatro mines e uma garrafa de água depois, chegou-se à conclusão de que a casa de banho existente no espaço era em número insuficiente para a quantidade de xixi que uma cerveja produz.

E lá fui embora, sem tirar uma única foto, mas com muita pena de não ter ficado para ver a parte mais agressiva da festa. Que seria o momento em que a música que eu requestei, "azinimagas" da sagrada Valesca Popozuda, começaria a tocar e toda a genta partilharia bactérias naquilo que seria considerado o mosh do seculorum.

Fica para a próxima. Até lá!

24.1.15

Star Driver

Star Driver
Igarashi Takuya - Bones
Anime - 25 Episódios
2010
7 em 10

Como souberam, eu vi o filme sem saber nada acerca da série. E o filme deixou-me muito curiosa acerca dela. Então, assim, chegou a altura de ver o que realmente se passava aqui. Gostei muito!

Um jovem misterioso é encontrado na praia de uma ilha. As pessoas dessa ilha, aliás, os estudantes, estão envolvidos num estranho rito em que conduzem e evoluem uma espécie de robots, os Cybodies. Para isso precisam de umas máscaras especiais. Mas, de repente, o tal jovem misterioso da praia também tem um Cybody! E sem máscara! E numa série de épicas explosões, lutam uns contra os outros. Pelo meio, ficamos a saber um pouco mais sobre os personagens.

Em termos narrativos, o ritmo é simples, uma espécie de "monstro da semana" em que o nosso Galactic Pretty Boy tem de lutar contra inimigos cada vez mais fortes e com diferentes especificidades. A história está cheia de conceitos misteriosos e apoia-se, sobretudo, no desenvolvimento das personagens. Estas são bastante simples, embora tenham personalidades vincadas e bem definidas. Cada uma destas pessoas tem a sua história e as suas razões para estar envolvida com estes robots e ter de lutar, mas apesar de tudo nenhuma dessas histórias é especialmente fantástica, emocionante ou comovente. Acho que a série peca por ter demasiados personagens, sendo que quase todos são introduzidos logo no início, o que torna um pouco difícil manter a concentração nas histórias de todos e de cada um.

O que mais me impressionou foi, sem dúvida, a animação. Em termos artísticos, no que respeita a cenários e a designs, temos um detalhe extraordinário, com um excelente uso da cor e brilho em momentos como a visualização do céu nocturno ou do mar. No design de roupas de personagens, por vezes as opções não foram as mais sábias. No que respeita à animação propriamente dita, temos sequências simplesmente extraordinárias, sobretudo nas lutas entre os robots, com coreografias muito bem pensadas e uma boa mistura de perspectivas, tanto das pessoas como dos cybodies. Infelizmente, há utilização de algumas sequências em todos os episódios, aquelas da transformação, o que - embora se torne numa rotina não de todo desagradável - demonstra um pouco de falta de imaginação.

O anime é muito musical, existindo em todos os episódios utilização de várias peças vocais, cantadas pelos personagens. Digamos que cada personagem tem o seu tema. Isto torna a série numa experiência muito divertida. Em termos de OPs e EDs, temos o expectável para um shounen.

No fundo, esta série é muito típica dentro do género, mas toda ela tem uma aura OTT que me agradou por demais. Gostei imenso e recomendo.

22.1.15

Vinte Anos e Um Dia

Vinte Anos e Um Dia
Jorge Semprún
2003
Romance

Recebi este livro no BookCrossing e estava desejosa de o ler, pois é sobre um assunto que me interessa: a Guerra Civil Espanhola. No entanto, por alguma razão, não me cativou.

Da perspectiva de um Narrador obscuro, a história segue a visita de um americano a uma aldeia espanhola, em que se comemora uma certa data através de um ritual um pouco macabro seguido de celebrações. Há vinte anos um dos membros daquela casa foi assassinado por revoltosos e a festa simula esses acontecimentos. Este ano, nos cinquentas, será a última vez em que isso acontece. Para percebermos melhor as consequências destas festas, aprendemos mais sobre as várias personagens que habitam esta casa neste momento, com especial ênfase para Mercedes, a dona, que na sua juventude viveu diversas aventuras eróticas com seu marido, o falecido.

Infelizmente, pareceu-me que todas estas "aventuras" calharam como desnecessárias e apenas mote para dar um pouco mais de vivacidade à narrativa. O "Narrador" perde-se constantemente nas memórias das personagens e nos seus próprios acontecimentos, coisa que é explicada quando finalmente se revela quem ele é. Esta revelação é inesperada mas um pouco desapontante. De qualquer forma, todo o estilo narrativo acaba por ser um pouco cansativo e pouco inspirador à leitura.

Para mim as partes mais interessantes são aquelas da perspectiva do inspector franquista que está presente na festa, pois são elas que relatam com mais exactidão os acontecimentos vividos durante esta época.

Há também uma insistência um pouco irritante no tema da virgindade feminina, que me pareceu exagerada e criadora de um dilema onde, na verdade, não existe dilema nenhum. Talvez na perspectiva dos personagens tal seja importante, mas o facto de mãe e filha partilharem do mesmo trauma (que não é um trauma) figurou como desnecessária.

Desapontou-me bastante.

21.1.15

Kara no Kyoukai: Mirai Fukuin - Extra Chorus

Kara no Kyoukai: Mirai Fukuin - Extra Chorus
Sudou Tomonori - ufotable
Anime - Filme
2013
  6 em 10
 
Para saberem mais sobre os outros filmes de Kara no Kyoukai, cliquem aqui.
 
Este filme é um extra e complemente ao Mirai Fukuin, filme da saga lançado em 2013. Num curto espaço de tempo, meia hora apenas, são-nos dadas a conhecer duas histórias pequeninas, que no final se relacionam levemente.
 
Primeiramente conhecemos a história de um gato, de quem Shiki tem de tomar conta até se arranjar um novo dono. Nesta história há pouco para dizer, pois se resume à interacção dos personagens com este animalzinho, que tem uma paixão por Mikiya. Na segunda parte, acompanhamos duas raparigas que tinham aparecido como personagens secundárias nos filmes anteriores da saga. Nesta parte há mais acção e dilemas, mas pouca coisa. No final, o gato é adoptado.
 
Este filme aparece, então, como uma espécie de "brownie" para os fãs da série. As relações entre os personagens, especialmente Mikiya e Shiki, são fortalecidas, o que é realmente uma coisa agradável e bonita de se ver. Em termos narrativos, nada de especial acontece, mas a forma como as duas histórias se interligam é engraçada.
 
A arte é de topo, mas desta vez não há cenas de acção evidentes que demonstrem a qualidade da animação. Shiki tem muito pouca acção e movimentos, o que é uma pena, e os momentos resumem-se a uma das raparigas da segunda história atirando com objectos na direcção da outra.
 
Na música, infelizmente, o filme não passa a excelente banda sonora das instâncias anteriores. Apesar da música final ser apropriada, foi pouca coisa para aquilo que nos habituámos a esperar.

Recomendado, mas apenas para os fãs da série.

20.1.15

Pasolini

Pasolini
Abel Ferrara
Filme
2014
6 em 10

Todos os anos, pela altura do Natal, o Fonte Nova - centro comercial perto da minha casa - faz uma promoção envolvendo bilhetes de cinema. Um voucher para bilhetes duplos foi utilizado neste filme.

Pasolini foi escritor e cineasta italiano, activo nos anos do rescaldo pós-guerra e na corrente comunista que então lutava para se afirmar na estrutura política decorrente. O seu filme mais famoso chama-se "120 Dias de Sodoma" e eu nunca o vi nem o quero ver, pois aparenta ser centrado de roda de todo o tipo de actividade sexual. Neste filme assistimos aos últimos dias deste autor, em que ficamos a conhecer um pouco sobre a sua visão sobre a vida, em diversas entrevistas e cenas soltas, e sobre o filme que planeava fazer logo antes da sua morte, de contornos trágicos e misteriosos.

Enquanto que os diálogos das entrevistas são muito bem conseguidos e nos dão realmente a ver as diversas facetas deste autor, as cenas diversas da vida actual e passada estão centradas na sua homossexualidade, acabando por definir a pessoa apenas como móbil sexual em vez de ser humano e definido. O grafismo das cenas não choca, pois aparece desadequado e mal integrado com o resto do filme. No entanto, a interpretação dada àquele que teria sido o seu último filme é bastante engraçada e serve bem como uma espécie de homenagem. Talvez uma melhor produção nos efeitos especiais tivesse tido um efeito visual mais agradável, mas tal como está também fica bem divertido e foi talvez a minha parte preferida do filme.

Quanto ao momento da morte, a verdade é que não se sabe muito sobre o que realmente aconteceu. Assim, o filme foi obrigado a tomar uma certa liberdade na interpretação dos factos conhecidos, sendo que oferece uma nova perspectiva. Esta é bastante plausível, tendo em conta o que nos foi apresentado sobre Pasolini anteriormente, não deixando nunca de ser injusta e trágica.

Apesar das falhas o filme deixou-me extremamente curiosa em ler os escritos de Pasolini, pelo que procederei a arranjar alguns.

Rakuen Tsuihou - Expelled from Paradise

Rakuen Tsuihou - Expelled from Paradise
Mizushima Seiji - Toei Animation
Anime - Filme
2014
6 em 10

Filme muito recente que nos oferece um novo tipo de visionamento, com um estilo de animação ainda pouco explorado. No entanto, o resultado fica aquém das expectativas.

Apresenta-nos uma história original: neste universo os seres humanos estão reduzidos a informação numa rede de internet. Uma agente deste mundo dirige-se ao planeta Terra, onde as pessoas ainda têm corpo, para descobrir o paradeiro de um hacker que poderá por em perigo a existência humana tal como se conhece nesse momento. Acompanha-a um humano real, Dingo. Ainda assim, pareceu-me que este mundo de influência cyberpunk poderia ter sido melhor explorado, pois tem detalhes sobre os quais gostaria de ter sabido mais.

Os personagens sofrem um desenvolvimento muito típico, sendo que o mais interessante ao longo do filme é a sua relação e diálogos, à medida que ambos aprendem mais sobre o mundo um do outro. No entanto, a estrutura da narrativa é muito igual a tudo o resto que vamos vendo e, assim, não se distingue pela positiva. Em termos de designs, pareceram-me um pouco ilógicos e a chamar claramente por fanservice, o que dentro do contexto é bastante desnecessário (e até um pouco surpreendente, tendo o filme cunho da Toei)

O que realmente distingue tudo isto dos outros filmes que foram saindo ao longo do ano são a arte e animação. Primeiramente, é um filme puramente digital e 3D. No entanto, o efeito tridimensional é amaciado com uma pintura em cell-shading. É uma técnica que vem sendo utilizada ultimamente em pequenas sequências, pelo que um filme de longa duração em que a utilizam é sem dúvida uma boa novidade. No entanto, tudo isto não funciona bem pois não há atenção nos detalhes. Os movimentos dos personagens parecem demasiado fixos e pouco plásticos, sendo que também as cenas de acção sofrem bastante com a falta de fluidez. Em termos de cenários e sua animação, este estilo pode parecer um pouco estranho.

Musicalmente, temos uma boa panóplia de sons, entre o techno e o rock, primorosamente encaixados nas sequências respectivas.

Um filme curioso e bom para quem gosta de curiosidar, mas que certamente irá envelhecer pessimamente.

19.1.15

They Are My Noble Masters

They Are My Noble Masters
Kudou Susumu - Lantis
Anime - 13 Episódios
2008
5 em 10

Como eu vejo anime aleatoriamente, às vezes calham-me estas coisas sem eu saber sequer que as tinha nos planos para ver. Porque é que eu tinha isto nos planos para ver é outra história. Mas, vá lá, não é assim tão, tão, tão mau.
Ren e Hato são irmãos e, depois de sairem de casa, encontram trabalho como criados de um grupo de irmãs muito ricas. À medida que aprendem mais sobre serem criados e sobre como servir os seus mestres, desenrolam-se muitas situações engraçadinhas. Infelizmente, não há nada de realista na exploração do tema, o que torna toda a série numa festa de erotismo e maminhas com muito pouco por onde se lhe pegue. Existem alguns gags bastante engraçados dentro do contexto, sobretudo aqueles com o general dos criados, pelo que a série não é um insucesso absoluto.

Felizmente não há demasiados personagens e não nos perdemos no excesso. Nenhum deles tem qualquer tipo de desenvolvimento, excepto Ren nos episódios finais (em que se conhece a razão pela qual fugiram de casa), e limitam-se a ser um expositor de roupinhas e lingeries. Felizmente que nos animes modernos a lingerie tem um design mais interessante do que as próprias roupas e a sua visualização não se torna num desperdício completo.

A arte não está má, com um brilho próprio e boa utilização de cores. Os designs dos personagens são originais e é fácil distingui-los uns dos outros. Em termos de animação, não há grandes momentos de acção que a demonstrem, mas no que respeita aos movimentos das pessoas está tudo dentro dos conformes.

Na música, temos OP e ED bem animadas e alegres, que decidem o tom leve da série. Quanto ao resto da OST, não é nada de extraordinário, mas há alguns temas muito simpáticos que jogam bem com as acções narradas.

Talvez seja um bom anime para os fãs de ecchi, mas como esse não é o meu caso... Lavo daí as minhas mãos.


As Vinhas da Ira

As Vinhas da Ira
John Steinbeck
1939
Romance

Este sim, é oficialmente o primeiro livro a ser lido em 2015. Um romance de excelência, que amei ler em todos os momentos.

Directamente e com mestria, Steinbeck aborda a realidade americana durante a grande depressão. Seguindo a família Joad, ele conta como tantas pessoas foram obrigadas a abandonar as suas quintas e fonte de rendimento para migrarem, numa espécie de êxodo, para a Califórnia, onde se acreditava existir trabalho com fartura e potencial felicidade. No entanto, lá chegados, é revelado que na verdade o trabalho que há é pouco para tanta gente e muito mal remunerado. Porquê? O autor explica tudo isto com uma lógica simples, fácil de seguir, mas de certa forma aterrorizante, pois estes acontecimentos - que estão muito bem inseridos na sua época - podem retratar qualquer tipo de trabalho pós-revolução industrial. Isto significa que o desespero destas pessoas é muito semelhante ao nosso desespero actual.

As descrições são muito detalhadas e vivas, mas nunca são exaustivas ao ponto de nos cansarem. Todas elas são necessárias para que nos seja possível compreender como o estado do tempo, meteorologia e natureza afectam directamente estas pessoas em viagem, condenadas a passar o resto das suas vidas em precários acampamentos à beira da estrada. Os diálogos são extremamente realistas, fazendo uso de todos os termos idiomáticos de cada uma das terras pelas quais os Joads passam.

De tantos em tantos capítulos, existem alguns elementos intermédios, narrativas de coisas que não se passam com a família que vamos seguindo mas que são referentes a todas estas pessoas, centenas de milhar, que se transportam de um ponto ao outro do país. São estes capítulos que trazem proximidade à realidade desta gente, que nos ajudam a perceber com exactidão as injustiças que sofrem. Mas também a solidariedade expressa de uns para com os outros.

Apesar do seu tom negativista, é um livro que alimenta uma certa esperança na humanidade. Apesar de perdermos tudo aquilo que nos define como pessoas, se nunca perdermos o carinho para com os outros, conseguiremos sobreviver. É uma grande lição. Um livro que é uma obra-prima.

18.1.15

Starship Operators

Starship Operators
Watanabe Takashi - J.C. Staff
Anime - 13 Episódios
2005
5 em 10

Este anime apresenta-se logo como um balde de água fria desde o primeiro momento.

Um grupo de cadetes militares numa nave espacial recebe a notícia de que o seu planeta foi pacificamente conquistado por um Reino. Decidem revoltar-se e para obterem fundos vendem-se a um canal de televisão, que lida com a situação como se fosse um reality show. Agora, repare-se que nós não sabemos quem são estas pessoas, sabemos mal o que elas fazem aqui, não fazemos ideia da motivação do Reino nem das pessoas do planeta, não sabemos nada. E teríamos esperança de que algo se ficasse a saber ao longo da série, mas muito pouco é adiantado. O elemento reality show é mal explorado e desaparece gradualmente, tornando-se completamente inconsequente. Assim, em termos de história, temos uma narrativa incongruente e incompleta, que deixa muito a desejar mas que nem sequer propõe qualquer tipo de curiosidade.

Para compensar isto, poderíamos ter personagens muito fortes com motivações e vidas singulares. Mas nada disso existe. Existem alguns dramas pessoais, casos amorosos, pessoas que morrem, mas perante a história tão mal contada e desorganizada, acabamos por não nos identificar com nenhum deles e acabamos por ignorar as suas dores e problemas.

Em termos de animação, não posso dizer que esta produção seja muito forte. Para isso, recorreram a uma escolha estilística que, fazendo sentido perante o orçamento, é bem feia. As cenas de acção e batalhas são mostradas em ecrã, simbolizando cada nave espacial por triângulos verdes ou amarelos ou cor de laranja. Isto poupa dinheiro, mas é aborrecido de ver.

Musicalmente, nada a apontar.

Uma série que teria potencial para ser muito mais interessante.

Young Frankenstein

Young Frankenstein
Mel Brooks
Filme
1974
7 em 10

Chegados a casa em noite de tempestade, faço o pedido: vamos ver um filme com pessoas para rir. E o Qui desencantou este filme. 8D

Inspirado nas personagens do livro original, Young Frankenstein é um tributo em forma de comédia a todo o franchise antiquado "Frankenstein". Mantendo personagens e conceitos fiéis ao livro, acrescenta-lhes um twist cómico que dá azo a demasiadas gargalhadas.

O trisneto do Frankenstein original não acredita no trabalho das gerações anteriores. Apenas quando se desloca à Transilvânia começa a trabalhar nisso, ficando totalmente obcecado com a ideia de reanimar tecido morto. Com ajuda dos seus assistentes, Igor e Inga, consegue criar "A Criatura", um ser enorme mas com um cérebro anormal, que o torna numa pessoa extremamente simples, delicada e ao mesmo tempo perigosa. No final, depois de muitas voltas, obtemos o mesmo elemento moral do livro original: apesar de todos termos medo da Criatura, ela não quer fazer mal a ninguém.

O elemento cómico é obtido por séries de gags que apenas são melhorados pela capacidade dos actores. Igor, sobretudo, é um personagem hilariante e muito simpático. Também as situações em que aparecem grandes discursos altamente filosóficos, fazem com que até os mais fortes se desfaçam em risos.

O filme está a preto e branco, em homenagem aos filmes antigos do Frankenstein, mas isso apenas o melhora. Todo o ambiente é de puro terror, com trovoadas, nevoeiros e lobos a uivar. Mas tudo isto aparece em oposição a um conjunto de personagens tão fabuloso que o efeito final é irónico e apenas nos faz gargalhar mais.

Das melhores comédias que vi ultimamente, recomenda-se.

13.1.15

Fate/stay night: Unlimited Blade Works

Fate/stay night: Unlimited Blade Works
Miura Takahiro - ufotable
Anime - 12 Episódios
2014
6 em 10

Para saberem sobre a primeira versão deste trabalho, por outro estúdio, cliquem aqui. Para saberem sobre a prequela Fate/Zero, cliquem aqui e aqui.

Baseado na Visual Novel de mesmo nome, que nunca irei jogar, este anime é uma versão revista e melhorada do argumento daquela, com uma animação merecedora que a primeira versão - acima - não lhe conseguiu dar. Infelizmente, apesar de todos os fãs acérrimos gritarem o contrário, ainda não é desta que temos um trabalho perfeito.

Em termos de história, já conhecíamos as bases da guerra em questão por causa de Fate/Zero. Assim, o interesse principal encontra-se nas personagens e nas relações entre elas. Ora, a partir do momento em que os próprios entendedores reduzem as personagens a números, estatísticas e valores, como se fossem meros peões, todos os traços de personalidade se perdem. Para mais, existem muitos factos que passam ao lado de quem está simplesmente a ver o anime e não tem qualquer interesse na novela visual.

Ainda assim, os servants - classe de personagens que luta entre ela - têm um certo fascínio inerente que não posso deixar de ignorar. Na verdade, a curiosidade de saber quem são, qual o seu passado e porque stão aqui, é que me motiva a ver este anime. Entre os Masters, temos dois personagens principais que, no âmago da sua adolescência, não conseguem ultrapassar o estigma do género. Para uma segunda season espera-se uma evolução mais patente de todos os elementos, pela qual espero ansiosamente. Afinal, é nas relações entre os personagens que se vai decidir o resultado desta guerra.

Em termos de animação, temos gráficos ao nível que o estúdio já nos habituou. No entanto, a insistência em cenas nocturnas com uma paleta de cores escuras difíceis de distinguir (pelo menos para os meus olhos partidos) não foi uma opção artística muito bem conseguida. Ainda assim, o detalhe dos cenários e a utilização de fontes de luz torna tudo bastante agradável. Em termos de cenas de acção, a maior parte delas passa-se durante a noite o que, como disse, não é a melhor coisa para quem é cegueta. Acho que o talento destes animadores seria muito melhor demonstrado se tudo se passasse com cores mais vivas.

Musicalmente, não encontrei nada de extraordinário nem na OP nem na ED. No parênquima temos algumas peças corais que dão valor às cenas em que estão inseridas.

No geral, um anime inferior à sua prequela, sobretudo pela falta de diálogos interessantes e pela redução dos personagens a momentos conceptuais. No entanto, ainda falta uma segunda season, pelo que teremos que aguardar para tecermos as considerações finais.

12.1.15

Blue Drop

Blue Drop
Ohkura Masahiko - Gonzo
Anime - 13 Episódios
2007
5 em 10

Este anime propõe-nos um misto de fatia de vida com ficção científica, em que acompanhamos o desenvolvimento da relação entre duas raparigas numa escola com internato feminino.

Mari é a única sobrevivente de um desastre em que toda a sua cidade foi dizimada. Quando a sua avó a envia para uma escola feminina, não se sente muito motivada. Lá, faz amigos e descobre uma relação especial com uma rapariga, que se vem a revelar uma entidade alienígena enviada para saber mais sobre a espécie humana, Qual a relação disto com os acontecimentos que levaram à destruição da cidade de Mari?

Infelizmente, o anime falha nas duas preposições sugeridas. Em termos de fatia de vida (ou slice of life) não há muitos elementos coerentes com o género. A vida na escola não está bem detalhada ou ilustrada, sendo que a acção principal se dá na tentativa de criação de uma peça de teatro para o festival da escola. As personagens secundárias não estão estabelecidas de forma a que o interesse seja captado para esta vertente da história. Do outro lado, temos um pouco de ficção científica, em que existem relações entre personagens um pouco mais fortes. No entanto, também não há grandes explicações sobre quem é esta gente e o que querem de nós.

A animação tem traços simples, que por vezes são suficientemente expressivos, misturados com maquinaria em CG que calha realmente muito mal. Este misto de técnicas não funciona bem e acaba por aparentar estar a mais, sendo que não se percebe realmente a necessidade de mostrar a tecnologia alien, pois pouco se fala dela.

Existe um ponto positivo, que é a música. Peças contemplativas ajudam-nos a entrar num universo calmo e de poucas expectativas.

O final é bastante interessante, mas dá a sensação de que este anime tem algum tipo de seguimento (talvez no manga?) e que serve como prequela a alguma coisa.

Uma série que não capta a atenção.

Kaguya Hime no Monogatari

Kaguya Hime no Monogatari
Takahata Isao - Studio Ghibli
Anime - Filme
2013
7 em 10

Este filme da Ghibli baseia-se numa história do folclore Japonês, a história do apanhador de bambu. Conta essa lenda de que um apanhador de bambu, velhote, encontrou uma criança dentro de um pau de bambu. Essa criança cresce para se tornar numa princesa, mas depois - no dia 15 de Agosto - tem de partir para de onde veio: a lua.

É bom saber desde logo a história, porque este filme apenas a conta insistindo com algum detalhe na vida diária da Princesa Kaguya. Não existem grandes variações e as personagens continuam bastante simples, de uma maneira verdadeira para com a lenda original. Apenas Kaguya, a princesa, encontra dentro dela uma certa dúvida: ela ama a natureza e deseja viver livre, ao contrário dos seus pais adoptivos que se convencem que ela merece ser uma princesa de riquezas incomparáveis.

A história pode dividir-se em duas partes: a infância e a vida adulta. Durante a infância, vemos as maravilhas da natureza e o filme é bastante leve e alegre. O peso vem na segunda parte, em que a princesa vive encerrada num palácio. De todas as formas, ficamos a conhecer bastante a vida na época Heian, tanto no meio urbano como rural. Causou-me impressão, no entanto, a linguagem utilizada que - apesar dos meus parcos conhecimentos de Japonês - não aparentava ser nada apropriada à época retratada no filme.

O ponto forte da película é a arte e animação. É muito, muito simples, com traços directos e aguarelas, o que pode tornar-se um pouco cansativo. No entanto, existem algumas cenas, nomeadamente quando a mente da princesa foge para o campo, em que a animação se torna bastante experimental e numa visualização bastante curiosa e expressiva.

Noutra nota, aponto para a música. O mesmo tema é repetido em variações diversas, utilizando um instrumento de que gosto muito, o koto. É raro ouvi-lo no contexto de anime, pelo que a sua interpretação se torna dinâmica e refrescante.

Não é um filme que recomendaria à primeira, mas acho que não se perde nada em vê-lo.

The Book of Life

The Book of Life
Jorge R. Gutierres
Animação
2014
8 em 10

Tinha curiosidade em ver este filme porque andava a ver muita gente por aí com desejos de fazer cosplay destes designs. No final, revelou-se uma aventura e pêras e um excelente filme de animação.

Pegando nas lendas mexicanas do Dia de los Muertos, que é o nosso Dia de Todos os Santos, seguimos uma aventura sobre a descoberta de si próprio de um trio de personagens fantástico. Duas entidades relacionadas com o mundo dos mortos fazem uma aposta: qual dos rapazes, Manolo ou Joaquin, será escolhido por Maria para se casarem. Eles crescem e tornam-se pessoas muito diferentes. Manolo é treinado para ser toureiro, mas o seu sonho é tocar guitarra. Joaquin é o novo herói da cidade. E as figuras místicas interferem com as suas vidas, de forma a que viajamos também ao mundo dos mortos, daqueles que são lembrados e daqueles que são esquecidos.

Isto é um tema que me fascina, isto da morte. E os universos estão feitos de tal forma que não parece nada mau estar lá. Pelos vistos, segundo as lendas mexicanas, morrer é apenas ir para uma festa! A animação cheia de luz e cor ajuda a recriar este ambiente. Falando na animação, fica também uma nota para o design dos personagens. Baseando-se na estrutura de bonecos de madeira, todos eles primam pela facilidade de movimentos e detalhe na sua criação.

É um filme muito musical, que pega em músicas que todos conhecemos da nossa cultura pop-rock. Se o tema final, o dueto, não tem graça nenhuma e acaba por parecer pouco em comparação com o resto do filme, existe um manifesto anti-tourada de extrema beleza. Todas as vozes estão muito apropriadas, com o sotaque espanhol misturado no inglês.

É um filme cheio de graça, uma caricatura simpática da ideia que um americano pode ter da cultura latina e mexicana. Os detalhes das piadas são apoiados por uma série de personagens secundários muito fortes e, no geral, é uma bonita história de amor e de crescimento pessoal.

Recomendo vivamente!


8.1.15

The Irresponsible Captain Tylor

The Irresponsible Captain Tylor
Mashimo Koichi - Tatsunoko Productions
Anime - 26 Episódios + 10 OVA
1993
6 em 10

Pela primeira vez em eras um an ime de comédia de que realmente gostei. É o primeiro anime do ano 2015 e estive a vê-lo no Asimov, o meu portátil, pois o Zizi, o meu desktop, está para arranjo durante tempo indeterminado.

Tylor é um tipo que quer ter uma vida simples e sossegada. Por mero acaso, torna-se capitão de uma nave espacial. A partir daí todas as coisas que podem correr mal seguem a lei de Morgan. Porque Tylor não foi talhado para a vida de capitão de naves espaciais e faz tudo ao contrário. Apesar disso, acaba por ter muita sorte e as coisas resolvem-se sempre pelo melhor.

Na história, acompanhamos as aventuras e desventuras de Tylor e as consequências da sua irresponsabilidade. Conseguimos com isso um efeito muito engraçado, com momentos cómicos com fartura que funcionam pelo facto de não serem ridículos ou exagerados. As consequências das acções dos personagens são engraçadas porque fazem sentido dentro do contexto. Depois, há uma história paralela sobre um reino inter-espacial que procura saber mais sobre Tylor e o persegue, mais coisa menos coisa, que forma a linha essencial da história e adiciona mais personagens interessantes.

Estes, os personagens, podem inserir-se dentro de estereótipos, sem os ultrapassar e sem procurar muito mais para além deles. Sofrem algum desenvolvimento a mais nos OVAs, mas no geral são personagens bastante simples, o que é bom para o efeito cómico pretendido para as suas acções. A parte boa é que o anime, através deles, não se expõe ao ridículo e leva-se, com conta, peso e medida, a sério, não se permitindo cair dentro dos tropes cómicos presentes nos animes do género inseridos na sua época.

Em termos de animação, não existem muitas cenas de acção espectaculares que a demonstrem.No entanto, temos uma arte bastante boa para a época, que toma em atenção o detalhe nos movimentos. Para mais, as expressões dos personagens são cuidadas e nunca pecam por exagero, problema frequente nas comédias do passado vintage.

Musicalmente, temos uma OP muito interessante, com uma animação de nível, mas de resto há pouco a apontar. Por vezses são utilizadas peças eruditas bastante conhecidas, que acrescentam bastante nos efeitos pretendidos.

É uma série representativa que nunca deixará de cativar. Assim, recomendo-a aos apreciadores de space operas com um conteúdo menos pesado.

The Firm

The Firm
John Grisham
1991
Policial

Este foi tanto o último livro de 2014 como o primeiro de 2015. Portanto não é nem um nem outro e está no limbo. Recebi-o num rabeque de aniversário do BookCrossing em que se podia escolher qualquer um dos livros disponíveis da pessoa em questão. Escolhi este por puro acaso.

É um policial sobre o universo dos advogados americanos, que é um pouco diferente do nosso. Mitch McDeere é um jovem advogado acabado de sair da faculdde a quem é oferecido um emprego genial, onde lhe pagam muito e lhe dão carro e casa e promessas de uma vida estável. No entanto, passado pouco tempo é contactado pelo FBI, onde lhe dizem que a firma onde se encontra é uma fachada para negócios da máfia. Dividido entre manter-se na firma e ajudar o FBI, McDeere recolhe imensos documentos por vias estranhas, intensamente descritas.

O livro pareceu-me demasiado longo e descritivo para o tema em questão. Na verdade, há muitos aspectos que não são relevantes e totalmente inconsequentes, como por exemplo o caso nas ilhas Caimão. Toda a narrativa parece estar estruturada a pensar desde logo na criação de um filme ^(que efectivamente existe e é com o Tom Cruise, mas que eu não vi), isto é, todas as acções - mesmo as irrelevantes - são detalhadas de forma a podermos saber coisas como a direcção em que cada personagem olha.

A progressão é muito lenta e apenas a parte final me suscitou um verdadeiro interesse sobre o que se ia passar a seguir. Fiquei com muita pena do cão, que não tinha culpa nenhuma, E também do Lamar Quin, que até era uma pessoa simpática.

Parece-me que teria valido mais a pena ver o filme, o que no meu caso é uma coisa muito rara de se dizer.

4.1.15

Why Don't You Play in Hell?

Why Don't You Play in Hell?
Shion Sono
Filme
2013
5 em 10

Filme nocturno. Depois deste só vimos uns episódios soltos de anime, portanto é o último. Feliz Ano Novo! :)

Filme Japonês de maior sucesso no seu ano e na sua terra. Percebe-se porquê, mas a minha opinião geral é um non. Ie.

Temos várias histórias, que se cruzam entretanto. Um grupo de jovens procura fazer o filme mais genial de sempre. Uma senhora yakuza mata uma série de gente. Uma miúda faz um anúncio para uma pasta de dentes. No final, todos se reunem para fazer um filme que será uma obra de arte: o lançamento no grande ecrã da miúda da pasta de dentes, que agora é crescida e muito agressiva, os jovens terão o seu filme de génio e o grupo de yakuzas poderá invadir o grupo rival e matá-los a todos em frente às câmeras.

Até à parte final do filme, posso garantir que existem momentos absolutamente hilariantes. Sobretudo protagonizados pelo chefe yakuza rival, que em termos de trabalho de actor fez um excelente papel (especialmente nas expressões, que me fizeram rir histericamente) e pelo chefe da pandilha dos filmes, que é completamente obcecado pela ideia do filme de autor a ponto nada conseguir fazer.

Agora, toda a sequência final, a da invasão e subsequente filme, pareceu-me de um exagero demasiado. Soltaram a franga e ela foi por aí toda louca, mas este momento de psicose não me pareceu tão engraçado como o resto do filme. Para mais, o conjunto de efeitos utilizados não é nada realista dentro do contexto, o que teria contribuído para uma sequência de, pelo menos, melhor qualidadde. 

O filme poderá servir como uma estranha homenagem ao mundo do cinema e à paixão pelos filmes, mas autodestrói-se em termos cómicos quando se propõe a mudar a personalidade de todos os personagens para se obter uma cena altamente chocante no final.

Star Wars - Episode VI: The Return of the Jedi

:
Star Wars - Episode VI: The Return of the Jedi
Richard Marquand
Filme
1983
7 em 10

Este filme já foi visto no dia 1 à tarde, depois de acordar. Venho então, com este último comentário à Saga da Guerra das Estrelas, dar a minha opinião final e geral. E ela é: adorei.

Neste filme há diversas conclusões, muitas delas inesperadas para mim que sabia muito poiuco sobre os filmes. PAra começar, há interacção entre novos personagens que me ficarão para sempre na memória. Jabba the Hutt e as suas house-parties fantásticas, com músicas engraçadíssimas. E, sobretudo, os Ewoks. Adorei os Ewoks, são a coisa mais fofa do mundo (logo a seguir ao Chewbacca).

As personagens mais uma vez revelam-se fascinantes, com toda a dedicação da Princesa Leia e a descoberta do seu irmão a provar mais uma vez que ela merece pertencer aos meus planos de cosplay. Mas é sobretudo a revelação de Darth Vader, que ainda tem algo bom dentro dele, que torna o filme emocionante. Talvez a luta mental entre Skywalker e o Imperador tenha algumas falhas de lógica no diálogo, pois seria de esperar que a dúvida entre o lado negro da força e o lado jedi da força fosse mais evidente. Este tinha potencial para ser um diálogo grandioso, mas apesar de tudo gostei bastante.

Sem dúvida que este filmet eve uma maior produção por trás, demonstrado pela duranção das cenas de acção que me pareceram por vezes demasiado longas.

Ainda assim, o filme acaba numa nota muito positiva e agora quero saber bastante o que nos espera nos filmes futuros, desta vez sob a chancela da Disney.

No geral a trilogia merece, para mim, sete valores na escala de dez que costumo usar. Atribuí apenas a este filme porque foi o meu preferiod. E foi o meu prefeirod essencialmente porque tem Ewoks e eu quero um Ewok para mim.

Star Wars - Episode V: The Empire Strikes Back

Star Wars - Episode V: The Empire Strikes Back
Irvin Kreshner
Filme
1980
6 em 10

Para o segundo filme da Guerra das Estrelas, usámos um regador com uma bebida transparente.

Este filme apresenta-nos muito mais negro e pessimista que o primeiro. A aventura continua, mas desta feita todas as coisas correm da pior forma possível. Nesta perspectiva negativista, aprendemos mais sobre o nosso antagonista principal, Darth Vader, e o facto de podermos acreditar que há uma solução para ele. Será que conseguiremos resistir ao lado negro da força? Também passamos a conhecer essa figura horrenda e misteriosa que é o Imperador, apresentado numa perspectiva bastante assustadora.

É também neste filme que se desenvolve a história de amor entre a Princesa Leia e Han Solo, o que vem mais uma vez deminstrar a força das personagens da qual tinha falado no comentário ao primeiro filme.

Fica a nota também para a excelente banda sonora, composta e dirigida por John Williams. Pela primeira vez conhecemos o tema da Marcha Imperial, que todos sabemos da cultura popular mas que dentro do contexto tem um efeito emocional completamente diferente. No geral, toda a banda sonora é excelente, passando rapidamente de temas extremamente pesados para música ligeira (alienígena)

Em termos de efeitos especiais, repara-se numa certa evolução das técnicas, que continuam bem integradas e com sequências de acção muito capazes para a época.

É um filme que pede desesperadamente uma continuação e é, por muitos, considerado o melhor da saga. Apesar de tudo, gostei mais do terceiro, de que falarei de seguida.

Star Wars - Episode IV: A New Hope

Star Wars - Episode IV: A New Hope
George Lucas
Filme
1977
6 em 10

Eu sei que é quase criminoso uma pessoa ver tanto anime e ler ta ntos livros e estar no espectro do "geek" e nunca ter visto o Star Wars. Portanto, semelhante pecado teve de ser corrigido! Foram os primeiros filmes de 2015, pois apenas os começámos a ver a partir da meia noite (até lá gastamos o tempo a dançar dentro de caixinhas, vide filme anterior)

Para começar, temos de admitir desde logo que, para Space Opera, a história não é especialmente complexa. Temos um império do mal que só poderá ser vencido através de uma força rebelde. Mas será que vão conseguir? Para isto junta-se uma equipa improvável, composto por um rapaz (Luke Skywalker) com jeito de mãoes, a Princesa Leia, que é uma princesa, um caçador de recompensas cheio de estilo porque é o Harrison Ford , o Chewbacca e dois robots. 

São os personagens que fazem deste filme uma viagem absolutamente deliciosa. Para começar, são todos muito bem definidos e pessoas cheias de força de vontade. A relação entre eles está cheia de dinâmica, sobretudo entre os robots. E, no geral, passamos a gostar imenso destas pessoas.

Ora, para começar toda a história temos de conhecer Obi Wan Kenobi, que desaparece logo no início pelas mãos do temível Darth Vader. Vocês conhecem a história. A única coisa que me pareceu estranha foi o facto de Skywalker aceitar desde logo a misão imposta pelo seu mestre, sem duvidar de nada. Foi tudo demasiado rápido. Aliás, é um problema ao longo de todos os filmes, as conclus
ões serem demasiado precipitadas.

Em termos de efeitos especiais, apesar de eu ter visto uma versão retocada digitalmente, temos o melhor que a época nos tem para oferecer, de forma a que a coisa não envelheceu muito. Temos uma série dee maquinaria muito bem concebida e os seus movimentos estão muito bem integrados nos cenários. Todos os monstros e alienígenas são extremamente curiosos.

Depis deste filme fiquei logo com vontade de acrescentar a Princesa Leia aos meus planos de cosplay, que podem ser vistos no Cosplay Portfolio, e é isso mesmo o que vou fazer. :)


Os Monstros das Caixas

Os Monstros das Caixas
Graham Annable e Anthony Stacchi
Animação - Filme
2014
7 em 10

Depois de um anime, passamos a um filme de animação deste ano que passou, que queria muito ver pois tinha todo o aspecto de ser uma fofura. E é mesmo.

Numa cidade onde todos são fanáticos por queijo, um homem busca ter um lugar elevado na sociedade e provar os melhores queijos. Para isso, foi encarregado dde exterminar todos os Monstros das Caixas. E o que são eles? São uns bicharocos que vivem em caixinhas! São tão fofinhos!! ^____^ A verdade é que estas criaturas são extremamente pacíficas e só saem à rua para encontrar objectos diversos que usam para fazer invenções. E quando vêm algo que os assusta o que fazem...? Metem-se dentro da caixinha! Weee! ^___^

A história é muito simples, mas cativante, contando como um menino que foi educado dentro de uma caixinha de ovos pelos monstros das caixas consegue salvá-los a todos de um vilão assustadoramente hilariante, cheio de problemas com o símbolo de todo o status: queijo!

A animação é giríssima, numa mistura de stop-motion com atributos digitais, com momentos altamente detalhados. Todo o ambiente da história tem um ar antigo e envelhecido, o que dá bastante charme. Mas talvez os designs das pessoas "humanas" sejam um pouco exagerados e tenham demasiada influência digital para se enquadrarem com as caixinhas.

As vozes estão muito bem aplicadas, sobretudo as dos monstrinhos. Resta saber como é que Eggs aprendeu a falar.

Um filme amoroso que me faz querer ter uma caixinha para mim também. Uma caixa de sopa de rabo de boi ou de comida para gato.

3.1.15

Galaxy Express 999

Galaxy Express 999
Rintaro - Toei Animation
Anime - Filme
1979
 7 em 10

Para a nossa celebração de ano novo, dirigi-me na companhia do Qui para o chamado "isolamento total". Inclui uma lareira, o isolamento total, mas não inclui internet. Os comentários que se seguem serão aos objectos vistos durante esse período de tempo, uma espécie de limbo entre 2014 e 2015. Este foi o primeiro filme visionado neste período, ainda no ano passado.

Inserido no infinito universo de Matsumoto Leiji, Galaxy Express 999 conta a mesma história de uma perspectiva um pouco diferente. Um rapazinho, depois de ver a sua mãe assassinada às mãos do terrível Count Mecha, procura entrar no Galaxy Express, um comboio que dá a volta ao espaço. Isto com o objectivo de ir até à galáxia de Andrómeda, onde obterá um corpo robótico que lhe permitirá encetar a sua vingança pela morte da mãe. Para entrar no comboio, forma amizade com uma estranha mulher, Maetel.

O filme é altamente contemplativo, debatendo assuntos como o valor da vida humana em contraponto com a evolução de tecnologia. Ainda seremos humanos depois de termos sido transformados? E será que merecebmos voltar aos nossos corpos? Numa viagem por vários planetas em que vemos todo o tipo de atrocidades e encontramos uma variedade de pessoas, chegamos a algumas conclusões.

Para esta viagem, temos de ter como acompanhantes uma série de personagens com as quais crescemos verdadeiramente. É conveniente, antes de ver este filme, ver a série do Captain Harlock, pois este a Queen Esmeraldas são personagens importantes. Mas os personagens mais interessantes são sem dúvida os principais. Maetel, sobretudo, impressionou-me pelo conceito que está por trás da sua criação que é muito emocionante. éuma personagem maravilhosa, com a qual me identifico muito, pelo que a vou acrescentar ao meu Cosplay Portfolio.

Em termos de arte, não podemos dizer que tenha sido um filme a sofrer muito com o tempo. Porque a realidade é que a arte aquarelável da época, com toda uma qualidade e detalhe nos fundos e uma série de cenas de acção de elevado orçamento, é o tipo de coisa que calha sempre bem. Existem alguns momentois de repetição de frames, mas que são tão poucos que escaparão a um olhar menos clínico e não impedem a apreciação do filme.

A banda sonora é um ponto a salientar, pois é muito variada, quer em peças instrumentais quer em baladas agradáveis que nos trazem realmente esperança neste comboio do espaço.

No geral, um filme muito bem concebido que me deixou muito curiosa para ver a série. Todos os conceitos são altamente originais, ainda hoje, e a força das personagens torna toda a viagem muito desejável: se pudesse não viver para sempre,l certamente que iria viajar neste comboio...