11.6.15

O Zahir

O Zahir
Paulo Coelho
2005
Romance

Recebi este livro pelo BookCrossing, num RABCK em cadeia no qual participei. Fiquei um pouco desapontada: por norma evito livros do Paulo Coelho. Houve uma época em que li bastantes e cheguei à conclusão de que este tipo de misticidade é algo que não aprecio em literatura. Apesar de tudo, decidi dar uma oportunidade ao livro. Já que mo tinham enviado, teria sido por terem gostado dele e quis saber então o que realmente tinha como conteúdo. Revelou-se um livro simples, cativante à sua maneira, com uma aura mística que é própria do autor (como me lembrava), mas que não era tão horrível como tinha pensado.

Conta a história de um homem que é deixado pela mulher. Ele torna essa ausência num "Zahir", algo que não pode ser encontrado e pelo qual criamos uma certa obsessão. Por influência de um jovem emigrado do Cazaquistão, ele começa uma viagem de procura espiritual e emocional, na qual se livra do estigma do "Zahir" e encontra nova disponibilidade para amar.

A escrita é simples, directa, por vezes um pouco irónica, o que acaba por ser bastante agradável. Por vezes existem passagens, mais ou menos longas, de textos que apelam à nossa espiritualidade e ao significado de vários conceitos, nomeadamente o "amor" e a "ausência do amor". Infelizmente, o livro peca pela falta de conteúdo no respeitante à caracterização dos personagens: o personagem principal aparenta ser um decalque do próprio autor, devido a todas as características (como, por exemplo, ser um autor famoso e escrever sobre os mesmos temas). Esther, a mulher que desapareceu, mantém-se como uma ausência misteriosa que acaba por pouco ou nada influênciar a viagem espiritual, que foi feita precisamente por causa dela.

As descrições poderiam ser muito mais ricas e detalhadas, o que daria toda uma nova energia à narrativa. Senti especialmente falta disto quando viajaram pela estepe, que é um ambiente inerentemente belo e que foi pouco aproveitado.

O autor inicia também uma espécie de crítica social da juventude, mas as situações são tão abstractas e pouco detalhadas que isto acaba por não funcionar.

No geral, um livro simples e agradável de ler, mas que realmente não tem o conteúdo suficiente para ser considerado uma obra maior. Segundo o meu pai, isto é um sintoma permanente em todos os livros do autor.

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